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Eleitores relatam dificuldade para obter passagens gratuitas no CE; Arce orienta insistir na busca

Escrito por Bergson Araujo Costa / DIARIONORDESTE

 

Eleitores cearenses que precisam usar transporte coletivo intermunicipal para votar no segundo turno das Eleições 2026 têm relatado dificuldades para conseguir passagens gratuitas, que são garantidas por lei no dia de votação.

 

Levantamento da Agência Reguladora do Estado do Ceará (Arce) aponta que, no primeiro turno, foram emitidas 560 passagens, enquanto no segundo, foram emitidas 19.600, até o momento.

 

O motorista José Hamilton, de 59 anos, relatou que procurava passagens com o filho para a cidade de Iracema, localizada na região do Vale do Jaguaribe, mas não conseguiu pelo site da empresa Guanabara.

 

“Ele entrou no site para marcar as passagens, tem que marcar para poder ir à rodoviária. Só que não tinha mais vaga para ir, só para voltar no domingo à noite”, relatou ao Diário do Nordeste o profissional, que pela dificuldade, buscou e conseguiu uma carona para a cidade. 

 

Já na rede social X, antigo Twitter, uma internauta também relatou que foi à agência da Guanabara, no Terminal do Antônio Bezerra, na semana passada, e foi informado de que as passagens gratuitas começaram a ser distribuídas a partir do dia 21, às 17h. 

“No entanto, ontem, minha irmã foi até lá por volta das 13h e já não havia mais passagens”, disse a eleitora.

'eleitor deve continuar tentando', diz Arce

Em nota ao Diário do Nordeste, a Arce informou que passageiros devem continuar tentando obter passagens e que as agências têm trabalhado para garantir as vagas conforme a demanda.

 

“O sistema de emissão das passagens gratuitas para as eleições 2026 opera sob as mesmas regras e condições dos bilhetes que são comercializados normalmente pelas operadoras do transporte rodoviário do estado. As empresas concessionárias não diferenciam o atendimento de passageiros pagantes e beneficiários da referida gratuidade”, afirmou a entidade.

 

Segundo a Arce, a busca por passagens é simultânea e dinâmica em todo o Estado. 

Portanto, a indisponibilidade de assentos em determinado momento reflete o preenchimento das vagas em tempo real, razão pela qual o eleitor deve continuar tentando, em momento posterior, a fim de acompanhar a abertura de novos horários
Agência Reguladora do Estado do Ceará (Arce)

NOVAS PASSAGENS

À medida que os ônibus ficam lotados, as operadoras têm incluído, continuadamente, novas viagens extras no sistema, além da inclusão de veículos de reforço, segundo a Arce.

A entidade informou ainda que tem monitorado as rotas intermunicipais, a fim de garantir que todos os eleitores do estado do Ceará possam se deslocar até o seu local de votação. 

“Assim como na compra convencional de bilhetes, é importante ter flexibilidade em relação aos horários de partida, já que partidas em horários de pico podem se esgotar, havendo vagas em outros horários”, reforçou a agência.

COMO RECLAMAR?

Se não encontrar passagens disponíveis para o itinerário desejado, o passageiro pode entrar em contato com os canais oficiais da Ouvidoria da Arce: 

  • Telefone (gratuito): 0800 275 3838
  • WhatsApp: (85) 98229-3093

Campanha deixa de lado temas essenciais ao país

Por Editorial / O GLOBO

 

Com a campanha eleitoral perto do fim, fica claro que candidatos, marqueteiros e estrategistas deixaram fora da propaganda e do debate temas fundamentais para o próximo governo. Assuntos inexoráveis como a deterioração das contas da Previdência, a necessidade de um ajuste fiscal robusto e propostas concretas para combater o crime organizado para além do populismo penal foram omitidos ou abordados de forma superficial pelas campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sucumbindo à profusão de ataques pessoais, ambos ficaram devendo ao eleitor.

 

É injustificável que um debate sério sobre a Previdência tenha passado em branco. A situação crítica das contas do INSS deveria ensejar preocupação. Enquanto a média anual de contribuintes subiu 1,2% entre 2015 e 2025, os beneficiários aumentaram 1,9% ao ano, como mostrou reportagem do GLOBO. Não é preciso muito esforço para perceber que os números não fecham, especialmente num cenário de envelhecimento populacional. Decisões recentes, como o pacote de bondades para microempreendedores individuais (MEIs) ou a aprovação de aposentadoria especial para agentes de saúde e endemias, agravarão o problema. “É necessário um debate mais profundo a respeito do financiamento da Previdência a médio e longo prazos”, diz o economista Rogério Nagamine.

 

Na proposta orçamentária para 2027 enviada ao Congresso, a despesa com benefícios foi projetada em R$ 1,4 trilhão e representa metade dos gastos primários do governo. É consenso que a reforma da Previdência de 2019 já não é suficiente para tornar o regime sustentável. Cedo ou tarde, outra reforma terá de entrar na pauta. Infelizmente, os candidatos fazem cara de paisagem diante de um desafio que só tende a piorar a cada dia que passa.

 

 

Não foi o único tema deixado de lado numa campanha de muitos ataques e poucas propostas. O ajuste fiscal também tem sido tratado com desdém. Não é verossímil que tanto Lula quanto Flávio ignorem a situação dramática das contas públicas. A questão deveria estar no centro das discussões sobre o próximo governo. Mas não. Além de não se comprometerem com medidas de austeridade, os dois não param de anunciar programas e iniciativas populistas que gerarão mais despesas, ampliando o rombo nas finanças públicas.

 

Mesmo a segurança, aparentemente tema de destaque nas campanhas, vem sendo tratada de forma rasa, com base em achismos e frases de efeito e sem o menor amparo em evidências e estudos científicos. Será preciso muito mais para livrar o país do domínio nefasto de organizações criminosas que controlam grandes extensões do território das cidades. É necessário apresentar planos e estratégias consistentes de reocupação e combate a tais grupos, para além do rigor penal e do aceno a categorias de agentes de segurança.

 

Políticos não gostam de tocar em temas sensíveis com medo de perder votos, mas há questões incontornáveis na agenda. Um dos dois postulantes governará o país a partir de 2027, e o eleitor tem o direito de saber o que planeja. Seria lamentável que as respostas viessem só depois da eleição. Os candidatos terão hoje, no debate da TV Globo, uma última chance para evitar ataques pueris, apresentar suas propostas e esclarecer a população sobre tudo o que deixaram de lado ao longo de semanas. Devem aproveitá-la.

 

A sede do INSS em BrasíliaA sede do INSS em Brasília — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Kassio e Mendonça enxergam TSE como arma de censura

Menos mau que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, tenha descartado a ideia de bloquear canais políticos de WhatsApp às vésperas do segundo turno. O recuo, porém, não eliminou o espanto com a desfaçatez de mais essa iniciativa censória e partidária da corte.

Como revelou a Folha, Kassio e seu colega André Mendonça circularam no tribunal uma minuta de resolução para suspender, nas 48 horas anteriores à votação, todos os canais de conteúdo político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores. A regra entraria em vigor tão logo fosse publicada.

Em tese de caráter geral, a norma tinha um alvo bem definido: o assim chamado "Exército do Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para apoiar o petista, que já recrutou mais de 7 milhões de usuários.

A correspondente "Tropa do Flávio" também seria afetada, mas o grupo do candidato do PL é consideravelmente menor —cerca de 2 milhões de inscritos— e demonstra menos engajamento. Salta aos olhos a desproporção da medida, encabeçada por dois ministros nomeados pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Após a divulgação do plano, Kassio declarou-se contrário a mudanças de última hora nas regras do pleito e atribuiu a autoria do texto a Mendonça. Este, por sua vez, negou que tenha sido iniciativa individual e afirmou que a proposta dependia de deliberação colegiada. Acrescentaram pusilanimidade ao despautério.

Conforme nota técnica enviada ao TSE por um grupo de mais de cem juristas, pesquisadores e líderes da sociedade civil, o bloqueio dos canais de WhatsApp configuraria restrição à liberdade política e alteraria significativamente as condições da disputa.

De forma mais direta, especialistas ouvidos pela Folha classificaram a medida como inconstitucional, por ferir a liberdade de expressão e de reunião no ambiente digital. E tudo com base na pressuposição de que as pessoas cometeriam algum ilícito eleitoral. Ou seja, o que se buscava era a nunca defensável censura prévia.

Eventuais ilegalidades —e isso deveria ser óbvio para ministros de uma corte superior— devem ser demonstradas e combatidas a posteriori, com reações proporcionais. Suprimir preventivamente um canal de comunicação não só pune manifestações lícitas mas também priva cidadãos de informações antes de irem às urnas.

Para piorar, Kassio nem é neófito nesse mister. Neste mesmo mês, ele se dispôs a derrubar o canal de Janones sem que houvesse respaldo suficiente para as irregularidades alegadas. Sua decisão foi revertida pelo relator do caso, mas o dano estava feito, sobretudo para a imagem do TSE.

A Justiça Eleitoral precisa zelar por sua equidistância do pleito, sem permitir que suas iniciativas favoreçam quem quer que seja. E precisa, mais do que nunca, abandonar sua pretensão de tutelar a opinião pública, de modo que os eleitores possam exercer plenamente o direito ao voto livre.

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'Cidades-pêndulo': com 9,2 milhões de eleitores, 495 municípios que trocaram de lado são decisivos para Flávio e Lula

Por Caio Sartori,  Bruno Alfano , Dimitrius Dantas e Kaio Magalhães* O GLOBO

 

 

O primeiro turno da eleição deste ano consolidou 495 municípios do país como pendulares, abertos a mudar de voto a cada quatro anos. Neles, a maioria optou por Jair Bolsonaro em 2018, migrou para Luiz Inácio Lula da Silva na disputa seguinte e agora foi de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Numa eleição tão apertada, as variações em locais como esses podem ser decisivas. As cidades somam 9,2 milhões de eleitores no total.

 

O município enquadrado no levantamento com maior eleitorado é Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. Com 583 mil pessoas aptas a votar, a cidade deu boas votações ao PT no passado, mas o cenário começou a mudar a partir de 2014.

Na disputa de 2018, Bolsonaro despontou por lá com ampla margem — mais que o dobro de Fernando Haddad no primeiro turno. Quando Lula venceu em 2022, a diferença foi pequena, de quatro pontos. Flávio conseguiu, na atual, ser majoritário por diferença ainda menor, com dois a mais que o presidente.

 

Capilaridade mineira

Embora Goiás seja o estado com o maior percentual de seus municípios considerados pendulares por essa ótica, com um em cada cinco, Minas Gerais, notório “estado-espelho” das eleições presidenciais, aparece em segundo com 19% e se destaca pelo montante de cidades com a característica. São 162. No primeiro turno, aliás, a distância de Flávio para Lula em solo mineiro — cerca de 600 mil votos — acabou sendo decisiva para o resultado nacional.

 

Entre os municípios pendulares mineiros, há exemplos de diferentes regiões. Os maiores são Betim, na Região Metropolitana, e Montes Claros, no Norte do estado. Também do entorno metropolitano de Belo Horizonte, aparecem na sequência Ribeirão das Neves e Santa Luzia. Analistas costumam apontar esse cinturão em volta da capital mineira como uma das áreas mais decisivas do país para a eleição presidencial.

 

Professor da Fundação Dom Cabral e diretor do Instituto Ver, o cientista político Malco Camargos pondera, porém, que as maiores perdas de voto de Lula de uma eleição para a outra no estado se deram em municípios pequenos, aos quais “a comunicação não chegou” no primeiro turno.

 

— O resultado em Minas já vinha apontando a possibilidade de Flávio acabar na frente. Como o que acontece em Minas acontece no Brasil, recuperar Minas é fundamental para Lula — diz. — Movimentos estão acontecendo, ele gravou vídeos para cada uma das regiões no segundo turno, e os atos presenciais dele têm dado muita gente. Mais uma vez, Minas é o estado que pode definir a eleição.

 

Desde 2002

O cientista político e jornalista Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e da PUC-Rio, fez recentemente um recorte detalhado de cidades pendulares desde 2002, ano da primeira vitória de Lula, com foco nos segundos turnos. Classificou assim os municípios que trocaram de lado mais de duas vezes desde então. Ele identificou 1.091 cidades no total, quase uma em cada cinco do país.

 

— Essas cidades têm um PIB per capita relativamente maior que a média do Brasil, o que mostra que não são necessariamente pobres. Têm também, no Ideb, uma média relativamente maior que as demais cidades. E são cidades onde a mediana da faixa etária é acima da média nacional, com contingente de idosos um pouco maior — elenca.

 

A maior parte dos municípios listados por Vasconcellos, 75%, é de pequeno porte, com até 20 mil habitantes. O principal, no entanto, é saber onde se encontra o estoque mais robusto de votos: 68% estão em 65 dessas cidades, geralmente localizadas em grandes regiões metropolitanas.

 

— Por isso, quando fazem alguma movimentação, elas atraem uma movimentação de votos muito pesada. Numa eleição apertada, é uma transferência grande — pontua.

 

Na quarta-feira, na pesquisa Quaest, dobrou o número de eleitores que se dizem indecisos na modalidade espontânea, aquela em que o entrevistado não é apresentado aos candidatos disponíveis. Agora, 14% se dizem em dúvida.

(*Estagiário sob supervisão de Marlen Couto)

Em Fortaleza, Flávio acena ao público LGBT e diz que vai devolver poder de compra aos brasileiros

Escrito por Ingrid CamposeLuana Barros / DIARIONORDESTE

 

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Fortaleza nesta quarta-feira (21), ocasião em que acenou ao público LGBT e prometeu recuperar o poder de compra dos brasileiros. O senador participou do evento “Bloquinho do 22” acompanhado do deputado federal reeleito André Fernandes (PL) e de outros políticos com mandato, em campanha para o segundo turno das eleições de 2026.

Durante o discurso, Flávio afirmou que pessoas homossexuais e LGBT serão bem-vindas caso seja eleito. “Ninguém tem o direito de se meter na forma como você quer ser feliz, e comigo vocês, homossexuais, LGBTs, vão prosperar como todo cidadão brasileiro”, disse.

O aceno ocorreu como resposta a informações falsas, segundo ele, a seu respeito. Nessa perspectiva, o candidato deu o exemplo das acusações petistas de que acabaria com o Bolsa Família ou prejudicaria aposentados em um eventual mandato no Planalto. “O DNA do PT, além da corrupção, é a mentira”, afirmou.

 

Na área econômica, o senador prometeu devolver o poder de compra à população, mas não apresentou, no trecho do discurso, medidas específicas para alcançar esse objetivo. “Vai ter dinheiro no bolso de vocês, porque vocês vão prosperar e vão dar dignidade para as suas famílias”, disse. Ele também defendeu a ampliação do acesso à educação de qualidade e a formação de uma geração capaz de conquistar autonomia financeira.

Combate a facções

A segurança pública foi outro eixo do pronunciamento. Flávio prometeu combater facções criminosas e afirmou que integrantes desses grupos seriam presos ou “neutralizados” pelas forças policiais. Também defendeu a redução da maioridade penal, a castração química para agressores de mulheres e abusadores de crianças e o direito de pessoas a partir dos 16 anos dirigirem carros e motocicletas.

 

O candidato ainda criticou o presidente Lula (PT), seu adversário na disputa, e convocou os apoiadores a se mobilizarem para o domingo de votação, dia 25 de outubro. Flávio também exaltou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e atribuiu ao bolsonarismo a eleição de um Congresso Nacional que classificou como o mais à direita da história brasileira.

 

A passagem por Fortaleza, última cidade nordestina a receber Flávio em campanha, segundo André Fernandes, integra a mobilização do PL na reta final da disputa presidencial. Nessa terça-feira (20), o vice na chapa do Bolsonaro, Alfredo Gaspar (PL), também esteve no Ceará, ocasião na qual ele afirmou que a disputa pela Presidência da República representa uma “luta espiritual”. 

capa da noticia

Legenda: Flávio Bolsonaro participou do evento "Bloquinho do 22", em Fortaleza.

 

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