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Vídeo de Nikolas, cartilha petista e crítica de ministro à CGU: entenda como a crise do INSS escalonou no Planalto

Por  e Rafaela Gama — Brasília e Rio / O GLOBO

 

A crise deflagrada pelo escândalo das fraudes no INSS ganhou novos capítulos na quarta-feira, dentro e fora do Planalto, ampliando o desgaste político do governo Lula. Nas redes sociais, quatro meses depois de alavancar a chamada “crise do Pix”, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) repetiu a estratégia com um vídeo viral atingindo a marca de 100 milhões de visualizações no Instagram em 24 horas. O impacto levou o PT a lançar uma cartilha para seus parlamentares ensinando como reagir às críticas nas redes. Internamente, o ministro Rui Costa (Casa Civil) criticou o colega Vinicius Carvalho (Controladoria-Geral da União) que, segundo ele, teria demorado a evitar o problema, impedindo resposta ágil.

 

O objetivo da oposição, ancorado no vídeo do deputado mineiro, é explorar uma tensão que já provocou a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência, mudanças na cúpula do INSS e vem gerando dores de cabeça ao governo, cobrado a definir um modelo de ressarcimento para aposentados e pensionistas que tiveram descontos fraudulentos nos contracheques.

 

Diante das implicações, Rui Costa avalia que a CGU falhou ao não fazer os alertas devidos assim que as primeiras informações apareceram. O ministro afirma que ele e Lupi não foram avisados com antecedência, o que, na visão do chefe da Casa Civil, impediu uma resposta célere do governo.

 

— A Controladoria-Geral tem o papel de evitar o problema, apontar falhas de procedimentos. É uma função preventiva, não corretiva ou punitiva. Deixamos passar dois anos, período no qual mais pessoas foram lesadas, para poder corrigir? Se você atua em 2023, tinha diminuído a quantidade de pessoas (afetadas), e eu diria que não tinha impactado basicamente o nosso governo — afirmou Rui Costa ao GLOBO.

 

Procurados, Carvalho e a CGU não quiserem comentar. O chefe da Casa Civil avalia que estancar a crise antes poderia ter limitado o problema à gestão de Jair Bolsonaro, já que o início da apuração da Polícia Federal e da própria Controladoria remete a 2019.

 

Disputa nas redes

É justamente a disputa sobre qual governo seria o verdadeiro culpado o centro do vídeo de Nikolas, que define o episódio como o “maior escândalo da história do país”. Em janeiro, material no mesmo formato sobre mudanças no Pix é apontado como uma das razões da deterioração da popularidade do governo nas pesquisas seguintes. À época, o vídeo superou o patamar de 300 milhões visualizações, ao passo que o atual já havia registrado 100 milhões de views, apenas no Instagram, nas primeiras 24 horas.

 

 

 

Disputa nas redes

É justamente a disputa sobre qual governo seria o verdadeiro culpado o centro do vídeo de Nikolas, que define o episódio como o “maior escândalo da história do país”. Em janeiro, material no mesmo formato sobre mudanças no Pix é apontado como uma das razões da deterioração da popularidade do governo nas pesquisas seguintes. À época, o vídeo superou o patamar de 300 milhões visualizações, ao passo que o atual já havia registrado 100 milhões de views, apenas no Instagram, nas primeiras 24 horas.

 

— É claro, vão espalhar a narrativa de que tudo começou no governo anterior (de Bolsonaro). Já percebeu que no governo passado tudo era culpa só do presidente, e nesse governo nada é culpa do presidente? — diz o deputado, que usa a mesma estética do vídeo anterior, com fundo preto, camisa escura e calça jeans.

 

A gravação mais recente é a terceira de uma sequência que começou no Pix, passou pela defesa do projeto que anistia os envolvidos no 8 de Janeiro e chegou ao INSS.

 

Junto à imagem do parlamentar são projetados efeitos visuais que mostram gráficos ou imagens que ajudam o bolsonarista a explicar a linha de raciocínio. A técnica, segundo especialistas, é usada nas redes sociais para reter a atenção do público.

 

— Os vídeos são criados com a intenção de acusar o governo Lula e reforçar a ideia de que a gestão petista está submetida às práticas de corrupção. Ele foi feito para viralizar e atrair a atenção por meio da dramaticidade — afirma o doutor em ciência política Luiz Eduardo Garcia, professor da PUC do Rio Grande do Sul.

 

A crise do INSS provocou também uma turbulência política, com a bancada do PDT na Câmara anunciando que deixou a base e se tornou independente — os senadores do partido, por sua vez, seguem governistas. Enquanto o Planalto tenta contornar os desgastes, os deputados do PT foram orientados a reagir ao vídeo de Nikolas e tirar o Executivo da defensiva.

 

Estratégia de reação

A liderança do PT na Câmara distribuiu uma cartilha com uma série de argumentos para rebater o vídeo. Com título “Desmentido Nikolas Ferreira — INSS”, o documento de 30 páginas traz o roteiro completo das falas do deputado, contrapondo ponto a ponto o que o ele diz e sugerindo argumentos para os petistas disputarem a narrativa com a oposição.

 

A estratégia está alinhada com o entendimento do Planalto, cuja avaliação é que, se o ataque partiu de um deputado da oposição, deve ser enfrentada por parlamentares da base. O governo observa os desdobramentos e, por ora, acredita que não é o caso de uma resposta institucional via Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

 

Após o trecho em que Nikolas afirma que a atual gestão vai culpar a administração de Bolsonaro, o documento diz que “a maioria dos envolvidos no escândalo eram servidores nomeados na gestão” anterior. A cartilha também orienta os parlamentares a questionarem em público e nas redes o fato de a Polícia Federal não ter sido acionada no governo passado para investigar. O documento traz “personagens-chave” da fraude e levanta supostas conexões do caso com ex-ministros de Bolsonaro.

 

Na mesma toada, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi às redes sociais afirmar que a fraude começou na gestão passada e que o momento exige a verdade, “não mentiras oportunistas de quem não investigou nada”.

 

“Foi no governo Bolsonaro que quadrilhas criaram entidades fantasmas para roubar os aposentados, sem que nada fosse feito para investigá-las ou coibir sua ação no INSS”, escreveu Gleisi.

 

A temperatura elevada da disputa reflete os números superlativos da investigação. No fim de abril, a PF e a CGU fizeram uma operação para combater o esquema fraudulento. As investigações apontam que a soma dos valores descontados chega a R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, mas ainda será apurado qual porcentagem foi feita de forma ilegal.

 

Entidades sindicais fraudaram assinaturas e documentos, segundo o inquérito, para receber mensalmente verbas de aposentadorias e pensões. O esquema contaria com a anuência de integrantes da antiga cúpula do INSS, diz a PF. Ex-diretores e pessoas próximas a eles receberam mais de R$ 17 milhões em transferências de supostos intermediários das associações, de acordo com a apuração.

Marasmo político

Por  Merval Pereira / O GLOBO

 

 

Nada indica que teremos mudanças com a eleição do ano que vem, no sentido de que não existe no horizonte um nome que possa quebrar a polarização entre petistas e bolsonaristas. Apesar dos momentos difíceis por que passa, Lula dá sinais de que se candidatará à reeleição, convencido pelas pesquisas de opinião de que vencerá qualquer adversário, mas, sobretudo, confiante de que Bolsonaro não deixará crescer grama onde um potencial candidato da direita tentar pisar sem seu consentimento.

 

Lula, assim como Bolsonaro, está empenhado em eleger mais senadores, pois lá, no Senado, é que será disputado o jogo político do próximo governo, com a desejada impugnação do ministro Alexandre de Moraes pela direita nacional, que pretende montar uma bancada fortemente majoritária para poder vetar emendas constitucionais e definir os rumos da política nacional. Lula já confidenciou a amigos achar que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve ir “para o sacrifício” e disputar uma das duas vagas ao Senado por São Paulo. Significa dizer que ele não seria o nome escolhido para substituí-lo se Lula decidir não concorrer à reeleição. Ou que não haverá essa vaga.

 

Bolsonaro continua empenhado em manter sob rédea curta os pretendentes a substituí-lo na disputa pelo Palácio do Planalto e com isso atrasa uma possível campanha unificada da direita. Foi-lhe proposta uma estratégia que aparentemente o beneficiaria: um acordo para uma pena de prisão domiciliar para ele, devido a sua saúde, e ele anunciaria apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que assim teria tempo para montar sua campanha. Embora Bolsonaro tenha recusado a proposta com um palavrão, as articulações continuam à sua revelia, com a possibilidade de o MDB aderir à candidatura de Tarcísio, que apoiaria o prefeito Ricardo Nunes para lhe suceder.

 

Lula continua vulnerável na Presidência, com escândalos se sucedendo e uma inflação que corrói o poder de compra das classes mais baixas, sem que o governo consiga se desvencilhar. O de maior repercussão é a roubalheira contra os aposentados no INSS, que até agora não tem tido dos aliados uma ação digital capaz de neutralizar os ataques permanentes da direita. Era previsível que um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira sobre o assunto seria divulgado, e o governo tinha toda condição de se antecipar aos ataques para neutralizá-los.

 

A falta de organização no campo digital e a burocracia partidária que impede avanços individuais nas redes sem que o material seja aprovado pelo novo ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, dão um timing analógico à resposta ao ataque digital, que já tem perto de 100 milhões de visualizações. Se, por um lado, a demissão do ex-ministro Carlos Lupi dá ao governo a narrativa de que tomou as providências devidas depois de descoberta a armação no INSS, por outro fica a marca de corrupção em mais um governo petista. Com o agravante de ter deixado chefiando o ministério um remanescente da gestão Lupi, ligado também ao PDT. Mais: como Lupi já havia sido demitido pela presidente Dilma por um caso de corrupção, fica a impressão de que Lula está sempre disposto a acobertar seus amigos, como fez com a ex-primeira-dama do Peru, a quem acolheu como asilada política mesmo tendo sido condenada por corrupção no mesmo esquema montado no Brasil pelas empreiteiras, especialmente a Odebrecht.

 

A reação do PDT de anunciar a saída da base do governo em protesto contra a demissão de Lupi traz um problema até para o campo da esquerda, que se fragmenta às vésperas de um ano eleitoral. Como a crise promete permanecer no centro do debate político, a corrupção, que nas pesquisas de opinião já não aparecia como problema prioritário para a população, voltará a ser tema de campanha.

SP e PR concentram as 10 cidades com desenvolvimento mais alto do Brasil;

Leonardo Vieceli / FOLHA DE SP

 

 

Rio de Janeiro

As dez cidades que apresentam os níveis mais altos de desenvolvimento socioeconômico do Brasil estão concentradas nos estados de São Paulo e Paraná. Por outro lado, os dez municípios com os piores desempenhos ficam na região Norte e no Maranhão.

É o que aponta a nova edição do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal), divulgada nesta quinta-feira (8) pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

A pesquisa reúne dados oficiais até 2023, divididos em três áreas: emprego e rendasaúde e educação. A escala do IFDM varia de 0 a 1 ponto.

Quanto mais próximo de 1 estiver o número, melhor é o resultado. O estudo trabalha com quatro categorias de desenvolvimento: crítico (inferior a 0,4 ponto), baixo (entre 0,4 e 0,6), moderado (entre 0,6 e 0,8) e alto (acima de 0,8).

Em 2023, a liderança do ranking ficou com o município paulista de Águas de São Pedro (a 184 km da capital), com índice de 0,8932 (alto). O topo havia sido ocupado em 2022 pelo paranaense Maringá.

Águas de São Pedro já havia alcançado o primeiro lugar do país em outros quatro anos da série histórica (2013, 2016, 2018 e 2021), diz a Firjan. Isso, na visão da entidade, reafirma "um histórico de excelência".

Com população de 2.780 habitantes no Censo Demográfico 2022, a cidade paulista mostra desenvolvimento alto (acima de 0,8) nas três variáveis que compõem o índice geral (emprego e renda, saúde e educação). O município é conhecido pela vocação turística associada à presença de águas medicinais.

Águas de São Pedro também chama a atenção pela pequena extensão territorial. Tem a menor área dos 645 municípios de São Paulo (3,612 km²) e a segunda menor do país, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No IFDM de 2023, São Caetano do Sul (SP), no ABC Paulista, teve o segundo maior nível de desenvolvimento socioeconômico do Brasil (0,8882). Curitiba (0,8855) apareceu na terceira posição.

Maringá (PR), Americana (SP), Toledo (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), São José do Rio Preto (SP), Francisco Beltrão (PR) e Indaiatuba (SP) completaram a relação dos dez municípios com as melhores colocações. Todos mostraram índices altos de desenvolvimento (acima de 0,8).

Fora de São Paulo e Paraná, o município que está melhor posicionado no ranking é o gaúcho Lajeado (0,8680), no 11º lugar nacional.

Ao ser questionado sobre o que explicaria os resultados, o gerente de estudos econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, disse que os números de maneira geral podem ser associados a "boas políticas públicas" desempenhadas ao longo de "vários anos".

Ipixuna (AM) fica em último lugar

Na ponta de baixo do IFDM, Ipixuna, no interior do Amazonas, mostrou o pior resultado em 2023. O índice do município, que tinha 24,3 mil habitantes no Censo 2022, foi de 0,1485 (crítico).

Jenipapo dos Vieiras (0,1583), no Maranhão, e Uiramutã (0,1621), em Roraima, também chamam a atenção na parte inferior do ranking. A cidade roraimense havia sido a última em 2022.

Em 2023, Jutaí (AM), Santa Rosa do Purus (AC), Oeiras do Pará (PA), Fernando Falcão (MA), Limoeiro do Ajuru (PA), Melgaço (PA) e Curralinho (PA) completaram a relação dos dez locais com piores índices. Todos apresentaram nível crítico de desenvolvimento (inferior a 0,4).

A Firjan disse que essas cidades sofrem com dificuldades nas três áreas investigadas ao longo da série histórica. A federação também lembrou que os desafios logísticos da região Norte podem prejudicar o acesso da população a melhores condições de emprego e renda, saúde e educação.

Na média do Brasil, o IFDM alcançou a marca de 0,6067 em 2023, o que significa desenvolvimento moderado. O índice cresceu 29,8% em relação ao início da série histórica, em 2013, quando estava em 0,4674 (baixo). Apesar do avanço, a Firjan ressaltou que a desigualdade regional permanece.

Entre as capitais, a liderança ficou com Curitiba (0,8855), seguida por São Paulo (0,8271), Vitória (0,8200), Campo Grande (0,8101) e Belo Horizonte (0,8063). São as cinco que apresentaram alto desenvolvimento.

Macapá (0,5662) mostrou o menor índice das capitais. É a única com baixo desenvolvimento no IFDM.

O que o IFDM investiga

A série do índice passou por revisão metodológica, segundo a Firjan. Em emprego e renda, o estudo analisa estatísticas relacionadas com absorção da mão de obra formal, PIB per capita, diversidade econômica, participação dos salários no PIB, percentual de desligamentos voluntários e taxa de pobreza.

Em saúde, o indicador olha para dados de pré-natal, gravidez na adolescência, internações sensíveis à atenção básica e por doenças relacionadas a saneamento inadequado, óbitos infantis evitáveis, cobertura vacinal e proporção de médicos disponíveis para cada mil habitantes.

Em educação, a pesquisa abrange informações sobre adequação da formação de professores, oferta de ensino em tempo integral, taxa de atendimento escolar a crianças de zero a três anos, taxa de abandono, distorção idade-série e números do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Segundo a Firjan, não foi possível calcular o IFDM de educação para 20 municípios devido à indisponibilidade de algumas estatísticas. Por isso, a pesquisa abrange um total de 5.550 cidades, em vez de 5.570.

PRAÇA EM AGUAS SÃO PEDRO EM SP

Infraestrutura de Belém preocupa na COP30

Nada mais sintomático das contradições brasileiras do que escolher para sede da maior conferência ambiental do mundo a cidade de Belém, onde 8 entre 10 moradores vivem sem coleta de esgoto. E não será o frenesi de obras da COP30 a remediar tamanha iniquidade.

O estado do Pará investe meros R$ 22 per capita por ano em saneamento, ante R$ 111 na média nacional —e o desejável seriam R$ 231, segundo estimativa do Instituto Trata Brasil. A insalubridade resulta da incúria de várias gestões, não há como maquiá-la multiplicando tapumes.

Considere-se o Parque Urbano São Joaquim, intervenção que recebeu R$ 170 milhões da hidrelétrica de Itaipu. Apenas está em obras —aliás, atrasadas— o trecho 1, de 720 m ao longo do canal de mesmo nome, sem previsão de começar drenagem e saneamento nos outros 8 km. O trecho 1 fica no caminho do aeroporto e já foi descrito, sem ironia, como cartão de visitas da cidade.

 

Os cerca de 50 mil participantes esperados para o evento terão outras mazelas urbanísticas com que se preocupar. Mobilidade, para começar, numa metrópole de ruas estreitas e trânsito caótico. A frota do precário sistema de transporte público vai aumentar 30%, pelo acréscimo de 300 ônibus com wifi e ar-condicionado.

Mesmo rasgando avenidas novas, como a da Liberdade, não há garantia de que esses coletivos não ficarão retidos na massa de 557 mil veículos belenenses.

Cogita-se deslocar mais 350 ônibus da região só para transportar os participantes até o Parque da Cidade, onde se concentrará a COP30, desde o porto de Outeiro, a 30 km da sede. Reformado para receber grandes navios para hospedagem, o ancoradouro não chega a constituir opção prática para 6.000 hóspedes que ficarem sem alternativa.

O déficit de leitos está em cerca de 14 mil vagas. Organizadores contabilizam apenas 36 mil disponíveis, incluindo 15 mil para aluguel temporário por aplicativos e 2.000 em motéis —para nada dizer de 5.000 fora do município, em locais entre 9 e 70 km de distância, parte deles acessíveis apenas por embarcações.

As soluções cheiram a improviso, como antecipar férias e a chegada dos chefes de Estado para desafogar a reunião propriamente dita. O governo federal se empenha em acordos para conter a escalada de preços de hotéis, passagens aéreas e víveres, mas parece duvidoso que tenha sucesso.

Não espanta que a COP30 já seja vista por parte dos moradores como desvantajosa, pela perturbação que impõe sem contrapartida de um legado civilizador.

belem obra DA PRAÇA SÃO JOAQUIM

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IDH mostra progresso lento e desigualdade alta no Brasil

Em 1990, quando a ONU começou a calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil ocupava uma posição pouco mais do que intermediária entre os 130 países do levantamento, com desempenho 5% acima da média geral.

No mais recente relatório do IDH, referente ao ano de 2023 e divulgado na terça-feira (6), o Brasil enfim superou o índice obtido em 2019, antes da pandemia, e aparece na 84ª posição entre 193 países considerados —com resultado 4% acima da média.

Ao longo dessas mais de três décadas, acumulamos evidentes progressos nas medidas de renda, saúde e educação que compõem o indicador das Nações Unidas. O PIB por habitante subiu de US$ 12.178 para US$ 18.011, em valores corrigidos; a expectativa de vida ao nascer, de 65,86 para 75,85 anos; a escolaridade média, de 3,69 para 8,43 anos, e a esperada, de 14,1 para 15,79.

Mas, se os dados desautorizam diagnósticos catastrofistas, tampouco são dignos de entusiasmo em termos relativos.

Numa escala de 0 a 1, o IDH brasileiro chegou a 0,786, patamar que a ONU classifica, com alguma benevolência, como de alto desenvolvimento humano —enquanto os 74 países com mais de 0,8, aí incluídos os sul-americanos ChileArgentina e Uruguai, são hoje considerados de desenvolvimento muito alto.

Desde 1990, nosso índice acumulou um aumento de 22,6%, enquanto o ritmo global foi de 24,3%, e o do grupo onde estamos, de 36,6%. Outros emergentes importantes ostentam avanços mais velozes, casos de China (62,3%), Índia (53,6%) e Turquia (42,6%), além dos vizinhos Peru (27%) e Colômbia (26,5%), que estão pouco acima no ranking.

Além de lentas em termos comparativos, as melhoras aqui são pessimamente distribuídas entre os cidadãos. No cálculo em que a ONU ajusta o IDH de acordo com a desigualdade social, o índice brasileiro desaba para 0,594, patamar mais próximo ao de baixo desenvolvimento humano (abaixo de 0,55), com perda de 21 posições na listagem global.

Na vergonhosa disparidade nacional, os 40% mais pobres detêm apenas 11,3% dos rendimentos da população, enquanto os 10% mais ricos ficam com 41%. Nos Estados Unidos, país mais desigual entre os ricos, os percentuais são 15,6% e 30,2%, respectivamente.

Elevada concentração de renda, bem como baixo crescimento econômico e precária qualidade da educação, são gargalos que o Brasil não conseguiu superar desde o restabelecimento da democracia, período de grande ampliação dos gastos públicos.

Boa parte da atuação do Estado, na verdade, agrava a desigualdade —por meio de tributação regressiva, subsídios exorbitantes para setores empresariais influentes, supersalários para a elite do funcionalismo e ensino superior gratuito para estratos abonados. Já o persistente desequilíbrio orçamentário resulta em juros elevados que travam o consumo e o investimento.

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Mesmo 'sem dor' por rompimento com o irmão, Ciro vê Cid Gomes como 'cúmplice de tragédia' no Ceará

Escrito por
, e

 / DIARIONORDESTE

 

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) disse não guardar mais "nenhuma mágoa" em âmbito pessoal do irmão Cid Gomes (PSB), senador da República, mas teceu críticas no campo político. A declaração foi dada nesta terça-feira (6) à imprensa, após reunião com a bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). 

"Deus já tirou das minhas costas a dor lancinante de uma facada. Entretanto, eu vejo, fria e geladamente, como uma pessoa preocupada com o que está acontecendo com o Ceará, o senador Cid como conivente, como cúmplice dessa tragédia que está acontecendo no Estado", disse Ciro. 

Na ocasião, ao encontrar o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL), Ciro também afirmou: “Espero votar em você para senador”. Apontado como pré-candidato ao Senado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alcides mencionou que era a primeira vez que ele ficava cara a cara com o ex-governador.

A fala chama atenção porque, apesar de dar indicativos de não tentar a reeleição em 2026, Cid Gomes ainda é defendido por lideranças locais como candidato ao Senado, a exemplo do presidente do PSB cearense, Eudoro Santana. Além disso, o senador já sinalizou alinhamento ao irmão em âmbito nacional.

"Eu jamais estarei em lado oposto ao Ciro na questão nacional. Aqui, no Ceará, a gente tem uma visão diferente, eu o respeito profundamente, mas jamais estarei em lado diferente dele na questão nacional. Penso absolutamente como ele", disse Cid, em entrevista à TV Jangadeiro, no final de abril, durante evento do PSB.

Os irmãos estão rompidos desde 2022, após divergências relacionadas às candidaturas ao Governo do Estado naquele ano e ao apoio ao PT, contra quem Ciro intensificou críticas nos últimos anos.

ciro e cid gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

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