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Receita de recessão - FOLHA DE SP

queda de quase 30% na arrecadação de impostos em abril, ante o mesmo mês de 2019, é um prenúncio do que ainda está por vir na economia —e também um lembrete importante de que a fragilidade das contas públicas exige critério nos gastos emergenciais para mitigar os impactos da pandemia.

Segundo a Receita Federal, arrecadaram-se R$ 502 bilhões até abril, 7,9% abaixo do período correspondente do ano passado. Em relação à programação da autarquia, a diferença soma R$ 43 bilhões até agora, e a perda até dezembro pode chegar a R$ 134 bilhões.

Embora a frustração da coleta, concentrada no mês passado, derive em parte de medidas do próprio governo, como o diferimento e a suspensão de alguns impostos, tudo sugere que o quadro demorará a melhorar.

Com a falta de coordenação entre as várias esferas de governo, o país ainda registra crescimento acelerado de casos de Covid-19, o que pode atrasar a reabertura da economia. Pouco confiáveis a esta altura, projeções já apontam para retração superior a 5% do Produto Interno Bruto neste ano.

Enquanto isso, a combinação de receitas cadentes e gastos em expansão alarga o buraco nas contas públicas. O governo já revisou a previsão oficial de déficit primário (o saldo antes das despesas com juros) de R$ 161 bilhões para R$ 540 bilhões, mas técnicos estimam mais de R$ 700 bilhões.

Em poucos meses, portanto, estará sendo revertida a maior parte da economia esperada com a reforma da Previdência nos próximos dez anos, na casa dos R$ 850 bilhões.

O legado fiscal da pandemia será um salto na dívida pública, que deve passar de 75% para cerca de 95% do PIB. Por ora o país tem ao menos a vantagem dos juros baixos, mas isso decorre da gigantesca ociosidade —que, espera-se, será revertida mais adiante.

Há cenários mais otimistas, decerto. Da mesma forma que o PIB caiu de forma abrupta, uma recuperação rápida não se mostra impossível, ainda mais com o auxílio orçamentário a famílias e empresas. Nessa hipótese, se a retração não se prolongar em demasia, poderá haver alta considerável do PIB no próximo ano.

Para que isso aconteça, no entanto, o país não pode perder de vista que precisa reforçar as condições para que a taxa de juros permaneça baixa, inclusive as de prazos mais longos, que vêm subindo nas últimas semanas.

Caberá às lideranças políticas dar sinais inequívocos de que não permitirão endividamento público descontrolado e, no limite, aceleração das expectativas de inflação. Será necessário um retorno à agenda de reformas em pouco tempo —e em dosagem mais ambiciosa.

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Um cabo de guerra na longa noite da pandemia

*Bolívar Lamounier, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2020 | 03h00

Para bem compreender o que está acontecendo no Brasil creio ser útil começar pelo dicionário. Cabo de guerra, por exemplo. O Aurélio ensina que essa velha expressão designa “um jogo ou competição em que dois grupos de contendores puxam em direções opostas as pontas de uma corda grossa, vencendo a que conseguir arrastar a outra”.

Transpondo a ideia do cabo de guerra para o plano da política, logo percebemos uma grave implicação. Se a capacidade física dos contendores for aproximadamente igual, o resultado pode ser um prolongado empate. Ora, o essencial da política pública é a escolha entre alternativas e a implementação das ações de governo que dela decorre. Vigente o empate no cabo de guerra, as duas forças se neutralizam e tais ações perdem eficácia, como temos visto no combate à pandemia do coronavírus. Esse empate pode tornar nossa situação muito mais perigosa do que a existente em outros países. A persistir tal empate, nós, cidadãos comuns, pagaremos o pato. 

Em nosso cabo de guerra temos, de um lado, os governadores e prefeitos fazendo o que podem, com recursos insuficientes e enfrentando a propagação do coronavírus, um inimigo onipresente e assombrosamente ágil. Do outro, Jair Bolsonaro, um presidente que não se notabiliza por elevado senso de responsabilidade, fomentando aglomerações, forçando a barra para que o desejável relaxamento da quarentena se transforme num estouro da boiada e, não menos importante, insistindo num remédio, a cloroquina, cuja eficácia no tratamento da covid-19 não parece superior à de um licor de jenipapo. 

Tem saída isso? Tem, mas para bem compreendê-la precisamos primeiro esclarecer um aspecto da nossa cultura política, em especial certas noções referentes ao sistema de governo presidencialista de governo. Não tendo escoimado de uma vez por todas o ranço caudilhista e populista que nele se incrustou desde os primórdios da República, temos inconscientemente sustentado a equivocada noção de que o presidente da República é a instância última da legitimidade política. 

Fato é, no entanto, se formos um pouco além do pensamento estritamente jurídico, que a legitimidade em última instância não reside na Presidência da República, e sim no Supremo Tribunal Federal (STF). Se assim não fosse, como iríamos entender sua função arbitral de última instância? Sendo ele a cúpula do Judiciário, a ele cabe dirimir todos os impasses, incluídos aqueles que se constituem no embate entre os outros dois Poderes, entre os partidos políticos e entre os demais agentes políticos. A proposição que venho de enunciar não é fruto de especulação, pois está constitucionalmente especificada em institutos como a ação declaratória de constitucionalidade (ADC), a ação direta de constitucionalidade (Adin) e a ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), entre outras. 

Voltemos, então, ao cabo de guerra que estamos presenciando no combate ao coronavírus. Dando prioridade ao princípio federativo e ao que a Constituição expressamente determina, o STF, atribuiu aos Estados e municípios a responsabilidade primária pela missão de organizar o vírus. Não se trata, como é óbvio, de uma atribuição privativa do município, e sim concorrente com a dos Estados e da União. Essa determinação do STF implicou uma clara dilatação do papel desses dois entes federados, que se vem manifestando na aquisição de equipamentos de proteção, na imposição de restrições ao direito de ir e vir e à atividade econômica, além, é claro, da função precípua de manter os sistemas de saúde e funerários. Uma eloquente ilustração da dilatação a que me refiro é o inusitado empenho que os Estados tiveram de assumir na importação de equipamentos de proteção para o pessoal médico, tendo mesmo se deparado com dificuldades bizarras, num momento em que o comércio internacional parece ter retornado a práticas simplesmente selvagens.

Não preciso deter-me no destaque dado pela Constituição aos municípios (CF88VII). Comentando esse ponto, o professor Antônio Sérgio P. Mercier acertadamente escreve: a cooperação entre o município, o Estado e a União diz respeito, entre outras finalidades, à “prevenção ou debelação dos perigos que dizem respeito à saúde da população, como endemias, epidemias e a possibilidade do aparecimento de moléstias transmissíveis” (Costa Machado e Anna Cândida da Cunha Ferraz, organizadores, A Constituição Federal Interpretada, Editora Manole).

O que acabo de expor deve ser suficiente para ilustrar o enorme risco com que a saúde dos brasileiros se vai deparar enquanto persistir o cabo de guerra entre o presidente Jair Bolsonaro, puxando uma ponta da corda, e os Estados e municípios puxando a outra. Do exposto deve-se, pois, inferir que Jair Bolsonaro, ao dificultar a ação dos Estados e municípios durante uma emergência gravíssima, reiteradamente comete crimes de responsabilidade, configurando-se, pois, claramente, a conveniência da abertura do processo de impeachment.

*SÓCIO-DIRETOR DA CONSULTORIA AUGURIUM, É MEMBRO DAS ACADEMIAS PAULISTA DE LETRAS E BRASILEIRA DE CIÊNCIAS

Inadimplência epidêmica ameaça limpeza urbana

Luiz Gonzaga* O ESTADO DE SP

23 de maio de 2020 | 08h00

Luiz Gonzaga Alves Pereira. FOTO: ABETRE/DIVULGAÇÃO

Em 28 de junho de 1989, foi sancionada pelo então presidente José Sarney, a Lei Nº 7.783, que dispunha, dentre outros temas, sobre a essencialidade de várias atividades. Está no artigo 10, inciso VI, a “captação e tratamento de esgoto e lixo”.

Nada alterou essa norma até a presente data, nem mesmo o recente decreto do Executivo Federal que, em tempos de pandemia, estabeleceu uma relação de atividades essenciais. Nem poderia, porque decretos não podem mudar leis. Ademais, porque o governo, ao corrigir seu primeiro decreto que tratava dos serviços prestados pelo setor de limpeza urbana, coleta e destinação do lixo e tratamento de resíduos e efluentes, quis apenas atender ao Supremo Tribunal Federal (STF), que fixara competências sobre o trabalho de determinados setores no âmbito da Federação.Entendidas tais premissas, é importante compreender o que vem ocorrendo com a gestão de resíduos sólidos no Brasil, especialmente neste momento de dificuldades provocadas pela Covid-19. Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), que tem entre seus associados majoritariamente companhias de coleta do lixo, a inadimplência hoje das prefeituras perante nosso setor é da ordem de 18 bilhões de reais, número que vem se acumulando com o passar do tempo.

Gravíssima é a sinalização de várias prefeituras, que já informaram – como de fato está acontecendo – que não têm recursos para fazer face aos pagamentos da coleta, transporte, tratamento e destinação dos resíduos urbanos que a população gera. Mais preocupante é que as entidades representativas do setor, como a própria Abrelpe, Abetre, ABLP e Selur, têm procurado as autoridades, desde o início de março, e a elas transmitido, por vídeos e ofícios, sua enorme apreensão, porque o sistema não pode parar, como de fato ainda não ocorreu. Afinal, estamos falando de serviços essenciais e agora ainda mais decisivos para evitar que o novo coronavírus propague-se de modo mais acentuado. Lixo nas ruas é mais um fator de extremo risco.

Bem, as companhias continuam trabalhando, oferecendo a melhor qualidade e colocando nas ruas do País cerca de 348 mil trabalhadores, com toda a segurança e cuidados especiais com os recursos humanos. É um trabalho fundamental no combate à pandemia!

Nesse contexto, o setor nada reivindica de extraordinário. Necessita apenas e tão somente que seu trabalho seja pontualmente pago, pois é impossível, para quem tem um crédito de R$ 18 bilhões, continuar a trabalhar sem receber. Pedimos às autoridades estaduais e federais que, neste momento, ajudem as prefeituras a nos pagar. Não adianta o pacote de socorro aprovado pelo Congresso Nacional, porque ele não carimba o dinheiro e, lamentavelmente, todos sabemos, a limpeza pública não tem sido eleita prioridade dos senhores prefeitos. A prova está no elevado valor da inadimplência.

O segmento não quer medir força com ninguém. Deseja simplesmente manter os serviços que presta com qualidade e segurança. Para isso, é imprescindível a remuneração conforme os contratos em vigor. Nada mais, nada menos. Não queremos favores, mas apenas o respeito aos contratos e, principalmente, à sociedade, que não pode ficar sem a limpeza urbana.

Não podemos admitir que se repitam no Brasil, especialmente neste momento difícil de pandemia, as cenas lamentáveis por que passou recentemente, por exemplo, a cidade italiana de Nápoles, onde os resíduos ficaram quase 30 dias nas ruas. Uma parada geral no sistema é tudo que não podemos imaginar, mas as autoridades precisam sensibilizar-se e se conscientizarem de que, sem dinheiro, o sistema está fadado ao desaparecimento, pois não é possível manter salários, frotas de caminhões rodando, unidades de tratamento e aterros sanitários operando sem recursos para pagar tudo isso e até mesmo combustível.

A situação é grave e exige muita atenção e responsabilidade por parte das autoridades!

*Luiz Gonzaga é presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre)

CGU apura denúncias de pagamento de auxílio emergencial a brasileiros ilegais no exterior

Anne Warth e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2020 | 16h59 

BRASÍLIA - Brasileiros que moram no exterior em situação ilegal encontraram brechas para receber o auxílio-emergencial de R$ 600 mensais. A Controladoria-Geral da União (CGU) está apurando as denúncias, confirmou o órgão ao Estadão/Broadcast, mas ainda não tem ideia da quantidade de pessoas que fraudaram o sistema para se inscrever no programa. Quem for identificado será obrigado a devolver os valores e poderá sofrer sanções civis e penais – não explicitadas pelo órgão, no entanto.

Mais de dez milhões de pessoas enquadradas nos requisitos do auxílio-emergencial ainda aguardam o processamento de seus pedidos. Enquanto isso, entre as fraudes já apuradas, o Estadão revelou que militares – recrutas que prestam serviço obrigatório e pensionistas – receberam o benefício de forma irregular. Já o jornal O Globo mostrou que estudantes universitários, mulheres de empresários, servidores públicos aposentados e seus dependentes também conseguiram obter o benefício.

CGU
CGU está apurando as denúncias de possíveis fraudes no recebimento do auxílio. Foto: Pixabay

O benefício é pago pela União para ajudar trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados com renda per capita de até R$ 552 mensais ou renda familiar de até R$ 3.135, o equivalente a três salários mínimos. 

Não têm direito ao auxílio aqueles com emprego formal, que estejam recebendo seguro-desemprego ou benefícios previdenciários ou assistenciais (exceto o Bolsa Família) e que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559.70 em 2018, de acordo com declaração do Imposto de Renda.

A burla ao sistema acontece na base de dados da Receita Federal. Brasileiros que estão em situação regular no exterior – ou seja, que se mudaram para outro país de forma definitiva ou que passaram à condição de não-residente em caráter temporário – são obrigados a fazer a apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País ao órgão. 

Quem imigra ilegalmente não presta essa informação ao fisco e, por isso, conta como residente no Brasil, sem emprego formal ou renda. Por causa dessa falha, é identificado como elegível nas operações de cruzamento de informações realizadas pela Dataprev, responsável por dar suporte tecnológico para o Ministério da Cidadania no reconhecimento do direito do auxílio aos cidadãos. “A empresa utiliza as informações constantes nas bases oficiais do governo federal para cruzar os dados e realizar a elegibilidade dos cidadãos, conforme previsto na legislação”, informou a Dataprev.

Redes sociais

Em comunidades em redes sociais que reúnem brasileiros residentes em outros países, o próprio Itamaraty tem orientado os cidadãos a baixarem o aplicativo do auxílio-emergencial em lojas do Google e da Apple “brasileiras”. Os Consulados do Brasil em TóquioRoma e Madri publicaram em suas páginas no Facebook orientações para o recebimento do benefício.

Nos comentários dessas publicações, brasileiros confirmam ter recebido o dinheiro, enquanto alguns cobram consciência e acusam os demais de estarem se apropriando de recursos que deveriam ficar no Brasil. Aqueles com dificuldades em fazer o pedido pelo celular recebem orientações dos demais. A principal dica é fazer a solicitação pelo site do auxílio. Assim, é possível preencher os dados com um celular de um familiar ou amigo que tenha um número nacional.

Em dólares, na cotação em que a moeda fechou ontem, 21, no mercado oficial, R$ 600 equivalem a US$ 107,98. O auxílio equivale a 88,28 libras esterlinas no Reino Unido, a 98,71 euros nos países da União Europeia e a 11.634,67 ienes no Japão.

Fraudes

À frente das investigações de fraudes dentro do Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Bruno Dantas afirmou que as pessoas que se inscrevem no programa a partir de informações falsas cometem crime de falsidade ideológica e de declaração falsa a órgãos públicos – cuja pena é de reclusão de um a cinco anos e multa, conforme artigo 299 do Código Penal Brasileiro.

“São criminosas e devem ter seus nomes enviados ao Ministério Público para serem processadas”, afirmou. Segundo ele, embora a lei não cite que é preciso morar em território nacional para receber o dinheiro, a interpretação do governo é razoável e válida. “Não faz sentido pagar benefício assistencial para alguém que mora em outro país.”

Segundo o Itamaraty, todos os postos diplomáticos do Brasil no exterior receberam a mesma informação com orientações para os brasileiros sobre auxílio emergencial e podem adaptar o formato do conteúdo. O Ministério de Relações Exteriores também esclarece que apenas faz esclarecimento sobre regras do benefício, mas que o controle sobre a concessão cabe a outros órgãos.

Caixa, que realiza os pagamentos, não se pronunciou sobre o caso. O Ministério da Cidadania informou ter firmado parceria com a CGU para acompanhar o processo de pagamentos. “É importante destacar que em breve o nome dos beneficiados com o auxílio emergencial estará no portal da Transparência do Governo Federal”, disse a pasta.

“Assim, havendo recebimento indevido do auxílio por quem prestar declaração falsa ou utilizar qualquer outro meio ilícito para indevidamente ingressar ou se manter como beneficiário do auxílio emergencial, haverá o dever de ressarcimento dos valores recebidos de forma indevida, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis, nos termos previstos no art. 4º, da Portaria nº 351, de 7 de abril de 2020.”

A apuração da fraude e a identificação das pessoas tem tudo para ser um desafio, no entanto. A CGU informou que realiza cruzamentos das informações com diversas outras bases utilizadas pelo governo federal e que recebe denúncias pela plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação Fala.BR. Mesmo com esse cruzamento, várias falhas já foram constatadas.

“Nessa ação de monitoramento, há um trabalho de análise de tipologias de denúncias e comunicações de irregularidades vinculadas especificamente à concessão do auxílio emergencial, por meio do qual identificamos que há manifestações que relatam casos de brasileiros que moram no exterior e que apresentaram informações falsas no cadastro para o recebimento do benefício”, disse a CGU.

O objetivo dos trabalhos realizados pela CGU é identificar situações de potencial incompatibilidade com as regras e requisitos definidos para o pagamento do auxílio. O resultado dos cruzamentos é utilizado tanto pela CGU em seus trabalhos investigativos e de acompanhamento, como também é encaminhado aos órgãos competentes, para averiguação e eventuais providências de ajustes e correções.

Pedidos de seguro-desemprego sobem 76,2% na primeira quinzena de maio

Os pedidos de seguro-desemprego de trabalhadores com carteira assinada subiram 76,2% na primeira quinzena de maio em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira, 21, pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia e considera tanto os atendimentos presenciais – nas unidades do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e das Superintendências Regionais do Trabalho – e os requerimentos virtuais.

Na primeira metade do mês, 504.313 benefícios de seguro-desemprego foram requeridos, contra 286.272 pedidos registrados no mesmo período do ano passado. Ao todo, 77,5% dos benefícios foram pedidos pela internet no mês passado, contra apenas 1,7% no mesmo período de 2019.

Número acumulado

Apesar da alta de maio, os pedidos de seguro-desemprego cresceram em ritmo menor no acumulado do ano, tendo somado 2.841.451 de 2 janeiro a 15 de maio de 2020. O total representa aumento de 9,6% em relação ao acumulado no mesmo período do ano passado, 2.592.387.

A própria secretaria, no entanto, estima que os dados para o ano podem estar subestimados em até 250 mil pedidos. Isso porque diversos trabalhadores sem acesso à internet não estão conseguindo pedir o benefício nas unidades de atendimento presencial, que estão com o funcionamento suspenso por causa da pandemia de covid-19.

 

A estimativa foi elaborada com base na média dos pedidos de seguro-desemprego por meio do atendimento presencial. Segundo o Ministério da Economia, a pasta está divulgando as projeções de pedidos que deixaram de ser realizados para dar um quadro mais honesto do impacto da pandemia sobre o mercado de trabalho.

Nos cinco primeiros meses do ano, 46,1% dos requerimentos de seguro-desemprego (1.309.554) foram pedidos pela internet, pelo portal gov.br e pelo aplicativo da carteira de trabalho digital; 53,9% dos benefícios (1.531.897) foram pedidos presencialmente. No mesmo período do ano passado, 98,4% dos requerimentos (2.551.623) tinham sido pedidos nos postos do Sine e nas superintendências regionais e apenas 1,6% (40.764) tinha sido solicitado pela internet.

Embora os requerimentos possam ser feitos de forma 100% digital e sem espera para a concessão do benefício, o Ministério da Economia informou que os dados indicam que muitos trabalhadores continuam aguardando a reabertura dos postos do Sine, administrados pelos estados e pelos municípios, para darem entrada nos pedidos. O empregado demitido ou que pediu demissão tem até 120 dias depois da baixa na carteira de trabalho para dar entrada no seguro-desemprego.

Perfil

Em relação ao perfil dos requerentes do seguro-desemprego na primeira quinzena de maio, a maioria é masculina (58%). A faixa etária com maior número de solicitantes está entre 30 e 39 anos (32,5%) e, quanto à escolaridade, 61,9% têm ensino médio completo. Em relação aos setores econômicos, serviços representou 42,1% dos requerimentos, seguido por comércio (26,2%), indústria (20,6%) e construção (7,8%).

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Os estados com o maior número de pedidos foram São Paulo (149.289), Minas Gerais (53.105) e Rio de Janeiro (42.693) e os que tiveram maior proporção de requerimentos via web foram Acre (97%), Rondônia (96,7%) e Amazonas (95,9%).

Suspensão

Desde o início do ano, as estatísticas oficiais de emprego com carteira assinada estão suspensas. Os dados de 2020 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) deixaram de ser divulgados por causa da mudança na forma de registro dos dados, que passou a ser feita no eSocial, sistema eletrônico de registro das informações de empregadores e de empregados. VEJA

Denúncia de violência doméstica contra a mulher cresceu quase 400% no aplicativo do Magalu

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 10h00

Com a pandemia do novo coronavírus, o Magazine Luiza, uma das maiores varejistas do País, voltou à carga nas redes sociais esta semana com uma campanha  que incentiva as mulheres a denunciarem a violência doméstica. Lançada  ano passado e agora renovada, a campanha atrai as pessoas com produtos de maquiagem  para “esconder manchas e marquinhas” (da violência),  mas direciona a vítima a usar o botão de pânico, que já existia dentro do aplicativo de vendas da loja, para fazer a queixa. Esse botão está conectado com o canal 180 do governo federal que registra as ocorrências contra as mulheres.

Com o isolamento imposto pela pandemia, a empresa registrou duas realidades distintas em relação à violência contra a mulher. Sem a presença dos colegas que ajudavam nas denúncias, caiu cerca de 50%  o total de queixas de violência doméstica no canal interno destinado a funcionárias da companhia. Por sua vez, nesse mesmo período, aumentou quase 400% no número de denúncias de violência doméstica contra mulheres em geral no botão de pânico do aplicativo da varejista. Vários países registraram aumento de violência contra a mulher nesta pandemia e o assunto já foi tratado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e também pelo papa Francisco.

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Luiza Trajano - Magazine Luiza
Luiza Trajano é o nome por trás da varejista Magazine Luiza.  Foto: Renato Cerqueira/Futura Press

Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho da rede varejista e também do Mulheres do Brasil, grupo apartidário com 40 mil integrantes, diz que a pandemia escancarou a desigualdade social e trouxe à tona a questão da violência feminina.  “A  mulher que mais sofre é aquela que enfrentava problemas de violência doméstica, não tinha coragem de denunciar e agora tem  de ficar em casa junto com agressor.” A seguir os principais trechos da entrevista.

Como a sra. está vendo os efeitos da pandemia?

A pandemia escancarou a desigualdade social. Não sou só eu que estou falando isso. A gente sabia que tinha, mas agora foi acentuada. A mulher que mais sofre é aquela que enfrentava problemas de violência doméstica, não tinha coragem de denunciar e agora tem de ficar em casa junto com agressor. A nossa maior preocupação é porque elas não têm como denunciar.

Quais são as indicações de que isso está acontecendo?

A gente percebeu que caiu 50% o número de denúncias no nosso canal interno. As funcionárias estão em casa e não denunciam. Também quem ajudava nas denuncias eram colegas de trabalho que viam a mulher chegar para trabalhar com marcas roxas  ou porque faltava muito no serviço. Isso não está acontecendo por causa do isolamento. Por isso, estamos  retomando a campanha nas redes sociais para divulgar o botão de denúncia que está dentro do aplicativo. Esse canal serve para qualquer mulher, não apenas as funcionárias. É só apertar o botão e ela é direcionada para o canal 180 de governo que recebe as denúncias contra as mulheres . O 180 funciona muito bem.

Quanto já aumentaram as denúncias de violência contra a mulher por meio desse canal do aplicativo?

O crescimento do número de denúncias  foi de quase 400% em maio deste ano em relação ao mesmo período de 2019 e em relação a abril também.

Quais ações a empresa está tomando?

Fiz uma gravação pedindo aos gerentes e líderes  nossos que, se soubessem de mulheres agredidas que ligassem como se fossem do Magazine. Agora estou fazendo a campanha do nosso aplicativo.

Desde quando a empresa tem esse botão de denúncia dentro do aplicativo da loja?

Temos esse botão de denúncia dentro do aplicativo desde 2019. Ele orienta o que a mulher deve fazer em caso de violência doméstica. A vantagem é que a mulher pode disfarçar que está fazendo compras , aperta o botão e a gente fica sabendo. Sou do grupo Mulheres do Brasil, que tem um comitê muito atuante contra violência da mulher. Sempre soube do problema, mas não imagina que estava tão perto de mim. Três anos atrás tivemos um caso dentro da empresa e perdemos uma gerente da loja de Campinas (SP). Foi a partir daí que criei o canal de denúncia de violência contra a mulher dentro da empresa e comecei a trabalhar nesse tema.

Como a sra. está vendo a atuação do governo na pandemia?

Não vejo outra forma de enfrentar a pandemia senão através da união. Fico triste porque neste momento não tem que se discutir quem está certo ou errado. Temos um único inimigo: o vírus. Eu não dou razão para quem não se une. Não defendo nem um nem outro.

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