Leonardo Pinheiro comenta sua filiação ao PSB
Deputado Leonardo Pinheiro (PSB) - Foto: Júnior Pio
O deputado Leonardo Pinheiro (PSB) comentou sua decisão de trocar de legenda durante o período da janela partidária, encerrada na última sexta-feira (06/04). Em pronunciamento no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quarta-feira (09/04), ele garantiu que os compromissos de seu mandato não mudaram e agradeceu ao Progressistas pelo tempo em que permaneceu no partido.
A escolha, segundo ele, ocorre por alinhamento de valores, ideias e projetos que o Partido Socialista Brasileiro tem e que dialogam com o momento atual. “Quero deixar bem claro que essa mudança não significa ruptura com princípios, mas sim continuidade de propósito, pois sigo comprometido com esse projeto que busca fortalecer e desenvolver nosso Estado”, disse.
“Nesse momento, isso é o melhor para o nosso projeto. Tenho absoluta certeza de que terei oportunidade de contribuir significativamente com o desenvolvimento do Ceará”, afirmou o parlamentar.
Leonardo Pinheiro destacou também algumas ações de seu mandato, como a apresentação de 200 projetos na Alece e 50 leis aprovadas e sancionadas pelo Governo do Estado.
O deputado comentou ainda a chegada do projeto de lei 43/26, oriundo do Poder Executivo, que dispõe sobre o aproveitamento, na função militar, de candidatos do concurso público para soldado do Quadro de Praças Bombeiros Militares (QPBM) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE).
Em aparte, o deputado Tomaz Holanda (Mobiliza) parabenizou a mensagem enviada pelo Governo do Estado e defendeu a aprovação do projeto de indicação 141/26, de sua autoria, que propõe a ampliação dos postos de major no quadro da corporação, de oito para 12 cargos.
Edição: Gleydson Silva
Mendonça e Cármen Lúcia afirmam que julgamento no STF sobre eleição no Rio deslegitima TSE
Por Sarah Teófilo e Pepita Ortega— Brasília / O GLOBO
Durante julgamento que define as regras para a eleição para uma mandato-tampão no governo do Rio de Janeiro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a análise do tema pela Corte deslegitima o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os magistrados anlisam se o pleito será direto ou indireto. A Justiça Eleitoral chegou a determinar eleições indiretas em julgamento que condenou o ex-governador Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. .
As ações analisadas a agora pelo STF foram protocoladas pelo PSD antes da públicação de acórdão na Corte Eleitoral.
A reclamação de Mendonça, endossada pela colega Cármen Lúcia, foi feita após o ministro Flávio Dino pedir vista para ter mais tempo e se debruçar sobre o caso. — Eu não acho adequado deixar a situação indefinida ainda no Rio de Janeiro. Então, ainda mais mantendo-se uma liminar (que mantém o desembargador Ricardo Couto como governador interino). Se é para pedir vista e manter uma situação de indefinição eu prefiro antecipar meu voto. Eu acho que houve um quesito da decisão do TSE, um questionamento antecipado, ainda sem publicação (de acórdão). Na minha perspectiva, houve um atravessamento e deslegitimação do TSE no exercício das suas atribuições — disse Mendonça.
A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, então disse concordar com o colega. E na mesma sessão foi enfática em relação ao assunto. — A conduta de assunção de competência antes de exaurir a competência do TSE foi sim uma assunção indevida muito agressiva contra o TSE. Não existe acordão prolatado. Após pedir vista, Dino anunciou que irá devolver o processo para análise do plenário do STF tão logo o acórdão da decisão do TSE, que condenou Cláudio Castro, for publicado. Isso deve ocorrer na próxima semana, segundo Cármen Lúcia.
O julgamento foi iniciado na quarta-feira no plenário do Supremo, com críticas entre os ministros, debates sobre o TSE e citações ao crime organizado no Rio de Janeiro.
A tensão em torno das duas correntes de entendimento sobre as eleições no Rio também ficou clara na interação entre os ministros, que, em alguns momentos do debate, trocaram farpas. A maior parte dos desencontros ocorreram após questionamento sobre a proclamação sobre o julgamento de Castro no TSE.
O ministro Flávio Dino questionou a presidente do TSE sobre a certidão, que acabou sendo retificada pela Corte eleitoral. No documento é citada a cassação do diploma de Castro, mas com a ressalva — por decisão da maioria da Corte — de que a medida estava prejudicada em razão da renúncia. Em resposta, a presidente do TSE frisou que a Corte eleitoral reconheceu o prejuízo da cassação de Castro em razão da renúncia do ex-mandatário. E, por isso, a eleição deveria ser indireta.
Cármen destacou que não houve cassação pela Corte eleitoral e criticou o "contorcionismo jurídico processual" que tirou a discussão sobre as eleições no Rio do TSE e a levou para o STF.
No meio do impasse, o decano Gilmar Mendes contestou o fato de o julgamento no TSE “ter se estendido no tempo”. Para ele, se o julgamento tivesse ocorrido antes, não haveria as “dúvidas” citadas em meio à sessão da tarde de quarta-feira. Em resposta, Cármen afirmou que assim que o caso de Castro foi liberado pela relatora para julgamento, "imediatamente foi colocado" em pauta. — Apenas para afirmar, porque fica parecendo que ficou lá, ficou na gaveta, não se tomou providência. Apenas para esclarecer — contestou a ministra.
O apelo de aliados de Flávio Bolsonaro para Michelle se engajar na campanha
Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO
A resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a se engajar na campanha à presidência da República de Flávio Bolsonaro tem irritado e preocupado aliados do senador e integrantes do PL diretamente envolvidos nas articulações pela sua candidatura ao Palácio do Planalto.
Desde que Flávio se lançou candidato, Michelle tem se recusado a participar de eventos públicos com o entea
do ou mesmo a divulgar os atos de campanha. Interlocutores da ex-primeira-dama alegam que ela está priorizando os cuidados médicos do marido, mas na equipe da candidatura a ausência dela tem sido vista como uma lacuna a ser sanada.
Para os interlocutores de Flávio, o engajamento de Michelle poderia ajudar a candidatura a ganhar tração entre mulheres e evangélicos, segmentos do eleitorado que devem ser decisivos e também estão na mira do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com quem Flávio vai disputar os votos no campo da direita.
Por isso, vários aliados do senador têm procurado Michelle para tentar convencê-la a se envolver mais. Mas ela até agora não cedeu, pelo contrário. Nas conversas com os mais próximos, sobram queixas sobre o comportamento dos enteados. Com isso, passou a crescer também o receio de que o distanciamento da primeira-dama chame a atenção para as fraturas familiares do ex-clã presidencial numa eleição que tende a ser muito polarizada entre lulistas e bolsonaristas e decidida por uma margem pequena de vantagem.
Na opinião de uma influente liderança evangélica que pediu para não ser identificada, Michelle tem “mágoa por não ter sido escolhida vice” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa dobradinha de chapa presidencial que chegou a ser ventilada nos bastidores para disputar as próximas eleições. Tarcísio vai disputar a reeleição no Palácio dos Bandeirantes, e a ex-primeira-dama pretende concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo Distrito Federal. “A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu”, resumiu um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.
Atritos em série
Uma série de episódios recentes escancararam os atritos entre Michelle e os filhos de Bolsonaro. No início deste mês, Michelle repostou no Instagram um vídeo do senador Esperidião Amin (PP-SC) em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o que foi interpretado nos bastidores como uma alfinetada ao ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), adversário de Amin na corrida pelo Senado Federal.
Também não ajudou a acalmar os ânimos o fato de um assessor de Michelle, André Costa, repostar em seu perfil no Instagram, em dezembro do ano passado, o post de uma matéria do Metrópoles com o resultado de uma pesquisa Quaest que trazia a informação de que 62% dos entrevistados diziam não votar em Flávio. Costa já havia publicado anteriormente um vídeo do pastor Silas Malafaia defendendo a candidatura de Tarcísio ao Palácio do Planalto.
“Alguém que faz tantas menções a Deus e tem tantas pautas religiosas deveria abraçar a todos, mas não é o que Michelle faz. Ela não abraça a candidatura do Flávio, não congrega, em pleno momento de fragilidade do marido”, alfinetou um integrante do PL ouvido em caráter reservado.
A tensão entre os dois lados já resultou num tiroteio verbal, tendo como pano de fundo a aproximação entre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e o diretório do PL no Ceará. Tradicional reduto petista, o Estado é um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste, com 6,9 milhões de eleitores aptos a votar.
Em novembro do ano passado, Michelle criticou publicamente a aliança de correligionários com Ciro Gomes, costurada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do Ceará do senador Eduardo Girão (Novo), ela chamou de precipitada a aliança em torno da candidatura de Gomes. “Adoro o André, passei em todos os estados falando dele, do [deputado estadual] Carmelo Neto e da esposa dele, que foi eleita. Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. Nós vamos nos levantar e trabalhar para eleger o Girão”, discursou Michelle na ocasião. “Essa aliança vocês se precipitaram em fazer.”.
Michelle tem mágoa de Ciro Gomes, porque o ex-governador, na época em que estava filiado ao PDT, apoiou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou Bolsonaro a ser condenado e declarado inelegível por oito anos. A ação girava em torno de uma reunião do então presidente com embaixadores, marcada por críticas às urnas eletrônicas.
Após o mal-estar provocado pela declaração de Michelle, Flávio Bolsonaro disse que a madrasta foi “autoritária”, escancarando o desconforto na sigla com a postura da ex-primeira-dama. “A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, disse Flávio. Flávio se desculpou depois com Michelle, mas ela ainda guarda mágoas com o episódio – e não abre mão de um pedido público de desculpas. Apesar das críticas da ex-primeira-dama, o PL decidiu apoiar a candidatura de Ciro Gomes, como forma de garantir um forte palanque para Flávio Bolsonaro no Ceará.
Cuidados médicos
Em meio ao fogo cruzado entre a madrasta e os filhos do presidente, interlocutores da primeira-dama tentam colocar panos quentes.
Afirmam que o foco de Michelle neste momento é cuidar da saúde de Bolsonaro, que foi para a prisão domiciliar no mês passado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após uma intensa articulação nos bastidores que reuniu Tarcísio, Michelle e integrantes do próprio STF. Com o quadro de saúde debilitado, Bolsonaro necessita de supervisão por 24 horas. Michelle tem assumido essa responsabilidade e aprendeu inclusive a fazer uma manobra no corpo do ex-presidente para ajudá-lo a superar as frequentes crises de soluço. “Ela prometeu ao Moraes que cuidaria do Bolsonaro. Ela não vai fazer nada para o Flávio nessa pré-campanha”, disse ao blog uma amiga da primeira-dama.

Ciro e Tasso reúnem deputados após bancada crescer e se consolidar como a 3ª maior na Alece

Os ex-governadores Tasso Jereissati (PSDB) e Ciro Gomes, presidente do PSDB no Ceará, reuniram, na tarde desta terça-feira (7), a bancada de deputados estaduais do partido. O encontro foi apresentado pela sigla como um movimento de reorganização e fortalecimento, após o crescimento da representação na Assembleia Legislativa — de um para sete parlamentares.
Além dos ex-governadores, participaram da reunião Sargento Reginauro, Queiroz Filho, Emília Pessoa, Heitor Férrer, Antônio Henrique e Felipe Mota. O ex-prefeito de Fortaleza, José Sarto, também esteve presente como presidente do partido em Fortaleza. O deputado estadual Cláudio Pinho não participou por estar em missão oficial em Brasília.
Em 2022, o PSDB elegeu apenas uma deputada estadual, Emília Pessoa. Com a janela partidária deste ano, a sigla agregou seis novos nomes. A estratégia é ampliar o espaço da oposição no Estado, em um cenário que considera uma eventual candidatura de Ciro ao Governo do Ceará.
Na conversa com os correligionários, Tasso Jereissati destacou a importância da recomposição do partido e o sentimento de retomada do protagonismo político no Estado.
Segundo ele, o PSDB volta a se apresentar como uma alternativa para o desenvolvimento do Ceará, ao relembrar o legado de crescimento e avanços sociais associado às gestões tucanas.
"Eu fico muito feliz com a volta do PSDB, que talvez tenha sido o partido, sem nenhum tipo de soberba, que mais fez pelo Ceará. Não só em obras, administração, eficiência, mas também em autoestima. O Ceará passou graças ao PSDB a ser um dos estados, talvez o mais respeitado no Brasil"
Já Ciro Gomes reforçou as boas-vindas aos novos integrantes da sigla e ressaltou a força do grupo de oposição que se forma na Assembleia Legislativa. Ele também enfatizou a necessidade de união para a construção de um novo projeto político, com foco na superação dos desafios atuais do Estado, incluindo a área da segurança pública.
"Somos a bancada que mais cresceu na Alece. E para quem conhece história, sabe que isso é uma proeza que só se conseguiria pela qualidade desses homens e mulher que aceitaram o desafio de construir essa grande saída para o futuro cearense. Nunca se construiu, no Ceará, uma bancada desse tamanho em oposição. Normalmente, quem consegue crescer bancadas é quem está com a caneta na mão"
Candidaturas ligadas à segurança revelam como eleitor valoriza o tema
Por Editorial / O GLOBO
Ao menos 15 ex-secretários de Segurança ou chefes de polícia Militar ou Civil anunciaram intenção de se candidatar em outubro para uma vaga nas Assembleias Legislativas ou no Congresso, como revelou reportagem do GLOBO. A ausência de candidatos de esquerda ou centro-esquerda é sinal de como a pauta da segurança — preocupação essencial dos eleitores — tem sido dominada pelo campo conservador. Todos os 15 nomes são ligados a legendas de centro ou de direita. A dificuldade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em formular um discurso minimamente convincente sobre o tema ficou evidente na reunião ministerial da semana passada no Palácio do Planalto. Na lista dos destaques divulgada pelo Planalto, nenhuma menção à área da segurança.
Motivo para falar no assunto não falta. O medo do crime é a maior inquietação da população. O último Datafolha mostrou segurança empatada com saúde como maior problema do país. Pesquisa Quaest apontou que 27% dos brasileiros afirmam que a violência é sua maior preocupação, 7 pontos acima da corrupção. O Ipsos revelou que, para 48%, crime e violência são os temas que mais preocupam.
À primeira vista, os indicadores de violência não parecem amparar a percepção. As mortes violentas caíram 5,4% em 2024 (último dado disponível), para 20,8 por 100 mil habitantes. Na comparação com 2012, a queda foi de 25%. Roubo a residências e furto de veículos também caíram. A chave para entender a preocupação da população está no aumento dos estelionatos digitais (17%) e dos roubos e furtos de celulares (acima de 850 mil por ano). Criminosos costumam provocar perdas grandes às vítimas com desvio das economias ou empréstimos fraudulentos. Quem está on-line ou tem celular se sente vulnerável.
Houve avanços da pauta da segurança no Legislativo, com a aprovação do Projeto de Lei Antifacção. Mas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança anda devagar no Congresso. Além de promover maior integração entre os entes federativos, o texto aumenta a participação do governo federal no combate à criminalidade ao dar segurança jurídica ao combate às organizações criminosas. “O governo atrasou em 2025 o envio da PEC ao Congresso e deixou o debate ser contaminado pela corrida eleitoral. Agora ninguém sabe quando será destravada”, diz Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Boa parte dos candidatos com passagens em secretarias de Segurança e nas polícias Militar ou Civil costuma aderir ao discurso de mão pesada contra os criminosos. Isso pode render votos, mas não resolve o problema. O essencial são políticas com base em evidências científicas, gestão eficaz dos recursos públicos e mais inteligência para perseguir as fontes de financiamento e desarticular as organizações criminosas. Não são temas que costumam atrair a atenção. Mas tratar deles com afinco será fundamental para aliviar as angústias e aflições da população.

