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Bolsonaro mandou recado para líderes de ato para evitar faixas contra STF e Congresso

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2020 | 21h08

BRASÍLIA – No momento em que tenta diminuir a temperatura da crise política que pode desembocar em um eventual processo de impeachment, o presidente Jair Bolsonaro fez chegar aos líderes do ato de apoio ao seu governo deste domingo, 17, um pedido para que evitassem faixas e palavras de ordem contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso.   

Bolsonaro, segundo um dos seus mais  próximos auxiliares, fez o pedido a alguns líderes de movimentos que ele tem contato, justificando que a insurgência contra os demais poderes não o estava ajudando neste momento em que busca uma trégua. O presidente está pressionando pela crise da pandemia do coronavírus, que incluiu a saída de dois ministros da Saúde, e o inquérito do STF que apura as acusações do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que ele tentou interferir no comando da Polícia Federal.

Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro aparece na rampa do Palácio do Planalto durante manifestação a favor do governo neste domingo, 17 Foto: GABRIELA BILO/ ESTADÃO

Alguns organizadores das manifestações ficaram incumbidos de pedir a apoiadores que recolhessem as faixas, principalmente quando o presidente aparecesse na rampa do Palácio do Planalto. A preocupação era evitar que mais uma vez o presidente aparecesse na imprensa chancelando um ato antidemocrático. Apesar disso, alguns cartazes permaneceram na manifestação. 

Ao participar do ato ao lado de 11 ministros, Bolsonaro fez questão de reforçar que não  havia protesto contra os demais poderes. “Nenhuma faixa, nenhuma bandeira, que atente contra nossa Constituição, contra o Estado de Direito”, disse o presidente durante a transmissão, em relação aos manifestantes.

Esta é a primeira vez que um integrante do Planalto admite a existência da relação do presidente com os líderes das manifestações. Em atos anteriores que pediam o fechamento do Congresso e do STF, Bolsonaro, apesar de participar, dizia que se tratava de uma ação espontânea e sempre negou que incentivava seus apoiadores. Apesar do pedido do presidente para recolher as faixas, o auxiliar afirma que Bolsonaro nunca solicitou que elas fossem estendidas. 

Um dos principais líderes dos atos, o capitão da reserva da Marinha Winston Lima disse que não houve um pedido do presidente para evitar as críticas. Segundo ele, a iniciativa de fazer uma caça às faixas com conteúdo antidemocrático  ocorreu após perceberem o incômodo de Bolsonaro. 

“Começamos a ver que a mídia chamava os atos de antidemocráticas por causa de uma ou duas faixinhas, mas elas não representam os apoiadores. Percebemos também que o presidente não queria. Ele chegou a dizer isso após manifestação no Quartel-General, mas  não fez nenhum pedido”, afirmou. 

De acordo com o militar que diariamente fica na portaria do Palácio da Alvorada esperando a saída do presidente pela manhã,  os líderes solicitaram para evitar  afrontas ao STF e ao Congresso ocorreu ainda na convocação do ato. A orientação era para que os apoiadores se concentrassem em palavras de exaltação ao presidente. 

Bolsonaro
Bolsonaro ao lado de bandeira americana, durante manifestação a favor de seu governo e contra a quarentena em meio à epidemia do coronavírus, neste domingo, 17 Foto: REUTERS/Adriano Machado

“Avisamos antes, mas quando a gente foi descer para o Palácio do Planalto, onde o presidente estaria, pedimos para as pessoas não ir com os cartazes. Elas entenderam bem”, disse Lima. Segundo ele, manifestar outros demais poderes neste momento em que o presidente busca uma aproximação não era conveniente. “Não tem sentido. As coisas estão entrando nos eixos com relação ao STF e o Congresso. Estão se acertando”, disse. 

Na última semana, o chefe do Executivo ensaiou com uma aproximação com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao recebê-lo no Palácio do Planalto. Na anterior, foi recebido junto com empresários pelo presidente do STF, ministro Dias Toffolli. A visita surpresa não pegou bem na Corte e foi vista como uma pressão presidencial, mas Bolsonaro avalia que o gesto demonstra sua disposição para o diálogo.

Na última sexta-feira, 15, o ministro Celso de Mello, do STF, despachou comunicado ao Palácio do Planalto para informar o presidente do processo em tramitação na Corte que envolve um pedido de impeachment apresentado contra ele. A determinação do decano também abre espaço para Bolsonaro se manifestar e contestar a ação, caso queira.

O processo foi apresentado pelos advogados José Rossini Campos e Thiago Santos Aguiar com o objetivo de cobrar, pela Justiça, que o presidente da Câmara  analise um pedido de afastamento protocolado por eles em março. Interpelado pelo decano, Maia se manifestou pedindo que a Corte rejeite o pedido alegando que o impeachment é uma “solução extrema”.

É proibido pensar - J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

Faz sentido o cidadão brasileiro ser proibido de trabalhar e, ao mesmo tempo, continuar obrigado a pagar impostos, até o último centavo e nem um minuto depois do prazo? É claro que não faz. Mas no Brasil de hoje é cada vez mais perigoso ter a lógica do seu lado – não tente ter razão, porque você será punido. Experimente, a propósito, pedir ao prefeito Bruno Covas que não cobre a parcela de junho do IPTU, porque há dois meses não entra um tostão no seu bolso. Só a ele? Não: a Covas ou a qualquer outro dos 5 mil prefeitos que há por aí. Vão chamar o guarda municipal, dizer “fique em casa” e lhe socar uma multa no lombo.

Há nestes tempos de covid-19 uma quantidade cada vez maior de coisas que não fazem o menor nexo – mas são consideradas perfeitamente normais pelos que mandam nas 27 repúblicas mais ou menos independentes em que o País foi dividido após a decisão do STF de abolir a federação brasileira em nome da saúde pública. A epidemia parece ter tornado ilegal a tarefa de pensar. O resultado é não apenas a destruição do sistema de produção, do trabalho e da vida social, mas da liberdade. Quem não concorda com o pensamento único está errado em princípio. Quando as coisas ficam assim, é inevitável a vitória do disparate. 

Sinceramente: você acha possível confiar, de verdade, em figuras como João Doria ou Wilson Witzel? A mesma pergunta poderia ser feita em relação à maioria dos demais governadores, ou aos prefeitos, deputados e senadores. Não é preciso fazer nenhuma pesquisa de Ibope para saber a resposta. Mas o fato é que foi entregue aos políticos o poder de decidir o que é essencial ou não para você. Esqueça o que está escrito na Constituição; são eles que resolvem no momento quais são os seus direitos e quais são suas obrigações. É 100% irracional. 

Acaba de ser aprovada na Câmara dos Deputados, com mais de 250 votos, uma lei vinda do Senado que dá ao síndico do prédio o poder de proibir que os moradores façam festas ou recebam amigos em seus apartamentos – ou deixem os convidados usar o estacionamento de visitas. Nem na Alemanha de Hitler ou na Rússia de Stalin há registro de algo parecido. Leitos são retirados de hospitais públicos e transferidos para “hospitais de campanha” – onde passam a ser explorados por ONGs privadas, que recebem dinheiro do erário para fazer isso. Não se pede comprovação para qualquer coisa que é dita por um militante do “distanciamento social” – o governador Doria, por exemplo, disse que salvou “25 mil vidas” com as medidas que tomou. Fica por isso mesmo. 

Passou a valer no Brasil a ideia de que a atividade econômica mata pessoas. O cidadão é proibido de circular de carro, ir à academia de ginástica ou cortar o cabelo no barbeiro, mas permite-se que ônibus e metrôs circulem superlotados. O prefeito Covas ameaça repetidamente os paulistanos com as proibições maciças de um lockdown (tem preguiça, até, de pensar em português) sem fornecer a mais remota demonstração científica de que isso sirva para alguma coisa útil. Ao contrário: em Nova York, a cidade mais atingida pela epidemia em todo o mundo, mais de 80% das vítimas da covid-19 estavam em casa, cumprindo quarentena, quando foram infectadas. Os políticos que passaram a dar ordens na sua vida são os mesmos que se recusam a suspender os salários do funcionalismo público. Não só isso: acabam de dar aumento à polícia do DF, onde um soldado ganha a partir de agora R$ 6,5 mil por mês. 

Num país onde o presidente já teve três ministros da Saúde em dois meses e exibe a cada dia sua incapacidade de governar em meio a dificuldades, não poderia haver combinação pior. 

Negócio da China / ISTOÉ

RESPIRADORES

 

O caso do governo do Pará, que desembolsou R$ 500 milhões na compra de 400 respiradores, dos quais 152 chegaram com defeito, mostra bem o nível de risco de se fazer negócios com equipamentos médicos que ajudam a salvar vidas neste momento. A Polícia Federal está investigando a aquisição para verificar possíveis irregularidades.

Estão sendo investigadas também compras feitas por outros onze estados para enfrentar a crise pandêmica. Além de respiradores, outros itens como testes rápidos IGG e IGM, testes do tipo RT-PCR, roupas de proteção e máscaras estão entre os produtos que mais aparecem em contratos suspeitos. No mês passado, uma carga roubada de 15 mil testes estava sendo distribuída em São Paulo por uma quadrilha de chineses. Além disso, na outra ponta, por causa do estado de calamidade pública, desde fevereiro as licitações foram dispensadas e trâmites burocráticos, encurtados, o que impõe um controle redobrado das contas públicas. Surge uma enxurrada de fornecedores que não cumprem requisitos técnicos e comerciais e nem têm qualquer experiência com vendas de insumos hospitalares.

 
TESTES RÁPIDOS Governos, grandes empresas e redes de farmácias anunciam compras de grandes quantidades do insumo : testagem em massa será inevitável (Crédito:Divulgação)

“Estamos enfrentando um mercado selvagem, com concorrentes sem experiência, governança e compliance”, afirma a farmacêutica Emanuela Medrades, diretora técnica da Precisa Medicamentos, empresa que acaba de fornecer 150 mil testes rápidos importados da China para o governo do Distrito Federal, que encomendou um total de 560 mil testes. “Há grande demanda por esses insumos e abriu-se um grande espaço para oportunistas e aventureiros entrarem no negócio”. Entre os problemas mais críticos estão a cobrança de preços acima da média, demora na entrega e produtos com defeito, imprecisos ou ineficazes. Atualmente, no mercado internacional, cada teste rápido custa em torno de US$ 10,00. No Brasil eles começam a ser comercializados no varejo por preços que oscilam de R$ 100,00 a R$ 200,00 e se aguarda um crescimento exponencial nas vendas nos próximos meses. Para se ter uma ideia da corrida no mercado por esses insumos, havia, na quarta-feira 13, 328 pedidos de registros de testes de coronavírus na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dos quais foram 75 deferidos, 42, indeferidos e os demais (211) ainda estão sendo analisados. Os testes IGG e IGM são feitos no sangue e detectam a existência do coronavírus e a presença de anticorpos. Já os RT-PCR examinam a secreção respiratória e detectam o vírus ativo.

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Covid-19: Como o país estaria com Lula presidente? O PT tentou descobrir

Desde que o primeiro caso de coronavírus foi registrado no Brasil, o país teve duas demissões no Ministério da Saúde, viu os números de contaminados e mortos expandir em projeção geométrica e sem nenhuma política efetiva de controle da doença, perdeu médicos e enfermeiros por causa da situação precária nos hospitais e alimenta uma ameaça real de um colapso social e econômico. A situação torna-se ainda mais caótica diante da condução do presidente Jair Bolsonaro, que insiste em minimizar a Covid-19 e em forçar a reabertura do comércio e o fim do isolamento mesmo antes da doença atingir o pico.

Em meio à confusão, o ex-presidente Lula voltou à cena para criticar Bolsonaro e passou a defender a abertura de um processo de impeachment contra ele. “Nós não temos um presidente. O Bolsonaro faz tão mal para o Brasil quanto o coronavírus”, afirmou recentemente, em busca de projeção durante a crise.

O Partido dos Trabalhadores encomendou uma pesquisa para avaliar um cenário político diferente do atual: se Lula fosse o presidente do Brasil, teríamos melhores condições de enfrentar os problemas causados pelo coronavírus? O resultado, porém, foi devastador para o petista.

Mesmo em meio a uma crise generalizada, o que poderia guindar qualquer solução alternativa, Lula não capitalizou muita esperança. De acordo a pesquisa realizada pelo instituto Vox Populi, apenas 36% dos entrevistados disseram que o país passaria por dias melhores se estivesse sob a condução do ex-presidente.

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Outros 29% avaliaram que o Brasil estaria ainda pior no enfrentamento ao coronavírus se fosse administrado por Lula, e 24% afirmaram que a situação seria a mesma. O restante não sabe ou não respondeu.

A mesma pesquisa, conforme mostrou VEJA em sua última edição, também avaliou a popularidade do ex-presidente Lula. Os dados revelam que o petista era mais popular e influente enquanto estava preso em Curitiba. Condenado a 26 anos por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula enfrenta uma crescente rejeição desde que deixou a cadeia. O levantamento revelou que, entre dezembro e abril, a avaliação negativa sobre os seus dois mandatos aumentou em dez pontos, passando de 14% para 24%. Já a avaliação positiva caiu de 58% para 53% nesse mesmo período.

“O Lula tinha mais holofote e importância quando estava preso”, admitiu um petista à reportagem. VEJA

O Brasil acaba de afundar 10 Titanics

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2020 | 21h00

Quando era secretário-geral do Partido Comunista da União SoviéticaJosef Stalin disse: “Uma morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística”.

Neste final de semana, o Brasil contabiliza mais de 15 mil mortes pelo coronavírus. Para quem acha que esse número não passa de estatística, cabe outra observação. O naufrágio mais trágico da História foi o do Titanic, em 1912. Nesse desastre morreram 1,5 mil. No Brasil, são agora 10 Titanics em apenas dois meses, baixa de dois ministros da Saúde e nenhuma estratégia nacional para enfrentamento da pandemia.

O presidente Bolsonaro avisou dois dias antes da demissão do ministro Nelson Teich que acabou a busca de consenso e que agora é guerra, com ele no comando. O combate à pandemia será o que ele quer, e não o que determinam os epidemiologistas.

Nelson Teich
Nelson Teich pediu demissão do Ministério da Saúde a pouco menos de um mês depois de assumir a pasta Foto: Gabriela Biló/Estadão

Se para decretar o novo estado de guerra o presidente se aferrasse à necessidade de novos decretos para liberação da atividade econômica e suspensão do isolamento social, como ele gostaria, provavelmente continuaria não tendo sucesso porque esse campo é da competência de governadores e prefeitos. O cavalo de pau poderá ser dado de imediato, deve imaginar ele, com a adoção do protocolo do uso da cloroquina em qualquer fase da doença, providência que os dois ministros anteriores não aceitaram.

cloroquina não é chá de flor de laranjeira, que pode ser tomado à vontade, sem efeitos colaterais. Pelo que concluem abundantes estudos realizados no mundo nos três últimos meses, o uso de cloroquina produz graves efeitos colaterais no funcionamento do coração. Ou seja, a adoção dessa droga como política pública pode ser entendida como eliminadora de vidas. O presidente Bolsonaro não pretende ser responsabilizado por isso, porque acaba de assinar medida provisória que isenta dirigentes que nesta crise possam ter tomado alguma decisão de política pública que e lhes trouxesse problemas futuros.

A questão de fundo tem a ver com a maneira de lidar com a pandemia. Todas as recomendações, desde a feita por técnicos até pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são de que o contra-ataque à doença exige união nacional e muito diálogo. Mas a atitude que agora toma o presidente vai na outra direção. O critério técnico na adoção de protocolos e procedimentos passa a ser a vontade dele: “Fui eleito e quem manda aqui sou eu”.

Bolsonaro enxerga tudo como grande conspiração de âmbito nacional cujo objetivo é alijá-lo da Presidência. Nela, segundo ele, estão envolvidos líderes do Congresso, ministros do Supremo, governadores, a imprensa e, obviamente, a esquerda radical. Quando reage, como vem reagindo, contra a maneira como os técnicos e governadores vêm combatendo a doença, Bolsonaro quer, acima de tudo, como já reconheceu, “salvar o governo”. Mas o resultado aponta para outra direção. Quanto mais se enrola em confusões e intervenções estapafúrdias, mais se desqualifica como líder nacional. O desfecho desse processo é uma incógnita.

Economia e coronavírus

Enquanto isso, a economia se deteriora. Na última sexta-feira, o Banco Central divulgou o IBC-Br, indicador criado para antecipar o conhecimento do comportamento do PIB. E o resultado foi o que se esperava: queda da atividade econômica de 5,9% em março sobre fevereiro. Março não foi mais “brabo” do que foi abril. Nem março e abril foram mais “brabos” do que provavelmente serão maio e junho.

Dias antes, o País soube que as vendas do varejo recuaram 2,5% em março sobre fevereiro. E, também em março, a indústria de transformação despencou 9,1%. Os números de abril serão piores. As últimas estatísticas sobre desocupação são da Pnad, que acusa 1,1 milhão a mais de desempregados no primeiro trimestre do ano. A crise vai aumentar em muito essa magnitude, mesmo sabendo-se que ficaram precárias as condições de levantamento de dados, quando mais da metade da população permanece isolada em suas casas. Ou seja, as novas estatísticas podem embutir distorções.

A perda de emprego e de renda continuará por derrubar a demanda nos próximos meses, o que, por sua vez, deverá produzir ainda mais desemprego e quebra da atividade econômica. Impossível saber o tamanho do estrago na área fiscal nas três áreas de governo, não só pelo aumento de despesas, como pela quebra da arrecadação.

Uma situação tão ruim já é, por si só, acachapante. E é mais ainda quando não se veem perspectivas de saída que possam provir de um governo errático. O governo é um Titanic.

Defensora da cloroquina diz que novo ministro precisa ouvir todas as áreas

Natália Portinari / O GLOBO

 

BRASÍLIA - Para a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, o sucessor de Nelson Teich no Ministério da Saúde precisa ouvir todas as áreas. Defensora da ampliação do uso de cloroquina em pacientes com Covid-19 e conselheira do governo, ela nega ter sido convidada ou sondada para o ministério.

 

— Ficou bem claro que o ministério da Saúde caminhe alinhado com todos os outros. Precisa ter uma interface com o Ministério do Desenvolvimento, da Economia, da Agricultura — afirmou.

— Não acredito que esse nome deva surgir assim tão rapidamente, até porque tem um elenco de opções e potencialidades dentro do Brasil.

Ex-ministroTeich procurou hospitais para pegar atualizações sobre uso de cloroquina

Logo antes de Nelson Teich pedir demissão, nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro teve uma reunião com Yamaguchi. Ela diz que o presidente não tocou no assunto e se restringiu a debater suas ideias para a área de saúde.

Segundo ela, o governo não deve esperar a finalização de mais estudos científicos para ampliar a produção e distribuição de cloroquina no Brasil, por se tratar de uma situação emergencial. Teich, afirma a oncologista, se opôs a esse plano porque acreditava que era necessário esperar o resultado de estudos científicos que comprovem a eficácia do remédio, que podem demorar "meses".

A médica se diz preocupada com pessoas que procuram a hidroxicloroquina mas não o encontram, mesmo com receita. Ela citou um estudo publicado na "New England Journal of Medicine", que não encontrou nem benefícios nem malefícios do uso da droga, como um argumento de que ela pode ter um uso disseminado.

Em doses baixas e aplicada no início do tratamento, segundo ela, a droga não apresenta toxicidade nos pacientes. Nise frisa que não quer se contrapor a Nelson Teich. Ela diz respeitar e admirar o colega de profissão, que deixou uma "grande contribuição" no ministério em pouco tempo.

— No meu caso, eu não fui sondada nem direta nem indiretamente, eu tenho trabalhado num campo comum e fora da política, quero poder contribuir sempre com a minha fala, com as minhas ideias, dentro desse contexto.

Coronavírus: Bolsonaro diz que governo 'vai mudar' protocolo para ampliar uso da cloroquina

Nise Yamagushi assessora o comitê de crise do governo federal contra a pandemia. Antes de sexta-feira, ela já havia tido dois encontros com Bolsonaro, nos dias 6 e 7 de abril, quando o ministro da Saúde ainda era Luiz Henrique Mandetta.

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