Genial/Quaest: Lula vê desaprovação crescer no Sudeste, e Flávio Bolsonaro lidera intenções de voto na região
Por O GLOBO
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra um cenário desfavorável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Sudeste, que concentra quase metade do eleitorado brasileiro. A desaprovação ao governo cresceu na região, e Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) superam o petista numericamente, já no primeiro turno, nas intenções de voto para a eleição presidencial.
O saldo negativo entre desaprovação e aprovação, que era de oito pontos em dezembro, dobrou e foi a 16, com placar de 56% a 40%. Lula compensou essa perda com a melhora significativa no Nordeste, principal reduto do PT desde a eleição de 2006. Por lá, depois de a aprovação subir dez pontos, há mais que o dobro de entrevistados que endossam o governo (67%) do que eleitores que o desaprovam (30%).
Na sondagem eleitoral, a situação ruim do governo no Sudeste se reflete na vantagem de Flávio Bolsonaro, consolidado como candidato da direita, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), outra opção do campo político. Apesar de os resultados configurarem empate técnico, há situações em que os adversários aparecem numericamente à frente de Lula.
É o caso das simulações em que Flávio disputa sem a concorrência de Tarcísio, que é a tendência. Ele empata em 31% com Lula quando ainda há Ratinho Júnior (PSD) na disputa e ganha de 33% a 31% quando o governador do Paraná também está de fora.
Tarcísio tem lógica parecida. No cenário sem Flávio, faz 34% no Sudeste, contra 31% do presidente. A pesquisa foi feita entre 8 e 11 de janeiro e ouviu presencialmente 2.004 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR 00835/2026
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo | Evaristo Sa/AFP
Genial/Quaest: Lula lidera 1º turno, e Flávio consolida segundo lugar, à frente de Tarcísio
Arthur Guimarães de Oliveira / FOLHA DE SP
Nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) mostra novamente o presidente Lula (PT) na dianteira da corrida presidencial de 2026 e indica uma consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo lugar.
O levantamento também revela que o petista segue na liderança em todas as simulações de segundo turno, embora sua vantagem para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenha caído de 10 para 5 pontos nessa etapa.
A pesquisa foi realizada dos dias 8 a 11 de janeiro. Foram 2.004 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais. O nível de confiança, 95%.
A Quaest testou sete cenários para o primeiro turno da eleição presidencial, incluindo variações com os governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).
Além deles, também foram aventados como candidatos os nomes do ex-ministro Aldo Rebelo (Democracia Cristã) e do estreante Renan Santos (Missão), pré-candidato do novo partido ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre).
Em todos os cenários de primeiro turno, Lula larga na frente. Em relação a dezembro, ele manteve o patamar de intenção de votos, com oscilações dentro da margem de erro.
No cenário considerado mais provável por Felipe Nunes, CEO da Quaest, o petista lidera com 35%, Flávio marca 26%, e Ratinho registra 9%.
O filho de Bolsonaro cresceu em 2 dos 4 cenários também testados em dezembro: cinco pontos em hipótese com Ratinho como representante dos governadores de direita e seis na que tem Zema na posição. Com Caiado, a vantagem aumentou quatro pontos, no limite da margem de erro.
Em dezembro, quando a pesquisa mostrou Flávio à frente de Tarcísio em um eventual primeiro turno com a presença dos dois, o mercado reagiu com queda na Bolsa e alta do dólar. A situação se repete no levantamento atual nos dois cenários em que os dois concorrem juntos contra Lula.
Em um deles, com outros nomes da direita, o petista fica com 36% das intenções de voto, e Flávio marca 23%, contra 9% do governador de São Paulo.
Em uma configuração com apenas Tarcísio como representante do grupo de governadores de direita, este marca 14%, ficando atrás do senador, com novamente 23%, e do atual presidente, que vai a 40%.
Segundo turno
De acordo com o levantamento, Lula vence em todos os cenários de segundo turno, com uma diferença de sete pontos contra Flávio e de cinco contra Tarcísio.
A distância entre Lula e o governador, no entanto caiu à metade no último mês na simulação da segunda etapa da corrida. O petista tinha 45% das intenções de voto contra 35% de Tarcísio em dezembro; no levantamento atual, venceria por 44% a 39%.
Contra Flávio, a diferença variou dentro da margem de erro. Em dezembro, o presidente tinha 46% das intenções de voto contra 36% do senador em um possível segundo turno. Agora, lidera o embate por 45% a 38%.
Em uma segunda etapa contra Ratinho Jr., Lula teria vantagem de sete pontos, com 43% a 36%. Já em confronto com Caiado, a distância seria 11 pontos, com 44% a 33%. Se o oponente fosse Zema, seriam 15 pontos —46% a 31%.
A maior diferença de Lula em relação aos oponentes num confronto direto, de 20 pontos, é no cenário em que ele concorreria contra Renan Santos. O petista ficaria com 46% a 26% das intenções de voto nesse caso. No caso de Aldo Rebelo, seriam 18 pontos, 45% a 27%.
Rejeição
As maiores rejeições, segundo a pesquisa, são as Flávio e Lula. A pesquisa aponta que 55% dos brasileiros conhecem e não votariam no filho do ex-presidente; em dezembro, eram 60%. Já o petista manteve o índice em 54%.
Tarcísio marcou 43% de rejeição (ante 47% em dezembro), e Ratinho, 41% (depois de 39%). São 36% os que dizem que não votariam em Caiado (contra 40% do mês passado), o mesmo percentual relativo Zema (antes 35%). Já Aldo Rebelo marca 27% (28% em dezembro), e Renan Santos mantém os mesmos 21%.
De acordo com o levantamento, 44% acham que Bolsonaro errou ao indicar Flávio. Em dezembro, eram 54%. Outros 43% pensam o contrário, contra 36% no mês passado.
A maioria acredita que um candidato da família Bolsonaro tem menos chances contra Lula do que outro oposicionista. 43% acham que um candidato da oposição fora da família poderia vencer o petista, mas só 34% acham que alguém com o sobrenome Bolsonaro seria eleito.
Eleições 2026: configuração da Alece no ano eleitoral tem volta de secretários e trocas partidárias
A configuração da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) deve passar por mudanças no último ano do atual mandato dos deputados estaduais, visando as eleições gerais de 2026. As novidades englobam o retorno de parlamentares licenciados para o secretariado do Governo Elmano de Freitas (PT) e trocas nos quadros dos partidos para o pleito.
Além da agenda própria do Executivo e da base governista no Parlamento, a Alece entra na reta final da presidência do deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB). Eleito para o biênio 2025-2026 em dezembro de 2024, o parlamentar já anunciou a pré-candidatura para a Câmara dos Deputados.
Por outro lado, a Casa tem sido ponto de encontro semanal das articulações da ala opositora a Elmano visando um palanque único em 2026, por meio do “Café da Oposição”. O espaço deve ganhar mais protagonismo no ano eleitoral, tendo em vista que o grupo vive uma nova crise, após o PL Ceará suspender as negociações em torno da possível candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado.
Já as novidades voltadas para o pleito não devem ser observadas de imediato no retorno dos trabalhos no Plenário 13 de Maio — a 1ª sessão ordinária de 2026 está programada para 3 de fevereiro, data da primeira terça-feira após o fim do recesso parlamentar. Isso, porque as principais atualizações estão diretamente ligadas aos prazos da Justiça Eleitoral.
De antemão, as trocas nas legendas passam pela janela partidária. De 6 de março a 5 de abril de 2026, deputados podem mudar de partido político sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade. O período é considerado central na definição da composição das siglas para a disputa eleitoral.
Outro aspecto que mexe com o Parlamento estadual é o prazo para a chamada desincompatibilização. Até 4 de abril de 2026, os postulantes devem se afastar de cargos na administração pública para estarem aptos a disputar as eleições. É o caso dos secretários do Executivo que são deputados licenciados.
1º vice-presidente da Assembleia, o deputado Danniel Oliveira (MDB) avalia que as mudanças são naturais dentro do Parlamento, principalmente visando o pleito eleitoral, mas o papel do Legislativo deve ser a prioridade. "Embora talvez 90% ou mais estejam correndo atrás de um novo mandato, a gente não pode esquecer que nós temos uma obrigação de que nós precisamos cumprir”, pontuou.
“Nossa expectativa também é de que se definam os nomes para a eleição do ano que vem, até porque facilita a vida de todo mundo, e que a gente possa aprovar projetos importantes que possam ajudar o Estado do Ceará nessa alavancagem que vem acontecendo nesses últimos anos”
MIGRAÇÃO ENTRE PARTIDOS
O período de janela partidária deve concretizar mudanças na configuração do Parlamento estadual, com legendas que podem ter a bancada até mesmo esvaziada, como é o caso do PDT. Atualmente, a sigla tem quatro deputados estaduais: Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho.
Contudo, o quarteto sinalizou a saída do partido para março deste ano. Enquanto Antônio e Lucinildo já confirmaram a ideia de migrar para o PL, Cláudio e Queiroz ainda alinham se seguirão os passos do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ou do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União), todos ex-filiados ao PDT.
Líder do PDT na Alece, Cláudio Pinho afirma já ter sinalizado ao diretório que fica “desconfortável” a permanência na legenda, tendo em vista a posição em relação ao Governo.
"Nós vamos procurar um partido, dentro do União Brasil ou do PSDB para que a gente possa fazer a nossa filiação. Não só minha, como do grupo também, e alguns poderão ir também para o PL, dentro desse arco de aliança que está sendo montada na união das oposições no Ceará”, indicou o deputado.
Partido com o maior número de deputados estaduais eleitos em 2022 — 13 ao todo —, o PDT já tinha sofrido a primeira debandada com rompimento do senador Cid Gomes (PSB), a partir do pleito eleitoral daquele ano. O racha se deu em meio às divergências entre aliados da então governadora Izolda Cela (à época, PDT) e do ex-prefeito Roberto Cláudio (então PDT) sobre o nome a ser lançado para disputar o Governo do Ceará pelo grupo.
O episódio fez Cid e aliados migrarem para o PSB em 2023, uma equação que envolveu também a saída de 11 deputados estaduais do PDT — entre titulares e suplentes. Foram eles:
- Evandro Leitão (PT) - Atual prefeito de Fortaleza.
- Sérgio Aguiar (PSB)
- Romeu Aldigueri (PSB)
- Osmar Baquit (PSB)
- Guilherme Landim (PSB)
- Marcos Sobreira (PSB)
- Jeová Mota (PSB)
- Lia Gomes (PSB)
- Oriel Filho (PT)
- Salmito (PSB)
- Bruno Pedrosa (PT)
Em paralelo, a legenda tenta empreender um novo momento na disputa eleitoral de 2026, sob a liderança do presidente estadual, o deputado federal André Figueiredo (PDT), e de outros remanescentes. Atualmente, o PDT comanda cinco prefeituras e tem quatro deputados federais.
Outra mudança na configuração da Assembleia Legislativa envolve o deputado estadual Leonardo Pinheiro (PP). O parlamentar anunciou a saída da atual legenda, que ainda formaliza um processo nacional de Federação com o União Brasil, e a ida para o PT em fevereiro de 2025. A migração aguarda a janela partidária para ser concretizada.
As indefinições da Federação entre União e PP também devem mexer com a configuração da Alece, já que outras saídas podem acontecer, como sinalizam lideranças nos bastidores.
O arranjo partidário vive uma disputa interna acerca do apoio a Elmano entre nomes ligados ao Palácio da Abolição, como os deputados Moses Rodrigues (União) e Fernanda Pessoa (União), e opositores declarados, a exemplo de Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União). Simultaneamente, o PP compõe a base governista e ainda aguarda essas definições para os encaminhamentos eleitorais.
RETORNO DE TITULARES

O período de desincompatibilização provocará uma dança de cadeiras na Assembleia Legislativa. Seis deputados licenciados devem se afastar dos cargos na administração pública e ficar disponíveis para os seus partidos, tendo em vista o prazo eleitoral. São eles:
- Fernando Santana (PT) – Secretário de Recursos Hídricos;
- Lia Gomes (PSB) – Secretária das Mulheres;
- Moisés Braz (PT) – Secretário do Desenvolvimento Agrário;
- Oriel Filho (PT) – Secretário da Pesca e Aquicultura;
- Osmar Baquit (PSB) – Coordenador especial de Apoio à Governança das Regionais de Fortaleza (CEGOR);
- Zezinho Albuquerque (PP) – Secretário das Cidades.
Oriel, Moisés e Zezinho tomaram posse, mas não chegaram a exercer o cargo de deputado na atual legislatura, já que viraram secretários logo no início da gestão de Elmano, em janeiro de 2023. A situação foi diferente para Lia, Fernando e Osmar. O trio só se afastou do Parlamento no primeiro semestre de 2025.
Consequentemente, o retorno do grupo ocasiona a saída dos seus respectivos suplentes: Guilherme Sampaio (PT); Antônio Granja (PSB); Nizo Costa (PT); Guilherme Bismarck (PSB); TIn Gomes (PSB); e Almir Bié (PP).

No entanto, novos rodízios partidários entre titulares e suplentes podem manter ou trazer nomes para a Casa, principalmente como forma de dar visibilidade aos políticos no ano eleitoral.
O caso mais expressivo entre as trocas envolve Guilherme Sampaio, atual líder do Governo Elmano de Freitas na Alece. Antes da ida de Fernando Santana para a Pasta do Executivo, foi necessário um rodízio de licenças entre os titulares para deixá-lo em exercício.
Agora, com a desincompatibilização de Santana, será preciso uma nova rodada de trocas para garantir a presença da liderança do Executivo na Casa. Foi o que sinalizou o próprio Guilherme Sampaio, em retorno ao PontoPoder.
“Quando se aproximar o retorno dos titulares, trataremos com a bancada sobre como ocorrerão eventuais rodízios em 2026, não somente para atender a solicitação do governador Elmano em relação a minha permanência na liderança do governo, mas também para a eventual participação de outros suplentes que possam diversificar e fortalecer a atuação de nossa bancada”
Já o líder do PSB na Alece, deputado Marcos Sobreira, afirmou que o partido deve realizar um novo rodízio de licenças dentro da bancada, a partir do retorno dos secretários. A ideia é, segundo o parlamentar, garantir a permanência dos parlamentares em atuação na Casa.
"Nós temos um cronograma interno de revezamento de licenças de deputados, que desde o começo do mandato temos praticado isso. Eu já tirei licença, deputado Guilherme Landim, o deputado Jeová (Mota), outros deputados que não tiraram agora vão tirar, para que os suplentes continuem todos em exercício do cargo"
A posição é reforçada pelo suplente em exercício Guilherme Bismarck. "Alguns deputados têm se disponibilizado a tirar (licença) nos primeiros quatro meses, após o início do retorno de todos os outros, e nos outros quatro meses que seria pegar o último mês, que seria o mês de campanha. Então, por exemplo, começando em 2 de abril: 2 de maio, 2 de junho, 2 de julho e 2 de agosto. Aí você acabaria o primeiro (rodízio). Aí agosto, setembro, outubro e novembro, (seriam) outros deputados”, explica.
OUTROS SUPLENTES

Ainda no primeiro semestre de 2026, os deputados suplentes Pedro Matos (Avante) e Tomaz Holanda (Avante) devem deixar a Casa. Os titulares das duas vagas retornarão às cadeiras após saírem de licença no final do ano passado.
Vereador de Fortaleza, Pedro Matos garantiu seis meses consecutivos no cargo após as licenças de Dra. Silvana (PL) — por motivos de saúde, em junho de 2025 — e de Alcides Fernandes (PL) — para tratar de assuntos particulares, em outubro de 2025 —, ambas com o prazo de 120 dias.
Pedro Matos está no Avante atualmente, mas concorreu a deputado estadual pelo PL em 2022, ficando na 1ª suplência do partido na Alece.
Por sua vez, o ex-vereador da Capital, Tomaz Holanda, está na vaga de Stuart Castro (Avante). O titular saiu de licença de saúde para tratar uma bulimia nervosa. O prazo de 120 dias de afastamento iniciou em 11 de dezembro de 2025.
Em 2025, a Alece chegou a ter 13 deputados suplentes em exercício, o que representa 28% do total de vagas da Casa (46). A maior parcela das trocas envolveu licenças para tratar de assuntos particulares, por 120 dias. Na modalidade, o salário e outros benefícios do cargo são pagos somente para quem estiver em exercício.
Internamente, esse tipo de afastamento é usado como estratégia para dar visibilidade aos que ficaram na suplência, principalmente em ano pré-eleitoral. Foi o caso dos suplentes David Vasconcelos (PL), Gordim Araújo (PSDB), Keivia Dias (PSD), Léo Suricate (Psol), Manoel Duca (Republicanos) e Pedro Lobo (PT) — todos chegaram a exercer o cargo em 2025.
MOVIMENTAÇÃO NA PRESIDÊNCIA

O ano eleitoral também marca o fim do biênio de Romeu Aldigueri (PSB) como presidente da Alece. O parlamentar foi alçado ao cargo em dezembro de 2024, encabeçando uma chapa única para a Mesa Diretora. No entanto, a escolha passou longe de ser tranquila na base aliada.
A partir da renúncia do então presidente Evandro Leitão (PT) para assumir a Prefeitura de Fortaleza, o comando da Alece entrou em processo de sucessão ainda em 2024. Logo, o então vice-presidente Fernando Santana (PT) lançou a candidatura ao posto, mas a indicação causou mal-estar junto a um membro de peso da ala governista: o senador Cid Gomes.
À época, Cid chegou a ameaçar, em conversar com aliados, deixar a base do governador Elmano, queixando-se da concentração de poderes do PT — o partido acumula a presidência da República, o governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. A postura representou um revés para a indicação de Fernando, fazendo o deputado renunciar à candidatura em 22 de novembro de 2024.
Com isso, as articulações para a definição de um novo postulante precisaram ser aceleradas, com o objetivo de compor uma chapa de consenso na eleição marcada para 2 de dezembro de 2024. Foi aí que passou a ganhar força o nome de Romeu Aldigueri, à época ainda no PDT e líder do Governo na Assembleia. O parlamentar é um aliado direto de Cid e integra a ala do partido brizolista que migrou para o PSB ao lado do senador.
A chapa única para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa também envolveu uma composição de assentos com PT, MDB, PP, União Brasil, Cidadania, PSDB e Republicanos. A partir desse arco de alianças, Romeu tornou-se o 83º presidente da história do Parlamento Estadual. Por sua vez, Fernando Santana recebeu o comando da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará, como parte do acordo dentro da base governista.
A partir de abril, Romeu e Santana devem voltar a dividir o Plenário 13 de Maio. Além disso, o presidente terá a missão de lidar com forças distintas na Casa, em pleno ano eleitoral. O próprio político antecipou esse clima durante o balanço de 2025, na última sessão antes do recesso parlamentar, ao pedir um “debate em alto nível” aos pares.
“Venho aqui já a pedir antecipadamente, eu acredito que tivemos um ano muito bom, respeitoso, mas é importante que a gente exercite ano que vem, onde os corações vão estar mais acalorados, que a gente deixe algumas questiúnculas municipais para se resolver nos municípios”
Sobre o último ano do biênio da atual Mesa Diretora, Danniel Oliveira (MDB) salienta que a expectativa é ampliar os serviços da Casa para a população de uma forma geral. “Não se limitando ao Legislativo, também fortalecendo esse papel que não é nosso, mas que a gente contribui ajudando ao Executivo, que é o que a gente tem feito bastante", acrescentou o 1º vice-presidente da Casa.
Romeu Aldigueri deve encerrar o ciclo na Casa ao mesmo tempo em que busca uma vaga de deputado federal, tendo confirmado a postulação ao longo do ano passado. Enquanto isso, o nome da primeira-dama da Alece, Tainah Marinho (PT), já é ventilado como pré-candidata para o Parlamento estadual.
Após desajustes, oposição na Alece quer volta de 'cafés', reforça apoio a Ciro e aguarda PL e União
Entre desencontros e expectativas, a oposição da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) entra no ano eleitoral na tentativa de resolver pendências para o almejado palanque único da oposição. O grupo terminou 2025 em crise após o rompimento do PL Ceará com Ciro Gomes (PSDB), mas busca reforçar o apoio ao ex-ministro e retomar os encontros semanais.
Conforme deputados ouvidos pelo PontoPoder, o campo oposicionista também aguarda as definições da sigla bolsonarista e do União Brasil. Enquanto o PL vive incertezas diante da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que ecoam a nível estadual, o último ainda formaliza um processo de Federação com o PP e passa por uma disputa interna, acerca do apoio ao governador Elmano de Freitas (PT), entre nomes ligados ao Palácio da Abolição e opositores declarados.
É nesse cenário de nova ruptura que os encontros semanais da ala opositora da Assembleia Legislativa devem ganhar centralidade em 2026. Por meio do chamado “Café da Oposição”, o grupo tem debatido as estratégias para a Casa e o pleito eleitoral, recebendo políticos aliados.
O grupo já articula o primeiro “Café” do ano para 3 de fevereiro, data programada para a 1ª sessão ordinária de 2026, na terça-feira, logo após o fim do recesso parlamentar. A perspectiva é contar com as presenças de Ciro Gomes (PSDB), Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União).
No entanto, a participação do deputado federal André Fernandes (PL) não é esperada no primeiro momento. A partir da pausa anunciada pelo PL, interlocutores avaliam que o parlamentar só deve retornar aos encontros após uma nova deliberação nacional, tendo em vista o peso de ser o presidente estadual da sigla.
Ao mesmo tempo, conversas internas dão conta de que André segue em conversas constantes com o grupo, inclusive com o próprio Ciro, mas a retomada das articulações publicamente ainda deve demandar um tempo. O grupo defende que houve uma “pausa” na construção entre o PL e o ex-ministro, não uma ruptura.
MESA DE NEGOCIAÇÃO
Mesmo diante de outras crises no ano passado, o “Café da Oposição” têm conseguido reunir, de forma regular, os deputados do PL, do PSDB e das alas do PDT e do União que se opõem ao Governo Elmano de Freitas (PT), independentemente de crises e de outras deliberações dos diretórios.
No episódio mais recente, o PL anunciou a suspensão das negociações de apoio a Ciro na disputa pelo Governo do Ceará, em dezembro de 2025. O caso acabou expondo a resistência interna ao nome do tucano.
A crise envolveu, ainda, as desavenças públicas entre André Fernandes e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A esposa do ex-presidente tem defendido o apoio ao nome de Eduardo Girão (Novo) para representar a direita na disputa, enquanto o parlamentar costurava aliança com Ciro.
Líder do PL na Casa, a deputada Dra. Silvana (PL) ressalta que as negociações do grupo opositor seguem da mesma forma em 2026, mas a deliberação nacional só deve ser confirmada após o período de janela partidária, entre março e abril.
“O PL quer apoiar o candidato que vai ganhar. E o candidato que vai ganhar é o Ciro”, defende a parlamentar, ao afirmar que André será o responsável pelas articulações no Estado.
A posição é reforçada pelo esposo da política, o deputado federal Dr. Jaziel (PL). Para o parlamentar, mesmo diante da suspensão anunciada pela legenda, os nomes da ala opositora seguem trabalhando com a perspectiva de ter Ciro como o nome mais competitivo para a corrida eleitoral.
“O que está alinhavado é que será o Ciro mesmo, mas falta realmente a ordem de lá, do comando nacional. Mas o André está alinhado nessa perspectiva, nós todos, nessa perspectiva. A menos que surja um fato que desagregue. A gente está aqui pedindo a Deus para o Ciro estar dentro dessa trilha, se conter. Aí ajuda muito a nós todos”
O PAPEL DO GRUPO DA ALECE
A própria Assembleia Legislativa foi o palco do que foi considerado o primeiro movimento mais explícito de aproximação de Ciro com diferentes alas da oposição. Em um encontro de maio de 2025, o ex-ministro foi tratado como potencial candidato ao Governo do Ceará e anunciou apoio à pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL), pai do André, ao Senado.
As conversas motivaram a construção de uma estratégia de frente ampla para o pleito eleitoral de 2026. Contudo, ao longo de 2025, embates públicos entre lideranças acabaram expondo limitações na articulação.
Foi o caso de julho, quando críticas de Ciro Gomes ao ex-presidente Jair Bolsonaro fizeram André Fernandes recuar das tratativas e dizer que o PL lançaria candidato próprio. A crise foi contornada a partir da atuação de interlocutores, que costuraram uma aproximação que parecia sólida até dezembro.
Agora, o grupo de oposição da Assembleia tem a missão de, mais uma vez, aparar arestas e colocar todos os nomes contrários ao Governo Elmano na mesa de negociação. É nesse ponto que as conversas devem ganhar força dentro do “Café da Oposição” da Alece.
ARTICULAÇÕES PELA SAÍDA DO PDT
A oposição da Alece também vive a expectativa dos rumos partidários dos deputados Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho. Ambos os parlamentares fazem parte da bancada do PDT na Assembleia, integram o grupo e devem deixar a legenda na janela partidária.
O União Brasil e o PL são apontados como destinos partidários do quarteto, mas as negociações seguem em andamento até a janela partidária. Com a chegada de Ciro, o PSDB também passa a constar nessa equação.
"Nós vamos procurar um partido, dentro do União Brasil ou do PSDB para que a gente possa fazer a nossa filiação. Não só minha, como do grupo também, e alguns poderão ir também para o PL, dentro desse arco de aliança que está sendo montada na união das oposições no Ceará”, indicou Cláudio Pinho.
Por sua vez, Antônio Henrique minimiza os efeitos da decisão anunciada pelo PL para os rumos do grupo. “Se tiver a suspensão para valer, mesmo assim não é uma suspensão que vai levar o PL para o PT, nem nós vamos para o PT. Então, continua sendo oposição, o ‘café’ é da oposição ao governo, não é da oposição entre nós”, salienta.
INDEFINIÇÕES NO UNIÃO BRASIL
A Federação entre União e Progressistas foi anunciada no ano passado, mas ainda aguarda definições a nível nacional e estadual. No Ceará, lados opostos disputam o comando do arranjo partidário, entre aliados de Elmano, como os deputados Moses Rodrigues (União) e Fernanda Pessoa (União), e opositores declarados, a exemplo de Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União).
Membro da oposição, o deputado Felipe Mota (União) entende que muitas definições do grupo ainda dependem das deliberações nacionais. Isso, avalia o parlamentar, só deve ser fechado nos períodos voltados para filiações e coligações partidárias
“Nós estamos mais juntos do que nunca, mas todos nós estamos esperando a questão nacional, que não depende da gente. Não depende, depende mais dos deputados federais essa definição que não é conosco. E aí nós estamos amarrados. Então, não vou dizer para você que estou confortável com isso, porque não estou. Eu queria estar voando nisso aí já, com o PL votando no Ciro, com o PSDB, com União Progressista, mas nada disso foi definido. Nem mesmo o meu partido foi definido”
A ‘RECONSTRUÇÃO’ DO PSDB
Por outra via, como mostrou o PontoPoder, Ciro Gomes tem intensificado a agenda como presidente do PSDB Ceará. Desde a última semana, o dirigente tucano vem recebendo deputados, lideranças e outros políticos do interior na sede do partido em Fortaleza, com o tom de “cada vez mais candidato”, como indicam aliados nos bastidores.
O ex-ministro retornou ao PSDB em outubro do ano passado, assumindo o comando do partido em novembro. Além dele, a legenda filiou o ex-prefeito José Sarto para presidir o PSDB Fortaleza.
Em contato com a reportagem, Sarto avalia que a suspensão anunciada pelo PL foi algo pontual e não muda as articulações desenvolvidas ao longo do ano passado.
“O Roberto (Cláudio) está cuidando, no União Brasil, junto com o Wagner, de tentar fazer, consolidar essa aliança, ainda está longe, mas existe aí um sentimento comum. Nós temos muitas divergências, todo mundo sabe disso, mas o Roberto está fazendo essa ponte com União Brasil e o PL. Temos tido reuniões de discussão de temas, da importância de uma união pelo Ceará mesmo”
Além disso, Sarto reconhece o peso do comando estadual nas definições. “As questões regionais estão sendo direcionadas para as lideranças regionais. Por exemplo, aqui no Ceará, já foi dito pelo PL que a liderança regional que deve fazer essa intervenção é o deputado André Fernandes”, pontua.

Campanha eleitoral não terá como evitar tratar de crise fiscal
Por Editorial / O GLOBO
Ao longo de três anos de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só demonstrou preocupação com a questão fiscal no plano da retórica. E, mesmo assim, incontáveis vezes defendeu aumento de gastos, como se as despesas, mesmo em setores prioritários como educação, saúde ou segurança, não exigissem lastro na realidade orçamentária. O novo arcabouço fiscal implementado pelo ministro Fernando Haddad se revelou uma quimera, tantas foram as exceções abertas às regras. A preocupação é ainda maior neste ano eleitoral. Lula mais uma vez concorrerá ao Palácio do Planalto e, diante dos previsíveis gastos eleitoreiros, tudo indica que o quadro fiscal tende a piorar.
A escalada da dívida pública se tornou o indicador mais confiável e relevante, uma vez que as metas do arcabouço têm sido burladas com frequência. A trajetória do endividamento desenha um cenário dramático. Um olhar sobre a evolução da dívida bruta do governo geral (DBGG) em relação ao PIB não deixa dúvidas sobre o agravamento da situação. Nos governos de Dilma Rousseff, ela cresceu de 51,8% para 67,6%; na gestão Michel Temer, subiu a 75,3%; durante a administração Jair Bolsonaro, recuou para 71,7%. Nos três primeiros anos do atual governo, já escalou para 79% e é provável que até o fim do ano atinja números ainda mais exorbitantes, acima de 80%. A crise fiscal se tornou, portanto, tema inevitável da próxima campanha eleitoral, já que se trata de questão crucial para o próximo ocupante do Planalto.
Há risco de que a deterioração galopante das contas públicas se agrave com a saída de Haddad em fevereiro, para se dedicar à campanha de Lula. Nestes três anos, ele não conteve o ímpeto gastador da gestão petista. O arcabouço fiscal foi sabotado pelo Executivo e pelo Legislativo. O próprio Lula se esmerou em desmontá-lo com seu desprezo pela contenção de gastos, criando uma profusão de programas eleitoreiros, varrendo despesas para debaixo das metas e tornando os déficits recorrentes, quando deveriam ser exceção. Mas Haddad ao menos representava um contraponto a líderes petistas que não desejam controle algum de despesas. Com sua saída, diminuirá a resistência à pressão por mais despesas no ano eleitoral.
O governo sempre resistiu a medidas estruturais necessárias para conter a escalada da dívida, como a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo, a reforma administrativa com revisão das carreiras do setor público ou uma nova reforma da Previdência. A mágica para cobrir os rombos tem sido, até aqui, avançar sobre o bolso do contribuinte por meio do aumento de impostos. Como as despesas só fazem crescer, a sanha arrecadatória ultrapassou todos os limites do razoável, resultando em atritos com o Congresso e crises políticas. Doravante, não haverá mais espaço para aumento de impostos. Ninguém suporta mais.
Por isso o governo deveria tratar de conter a gastança enquanto é tempo. Quanto mais cedo promover um ajuste fiscal estrutural, menor será seu custo. Do contrário, Lula criará uma armadilha para si mesmo caso seja reeleito. Os números são claros ao demonstrar que 2027 será um ano difícil, com endividamento nas alturas e pouco espaço para investimentos. A história de Dilma Rousseff e o desastre de sua Nova Matriz Econômica já deveriam ter ensinado aos petistas o custo de desprezar o equilíbrio das contas públicas.
O Palácio do Planalto — Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo

