A importância do senso comum
23 de setembro de 2019 | 03h00
O Brasil não chegará a bom lugar sem um entendimento mínimo sobre uma agenda comum. Nos anos 80, essa coesão foi fundamental para conduzir o País da ditadura para a democracia. Na década seguinte, os brasileiros deixaram suas diferenças de lado para construir um amplo concerto com vista a estabilizar a economia, por meio do Plano Real. Esses edifícios coletivos – o respeito à democracia e a valorização dos fundamentos econômicos – permanecem razoavelmente sólidos desde então exatamente porque não foram fruto do voluntarismo de um líder messiânico ou da visão exclusiva deste ou daquele partido político. Resultam, ao contrário, de um amplo processo de negociação e diálogo, do qual só não participaram os extremistas, à esquerda e à direita, inconformados com a marcha dos acontecimentos e desde sempre incapazes de aceitar a realidade.
Em todos esses momentos, houve dirigentes políticos capazes de mobilizar apoio popular e das elites a essas causas comuns, demonstrando notável capacidade de articulação entre diferentes pontos de vista para fazer o País avançar.
Esse avanço, contudo, parece ter sido interrompido, exatamente porque alguns dos principais líderes políticos atuais, em especial aqueles em posição de comando no País, escolheram o confronto em vez da conciliação – isto é, abandonaram a política e entregaram-se ao jogo de soma zero, em que, para que um jogador ganhe, outro deve necessariamente perder.
Com ‘penduricalhos’, 65% dos juízes ganham acima do teto de R$ 39,3 mil
Levantamento mostra que, apesar do aperto fiscal, teto é rompido pelos magistrados mesmo depois do fim do pagamento indiscriminado do auxílio-moradia; nova benesse aprovada pelo CNJ garante auxílio-saúde de até 10% dos seus salários
22 de setembro de 2019 | 23h30
Foi na semana de sexta-feira 13, neste mês de setembro, que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu que o melhor era não dar chance ao azar. Apesar de a situação das contas públicas do País não ir bem, o órgão que controla o Poder Judiciário decidiu que era preciso cuidar melhor da saúde de seus magistrados e servidores e aprovou um auxílio que pode chegar a 10% do salário – um juiz no Brasil ficará muito próximo de ganhar o teto, que é de R$ 39,3 mil mensais. É mais do que o salário do presidente da República, de R$ 30.900,00.
Antes de sair criando novas despesas, o CNJ fez uma consulta a tribunais estaduais, federais e associações de juízes. Ouviu deles que o novo gasto era justificado. Uma das justificativas veio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que havia feito pesquisa mostrando que mais de 90% dos magistrados se dizem mais estressados do que no passado.
Bolsonaro deve vetar parte da reforma partidária... -
Em conversa com um ministro palaciano, na noite de sexta-feira (20), um deputado do PSL foi informado de que Jair Bolsonaro deve vetar trechos da reforma partidária e eleitoral aprovada na Câmara. O veto será parcial. O parlamentar depreendeu da conversa que o presidente ajustará a extensão do expurgo guiando-se pela lei das compensações.
Fustigado nas redes sociais por se distanciar dos seus compromissos de campanha, Bolsonaro avalia que pode reequilibrar a balança se expurgar os trechos mais repulsivos da proposta. Por exemplo: o uso de verba pública para pagar advogados por fora da contabilidade das campanhas e comprar imóveis para os partidos. Ou o adiamento da análise da consistência das candidaturas pela Justiça Eleitoral, abrindo brecha para a candidatura de políticos com ficha suja.
Jair precisa falar na ONU como anti-Bolsonaro...
Nove meses de governo foram suficientes para Jair Bolsonaro mostrar que sabe criar crises. Na próxima terça-feira, ele terá 20 minutos para revelar que também sabe desfazê-las. Esse é o tempo de duração do discurso que o presidente fará na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Pode continuar soando como um problema para a floresta amazônica. Mas dispõe da opção de se exibir ao mundo pela primeira vez com uma solução ambiental.
Em condições normais, os representantes de 193 países, os chefes de organismos internacionais, os líderes de organizações sociais e os repórteres dos principais meios de comunicação do mundo não dariam muita bola para Bolsonaro. Mas o capitão desdenhou tanto do meio ambiente em tão pouco tempo que acabou chamando a atenção do ambiente inteiro. Será ouvido com grande aplicação e enorme desconfiança.
Brasil terá sistema de pagamentos instantâneos, 24 horas por dia, em 2020
Na contramão de críticas internacionais à política ambiental de Bolsonaro, China investe na relação com Brasil
BRASÍLIA — Alvo de ressalvas e provocações por parte do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, no fim do ano passado, a China acabou se tornando um aliado importante para o Brasil sob o ponto de vista ambiental . Foi o primeiro país a defender o governo brasileiro dos ataques que partiram, principalmente, de países europeus, por causa das queimadas na floresta amazônica. Esse apreço poderá se traduzir em acordos importantes durante a visita de Bolsonaro a Pequim, no mês que vem, acreditam fontes do governo e do setor privado ouvidos pelo GLOBO.
BRASÍLIA — Alvo de ressalvas e provocações por parte do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, no fim do ano passado, a China acabou se tornando um aliado importante para o Brasil sob o ponto de vista ambiental . Foi o primeiro país a defender o governo brasileiro dos ataques que partiram, principalmente, de países europeus, por causa das queimadas na floresta amazônica. Esse apreço poderá se traduzir em acordos importantes durante a visita de Bolsonaro a Pequim, no mês que vem, acreditam fontes do governo e do setor privado ouvidos pelo GLOBO.



