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Governo Lula libera R$ 51 bi em novos empréstimos a estados e municípios em 2024

Idiana Tomazelli / folha de sp

 

 

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liberou R$ 51,2 bilhões em novos empréstimos a estados e municípios em 2024, segundo levantamento feito pela Folha a partir de dados do Banco Central.

O valor representa um aumento nominal de 18,1% em relação aos R$ 43,3 bilhões contratados em 2023 e consolida a guinada na política de financiamento aos governos regionais, movida principalmente por bancos públicos federais.

A injeção de R$ 94,5 bilhões nos primeiros dois anos de mandato representa uma parte do quadro, já que os registros do BC não incluem operações externas com organismos multilaterais.

Segundo outra base de dados, do Tesouro Nacional, essas transações foram autorizadas em até US$ 3,29 bilhões no ano passado (algo próximo de R$ 20 bilhões, segundo a cotação atual).

Técnicos e economistas temem que o boom de empréstimos vire uma bomba-relógio, reeditando a flexibilização ocorrida entre 2012 e 2014, no governo Dilma Rousseff (PT). A política foi considerada o embrião da crise que, nos anos seguintes, levou ao parcelamento de salários, ao calote nas dívidas com a União e à sequência de socorros aprovada pelo Congresso Nacional.

Procurado para comentar os dados, o Ministério da Fazenda não se manifestou.

O maior aumento entre 2023 e 2024 veio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Em nota, a instituição afirma que a expansão do crédito ao setor público representa a "retomada da atuação histórica do banco".

Já o Banco do Brasil, que mantém sua liderança em valores absolutos de contratação, disse que essa posição é resultado de "decisão estratégica".

Com mais acesso a crédito e irrigados por outras transferências (inclusive emendas), governadores e prefeitos já pisaram no acelerador dos gastos.

O desequilíbrio é mais evidente nos municípios. Eles haviam saído de um superávit primário de R$ 25,9 bilhões em 2022 para um déficit de R$ 9,8 bilhões em 2023. No ano passado, a situação se agravou, e o rombo chegou a R$ 18,1 bilhões entre janeiro e novembro.

Os governos estaduais ainda exibem um superávit mais robusto em 2024 (R$ 36 bilhões entre janeiro e novembro), mas têm as contas sobrecarregadas pelo custo de suas dívidas. Quando o pagamento das prestações entra na balança, o resultado vira um déficit nominal de R$ 38,9 bilhões.

Além disso, fatia considerável (R$ 12,3 bilhões) dos empréstimos aos estados foi liberada no último trimestre do ano, e as despesas correspondentes só devem ocorrer a partir de 2025. Ou seja, há risco de deterioração das contas à frente.

ampliação dos empréstimos a estados e municípios é uma orientação de Lula, que na campanha eleitoral já prometia facilitar o acesso a recursos para ampliar investimentos e contribuir na sustentação da atividade econômica. Mas o impulso dado nos primeiros dois anos da gestão também aproveita uma brecha criada na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Em 15 de dezembro de 2022, o Executivo decidiu retirar do limite fixado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) as operações contratadas por estados que renegociaram suas dívidas com a União em 1997 e aqueles que ingressaram em programas de socorro mais recentes, como o RRF (Regime de Recuperação Fiscal).

A decisão criou uma esteira paralela de empréstimos. Para se ter uma ideia, o limite para novas operações no ano passado era de R$ 26 bilhões, mas a contratação efetiva foi o dobro. Neste ano, o limite fixado pelo CMN é de R$ 15 bilhões, mas outros R$ 42 bilhões podem ser contratados por fora.

No fim de 2023, o governo Lula ainda flexibilizou as regras de classificação de risco dos entes subnacionais, facilitando a conquista das notas A e B, que os credenciam a contratar empréstimos com garantia do Tesouro Nacional —que se compromete a pagar a dívida em caso de inadimplência.

O temor dos técnicos da área econômica se deve ao potencial de desequilíbrios a partir dessas operações.

Alguns estados e municípios usam o dinheiro para ampliar investimentos, mas outros desvirtuam essa finalidade e manobram para aumentar despesas correntes (como salários de servidores). É o que se chama de "troca de fontes" no jargão orçamentário: o empréstimo financia um investimento já previsto, e o ente usa o caixa próprio para elevar outros gastos.

O problema ocorre quando o fôlego acaba ou a economia desacelera, reduzindo a arrecadação com ICMS, principal fonte de receitas dos estados. Nessa situação, cresce a dificuldade para honrar obrigações com servidores, credores e o próprio serviço da dívida.

"Com todo esse aperto da política monetária [via aumento da taxa de juros], vai ter um arrefecimento da atividade econômica, e o imposto que reage mais rapidamente é o ICMS", afirma o chefe de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt. Segundo ele, o risco de deterioração pode levar a uma nova onda de calotes, obrigando a União a honrar as parcelas.

O especialista ressalta que a última crise levou a situações extremas nos estados. "Lembro casos em que a desorganização das finanças dos estados levou a problemas na segurança pública, com aumento nos índices de criminalidade", diz Bittencourt.

A recente aprovação do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) gera preocupação adicional. O programa de socorro reduz o juro da dívida dos estados com a União e cria disponibilidade adicional no caixa desses entes para incrementar gastos, a menos de dois anos da eleição de 2026.

O aumento de despesas de estados e municípios também preocupa economistas pelas consequências no PIB e na eficácia da política de juros do Banco Central. O maior impulso fiscal vindo dos governos regionais estimula uma atividade econômica já superaquecida e alimenta a inflação, dificultando o trabalho do BC.

Bráulio Borges, economista-sênior da LCA 4intelligence, pesquisador-associado do FGV Ibre e colunista da Folha, tem chamado a atenção para esse tema. No terceiro trimestre de 2024, a despesa ficou próxima a R$ 630 bilhões. Até o início de 2022, estavam abaixo de R$ 510 bilhões por trimestre, segundo dados já atualizados.

O crescimento foi tão expressivo que os estados e municípios ultrapassaram os gastos do governo central, que reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência e do BC. Segundo Borges, parte disso reflete transferências da União por meio de fundos, emendas e royalties, mas outra parte pode vir da expansão dos empréstimos.

O presidente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), Paulo Ziulkoski, afirma que o fluxo de recursos está "enterrando os municípios", pois o dinheiro adicional chega carimbado para honrar determinada obrigação que não necessariamente é a mais urgente.

"Nem deveria ter novos empréstimos. Vai pagar como depois? Com dinheiro que vai fazer falta na saúde? Para inaugurar uma obra? Tudo que falta estoura sempre no pequeno, no mais desprotegido, que é o cidadão", critica.

O maior aumento entre 2023 e 2024 veio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Em nota, a instituição afirma que a expansão do crédito ao setor público representa a "retomada da atuação histórica do banco".

Já o Banco do Brasil, que mantém sua liderança em valores absolutos de contratação, disse que essa posição é resultado de "decisão estratégica".

HADAD E LULA

Lula sanciona com vetos lei que reconhece barracas da Praia do Futuro como patrimônio cultural do Brasil

Escrito por Redação/ DIARIONORDESTE
 
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o projeto de lei do deputado cearense André Figueiredo (PDT) que reconhece as barracas da Praia do Futuro, em Fortaleza, e as atividades desempenhadas como patrimônio cultural do Brasil. A informação foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (8).

O chefe do Executivo, porém, vetou um trecho do projeto que destacava que o reconhecimento garantiria à gestão municipal a autorização para decidir sobre a manutenção das barracas já existentes no local. De acordo com a União, a medida é inconstitucional ao tirar da instituição o poder de "gerir e fiscalizar praia marítima, que constitui bem da União, de uso comum do povo". O documento alega que a decisão poderia trazer benefícios ao meio ambiente.

Uma das motivações para a apresentação da proposta foi o impasse jurídico envolvendo as barracas da Praia do Futuro e a União. Há quase 20 anos, a União e o Ministério Público Federal (MPF) solicitaram a retirada de 153 empreendimentos na região. 

Em 2021, foram retiradas estruturas abandonadas. Contudo, seguem as negociações a respeito da ocupação da faixa de areia pelas barracas. Agora, a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) — responsável pela administração de terrenos litorâneos pertencentes à União — quer reduzir o tamanho das edificações.

O projeto de lei foi aprovado no Senado em dezembro, onde, na ocasião, foi relatado pelo senador Cid Gomes (PDT).

 

Lula sanciona com vetos lei que reconhece a Praia do Futuro, em Fortaleza, como patrimônio cultural do Brasil

 

 

Secretário de Nunes é sócio de empresa com mais de R$ 179 mil em dívidas com a Prefeitura de SP

Por Juliano Galisi / O ESTADÃO DE SP

 

O secretário Rodrigo Goulart, que assumiu na semana passada a pasta de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da capital paulista, é sócio de uma empresa que possui dívidas de R$ 179 mil com a Prefeitura de São Paulo. Reeleito vereador da cidade em 2024, ele tomou posse no dia 1º para comandar a Secretaria na segunda gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

 

Goulart é um dos cinco sócios da empresa Grou, proprietária do restaurante “Consulado da Bahia”, localizado em Pinheiros, zona oeste da cidade. O estabelecimento foi autuado sete vezes entre 2019 e 2023 por uso irregular de calçada. Em seis ocasiões, a Justiça foi acionada para o pagamento das dívidas. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmada pelo Estadão.

 

Além da Grou, o secretário é um dos quatro sócios da “Cachaçaria Goulart Comércio de Bebidas LTDA”, que pertence à sua família. A empresa possui dívidas em aberto com a Prefeitura decorrentes de multa de trânsito que somam R$ 252,73.

 

Rodrigo Goulart, em nota, afirmou que “não tinha conhecimento sobre a multa e já adotou providências para a quitação dos valores”. A Procuradoria Geral do Município, responsável pela gestão da dívida do poder público, afirmou que “não trata pela imprensa de informações de contribuintes protegidas por sigilo fiscal”.

 

Goulart é vereador de São Paulo desde 2017 pelo PSD – partido que fez parte da coligação de Nunes na eleição de 2024. Ele se reelegeu no último pleito e está licenciado enquanto está à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho.

Pix de R$ 5 mil será monitorado? Entenda de vez as novas regras da Receita Federal

 

Já está valendo a nova norma da Receita Federal que aperta o monitoramento sobre as transações financeiras dos contribuintes brasileiros. A medida faz parte de uma atualização nas normas de fiscalização, conforme previsto pela Instrução Normativa 2.219/2024, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro. A grande mudança é o monitoramento de dados de cartão de crédito e pix para transações superiores a R$ 5 mil.

 

De acordo com a Agência Brasil, as novas regras determinam que as operadoras de cartão de crédito e instituições de pagamento, além de bancos e cooperativas de crédito, deverão enviar dados financeiros semestralmente ao sistema e-Financeira, um módulo eletrônico integrado ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped).

Em nota oficial, a Receita Federal destacou que a ampliação do monitoramento tem como objetivo aprimorar a fiscalização e garantir maior eficiência nas operações financeiras. A iniciativa também está alinhada com compromissos internacionais reforçados pelo Brasil para combater práticas de evasão fiscal e fortalecer a cooperação global.

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Na prática, a medida muda pouco a rotina do cidadão, dado que instituições financeiras tradicionais, como os bancos, financeiras e cooperativas de crédito, já eram obrigadas a enviar à Receita Federal as informações sobre movimentações financeiras de seus clientes. A mudança inclui, agora, as movimentações de pix e operadoras de cartão de crédito.

Quem será monitorado?

Até então, apenas instituições financeiras tradicionais eram obrigadas a enviar informações à Receita. Agora, a exigência se estende às operadoras de cartões de crédito e instituições de pagamento, como bancos digitais, plataformas de pagamento e grandes varejistas – como lojas de departamentos, de venda de eletrodomésticos e atacadistas – que oferecem serviços financeiros, incluindo emissões de cartões e transferências.

As empresas deverão reportar transações acima de R$ 5 mil mensais para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas. As informações serão enviadas em duas etapas:

  • Até o último dia útil de agosto, com dados referentes ao primeiro semestre do ano atual;
  • Até o último dia útil de fevereiro, com dados do segundo semestre do ano anterior.

Qual valor será monitorado?

A norma diz que é preciso prestar as informações referentes a operações financeiras quando o “montante global movimentado ou o saldo em cada mês”, por tipo de operação financeira, seja superior a R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil, para pessoas jurídicas. Mas, ao contrário do que muitas pessoas entenderam inicialmente, não é apenas um “pix de R$ 5 mil” ou valor superior que será monitorado. Se o contribuinte fizer ao longo do mês várias transações menores, mas que, juntas, superem este valor, também terá as informações repassadas à e-Financeira.

Uma vez ultrapassado este limite de R$ 5 mil, a normativa também determina que as instituições financeiras repassem as informações dos contribuintes nos outros meses, mesmo naqueles em que o somatório mensal seja inferior ao valor limite.

As novas regras vão criar um novo imposto?

A Receita Federal esclareceu na terça-feira (7) que as novas regras tem como objetivo melhorar o gerenciamento de riscos pela Receita Federal, em “absoluto respeito às normas legais dos sigilos bancário e fiscal”. E reforçou as medidas não criam uma nova cobrança de imposto ou tributos sobre o uso do pix.

Cenas de Brasília: Lula faz abraço simbólico à democracia sem chefes de outros Poderes

Gabriela Biló / FOLHA DE SP

 

 

O presidente Lula (PT) fez um abraço simbólico à democracia durante cerimônia de memória dos ataques de 8 de janeiro de 2023. O ato, que teve início no Palácio do Planalto, não contou com a presença dos chefes dos outros Poderes.

O evento de lembrança dos dois anos do episódio que depredou a sede dos Três Poderes acontece ao longo desta quarta-feira (8), com a presença de membros da ala governista e da esquerda mas sem a cúpula do Congresso.

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) também compareceram, embora sem o presidente da corte, Luís Roberto Barroso.

Além do chefe do Supremo, faltaram os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), bem como os possíveis sucessores nos cargos, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).

LULA JANJA E MIN ISTROS

Prefeitura de Caucaia decreta contingenciamento de despesas por 6 meses; saúde, educação e Carnaval não são atingidos

Escrito por Luana Barros / DIARIONORDESTE
 

O prefeito de Caucaia, Naumi Amorim (PSD), decretou contingenciamento de despesas na Prefeitura por seis meses. A restrição atinge contratação de pessoal temporário, contratos administrativos, compra de insumos e mesmo financiamento de programas e projetos municipais. O decreto, publicado no Diário Oficial do Município do dia 2 de janeiro, foi feito após Naumi anunciar que 'herdou' dívida de R$ 681 milhões da gestão anterior, do ex-prefeito Vitor Valim (PSB). 

Contudo, algumas áreas não devem ser atingidas pela restrição de gastos da Prefeitura, considerando critérios de "essencialidade e indispensabilidade" e a "natureza contínua, de urgência, emergência e relevância", explica o documento.

Entre elas, estão serviços na saúde, na segurança, na educação e na assistência social. Os recursos previstos para o Carnaval — que acontece no início de março — também não serão atingidos pelo contingenciamento. 

Suspensão e redução de gastos

O decreto estabelece a redução em diferentes áreas. Serão suspensos, por exemplo, todos os gastos com contratos temporários para a Prefeitura. Neste caso, a determinação terá validade de quatro meses. 

Também são suspensas as despesas com:

  • Concessão de horas extras e diárias;
  • Concessão de passagens aéreas e terrestres;
  • Concessão de hospedagens e refeições;
  • Realização de eventos festivos; 
  • Manutenção de máquinas e veículos;
  • Patrocínios e apoios financeiros a feiras, eventos, vaquejadas, campeonatos esportivos e similares. 

"Gestores e ordenadores de despesas ficam impedidos de realizá-las, sob pena de não reconhecimento do débito pela Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Orçamento", informa o decreto. 

Além disso, também ficam suspensos "todos e quaisquer pagamentos de despesas empenhadas e não liquidadas e de restos a pagar processados e não processados". 

Carnaval

Um 'evento festivo' que não será incluído nessa regra é o Carnaval. As despesas referentes às festividades carnavalescas serão mantidas, conforme o decreto, porque "os recursos já estão provisionados para esse fim, em virtude de tratar-se de evento inserido no calendário cultural do Município e do País". 

Além da suspensão de despesas, o documento também estabelece a redução de gastos. Fica estabelecido, por exemplo, a diminuição de 25% nos contratos administrativos — eles incluem, por exemplo, serviços como assessoria e consultoria, além de locação de veículos, equipamentos de informática e estruturas para eventos.

Secretários municipais e demais gestores e ordenadores de despesas terão que justificar a "necessidade e indispensabilidade" dos contratos que queiram dar continuidade. 

Também é prevista a redução de 50% no consumo de combustíveis para a frota própria e locada de veículos e máquinas. O decreto, inclusive, institui a Comissão de Fiscalização e Controle de Frota de Veículos, Máquinas e Equipamentos para acompanhar e fiscalizar essa diminuição nas despesas. 

Além disso, o decreto abre a possibilidade de suspensão de "programas e projetos institucionais com recursos estritamente municipais". Nestes casos, serão observadas as "normas de essencialidade e indispensabilidade" para a continuidade das ações. 

O que não será atingido pelo contingenciamento

A previsão de redução de despesas não atinge áreas que são consideradas essenciais pela Prefeitura de Caucaia, como saúde, educação e segurança. 

"Excetuam-se do contingenciamento orçamentário e financeiro de que trata este Decreto, as despesas com programas, projetos, atividades e ações consideradas essenciais ou indispensáveis, que exijam o fornecimento de insumos e materiais, obras ou serviços caracterizados como de natureza contínua, de urgência e emergência e relevância, desde que devidamente autorizadas pelo Prefeito Municipal", diz o decreto.

São, pelo menos, 15 serviços que não devem ser impactados pelo contingenciamento.

São eles:

  • Saúde; 
  • Assistência social; 
  • Segurança comunitária; 
  • Coleta e destinação final de resíduos sólidos; 
  • Iluminação pública; 
  • Transporte escolar; 
  • Transporte de pacientes e de profissionais da atenção básica e especializada de saúde;
  • Transporte de profissionais para os serviços de atenção básica e especializada de assistência social;
  • Cuidados e proteção à saúde animal;
  • Correição de animais em vias públicas; 
  • Abatedouro municipal; 
  • Funerários; 
  • Defesa civil; 
  • Educação; 
  • Cuidados com crianças, menores, idosos e demais faixas etárias que careçam de atenção especial.

Líder de aldeia cobra governo após ataque a tiros ferir quatro indígenas no PR: 'Foram avisados de que corríamos risco'

Por  — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

O conflito de terras no Oeste do Paraná que está por trás do ataque contra indígenas Avá-Guarani que deixou quatro pessoas feridas por tiros, incluindo uma criança e um adolescente, na última sexta-feira, é agravado pela lentidão na conclusão do processo de demarcação da Terra Indígena, que perdura desde 2009. A avaliação é do líder da aldeia Yvy Okaju, Karai Okaju, que destaca a vulnerabilidade dos povos originários no local, uma vez que o ataque ocorreu a apenas cinco quilômetros do centro da cidade de Guaíra, onde há uma sede da Polícia Federal (PF).

 

— A demora na demarcação tem como impacto o ódio e o preconceito da sociedade contra os indígenas. O cenário vem trazendo quadros graves de depressão e uma epidemia de suicídio, que ocorre por falta de esperança em uma melhora — diz Okaju.

 

A liderança cobra investimento em um trabalho conjunto entre o Poder Público e os Povos Originários, já que o relato de indígenas sobre as constantes ameaças de invasores aos órgãos federais não foi capaz de impedir novos ataques.

 

— Os órgãos foram avisados que corríamos risco de sermos atacados a qualquer momento. Não sabemos avaliar se foi uma omissão ou se as denúncias não foram levadas a sério — pontua.

 

O início do conflito de terras na região se deu porque, com a construção de Itaipu, indígenas precisaram ser removidos do local e espaços considerados sagrados, como cemitérios e casas de reza, foram inundados. Muitos avás-guaranis foram assentados em Guaíra e disputam terras com fazendeiros locais.

 

Na terça-feira, a Justiça Federal do Paraná determinou a ampliação do efetivo de forças policiais nos municípios de Guaraí e Terra Roxa para proteção da comunidade Yvy Okaju. Por decisão do juiz Pedro Pimenta Bossi, titular da 3ª Vara Federal de Umuarama, agentes da PF e da Força Nacional "deverão permanecer no local enquanto persistirem ameaças aos povos originários".

 

Lentidão na demarcação

A área em questão está dentro da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, que foi identificada e delimitada em relatório publicado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2018. Os estudos para identificação da TI tiveram início em 2009, ou seja, foram quase dez anos até a publicação do relatório.

 

Desde então, não houve mudanças no cenário. Uma ação impetrada pelo município de Guaíra e pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná, que alegavam não terem participado do processo de definição do território, levou à suspensão dos efeitos do relatório, em caráter limintar, pela Justiça Federal. Por isso, os indígenas locais seguiram vivendo nos pequenos espaços das atuais aldeias, sem que houvesse demarcação.

 

Em 2020, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin suspendeu o andamento de processos judiciais que questionam Terras Indígenas até a conclusão pela Corte do julgamento de todos os pontos e recursos sobre o Marco Temporal.

 

"Os Avá-Guarani vivem em condições de extrema vulnerabilidade, de fome, de acesso precário à água, sem espaço para plantar, sendo constantemente humilhados nas cidades do entorno, ainda precisam suportar seguidos episódios de lideranças ameaçadas, (...) com forte participação de sindicatos rurais e políticos locais", afirma a assessoria jurídica da Comissão Guarani Yvyrupa. 

 

Em nota, a Funai afirmou que "está em constante diálogo com órgãos e instituições competentes para equacionar os conflitos" na TI.

 

Promessa de campanha

Promessa de Lula durante a campanha eleitoral de 2022, a demarcação de Terras Indígenas virou uma pedra no sapato da gestão petista. Logo após a vitória nas urnas, o presidente constituiu uma equipe para levantar 14 territórios que aguardavam apenas um decreto presidencial para concluir o processo de demarcação.

 

Lula se comprometeu a tirá-las do papel nos cem primeiros dias do governo, mas o prazo não foi cumprido em grande parte dos casos. Passados dois anos da gestão, um desses 14 territórios ainda não foi homologado e se encontra em um impasse: Xucuru-Kariri, em Alagoas. O movimento indígena se queixa do atraso e do avanço do garimpo em suas terras.

 

A Funai afirma que, além das novas homologações, o governo federal "avançou na promoção dos direitos territoriais indígenas por meio da assinatura de portarias que garantem o andamento do processo demarcatório". Também houve no período 11 declarações de TI, etapa anterior à homologação até a demarcação das terras.

 

O líder indígena Karai Okaju avalia que "nenhum governo até hoje deu terras aos povos originários", o que impede que haja decepção com o governo Lula. O ativista ressalta, entretanto, que os povos esperavam uma melhoria na garantia dos direitos dos povos indígenas que ainda "não ocorreu":

 

— Todas as terras indígenas foram conquistadas a partir do derramamento de sangue e perdas irreparáveis. Não estamos decepcionados com o governo porque não esperamos melhorias sem que haja essas perdas no caminho.

 

Ataques contra indígenas Avá Guarani no oeste do Paraná

Um ano após pacto por retomada de obras, governo Lula conclui menos de 10% dos projetos inacabados na educação

Por  e — Brasília / O GLOBO

 

 

 

Pouco mais de um ano após o Pacto Nacional pela Retomada de Obras Inacabadas ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, menos de 10% das obras em educação foram concluídas, segundo painel do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Os dados mostram que das 3.784 construções que entraram no programa, 268 foram entregues.

 

A lei, que prevê a retomada de obras inacabadas nas áreas de educação e saúde, começou a vigorar em 1° de novembro de 2023. Somente na área de educação, o investimento é de cerca de R$ 4,1 bilhões para construções como creches, quadras e coberturas, reformas ou ampliações e novas escolas do ensino fundamental e ensino profissionalizante.

 

O “pacto” prevê que os empreendimentos sejam concluídos em até dois anos após a sua publicação, com possibilidade de prorrogação uma vez pelo mesmo prazo. Contudo, após mais da metade do tempo limite estabelecido, 1.597 obras da educação estão inacabadas e 722 paralisadas, enquanto 939 se encontram em andamento. Outras 258 foram canceladas nessa área.

 

Retomar obras paralisadas por governos anteriores, sobretudo em educação, é uma promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o início da sua terceira gestão. Ao longo de 2023 e 2024, o petista criticou por diversas vezes em discursos os seus antecessores por atrasos em obras financiadas com recursos federais.

 

— Encontramos no Ministério da Educação, entre creches e escolas; e UBS (unidade básica de saúde) e UPAs (unidades de pronto atendimento) na saúde, mais de seis mil obras paradas. E muitas delas nós tivemos que refazer contrato para que pudéssemos retomá-las — disse Lula em uma das declarações, em julho de 2024.

 

Os dados do FNDE analisados pelo GLOBO mostram que a cidade com o maior número de obras que aderiram ao pacto é Breves (PA), com 28. Nenhuma delas foi concluída até agora. De acordo com informações no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec), 13 foram interrompidas por descumprimento de contrato, mas também há casos de falha na execução de serviços e problemas de infraestrutura.

 

Aval do FNDE

Outro fator que contribui para a demora no avanço dos empreendimentos é o fato de que, das 3.784 obras em relação às quais municípios manifestaram interesse de adesão no pacto, menos da metade (1,4 mil) já recebeu aval do FNDE para que houvesse algum tipo de avanço.

 

Procurado, o Fundo afirmou que a vigência do Pacto levou a uma redução no número de obras sem andamento.

 

“Desde a criação do pacto, houve uma redução significativa no número de obras educacionais paralisadas e inacabadas. Em janeiro de 2023, 5.642 obras estavam nessa situação”, disse o FNDE, acrescentando que os empreendimentos retomados incluem “escolas, creches e quadras esportivas, entre outras estruturas essenciais para a educação básica”. O Fundo afirmou ainda que atua “no apoio técnico e financeiro aos entes federativos para viabilizar a retomada e conclusão dessas construções” e que a responsabilidade de execução e entrega cabe aos estados e municípios.

 

O governo reforça ainda que a execução — incluindo licitações e construções — é responsabilidade dos estados e municípios, e que, fora do âmbito do pacto, a gestão Lula “já entregou 631 obras educacionais em 2023, com um investimento superior a R$ 650 milhões em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal”.

 

Entre os estados, aquele com o maior número de obras no plano é o Maranhão, com 737. Até agora, apenas 37 dessas estão concluídas na região, enquanto 205 estão paralisadas ou foram canceladas. Entre as obras paralisadas no estado consta uma creche em Lago do Junco, a 318 km de São Luís, pactuada no valor de R$ 1,8 milhão, mas com as obras abandonadas pela empresa. As imagens publicadas na última vistoria feita pelo FNDE mostram apenas o esqueleto do que deveria ser uma unidade escolar em funcionamento.

O mesmo ocorre com o que deveria ser uma creche no município de Bom Jardim. Por lá, apenas 16% da obra haviam sido concluídos, de acordo com inspeção feita em dezembro. A obra, cujo orçamento também é de R$ 1,8 milhão, foi iniciada em 2020; o FNDE repassou, em 2019, R$ 276 mil para a construção da unidade.

 

Também com a obra paralisada pelo abandono da empresa contratada está uma escola de 12 salas em Piritiba, na Bahia. Assim como em Lago do Junco, no Maranhão, a obra está com apenas 30% da sua execução completa. Ao todo, a escola deveria custar R$ 4,4 milhões, segundo o convênio assinado em 2020.

 

Em Roca Sales, no Rio Grande do Sul, outra escola de 12 salas teve sua obra paralisada por rescisão do contrato. O termo de convênio da cidade com o governo federal, entretanto, é ainda mais antigo, de 2018. De acordo com informações do Simec, o contrato foi assinado em 2020, com previsão de entrega em até dois anos, em 2022. Mas, até agora, apenas 9% da obra foram concluídos. Imagens da obra, fotografadas por técnicos do FNDE, mostram que os trabalhadores não tinham ainda iniciado sequer a subir as paredes da escola. Procuradas, as prefeituras citadas não se manifestaram.

 

Creches e falta de vagas

A maior parte das obras em educação repactuadas é formada por creches, sendo 1.318. Destas, somente 99 foram finalizadas, enquanto a maior parte está inacabada (547), em andamento (329) ou paralisada (241). Há, ainda, 102 obras de creches canceladas.

 

Um levantamento feito pelo pelo Gabinete de Articulação pela Efetividade da Política da Educação no Brasil (Gaepe-Brasil) em parceria com o MEC e outras instituições públicas mostrou que, até agosto de 2024, o Brasil tinha cerca de 632 mil registros de crianças em fila de espera para creches.

 

Segundo a pesquisa, 2.445 cidades (44%) afirmaram enfrentar esse problema. Desse total, 88% dos municípios alegaram que o motivo da demora seria a insuficiência de vagas. (MINHA VISÃO: DIZER NÃO É FAZER MAS, FAZER É DIZER TÁ PRONTA)

 

Obra de creche no município de Bom Jardim, no Maranhão, estado que mais projetos no plano do governo federal

Planalto busca na oposição votos para garantir aprovação de projetos do governo Lula na Câmara

Por Hugo Henud / O ESTADÃO DE SP

 

 

Nos dois primeiros anos do governo Lula, partidos de oposição como PL, Republicanos e PP contribuíram, em média, com 34% dos votos totais a favor de projetos de interesse do Palácio Planalto em votações realizadas na Câmara dos Deputados. Os dados reforçam padrão identificado em pesquisa exclusiva da USP, que mostra como os presidentes brasileiros, ao longo da história, têm dependido cada vez mais de coalizões informais — apoios vindos de fora da base governista — para viabilizar a aprovação de pautas cruciais no Congresso Nacional.

O levantamento, realizado entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, definiu como partidos da coalizão presidencial as siglas que se declaram governistas ou possuem ministérios no governo desde o início do mandato de Lula III. Já os partidos de oposição foram classificados como aqueles que não integram formalmente a base governista, mesmo tendo assumido pastas ao longo desses dois anos, como o PP e o Republicanos, que, apesar de liderarem os ministérios dos Portos e Aeroportos e do Esporte, respectivamente, mantiveram, na maior parte do tempo, uma atuação predominantemente oposicionista nas votações realizadas na Câmara.

 

Entre as siglas de oposição que mais contribuíram com o Planalto nos dois primeiros anos de governo está o PP, que, em média, seguiu a orientação oficial do governo em 10% das votações. A contribuição reflete o índice de governismo da legenda liderada por Arthur Lira, calculado em 74%, conforme dados do Radar do Congresso. O indicador avalia o grau de alinhamento de partidos às orientações do governo a partir das votações nominais — decisões em que cada parlamentar registra seu voto de forma individual e pública no Congresso. Assim, votos alinhados, seja a favor ou contra, aumentam a taxa, enquanto divergências, abstenções ou ausências a reduzem.

 

O Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, contribuíram, respectivamente, com 9% e 8,5% dos votos em favor do governo. Em seguida, aparecem o Podemos (2,5%), PSDB (2,5%), Cidadania (1%) e Novo (1%). Siglas cujos parlamentares não atingiram o número mínimo de participações em votações nominais para o cálculo do índice de governismo, como PTB, PSC, Pros e Patriota, não foram consideradas. Esses percentuais refletem o peso de cada partido no conjunto dos 34% provenientes da oposição.

 

Entre as pautas que só avançaram com apoio significativo da oposição estão a reforma tributária, que simplifica e unifica impostos no Brasil, e a reforma da Previdência, que alterou as regras de aposentadoria, elevando a idade mínima e o tempo de contribuição para trabalhadores do setor público e privado. Ambas as pautas, consideradas estruturais, só foram aprovadas graças à articulação que contou com votos de partidos fora da base governista, explica Pedro Assis, pesquisador da USP e um dos autores da pesquisa.

 

Assis destaca que, desde o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o estudo identificou que os votos dos partidos que compõem o presidencialismo de coalizão — sistema no qual o governo forma alianças com diferentes siglas para garantir maioria no Congresso — não são suficientes para assegurar a aprovação da agenda presidencial na Câmara. “Os presidentes precisam do apoio do que chamamos de coalizões informais, formadas por partidos de oposição, para garantir a aprovação de pautas cruciais”, explica o pesquisador.

A pesquisa revela que, caso os mandatos presidenciais dependessem exclusivamente dos votos dos partidos que integram as coalizões formais — ou seja, a base governista —, a taxa de sucesso do Executivo nas votações cairia de 92% para 66%. O professor de ciência política da USP, Glauco Peres, ressalta que esses dados mostram como os presidentes brasileiros enfrentam uma crescente dependência de apoios fora da base oficial para garantir governabilidade. “Identificamos que cada vez mais a base governista depende de coalizões informais”, resume Peres.

 

Mudanças na relação entre Legislativo e Executivo

Para o professor de ciência política do IDP, Vinicius Alves, a crescente dependência dos presidentes de coalizões informais para aprovar leis ou matérias de interesse reflete uma mudança na correlação de forças entre o Executivo e o Legislativo nos últimos anos. Alves destaca que essa transformação foi impulsionada pelo aumento no número de partidos, intensificando a fragmentação partidária e dificultando a formação de coalizões estáveis.

 

“O fato de o presidente recorrer sistematicamente a apoios fora da base governista para aprovar projetos é um reflexo das características do sistema político brasileiro, marcado por alta fragmentação e multipartidarismo. Esse cenário exige negociações mais complexas, ampliando o peso das coalizões informais”, observa.

 

O professor de ciência política da USP, Sergio Simoni Junior, concorda e acrescenta que alterações em mecanismos institucionais contribuíram para enfraquecer a autonomia do Executivo. Entre as mudanças estão o novo trâmite das medidas provisórias, a revisão dos vetos presidenciais e as emendas parlamentares, que passaram a ser, em parte, impositivas — ou seja, de pagamento obrigatório.

 

“Embora existam temas que a oposição apoie por concordância, em muitos casos, o governo controla o timing de liberação das emendas para garantir apoio às suas pautas, o que frequentemente ocorre às vésperas de votações importantes”, explica Simoni.

 

Como mostrou o Estadão, o governo desembolsou, por exemplo, R$ 7,1 bilhões em emendas em apenas dois dias para tentar destravar o pacote de corte de gastos no Congresso Nacional.

 

Partidos mais fiéis ao governo

Quando considerado o índice de governismo — que mede o grau de alinhamento dos parlamentares com a orientação do governo em votações na Câmara —, os partidos que mais apoiaram o Planalto em 2023 e 2024 foram aqueles que integram a base de Lula. Entre eles, destacam-se o PT, PCdoB e PV, com aproximadamente 97% de fidelidade. Na sequência, aparecem o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, com 94%; o PDT, com 91%; a Rede, com 89%; o Avante e o Solidariedade, com 87% e 85%, respectivamente; e o PSOL, com 80%.

 

Ainda na base do governo estão o PSD, liderado por Gilberto Kassab, que comanda três pastas (Agricultura e Pecuária; Minas e Energia; e Pesca e Aquicultura) e apresentou 81% de adesão ao Planalto nas votações. O MDB, responsável pelos ministérios das Cidades, Planejamento e Orçamento e Transportes, registrou 80% de fidelidade ao governo. O União Brasil, que também ocupa três ministérios (Turismo, Comunicações, além de indicar o ministro para Integração e Desenvolvimento Regional), demonstrou 67% de alinhamento.

 

Apesar dos comandos das pastas, o União Brasil tem entregado menos votos ao Planalto na Câmara do que outras siglas com ministérios no governo. Os dados reforçam que o partido não consolidou uma aliança plena com o governo, em parte devido à presença de parlamentares contrários ao PT, como Kim Kataguiri e Rosângela Moro, que apresentaram índices de governismo de apenas 26% e 32%, respectivamente. Desde o início do mandato de Lula, a maioria dos integrantes da legenda votou, por exemplo, pela derrubada dos decretos do marco temporal, do marco do saneamento e do veto presidencial que mantinha as saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”.

 

O caso do União Brasil exemplifica a nova dinâmica de negociação entre Executivo e Legislativo, na qual a distribuição de cargos em ministérios já não é suficiente para compor interesses e garantir vitórias no Congresso, nem mesmo entre partidos que integram a base governista. “A forma mais caricata do funcionamento do presidencialismo de coalizão era: o presidente distribuía ministérios, e os parlamentares, em sua maioria, automaticamente apoiavam as propostas do governo”, explica o professor Sergio Simoni Junior, ressaltando que, apesar da reforma ministerial prevista por Lula para 2025 — destinada a ampliar a base aliada e assegurar respaldo às pautas governistas — esse modelo, por si só, não é suficiente para garantir apoio consistente na Câmara e Senado.

 

Simoni destaca que a coalizão informal, formada com apoio da oposição, tem ganhado cada vez mais relevância à medida que a base governista se reduz, exigindo mudanças na dinâmica tradicional do presidencialismo de coalizão. “As bases de negociação mudaram, os partidos que compõem a base não é garantia de disciplina total em votações; são fatores que trazem mais desafios tanto para Lula quanto para os próximos presidentes”, completa.

 

 

 

Presidência do IBGE anuncia trocas em diretoria em meio a crise interna

Leonardo Vieceli / FOLHA DE SP

 

 

A presidência do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou na noite desta segunda-feira (6) duas trocas no comando da DPE (Diretoria de Pesquisas).

A servidora Elizabeth Hypolito deixará o cargo de diretora do setor. Ela será substituída pelo técnico Gustavo Junger da Silva, que também trabalha no IBGE. Elizabeth havia sido indicada para o posto em janeiro do ano passado.

A presidência do instituto também confirmou que João Hallak Neto deixará o cargo de diretor-adjunto na DPE. Ele será substituído pelo servidor Vladimir Gonçalves Miranda.

A transição dos dois cargos ocorrerá a partir da próxima semana, disse a presidência do IBGE em nota. As mudanças ocorrem após a explosão de uma crise interna no instituto. A turbulência se estende desde setembro do ano passado.

Servidores reclamam de medidas tomadas pela gestão do economista Marcio Pochmann, que preside o IBGE desde agosto de 2023, e cobram mais diálogo com ele. A gestão de Pochmann já afirmou "refutar com firmeza as infundadas acusações de comportamento autoritário".

A nota divulgada pela presidência não cita os motivos das trocas na DPE, mas fontes que acompanham o dia a dia do órgão veem reflexos de divergências com a atual gestão do instituto. A Folha apurou que a decisão pela saída de Elizabeth e João do comando da DPE partiu dos próprios servidores. Os técnicos não se manifestaram publicamente sobre o assunto.

A reportagem perguntou à assessoria do IBGE os motivos das trocas, mas não recebeu retorno até a publicação deste texto.

Quem acompanha o IBGE não descarta novas mudanças em breve, inclusive na Diretoria de Geociências, uma das principais do instituto, ao lado da DPE.

"A presidência agradece aos servidores Elizabeth Hypolito e João Hallak, que seguem colaborando com o instituto e com a Diretoria de Pesquisas, por sua contribuição e préstimos no período, ao mesmo tempo em que congratula os servidores Gustavo Junger e Vladimir Gonçalves Miranda desejando-lhes excelente condução na continuidade dos trabalhos da DPE", afirma a nota divulgada pelo instituto.

Uma das medidas que irritaram os servidores do IBGE foi a criação de uma fundação pública de direito privado vinculada ao órgão de pesquisas, a IBGE+.

Seu estatuto abre possibilidade para realização de trabalhos para organizações públicas ou privadas. A IBGE+ chegou a ser apelidada por críticos de "IBGE paralelo". Em novembro, Pochmann rebateu as manifestações.

O economista disse à época que as críticas eram "naturais" porque a fundação se trata de "um instrumento inovador". "Toda inovação tem, certamente, questões a serem melhor identificadas", afirmou.

Outro projeto contestado foi o plano de mudança dos servidores que atuam em um prédio alugado pelo IBGE na avenida Chile, no centro do Rio, para um imóvel do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) no Horto, na zona sul.

O novo endereço é considerado de difícil acesso via transporte público. Pochmann afirmou em novembro que a possível ida para o Serpro seria temporária. A ideia, segundo ele, era economizar com aluguel e, mais tarde, levar funcionários da avenida Chile para um endereço próprio do IBGE, a ser reformado também no Rio.

QUEM SÃO OS NOVOS DIRETORES

Gustavo Junger, que assumirá o cargo de diretor de Pesquisas, é servidor do instituto desde 2006. Atualmente, trabalha na coordenação técnica do Censo Demográfico na DPE. Já Vladimir Miranda, que será o diretor-adjunto, integra o corpo técnico do IBGE desde 2010. Atualmente, está na Gerência de Planejamento Conceitual da DPE.

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