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Jovens cearenses vivem dia de parlamentar no encerramento do programa Parlamento Jovem

Por Gabriela Farias / ALECE

 

Estudantes acompanharam a realização da sessão plenária desta quinta-feira (11/12 - Foto: Paulo Rocha

Jovens parlamentares de sete municípios do Ceará viveram uma imersão na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) no encerramento do programa Parlamento Jovem, nesta quinta-feira (11/12). O evento, uma iniciativa da Diretoria Legislativa (DL) e da Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace), recebeu os 14 jovens eleitos do programa, com direito a visita guiada, entrevistas e mentoria dos deputados da Alece.

A imersão é o ponto alto do programa, que teve início em agosto de 2025, com a realização das edições do Seminário Regional das Escolas Legislativas do Ceará. Durante esse processo, ocorreram rodas de conversa e debates sobre política, cidadania e educação legislativa e, por fim, o processo eleitoral para eleger os jovens parlamentares, representantes de suas escolas.

Deputado Romeu Aldigueri (PSB) [à direita] cumprimenta o diretor legislativo, Carlos Martins - Foto: Pedro Albuquerque

O presidente da Casa, deputado Romeu Aldigueri (PSB), recebeu o grupo no Plenário 13 de Maio e ressaltou o mérito da representatividade da juventude cearense na Casa do Povo. "Aqui temos jovens de várias cidades [...] Eles representam milhões de cearenses e foram eleitos em plenárias", informou o parlamentar, que lembrou que os jovens foram eleitos durante os seminários regionais realizados ao longo do semestre. 

Presidente da Unipace, deputado Simão Pedro (PSD) - Foto: Paulo Rocha

De acordo com o presidente da Unipace, deputado Simão Pedro (PSD), promover essa interlocução da Alece com a sociedade é de extrema relevância. "Esse programa nos deixa muito felizes, porque vai justamente ao encontro dos objetivos desta Casa Legislativa, sob comando do presidente Romeu Aldigueri, de interiorizar a Alece, de estar mais próximo das pessoas, e hoje a gente incentiva esses jovens a conhecerem a política e a Casa do Povo". O parlamentar também ressaltou que cada estudante trouxe uma carta proposta com demandas e sugestões a serem apresentadas ao Parlamento.

Primeira-dama da Casa, Tainah Marinho Aldigueri [centro da imagem] - Foto: Pedro Albuquerque

A primeira-dama da Alece, Tainah Marinho Aldigueri, celebrou a realização do projeto e a visita dos jovens. “A gente quer, com esse projeto, aproximar cada vez mais os jovens da nossa realidade, do nosso trabalho, da política, ao mesmo tempo em que a gente promove o letramento político e o desenvolvimento do pensamento crítico de todos eles”, afirmou.

Para a diretora acadêmica da Unipace, Sara Pinto de Holanda, havia muita expectativa dos alunos para esse momento. “A ansiedade para esse momento era enorme por parte dos alunos e professores. Quem sabe futuros líderes estão nascendo dessa experiência?”, comentou a diretora.

Estudantes visitaram os estúdios da Alece FM - Foto: Bia Medeiros

Ao longo do dia, os estudantes participaram de entrevistas nos veículos de comunicação da Alece, visita guiada ao Memorial Deputado Pontes Neto, foram mentorados por deputados da Casa e foram empossados simbolicamente como parlamentares jovens em uma sessão solene.

Em entrevista ao Alô Alece, o diretor legislativo da Alece, Carlos Martins, explicou que a imersão com os 14 jovens eleitos pelo Parlamento Jovem é como a “coroação” de um processo a que esses estudantes foram submetidos, que envolve letramento político, educação cidadã, história do Ceará e do Brasil, além do processo de eleição que se assemelha ao que ocorre nos pleitos no País. 

“Esse é um programa que incentiva a juventude a buscar conhecer suas responsabilidades como eleitor. E agora também como eleitos, e como se parlamentares fossem, desempenhar essa função de defender suas ideias e apresentar propostas”, ressaltou. 

Carlos Martins observou ainda, na atração da Alece FM (96,7 MHz), que o programa faz parte do compromisso da Alece em aproximar os eleitores dos eleitos, além de ser uma oportunidade de dar voz a jovens que são destaque dentro da sua comunidade escolar e nos seus municípios. “São jovens que têm interesse e responsabilidade de representar toda uma comunidade. E isso é muito importante para eles que terão a primeira experiência como eleitores. Creio que terão mais interesse ainda após essa oportunidade”, pontuou.

Os jovens parlamentares terão a oportunidade de defender propostas em temas escolhidos por eles mesmos. A jovem parlamentar eleita de Limoeiro do Norte, Priscila Batista, escolheu falar sobre a defesa das mulheres. Para ela, apesar de ser uma temática bastante falada, ainda há muito o que avançar. “As mulheres ainda sofrem muitos tipos de violência e esse é um tema crucial a ser debatido”, defendeu.

Allynson Jimenez também é representante de Limoeiro do Norte. Ela é suplente e assumiu o mandato de jovem parlamentar na ausência do titular. Allynson afirmou ser muito gratificante participar dessa experiência e destacou a importância de jovens defenderem ideias e propostas e falarem diretamente com outros jovens. “Nós, jovens, somos o futuro. É muito importante que nós tenhamos espaço para falar, pois os jovens acabam escutando outros jovens. Estou muito feliz com essa oportunidade”, afirmou.

DIA DE PARLAMENTAR

Estudante da Escola Pública Maria Carmem Vieira Moreira, do município de Maracanaú, Luis Erick, um dos parlamentares jovens, traduziu a ansiedade do momento. “Fiquei muito nervoso com o processo, mas consegui conciliar com a obrigação de representar a minha escola. Quero sair daqui com todo o aprendizado que eu puder", afirmou. Já a colega dele Lara Soares falou sobre a experiência de viver todo o processo do programa. “Foi muito enriquecedor para mim. Espero me comunicar de forma clara com os deputados, mesmo com a ansiedade”, torceu a jovem. 

Deputado David Durand (Republicanos) e os estudantes Luis Erick e Lara Soares - Foto: Paulo Rocha

O deputado David Durand (Republicanos), que recebeu os alunos de Maracanaú, destacou que o projeto Parlamento Jovem é uma iniciativa extremamente relevante para a formação cidadã. “Ao acompanhar de perto as atividades parlamentares, os estudantes vivenciam, na prática, o funcionamento do Poder Legislativo e compreendem a importância de cada etapa do processo democrático”, avaliou.

Deputada Emilia Pessoa (PSDB) e os estudantes Ana Rosa e Marlisson Frota - Foto: Pedro Albuquerque

A escolha de cada jovem parlamentar não foi à toa, segundo a estudante Ana Rosa, do município de Granja, que viu na ação uma oportunidade de ter voz. “Pensamos em trazer hoje a discussão do abastecimento de água potável, que é uma pauta importante para a nossa cidade. Essa questão irá melhorar tanto o empenho escolar dos nossos jovens quanto a comunidade em si”, defendeu. A deputada Emilia Pessoa (PSDB), que recebeu em seu gabinete os jovens da cidade de Granja, incentivou uma maior participação da juventude no processo eleitoral. “Um dia eu já fui a jovem a ser inspirada por grandes políticos a estar aqui, representando uma cadeira na Assembleia Legislativa”, comentou a deputada.

Deputado De Assis Diniz (PT) e as estudantes Priscila Alves e Allynson Jimenez Mulet - Foto: Pedro Albuquerque

O deputado De Assis Diniz (PT) recebeu no gabinete estudantes do município de Limoeiro do Norte e falou sobre a relevância de colocar jovens no protagonismo político. “Conhecer, entender e participar do processo político é fundamental. O Parlamento Jovem é uma iniciativa louvável, e nós vamos ter um dia muito bacana de troca de experiências”, ressaltou o deputado.

Também participaram da imersão os estudantes Henrique Ferreira e Anny Beatriz Meneses, de Juazeiro do Norte; Priscila Alves e Allynson Jimenez Mulet, de Limoeiro do Norte; Micael Silva e Luana Dias, de Icó; Marlisson Frota, de Granja; Ana Livya Almeida e Emanuel Araújo, de Banabuiú, e Randal Santos e Dalila Pimenta, de Pacoti. 

SOBRE O PROGRAMA

O Parlamento Jovem é um programa de educação legislativa voltado ao letramento político de estudantes do 2º ano do ensino médio da rede pública. A iniciativa incentiva a compreensão da democracia e da cidadania por meio da literatura, da arte e da vivência parlamentar.

Nesta edição, o programa percorreu escolas de Icó, Limoeiro do Norte, Granja, Juazeiro do Norte, Banabuiú, Pacoti e Maracanaú. Os 14 parlamentares jovens eleitos elaboraram cartas de intenções com demandas de suas regiões, que serão apresentadas aos deputados estaduais.

Edição: Geimison Maia

Senado aprova projeto Antifacção, muda texto de Derrite, atende governo e tem apoio da oposição

João Gabriel / FOLHA DE SP

 

 

Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), o do projeto de lei que endurece penas para organizações criminosas, chamado de PL Antifacção, retomando a estrutura defendida pelo governo Lula (PT) e que havia sido alterada pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), e angariando apoio tanto da base quanto da oposição ao petista —nenhum partido foi contra.

O texto prevê uma taxa às bets para financiar ações de segurança pública, estipula uma pena base de 30 anos para integrantes destes grupos, que pode ser agravada para casos de homicídio ou quando o condenado exercer posição de liderança.

O projeto foi enviado pelo governo Lula, mas na Câmara, Derrite alterou sua estrutura para criar uma nova legislação para tratar das organizações criminosas.

O relatório Alessandro Vieira (MDB-ES) retomou a ideia original de atualizar a legislação vigente. O texto, segundo ele, "funde e organiza as alterações propostas pela Câmara dos Deputadas ao projeto original, faz-lhe reparos redacionais e aproveita as contribuições de diversos Senadores".

O texto foi aprovado por 64 votos a favor e nenhum contra, mas como houve mudanças, ele volta para a Câmara, que pode referendar as mudanças ou recuperar a redação proposta por Derrite. Só depois o texto vai para sanção ou vetos do presidente Lula.

Junto com a PEC da Segurança, que deve ser votada pelos deputados na próxima semana, esse projeto é uma das apostas do governo petista para as eleições de 2026 na pauta de segurança pública, área na qual a esquerda encontra dificuldades no embate contra a direita.

Durante a tramitação na Câmara, Derrite tentou equiparar as organizações criminosas a grupos terroristas, o que não prosperou. O PL no Senado também tentou emplacar essa ideia, mas também não teve adesão.

A proposta aprovada no Senado cria a Cide-Bets, uma taxa provisória de 15% sobre o valor de transações feitas de pessoas físicas para casas de aposta —o funcionamento disso precisa ser regulamentado pela Receita Federal.

O texto estipula que a pena base para quem "promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, facção criminosa" é de 15 a 30 anos, mais multa, e cumulativo com outras infrações.

No caso de homicídio, por exemplo, essa pena pode chegar a 40 anos. Para líderes de organizações criminosas, as penas podem ser até dobradas.

A proposta também diferencia esses grupos, cria a categoria de "facções criminosas" e equipara a elas as "milicias privadas", cria regras específicas para a integração entre as forças federais e estaduais e limita as possibilidades de progressão de pena.

Em geral, tanto o texto do governo quanto o de Derrite tinham a mesma ideia, de endurecimento de penas para organização criminosa e de melhor enquadramento das facções na legislação.

O ex-secretário de segurança do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), porém, criou um novo arcabouço legal para isso, com uma série de novos tipos penais.

Um deles era, por exemplo, o de Domínio Social Estruturado, para enquadrar as organizações "ultraviolentas". Esse crime tinha pena prevista entre 20 e 40 anos.

A nova redação dada pelo Senado propõe a criação da "facção criminosa, caracterizada pela atuação mediante controle territorial ou atuação interestadual, como espécie de organização criminosa".

Derrite também criava o crime de favorecimento a este domínio, categoria que também foi derrubada.

"Aproveitando a redação da Câmara mas restringindo os tipos a fim de eliminar controvérsias interpretativa", afirma Vieira.

De acordo com Vieira, as penas de acordo com a sua redação podem chegar a té 120 anos de reclusão.

O projeto também facilita o bloqueio de atividades econômicas de organizações criminosas e a perda de bens de criminosos.

A pena para quem praticar crime de receptação decorrente do crime organizado é fixada de 6 a 10 anos. É criado um tipo de penal para recrutamento de crianças e adolescentes para facções, com pena de 5 a 10 anos de prisão.

Além disso, o texto aumenta a pena para quem matar militares e para quem interromper o funcionamento da infraestrutura de transportes em atividade criminosa organizada.

O texto foi aprovado com votos tanto de senadores da oposição, quanto da base do governo.

Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que a proposta "teve a capacidade de aperfeiçoar o texto da Câmara". "o senhor pegou o que já estava muito bom, e conseguiu aprimorar", completou Jorge Seiff (PL-SC), na sequência.

"A aprovação desta lei pode ser um marco, inclusive um marco rumo a construção de uma relação civilizatória no Brasil", disse Teresa Leitão (PT-PE).

"É um passo importante no sentido de dar uma legislação mais compatível com o crime absurdo que se pratica neste país", afirmou Cid Gomes (PSB-CE).

Câmara contraria decisão do STF e mantém mandato de Carla Zambelli

Carolina Linhares / FOLHA DE SP

 

 

Câmara dos Deputados salvou o mandato da bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), nesta quarta-feira (10), por 227 a 170 —era necessário maioria de 257 votos para cassá-la. A deputada está presa na Itália, para onde fugiu após ter sido condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). 

A decisão do plenário contrariou a votação de mais cedo na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), que obteve maioria pela perda do mandato com a ajuda de deputados do centrão.

Em 2022, Zambelli foi a deputada mulher mais votada e a terceira no ranking geral, com mais de 946 mil eleitores.

Na terça (9), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou para surpresa dos líderes partidários, que pautaria o caso de Zambelli no plenário no dia seguinte. Ele também decidiu que, até o recesso na próxima semana, a Casa vai decidir sobre as cassações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), além da votação que suspendeu Glauber Braga (PSOL-RJ) também nesta quarta.

Zambelli foi condenada, em maio, à perda de mandato e a dez anos de prisão por invadir o sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com ajuda do hacker Walter Delgatti Neto, também condenado.

O plenário da Câmara deliberou a respeito da perda de mandato, seguindo o entendimento de Motta de que, segundo a Constituição, cabe ao Congresso a palavra final em caso de parlamentar condenado criminalmente.

Motta havia dito inicialmente que a Mesa da Câmara homologaria a ordem do STF imediatamente, mas recuou após pressão do PL e mandou o caso para a CCJ em junho.

Pesou a favor de Zambelli, assim como no caso de Glauber, o corporativismo dos deputados e a avaliação de que a cassação é uma medida drástica. Além disso, a votação se soma aos recados de insatisfação dos parlamentares em relação ao STF.

Adversários de Zambelli, por outro lado, lembraram, durante a votação, o episódio em que ela sacou e apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022, o que também lhe rendeu uma condenação.

Com a deputada ausente no plenário, sua defesa foi feita pelo advogado Fabio Pagnozzi, que disse que a deputada, mesmo absolvida da perda de mandato, renunciaria.

"Zambelli foi muito clara: quando ela ganhasse aqui no plenário, ela pediria a renúncia, porque não quer incomodar seus colegas, ela só quer dignidade", afirmou.

"Ela não cometeu e nem ordenou invasão ao CNJ. [...] A única prova que eles julgam ser prova é o depoimento de um hacker", disse ainda.

Segundo Pagnozzi, uma decisão pela cassação abriria um precedente perigoso para os deputados que são alvos, segundo ele, de mais de cem ações no STF.

Durante a tarde, a deputada participou de forma remota da CCJ, e seu filho estava presente na comissão. "A justiça que eu peço hoje é a justiça para que o Parlamento continue sendo honrado. [...] Eu fui a primeira pessoa que levantou a voz contra a ditadura do Supremo Tribunal Federal", disse.

O deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) cujo relatório, a favor da deputada, foi derrotado na CCJ, argumentou que o processo contra Zambelli não garantiu ampla defesa, tem sinais de perseguição política e é mantido em sigilo. "Esta Casa não pode ser carimbadora de decisões do STF, esta Casa precisa zelar pelas suas prerrogativas", completou.

Deputados bolsonaristas argumentaram que a condenação de Zambelli não é justa. "Não houve provas para a condenação", disse Carlos Jordy (PL-RJ).

Do outro lado, deputados governistas afirmaram que a deputada, mesmo que mantenha o mandato, não tem condições de exercê-lo presa no exterior e acabará cassada por faltas. "Na prática, ela já está cassada", disse Lídice da Mata (PSB-BA). Outros apontaram que a cassação não é algo feliz, mas não haveria outra saída.

Essa também foi a tese do relatório do deputado Cláudio Cajado (PP-BA), aprovado na CCJ. "A Câmara dos Deputados encontra-se diante de uma situação insuperável. A condenação criminal da deputada Carla Zambelli é definitiva. A pena é de regime fechado. A parlamentar já está detida pelas autoridades italianas, por determinação do STF, o que a impede absolutamente de exercer seu mandato."

Zambelli fugiu do país, passando pela Argentina e Estados Unidos antes de desembarcar na Itália. Depois de cerca de dois meses foragida, Zambelli foi presa na Itália no fim de julho.

Segundo a acusação, Delgatti emitiu uma ordem de prisão falsa contra Alexandre de Moraes e disse ter feito isso a pedido da deputada. Zambelli diz que não ajudou a redigir o documento falso e que soube da invasão do CNJ pelo hacker somente depois dos fatos, ao receber dele os arquivos fraudados.

Senado reage ao STF e aprova PEC do Marco Temporal; texto vai à Câmara

Por Naomi Matsui (Broadcast) / O ESTADÃO DE SP

 

 

BRASÍLIA – O Senado aprovou nesta terça-feira, 9, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023 para incluir na Constituição a tese do marco temporal, que estabelece que os indígenas só têm direito às terras que ocupavam na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.

 

A aprovação da PEC vem antes da sessão presencial do Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para esta quarta-feira, 10, em que a Corte analisará ações sobre o tema.

 

No primeiro turno da votação no Senado, foram 52 votos favoráveis à PEC contra 14, e uma abstenção. No segundo turno, foram 52 a 15, com uma abstenção.

O texto, que agora segue para a Câmara, foi modificado para incluir na Constituição garantias a particulares que comprovarem “posse de boa-fé”, incluindo indenização pelo solo e por benfeitorias. O PT e o governo pediram voto contrário. PL, União Brasil, PP, Republicanos, Podemos, PSDB e Novo orientaram pela aprovação. PSD, MDB e PSB liberaram suas bancadas.

 

Atualmente, o artigo 231 da Constituição garante aos indígenas os “direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. O mesmo artigo define que “são terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente”, além de outros fatores, mas sem estabelecer uma data de referência para a ocupação.

 

De autoria do senador Hiran Gonçalves (PP-RR), a PEC quer incluir na Constituição que os direitos valham para terras que estavam ocupadas em 5 de outubro de 1988. O relator, Esperidião Amin (PP-SC), adiciona um trecho para proibir a ampliação das terras “além dos limites já demarcados”.

Outro trecho incluído mantém direitos de particulares com documentos (atos judiciais, compra e venda, etc.) ou que detenham “posse de boa-fé”, nos casos em que não haja comprovação de ocupação indígena tradicional em 1988 nem prova de expulsão contínua da comunidade indígena.

 

O substitutivo estabelece que, se a União precisar desapropriar essas terras para destinar aos indígenas, deve indenizar previamente o particular pelo valor de mercado - a não ser que consiga compensar os indígenas com outra área equivalente. A indenização deverá ser feita pela terra nula (solo) e por “benfeitorias necessárias e úteis”.

 

Segundo o relator, a proposta tem o objetivo de atender aos diferentes lados da disputa. “Espero poder contribuir para a vitória nem de A nem B, mas para a harmonia e para a segurança jurídica, que perdemos em função da supressão da ideia do marco temporal”, declarou Amin.

 

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou acreditar que a PEC não encerrará o debate, porque há falta de informações sobre quais terras estavam ocupadas em 1988. “Conhecemos vários casos de governos que tiraram indígenas do local e os colocaram em outros locais quando havia necessidade de uma obra pública”, afirmou Wagner, que declarou voto contrário.

 

Defendida pela bancada da agropecuária, a PEC estava parada desde julho de 2024 e foi retomada pelo Senado numa reação ao ministro do STF Gilmar Mendes que, na semana passada, concedeu liminar para alterar o rito e tornar mais difícil o impeachment de ministros da Corte. A decisão incomodou o Congresso e foi alvo de manifestação crítica do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

 

Histórico de embates

 

Em setembro de 2023, o Supremo invalidou a tese do marco temporal e definiu que os proprietários que ocupavam as terras de boa-fé têm direito à indenização, a ser paga pela União. Dias depois, o Congresso aprovou uma lei que recria o entendimento do marco temporal. O caso voltou ao STF por meio de ações que questionam seu conteúdo. Gilmar Mendes, então, enviou as ações para conciliação para dar um fim ao que chama de “espiral de conflito”.

 

O tema foi discutido em uma comissão no Supremo ao longo de mais de 20 audiências. A comissão foi encerrada em junho com poucos avanços, sem excluir a tese do marco temporal por falta de consenso. O Supremo deve avaliar se homologa ou não o acordo e também irá se pronunciar sobre pontos em que não houve consenso.

 

Gilmar tem indicado que deve descartar a tese do marco temporal em si, porque ela já foi declarada inconstitucional pela Corte. Mas o ministro deve buscar manter as mudanças propostas na comissão sobre os procedimentos de demarcação. Um desses pontos é a obrigatoriedade de participação de Estados e municípios onde se localiza a área reivindicada, em todas as etapas do processo.

Câmara aprova projeto que reduz penas dos condenados pelo 8 de Janeiro e pode beneficiar Bolsonaro

Por Guilherme Caetano / O ESTADÃO DE SP

 

 

BRASÍLIA – Após mais de um ano de pressão bolsonarista e sob protesto da esquerda, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que reduz as penas de envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro e que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A proposta agora vai tramitar no Senado.

 

A aprovação do chamado projeto de lei da Dosimetria se deu por um placar de 291 a 148 na madrugada desta quarta-feira, 10. O resultado foi proclamado às 2h27.

O texto “concede anistia aos participantes das manifestações reivindicatórias de motivação política” ocorridas entre 30 de outubro de 2022 e a data de entrada em vigor a lei.

O prazo extenso compreende desde os acampamentos golpistas erguidos a partir da derrota eleitoral de Bolsonaro e a insurreição que culminou nos ataques aos prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

 

Isto é, a anistia beneficia toda a cúpula que virou ré no STF no julgamento da trama golpista, incluindo generais e ex-ministros do governo Bolsonaro, e os bolsonaristas que acamparam em frente ao QG do Exército e participaram dos ataques na Praça dos Três Poderes.

 

O relator do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados, Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirmou que o projeto de redução de penas está restrito aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. A declaração ocorreu durante votação da proposta no plenário, na madrugada desta quarta-feira. “Esse texto foi organizado por uma série de juristas, dos mais importantes do Brasil”, disse o relator. “Quero deixar claro que trata apenas do 8 de Janeiro. Não tem nenhuma possibilidade de esse texto beneficiar crime comum.”

 

O projeto pode reduzir as penas de Bolsonaro de 27 anos e três meses de prisão para 20 anos, segundo anunciou o relator. Assim, o tempo em regime fechado cairia de seis anos e dez meses para dois anos e quatro meses; a partir disso ele poderia progredir para um regime menos restrito. “Na minha conta, nesse projeto que vamos votar hoje, reduz uma parte lá em cima, então, na medida que você junta penas, reduz (a pena total) para 20 anos e sete ou oito meses. Então, para ficar claro, o que eu reduzo não é de 27 anos para dois anos e quatro meses”, afirmou Paulinho mais cedo.

 

O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, e cumpre a pena desde 25 de novembro. O julgamento de outros réus ainda ocorre na Corte. O projeto foi colocado em votação sob protestos da esquerda. A líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ), afirmou que “colocar em pauta o tema da anistia é um ataque à nossa frágil democracia”. Já o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), disse ser um “absurdo a votação acontecer na calada da noite”.

 

“O senhor está botando para votar um tema de extrema importância às 23h38. Pelo menos tenham coragem de votar de dia, sob a luz do sol. Esta Câmara está abraçando o golpismo”, discursou Lindbergh para Motta. Os governistas tentaram retirar o projeto de pauta, mas foram derrotados por 294 contra 146 votos pela manutenção. A votação desta noite é uma vitória para o bolsonarismo. A anistia aos bolsonaristas envolvidos na série de eventos conhecida como trama golpista se tornou a maior obsessão da direita nos últimos anos, e chegou a ser colocada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado autoexilado nos Estados Unidos, como condição para a retirada de sanções do governo Trump contra o Brasil.

 

Apesar de Bolsonaro, seus filhos e principais aliados terem passado os últimos meses defendendo intransigência numa anistia “ampla, geral e irrestrita”, eles avaliam hoje que o texto encontrado por Paulinho é a solução possível.

 

“Fui o maior crítico da estratégia de se aprovar uma redução de penas antes de uma anistia ampla, geral e irrestrita. Mas, neste momento, reconheço que não temos outra opção melhor. Se eu estivesse no Congresso, votaria favoravelmente e continuaria lutando pela anistia“, publicou nesta terça o comunicador Paulo Figueiredo, braço-direito de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

 

A posição de Figueiredo está alinhada à das principais lideranças do bolsonarismo. Numa reunião fechada na sede do Partido Liberal mais cedo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ungido porta-voz do pai e candidato a sucedê-lo nas urnas, pediu empenho dos correligionários na aprovação da proposta.

 

Mais cedo, após visitar Bolsonaro na prisão, ele tinha afirmado que o tema angustiava o pai, uma vez que “o próprio presidente Bolsonaro ouviu do Hugo Motta (presidente da Câmara) e do Davi Alcolumbre (presidente do Senado) a promessa de pautar a anistia”. Ele defendia pautar o texto de Paulinho de qualquer forma, para que o plenário decidisse.

 

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que Bolsonaro orientou, da prisão, a bancada a votar a favor do projeto. Ele esteve presente na reunião com Flávio e as bancadas federais do partido.

 

“Não vamos desistir da anistia, mas neste momento é o degrau que nós temos para avançar, autorizado pelo presidente Bolsonaro, que está fazendo sacrifício próprio. Ele mesmo orientou através do porta-voz Flávio Bolsonaro para que nós votemos a redução das penas”, disse Sóstenes a jornalistas depois da reunião. Ele repetiu a informação na sessão durante a madrugada.

 

A votação do projeto da Dosimetria atiçou os ânimos da esquerda. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a proposta “rompe com todo o processo de afirmação da democracia” e que “colocar a dosimetria em pauta é um erro histórico”. Já o senador Humberto Costa (PT-PE) chamou a pauta de “vergonha que agride o País”.

 

A tarde desta terça-feira foi marcada por tumulto e agressões na Câmara dos Deputados. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em protesto contra a possível cassação de seu mandato e ao projeto da Dosimetria.

 

“A anistia aos golpistas do 8 de Janeiro, já se especula que pode levar Jair Bolsonaro a ter a sua pena diminuída para dois anos (...) Eu vou ficar aqui calmamente, com toda a tranquilidade, exercendo o meu legítimo direito político de não aceitar como fato consumado uma anistia para um conjunto de golpistas, diminuição de pena para Bolsonaro de dois anos”, afirmou Braga, antes de anunciar que ficaria sentado na cadeira.

 

O protesto virou confusão quando a Polícia Legislativa tirou Braga da Mesa Diretora à força. Tanto o deputado quanto colegas parlamentares e jornalistas acabaram machucados no empurra-empurra até o Salão Verde, do lado de fora do plenário. Aliados de Braga pressionaram pelo adiamento da sessão, mas Motta a manteve.

Deputados vão a delegacia para fazer exame de corpo de delito após retirada à força de Glauber da Câmara

Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Danielle Brant / FOLHA DE SP / Artur Búrigo

 

Deputados que estavam ao lado de Glauber Braga (PSOL-RJ) no momento em que ele foi retirado à força da cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), se encaminharam com o psolista para a delegacia, onde devem fazer exame de corpo de delito.

Rogério Correia (PT-MG), Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) e Célia Xacriabá (PSOL-MG) estão entre os parlamentares que receberam atendimento médico, além de Glauber, após ficarem com escoriações provocadas pela ação da Polícia Legislativa no plenário.

Sâmia Bonfim (PSOL-SP) também faz parte do grupo de parlamentares que se encaminhou à 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, onde eles devem registrar boletim de ocorrência sobre o episódio.

O psolista havia se sentado na cadeira de Motta para protestar contra a decisão de pautar cassação de seu mandato.

 

Durante a confusão, a imprensa foi impedida de acessar o plenário e a transmissão ao vivo da TV Câmara foi interrompida.

O comportamento da Polícia Legislativa contrasta com a tolerância de Motta durante o motim bolsonarista para pressionar pela votação da anistia. A reação à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PLinviabilizou o funcionamento do plenário da Casa por 30 horas.

GLAUBER BRAGA DEPUTADO RETIRADO A FORÇA DO PLENÁRIO

 

 

 

Glauber Braga é retirado à força após tentar ocupar cadeira de presidente da Câmara

Raphael Di CuntoCarolina Linhares / FOLHA DE SP

 

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou nesta terça-feira (9) a cadeira do presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), contra a decisão dele de pautar o processo que pede a cassação de seu mandato por chutar um militante de direita que o perseguia na Casa.

A votação, prevista para esta semana, ocorrerá paralelamente à votação para decidir sobre a perda do mandato dos deputados Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foram condenados pela Justiça e estão foragidos.

"Há uma ofensiva em que o único mandato de fato atingido é o mandato que me foi conferido pelo povo do Rio de Janeiro", afirmou Braga, enquanto presidia a sessão. Ramagem e Zambelli não estão participando das sessões por estarem fora do país —ela, presa na Itália, e ele, morando nos Estados Unidos.

O deputado já presidia a sessão, então decidiu ocupar a cadeira de Motta e se recusou a sair. "Eu vou me manter aqui firme até o final dessa história. [...] Eu aqui ficarei até o limite das minhas forças", disse no plenário.

Após Glauber anunciar seu protesto, a sessão foi suspensa e deixou de ser transmitida pela internet.

A polícia legislativa determinou a retirada dos jornalistas do plenário, enquanto tratava da saída de Braga da mesa diretora, para evitar imagens. Apenas deputados tiveram acesso à cena e divulgaram vídeos da polícia retirando Glauber à força.

A confusão da expulsão se seguiu pelo salão verde, com jornalistas, policiais e deputados em um tumulto com empurra-empurra e agressões. Em seguida, o deputado deu entrevista à imprensa —a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), mulher do deputado, e outras deputadas choravam durante a fala do deputado.

Glauber passou ainda por um exame de corpo de delito.

O ato de Glauber está sendo comparado ao motim bolsonarista, que tomou conta da Mesa Diretora no início de agosto, e, nos bastidores, foi criticado até por deputados de esquerda, por utilizar o mesmo método que eles criticaram anteriormente.

A avaliação de aliados de Glauber é a de que sua atitude aumentou as chances, que já eram grandes, de que ele seja cassado pelo plenário.

O deputado, ao falar com a imprensa após a expulsão, disse que, no caso do motim bolsonarista, "sobrou negociação, sobrou diálogo". "Em nenhum momento foi cogitada a possibilidade de retirar à força aqueles deputados pela polícia legislativa."

Mais cedo, durante a sessão, o deputado disse que permaneceria na Mesa "de maneira democrática e não violenta".

"Eu vou ficar aqui calmamente, com toda tranquilidade, exercendo o meu legítimo direito político de não aceitar como fato consumado uma anistia para um conjunto de golpistas, [...] mantendo os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro e gerando, para mim, que fiz esse enfrentamento, oito anos de inelegibilidade", disse.

Questionada sobre quem determinou que a imprensa fosse barrada e a sessão não fosse transmitida, a assessoria de Motta não respondeu. O presidente também não respondeu sobre se houve ordem para agressões de policiais a deputados e jornalistas.

"Determinei também a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa", publicou nas redes.

Após a confusão, Motta se manifestou pelo X e por meio de um discurso no plenário. Ele reabriu a sessão normalmente, com as votações previstas para o dia. Deputados da esquerda criticaram a retomada dos trabalhos após os episódios de agressão, enquanto parlamentares da direita defenderam a atitude do presidente.

O presidente da Câmara pretende colocar em votação ainda nesta terça o PL da Dosimetria, que reduz a pena imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos nos ataques golpistas de 8 de Janeiro. O tema está pautado no plenário, mas atrasou devido à confusão.

O deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) disse que teve o braço machucado pela polícia enquanto negociava a saída de Glauber e acusou Motta de dar as ordens para a agressão dos parlamentares. "Vossa Excelência perdeu a moral, condição e respeito público", disse, segundos antes de ter o microfone cortado.

Segundo Malafaia, foram agredidos, além dele, Glauber e Sâmia, também os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Célia Xakriabá (PSOL-MG).

"Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo", publicou Motta no X.

"O agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica. [...] Extremismos testam a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida", completou

Glauber teve a recomendação da cassação do mandato aprovada pelo Conselho de Ética da Casa em abril por agressão a um militante do MBL (Movimento Brasil Livre). No mesmo dia, ele iniciou uma greve de fome só encerrada após compromisso de Motta de não pautar a votação do caso em plenário no primeiro semestre. Cabe ao plenário a última palavra a respeito da decisão do conselho.

O deputado disse que, no caso da agressão, se exaltou após o militante do MBL ofender a sua mãe, que estava em estágio avançado de Alzheimer e viria a morrer dias depois. Afirmou ainda ser vítima de perseguição política patrocinada nos bastidores pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que nega. Já o conselho de ética entendeu que ele quebrou o decoro parlamentar e recomendou a cassação.

"A minha presença hoje na Mesa Diretora da Câmara foi exatamente para demonstrar que a gente não pode se render. Do que é que me acusam de ter defendido a honra da minha mãe, de ter denunciado orçamento secreto, de ter batido de frente com o todo poderoso Arthur Lira? Me desculpe, mas isso não é nenhum motivo para cassação de mandato", disse Glauber.

Antes da expulsão, o líder do PTLindbergh Farias (RJ), afirmou que iria buscar uma saída política e criticou a restrição de acesso da imprensa.

Lindbergh, que se opôs ao motim bolsonarista na época, disse a respeito de Glauber que "esse não é o melhor método", mas atribuiu a nova tomada da Mesa à falta de punição de Motta em relação ao motim bolsonarista.

"Tem uma responsabilidade muito grande do presidente da Casa por não terem sido punidos aqueles golpistas que sequestraram a Mesa da Câmara dos Deputados. Então, nós estamos querendo achar uma saída, porque esse não é o melhor método. Não é a melhor forma de se resolver um problema como esse", disse o petista, acrescentando ser solidário a Glauber.

Um fantasma Lulinha passeia pela CPI do INSS para assombrar o governo Lula

Por Francisco Leali / O ESTADÃO DE SP

 

 

CPI do INSS atirou para cima. Mirou em Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De quebra também quis pôr no banco dos interrogados o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para ocupar uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal.

 

Os dois requerimentos foram rejeitados na quinta-feira, 4. O do Lulinha por 19 a 12. O de Messias por 19 a 11. Ou seja, há uma maioria para dizer não aos que querem direcionar os olhares da CPI para um parente do presidente ou para seu ungido ao STF.

 

Na política é isso mesmo desde os tempos de Fernando Collor. Foi na gestão desse que se cunhou a expressão “tropa de choque” para atuar tentando defender o presidente da investigação.

 

No caso atual, não há essa tropa constituída, ainda que um ou outro atue mais fortemente para defender o governo. O mesmo se dá quando o alvo é alguém da gestão Bolsonaro e aí os da oposição é que tentam proteger os seus.

 

Mesmo assim, os governistas podem sustentar que os requerimentos são descabidos, não têm fundamentação e constituem-se apenas em tentativa política de constranger o chefe do Executivo.

 

A questão é que a CPI trata de desvios. De fraude com aposentados. As quadrilhas que atuavam no INSS agiram em diferentes gestões governamentais e, até aqui, parecem não ter filiação partidária.

Assim, a tentativa de convocar Lulinha, apelido de Fábio Luís, é como um fantasma levado à CPI para assombrar a gestão petista.

Se houver algo que ligue o filho do presidente a algum dos investigados, ainda que governistas possam tentar, segurar uma investigação nos tempos de hoje é quase como buscar conter uma avalanche. Mas e se tudo não passar de um disse-que-disse sem prova?

 

Não dá para esquecer que estamos no ano que antecede as eleições. Então, qualquer coisa que vá na direção de Lulinha tem potencial para virar material de campanha contra o presidente e até mesmo tirar votos dele numa disputa que pode vir a ser concorrida.

 

Os petistas sabem disso. Por enquanto, estão segurando as incursões oposicionistas que tentam colar peças para jogar a família de Lula e ele próprio como protagonistas da CPI.

 

Opinião por Francisco Leali

Coordenador na Sucursal do Estadão em Brasília. Jornalista, Doutor em Comunicação e pesquisador dedicado a temas de transparência pública.

Guilherme Landim ressalta impulso econômico no Cariri Oriental com expansão de empresa de call center

Por Narla Lopes / ALECE

 

Deputado Guilherme Landim (PSB) - Foto: Júnior Pio

 

O deputado Guilherme Landim (PSB) destacou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quinta-feira (04/12), a expansão da empresa AeC, considerada a “maior companhia de call center e home office do Brasil”, para o Cariri Oriental. 

O parlamentar celebrou o anúncio feito em evento da empresa e lembrou que o processo de negociação contou com apoio direto do governador Elmano de Freitas. “Trata-se de um investimento que vai beneficiar diretamente Brejo Santo e toda a região do Cariri Oriental”, ressaltou.

Landim informou que a AeC já atua no Ceará, em Juazeiro do Norte e municípios vizinhos, com cerca de 7 mil funcionários, e que a expansão inclui novas unidades em Aracati e, a partir de 2026, em Brejo Santo, que funcionará como polo para cidades próximas. O deputado destacou ainda o perfil inclusivo da empresa, que reúne mais de 53 mil colaboradores em 11 cidades brasileiras, sendo 65% jovens com menos de 30 anos e 35% no primeiro emprego. “São números que demonstram responsabilidade social e compromisso com oportunidades reais para a juventude”, avaliou.

O parlamentar enfatizou que o modelo de trabalho da AeC, majoritariamente em home office, amplia o acesso ao emprego e permite conciliar estudo e renda. Segundo ele, os primeiros 200 postos devem ser abertos até o fim do primeiro semestre de 2026, com possibilidade de expansão, a depender da adesão da população local. “O exemplo de Palmeira dos Índios, em Alagoas, que passou de 150 para mais de 500 colaboradores, mostra o potencial de crescimento na nossa região”, afirmou.

Landim também registrou agradecimentos às lideranças envolvidas no processo. Ele destacou o apoio do governador Elmano de Freitas, responsável por intermediar a chegada da empresa ao Ceará. O deputado fez ainda um reconhecimento especial à prefeita de Brejo Santo, Gislaine Landim, pela atuação direta nas tratativas e pelo trabalho desenvolvido, que, segundo ele, tornou o município apto a receber o novo polo de empregos.

Ao concluir, o parlamentar afirmou que a chegada da empresa representa um marco econômico para o Cariri Oriental e consolida uma nova fase de geração de renda, somando-se ao ciclo já impulsionado pela indústria calçadista. “É por iniciativas como essa que vale a pena estar na vida pública, porque vemos projetos que mudam a realidade das pessoas se tornarem concretos”, pontuou.

Edição: Vandecy Dourado

Senado irá analisar proposta que cria regras para decisões individuais no STF e restringe ações de partidos pequenos

Por Luísa Marzullo — Brasília / O GLOBO

 

 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira a redação final do texto que impõe novas regras às decisões individuais no Supremo Tribunal Federal (STF) e reorganiza o funcionamento das ações de controle concentrado. A votação ocorreu no mesmo dia em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou a decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do STF, que limitou pedidos de impeachment contra membros da Corte.

 

O projeto, relatado por Alex Manente (Cidadania-SP), retorna agora ao Senado após um vaivém iniciado em setembro, quando a CCJ havia aprovado a primeira versão, mas o texto precisou ser ajustado antes de seguir adiante. A votação ocorre no mesmo dia em que o ministro Gilmar Mendes decidiu que apenas a Procuradoria-Geral da República pode apresentar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, o que restringe as prerrogativas do Congresso Nacional.

 

O projeto aprovado unifica e atualiza o rito das principais ações usadas para contestar leis e atos do poder público no Supremo.

 

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é o instrumento pelo qual se pede a derrubada de uma lei considerada incompatível com a Constituição. A Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) é acionada quando o poder público deixa de cumprir um dever constitucional. A Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) busca confirmar que uma lei contestada é válida. Já a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é usada em situações em que atos ou omissões do Estado violam direitos ou princípios fundamentais.

 

Pela proposta, decisões urgentes tomadas individualmente por um ministro nessas ações terão de ser justificadas e submetidas obrigatoriamente ao colegiado na sessão seguinte. O texto também formaliza etapas de instrução, como prazos para autoridades enviarem informações e manifestações da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República, amplia a participação de terceiros interessados e altera critérios de legitimidade para apresentação dessas ações, ponto que deve ser discutido pelos senadores.

 

Com a aprovação da redação final em caráter terminativo, a matéria deixa a Câmara e segue diretamente para o Senado Federal, sem passar pelo plenário.

 

Queixas de Alcolumbre

 

Mais cedo nesta quarta, Gilmar Mendes determinou que somente a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode apresentar pedidos de impedimento contra ministros da Corte. A decisão acirrou os ânimos com o Senado, a quem cabe analisar os pedidos de impeachment dos ministros. Segundo Alcolumbre, a medida "causa preocupação" e representa uma "grave ofensa à separação dos Poderes".

 

– O que eu queria apenas de todos os outros Poderes era que tratassem da mesma maneira que este presidente que vos fala trata os outros Poderes, sem agressões infundadas, sem ataques, sem ofensas. Se eu me curvar a essa metodologia deles, eu não serei o Davi – disse o presidente do Senado durante discurso no plenário.

 

O presidente do Senado citou, como possíveis respostas, a PEC votada na CCJ da Câmara nesta quarta, e um projeto de lei que atualiza a lei do impeachment, que tramita de forma vagarosa na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

A decisão de Gilmar é provisória e será analisada pelos demais ministros a partir do dia 12 de dezembro, no plenário virtual da Corte. – Um dia desses estavam por aí, patrocinados por muitos, porque a Polícia Legislativa do Senado e da Câmara estão investigando e logo mais teremos e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas agressões de “Congresso Inimigo do Povo" – também reclamou.

 

Alcolumbre também disse que o Senado nos últimos anos não tem contribuído para acirrar a crise com outros Poderes –Os meus dois anos de presidência do Senado, mais os quatro anos do presidente Rodrigo Pacheco, mais esses dez meses do Davi Alcolumbre aqui, Vossas Excelências sabem, conhecem e observam todos os dias o quão respeitoso às instituições brasileiras eu sou e da forma que eu trato.

 

CCj da CâmaraCCj da Câmara — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

 

 

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