PDT no Ceará perde para o PSB mais da metade dos prefeitos eleitos em 2020
Antes o maior partido do Ceará, o PDT perdeu 53% dos prefeitos eleitos pela legenda nas eleições municipais de 2020 para o PSB. O partido comandado por Eudoro Santana (PSB) tem agora o maior número de prefeituras no Ceará — são 61, no total. Destas, 37 são comandadas por ex-pedetistas.
A guinada do PSB acontece após a chegada do senador Cid Gomes (PSB) ao partido. A filiação do ex-governador no último domingo (4) foi acompanhada por autoridades nacionais, como a ex-governadora e secretária-executiva do Ministério da Educação, Izolda Cela (PSB), e também por gestores municipais cearenses. No total, 40 prefeitos seguiram o senador no retorno ao PSB.
É prevista ainda uma nova leva de filiações, desta vez de deputados estaduais e federais. No entanto, os parlamentares ainda aguardam autorização da Justiça Eleitoral para deixarem o partido sem risco aos mandatos.
DESIDRATAÇÃO NO PDT
O processo de desidratação do PDT, no entanto, não começou em 2024. Prefeitos eleitos pelo partido começaram a deixar as fileiras da sigla após o anúncio do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) como candidato ao Governo do Ceará.
A escolha pedetista acabou causando o racha entre o partido e o PT, que escolheu o então deputado estadual Elmano de Freitas (PT) para concorrer ao Palácio da Abolição.
A ruptura entre os dois partidos iniciou um movimento entre gestores municipais cearenses, que deixaram as siglas do arco de aliança de Roberto Cláudio para apoiar o candidato petista. Com o aprofundamento da crise interna do PDT em 2023, o movimento de saída do partido continuou.
Durante todo o ano, o partido se dividiu entre os aliados ao senador Cid Gomes — que defendiam a retomada da aliança entre PT e PDT — e aqueles alinhados ao presidente nacional interino, o deputado federal André Figueiredo, além do ex-ministro Ciro Gomes e do ex-prefeito Roberto Cláudio, que defendem que o partido esteja na oposição ao Governo Elmano.
O embate entre os dois grupos chegou à Executiva nacional do PDT e teve reflexos judiciais, com a presidência do PDT Ceará sendo disputada em processos apresentados à Justiça.
Com a decisão de deixar o PDT, o senador Cid Gomes foi acompanhado por um grupo de prefeitos, vice-prefeitos e lideranças municipais. A perspectiva é de que vereadores em diferentes municípios também deixem o PDT no período da janela partidária — quando existe a possibilidade de trocar de legenda sem risco ao mandato.
Da bancada estadual, 9 deputados e 4 suplentes pedetistas ingressaram com ação na Justiça Eleitoral pedindo a desfiliação. A perspectiva é de que 4 dos cinco deputados federais do PDT façam movimento semelhante — a exceção é o deputado André Figueiredo, que está no comando nacional do partido.
PEDETISTAS CHEGAM AO PSB
Em 2020, o PDT saiu das eleições municipais como maior partido do Ceará em número de prefeituras. Dos 184 municípios, 66 passaram a ser comandados por pedetistas a partir de 2021, incluindo a capital Fortaleza. De lá para cá, no entanto, o PDT perdeu fôlego.
O principal beneficiado foi o PSB. Desde o último domingo (4), o partido passou a ter o maior número de prefeituras: no total, são 61. Destas, apenas uma está sob impasse judicial. Em Santa Quitéria, Braguinha (PSB) segue afastado por decisão judicial e a cidade está sob comando da prefeita interina Lígia Potássio (PP).
Em comparação a 2020, o número de prefeitos pessebistas mais do que quintuplicou. Naquelas eleições, a sigla elegeu apenas 8 gestores municipais.
Dos 37 prefeitos que migraram do PDT para o PSB, 35 foram eleitos em 2020 pela sigla brizolista. Os outros dois gestores municipais assumiram a Prefeitura ao longo dos últimos quatro anos.
Eleita vice-prefeita de Ererê em 2020 pelo PDT, Emanuelle Martins assumiu a Prefeitura da cidade ainda em 2021, após a morte do prefeito eleito Otoni Queiroz (PDT). Já em Missão Velha, Dr. Lorim foi eleito prefeito pelo PDT nas eleições suplementares realizadas em agosto de 2021, após a cassação de Dr. Washington (MDB).
VEJA A LISTA COMPLETA DOS PREFEITOS QUE MIGRARAM DO PDT PARA O PSB:
- Edilberto Beserra, prefeito de Acarape
- Joaquim do Quinca, prefeito de Alcântaras
- Liborio, prefeito de Assaré
- Edinho Nobre, prefeito de Banabuiu
- Netim Morais, prefeito de Bela Cruz
- Gislaine Landim, prefeita de Brejo Santo
- Betinha, prefeita de Camocim
- Simone Tavares, prefeita de Caridade
- Edmilson Leite, prefeito de Caririaçu
- Ravenna Lima, prefeita de Catunda
- Joãozinho de Titico, prefeito de Cedro
- Gildecarlos, prefeito de Deputado Irapuan
- Emanuelle Martins, prefeita de Ererê
- Edinardo, prefeito de Forquilha
- Helton Luís, prefeito de Frecheirinha
- Íris Martins, prefeita de Hidrolândia
- Nezinho Farias, prefeito de Horizonte
- Frank Gomes, prefeito de Itaiçaba
- Elizeu Monteiro, prefeito de Itarema
- Edson Riva, prefeito de Jucás
- Roger Aguiar, prefeito de Marco
- Dr. Loirim, prefeito de Missão Velha
- Canarinho, prefeito de Mucambo
- Bruno Figueiredo, prefeito de Pacajus
- Raimundo Filho, prefeito de Jucá
- Beim, prefeito de Paracuru
- João Bosco Tabosa, prefeito de Pentecoste
- Neto Estevam, prefeito de Pereiro
- Bismarck Barros, prefeito de Piquet Carneiro
- Dra. Lívia Muniz, prefeita de Pires Ferreira
- Cirilo Pimenta, prefeito de Quixeramobim
- Davi Benevides, prefeito de Redenção
- Sávio Gurgel, prefeito de Russas
- Maurício Pinheiro, prefeito de Senador Pompeu
- Ivo Gomes, prefeito de Sobral
- Marcelo Mota, prefeito de Tamboril
- Elmo Monte, prefeito de Varjota
Conheça potenciais candidatos para prefeituras de capitais nas eleições de 2024
FOLHA DE SP
No próximo ano, em 6 de outubro, eleitores brasileiros vão se encontrar com as urnas para escolher os prefeitos e vereadores de todos os municípios do país que cumprirão mandato até 2028.
Após uma eleição nacional marcada pela polarização, a tendência é a de nacionalização das candidaturas, que terão disputas entre partidos da base de Lula (PT) e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As prefeituras costumam ser termômetro e palanque para o pleito nacional seguinte —neste caso, o de 2026.
Veja quais são os pré-candidatos de cada capital para a eleição municipal do ano que vem:
Lula vai agir para tentar tirar Tabata da eleição em SP, dizem petistas e pessebistas
No entorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na cúpula do PSB, uma investida direta do presidente para tentar convencer a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) a abrir mão de sua pré-candidatura para a Prefeitura de São Paulo para apoiar Guilherme Boulos (PSOL) é dada como certa.
Uma das possibilidades discutidas entre aliados do presidente seria um convite para que Tabata assumisse um ministério, que poderia ser o de Ciência e Tecnologia.
A pasta é comandada por Luciana Santos, que é do PC do B, um dos partidos da coligação do PT, o que poderia fazer com que a troca fosse menos traumática. Além disso, trata-se de área de interesse e de atuação parlamentar de Tabata.
Lula adotou a estratégia em 2022, quando pediu a Boulos e Márcio França (PSB) que abandonassem suas pré-candidaturas para o governo de São Paulo para apoiar Fernando Haddad (PT), que chegou ao segundo turno com o apoio dos dois, mas perdeu para Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Na capital, a saída de Tabata poderia, em tese, facilitar a tentativa de Lula de transformar a disputa municipal em um duelo entre ele e Jair Bolsonaro (PL), cujo apoio é pleiteado pelo atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB).
Na última semana, Lula disse que a eleição em São Paulo será "uma confrontação direta entre o ex-presidente e o atual presidente, é entre eu e a figura".
A aliança com Tabata também ampliaria o arco partidário de Boulos, que tem tentado transmitir a ideia de frente ampla contra o bolsonarismo, mas que até o momento conta com três partidos: PT, PDT e PSOL.
No grupo político da deputada e também no PSB, a avaliação é de que a pré-candidatura será levada a cabo, mesmo com possíveis pressões externas.
Na quinta-feira (25), Tabata fez o lançamento de sua pré-candidatura em São Paulo, com a presença do ministro Márcio França (Empreendedorismo), do apresentador José Luiz Datena (que poderá ser seu vice), de sua equipe de campanha e de pré-candidatos a vereador pelo PSB.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, membro do PSB, participou virtualmente do evento.
Em dezembro, durante reunião ministerial, Lula pediu esforço maior por um acordo entre candidatos de partidos do governo na eleição municipal de 2024. Dirigindo-se a Alckmin, citou especificamente o caso de São Paulo, onde, até o momento, eles ocuparão palanques diferentes.
De deputados a senador, 22 parlamentares já estão cotados como pré-candidatos a prefeituras no Ceará
No Ceará, há ao menos 22 parlamentares, entre deputados estaduais, federais e senadores, cotados para disputar o comando de prefeituras nas eleições de 2024. Outros estão envolvidos de maneira indireta na disputa, por meio de parentes e aliados pré-candidatos, a fim de manter a fidelidade nas bases eleitorais.
A estratégia não é nova e tem sido utilizada nos últimos pleitos eleitorais. Em 2020, ao menos 15 deputados – nenhum senador disputou eleição municipal – entraram na peleja, incluindo o atual governador Elmano de Freitas (PT), que concorreu à Prefeitura de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza enquanto era deputado estadual à época. Destes, seis obtiveram sucesso e deixaram seus postos na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e na Câmara Federal, abrindo espaço para suplentes assumirem vagas efetivas.
Os vitoriosos nas eleições municipais de 2020 foram:
- Roberto Pessoa (União): Maracanaú;
- Bruno Gonçalves (PL): Aquiraz;
- José Sarto (PDT): Fortaleza;
- Vitor Valim (PSB): Caucaia;
- Patrícia Aguiar (PSD): Tauá;
- Nezinho Farias (PT): Horizonte.
Dessa lista, apenas Vitor Valim não pretende disputar a reeleição em 2024. Os demais, em maioria, não só buscam repetir o feito de 2020 como também garantir a influência familiar no Legislativo no biênio seguinte, em dinâmica que se retroalimenta a cada pleito. Foi o que aconteceu em 2022.
Roberto Pessoa elegeu uma filha, Fernanda (União), à Câmara dos Deputados, e uma sobrinha, Emília Pessoa (PSDB), à Assembleia. Bruno Gonçalves foi eleito em dobradinha com o pai, Acilon Gonçalves (PL), na cidade vizinha de Eusébio, há quatro anos, e viu a mãe, Marta Gonçalves, chegar à Alece há dois anos.
Já Patrícia garantiu dois fortes aliados no Legislativo Nacional e Estadual: os filhos Domingos Neto (PSD) e Gabriela Aguiar (PSD), respectivamente. Nezinho, por sua vez, conseguiu eleger a esposa Jô Farias (PT) à Assembleia, em 2022.
Outro detalhe que vale destaque é que a maioria dos eleitos ao Executivo está na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), com exceção de Aguiar, que governa Tauá, nos Inhamuns.
A preferência não se baseia em coincidência: só a RMF carrega um contingente populacional de quase 4 milhões pessoas, garantindo um eleitorado massivo tanto para o Legislativo quanto para o Executivo. Assim como em 2020, a região chega cobiçada em 2024, concentrando o maior número de pré-candidatos com origem no Parlamento.
FORTALEZA E REGIÃO METROPOLITANA
Somente em Fortaleza, os deputados federais André Fernandes (PL), Luizianne Lins (PT) e Célio Studart (PSD); os deputados estaduais Evandro Leitão (PT), Larissa Gaspar (PT) e Guilherme Sampaio (PT); e o senador Eduardo Girão (Novo) já aparecem como opções no páreo.
De todo esse grupo, apenas o primeiro e o último estão na oposição ao espectro representado pelo ministro Camilo Santana e o governador Elmano de Freitas, ambos petistas. André Fernandes é uma das apostas bolsonaristas para representar o partido nas capitais do Nordeste, região em que o ex-presidente da República foi líder em votos em apenas 20 municípios, em 2022.
A investida foi confirmada em novembro do ano passado, após acordo com o deputado Carmelo Neto, e anunciada em postagem nas redes sociais ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do líder da cúpula do PL, Valdemar da Costa Neto.
No Ceará, há ao menos 22 parlamentares, entre deputados estaduais, federais e senadores, cotados para disputar o comando de prefeituras nas eleições de 2024. Outros estão envolvidos de maneira indireta na disputa, por meio de parentes e aliados pré-candidatos, a fim de manter a fidelidade nas bases eleitorais.
A estratégia não é nova e tem sido utilizada nos últimos pleitos eleitorais. Em 2020, ao menos 15 deputados – nenhum senador disputou eleição municipal – entraram na peleja, incluindo o atual governador Elmano de Freitas (PT), que concorreu à Prefeitura de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza enquanto era deputado estadual à época. Destes, seis obtiveram sucesso e deixaram seus postos na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e na Câmara Federal, abrindo espaço para suplentes assumirem vagas efetivas.
Os vitoriosos nas eleições municipais de 2020 foram:
- Roberto Pessoa (União): Maracanaú;
- Bruno Gonçalves (PL): Aquiraz;
- José Sarto (PDT): Fortaleza;
- Vitor Valim (PSB): Caucaia;
- Patrícia Aguiar (PSD): Tauá;
- Nezinho Farias (PT): Horizonte.
Dessa lista, apenas Vitor Valim não pretende disputar a reeleição em 2024. Os demais, em maioria, não só buscam repetir o feito de 2020 como também garantir a influência familiar no Legislativo no biênio seguinte, em dinâmica que se retroalimenta a cada pleito. Foi o que aconteceu em 2022.
Roberto Pessoa elegeu uma filha, Fernanda (União), à Câmara dos Deputados, e uma sobrinha, Emília Pessoa (PSDB), à Assembleia. Bruno Gonçalves foi eleito em dobradinha com o pai, Acilon Gonçalves (PL), na cidade vizinha de Eusébio, há quatro anos, e viu a mãe, Marta Gonçalves, chegar à Alece há dois anos.
Já Patrícia garantiu dois fortes aliados no Legislativo Nacional e Estadual: os filhos Domingos Neto (PSD) e Gabriela Aguiar (PSD), respectivamente. Nezinho, por sua vez, conseguiu eleger a esposa Jô Farias (PT) à Assembleia, em 2022.
Outro detalhe que vale destaque é que a maioria dos eleitos ao Executivo está na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), com exceção de Aguiar, que governa Tauá, nos Inhamuns.
A preferência não se baseia em coincidência: só a RMF carrega um contingente populacional de quase 4 milhões pessoas, garantindo um eleitorado massivo tanto para o Legislativo quanto para o Executivo. Assim como em 2020, a região chega cobiçada em 2024, concentrando o maior número de pré-candidatos com origem no Parlamento.
FORTALEZA E REGIÃO METROPOLITANA
Somente em Fortaleza, os deputados federais André Fernandes (PL), Luizianne Lins (PT) e Célio Studart (PSD); os deputados estaduais Evandro Leitão (PT), Larissa Gaspar (PT) e Guilherme Sampaio (PT); e o senador Eduardo Girão (Novo) já aparecem como opções no páreo.
De todo esse grupo, apenas o primeiro e o último estão na oposição ao espectro representado pelo ministro Camilo Santana e o governador Elmano de Freitas, ambos petistas. André Fernandes é uma das apostas bolsonaristas para representar o partido nas capitais do Nordeste, região em que o ex-presidente da República foi líder em votos em apenas 20 municípios, em 2022.
A investida foi confirmada em novembro do ano passado, após acordo com o deputado Carmelo Neto, e anunciada em postagem nas redes sociais ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do líder da cúpula do PL, Valdemar da Costa Neto.
Eleito ao Senado em 2018,Eduardo Girão (Novo) também é um pré-candidato no campo da direita em Fortaleza. A aposta foi lançada durante encontro estadual da sigla, ainda em novembro de 2023. O evento contou com a presença do presidente do PL Ceará e deputado estadual, Carmelo Neto; do deputado estadual Sargento Reginauro (União), suplente de Girão no Senado; e do próprio André Fernandes.
Já o PT, com quatro pré-candidatos no Legislativo – o 5º é Artur Bruno, assessor especial do Governo do Estado – deve enfrentar um caminho complexo na resolução desse impasse até abril, prazo acertado no partido para tal. Evandro, como presidente da Assembleia, e Luizianne, como deputada federal e ex-prefeita da capital cearense, são as figuras com mais evidência na disputa interna do PT.
Célio Studart, por sua vez, apesar de ser aliado da cúpula petista – compondo a gestão estadual, inclusive –, junta-se à disputa com o recall dos últimos pleitos. Segundo ele, o objetivo é lançar dois projetos na Secretaria de Proteção Animal do Ceará (Sepa) até abril, quando deve se desincompatibilizar do cargo e retornar à Câmara dos Deputados para ficar à disposição do PSD nas eleições municipais.
“O partido ainda não fechou questão sobre isso. Eu tenho esse desejo (de concorrer novamente à Prefeitura), mas isso vai ser um acordo do partido, uma questão que não é só minha. Então eu vou me colocar com a possibilidade legal e jurídica, passível a ser candidato”, disse o deputado ao Diário do Nordeste.
Ele já é citado em algumas sondagens eleitorais até o momento, mas busca, junto à cúpula do PSD, a contratação de pesquisas pela própria legenda para entender mais claramente o cenário dessa peleja. Questionado se poderia compor chapa com o PT, tendo em vista a aliança estabelecida, Celio afirmou que o partido não destaca a possibilidade, mas, pessoalmente, concorrer a vice-prefeito não é sua intenção.
“Até que se defina de forma conclusiva, eu seguirei defendendo candidatura própria e já demonstrei ao partido o meu interesse em concorrer, até por já ter concorrido também nas eleições a prefeito de 2020. Vejo que o partido tem recebido bem essa possibilidade, mas deve esperar novas pesquisas antes de algum anúncio oficial”, completa.
Na vizinha da Região Metropolitana, Maracanaú, o prefeito Roberto Pessoa deve enfrentar, a princípio, três pré-candidaturas da oposição: Júnior Mano (PL), Júlio César Filho (PT) e Lucinildo Frota (Sem partido).
Contudo, há chances de o trio se unir em prol de um único nome de consenso na oposição, chegando assim com mais força para o embate nas urnas em outubro.
A escolhida deve ser "a (candidatura) mais viável", explica Júlio César Filho. Uma análise que deve perpassar não apenas quem performar melhor nas pesquisas de intenções de votos, mas também tiver "com mais condições de disputa" e "mais possibilidade de agregar", completa Lucinildo Frota.
Em Maranguape, também há pré-candidatura nesses moldes. O deputado estadual Lucílvio Girão (PSD) se une à disputa pela Prefeitura. "Conhecido da população pelo trabalho que desenvolve no município como parlamentar, agora vai se dedicar à gestão e ao crescimento econômico e social da cidade", anunciou o presidente estadual do partido, Domingos Filho, nessa terça-feira (30).
Já Cláudio Pinho (PDT) se organiza em São Gonçalo do Amarante para enfrentar o atual prefeito Marcelo Teles, conhecido como Marcelão (PT), nas urnas.
A dinâmica PDT x PT na cidade vai emular os posicionamentos a nível de Estado, já que Pinho é um dos três deputados pedetistas de oposição ao governo cearense. Enquanto isso, Marcelão surge, mais do que nunca, como aliado da situação, postura bem diferente da adotada em 2020. Naquele ano, ele foi eleito pelo lado rival, quando filiado ao Pros.
Em contrapartida, o parlamentar, que já foi prefeito de São Gonçalo do Amarante por dois mandatos, busca quebrar a sucessão do adversário “conversando com todos os grupos”. Tem ao seu lado o presidente da Câmara Municipal, Neto do Pecém (PSB), que alcançou o posto com a influência de Pinho sobre o Legislativo local.
Ao leste, em Caucaia, o nome de Emília Pessoa (PSDB) já está posto como pré-candidata. Ela entra na peleja como oposição à gestão Vitor Valim, que já chegou a compor como secretária.
O seu posicionamento garante boa relação com outras figuras na corrida pelo Executivo, como o vice-prefeito Deuzinho Filho (União) e o ex-prefeito José Gerardo Arruda (PDT). Este chegou a revelar, recentemente, que o trio firmou um acordo visando um possível segundo turno no município, que consistia em apoiar a investida do colega de oposição com o melhor resultado no primeiro turno.
Ali, no segundo maior colégio eleitoral do Ceará, as forças no bloco governista se reorganizam com o recuo de Valim (PSB), que desistiu de concorrer à reeleição. Assim, novos nomes começaram a ser especulados, entre eles, os dos deputados estaduais Lia Gomes (PDT) e Salmito (PDT). Este licenciado para comandar a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará. A definição ainda não foi fechada, mas deve sair até abril, prazo para desincompatibilização de cargos públicos com fins eleitorais.
Em agenda recente, com a vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o lançamento da pedra fundamental do ITA Ceará, Salmito comentou sobre ser cogitado para o pleito.
"Honestamente, estou sabendo, assim, pela imprensa. Particularmente, eu tenho a missão que muito me honra, confiada pelo governador Elmano de Freitas, de executar a política pública de desenvolvimento econômico do estado do Ceará. Estou focado nessa missão", disse.
Lia Gomes também foi procurada para comentar sobre as tratativas, mas a reportagem não obteve retorno. À época do anúncio de Valim sobre não buscar a reeleição, ela relatou, pelas redes sociais, que foi procurada pela imprensa para comentar as especulações envolvendo o seu nome. Apesar disso, reservou-se a dizer que "o atual prefeito é o melhor nome para continuar o trabalho que vem realizando à frente da Prefeitura de Caucaia".
A deputada vive um momento de indefinição partidária, já que o grupo ligado ao senador Cid Gomes está de malas prontas do PDT para o PSB. Ela busca, no meio jurídico, atestar a validade de sua desfiliação para seguir o seu irmão na nova legenda. Vale destacar que, mesmo sendo escolhida pré-candidata em Caucaia, até a resolução desse imbróglio, a investida seria incerta, já que o PDT já tem um pré-candidato: o ex-prefeito José Gerardo Arruda.
REGIÃO NORTE
Experiente gestor público em Itatira, cidade que governou por quatro mandatos, o deputado estadual Almir Bié (PP) quer fortalecer sua base política em Canindé. Pré-candidato na cidade dos festejos de São Francisco, ele já preside a comissão provisória do PP municipal e coordena as tratativas pela sua eleição.
Ao Diário do Nordeste, o deputado disse que PP, PSB e PT articulam uma candidatura de consenso para outubro. Da parte do PT, quem guia o diálogo na cidade é o vice-prefeito Ilomar Vasconcelos, que rompeu recentemente com a prefeita Rozário Ximenes (Republicanos) após a legenda ficar de fora da chapa indicada pela gestora, composta por Kledeon Paulino (MDB), seu secretário de Educação, e Cleide Queiroz, empresária.
"Nossa luta é coletiva em prol do nosso povo canindeense, por isso estamos dialogando com todas as forças populares, políticas e sociais do Canindé, do Ceará e do Brasil. [...] Com a força dos grandes líderes políticos, Lula, Camilo e Elmano e com a união da oposição, estamos cada dia mais fortes e unidos", diz uma publicação conjunta de Almir Bié e do vereador Professor Jardel (PSB).
Já em Sobral, a candidatura de oposição ao grupo dos Ferreira Gomes deve sair não só do Legislativo como também de uma única família. O deputado federal Moses Rodrigues (União) e seu pai, o estadual Oscar Rodrigues (União), são alguns nomes estudados pelo partido.
“(Vamos verificar se) é melhor permanecer com nome que já tem ‘recall’, tem experiência, ou se podemos lançar um nome novo para mostrar a capacidade de renovação política”, avalia o presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner.
Oscar garante que será o candidato da legenda a partir de agosto, mas pontua que cederia a posição ao filho, caso seja um nome mais viável na disputa. “Se o nome dele (Moses Rodrigues) tiver melhor do que o meu nas pesquisas, lógico que eu vou deixar que o candidato seja ele”, disse.
CARIRI
A região do Cariri reúne ao menos duas lideranças de peso no Legislativo que estão de olho nas urnas. São eles: Fernando Santana (PT) e Davi de Raimundão (MDB). Ambos estão envolvidos diretamente nas eleições de Juazeiro do Norte e são ventilados como pré-candidatos.
A participação do filho do ex-prefeito Raimundão foi um impasse por meses devido à aliança com o PT no município, mas, agora, já é dada como certa. Na última semana, o líder do MDB Ceará confirmou a pré-candidatura de Davi pelas redes sociais.
Assim como o emedebista, Fernando Santana é uma opção na oposição de Juazeiro do Norte. Lideranças petistas, como José Guimarães, já manifestaram a preferência pelo deputado estadual, tendo feito o convite formal para a disputa. Agora, a decisão está a cargo do parlamentar.
Ele foi procurado pelo Diário do Nordeste para comentar o assunto. Por meio da assessoria, informou que ainda não foi definido quem será o candidato. Yury do Paredão (MDB) também chegou a ser cogitado. A reportagem buscou o deputado, mas não houve retorno.
Sobre tanto nomes dentro do grupo que já se colocam como pré-candidatos na disputa, Davi de Raimundão fala que pesquisas serão levadas em consideração, bem como o aval de Camilo e Elmano.
"Eu já disse que meu nome está à disposição. Fernando Santana também já disse que, se for para o bem, também está à disposição. Todos estão com o nome à disposição. Quando existe um grupo, tem que ter lá na frente uma união em torno desse nome. Eu acho que a aproximação com o Governo do Estado, o que tiver melhor nas pesquisas, ter boas propostas, o que juntar todos os itens, aí a gente vai definir. E isso logicamente vai passar pela mão de Camilo, Elmano", disse o deputado.
CENTRO-SUL
O pleito em Iguatu, no Centro-Sul, pode ser disputado pelos deputados estaduais de base Marcos Sobreira (PDT) e Agenor Neto (MDB), entre outros nomes. Enquanto este defende que o filho Ilo Neto (PSB) seja candidato em seu lugar, apesar de Eunício apontar o parlamentar como opção, aquele dialoga com forças políticas locais para buscar o melhor caminho para as eleições municipais.
Os dois reivindicam a bênção do Governo Elmano na campanha, assunto ainda não pacificado. Isso porque, além de ambos serem aliados do governo do Legislativo, o PT municipal já tem seu pré-candidato há meses: o empresário Sá Vilarouca.
Outro fator também pode embaralhar o jogo político em Iguatu: a chance de Sobreira migrar para o PSB em breve. Membro do grupo político liderado pelo senador Cid Gomes (PDT), o deputado pode lhe seguir na sigla socialista.
A cerimônia de filiação de parte do bloco cidista está marcada para o dia 4 de fevereiro, mas uma possível troca de partido por parte de Sobreira só aconteceria após o trânsito em julgado de um processo movido coletivamente pela desfiliação do PDT.
PARLAMENTARES QUE PODEM DISPUTAR AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO:
DEPUTADOS FEDERAIS
- André Fernandes (PL)
- Célio Studart (PSD)
- Júnior Mano (PL)
- Luizianne Lins (PT)
- Moses Rodrigues (União)
- Yuri do Paredão (MDB)
DEPUTADOS ESTADUAIS
- Agenor Neto (MDB)
- Almir Bié (PP)
- Cláudio Pinho (PDT)
- Davi de Raimundão (MDB)
- Dr. Oscar Rodrigues (União Brasil)
- Emilia Pessoa (PSDB)
- Evandro Leitão (PT)
- Fernando Santana (PT)
- Julinho (PT)
- Larissa Gaspar (PT)
- Lia Gomes (PDT)
- Lucinildo Frota (Sem partido)
- Lucílvio Girão (PSD)
- Marcos Sobreira (PDT)
- Salmito (PDT)
SENADOR
- Eduardo Girão (Novo)
PT fica sem nomes de peso e pode repetir fiasco nas eleições municipais para prefeituras de capital
Por Pedro Augusto Figueiredo / O ESTADÃO DE SP
O PT aposta no peso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da máquina federal para reverter o fiasco da eleição de 2020, quando não conseguiu eleger prefeitos para nenhuma das 26 capitais brasileiras. O cenário, porém, é desafiador novamente: embora tenha nomes competitivos em algumas cidades, nenhum deles lidera as pesquisas eleitorais ou é favorito no momento, o que reforça a dificuldade que o partido encontra de formar novas lideranças.
Ao mesmo tempo, pré-candidatos apoiados pela sigla, Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Eduardo Paes (PSD-RJ), estão na frente em São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores colégios eleitorais, mesmo caso de João Campos (PSB-PE) no Recife.
O partido caminha para apoiar Luciano Ducci (PSB-PR) em Curitiba (PR) e Marcus Alexandre (MDB-AC) em Rio Branco (AC) — este último deixou o PT sob o argumento de trabalhar na Justiça Eleitoral, mas meses depois se filiou ao MDB para disputar a eleição. Ambos também lideram nas respectivas cidades, de acordo com dados do agregador de pesquisas produzido pelo Ipespe e divulgado pela CNN Brasil no final do ano passado.
O PT já definiu candidaturas próprias em 11 capitais, número que pode subir para 14 nos próximos meses: ainda não há definições em Florianópolis (SC), Manaus (AM) e Cuiabá (MT). A tendência é que nas demais cidades o apoio seja a candidatos de partidos da base do governo Lula.
A disputa mais acirrada é em Goiânia (GO), onde a deputada federal Adriana Accorsi (PT) teria 15% das intenções de votos contra 23% do senador Vanderlan Cardoso (PSD), conforme o agregador. Ex-delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, ela é filha do ex-prefeito Davi Accorsi, que governou a capital goiana nos anos 90.
O cenário eleitoral pode ficar ainda mais favorável à petista, pois ela negocia para Cardoso desistir de se candidatar e o PSD apoiá-la. A exemplo de petistas em outras capitais, Accorsi quer formar uma frente ampla de partidos. “De fato iniciamos um diálogo sobre o processo eleitoral em Goiânia, mas ainda muito inicial. Seguimos com as pré-candidaturas, mas acredito que devemos construir uma frente ampla para cuidar da cidade”, disse ela sobre a possível aliança com o senador.
Coordenador do grupo de trabalho eleitoral do PT, o senador Humberto Costa (PE) afirma que, embora o partido deseje administrar várias capitais, há outros objetivos em jogo, como projetar novos nomes e lideranças na sigla.
Para o cientista político Rodrigo Prando, o PT sempre buscou uma hegemonia no campo da esquerda, mas dessa vez há a leitura que é melhor apoiar outros partidos quando não houver petistas competitivos para não perder espaço para a direita nas prefeituras.
“O PT tem uma enorme dependência de Lula, de seu carisma e força política e eleitoral e isso, de certa forma, atrapalhou o surgimento de novas lideranças no partido. Quando alguém desponta com capacidade de renovar e liderar o partido, há ‘fogo amigo’ de inúmeras alas do PT”, diz o professor do Mackenzie.
PT terá candidatos a prefeito em 11 capitais brasileiras
Número pode chegar a 14 porque partido ainda não se decidiu em Florianópolis, Manaus e Cuiabá
Lula adotará cautela em cidades com mais de uma candidatura da base governista
O PT prevê que Lula será ativo e estará no palanque dos candidatos, sejam eles petistas ou aliados de outras siglas. A exceção serão as capitais onde partidos da base do governo tenham mais de um candidato. O presidente disse que nestes casos não pode ser “acintoso” no apoio a um dos nomes.
“Eu não vou me jogar para criar conflito. Eu tenho que saber que sou o presidente e que eu tenho que fazer um jogo mais ou menos acertado para que não traga problema depois, quando terminar as eleições, aqui no Congresso Nacional”, disse Lula em entrevista à rádio Metrópole, de Salvador (BA), na terça-feira, 23.
A regra não se aplica a São Paulo, onde o presidente apoia Boulos mesmo com as pré-candidaturas de Tabata Amaral (PSB-SP) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP), cujos partidos fazem parte do governo.
Em Belo Horizonte, a candidatura do deputado federal Rogério Correia (PT) divide espaço com a do prefeito Fuad Noman (PSD), que apoiou Lula contra Bolsonaro, e a da também deputada Duda Salabert (PDT), além da federação PSOL-Rede, que também terá candidato.
Segundo pesquisa AtlasIntel realizada entre os dias 25 e 30 de dezembro, o bolsonarista Bruno Engler (PL), atualmente deputado estadual, lidera a corrida na capital mineira com 31,4%, seguido de Correia, com 21%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
“A expectativa é que a gente tenha um apoio do presidente Lula, compreendendo isso que ele tem dito (sobre os partidos da base)”, disse o candidato do PT belo-horizontino. “Quem representa o governo Lula e o enfrentamento ao bolsonarismo é a minha candidatura”, acrescentou.
A disputa contra o bolsonarismo também é a tônica da eleição em Porto Alegre (RS) na visão de Maria do Rosário (PT), deputada federal e pré-candidata do PT na cidade. Ela diz que o prefeito Sebastião Melo (MDB) aderiu ao bolsonarismo, assim como o vice-prefeito, Ricardo Gomes (PL) que se filiou ao partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O presidente vai ajudar, mas quem tem que mostrar competência para ganhar a eleição é quem é candidato”, disse a petista. Ela aparece com 26%, contra 33% de Melo no agregador do Ipespe. Como é tradição na capital gaúcha, a esquerda não está unida, pois Juliana Brizola (PDT) também é candidata.
Diferente de 2023, onde priorizou viagens ao exterior, Lula direcionará o foco para viagens domésticas com o objetivo de divulgar ações de seu governo e tentar impulsionar as candidaturas locais. No primeiro giro, ele focou no Nordeste, onde passou por Bahia e Pernambuco, antes de chegar a Fortaleza (CE).
A capital cearense é um dos poucos locais onde há disputa interna no PT. A deputada Luizianne Lins, que governou a cidade por dois mandatos, disputa a indicação com o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Evandro Leitão. Luizianne foi barrada de subir ao palco no evento com Lula, enquanto Leitão esteve ao lado do presidente.
Na pesquisa AtlasIntel, o presidente da Alece está em terceiro lugar, com 14,2%, atrás do prefeito José Sarto (PDT), com 25,6%, e Capitão Wagner (União), que tem 28,6%. A margem é de 3 pontos percentuais. A pesquisa não testou o nome de Luizianne Lins, mas a deputada aparece em segundo lugar no agregador do Ipespe, com 21% contra 33% de Wagner.
“Caso eu não venha a ser o escolhido, eu irei não só empunhar bandeira, mas pedir voto para aquele que for escolhido dentro do meu partido, porque sou uma pessoa que acredito em projeto, não acredito apenas em pessoas”, disse Leitão em entrevista ao jornal O Povo na terça-feira, 23. O Estadão não conseguiu falar com Luizianne Lins em mais de uma ocasião porque, segundo a assessoria, ela cumpria agendas no interior do Ceará.

