País terá de conviver com a direita popular
O espectro de um inédito movimento de massas de direita ronda o Brasil. Ativou-se em 2013 como derivado silencioso das marchas dos mais ricos nas ruas.
Constitui-se de pequenos proprietários, como os caminhoneiros recém-rebelados e os empreendedores familiares dedicados a arrancar em ambiente hostil o sustento que não vem do emprego.
Alastra-se pelo gigantesco setor de serviços de baixa produtividade. Caixas, frentistas, cobradores, motoristas, secretários, operadores de telemarketing, mecânicos, entregadores.
Da Coluna Política de Guálter George, o tópico “Bastidores quentes de uma campanha morna”.
Da Coluna Política de Guálter George, o tópico “Bastidores quentes de uma campanha morna”.
Têm sido dias intensos no comitê do senador Eunício Oliveira (MDB), candidato à reeleição. Parte verdade, parte fofoca, mas o certo é que sinais de resistência à campanha entre candidatos à Assembleia e Câmara Federal no arco de aliança governista criaram tensões internas, cobranças à equipe uma ordem geral de intensificar mais ainda as ações. A coisa andou tensa, muito tensa.
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Boa para três

Hospitalizado após se recuperar de um atentado há mais de uma semana, Jair Bolsonaro não pode soltar rojões no Hospital Albert Einstein para comemorar o resultado da pesquisa do Datafolha, divulgada na sexta-feira (14), em que aparece com 26% das intenções de voto para o Palácio do Planalto. Mas o deputado federal pode, sim, festejar. Salvo uma catástrofe nas próximas três semanas, ele estará no segundo turno. E o melhor para ele: as projeções de desempenho frente aos adversários, nas simulações para a finalíssima, são melhores do que as registradas no começo da semana.
Fernando Haddad (PT) embalou. Pulou de 9% das intenções de voto no começo da semana para 13%. O ex-prefeito de São Paulo usará e abusará da imagem do ex-presidente Lula. Toda semana fará uma ou mais visitas à Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. Lá está seu mestre, preso desde abril. Haddad não pode ser Haddad no primeiro turno. Terá de fazer papel de poste de Lula. É um repeteco. Fez em 2012 quando disputou o comando da capital paulista – e, sim, funcionou.
A busca pelo voto útil
Eleitores começam a considerar a hipótese de preterir o candidato de sua preferência em favor de outro capaz de derrotar alguém que, na sua ótica, representa um mal maior
Confuso, mas útil
Se os analistas andam meio incertos e os institutos de opinião chegam a divergir entre si, como Datafolha e Ibope nos dois últimos levantamentos com poucos dias de diferença, o que dizer de nós, simples observadores? Nunca foi tão apropriado o clichê que atribui às pesquisas a imobilidade de uma foto, não ao movimento de um filme ou mesmo à rapidez de uma selfie. Por isso, tenho ouvido a frase “ainda não sei em quem vou votar, vou esperar até a última hora”.
Há inclusive uma nova categoria, a dos convictos que vão votar contra, jamais a favor. Também não está fácil decifrar um processo em que, segundo as previsões, o candidato ganhador de todos os concorrentes no primeiro turno perderia para cada um dos outros no segundo.

