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Sem ajuda do governo, BC corre atrás da inflação

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Como era esperado, o Banco Central, agora sob o comando de Gabriel Galípolo, elevou a taxa de juros de 12,25% para 13,25% ao ano, além de praticamente confirmar nova alta de 1 ponto percentual para a reunião de 19 de março.

Esperava-se também alguma indicação de qual seria a perspectiva do BC sobre o cenário de inflação e juros para a segunda metade do ano, o que não se viu.

A autoridade monetária decerto não tem como se comprometer com avaliações de períodos tão longos. O fato, porém, é que o comunicado sobre o aumento da taxa Selic acabou por dividir opiniões a respeito do futuro mais imediato da atuação do BC, cuja cúpula agora tem maioria indicada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De um lado, o texto deixou claro que há mais incerteza, citando dúvidas em relação à política econômica dos Estados Unidos sob Donald Trump. Enumerou riscos cada vez maiores, apontando também, de modo explícito, que a baixa taxa de desemprego pode afetar a inflação.

Pelo modelo do BC, o IPCA para este 2025 está em 5,2%, bem acima da meta de 3% e do teto oficial de 4,5%. Para o terceiro trimestre de 2026, momento que é alvo maior de suas preocupações, estaria em 4% em 12 meses.

Por outro lado, o órgão insinuou que pode haver desaceleração importante da atividade econômica doravante, entre os fatores que podem contribuir para conter a alta dos preços. Além do mais, não deu indício de que a política monetária pode ser mais restritiva do que já é.

Algumas instituições financeiras reafirmaram sua previsão de que a meta da Selic vá a 15% ao ano. Outras, que indicam taxa maior, afirmaram que talvez tenham de revisar para baixo suas projeções. No mercado, as taxas de prazo mais curto caíam no dia seguinte ao da decisão do Comitê de Polícia Monetária (Copom).

O BC terá de ser mais explícito na ata da reunião, que será divulgada na semana que vem. As expectativas para o IPCA deste ano deram um grande salto, para 5,5% e em tendência de alta; para 2026, são mais de 4%. Conta-se no máximo, portanto, com uma queda paulatina do índice, mesmo com uma taxa real de juros de um ano próxima de 10% anuais. Trata-se de um ambiente tenso.

Decerto houve valorização inesperada do real, embora para um nível ainda ruim. É provável que o aumento do gasto federal seja menor neste ano —mas a administração petista não se mostra disposta a um ajuste que colabore para a missão do BC.

Por ora, não estão à vista choques climáticos, e a safra de grãos deve ser recorde; não há no horizonte sinal de pressões advindas dos preços de outras commodities; prevê-se crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB).

Todos esses fatores devem ser colocados na balança. É inescapável, de todo modo, que Galípolo inicia seu mandato sob condições desfavoráveis e terá de deixar clara sua visão do cenário.

 

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