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Defensora da cloroquina diz que novo ministro precisa ouvir todas as áreas

Natália Portinari / O GLOBO

 

BRASÍLIA - Para a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, o sucessor de Nelson Teich no Ministério da Saúde precisa ouvir todas as áreas. Defensora da ampliação do uso de cloroquina em pacientes com Covid-19 e conselheira do governo, ela nega ter sido convidada ou sondada para o ministério.

 

— Ficou bem claro que o ministério da Saúde caminhe alinhado com todos os outros. Precisa ter uma interface com o Ministério do Desenvolvimento, da Economia, da Agricultura — afirmou.

— Não acredito que esse nome deva surgir assim tão rapidamente, até porque tem um elenco de opções e potencialidades dentro do Brasil.

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Logo antes de Nelson Teich pedir demissão, nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro teve uma reunião com Yamaguchi. Ela diz que o presidente não tocou no assunto e se restringiu a debater suas ideias para a área de saúde.

Segundo ela, o governo não deve esperar a finalização de mais estudos científicos para ampliar a produção e distribuição de cloroquina no Brasil, por se tratar de uma situação emergencial. Teich, afirma a oncologista, se opôs a esse plano porque acreditava que era necessário esperar o resultado de estudos científicos que comprovem a eficácia do remédio, que podem demorar "meses".

A médica se diz preocupada com pessoas que procuram a hidroxicloroquina mas não o encontram, mesmo com receita. Ela citou um estudo publicado na "New England Journal of Medicine", que não encontrou nem benefícios nem malefícios do uso da droga, como um argumento de que ela pode ter um uso disseminado.

Em doses baixas e aplicada no início do tratamento, segundo ela, a droga não apresenta toxicidade nos pacientes. Nise frisa que não quer se contrapor a Nelson Teich. Ela diz respeitar e admirar o colega de profissão, que deixou uma "grande contribuição" no ministério em pouco tempo.

— No meu caso, eu não fui sondada nem direta nem indiretamente, eu tenho trabalhado num campo comum e fora da política, quero poder contribuir sempre com a minha fala, com as minhas ideias, dentro desse contexto.

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Nise Yamagushi assessora o comitê de crise do governo federal contra a pandemia. Antes de sexta-feira, ela já havia tido dois encontros com Bolsonaro, nos dias 6 e 7 de abril, quando o ministro da Saúde ainda era Luiz Henrique Mandetta.

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