Lula se reúne com bancada do PT e diz que 'acabou paz e amor' com bolsonarista
O presidente Lula (PT) disse na noite desta sexta-feira (31) a deputados petistas que "acabou paz e amor" com bolsonaristas.
A fala aconteceu durante um jantar com a bancada do partido, em um clube de Brasília.
Lula discursou para os parlamentares. Argumentou que os apoiadores e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalham apenas com fake news. Por isso, disse que "não pode deixar eles falando sozinho".
Pediu então que a bancada saia para o enfrentamento. Também afirmou querer povo nas ruas.
Em outro momento, o mandatário disse que seus aliados devem adotar um discurso comparando os dois anos de seu terceiro mandato com o governo Bolsonaro.
Essa orientação já havia sido dada pelo novo ministro da Secom, Sidônio Palmeira, durante reunião ministerial, no dia 20.
O presidente também voltou a repetir que esse será "o ano da colheita", numa referência a resultados de políticas públicas implementadas em sua gestão.
Em meio às discussões sobre reforma ministerial, o presidente sentou em determinado momento na mesma dos líderes no parlamento. Estavam o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o ex-líder do partido Odair Cunha (MG) e o novo líder, Lindbergh Farias (RJ).
Também presente no jantar, a primeira-dama Janja circulou e tirou fotos com os presentes.
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Paulo César de Oliveira
A trégua marota de Lula ao BC
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Como esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) seguiu a orientação dada na reunião de dezembro último e aumentou a taxa básica de juros em 1 ponto porcentual, para 13,25% ao ano. Unânime e sem surpresas, a decisão levou a Selic ao maior nível desde setembro de 2023.
Desta vez, foram poucas as vozes dispostas a criticar o Banco Central (BC). O tom foi dado por Lula da Silva, para quem o presidente do BC, Gabriel Galípolo, não poderia dar “um cavalo de pau em um mar revolto de uma hora para outra”. “Já estava praticamente demarcada a necessidade de subida de juros pelo outro presidente”, afirmou.
A rara trégua dada ao Copom só ocorreu porque, na versão petista, ainda é possível atribuir toda a culpa a Roberto Campos Neto. “Nós temos que ter paciência. Eu tenho 100% de confiança no trabalho do presidente do Banco Central e tenho certeza de que ele vai criar as condições para entregar ao povo brasileiro uma taxa de juros menor no tempo em que a política permitir que ele faça”, afirmou Lula da Silva.
Em tempos de tanta instabilidade, o armistício é positivo. Como disse o comunicado divulgado pelo Copom após a reunião, o ambiente externo continua desafiador, há dúvidas sobre qual será o ritmo de desaceleração da economia norte-americana e os bancos centrais das principais economias do mundo ainda lutam para conduzir a inflação à meta em meio a um mercado de trabalho pressionado.
Não é diferente no Brasil. A taxa de desemprego segue baixa, as projeções para a inflação estão acima da meta para este ano e 2026 e ainda subiram nas últimas semanas e a percepção dos investidores sobre a política fiscal e a trajetória da dívida continua a causar impactos relevantes nos preços dos ativos e nas expectativas.
Se o Copom cumprir a rota indicada, haverá ao menos mais uma elevação de 1 ponto porcentual e a Selic irá a 14,25% ao ano em março, o maior nível desde o fim de 2016. Depois disso, o caminho está em aberto, o que é até compreensível em um momento de tantas incertezas e o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Na conjuntura atual, os três meses até a reunião do Copom marcada para os dias 6 e 7 de maio parecem uma eternidade para sinalizar algo mais firme.
A desaceleração econômica ainda parece incipiente, mas já entrou no rol de preocupações do BC. O recuo do câmbio nos últimos dias pode ajudar a arrefecer o aumento dos preços dos alimentos, enquanto os serviços devem continuar pressionados. Parte do mercado aposta em uma Selic a 15% ao ano em maio, mas a última vez em que a taxa esteve neste patamar foi em 2006, e nem esse nível seria capaz, hoje, de conduzir a inflação ao centro da meta, de 3%.
Tantas dúvidas no cenário econômico poderiam ser parcialmente dissipadas se o governo estivesse disposto a ajudar a autoridade monetária com uma política fiscal mais austera. Sobre isso, no entanto, Lula da Silva não poderia ter sido mais claro e declarou que, a depender dele, não haverá novas medidas para cortar gastos. Como o BC lidará com esse cenário ainda é uma incógnita, mas, até maio, a instituição poderá contar com a condescendência do presidente da República.
O espírito do lavajatismo ainda assombra
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A Operação Lava Jato está enterrada no que diz respeito a seus desdobramentos jurídico-penais. Se ainda havia dúvidas quanto a isso, um vídeo publicado pelo notório Sérgio Cabral Filho há poucos dias em uma rede social, sobre o qual já nos manifestamos (ver editorial Cabral debocha do Brasil, 24/1/2025), decerto as dissipou por completo.
No entanto, perdida a oportunidade de impor a uma pletora de criminosos confessos a justa reparação penal pelos males que causaram, o País teria muito a ganhar do ponto de vista institucional se ao menos as lições deixadas pela Lava Jato, em particular pelos erros cometidos por órgãos estatais e até pela imprensa, tivessem sido mais bem assimiladas. Não parece ser o caso. A Lava Jato pode estar morta, mas o espírito do lavajatismo ainda assombra o País.
Há poucos dias, veio a público o conteúdo do primeiro depoimento prestado pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, no âmbito do acordo de colaboração premiada que o militar firmou com a Polícia Federal (PF). Informações divulgadas pelo jornalista Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo dão conta de que Cid contou à PF que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teriam integrado a “ala mais radical” que supostamente incentivou o então presidente da República a dar um golpe armado para impedir a posse de Lula da Silva.
Embora gravíssima, a acusação feita por Cid e vazada à imprensa veio desacompanhada de provas, razão pela qual nem Eduardo nem Michelle Bolsonaro figuram no rol de indiciados pela suposta sedição. Isso mostra, em primeiro lugar, que a PF parece ter trilhado um bom caminho investigativo, afinal, a chamada “delação premiada”, à luz da Lei 12.850/2013, é apenas um meio de obtenção de prova, não tendo o condão de, por si só, provar coisa alguma. Por outro lado, o vazamento lança luz para a instrumentalização política de inquéritos policiais, que, por óbvio, devem ser orientados única e exclusivamente por imperativos legais e pela boa técnica policial.
Somado à falta de substância probatória, o momento da divulgação do teor do depoimento de Mauro Cid – o primeiro dos mais de dez que o militar já prestou à PF e ao Supremo Tribunal Federal (STF) de agosto de 2023 até agora – autoriza a suspeita de que a investigação dos fatos narrados por ele pode estar sendo explorada politicamente, tal como foram exploradas muitas delações firmadas durante a Lava Jato, calculadamente vazadas em nome de interesses para lá de obscuros.
Eduardo e Michelle Bolsonaro passam por uma fase de súbita notoriedade desde que ambos foram aventados como possíveis candidatos à Presidência em 2026. O presidente Lula da Silva, ao contrário, atravessa seu pior momento neste terceiro mandato, assistindo a seus índices de aprovação e popularidade despencarem em regiões e estratos sociais nos quais o petista outrora nadava de braçada.
Manifestações públicas do diretor da PF, Andrei Passos, e de ministros do STF, como o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, e o decano, Gilmar Mendes, só alimentam especulações perigosas. Passos tem abusado de entrevistas nas quais, entre outras impertinências, tece considerações a respeito dos casos que a PF investiga. Barroso e Mendes, por sua vez, não raro comentam o caso, como se não fossem julgá-lo mais adiante. Recentemente, Barroso afirmou que pautará o julgamento dos acusados da trama golpista “imediatamente” após a produção de provas. Mendes, outro ministro que não se contenta em falar somente nos autos, afirmou que espera julgar o caso “ainda em 2025”, de modo a “evitar tumultos em 2026”, ano eleitoral, como se o tempo da Justiça tivesse de se submeter ao tempo da política.
É de interesse nacional que o processo contra os acusados de tentar impedir a posse do presidente legitimamente eleito em 2022 seja imaculado. Só assim todos os que vierem a ser condenados com base em provas por sua participação na intentona poderão pagar duramente pelos crimes que cometeram contra o Estado Democrático de Direito. É dever do STF agir com imparcialidade para que uma audácia deste jaez nunca mais seja cogitada no País.
Kassab não costuma dar ponto sem nó
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, fez uma avaliação duríssima sobre o governo do presidente Lula da Silva e seu principal ministro, o titular da Fazenda, Fernando Haddad. Em um evento para investidores em São Paulo, Kassab queixou-se da condução da política econômica e disse que Haddad é um “ministro fraco”, que “não consegue se impor” e tem “dificuldade de comandar”. Um ministro da Fazenda sem autoridade, afirmou ele, é um “péssimo indicativo para o País”. Kassab também afirmou que, se a eleição presidencial fosse hoje, Lula não seria reeleito, disse não enxergar “articulação para reverter a piora no cenário” e lamentou não ver “nenhuma marca boa, como teve Fernando Henrique Cardoso e Lula nos primeiros mandatos”. E avisou: “Os partidos de centro estão criando uma alternativa para 2026”.
Nada do que disse escapa à constatação de observadores políticos sobre o rarefeito cotidiano do governo, mas uma avaliação como essa, vinda de um aliado habilidoso, que não costuma dar ponto sem nó, traduz o adoecimento da gestão de Lula e seu horizonte cada vez mais sombrio. Kassab não é o tipo de político que dá declarações improvisadas e impensadas. Ao contrário, sabe como poucos andar entre cristais e costuma calcular cada movimento. Foi nessa condição que se transformou num dos políticos mais influentes do País. Seu partido elegeu o maior número de prefeitos nas últimas eleições, e ele se equilibra magistralmente entre a condição de aliado de Lula (o PSD tem três ministros na equipe do presidente), secretário de Governo e Relações Institucionais do governo de São Paulo e mentor do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Descontadas as eventuais motivações partidárias da declaração, já que Kassab e o PSD têm um olho no incômodo com o nível de participação no ministério e outro na viabilidade de 2026, o fato é que um gesto como esse constitui um mau diagnóstico para Lula e Haddad. Emite sinais de uma aliança governista pouco sólida e escancara a fragilidade do ministro da Fazenda. Lula e Haddad, previsivelmente, minimizaram o peso das declarações. Provocado horas depois por jornalistas, Haddad desconversou: “Não li essa declaração. Não tomei conhecimento”. No dia seguinte, durante entrevista coletiva convocada no Palácio do Planalto, Lula tratou o tema com ironia e um calculado bom humor. “Comecei a rir”, disse, afirmando ter ficado “despreocupado porque hoje não tem eleição”, e chamou Haddad de “extraordinário”.
Trata-se de uma evidente marotagem. É verdade que faltam 20 meses para a eleição, mas as disfuncionalidades governistas e, como disse Kassab, a baixa perspectiva de mudança capaz de reverter a piora no cenário inspiram prognósticos pessimistas, tanto para o lulopetismo quanto para o País. Também é verdade que Haddad tem sido “extraordinário” – não para a economia, mas para Lula e seus bajuladores. Nos primeiros dois anos, cultivou-se a expectativa de que o ministro poderia ser o guardião da sobriedade econômica ante o desprezo do lulopetismo pelo equilíbrio fiscal e pelo controle da inflação. Esse otimismo ruiu. Desde o anúncio do pacote de revisão de gastos do governo, ficou evidente que Haddad não conseguiu – e provavelmente não conseguirá – conter o ímpeto eleitoreiro de Lula. Seu enfraquecimento significa a vitória dos radicais do PT. E, como se sabe, quando os radicais do PT vencem, é o Brasil que paga a conta.
A cada dia Lula e o PT deixam claro que ignoram algo imprescindível num país de economia frágil e instável como o Brasil: a necessidade de um ministro da Fazenda confiável, forte e com respaldo do chefe. Kassab citou o caso dos ministros Pedro Malan (governo FHC), Antonio Palocci (Lula 1) e Henrique Meirelles (governo Michel Temer). Poderia ter citado também exemplos inversos, como Guido Mantega, fiel cumpridor de ordens nos governos Lula 2 e Dilma 1, e Joaquim Levy, que no segundo mandato de Dilma até tentou mudar o rumo, mas foi engolido pelas sabotagens do PT. Sempre que presidentes tornaram seus ministros da Fazenda fracos, deixaram ruínas econômicas para o País.
Incúria fiscal dos governadores é preocupante
Por Editorial / O GLOBO
Menos evidente e menos discutida que a incúria do governo federal com as contas públicas, a irresponsabilidade fiscal dos governadores também preocupa. Assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muitos administram as contas dos seus estados como se não houvesse amanhã. Com a perspectiva de desaceleração da economia, a má gestão dos estados é a receita para um desastre. As tentativas de ajuste têm sido insuficientes. Nenhum governador pode alegar desconhecimento sobre as consequências da negligência.
Os governos estaduais deverão encerrar a metade dos atuais mandatos com o crescimento dos gastos em ritmo superior ao das receitas. Em 2023, as despesas dos 26 estados e do Distrito Federal subiram 3,9% sobre o ano anterior, enquanto as receitas caíram 3,1%, segundo levantamento do jornal Valor Econômico. No ano passado, os esforços para conter o desequilíbrio foram insuficientes. De janeiro a outubro, as receitas cresceram 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, e os gastos 4,7%. Ao longo dos dois anos, os gastos subiram 8,7%, e as receitas apenas 2,1%.
É verdade que os estados são heterogêneos. Cada um tem a sua peculiaridade. De forma geral, o crescimento dos gastos foi alavancado por despesas com pessoal e encargos sociais. Outro ponto que chamou a atenção em 2024 foram os investimentos, mantidos em patamar alto. O total aplicado em obras entre janeiro e outubro chegou a R$ 60,6 bilhões, quase o triplo dos R$ 21,5 bilhões no mesmo período em 2019, ano anterior à pandemia. Por óbvio, os governos estaduais precisam cuidar dos serviços públicos, repor seus quadros, promover programas sociais e melhorar a infraestrutura. Mas não é razoável fazer isso sem amparo na realidade, distribuindo aumentos salariais descabidos para o funcionalismo e promovendo outras medidas eleitoreiras.
A medida do descompasso fica evidente na comparação da política fiscal dos estados com o ritmo da economia. Nos últimos dois anos, o PIB registrou altas anuais expressivas, acima dos 3%. Ainda assim, a despesa corrente dos estados aumentou perto de 2 pontos percentuais acima da alta do PIB. Nas palavras de Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público do FGV Ibre, os estados estão “esticando bastante” a gastança. Com um agravante: o regime fiscal e outros instrumentos funcionam como incentivo ao descalabro.
Há duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova lei de renegociação das dívidas dos estados, conhecida pela sigla Propag. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse nunca ter visto “algo tão generoso”. Mediante o cumprimento de algumas metas, as taxas de juros hoje em 4% poderão cair a zero, sem contrapartidas adicionais de responsabilidade fiscal. “Será mais uma nova rodada de financiamento federal para a expansão dos gastos públicos”, diz Pires.
É o quarto alívio às dívidas estaduais desde o Plano Real. Nenhum dos anteriores representou avanço no equilíbrio das contas públicas. Nos últimos dois anos, os estados com maior discrepância entre gastos e receitas nem são os mais endividados. Isso mostra como o descaso tem se disseminado de forma preocupante. É um custo que o brasileiro já está cansado de pagar.
Sem ajuda do governo, BC corre atrás da inflação
Como era esperado, o Banco Central, agora sob o comando de Gabriel Galípolo, elevou a taxa de juros de 12,25% para 13,25% ao ano, além de praticamente confirmar nova alta de 1 ponto percentual para a reunião de 19 de março.
Esperava-se também alguma indicação de qual seria a perspectiva do BC sobre o cenário de inflação e juros para a segunda metade do ano, o que não se viu.
A autoridade monetária decerto não tem como se comprometer com avaliações de períodos tão longos. O fato, porém, é que o comunicado sobre o aumento da taxa Selic acabou por dividir opiniões a respeito do futuro mais imediato da atuação do BC, cuja cúpula agora tem maioria indicada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De um lado, o texto deixou claro que há mais incerteza, citando dúvidas em relação à política econômica dos Estados Unidos sob Donald Trump. Enumerou riscos cada vez maiores, apontando também, de modo explícito, que a baixa taxa de desemprego pode afetar a inflação.
Pelo modelo do BC, o IPCA para este 2025 está em 5,2%, bem acima da meta de 3% e do teto oficial de 4,5%. Para o terceiro trimestre de 2026, momento que é alvo maior de suas preocupações, estaria em 4% em 12 meses.
Por outro lado, o órgão insinuou que pode haver desaceleração importante da atividade econômica doravante, entre os fatores que podem contribuir para conter a alta dos preços. Além do mais, não deu indício de que a política monetária pode ser mais restritiva do que já é.
Algumas instituições financeiras reafirmaram sua previsão de que a meta da Selic vá a 15% ao ano. Outras, que indicam taxa maior, afirmaram que talvez tenham de revisar para baixo suas projeções. No mercado, as taxas de prazo mais curto caíam no dia seguinte ao da decisão do Comitê de Polícia Monetária (Copom).
O BC terá de ser mais explícito na ata da reunião, que será divulgada na semana que vem. As expectativas para o IPCA deste ano deram um grande salto, para 5,5% e em tendência de alta; para 2026, são mais de 4%. Conta-se no máximo, portanto, com uma queda paulatina do índice, mesmo com uma taxa real de juros de um ano próxima de 10% anuais. Trata-se de um ambiente tenso.
Decerto houve valorização inesperada do real, embora para um nível ainda ruim. É provável que o aumento do gasto federal seja menor neste ano —mas a administração petista não se mostra disposta a um ajuste que colabore para a missão do BC.
Por ora, não estão à vista choques climáticos, e a safra de grãos deve ser recorde; não há no horizonte sinal de pressões advindas dos preços de outras commodities; prevê-se crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB).
Todos esses fatores devem ser colocados na balança. É inescapável, de todo modo, que Galípolo inicia seu mandato sob condições desfavoráveis e terá de deixar clara sua visão do cenário.


O que Lula vai dizer quando compararem Paulo Guedes com Haddad? Paulo Guedes lidou com a pandemia de Covid, início da guerra da Ucrãnia e um ano de seca recorde e, mesmo assim, conseguiu entregar uma relação dívida/PIB menor do que aquela que recebeu. No governo Lula a relação dívída/PIB só cresce e a dívida de oitenta por cento do PIB está sendo reajustada com juros reais de oito por cento ao ano. Déficit nominal no ano passado de mais de um trilhão(trilhão com "T") de reais.