Mutação partidária
A Câmara dos Deputados que acaba de ser eleita no Brasil está mais à direita e apresenta a menor fragmentação partidária desde 2006. A eleição consolida mudanças percebidas desde 2014, com a implosão do sistema de partidos dominantes entre 1990 e 2010.
O bloco de partidos associado à ascensão de Jair Bolsonaro (PL) obteve o avanço mais significativo. Trata-se do grupo formado por PL, União Brasil (fusão de DEM e PSL) e PP, central na coalizão do governo.
Essas legendas obtiveram 205 cadeiras, ante 152 há quatro anos. Tais números em parte exageram o sucesso eleitoral do trio, já que, entre 2019 e 2022, o número de deputados nessas siglas subiu para 185.
Os dados indicam, de todo modo, que elas foram capazes de agregar parlamentares, reelegê-los e ainda avançar sobre territórios alheios.
A proximidade do poder, o interesse em abocanhar mais fundos partidários e emendas ao Orçamento, além da afinidade ideológica, contribuem para explicar esse movimento de agregação.
A fragmentação caiu, medida pelo chamado número efetivo de partidos —cálculo da ciência política que leva em conta a quantidade de legendas e seu tamanho relativo.
A Câmara fragmentou-se de modo expressivo a partir de 2006. O número efetivo de partidos cresceu de 8,5, em 2002, para 16,6, em 2018. Pelas bancadas agora eleitas, a cifra voltou a 9,9.
Um novo sistema de partidos dominantes se formou. A partir de 1994, PMDB, PFL (depois DEM), PT e PSDB se alternaram entre as três maiores legendas. Até 2010, tinham em média 48% das cadeiras.
No início da implosão, em 2014, as três maiores legendas passaram a contar com apenas 32% dos deputados. Nesta eleição, contam com 44%. Os partidos dominantes agora são PL, PT e União Brasil.
A bancada do PT aumentou dos 54 eleitos de 2018 para os 68 deste pleito. Mas os partidos comumente associados à esquerda perderam espaço: de 151 eleitos há quatro anos para 132 (são atualmente 129).
Dos ainda excessivos 23 partidos que elegeram deputados, ao menos 6 não atingiram os requisitos da cláusula de barreira. Outros 5, ora integrantes de federações, estão ameaçados como partidos independentes. Há mais legendas próximas do limite de perder verbas e tempo de TV, caso mantenham seu desempenho.
Em resumo, o domínio que se configura é de partidos antes auxiliares nas coalizões de governo, do dito centrão, associados a direitistas que obtiveram ou confirmaram seus mandatos na onda bolsonarista. A tendência parece de concentração, dados os incentivos do sistema político, a força do conservadorismo e a correta e bem-sucedida cláusula de barreira.
Genial/Quaest: Lula tem 48% das intenções de voto; Bolsonaro, 41%
Na primeira rodada da pesquisa Genial/Quaest para o segundo turno, divulgada nesta quinta-feira, 6, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48% das intenções de voto, ante 41% do candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Em relação aos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o petista tem 54% e o presidente, 46%.
A margem de erro é de 2 pontos porcentuais. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas entre 3 e 5 de outubro. O registro do levantamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-07940/2022.
Indecisos representam 7% da amostra. Pessoas que declaram pretender votar branco ou nulo são 4%.
No primeiro turno, Lula obteve 57,2 milhões de votos válidos, ou 48,43% do contabilizado pela Justiça Eleitoral. Bolsonaro, candidato à reeleição, recebeu 51 milhões de votos, ou 43,20% do total.
Os números foram divergentes com os dados divulgados na véspera do primeiro turno por parte de pesquisas. Após a eleição do dia 2 de outubro, o ministro da Justiça, Anderson Torres, pediu à Polícia Federal para que investigue os institutos de pesquisa.
Nesta quinta-feira, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) vai se reunir às 18h com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para apresentar pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os institutos de pesquisa de intenção de voto. O documento já foi protocolado na Secretaria Geral da Mesa da Casa assinado por 29 parlamentares, duas a mais que o mínimo necessário.
O ESTADÃO SP
Lula sobre Bolsonaro: 'Quem tiver uma gota de sangue nordestino não pode votar nesse negacionista'
Por Malu Mões — São Paulo O GLOBO
Candidato ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira a fala do presidente Jair Bolsonaro (PL) que relacionou a taxa de analfabetismo no Nordeste com o melhor desempenho de Lula na região. Nesta manhã, Bolsonaro culpou os governos estaduais de esquerda na região pelo índice na educação e por "dados econômicos inferiores".
— Eu queria pedir a vocês que fizessem um telefonema para os parentes de vocês no Nordeste. Quem tiver uma gota de sangue nordestino não pode votar nesse negacionista monstro que governa esse país — discursou Lula em seu primeiro ato de rua durante o segundo turno em seu berço político, São Bernardo do Campo (SP).
Bolsonaro deu a declaração sobre analfabetismo no Nordeste nesta manhã:
— Lula venceu em 9 dos 10 estados com maior taxa de analfabetismo. Vocês sabem quais são os estados? No nosso Nordeste. Não é só a taxa analfabetismo alta o mais grave nesses estados. Outros dados econômicos agora também são inferiores nas regiões, porque esses estados no Nordeste estão há 20 anos sendo administrados pelo PT — disse o presidente Bolsonaro.
O desempenho de partidos de esquerda é, tradicionalmente, melhor nos estados da região, tanto nas eleições presidenciais quanto nos governos estaduais. No primeiro turno deste ano, Lula venceu em todo o Nordeste e, dos quatro governadores já eleitos, em Piauí, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte, três são petistas e um é filiado ao PSB. Bolsonaro disse que a influência da esquerda local contribui para o índice de analfabetismo.
— Esses estados no Nordeste estão há 20 anos sendo administrados pelo PT. Onde a esquerda entra, leva o analfabetismo, leva a falta de cultura, leva o desemprego, leva a falta de esperança. É assim que age a esquerda no mundo todo. Por isso que o Nordeste está atrás de quase todos os índices levando em conta os outros estados. Porque sempre a esquerda dominou — completou Bolsonaro.
Lula afirmou que as pessoas não são analfabetas "porque querem" ou "por sua responsabilidade". Defendendo o investimento em educação no seu governo, disse que "foi um metalúrgico quase que analfabeto que trouxe a universidade para cá (ABC paulista)", em autorreferência. O petista, que nasceu no interior de Pernambuco, também saiu em defesa de sua região:
— Ele (Bolsonaro) tem que saber que nós, nordestinos, ajudamos a construir cada metrô de asfalto desse país. Eles têm que saber que nós não queremos mais passar fome. Nós não queremos apenas ser pedreiros, queremos ser engenheiros.
ESTE É Lula sobre Bolsonaro: 'Quem tiver uma gota de sangue nordestino não pode votar nesse negacionista'
Por Malu Mões — São Paulo / O GLOBO
Candidato ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira a fala do presidente Jair Bolsonaro (PL) que relacionou a taxa de analfabetismo no Nordeste com o melhor desempenho de Lula na região. Nesta manhã, Bolsonaro culpou os governos estaduais de esquerda na região pelo índice na educação e por "dados econômicos inferiores".
— Eu queria pedir a vocês que fizessem um telefonema para os parentes de vocês no Nordeste. Quem tiver uma gota de sangue nordestino não pode votar nesse negacionista monstro que governa esse país — discursou Lula em seu primeiro ato de rua durante o segundo turno em seu berço político, São Bernardo do Campo (SP).
Bolsonaro deu a declaração sobre analfabetismo no Nordeste nesta manhã:
— Lula venceu em 9 dos 10 estados com maior taxa de analfabetismo. Vocês sabem quais são os estados? No nosso Nordeste. Não é só a taxa analfabetismo alta o mais grave nesses estados. Outros dados econômicos agora também são inferiores nas regiões, porque esses estados no Nordeste estão há 20 anos sendo administrados pelo PT — disse o presidente Bolsonaro.
O desempenho de partidos de esquerda é, tradicionalmente, melhor nos estados da região, tanto nas eleições presidenciais quanto nos governos estaduais. No primeiro turno deste ano, Lula venceu em todo o Nordeste e, dos quatro governadores já eleitos, em Piauí, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte, três são petistas e um é filiado ao PSB. Bolsonaro disse que a influência da esquerda local contribui para o índice de analfabetismo.
— Esses estados no Nordeste estão há 20 anos sendo administrados pelo PT. Onde a esquerda entra, leva o analfabetismo, leva a falta de cultura, leva o desemprego, leva a falta de esperança. É assim que age a esquerda no mundo todo. Por isso que o Nordeste está atrás de quase todos os índices levando em conta os outros estados. Porque sempre a esquerda dominou — completou Bolsonaro.
Lula afirmou que as pessoas não são analfabetas "porque querem" ou "por sua responsabilidade". Defendendo o investimento em educação no seu governo, disse que "foi um metalúrgico quase que analfabeto que trouxe a universidade para cá (ABC paulista)", em autorreferência. O petista, que nasceu no interior de Pernambuco, também saiu em defesa de sua região:
— Ele (Bolsonaro) tem que saber que nós, nordestinos, ajudamos a construir cada metrô de asfalto desse país. Eles têm que saber que nós não queremos mais passar fome. Nós não queremos apenas ser pedreiros, queremos ser engenheiros.
Pesquisa Quaest: Lula tem 48% contra 41% de Bolsonaro no primeiro levantamento do 2º turno
Por O Globo — São Paulo
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto no segundo turno da disputa presidencial, enquanto Jair Bolsonaro (PL), atual presidente e candidato à reeleição, tem 41%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.
Indecisos somam 7% na pesquisa, enquanto 4% pretendem votar branco ou nulo.
Em votos válidos, que excluem os branco, nulos e os indecisos, Lula teria hoje 54%, enquanto Bolsonaro chegaria a 46%. A rejeição de Bolsonaro caiu de 55% para 50%, enquanto que a de Lula oscilou dentro da margem de erro, passando de 44% para 41% o percentual de eleitores que não votariam de jeito nenhum no petista.
Os números de rejeição da Genial/Quaest, porém, não podem ser comparados diretamente com outras pesquisas presenciais como Ipec e Datafolha porque a pergunta é feita individualmente sobre cada candidato, o chamado potencial de voto que investiga rejeição, mas também certeza de voto. Já Ipec e Datafolha usam a modalidade de rejeição múltipla, na qual os entrevistados podem escolher mais de um candidato para rejeitar na mesma lista.
O candidato do PL à reeleição conseguiu melhorar a opinião do eleitor sobre seu governo. A avaliação negativa voltou a recuar e está em 38%, contra 35% de avaliação positiva, melhor resultado da série histórica.
Para metade dos entrevistados, Bolsonaro merece um segundo mandato, avanço de seis pontos em relação à pesquisa anterior, contra 48% que não consideram ele merecedor de uma segunda chance, recuo de seis pontos. Para 51%, Lula merece voltar à Presidência, uma oscilação negativa de três pontos. Outros 46% consideram que não, variação positiva de dois pontos, dentro da margem de erro.
Votos por região
No Nordeste, Lula segue liderando com com folga. Ele tem 62% dos votos na região. Mas houve um recuou considerável de nove pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, enquanto Bolsonaro avançou sete pontos e marca agora 29% das intenções de voto.
No Sul, o candidato do PL abriu 15 pontos de vantagem sobre Lula. Ele tem 53% contra 38% de Lula, mostra a pesquisa. O Sudeste continua a região decisiva para o resultado da corrida presidencial, segundo a Quaest, com empate pela quinta rodada consecutiva.
Lula segue preferido pelas mulheres (52% a 38%), mas perdeu a vantagem entre os homens e agora tem o mesmo que Bolsonaro, 45% das intenções de voto. Por faixa de renda, Lula tem a preferência de 56% dos eleitores que ganham até dois salários mínimos, contra 34% de Bolsonaro. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, há empate técnico: 48% a 41%, com vantagem para Bolsonaro.
Motivo do voto
A Quaest também perguntou qual o principal motivo do voto de cada eleitor agora no segundo turno. Entre os que declaram preferência por Lula, 42% dizem que vão escolher o petista para tirar Bolsonaro do governo. Já entre os eleitores de Bolsonaro, 45% votam nele para impedir a volta do PT.
Busca por apoio
Lula e Bolsonaro deram largada no segundo turno buscando apoio de personalidades políticas e de governadores. O petista conseguiu na quarta-feira que a emedebista Simone Tebet (MS), que terminou em terceiro lugar na disputa, declarasse apoio à sua candidatura. O ex-presidente também teve voto declarado do PDT, de governadores como Helder Barbalho (MDB) e de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), além de outros tucanos históricos.
Já Bolsonaro, saiu na frente nos três maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. E também confirmou o apoio dos governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), todos reeleitos.
A 21ª rodada da pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.000 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 10 e 13 de setembro, em entrevistas nas casas dos eleitores em 27 estados. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro máxima de 2%, para cima ou para baixo, em relação ao total da amostra.

