Terceira via decide lançar um só candidato à sucessão de Bolsonaro
06 de abril de 2022 | 18h27
BRASÍLIA — Dirigentes do MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania fecharam um acordo nesta quarta-feira, 6, e decidiram lançar apenas um candidato à Presidência da República. Mesmo assim, o grupo da terceira via só baterá o martelo sobre quem será o candidato no dia 18 de maio.
Até agora, o nome mais cotado para encabeçar a chapa única é o da senadora Simone Tebet (MDB-MS). O ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) também se movimenta, mas admite ser vice, caso haja essa dobradinha. O impasse ocorre porque quem venceu as prévias do PSDB foi João Doria, ex-governador de São Paulo, e não Leite.
Em comunicado emitido após reunião em Brasília, as cúpulas dos quatro partidos declararam que o objetivo dessa aliança é apresentar uma alternativa à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje lideram as pesquisas. “Conclamamos outras forças políticas democráticas para que possam se incorporar a esse projeto em defesa do Brasil e de todos os brasileiros", diz a carta.
O texto é assinado pelo presidente do União Brasil, Luciano Bivar; do MDB, Baleia Rossi; do PSDB, Bruno Araújo; e do Cidadania, Roberto Freire. Antes da definição, o União Brasil ainda pretende submeter uma sugestão de nome à análise do grupo, até o próximo dia 14.
O ex-juiz Sérgio Moro se filiou ao União Brasil após deixar o Podemos, mas seu novo partido não quer que ele seja candidato à sucessão de Bolsonaro. A ideia é que Moro concorra a uma vaga na Câmara dos Deputados, por São Paulo. A cúpula do União Brasil avisou que no próximo dia 14 submeterá o nome indicado pelo partido para apreciação do MDB, PSDB e Cidadania.
Na tarde desta quarta-feira, Eduardo Leite se reuniu com Simone Tebet, no Senado. Nesta manhã, em entrevista à Rádio Eldorado, a senadora afirmou ver Leite como um "grande ativo do PSDB".
Sentiu: chefão petista se assusta com Tebet, Leite e Moro juntos
Ricardo Kertzman / ISTOÉ
Lula da Silva, o ex-tudo (ex-presidente, ex-presidiário, ex-corrupto e ex-lavador de dinheiro) pode gostar de muita coisa – de dinheiro a poder, passando por uma cachacinha -, mas não suporta concorrência e democracia verdadeiras – aliás, nunca suportou.
Não à toa, conduz seu PT (Partido dos Trabalhadores) com mão de ferro e chave do cofre, desde sua fundação, jamais abrindo espaço para a renovação, muito menos permitindo aos demais partidos de esquerda, a participação efetiva no jogo eleitoral.
Todos sabem muito bem o porquê de suas indicações. Por exemplo: Dilma Rousseff e Fernando Haddad. Aliás, indicações, não, exigência; imposição. Como são sabidos os eternos boicote e subjugo a Marina Silva, Ciro Gomes e Guilherme Boulos, entre outros.
Ao trazer Geraldo Alckmin para sua chapa este ano, muito mais do que um aceno ao centro, o meliante de São de Bernardo deseja, como sempre, inviabilizar qualquer possibilidade de surgimento de uma nova liderança no partido ou em seus satélites.
Como eu disse, o barba não suporta concorrência. Talvez por isso a frase dita ontem, segunda-feira (4/4), sobre a possibilidade de união entre Simone Tebet, Eduardo Leite e Sergio Moro em torno de uma terceira via, ou centro democrático.
O pai do Ronaldinho dos Negócios disse: o que essas pessoas fizeram? Para ser líder tem de trabalhar muito, escutar muito. Não basta querer ser e pronto’. Ulalá, falou aquele que escuta muito (por um ouvido e sai pelo outro) e despreza o que lhe dizem.
Tebet, Leite e Moro têm muitos feitos, cada um em seu caminho. Escrevi a respeito disso e vocês podem saber um pouco mais sobre os três. Muito além, todos possuem qualidades que Lula jamais sonhou em ter; será este o grande incômodo do ‘pai dos pobres’?
O líder do petrolão e mensalão quer saber o que eles fizeram, mas vou dizer o que jamais fizeram: roubar! Jamais apoiaram e financiaram ditaduras e ditadores. Jamais chamaram de ‘amigo’ e ‘irmão’ terroristas sanguinários mundo afora. Que tal?
Seus filhos jamais enriqueceram às custas deles, ou melhor, dos cargos que ocupam ou ocuparam. E nenhum jamais dirigiu um partido político que foi protagonista dos maiores escândalos de corrupção do planeta e suspeito, inclusive, de dois assassinatos.
Eduardo Leite sinaliza que pode ser vice em chapa com Simone Tebet
04 de abril de 2022 | 09h50
Atualizado 04 de abril de 2022 | 13h34
O ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) sinalizou que pode ser vice na chapa da senadora Simone Tebet (MDB) para a disputa da Presidência da República. Em entrevista à Rádio Eldorado nesta segunda-feira, 4, o tucano afirmou ter “humildade” para abrir mão de aspirações pessoais e fazer composição com uma candidatura que se mostre viável contra a polarização. A parlamentar, segundo ele, “tem toda a condição de liderar esse projeto”.
"Temos de ter um entendimento do nosso papel como lideranças políticas, não apenas buscando ocupar um espaço político concorrendo, mas apoiando eventualmente aqueles que tenham essa capacidade. Entre outras pessoas, há o nome da senadora Simone Tebet, que tem toda a condição de ser uma liderança nesse projeto. É muito prematuro falar em que posição cada um tem que assumir. Mas a disposição nossa tem que ser construindo, apoiando, disputando na chapa como vice-presidente, se for o caso", afirmou Leite.
Segundo o tucano, a senadora tem uma aspiração legítima em se apresentar como candidata. "Tudo tem de ser muito conversado para viabilizar aquilo que tenho mais capacidade eleitoral. Tenho muito respeito pelo mandato da senadora, e sua aspiração legítima de se apresentar como candidata. Ainda não avançamos em conversas nessa direção, mas haverá o momento apropriado", complementou, sobre a formação da chapa.
Após ser derrotado nas prévias do PSDB, Leite intensificou articulações com o PSD para se viabilizar como possível pré-candidato do partido, mas, por fim, decidiu permanecer no ninho tucano. Este, segundo ele, foi mais um movimento que indica sua disposição de abrir mão de ser cabeça de chapa, já que, de acordo com o ex-governador, a sigla de Gilberto Kassab não foi a única a oferecer a possibilidade.
“Se eu quisesse mesmo ser candidato, tinha mais opções que o PSD. Eu tinha opções para uma candidatura, e mesmo assim não fui atrás desses caminhos mais fáceis”.
O gaúcho disse considerar que o momento pede “desprendimento” por parte dos nomes que se apresentam como “terceira via”. Seu principal adversário no PSDB, o governador João Doria, atual pré-candidato do partido, tem mostrado resistência a assumir o posto de vice de outras chapas. Na última quinta-feira, o paulista admitiu que, ao anunciar desistência da eleição, sua intenção era forçar a legenda a dar primazia à sua pré-candidatura, movimento que ele classificou como “estratégia política”.
Hoje, dias após telefonar a Doria dizendo respeitar o resultado das prévias, das quais o governador de São Paulo saiu vitorioso, Leite afirmou que a convenção nacional do partido é soberana, dando a entender que a candidatura do tucano paulista continua não sendo definitiva no partido. Leite afirmou que, até a data do evento, marcado para julho, “cada um vai ajustar seu papel nesse processo”. Esse ajuste, ele adiantou, será feito após conversas “francas e honestas” com Doria.
Apesar de reiterar que respeita as prévias, Leite condicionou seu respaldo a Doria ao alcance de viabilidade eleitoral do paulista. Disse que o governador terá “todo seu apoio”, desde que se mostre viável. “O PSDB reconhece a legitimidade das prévias, mas sabe também que vai precisar estar atento à competitividade das candidaturas”, afirmou. Além da baixa intenção de voto de Doria nas pesquisas - 2% -, Leite citou a alta rejeição marcada por ele, em torno de 30%, como uma dificuldade para o avança de seu nome.
O gaúcho afirmou que deve aproveitar esta semana, a primeira após deixar o Palácio Piratini, para intensificar conversas e tomar uma decisão sobre seu futuro político. Ele disse estar pronto tanto “para liderar o projeto, se for o caso”, quanto para apoiar aquele que tiver as melhores condições.
Sem candidato próprio, Kassab deve liberar palanques regionais, dizem aliados
Victoria Abel, da CBN / o globo
SÃO PAULO - Em meio à falta de nomes para uma candidatura própria à presidência da República, o ex-ministro e presidente do PSD, Gilberto Kassab, pode liberar palanques regionais do partido para apoios a candidatos de diferentes campos políticos, ainda no primeiro turno. A avaliação é de deputados e senadores do PSD. Interlocutores de Kassab afirmam que "não há chance alguma" do partido apoiar o ex-presidente Lula (PT) no primeiro ou segundo turno da corrida ao Planalto.
Terceira via: Tebet tenta se cacifar após crise no PSDB e saída de Moro, mas enfrenta resistências no MDB
O PSD é dividido. De um lado, o partido abriga apoiadores do ex-presidente Lula, principalmente no Norte e Nordeste do país, como os senadores Omar Aziz, do Amazonas, e Otto Alencar, da Bahia. Do outro lado, a sigla é preenchida por uma bancada mais conservadora, com parlamentares ligados à igreja evangélica Assembleia de Deus.
Um deles foi líder da bancada religiosa na Câmara em 2021, o deputado federal Cezinha de Madureira, liderança do Ministério Madureira da Assembleia, um dos ramos da igreja. Em São Paulo, a deputada estadual Marta Costa é filha do pastor presidente da Assembleia de Deus, José Wellington Bezerra da Costa.
– Pegou mal. Temos valores muito diferentes da esquerda – disse Marta Costa sobre a possibilidade aventada de Kassab apoiar Lula.
Diante dessa divisão, a liberação de palanques deve ser a saída mais provável de Kassab.
– Caso o partido não venha a ter um nome oficial, provavelmente os palanques nos estados estarão liberados para qualquer tipo de composição – disse o senador Ângelo Coronel.
Assembleia: Oito das dez testemunhas faltam a depoimento em defesa de Arthur do Val
Kassab ainda quer lançar um nome do partido e afirma aos colegas de legenda que tem até julho para a definição.
– O PSD insistirá até o último segundo de jogo em ter uma candidatura própria. Se o intento não se concretizar, a tendência, creio, será a de liberar os seus membros até porque dentro das bancadas da Câmara e do Senado há posições pró Lula e pró Bolsonaro – afirmou o deputado federal Fábio Trad (PSD).
Kassab tem se dividido entre Brasília e São Paulo, em meio às costuras para achar um nome do partido que agrade a todos para candidatura à presidência da República. O nome mais recente que circula na sigla é do deputado federal André de Paula, ex-líder da bancada do PSD na Câmara. Parlamentares afirmam que o deputado tem um perfil mais neutro, já que não é nem lulista, nem evangélico.
Gastos com marqueteiro na campanha de Lula podem chegar a R$ 45 milhões
04 de abril de 2022 | 05h00
A contratação do marqueteiro Augusto Fonseca e de sua agência, a MPB Estratégia e Criação, ampliou um intenso embate que transcorre nos bastidores do PT e da pré-campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte de suspeitas de caixa 2 em outras disputas, o marketing eleitoral da futura campanha de Lula já revive as cifras milionárias do passado.
Segundo apurou o Estadão, o primeiro orçamento apresentado pela agência escolhida foi de R$ 45 milhões para ações de comunicação. A briga pelo controle dos recursos milionários se tornou o ponto central das divergências entre os grupos do ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social Franklin Martins – conselheiro mais próximo de Lula – e o do secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto.
O secretário petista era contra a contratação de uma agência e defendia “estatizar” o marketing da campanha, mantendo as ações dentro da máquina do partido. Com apoio de Lula, Franklin bancou a escolha de Fonseca após uma concorrência na qual os valores não foram apresentados previamente, segundo dirigentes da legenda e integrantes da pré-campanha.
O valor pedido pela MPB é comparado por petistas aos cobrados por Duda Mendonça, histórico marqueteiro que ajudou Lula a se eleger em 2002 e que morreu no ano passado. Naquela campanha, Fonseca auxiliou Duda. A MPB fica em um prédio na Avenida Nove de Julho, em São Paulo, dois andares abaixo da antiga agência do simbólico marqueteiro das campanhas petistas. Além de Fonseca, os outros dois sócios da MPB, Manoel Antonio Canabarro e Eduardo de Matos Freiha, também atuaram com Duda. Canabarro já foi o braço direito do publicitário. Freiha chegou a ser condenado no mensalão.
Dirigentes do PT e integrantes da campanha afirmaram ao Estadão, sob condição de reserva, que apenas após a escolha ser feita por Franklin – e avalizada por Lula –, foram discutidos os preços dos serviços. Fonseca apresentou a cobrança de R$ 45 milhões para o primeiro turno da disputa. O valor envolve gastos com o marketing, locação de câmeras, ilhas de edição e serviços relacionados às redes sociais e internet. Está excluída do pacote a demanda de pesquisas, que costuma atingir valores milionários.
O Estadão mostrou, em março, que Franklin e Tatto têm protagonizado discordâncias sobre como conciliar a propaganda de Lula e do partido na corrida presidencial. A contratação da MPB acirrou a disputa interna e a levou para o campo financeiro, diante do elevado montante de recursos envolvido. Segundo dirigentes do PT, integrantes da pré-campanha e profissionais próximos de Fonseca, há uma negociação para reduzir este valor.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), empresas de pesquisa eleitoral, produtoras e locadoras de equipamentos custaram R$ 29 milhões em 2018, somadas a pré-candidatura de Lula – que acabou preso e barrado pelo TSE antes do pleito – e a candidatura de Fernando Haddad. O marqueteiro era Otávio Antunes, que fará a campanha do ex-prefeito ao governo de São Paulo. Antunes é jornalista e foi chefe de comunicação da Fundação Perseu Abramo. Tem boa relação com Tatto, para quem trabalhou na campanha ao Senado naquele ano.
Em 2005, em meio ao mensalão, Duda Mendonça confessou ter recebido R$ 10,5 milhões em caixa 2 no exterior para a campanha de Lula. Ele acabou absolvido, mas se tornaria delator anos depois, na Operação Lava Jato. Sócio da MPB, Freiha era produtor de vídeo de Duda à época. As investigações, no entanto, mostraram que seus serviços iam além das câmeras e ilhas de edição. Em 2015, foi condenado por evasão de divisas sob acusação de controlar contas atribuídas a Duda que receberam US$ 2,5 milhões no exterior. Em segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região reconheceu a prescrição da pena.
Quando a contratação da agência foi anunciada, somente o nome de Fonseca foi mencionado pela assessoria de Lula. Freiha é sócio administrador da MPB e participará da campanha como diretor de vídeo. Nas eleições de 2018, a MPB recebeu R$ 10 milhões pela campanha de Ciro Gomes (PDT). Hoje, Ciro tem como marqueteiro João Santana, que fez as campanhas de Lula, em 2006, e da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Santana foi delator na Lava Jato e confessou ter recebido valores da Odebrecht e da JBS no exterior pelas campanhas petistas. O marqueteiro e sua ex-mulher, Mônica Moura, devolveram R$ 80 milhões aos cofres públicos em seus acordos de delação.
Fonseca também trabalhou para a campanha de Aécio Neves (PSDB) em 2014, quando o então senador rivalizou com Dilma. Quando a petista foi reeleita, em 2014, último ano em que contribuições de empresas foram permitidas na disputa presidencial, a arrecadação foi de R$ 318 milhões. Em 2018, a campanha do PT ao Planalto recebeu valor bem inferior: R$ 55 milhões. Mas, com o aumento do fundo eleitoral aprovado pelo Congresso e avalizado pelo Supremo Tribunal Federal, partidos vão receber R$ 4,9 bilhões em recursos públicos. Atrás apenas do União Brasil, o PT terá a segunda maior fatia do bolo de recursos públicos: R$ 484 milhões para gastar em campanhas.
Procurados, Augusto Fonseca e Eduardo Freiha não se manifestaram. A assessoria de Lula e de Franklin Martins afirmou que não faria comentários sobre divergências internas do partido e valores da campanha. Sobre a contratação da MPB, disse que foi realizada uma concorrência entre quatro agências, e que foi escolhida a melhor proposta na opinião do ex-presidente, da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e de Franklin.
O PT nacional afirmou que “os valores e contratos com fornecedores para a campanha eleitoral serão negociados no devido tempo, de acordo com a legislação e levando em conta os recursos disponíveis das três fontes: fundo eleitoral, Fundo Partidário e arrecadação própria” do partido.
Para lembrar
Embate
O Estadão mostrou, em março, que a campanha de Lula ao Palácio do Planalto enfrenta uma disputa de bastidores pelo comando da comunicação.
Divergências
De um lado está o coordenador de comunicação da equipe de Lula, Franklin Martins, e, de outro, o secretário do PT, Jilmar Tatto. Os dois têm protagonizado divergências sobre como conciliar a propaganda de Lula e do partido na corrida presidencial.
Controle
Ex-ministro da Secom no 2.º governo Lula, Franklin quer ter o controle sobre todas as ações envolvendo o ex-presidente. Já Tatto exige autonomia para administrar as redes sociais, a TVPT – canal do partido no YouTube –, a rádio e o aplicativo da sigla




