'Tatuzão' do Metrofor chega ao Colégio Militar, e 1º túnel da Linha Leste é concluído; veja vídeo
A Linha Leste do Metrô de Fortaleza, primeira totalmente subterrânea do Nordeste, teve seu primeiro túnel concluído nesta segunda-feira (12), com a chegada da tuneladora TBM 02 do Metrofor, popularmente conhecida como “tatuzão”, ao Colégio Militar, na Avenida Santos Dumont.
No total, foram escavados 1.734 metros em um trecho até a Estação Chico da Silva, no bairro Centro. O trajeto total, após a conclusão das obras, terá 7,3 km de extensão e contará com cinco estações: Tirol – Moura Brasil, Chico da Silva, Colégio Militar, Nunes Valente e Papicu.
Com 120 metros de comprimento e pesando mais de 1.000 toneladas, o equipamento trabalha a 30 metros de profundidade, e já implantou 1.156 anéis de concreto nas paredes do túnel, que possui seis metros de diâmetro.
Ao Diário do Nordeste, a Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), responsável pela execução do projeto, contou que as obras civis da linha estão com 41,04% de conclusão e compartilhou quais serão os próximos passos do “Tatuzão”.
“Após chegar ao Colégio Militar, a TBM 02 passará por um processo de manutenção, que vai durar aproximadamente três meses. Em seguida, o equipamento volta a escavar em direção à futura estação Nunes Valente”, afirmou.
Além da TBM 02, a obra conta com outro “tatuzão”, TBM 01, que, segundo a pasta, está a caminho da estação Colégio Militar, nas imediações da Avenida Santos Dumont, esquina com a Rua 25 de Março, a aproximadamente 400 metros do Colégio Militar.
A previsão é de que o TBM 01 chegue à futura estação do Colégio Militar no fim de julho de 2025, para andamento das outras fases da obra.
ATRASOS
Apesar da entrega desta segunda-feira (12), as obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza estão atrasadas. Em 2024, a previsão era de que o novo trajeto iniciasse a operação em 2026.
Após embargos por risco de acidentes para trabalhadores, greves, anúncio de R$ 2,1 bilhões em recursos do Novo PAC, dentre outras coisas, a obra anunciada em 2010 pelo então Cid Gomes (PSB) deve ser entregue em 2028, novo prazo da Seinfra.
As obras da “primeira totalmente subterrânea do Nordeste”, apesar de anunciadas há 15 anos, só foram iniciadas definitivamente no final de janeiro de 2014.
EXPECTATIVA
Ainda de acordo com a Seinfra, após sua conclusão, a Linha Leste do Metrô de Fortaleza terá capacidade para movimentar aproximadamente 150 mil pessoas por dia.
O secretário da Infraestrutura do Ceará, Hélio Winston Leitão, afirmou que o Governo do Estado está comprometido com o avanço desse projeto e com a entrega dessa obra à população cearense.
“A Linha Leste será a primeira linha de metrô totalmente subterrânea do Nordeste e a primeira escavada com tuneladoras, o que reforça o pioneirismo do Ceará na infraestrutura de transporte da região”, disse o gestor.
MUDANÇAS NO TRÂNSITO
A Seinfra informou que, com o avanço das obras, está sendo preparada a liberação do tráfego de veículos em alguns trechos da Avenida Santos Dumont.
A previsão é de que, em julho deste ano, já seja concluída a liberação parcial de um trecho que atualmente se encontra bloqueado entre as ruas Nunes Valente e Tibúrcio Cavalcante, no bairro Aldeota.
No que diz respeito à Estação Colégio Militar, a estimativa é de que seja feita uma liberação parcial do tráfego de veículos em julho de 2026, no trecho que se encontra interditado entre as ruas Dona Leopoldina e Nogueira Acioli.

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A lição que o comandante do Exército deu ao presidente Lula sobre o papel do Brasil no mundo
Por Marcelo Godoy / O ESTADÃO DE SP
A cena é forte e cheia de significados. E foi publicada sem nenhum alarde. Nela, o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva aparece de pé, solitário, prestando continência a um monumento aos mortos da Força Expedicionária Brasileira (FEB), em meio aos Montes Apeninos, na Toscana, em comemoração à vitória aliada na Itália. Era 28 de abril.
Ninguém prestou atenção à cena no Brasil. Não muito longe dali havia mais estudantes italianos homenageando os pracinhas na cidade de Montese do que líderes brasileiros exaltando os que morreram na mais justas das guerras. Lula esteve na Itália no dia 26 de abril. Foi ao funeral do papa Francisco. Podia ter permanecido mais dois dias na Itália para homenagear os 457 pracinhas mortos na Itália.
Ali encontraria o general Tomás e poderia acompanhá-lo no momento solene, diante da lembrança aos mortos. Repetiria na Itália o retrato feito no quartel-general do Exército, em Brasília, quando o chefe do Executivo participou de uma dupla comemoração no dia 16: a do Dia do Exército, dentro da qual se engatou uma menção à vitória da FEB.
Nas semanas seguintes, as comemorações se sucederiam nos quartéis em cada unidade febiana, com a presença de uns veteranos, como no 6.º Batalhão de Infantaria Aeromóvel (6.º BI Amv), da Brigada de Infantaria, em Caçapava (SP). Mas nenhum prócer do governo compareceu ali para demonstrar a gratidão do País a Jarbas Dias Ferreira, de 103 anos, e Florentino Zandonadi, de 102.
Os dois pracinhas fizeram parte dos 25 mil brasileiros – entre os quais estavam comunistas, como o cabo Jacob Gorender e o tenente Salomão Malina – que foram ajudar a derrotar o nazifascismo na Europa. Tomás embarcou para Itália na semana seguinte e foi saudar o sangue brasileiro derramado no conflito mundial.
A comitiva do general era minúscula, comparada àquela que o presidente Lula levou a Moscou. O monumento diante do qual o general se prostrou fica em uma localidade chamada Abetaia, na cidade de Gaggio Montano, lugar onde dezenas de brasileiros foram ceifados pelo fogo alemão quando tentavam conquistar o Monte Castelo. É uma história que todos deviam conhecer.
Bastava Lula ficar dois dias a mais na Itália. Se o petista quisesse agradar ainda mais seu público, poderia ir a uma das dezenas de festas promovidas pela ANPI, a Associazione Nazionale Partigiani d’Italia, para celebrar o Dia da Libertação, em 25 de abril. A data é feriado nacional italiano e comemora a derrota dos repubblichini di Salò, os fascistas da República Social Italiana, o governo títere dos nazistas criado por Mussolini após a rendição italiana, em 8 de setembro de 1943.
Repubblichini e nazistas lutaram contra os homens e as mulheres do 5.º Exército dos EUA, ao qual a FEB estava ligada, do 8.º Exército Britânico e das forças da resistência italiana, os partigiani, formadas por comunistas, socialistas, democrata-cristãos e liberais. Teresa Isenburg, em sua obra O Brasil na Segunda Guerra Mundial, mostra a história do importante papel dos guerrilheiros italianos que lutaram ao lado da FEB.
Para quem já esqueceu, 69 mil deles morreram na luta contra os nazifascistas; outros 62 mil desapareceram no conflito. Foi a Divisão Modena/Armando, chefiada por Mario Ricci, que libertou a cidade de Porretta Terme, localidade que serviu depois de quartel-general para a FEB, na Toscana.
Ricci, o comandante Armando, era um comunista veterano da guerra civil espanhola. Sua unidade foi enquadrada no 5.º Exército Americano e acabou reconhecida como força beligerante. Bella Ciao, canção hoje mais conhecida por causa de seriados e filmes, é desde então a música presente em toda comemoração do 25 de abril. Lula poderia aprender essas coisas antes de embarcar para Moscou.
Em vez disso, resolveu comparecer ao Kremlin para apertar a mão do ditador Vladimir Putin na semana que o IBGE divulgou seu novo mapa-múndi, que coloca o Brasil no centro do globo. Faltou pouco para rebatizar o Golfo da Guiné como Golfo do PT. É no mínimo estranho perceber aproximações ou semelhanças com o governo de Donald Trump? Lula e o americano são diferentes. Profundamente. Mas se igualam em uma coisa: a capacidade para produzir bobagens.
Seria mera desculpa para a viagem a Moscou a decisão de homenagear os milhões de soviéticos que ajudaram a garantir nossa liberdade quando “morreram pela Pátria”, como contou em sua novela o escritor Mikhail Sholokhov, o soviético que ganhou o Nobel de literatura? Enquanto Lula apertava as mãos de Putin, Macron (França), Merz (Alemanha), Starmer (Reino Unido) e Tusk (Polônia) iam a Kiev conversar com Zelensky. Sem arrancar do russo um mísero dia a mais de cessar-fogo, lá se foi Lula para Pequim.
Não sem antes assistir ao desfile militar russo ao lado de um presidente que busca mentir sobre o passado, que esconde a participação da KGB no massacre de oficiais poloneses em Katyn e busca culpar os poloneses pela invasão alemã, em 1º de setembro de 1939. Enquanto isso, o general Tomás fazia aquilo que o País espera há muito da República: o reconhecimento e a gratidão em relação aos brasileiros – comunistas, liberais e conservadores – que lutaram contra o nazifascismo. A República precisa reivindicar seus símbolos e não há nenhum maior do que o da vitória na Itália.

Risco de Lula é o eleitorado trocar a ‘defesa da democracia’ de 2022 pela ‘anticorrupção’ em 2026
Por Eliane Cantanhêde / O ESTADÃO DE SP
O maior risco do presidente Lula, talvez do País, é a troca da bandeira decisiva de 2022, democracia, para uma outra, demolidora, em 2026, corrupção. Lula conquistou o terceiro mandato e impediu o segundo de Jair Bolsonaro na onda da defesa democrática e precisa ser mais ágil e convincente para não chegar à próxima eleição afogado pela narrativa da corrupção, fantasma que o acompanha desde mensalão e Lava Jato.
Enquanto Lula, seu governo e seus aliados empacaram na era analógica, seus opositores, que foram capazes de articular um golpe de Estado, prevendo inclusive seu assassinato, estão lá adiante no planeta digital, com muito dinheiro, articulados, organizados e estratégicos, conquistando milhões de corações e almas.
Melhor exemplo é o INSS. O governo Lula tem culpas e defesas, mas o vídeo do deputado/ator Nikolas Ferreira tem impressionante esmero técnico e político, potencializando culpas, escondendo defesas e entregando um produto de grande eficácia para massificar a palavrinha maldita, “corrupção”, e atingir Lula no fígado.
Nikolas teve mais de 130 milhões de visualizações. Ao reagir, a ministra Gleisi Hoffmann e o deputado Lindbergh Farias não chegaram a um milhão, enquanto o governo produzia cartilhas (não lidas) e justificava que, de 12 entidades, nove foram criadas no governo Bolsonaro, quatro destas no segundo semestre de 2022, em plena eleição, e começaram a “colher frutos” e a multiplicar a roubalheira em 2023, no atual governo.
A oposição avança celeremente e Lula anda a passos de tartaruga. O uso FAB para resgatar a ex-primeira dama do Peru, condenada por corrupção envolvendo justamente a Odebrecht do petrolão, foi um erro. A espera de mais de dois anos para afastar Juscelino Filho do Ministério das Comunicações foi outro, diretamente de Lula. A demora para se livrar de Carlos Lupi, nem se fala. E o que dizer sobre a troca de Lupi por seu braço-direito na Previdência?
Além dos erros, vieram as versões e o recuo sobre o Pix, numa jogada suja e bem-sucedida da oposição, e as más lembranças do petrolão e do mensalão, com a prisão e depois a tornozeleira de Fernando Collor, que se livrou da Justiça nos desvios do seu governo, mas foi condenado por corrupção na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, exatamente nos primeiros mandatos de Lula.
Agora, explode o caso INSS e pode não ficar nisso, depois de uma trava no “Vale +”, programa do, ora, ora, INSS, operacionalizado pelo PicPay, um aplicativo bancário da holding de Joesley e Wesley Batista, da J&F, que, vira e mexe, aparecem embolados com Lula e o PT. Por que o governo suspendeu o “Vale+”?
Uma conta que sobrará para a União
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Imerso há quase três semanas na crise dos descontos irregulares do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o governo Lula da Silva já admite a possibilidade de editar crédito extraordinário para ressarcir os aposentados e pensionistas lesados pela fraude, à revelia de uma parte da equipe econômica, para quem é preciso saber exatamente quanto terá de ser devolvido antes da tomada de uma decisão.
O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, sustentou que a prioridade do Executivo é utilizar recursos das entidades que fizeram os débitos de maneira indevida para fazer a devolução do dinheiro. Mas bem se sabe que esse processo pode ser mais longo do que se espera, o que fez com que a alternativa do crédito extraordinário passasse a ser aventada para estancar a crise.
A despeito de a Operação Sem Desconto ter sido deflagrada no dia 23 de abril, somente a partir de hoje o INSS pretende comunicar 9 milhões de beneficiários sobre a associação que fez o desconto, o valor debitado e o período em que isso foi feito. Quem receber a notificação poderá fazer o pedido de devolução pelo aplicativo, mas as entidades também poderão contestar a alegação de que os aposentados e pensionistas não tinham conhecimento nem haviam autorizado os pagamentos.
Tudo o que um governo que busca a reeleição não precisa é de que um escândalo como este dure meses. Por isso, a edição de um crédito extraordinário pode ser a solução para o caso, como reconheceu a ministra do Planejamento, Simone Tebet. “Ninguém vai ficar prejudicado nessa conta, todos serão ressarcidos, (...) a única coisa que nós temos de ponderar é que o dinheiro que irá ressarcir é não só fruto da apreensão de bens, porque isso pode ser insuficiente”, disse a ministra. “Se precisar a União complementar, nós iremos complementar, mas vamos complementar com dinheiro público”, acrescentou.
De fato, o ressarcimento dos beneficiários deve ser tratado com prioridade, e antes um crédito extraordinário para encerrar o problema de uma vez do que um precatório bilionário que, corrigido pela Selic, também exigirá tratamento especial para que possa ser pago.
Pela Constituição, créditos extraordinários só podem ser utilizados para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, tais como em situações de guerra, comoção interna e calamidade pública, como foram os casos da pandemia de covid-19 e do socorro ao Rio Grande do Sul, devastado pelas enchentes do ano passado. Pelo caráter de excepcionalidade, esses recursos não são contabilizados dentro do limite de despesas do arcabouço fiscal, mas ainda assim afetam a apuração da meta fiscal.
Nos últimos anos, porém, com o aumento das restrições fiscais, as possibilidades de utilização de créditos extraordinários têm sido cada vez mais ampliadas. Em 2022, o governo Jair Bolsonaro apelou a este instrumento para bancar o reajuste do antigo Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 em pleno ano eleitoral. Em 2023, créditos extraordinários foram a solução para quitar precatórios atrasados durante a gestão Bolsonaro. No ano passado, o financiamento do combate a incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal se deu da mesma forma.
No Ministério da Fazenda, a preferência ainda é por utilizar recursos que haviam sido reservados às emendas parlamentares e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É compreensível que a equipe econômica tente evitar que mais recursos públicos sejam utilizados para pagar uma dívida que não pertence à União, mas esse remanejamento tampouco parece crível, haja vista que o espaço para recursos discricionários no Orçamento já é bastante limitado e, por isso mesmo, disputado a tapa pelo governo e pelo Congresso.
Ainda que o Executivo tenha afirmado que o esquema começou antes da posse de Lula da Silva, caberá ao governo atual dar respostas e encontrar uma solução definitiva para o problema. E, se isso passar por dinheiro público, como parece ser o caso, o que se espera é que haja uma investigação rigorosa que não só puna os responsáveis e recupere os recursos desviados, mas que feche brechas, acione controles com mais agilidade e encontre maneiras de proteger uma população tão vulnerável de golpes como este no futuro.
'Salvação dos aposentados': esquerda brigou para manter descontos que levaram a fraude no INSS
Por Malu Gaspar — Rio / O GLOBO
Desde que a oposição propôs a instalação de um CPMI para investigar as fraudes bilionárias no INSS, a regulamentação permitindo os descontos que passaram a ser feitos em massa e de forma ilegal para desviar o dinheiro dos aposentados se tornou pivô de uma disputa barulhenta nas redes sociais. Bolsonaristas acusam os governistas de terem arquitetado o roubo – o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é o principal deles – enquanto auxiliares de Lula e parlamentares da base ocuparam as redes para acusar a gestão de Jair Bolsonaro de ter criado as brechas legais que possibilitaram os descontos.
Mas a pesquisa nos registros da Câmara e do Senado sobre a tramitação das medidas provisórias e leis que tratam do assunto não deixa dúvida: parlamentares dos partidos de esquerda, que antes eram oposição, capitanearam um esforço concentrado para derrubar trechos de MPs e de decretos do governo Bolsonaro e não só ampliar os prazos para o cadastro de entidades associativas fazerem os descontos das aposentadorias como relaxar os controles.
Ao final, o Palácio do Planalto acatou um acordo costurado pelos líderes do Congresso e não vetou as emendas propostas pela oposição que tinham sido incluídas no texto – de acordo com fontes do antigo governo que participaram dessa discussão à época, para evitar que o Congresso derrubasse os vetos e o cadastro acabasse ficando sem fiscalização nenhuma.
Quando as emendas da oposição (hoje governo) foram aprovadas, o deputado Carlos Veras (PT-SP), irmão do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras, discursou no plenário e disse que o resultado era “fruto de vários dias de muito esforço, de muito trabalho, principalmente da CONTAG e de suas federações, do Partido dos Trabalhadores, dos partidos do campo, da Esquerda, a fim de construir uma emenda que pudesse, nesta MP 871/19, salvar os trabalhadores e as trabalhadoras”. E finalizou: “No que for possível salvar os trabalhadores, este partido lutará incansavelmente."
De acordo com a apuração da Controladoria-Geral da União (CGU), a Contag é a entidade que mais recebe dinheiro dos descontos – R$ 426 milhões só em 2023. A confederação e seu presidente são alvos da investigação da PF que começou com a Operação Sem Desconto.
O esforço a que Veras se referiu ocorreu principalmente na aprovação da MP 871, a primeira a colocar o tema em pauta no Congresso com a justificativa de “melhorar os controles do INSS e fortalecer o combate a fraudes e atos de corrupção”, em 2019. A ´força-tarefa´ da esquerda apresentou dezenas de emendas, fez uma série de discursos enfáticos em defesa dos descontos e chegou a obstruir votações no Congresso para manter os descontos rodando sem fiscalização. Os decretos e MPs que vieram depois tiveram como objetivo modificar a regulamentação implementada pela MP 871, que virou lei após uma série de mudanças feitas pelo Congresso e acatadas por Bolsonaro.
A MP dizia, por exemplo, que as permissões para que as entidades associativas fizessem os descontos de pagamento de serviços direto na conta dos aposentados teriam que ser revalidadas todo ano a partir de 2020, pelos próprios beneficiários. Na época já havia denúncias de fraudes, mencionadas dezesseis vezes na exposição de motivos da MP.
Mas, na discussão sobre o relatório no Congresso, as fraudes foram tratadas pela oposição como desculpa de Bolsonaro para restringir direitos dos trabalhadores.
Por isso, muitos deles propuseram emendas que simplesmente acabaram com a necessidade de revalidação ou ampliavam o prazo para seu início – com datas que iam até 2028. Muitas também trocando a revalidação anual por uma verificação a cada cinco anos. Entre as dezenas de emendas que traziam esse tipo de modificação, pelo menos 12 – oito do PT, uma do PCdoB, uma do MDB, uma do PSB e outra o PSDB – tinham um texto idêntico na exposição de motivos, que terminava com: "Assim, revalidar cada autorização anualmente torna o desconto da mensalidade social praticamente inviável".
O mesmo argumento foi usado na sessão que discutiu a MP pelo senador Jaques Wagner. “Combater a corrupção ou chamar a aposentadoria indevida é bem vindo. Mas não vamos jogar a criança junto com a água suja para fora. Em todas as instituições, seja em sindicato de trabalhador, seja em sindicato empresarial, você vai achar gente boa e gente ruim. Agora você simplesmente aniquilar a participação dos sindicatos eu acho extremamente nocivo.”
Em meio à guerra com o governo pelas modificações na MP, o deputado Zeca Dirceu foi pelo mesmo caminho: “É importante esclarecer a população que essa medida provisória não vem para combater fraudes. O governo tem todos os mecanismos necessários para combater fraudes, os grandes sonegadores, enfim, para lutar contra aqueles que praticam o malfeito”, disse o parlamentar. “Por isso, vamos manter a obstrução naquilo que for necessário para que essa medida provisória não prospere, porque ela é ruim para o Brasil."
Cadastro rural
Outra briga em que os parlamentares da esquerda foram aguerridos foi a questão da comprovação da atividade rural. Eles se insurgiram contra o dispositivo da MP que acabava com a possibilidade de os sindicatos atestarem que o aposentado havia sido trabalhador rural.
Um outro lote de emendas foi apresentado para eliminar esse trecho da MP ou postergar a validade da exclusão dos sindicatos. Localizamos 18, das quais 17 são de partidos de esquerda – 11 do PT, duas do PSB, duas do PCdoB, uma do PDT e uma do Solidariedade. Uma outra foi apresentada pelo senador Espiridião Amin (PP-SC), que previa a incorporação do cadastro dos sindicatos pelo INSS e dava prazo até 2022 para a extinção da comprovação pelos sindicatos.
Na tribuna, o deputado Paulo Paim (PT-RS) pediu: “Conseguimos atenuar enormes prejuízos que estavam lá na Medida provisória 871, principalmente contra pescadores e trabalhadores rurais. Eu dizia, no meu estado, da forma que ficou, 60% dos trabalhadores rurais não vão conseguir se cadastrar até 2021, calcula a extensão do meu estado. Mas vamos pensar principalmente o Nordeste. A dificuldade vai ser muito maior. Eu tenho muita esperança de que esse plenário vote aqui o destaque que vai garantir pelo menos que até 2028 haja um espaço para cadastrar.”
Ao final, o texto aprovado no Congresso eliminou a possibilidade de comprovação por sindicatos já a partir de 2020, mas a regra não foi observada pelo INSS, nem no governo Bolsonaro e nem no governo Lula. As comprovações sindicais continuaram sendo aceitas. Muitas deram origem às fraudes agora investigadas pela PF. O cadastro do INSS deveria ter sido totalmente implantado até 2023, mas isso não não ocorreu até agora.
O que dizem os parlamentares
Procurado pela equipe da coluna, o deputado Zeca Dirceu disse que não considera um erro o posicionamento da esquerda em relação à MP 871. Segundo ele, a “MP limitava a concessão de benefícios e de aposentadoria, e o PT decidiu se opor a isto”.
Os senadores Jaques Wagner e Paulo Paim não responderam aos questionamentos da coluna.
O líder do PT, deputado Zeca Dirceu (PR) — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
INSS: governo irá notificar aposentados na terça-feira para confirmar desconto indevido
Por Thaís Barcellos — Brasília / O GLOBO
O governo federal vai iniciar nesta semana o processo para devolver os valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas do INSS por associações e sindicatos devido a fraudes investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria Geral da República (CGU).
A primeira fase do processo será a notificação das vítimas, que ocorrerá nesta terça-feira, somente por meio do aplicativo MEU INSS. Segundo o governo, 9 milhões de pessoas tiveram algum tipo de desconto desde de março de 2020, mas nem todos foram irregulares. Caso 100% dos descontos no período tivesse sido ilegal, o montante seria de R$ 5,9 bilhões, mas o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, disse que parte das deduções foi feita corretamente.
No dia seguinte, quarta-feira, o segurado será notificado novamente no aplicativo Meu INSS, e será informado para qual associação o desconto foi direcionado e o valor a ser devolvido. Nesse mesmo dia, já poderá confirmar se reconhece ou não o desconto. Nenhum documento será solicitado para pedir o ressarcimento.
Na sequência, as associações serão contatadas pelo governo e terão prazo de até 15 dias úteis para apresentar documentos que comprovem que os aposentados autorizaram o desconto. Se não conseguir comprovar, terá mais 15 dias úteis para devolver o montante ao governo, que vai depositar os valores na conta das vítimas.
Considerando os 30 dias úteis, esse processo terminaria na última semana de junho. Mas o governo não informou a data exata de devolução aos segurados lesados, que depende, também, do dia de fechamento da folha. Em outra frente, o governo pediu o bloqueio de bens e a quebra de sigilo de 12 entidades, em um valor de R$ 2,56 bilhões.
Esse processo é relativo ao dinheiro que foi descontado ilegalmente dos aposentados e pensionistas e foi repassado às associações. A partir do dia 26 de maio, o governo vai devolver os descontos que foram feitos na folha de abril, que foi rodada antes de ser deflagrada a Operação Sem Desconto. O valor, que soma R$ 292,7 milhões, foi retido pelo INSS e será ressarcido às vítimas até 6 de junho.
Os valores serão depositados na conta em que os segurados recebem seu benefício mensal. A data da devolução varia conforme o número final do benefício. O governo federal vai iniciar nesta semana o processo para devolver os valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas do INSS por associações e sindicatos devido a fraudes investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria Geral da República (CGU).
A primeira fase do processo será a notificação das vítimas, que ocorrerá nesta terça-feira, somente por meio do aplicativo MEU INSS. Segundo o governo, 9 milhões de pessoas foram lesadas a partir de março de 2020. Caso 100% dos descontos no período tivesse sido ilegal, o montante seria de R$ 5,9 bilhões, mas o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, disse que parte das deduções foi feita corretamente.
No dia seguinte, quarta-feira, o segurado será notificado novamente no aplicativo Meu INSS, e será informado para qual associação o desconto foi direcionado e o valor a ser devolvido. Nesse mesmo dia, já poderá confirmar se reconhece ou não o desconto. Nenhum documento será solicitado para pedir o ressarcimento.
Na sequência, as associações serão contatadas pelo governo e terão prazo de até 15 dias úteis para apresentar documentos que comprovem que os aposentados autorizaram o desconto. Se não conseguir comprovar, terá mais 15 dias úteis para devolver o montante ao governo, que vai depositar os valores na conta das vítimas.
Considerando os 30 dias úteis, esse processo terminaria na última semana de junho. Mas o governo não informou a data exata de devolução aos segurados lesados, que depende, também, do dia de fechamento da folha. Em outra frente, o governo pediu o bloqueio de bens e a quebra de sigilo de 12 entidades, em um valor de R$ 2,56 bilhões.
Esse processo é relativo ao dinheiro que foi descontado ilegalmente dos aposentados e pensionistas e foi repassado às associações. A partir do dia 26 de maio, o governo vai devolver os descontos que foram feitos na folha de abril, que foi rodada antes de ser deflagrada a Operação Sem Desconto. O valor, que soma R$ 292,7 milhões, foi retido pelo INSS e será ressarcido às vítimas até 6 de junho.
Os valores serão depositados na conta em que os segurados recebem seu benefício mensal. A data da devolução varia conforme o número final do benefício. O governo federal vai iniciar nesta semana o processo para devolver os valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas do INSS por associações e sindicatos devido a fraudes investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria Geral da República (CGU).
A primeira fase do processo será a notificação das vítimas, que ocorrerá nesta terça-feira, somente por meio do aplicativo MEU INSS. Segundo o governo, 9 milhões de pessoas foram lesadas a partir de março de 2020. Caso 100% dos descontos no período tivesse sido ilegal, o montante seria de R$ 5,9 bilhões, mas o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, disse que parte das deduções foi feita corretamente.
No dia seguinte, quarta-feira, o segurado será notificado novamente no aplicativo Meu INSS, e será informado para qual associação o desconto foi direcionado e o valor a ser devolvido. Nesse mesmo dia, já poderá confirmar se reconhece ou não o desconto. Nenhum documento será solicitado para pedir o ressarcimento.
Na sequência, as associações serão contatadas pelo governo e terão prazo de até 15 dias úteis para apresentar documentos que comprovem que os aposentados autorizaram o desconto. Se não conseguir comprovar, terá mais 15 dias úteis para devolver o montante ao governo, que vai depositar os valores na conta das vítimas.
Considerando os 30 dias úteis, esse processo terminaria na última semana de junho. Mas o governo não informou a data exata de devolução aos segurados lesados, que depende, também, do dia de fechamento da folha. Em outra frente, o governo pediu o bloqueio de bens e a quebra de sigilo de 12 entidades, em um valor de R$ 2,56 bilhões.
Esse processo é relativo ao dinheiro que foi descontado ilegalmente dos aposentados e pensionistas e foi repassado às associações. A partir do dia 26 de maio, o governo vai devolver os descontos que foram feitos na folha de abril, que foi rodada antes de ser deflagrada a Operação Sem Desconto. O valor, que soma R$ 292,7 milhões, foi retido pelo INSS e será ressarcido às vítimas até 6 de junho.
Os valores serão depositados na conta em que os segurados recebem seu benefício mensal. A data da devolução varia conforme o número final do benefício.



