Bolsonaro defende fim da reeleição e redução de parlamentares em até 20%
Jussara Soares / FOLHA DE SP
RIO - O candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro , defendeu, neste sábado, o fim da reeleição e, que se vitorioso nas urnas no próximo domingo, a nova regra já passe a valer para ele próprio. Sem detalhar a proposta, o capitão da reserva afirmou ainda que atuará por uma reforma política que reduza o número de parlamentares em até 20%.
— Um presidente não tem autoridade de fazer reforma política, cada parlamentar vota de acordo com seu interesse. O que eu pretendo fazer, tenho conversado com o Parlamento também, é fazer uma excelente reforma política para acabar com instituto da reeleição, que no caso começa comigo se eu for eleito, e diminuir um pouco, 15% ou 20%, a quantidade de parlamentares - disse Bolsonaro.
Cidade berço do Bolsa Família dá 93% ao PT e teme vitória de Bolsonaro

Quando foi divulgado o boletim da única urna do povoado de Cajueiro, município de Guaribas (a 642 km de Teresina), o burburinho começou.
“Tu sabe quem foi?”, questionou Salvador Pereira dos Santos, 26. “Eu sei, foi da sua família”, retrucou um amigo. “Da minha nada. Meu primo disse que ia votar, mas era brincadeira, moço”, justificou o primeiro, em tréplica.
No distrito no qual vivem cerca de 300 moradores, apenas oito eleitores votaram em Jair Bolsonaro (PSL), candidato que terminou o primeiro turno em primeiro lugar na disputa pela Presidência da República.
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Informação e contrainformação
A situação é mais simples do que parece nessa guerra de informações, falsas ou verdadeiras, sobre a suposta – embora plausível – guerrilha ilegal de WhatsApp na campanha presidencial.
O PT está fazendo uma luta política, pois não existe possibilidade de impugnar a candidatura de Bolsonaro neste momento, a oito dias do segundo turno, e é muito difícil provar que houve abuso de poder econômico neste caso.
Não há nenhuma prova para basear o pedido de cassação de Bolsonaro, além da matéria jornalística inconclusiva da Folha de S. Paulo. Suspender a eleição, cassar Bolsonaro, ou chamar o terceiro colocado, como o PT e também o PDT querem, é fora de propósito.
Voto concentrado no Nordeste será desafio para o PT
Dos 31 milhões de votos obtidos por Fernando Haddad no primeiro turno, quase metade saiu das urnas do Nordeste. A popularidade do PT na região não é nenhuma novidade, mas o partido nunca dependeu tanto de seus principais redutos quanto agora.
Seja qual for o resultado da corrida presidencial, a composição do eleitorado petista passa por uma mudança este ano. O desgaste profundo da imagem da sigla e o avanço de Jair Bolsonaro (PSL) na classe média impulsionam esse rearranjo.
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A cristianização de Haddad - istoé
Mais do que um arroubo retórico ou desajuste na dose do rivotril, segundo as piadas mais infames, o discurso contundente de Cid Gomes, em evento do PT no Ceará, constituiu a pá de cal na candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República. Acabou. Não bastassem a vitalidade eleitoral exibida por Jair Bolsonaro, a consolidação de mais de 60% dos votos no candidato do PSL e a atração natural que um concorrente, digamos, com a “mão na faixa” exerce pela mera expectativa de poder, as cáusticas, mas sinceras palavras do político cearense representaram uma imensa janela de oportunidade para que partidos do espectro de esquerda — convocados a um cínico “pacto democrático” — cristianizassem o preposto de Lula.

