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O recado que o governador Ratinho Júnior mandou a Lula em visita ao Paraná

Por Bela Megale / O GLOBO

 

O governador Ratinho Júnior (PSD) deu ordens expressas para que a segurança fornecida pelo Estado em torno das agendas de Lula no Paraná fosse reforçada. Por meio de um interlocutor, Ratinho Jr. também enviou um recado ao petista. Mandou dizer que não é seu inimigo nem adversário. Lula está no Paraná desde sexta-feira, onde participou da filiação do ex-senador e ex-governador Roberto Requião, em Curitiba. Esses foi o primeiro retorno de Lula ao Estado desde que foi solto, em novembro de 2019.   

Roberto Requião é o pré-candidato apoiado por Lula ao governo do Paraná. No evento de sexta, o ex-presidente fez elogios ao novo colega de partido e o comparou ao ex-governador de São Paulo Mario Covas, do PSDB. Lula disse que não se incomodava quando o tucano falava mal do PT e que tinha o mesmo sentimento sobre as manifestações de Requião, que por 40 anos foi do MDB. Afirmou que, nos dois casos, as críticas eram construtivas e pediu que o ex-senador seguisse com a mesma postura, agora como membro do PT.  

Neste sábado, o ex-presidente visitou um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Londrina, num ato que reuniu cerca de 10 mil pessoas. A ordem de Ratinho Júnior na cidade foi a mesma, fornecer o máximo de segurança para que visita do petista não tivesse intercorrências. Um grande aparato da Polícia Militar foi mobilizado no trajeto até o assentamento do MST. O governador concorrerá à reeleição, provavelmente com o apoio de Bolsonaro.

Bolsonaro desfez ilusão do PT de que Lula poderia prevalecer já no 1º turno... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2022/03/17/bolsonaro-desfez-ilusao-do-pt-de-que-lula-poderia-prevalecer-ja-no-1-turno.

Josias de Souza
 

Colunista do UOL

17/03/2022 09h23

Bolsonaro e seus operadores do centrão vivem situação parecida com a de um time de futebol que perde de 4 a zero e marca dois gols num adversário mais forte. Ciro Nogueira, líder do centrão e chefe da Casa Civil, exagerou ao prever que Bolsonaro vencerá a eleição no primeiro turno. Mas a animação do ministro, exibida em entrevista a Pedro Bial, não é despropositada. As pesquisas mais recentes sinalizam que Bolsonaro tornou-se um adversário mais duro de roer do que supunham Lula e seus aliados.

Desfez-se a ilusão de que Lula poderia prevalecer no primeiro turno. Num instante em que a deterioração da economia encurta os horizontes do brasileiro, Bolsonaro torna-se mais competitivo. Deve-se o paradoxo à ausência de recato com que o candidato à reeleição utiliza a máquina governamental e seus cofres. Antigo crítico do Bolsa Família, que chamava de "cabresto" eleitoral do PT, Bolsonaro saboreia uma expressiva queda da rejeição ao seu governo entre os beneficiários do auxílio Brasil de R$ 400.

Como antídoto contra a inflação desenfreada, o presidente joga a culpa pelo aumento dos combustíveis no colo de Joaquim Silva e Luna, o general que ele próprio nomeou para presidir a Petrobras. E atropela Paulo Guedes com um populismo que já inclui vale gás, perdão de dívidas dos estudantes no Fies, reajuste para professores, redução do IPI de fogões, geladeiras e afins, antecipação do 13º dos aposentados e liberação do FGTS. A generosidade eleitoral terá um custo. Mas Bolsonaro crê que a conta só será apresentada depois da eleição. A alternativa seria perder de goleada. Hoje, a derrota ainda está à espreita. Entretanto, o candidato à reeleição continua vivo em campo. Parece disposto a vender caro uma eventual derrota.

Terceira via é uma quimera da negação, mostram as pesquisas

A direita democrática ainda não conseguiu encontrar o seu lugar na eleição presidencial deste ano. Sei que muitos, à esquerda, acabaram de dar um risinho de canto de boca: "Direita democrática? Isso é como cabeça de bacalhau. Dizem que existe, mas ninguém vê".

Pois é. Cá nas minhas considerações, não se trata de uma fantasia. Mas ela não pode ser refém dos próprios equívocos. Se a prosa não mudar de rumo —e tenho dúvidas sinceras se haverá tempo—, o segundo turno entre Lula e Bolsonaro está contratado. Hoje, Lula é franco favorito e poderia vencer no primeiro turno. Mas a eleição não é hoje.

Há vários fatores concorrendo para tal quadro, que não chamo "polarização" —outra bobagem. Uma das causas determinantes está na tentativa de se criar uma quimera da negação: a "terceira via". Tratar-se-ia de um ser híbrido que, a um só tempo, carregasse virtudes de Bolsonaro (havendo alguma...) e de Lula, mas destinada a não ser nem uma coisa nem outra.

cnadidtos a presidenca 2022

Fui o primeiro a chamar essa criatura imaginária, gestada no mundo como ideia, de candidato "nem-nem". Se não faço atribuição indevida, tomei a expressão emprestada a Roland Barthes.

Era uma ironia. Dia desses, vi Luciano Bivar, presidente do União Brasil, a defender o "candidato nem-nem". Bolsonaro é a soma de sortilégios, burrice, truculência e desgoverno que conhecemos. Nota à margem: virou boneco de mamulengo da própria gestão e animador de reacionarismos.

Arthur Lira, Ciro Nogueira e seus sócios (des)governam o país, mantendo o Orçamento sequestrado. Não fosse assim, o biltre teria sido defenestrado. Nós pagamos o resgate. De volta ao fio.

O homem é tudo isso, mas tem uma base fiel, resiliente, que precisa da dose cotidiana de sandices para se manter unida. Há risco de falta de fertilizantes? A resposta é tentar acelerar, com a conivência de Lira, a mineração em terras indígenas, para indignação até das empresas legais do setor.

Ocorre que esses eleitores existem, são muitos milhões, habilmente mobilizáveis pelos miasmas de estupidez que emanam das redes sociais.

Vejam o caso de "Como se tornar o pior... filme do mundo". Trata-se de um monturo de piadas politicamente incorretas e de agressão a valores comezinhos da civilidade. A extrema direita tinha adorado as diatribes de um então ídolo seu, não é pastor Feliciano? Mas o protagonista virou desafeto. E as milícias bolsonarianas, afinadas com o espírito mafioso, são mais cruéis com "traidores" do que com inimigos.

O troço é pavoroso, mas não faz a apologia da pedofilia. Isso é mentira, e a censura é inconstitucional. Eis uma cama de gato. E muitas outras haverá. Defenda a Constituição, mesmo quando o objeto em disputa é ruim —e a lei também tem de proteger os idiotas— e leve na testa a pecha de "defensor da pedofilia".

Assim como, no passado, os que atacaram os desmandos da Lava Jato foram classificados de "amigos da corrupção" —espírito que ajudou a eleger Bolsonaro, note-se.

Essa gente veio para ficar. Será muito difícil entrar nesse universo sem aderir a seu cabedal de monstruosidades morais. Vinte e tantos por cento dizem "não" a um dos "nens". Bolsonaro é o que desejam. Sergio Moro tentou fornecer doses mais dissimuladas de reacionarismo, mas esse público não quer. O presidente toma de volta percentuais que eram seus e que o ex-juiz suspeito havia conquistado.

O segundo "nem", o que se refere a Lula, ignora a história do país da redemocratização a esta data e tenta reduzir a história do PT às peças judiciais criadas pelo lava-jatismo. O partido está fora do poder há seis anos.

Que tratamento o Estado brasileiro —incluindo a direita democrática lá do primeiro parágrafo— dispensou nesse tempo às demandas dos que têm renda de dois salários mínimos? São 70% dos brasileiros.

Inexiste legitimação política pela negação. De resto, cabe indagar: no que respeita à preservação da ordem democrática, Lula e Bolsonaro são mesmo equivalentes, são "nem-nem"? Ela não é o pressuposto a partir do qual as divergências devem ser exercitadas? Pergunta final: há tempo para corrigir o rumo?

REINADLO AZEVEDO / FOLHA DE SP

Lula ataca Bolsonaro e Moro na volta a Curitiba e diz não crer em Paraná 'conservador'

Katna Baran / folha de sp
 
lula no paraná REQUIÃO
CURITIBA

Dois anos e quatro meses depois de deixar a carceragem da PF em Curitiba, onde permaneceu preso por 580 dias após condenação na Lava Jato, o ex-presidente Lula voltou à capital do Paraná, nesta sexta-feira (18), e participou do evento de filiação ao PT do ex-governador e ex-senador Roberto Requião.

Em discurso, o petista atacou os principais oponentes na corrida eleitoral, Jair Bolsonaro e Sergio Moro, e disse não acreditar em um Paraná "conservador".

"O Paraná será aquilo que a gente tiver a disposição de conversar e convencer o povo, já tive vitórias memoráveis aqui. Possivelmente precisamos, quem sabe, modelar o nosso discurso para que a gente possa convencer a maioria desse povo", afirmou.

O ex-presidente também criticou a criação por Arthur Lira (PP-AL) de uma comissão na Câmara Federal para discutir o modelo de semipresidencialismo para o país. "Só pode ser medo da nossa volta", disse Lula, que também chamou o orçamento secreto do Congresso de "maior vergonha que o Brasil já teve".

 

A maior parte do discurso do petista foi dedicado a propostas de governo opostas à atual gestão de Bolsonaro, a quem chamou de "psicopata", citando principalmente a alta nos preços de produtos básicos, como alimentos e combustíveis. "Esse país tem que ser construído porque o destruíram moralmente".

O ex-presidente também cutucou Moro, que, enquanto juiz, o condenou em processos da Lava Jato. "Tenho orgulho de estar falando da terra de onde Moro achou que era rei, mentindo para a sociedade brasileira e para a imprensa. Eles pensavam que eu estava destruído [...], mas eu não podia dar o prazer para essa canalhada".

A filiação de Requião contou com nomes de peso do PT, como o governador Wellington Dias (PI), o senador Jacques Wagner (BA), e a deputada federal e presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR).

O evento começou por volta de 18 horas e só foi finalizado às 22h30, com discursos de vários dos presentes.

Requião falou por mais de meia hora, exaltando ações de seus dois mandatos como governador do Paraná e criticando seu principal oponente na disputa de 2022 pelo Executivo, o atual governador Ratinho Jr (PSD).

Ele prometeu retomar o que chamou de gestão "para os pobres", com o retorno de diversos programas sociais.

Ele também cutucou membros do MDB, partido do qual fez parte por 40 anos, mas deixou em agosto do ano passado, após perder a presidência estadual da legenda.

Hoje, a aglomeração está alinhada pela reeleição de Ratinho. "A causa nacional e a causa paranaense assim exigem, impõe que tomemos um lado", disse.

O ato de filiação lotou uma plateia de cerca de 4 mil pessoas em um centro de eventos da capital. Do lado de fora, antes do início oficial do evento, um grupo de apoiadores de Bolsonaro se manifestou contra Lula em um carro de som.

Membros de ambos os grupos chegaram a arremessar objetos uns contra os outros, mas a confusão foi controlada pela Polícia Militar, que reforçou a segurança no entorno do espaço.

Em grupos de WhatsApp, coordenadores de grupos de direita pediram que seus membros manifestassem com respeito às ordens das forças de segurança.

O diretório do PT do Paraná também preparou um esquema especial de segurança para a visita do ex-presidente. Para entrar no evento, houve revista com detector de metais.

Requião já cumpriu três mandatos de governador e agora disputará novamente o cargo, desta vez pelo PT.

Enquanto candidato, ele terá o desafio de enfrentar a tentativa de reeleição de Ratinho, que tem sido bem cotado nas sondagens. O PT nunca assumiu o Executivo do Paraná, estado conhecido pelo perfil conservador.

Apesar de alguns momentos de atritos com o partido - principalmente quando ocuparam espaços opostos no período eleitoral no Paraná - Requião sempre foi próximo ao PT.

"Haverá divergência, tropeços, dificuldades, mas fundamentalmente estaremos de acordo com as táticas empregadas. O nosso objetivo único é um só: escorraçar a canalhada que se instalou no Paraná e no Brasil", disse em discurso.

Mais cedo, Lula se reuniu com membros da vigília que o acompanhou durante os 580 dias em que ele ficou preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Ele descreveu o encontro como um dos "mais emocionantes da vida".

No sábado (19), o ex-presidente segue para Londrina, norte do estado, em uma visita organizada pelo MST ao assentamento Eli Vive, em Lerroville, um dos oito distritos rurais do município, a cerca de 57 km da área urbana.

Criado há 13 anos, o assentamento tem 7.500 hectares de extensão e abriga 501 famílias, com cerca de 3.000 moradores.

Por que o desempenho de Bolsonaro melhora nas pesquisas? Entenda

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 05h00

Em 18 pesquisas eleitorais divulgadas desde o início do ano, o presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece crescendo levemente ou oscilando para cima, dentro da margem de erro. Isso pode indicar que o pagamento do Auxílio Brasil, iniciado em janeiro, está influenciando a seu favor. Mas esse efeito, até o momento, é pouco expressivo – no máximo, o candidato à reeleição subiu três pontos porcentuais.

O movimento coincide com o recuo do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), que apresenta baixa nos mesmos levantamentos. É como se parte de seus simpatizantes estivesse migrando ou voltando para o bolsonarismo. Líder na corrida eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou praticamente estável na maioria das pesquisas em 2022.

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Bolsonaro, durante visita ao Senai Cimatec, em Salvador, nesta quarta-feira, 16; presidente foi recebido com vaias. Foto: Alan Santos/PR

A mais recente foi publicada nesta quarta-feira, 16. Segundo o instituto Quaest, Lula figura com 46% das intenções de voto. Bolsonaro tem 26% e é seguido por Ciro Gomes (PDT), com 7%, e Moro, com 6%. Esses valores se referem às médias de cada candidato nos três cenários testados. Na série de três pesquisas que o Quaest fez desde janeiro, o presidente subiu três pontos, enquanto Lula oscilou um ponto para cima. 

Ao acabar com uma das principais marcas dos governos petistas, o Bolsa Família, e criar o Auxílio Brasil, programa mais abrangente e com pagamentos mais elevados – embora sem garantia de continuidade –, Bolsonaro tinha a expectativa de capturar o eleitorado mais fiel a Lula, o de menor renda. Até o momento, não houve mudanças expressivas nesse segmento.

Na pesquisa Quaest, o petista tem 35 pontos porcentuais de vantagem sobre o presidente (54% a 19%) entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos. No mês passado, o placar era de 55% a 16%. O instituto não divulgou o detalhamento por renda em janeiro.

O Auxílio Brasil não foi o único fator a influenciar o eleitorado desde o início do ano, período marcado pelo aumento da inflação e por um novo agravamento da pandemia de covid-19. Em março, segundo a Quaest, quase metade dos eleitores (47%) apontaram a economia como o principal problema do País. O termo agrega temas como desemprego, inflação e crescimento. Em janeiro, a economia causava menos preocupações – era citada por 37% como o pior problema.

Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria, Bolsonaro não está roubando, mas recuperando votos perdidos. “O que a gente está observando é a volta dos que não foram. Aquele eleitor que foi do Bolsonaro, que tentou sair dele à procura de um candidato mas não conseguiu decidir-se em nenhum nome e agora está voltando para o lugar de onde nunca saiu”, disse. 

Marco Antonio Carvalho Teixeira, pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas, concorda. “Bolsonaro volta a índices próximos de avaliação do governo”, disse. 

O Quaest, contratado pela corretora de investimentos Genial, fez 2.000 entrevistas presenciais em 120 municípios. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o protocolo BR-06693/2022.

O PoderData também divulgou na quarta-feira, 16, pesquisa, que mostrou Lula com 40% e Bolsonaro com 30%. Diferentemente do Quaest, o PoderData faz pesquisas por telefone. Estas, na comparação com as presenciais, tradicionalmente atribuem resultados piores para Lula e melhores para os adversários. /COLABOROU GUSTAVO QUEIROZ

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