Como a crise do Banco Master atingiu governo, Congresso e STF
Por Redação / O ESTADÃO DE SP
BRASÍLIA - Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro criou ao longo dos anos uma ampla rede de conexões políticas. Patrocinou eventos com ministros e banqueiros e cultivou relações com autoridades do alto escalão de Brasília.
A condução do inquérito do Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e as suspeitas de que integrantes da Corte teriam se beneficiado financeiramente da relação com o banqueiro produziram um efeito negativo na imagem da instituição. Segundo pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada na última sexta-feira, 20, 60% dizem não confiar na Corte - o porcentual mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023.
Além do Judiciário, a crise do Banco Master - liquidado em novembro pelo Banco Central e investigado por fraudes financeiras bilionárias - respinga pelos Três Poderes da República.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 26, aponta que 39,5% dos brasileiros veem aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como mais envolvidos no esquema do Banco Master, enquanto 28,3% associam o caso mais a pessoas próximas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 12,9% ligam ao Centrão. Já 14,6% enxergam todos os grupos políticos implicados no esquema. Reportagem do Estadão revelou que as conversas extraídas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort Tayayá.
No final de novembro, horas antes de se tornar relator do caso, Dias Toffoli voou para Lima, no Peru, em um jato particular, ao lado de um advogado que representa um diretor do banco. Toffoli decretou sigilo sobre as investigações e adotou medidas consideradas heterodoxas, como a convocação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para uma acareação com Vorcaro - tendo recuado depois - e diversas quedas de braço com a Polícia Federal no caso.

