PEC dos precatórios: Governo consegue manter mudança em correção do teto de gastos
Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Em uma votação tensa, plenário da Câmara dos Deputados manteve o trecho da PEC dos precatórios que altera a regra de cálculo do teto de gastos, que limita o avanço das despesas à inflação. Para manter o novo cálculo do teto, o governo precisava colocar 308 votos. O placar ficou em 316 a 174 pela manutenção do texto do relator, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), depois de um trabalho intenso do governo para colocar o máximo de deputados votando. Foi o maior quórum das votações da PEC até agora: 492 parlamentares.
O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tem a prerrogativa do cargo de não ser obrigado a votar, pressionou o 'sim' para ajudar o governo. Integrantes da base aliada reconheciam nos bastidores que havia perigo de a mudança no teto cair.
Em três votações de destaques (mudanças no texto), a base aliada conseguiu superar com folga os 308 votos. Mas em um destaque que tratava da regra de ouro, o governo só obteve 303 votos e, portanto, essa parte do texto foi suprimida.
Sozinha, a mudança no teto de gastos ratificada pelos deputados abre um espaço de R$ 47 bilhões para gastos no Orçamento de 2022, sendo R$ 45 bilhões para o Poder Executivo. Para este ano, o espaço adicional seria de R$ 15 bilhões.
O destaque do teto era o que mais tem preocupado o governo. O Ministério da Economia também monitorava o resultado com atenção.
A mudança no teto é responsável por cerca de metade do espaço de R$ 91,6 bilhões com que o governo conta para tirar do papel o Auxílio Brasil de R$ 400 até dezembro de 2022, como determinou o presidente Jair Bolsonaro.
O destaque foi apresentado pela bancada do MDB, que já havia ajudado a derrubar a mudança na regra de ouro. A bancada quer "preservar o legado" do governo Michel Temer, que criou o teto de gastos.
Após a conclusão de destaques, o texto da PEC dos precatórios ainda precisa ser aprovado em segundo turno na Câmara dos Deputados e, depois, ser apreciado em dois turnos pelo Senado Federal.
Comitê discute litígio territorial entre Ceará e Piauí nesta terça-feira
Estarão representados na reunião os municípios de Ipu, Granja, Viçosa do Ceará, Tianguá, Poranga, Ibiapina, Ipueiras, Ubajara, Croatá, São Benedito, Guaraciaba do Norte, Crateús, Carnaubal e Ipaporanga.
A reunião vai contar com a presença de membros da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), Secretaria Casa Civil do Governo do Estado, Secretaria Estadual da Fazenda, Associação de Municípios do Estado do Ceará (Aprece), União dos Vereadores do Ceará (UVC) e Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
Encontra-se em tramitação no Supremo Tribunal Federal, de acordo com o coordenador do Celditec, Luiz Carlos Mourão, a Ação Civil Ordinária (ACO) 1.831, de 2011, de autoria do Governo do Estado do Piauí, que, em petição inicial, demanda uma área territorial de aproximadamente 2.158 quilômetros quadrados. "A área, no entanto, pode passar de 6 mil quilômetros quadrados, dependendo do resultado da perícia técnica que está sendo realizada pelo Exército Brasileiro", explica.
Luiz Carlos Mourão acrescenta ainda que, paralelo a isso, foi solicitada uma perícia técnica por parte da relatora da ação ordinária, ministra do STF Carmen Lúcia, nos estados do Piauí e Ceará. “Ainda está sendo aguardado”, diz Mourão acerca do relatório.
Já sobre a reunião com prefeitos e representantes de entidades, o coordenador detalha que, além de expor a atual situação da ação, tem o objetivo de apresentar o que Cediltec e a Procuradoria-Geral do Estado vêm realizando em defesa do território cearense e discutir os passos seguintes. “A ação encontra-se em fase de juntada de provas, o que possibilita a formulação de pedidos”, explica.
Mourão informa que a partir das informações a serem repassadas no encontro desta terça-feira é que as ações poderão ser alinhadas.
LS/CG/com Comunicação Interna
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CCJR aprecia 20 projetos de parlamentares nesta terça-feira
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Debatedores defendem lei para assegurar direitos da população em situação de rua
Especialistas ouvidos pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados alertaram que as políticas públicas não têm alcançado integralmente para as pessoas em situação de rua e defenderam uma lei para garantir direitos, além de política de moradia. Em audiência pública nesta segunda-feira (8), debatedores também chamaram atenção para a violência contra o grupo e contra lideranças defensoras de direitos humanos.
Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), que propôs a realização da audiência, é preciso transformar em lei a Política Nacional para a População em Situação de Rua, instituída há mais de dez anos por meio de um decreto (Decreto 7.053/09). Na Câmara, tramita o PL 5740/16, que institui políticas nacionais para as populações em situação de rua ou de errância. Entre outros pontos, prevê que nenhum atendimento de saúde ou assistência social poderá ser negado por falta de comprovante de residência.
Na visão da deputada, o projeto de lei deve incorporar também a resolução (425/21) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de outubro do ano passado, que estabeleceu a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua, para garantir o acesso do grupo à Justiça. Entre as medidas previstas, estão o atendimento desburocratizado, sem necessidade de agendamento prévio, e a proibição de que pessoas sejam barradas nos órgãos do Judiciário por conta das condições de higiene, de vestimenta ou por não ter identificação civil.
Invisibilidade
Erika Kokay disse que é preciso romper a invisibilização das pessoas em situação de rua e que faltam dados recentes sobre o tamanho dessa população, especialmente após a pandemia da Covid-19. Ele observou ainda que a abordagem do Estado muitas vezes é de tentar fazer "limpeza" da rua, e não de assegurar direitos e humanidade a pessoas sem acesso à moradia. "O Estado nega o endereço e, ao negar o endereço, nega uma premissa para ter acesso a políticas públicas. Então é uma revitimização, é uma exclusão que se retroalimenta", destacou.
Moradia primeiro
Samuel Rodrigues, do Movimento Nacional de População em Situação de Rua, disse que a violência contra a população de rua e contra os defensores dos direitos humanos aumentou nos últimos anos. Segundo ele, as pessoas em situação de rua que denunciam violações de direitos são afastadas dos equipamentos públicos, como dos serviços de acolhimento - serviços que deveriam protegê-las. Conforme ele, o albergue não é saída para essa população, já que não proporciona mudança de vida.
"A ideia do 'moradia primeiro' traça o caminho da moradia como um serviço indispensável, como é a educação, a saúde, as demais políticas públicas. A moradia digna permite o acesso à escola, ao posto de saúde, à cultura e outras políticas públicas", disse. Ele chamou a atenção para a dificuldade dessa população para ter acesso à identificação civil.
A representante do Fórum das Cidades de Acompanhamento à População em Situação de Rua de São Paulo, Luciana Ribas, reiterou que o acolhimento deve ser política apenas provisória e que o mais importante é assegurar política de moradia e renda para a população em situação de rua. Ela defendeu ainda uma política de redução de danos para as pessoas que são usuárias de drogas; a instituição de fundo para que a política nacional seja colocada em prática; e a inclusão das pessoas em situação de rua no censo demográfico, para que sejam considerados cidadãos – lembrando que hoje o censo usa base de dados domiciliar.
Violência
Luciana Ribas ressaltou que, a despeito dos avanços normativos, a violência contra esse grupo continua. "Em termos normativos temos alguns avanços, mas na prática o que nós temos é um verdadeiro genocídio de todas as partes, seja da sociedade civil, seja do Estado, seja de algumas instituições de Justiça que negam direitos a essa população e se negam a fazer o que muitas vezes está previsto em lei", apontou.
Ela também salientou que muitas pessoas que denunciam violações ou defendem esse grupo passam a ser perseguidas. "O caso emblemático é o do padre Júlio Lancelotti, que constantemente vem recebendo ameaças, inclusive de membros do próprio Poder Legislativo, pessoas que usam o argumento da liberdade de expressão, mas na verdade promovem discursos de ódio contra os que defendem as pessoas em situação de rua", citou. Ela observou ainda que a manutenção da contravenção penal da vadiagem permite que os serviços de segurança pública enquadrem essas pessoas.
Representante do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Davi Quintanilha Failde de Azevedo observou que as pessoas em situação de rua estão mais vulneráveis à violência e que há violações por parte do próprio Poder Judiciário, como a determinação do acolhimento compulsório de pessoas. "A liberdade de uma pessoa não pode ser restringida por crime não previsto em lei apenas por ela estar na rua", salientou. Ele espera que haja uma mudança cultural nos operadores do Direito a partir da resolução do CNJ. E defendeu não apenas a transformação em lei do decreto que institui a política nacional, mas também o avanço, em termos legais, na proteção de defensores dos direitos humanos.
Crescimento da população de rua
Representante da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos, Ronan Figueiredo lembrou que o Brasil é considerado um dos países mais perigosos do mundo para lideranças de direitos humanos. Ele defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e citou pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada em junho do ano passado mostrando que a população em situação de rua cresceu 140% a partir de 2012, chegando a quase 222 mil brasileiros em março de 2020.
Marco Antônio da Silva Souza, do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, observou que esse número não inclui crianças e adolescentes, que são ainda mais invisiblizados. Ele estima em torno de 70 mil crianças em situação de rua. E destacou que o Estado promove a criminalização da pobreza, quando deveria estar indo ao encontro dessas pessoas para lhes garantir direitos.
"Dados apontam que o Brasil registrou pelo menos 17 mil casos de violência contra população de rua entre 2015 e 2017, segundo o Ministério da Saúde, número que envolve uma subnotificação", informou Erika Kokay. Conforme ela, a agressão física é o tipo de violência mais comum, e muitas vezes profissionais de segurança são os autores das violências, mas há dificuldade de punir os policiais.
Coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Pessoa em Situação de Rua, a deputada defende um observatório da violência contra essa população e também contra os defensores dos direitos humanos e informou que vai apresentar indicação para o governo divulgar os direitos das pessoas em situação de rua nos equipamentos públicos, como ocorre com os direitos das crianças e adolescentes, por exemplo.
Reportagem - Lara Haje
Edição - Ana Chalub
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Juristas e políticos de oposição apoiam liminar de Rosa Weber que suspendeu orçamento secreto
Redação / o estadão
05 de novembro de 2021 | 23h20
Juristas e políticos apoiaram na noite desta sexta-feira a decisão liminar (provisória) da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu os empenhos e pagamentos das emendas de relator-geral. Identificadas pelo código RP-9, as emendas estão na base do orçamento secreto. Além de suspender os pagamentos, Weber também determinou que o Executivo dê transparência à execução das verbas e torne públicos os ofícios por meio dos quais deputados e senadores fazem as indicações do dinheiro, geralmente para pequenas obras ou equipamentos, como tratores, em suas bases eleitorais.
A decisão de Rosa Weber foi tomada em uma ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) formulada pelo PSOL e apresentada em junho deste ano. Posteriormente, os partidos Novo, Cidadania e PSB também solicitaram a suspensão da execução das emendas de relator-geral, os pedidos passaram a tramitar em conjunto no Supremo.
Pouco depois da decisão da ministra, o presidente do STF, Luiz Fux, marcou para a próxima 3ª feira, dia 9, o início do julgamento do caso no plenário virtual da Corte.
“A liminar concedida pela ministra Rosa Weber vem para confirmar o que sempre dissemos: as emendas de relator promovem sigilo sobre o orçamento, dificultando seu acompanhamento e fiscalização. Além disso, esta decisão é extremamente importante para a proteção da democracia e do funcionamento do Congresso Nacional. O orçamento público não pode ser usado para influenciar no resultado de votações no Parlamento, e nem ser manipulado secretamente. Um escândalo, que precisava acabar”, disse o líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ).
“A decisão da ministra Rosa Weber foi uma vitória importante da nossa luta contra o orçamento secreto e a política do toma-lá-da-cá. Uma prática escandalosa que dá sustentação à base do governo Bolsonaro no Congresso. A fonte de recurso para Arthur Lira e o Centrão poderem comprar apoio aos seus projetos está secando. Agora esperamos que o STF tome uma decisão definitiva sobre o tema, no sentido de acabar de vez com esse absurdo que é a execução de emendas do relator”, disse a líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ).
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Ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
“A decisão da ministra Rosa Weber recoloca o Orçamento nos devidos padrões constitucionais. A transparência é o melhor remédio para evitar desperdício e corrupção. Será possível saber, por exemplo, quem foram os beneficiários dos mais de 1 bilhão pagos nas vésperas da votação da PEC do calote”, disse o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) sobre a decisão de Weber.
“Rosa Weber deu basta às emendas de relator, 18 bi, usadas pra comprar votos favoráveis a projetos obscuros, privados no interesse, nocivos para o coletivo. Além de cheques em branco, sem controle e fiscalização, elas dão origem a tratoraços superfaturados. Não mais”, disse a senadora Simone Tebet (MDB-MS).
“É uma decisão importantíssima que merece ser comemorada, já que acaba com o ‘orçamento secreto’. Ainda esta semana, no plenário, durante votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 23), também conhecida como PEC do Calote, a bancada defendeu o fim dessa prática obscura, que tem servido para barganha política a fim de beneficiar o governo Bolsonaro e sua base aliada no Congresso”, disse, em nota, o líder do PT na Câmara, deputado Bohn Gass (RS).
“O orçamento da União foi sequestrado por um esquema que compra votos com emendas de relator. Rosa Weber decidiu parar esse trator”, disse a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), vice-líder da Oposição na Câmara. “É o fim do governo Bolsonaro. Quem vende voto ficará exposto, e muito do que já foi votado ainda não foi pago, ou seja, os vendedores de voto ainda levarão calote. A melhor decisão do STF em tempos”, disse o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), do Movimento Brasil Livre (MBL).
O advogado Felipe Santa Cruz, presidente nacional da OAB, escreveu em uma rede social: “Decisão histórica para nossa Democracia. A execução orçamentária das emendas exige transparência e não pode servir às barganhas do momento. Somos um País pobre e as poucas verbas para investimento devem ser acompanhadas por todos. Necessária a decisão da Ministra Rosa Weber”.
“A decisão é correta, pois impugna um ato obscurecido, opaco. Os representantes do Legislativo têm suas prerrogativas, mas estas não conferem ao Legislativo a possibilidade de ocultar a motivação dos seus atos. Considero uma decisão prudente e compatível com a missão do Poder Judiciário”, disse o jurista Mauro Menezes, ex-presidente da Comissão de Ética da Presidência da República.
“A decisão da ministra deve ser comemorada por todos que lutam contra a corrupção!”, celebrou Lucas Furtado, subprocurador-geral da República junto ao Tribunal de Contas da União e autor de algumas das representações que levaram o tribunal a investigar o caso. “Excelente decisão da Ministra Rosa Weber. As bilionárias emendas de relator RP9 são inconstitucionais e nocivas para a democracia”, disse o também procurador junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira.
“A ministra Rosa Weber impediu a continuidade do ‘Jabá orçamentário bilionário’. O STF confirmou o que todos sabiam. As emendas de relator são inconstitucionais. O pior e mais promíscuo instrumento de barganha entre o Executivo e o Legislativo das últimas décadas foi, enfim, interrompido pelo STF”, disse o economista Gil Castelo Branco, fundador da ONG Contas Abertas.
“A decisão da ministra Rosa Weber é uma vitória da cidadania. Reconhece o dever de transparência como princípio do Estado de Direito e confirma que a prática do orçamento secreto agride os valores democráticos e republicanos que são os pilares da Constituição”, disse Heleno Taveira Torres, professor titular de direito financeiro da Universidade de São Paulo (USP).
A reportagem procurou o Planalto e os líderes do governo no Parlamento, bem como os presidentes da Câmara e do Senado. O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disse que “um bom diálogo e respeito as autonomias constitucionais dos poderes certamente construirá uma solução equilibrada para essa questão”. Segundo ele, “Tudo o que precisamos é harmonia entre os poderes da república”.
Senado: presidente pode levar PEC dos Precatórios direto para plenário
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-RO), não afasta a possibilidade de levar a Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios, a PEC 23/21, direto para o plenário da Casa, sem passar por comissão. Em entrevista coletiva na noite de hoje (4), Pacheco falou sobre o assunto. Outra possibilidade é a PEC passar primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Se aprovado [o texto] na Câmara, nós levarmos diretamente ao plenário é uma possibilidade que existe, mas não podemos desconsiderar a possibilidade de apreciar pela CCJ. E percebo no presidente Davi Alcolumbre essa disposição e esse senso de urgência em relação à PEC dos Precatórios”, disse Pacheco.
O presidente do Senado fez uma defesa em prol do debate sobre o assunto. Para ele, é importante o Congresso debater e chegar a uma conclusão sobre a questão dos precatórios, bem como viabilizar o Auxílio Brasil, que substituiria o Bolsa Família e transferiria uma renda mensal de R$ 400 aos mais carentes. Para ele, é importante chegar a uma solução sobre um auxílio financeiro aos mais pobres sem que isso fure o teto de gastos.
Precatórios são dívidas da União que resultam de sentenças judiciais as quais não cabe mais recurso. A proposta define o valor de despesas anuais com precatórios, corrige seus valores exclusivamente pela taxa Selic e muda a forma de calcular o teto de gastos. Na prática, abre espaço fiscal no Orçamento da União para o pagamento do novo benefício assistencial criado pelo governo, o Auxílio Brasil. Chamada de “PEC do Calote” por parlamentares contrários, a medida autoriza o pagamento parcelado dos precatórios.
Segundo Pacheco, os líderes partidários, mesmo os de oposição, concordam sobre a importância de discutir os problemas dos precatórios e do espaço no Orçamento para o Auxílio Brasil. “Até aqueles que discordam do método estabelecido pela PEC sabem da importância de nós garantirmos um programa social no Brasil. Pode ser que a PEC seja um instrumento, mas essa é uma avaliação que o plenário do Senado fará”.
A PEC foi aprovada na Câmara, em primeiro turno, na madrugada de hoje. O placar, no entanto, foi apertado. Eram necessários 308 votos para aprová-la e 312 deputados votaram nesse sentido. A votação em segundo turno está prevista para ocorrer na terça-feira (9), a partir das 9h.
Edição: Fábio Massalli / AGÊNCIA BRASIL
A PEC dos precatórios rachou a esquerda e mostrou a dubiedade e fragmentação do centro para 2022
05 de novembro de 2021 | 03h00
A Proposta de Emenda Constitucional que cria um calote nos precatórios e implode o teto de gastos para comprar votos para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro serve como uma prévia para as eleições de 2022 e mostra como o Congresso só pensa nas suas emendas e os partidos estão infiltrados pelo bolsonarismo. PEC dos precatórios ou PEC da Reeleição?
A votação rachou a esquerda e mostrou a dubiedade e a fragmentação do centro, comprovando que o PT não arrasta os votos de velhos aliados, caso do PDT e do PSB, e que nem os partidos centro que têm candidatos contra Bolsonaro fecham as portas para ele.
Para o presidente, o Planalto e os tais “ministros políticos”, pouco importa o impacto na Bolsa, no câmbio, na segurança jurídica, na própria credibilidade do País. O que interessa é que a PEC cria recursos para Bolsonaro financiar a troca do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, com R$ 400.
A intenção é torrar as leis e a responsabilidade fiscal para garantir o “seu” programa de renda durante o ano eleitoral. A conta é salgada: para aprovar a PEC, foi preciso jorrar mais dinheiro ainda para as emendas parlamentares. Mas o bônus vale a pena: comprar votos do eleitorado mais fiel ao ex-presidente Lula, entre os mais pobres e menos escolarizados, especialmente no Nordeste.
Dito tudo isso, por que a PEC rachou a esquerda, a oposição e a “terceira via”? Foi aprovada em primeiro turno na Câmara com ajuda de gordas parcelas de PDT, PSB, PSDB, PSD, DEM e PSL. O que pesou foi a gula por mais emendas, o apoio velado a Bolsonaro, ou as duas coisas?
Ainda falta o segundo turno na Câmara e dois turnos no Senado. Como a diferença na primeira votação foi de apenas quatro votos, o destino é incerto e não sabido. O certo e sabido é que, enquanto lançam candidatos, ou “candidatos”, os partidos de centro não descartam Bolsonaro.
Exemplo: o PSD lança o senador Rodrigo Pacheco, mas negocia com Lula e dá 29 dos seus 35 votos da Câmara à PEC da Reeleição. Um pé em cada canoa. E o União Brasil, resultado da fusão do DEM com o PSL? Segundo levantamento do repórter Lauriberto Pompeu, 56 dos seus 88 deputados defendem o apoio ou admitem apoiar a reeleição de Bolsonaro.
Bem... se é possível o presidente negar a ciência na pandemia, no ambiente, na vida e na morte e ganhar uma medalha do mérito científico, se confunde John Kerry com o humorista Jim Carrey, se chama a Torre de Pisa de Torre da Pizza e seus apoiadores dentro e fora do Congresso acham natural, até bacana, tudo é possível no Brasil.
COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA
PEC dos precatórios rachou a esquerda e mostrou a dubiedade e fragmentação do centro para 2022
05 de novembro de 2021 | 03h00
A Proposta de Emenda Constitucional que cria um calote nos precatórios e implode o teto de gastos para comprar votos para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro serve como uma prévia para as eleições de 2022 e mostra como o Congresso só pensa nas suas emendas e os partidos estão infiltrados pelo bolsonarismo. PEC dos precatórios ou PEC da Reeleição?
A votação rachou a esquerda e mostrou a dubiedade e a fragmentação do centro, comprovando que o PT não arrasta os votos de velhos aliados, caso do PDT e do PSB, e que nem os partidos centro que têm candidatos contra Bolsonaro fecham as portas para ele.
Para o presidente, o Planalto e os tais “ministros políticos”, pouco importa o impacto na Bolsa, no câmbio, na segurança jurídica, na própria credibilidade do País. O que interessa é que a PEC cria recursos para Bolsonaro financiar a troca do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, com R$ 400.
A intenção é torrar as leis e a responsabilidade fiscal para garantir o “seu” programa de renda durante o ano eleitoral. A conta é salgada: para aprovar a PEC, foi preciso jorrar mais dinheiro ainda para as emendas parlamentares. Mas o bônus vale a pena: comprar votos do eleitorado mais fiel ao ex-presidente Lula, entre os mais pobres e menos escolarizados, especialmente no Nordeste.
Dito tudo isso, por que a PEC rachou a esquerda, a oposição e a “terceira via”? Foi aprovada em primeiro turno na Câmara com ajuda de gordas parcelas de PDT, PSB, PSDB, PSD, DEM e PSL. O que pesou foi a gula por mais emendas, o apoio velado a Bolsonaro, ou as duas coisas?
Ainda falta o segundo turno na Câmara e dois turnos no Senado. Como a diferença na primeira votação foi de apenas quatro votos, o destino é incerto e não sabido. O certo e sabido é que, enquanto lançam candidatos, ou “candidatos”, os partidos de centro não descartam Bolsonaro.
Exemplo: o PSD lança o senador Rodrigo Pacheco, mas negocia com Lula e dá 29 dos seus 35 votos da Câmara à PEC da Reeleição. Um pé em cada canoa. E o União Brasil, resultado da fusão do DEM com o PSL? Segundo levantamento do repórter Lauriberto Pompeu, 56 dos seus 88 deputados defendem o apoio ou admitem apoiar a reeleição de Bolsonaro.
Bem... se é possível o presidente negar a ciência na pandemia, no ambiente, na vida e na morte e ganhar uma medalha do mérito científico, se confunde John Kerry com o humorista Jim Carrey, se chama a Torre de Pisa de Torre da Pizza e seus apoiadores dentro e fora do Congresso acham natural, até bacana, tudo é possível no Brasil.
COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA
Sancionada Lei que institui o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento à Fibromialgia
A partir desta quinta-feira (4), 12 de maio passa a ser o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento à Fibromialgia. O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou a Lei 14.233 de 2021, que está publicada no Diário Oficial da União. A norma tem origem no PLS 351/2016, da então senadora Ana Amélia (RS).
A fibromialgia é uma síndrome crônica, não inflamatória, subnotificada, que causa dores musculoesqueléticas difusas por todo corpo, além de possíveis quadros de fadigas e rigidez muscular, depressão, distúrbios cognitivos e do sono, confusão mental, transtorno de ansiedade, perda de memória, cefaleia, baixa autoestima, entre outras. Estima-se que a fibromialgia atinja 2,5% a 3% da população mundial, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia.
A lei tem por objetivo conscientizar a população sobre a complexidade da doença e também sobre os problemas enfrentados pelos portadores da doença. Ao apresentar o projeto, Ana Amélia ressaltou que a falta de conhecimento sobre a fibromialgia prejudica leigos, profissionais de saúde e principalmente os portadores da síndrome, que na maioria das vezes também têm problemas psíquicos relacionados à patologia.
“O não reconhecimento pleno da doença, inclusive para obtenção de licença médica, pode afetar verdadeiramente o equilíbrio psicológico dos fibromiálgicos, que já têm que lidar com uma síndrome incurável, que prejudica consideravelmente sua qualidade de vida e seu desempenho profissional”, apontou a parlamentar na justificação do projeto.
A propoista foi aprovada pelo Senado em 2017 e confirmada pela Câmara em setembro de 2021.
Fonte: Agência Senado
Senado aprova MP que estimula crédito para micro e pequenas empresas
O Senado aprovou o projeto de lei de conversão (PLV 23/2021) da Medida Provisória (MP) 1.057/2021, que criou o Programa de Estímulo ao Crédito (PEC), pelo qual os bancos fazem empréstimos, sob seu risco, em troca de créditos presumidos a serem usados para diminuir tributos. Foram 62 votos favoráveis e nenhum contrário. Como o relator no Senado, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), modificou trecho do texto e acatou uma emenda, o projeto volta à Câmara.
— O primeiro impacto esperado da Medida Provisória é direto: a expansão do crédito para o segmento de microempreendedores e micro e pequenas empresas. Esse foi o setor mais prejudicado pelas medidas de contenção da pandemia de covid-19. Além desse impacto direto, deverá ocorrer também expansão do crédito em geral na economia brasileira, em razão da possibilidade mais ampla de apuração dos créditos presumidos que especifica, decorrentes de diferenças temporárias — explicou o relator.
De acordo com o PLV, poderão se beneficiar do crédito, com condições favorecidas, microempreendedores individuais; microempresas e empresas de pequeno porte; produtores rurais; e cooperativas e associações de pesca e marisqueiros. A receita bruta anual do beneficiário não poderá ser superior a R$ 4,8 milhões. O PEC não conta com recursos, subsídios ou garantias da União, registra o relator.
O prazo limite para contratação das operações de crédito é 31 de dezembro de 2021. Já o aproveitamento desses valores como crédito presumido poderá ser feito até 31 de dezembro de 2026.
Caberá ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a definição de condições, prazos e regras para concessão dos créditos. Também terá competência para definir a distribuição dos créditos concedidos por segmentos ou áreas de atuação e faixas de porte das empresas e pessoas beneficiárias do PEC.
Ao Banco Central caberá supervisionar o PEC, fiscalizando o cumprimento, pelas instituições financeiras, das condições de adesão estabelecidas pelo CMN. O BC também vai acompanhar e avaliar os resultados do programa.
Segundo informou o relator, o PLV determina que os recursos para as operações de crédito serão captados pelas instituições concedentes, que assumirão integralmente o risco das operações. Fernando Bezerra Coelho disse, ainda, que nenhum tipo de garantia será concedida pela União no âmbito do PEC. As instituições financeiras que voluntariamente participarem do programa poderão, como contrapartida, apurar crédito presumido até o limite do valor das operações de crédito que concederem, acrescentou.
Nos casos de empresas recentemente criadas e que não tenham, até o momento da concessão do crédito, completado o período de apuração de 12 meses, poderão ser utilizados, proporcionalmente, as receitas brutas realizadas até então. Não são consideradas elegíveis como tomadoras de crédito no PEC as pessoas jurídicas que sejam controladoras, controladas, coligadas ou interligadas da instituição credora.
O relator alterou trecho, já aprovado na Câmara, para eliminar possibilidade de responsabilização de agentes e autoridades não envolvidos diretamente na apuração da certeza e liquidez dos créditos.
Operacionalizado por bancos e demais instituições autorizadas a funcionar pelo BC, o PEC não pode ser utilizado por cooperativas de crédito e administradoras de consórcios. A apuração do crédito presumido poderá ser realizada a cada ano-calendário a partir de 2022.
No caso de falência ou liquidação extrajudicial da instituição financeira, o crédito presumido será igual ao total de créditos de diferenças temporárias existentes na data do fato.
Nas hipóteses em que a dedução ou o ressarcimento for obtido com falsidade no pedido, haverá multa de 20% sobre o valor deduzido ou ressarcido, além da obrigação de devolução do valor deduzido ou ressarcido indevidamente.
Foi acatada emenda do senador Luiz do Carmo (MDB-GO) para prever que, no caso de haver falsidade no pedido de ressarcimento ou dedução do crédito presumido, serão aplicadas também sanções cíveis e penais cabíveis, além de multa e devolução já previstas no PLV.
Os créditos presumidos de que trata o PLV poderão ser objeto de ressarcimento, em espécie ou em títulos da dívida pública mobiliária federal, a critério do Ministro da Economia, que será precedido da dedução de ofício de valores de natureza tributária ou não tributária devidos à Fazenda Nacional pelas instituições titulares do direito.
Fernando Bezerra Coelho disse, ainda, que o Ministério da Economia estima que a mudança tem potencial para ampliar a carteira de crédito dos bancos em aproximadamente R$ 480 bilhões.
O PLV permite o uso do crédito presumido, inclusive com possibilidade de ressarcimento em espécie ou títulos da dívida pública, nos casos de prejuízo, falência e liquidação. Tal circunstância confere certeza a esses créditos, uma vez que, em qualquer das hipóteses (lucro, prejuízo, falência ou liquidação), mantém-se seu valor conforme apurado nos balanços das instituições, acrescentou Fernando Bezerra Coelho.
Na Câmara, o relator foi o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
Debate
O senador Paulo Rocha (PT-PA) afirmou que um programa desse tipo só funciona se tiver juros abaixo dos de mercado, tempo de carência e prazo de pagamento alongado.
— Não havia condições de haver juros mais baixos do que os do mercado? Estou vendo que, se não há fundo garantidor do governo, não há nenhuma garantia do governo e os bancos não vão criar condições de emprestar com juros mais baratos — disse Paulo Rocha.
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) afirmou que a grande maioria das micro e pequenas empresas brasileiras estão quebradas.
— Eu acho que nunca chegamos a esse nível de endividamento no País, seja de pequena empresa, seja de pessoa física. Eu acho que 60%, 70% da população está devendo. Isso aqui são mecanismos para ampliar mais a dívida sem definição. É óbvio que as instituições financeiras vão poder emprestar mais, mas o que a gente precisa avaliar é que hoje o endividamento é grande. Eu não sei se essas empresas conseguem sobreviver com esse tipo de financiamento, porque esse financiamento aqui é um financiamento comum, com taxas elevadíssimas, o que me preocupa muito — afirmou Izalci.
Por sua vez, a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) lembrou que, em março de 2020, o BC destinou R$ 1,2 trilhão para os bancos, mas os empréstimos para pequenos empreendedores e pessoas físicas continuaram caros.
— Eu sempre entendi que, em qualquer programa de estímulo ao crédito, a principal importância é não falir, é levantar nossas micro e pequenas empresas, para a manutenção dos empregos. O pessoal reclama, reclama do Banco do Nordeste, de todos os bancos, porque não conseguem pegar e, quando conseguem, é com juros altíssimos — registrou Zenaide.
Em contraponto, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) disse que o programa de estímulo vai aumentar a oferta de crédito.
— Ampliar o crédito, permitir que tenha mais crédito é sempre muito bom para a pequena, média e para a grande empresa, para todo mundo que está no mercado. Então, eu parabenizo o projeto. Não é perfeito, não visa preservar emprego, visa irrigar a economia de crédito e isso é absolutamente necessário — opinou Oriovisto.
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) também apoiou o PLV.
— O projeto de lei de conversão é oportuno e irá contribuir para minimizar os efeitos nocivos da pandemia na economia brasileira, principalmente na renda e nos empregos — avaliou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado





