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Datafolha cai sobre terceira via como uma lápide.

Josias de Souza

Colunista do UOL

24/03/2022 18h40

A pouco mais de seis meses da eleição presidencial, o Datafolha divulgou uma pesquisa que reforça a perspectiva de uma disputa de segundo turno entre Lula (43%) e Bolsonaro (26%). Os números potencializam uma tendência já esboçada em outras pesquisas. Os principais candidatos alternativos —Sergio Moro (8%), Ciro Gomes (6%), João Doria (2%) e Simone Tebet (1%) — não esboçaram reação. Continuam perambulando pela conjuntura como figurantes. Juntos, somam 17%. Não dão um Bolsonaro.

O capitão oscilou quatro pontos para cima em relação ao levantamento anterior. Lula escorregou cinco pontos para baixo. Embora as duas pesquisas não sejam absolutamente comparáveis, pois houve um entra e sai de candidatos no rodapé da lista de candidatos, a melhoria da situação de Bolsonaro é reforçada pela avaliação do seu desempenho no Planalto. O índice de reprovação do presidente continua alto, mas caiu sete pontos percentuais -de 52% para 46%. A taxa de aprovação oscilou três pontos para cima —de 22% para 25%.

Contrariando as expectativas dos rivais, que esperavam ultrapassá-lo, Bolsonaro não derreteu. E ainda atraiu de volta para sua órbita um pedaço do eleitorado conservador que parecia desencantado com suas diatribes, mas não se encantou com as opções disponíveis no mercado eleitoral..

Partidos como o PSDB de Doria, o MDB de Simone e o franco atirador União Brasil articulam uma improvável candidatura única. Tentam atrair para a mesa Moro e Ciro. Alegam estar vivos, pois a campanha só começaria para valer no meio do ano. O diabo é que o eleitorado parece enxergar abaixo de Lula e Bolsonaro vivos tão pouco militantes que se apressa em enviar-lhes coroas de flores.

Antecipar resultado de eleição é sempre uma temeridade. Mas vai ficando evidente que a ascensão de Bolsonaro encurta a margem de manobra dos que ainda sonham em retirá-lo do segundo turno. Os dados do Datafolha caem sobre a chamada terceira via com o peso de uma lápide.

 

 

Lula faz ataques seletivos a Petrobras e Congresso e ignora escândalos sob PT

Felipe Bächtold / FOLHA DE SP
 
LULA EM CURITIBA
SÃO PAULO

Temas priorizados pelo ex-presidente Lula (PT) em declarações públicas na pré-campanha, a gestão da Petrobras e a relação com o Congresso também serão vidraças eleitorais para o pré-candidato na eleição deste ano.

Em discursos e entrevistas nas últimas semanas, o ex-presidente tem feito distorções acerca do histórico de seu governo em relação ao tema dos combustíveis. Também mirou o Legislativo ao pedir em eventos com a militância mais esforço para eleger aliados.

A Petrobras e a negociação com o Congresso estão na gênese das duas principais crises vividas nos mandatos petistas na Presidência: a revelação do mensalão, em 2005, e as descobertas da Lava Jato, já no governo Dilma Rousseff, a partir de 2014.

No último dia 19, no interior do Paraná, Lula afirmou que a atual legislatura representa "talvez o pior Congresso da história do país" e que é preciso mudar "a qualidade dos deputados e senadores", declaração que motivou resposta do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O petista afirmou também que o governo Jair Bolsonaro (PL) concebeu um orçamento secreto que "serve para comprar voto de deputado para fazer desgraceira".

O ex-presidente se referia ao pagamento das chamadas emendas de relator do Orçamento, incluídas pelo Congresso a partir de 2020 e hoje principal moeda de troca do governo com o Legislativo. Na prática, a destinação dessas verbas, que chegaram a R$ 16,8 bilhões no ano passado, é decidida sem transparência pela cúpula da Câmara e do Senado, sem especificação do parlamentar que a indicou.

Na terça-feira (22), Lula voltou ao tema, de maneira mais amena, em entrevista para uma rádio de Santa Catarina. Disse, sobre o centrão, que qualquer presidente, eleito democraticamente, "tem que conversar com essas pessoas, independentemente de gostar ou não".

Mas afirmou que "não dá para ver o Congresso funcionando da forma como está hoje", com mais poder em detrimento do papel do presidente da República.

​O pagamento de emendas parlamentares é um antigo foco de fisiologismo e cooptação na relação entre o Executivo federal e o Legislativo.

Em escala menor, no governo Lula, em 2007, Folha noticiou o pagamento na semana de votação na Câmara da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) de 10% de tudo o que havia destinado para emendas naquele ano. O valor somava só naqueles cinco dias R$ 159 milhões, em valores não atualizados.

O atual bloco de apoio de Bolsonaro, criticado pelo PT, também contém ex-integrantes da base aliada de Lula, incluindo o PL, hoje sigla do presidente, mas que foi longeva aliada dos governos petistas.

Eleito por coligação minoritária no Congresso, em 2002, Lula teve que abrir as portas do governo e de ministérios a legendas distantes de seu campo político, como PTB e PP.

Foi no âmbito dessa negociação que surgiu o esquema apelidado de mensalão, a compra de apoio parlamentar no Congresso que motivou denúncia julgada no STF (Supremo Tribunal Federal) em 2012.

A mais alta corte do país condenou 25 pessoas, incluindo políticos petistas, por integrar esquema destinado a garantir sustentação do governo no Legislativo.

A divisão de espaço entre aliados no governo do PT também está no cerne da outra grande foco de controvérsia relacionada ao partido: o loteamento de diretorias da Petrobras entre partidos, origem do esquema de desvios na estatal alvo da Lava Jato.

A tese das autoridades da operação, repetida em documentos judiciais até hoje, inclusive do Supremo, é a de que existia um cartel de construtoras na Petrobras no qual havia o pagamento de propina, sendo parte destinada aos partidos aos quais os então diretores eram ligados –PT, PP e MDB.

O diretor de Abastecimento nos governos Lula e Dilma, Paulo Roberto Costa, foi o primeiro delator da Lava Jato.

Na esteira de críticas à alta da gasolina sob Bolsonaro, Lula tem trazido a estatal a seus discursos de pré-campanha, comparado iniciativas do atual presidente com as tomadas por seu governo no setor de combustíveis, como a construção de refinarias e a política de preços da época.

"Foi um momento de ouro. Porque a Petrobras não era tratada como uma empresa de petróleo. Ela é uma empresa de petróleo, de óleo, de gás, mas também é uma empresa que investe no desenvolvimento do país", afirmou o petista em entrevista a uma rádio da Paraíba no último dia 15.

Os projetos da estatal naquela época começaram a sofrer questionamentos ainda antes da Lava Jato, por exemplo, quando o TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou em 2011 o bloqueio de verbas à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, uma das mais mencionadas posteriormente na Lava Jato.

Em 2021, a corte de contas afirmou em relatório que o custo de construção do complexo pulou dos US$ 2,4 bilhões estimados inicialmente para US$ 20,1 bilhões e que o empreendimento era "economicamente inviável".

O ex-presidente tem dito que a elite brasileira está tentando vender a ideia de que a empresa não é produtiva nem rentável apenas como estratégia para preparar sua privatização.

Em viagem ao México, neste mês, o ex-presidente afirmou que a descoberta do pré-sal, em seu governo, esteve por trás do impeachment de Dilma, em 2016, e da cassação de sua candidatura à Presidência em 2018.

"Querem entregar o nosso petróleo para as empresas que sempre mandaram no petróleo no mundo", disse ele, na ocasião.

Folha procurou a assessoria do petista para comentar o assunto, mas não obteve resposta.

CÁLCULO POLÍTICO

O cientista político Marco Antonio Teixeira, que é professor da escola de administração da FGV (Fundação Getulio Vargas), vê a ênfase de Lula na questão da Petrobras menos como uma vacina diante de eventuais críticas acerca do histórico do PT na estatal e mais como um cálculo político em um assunto de enorme impacto no eleitorado, a inflação.

"É o maior fator de desgaste do governo Bolsonaro e que pode de alguma maneira, pela memória retrospectiva do período dele [Lula], trazer algum tipo de vantagem", diz.

Também afirma que o ex-presidente tem como trunfo nessa seara o fim dos processos em que era réu no âmbito da Lava Jato e que os escândalos de corrupção já foram "exaustivamente explorados em eleições anteriores", podendo até ser ofuscados por casos mais recentes, como a crise que eclodiu no Ministério da Educação nos últimos dias.

O cientista político também vê o atual momento eleitoral como de muita instabilidade, inclusive no tom dos discursos, que só ficarão mais claros com a definição das alianças dos partidos.

Em relação às críticas do petista ao atual Congresso, Marco Antônio Teixeira considera uma tentativa equivocada de explorar a baixa popularidade do Legislativo hoje.

"Dificilmente vamos ter um Congresso tão diferente deste. Dificilmente vamos ter um governo que não vai depender do ​centrão."

 

Datafolha: Cai diferença entre Lula e Bolsonaro no 2º turno das eleições

Igor Gielow FOLHA DE SP
 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue líder das simulações de segundo turno para o pleito de outubro, mas o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) encurtou as distâncias para todos os seus adversários.

É o que mostra a nova rodada da pesquisa do Datafolha, que ouviu 2.556 pessoas em 181 cidades nesta terça (22) e quarta (23). O levantamento tem uma margem de erro de dois pontos para mais ou menos e está registrado no TSE sob o número BR-08967/2022.

A pesquisa aponta Lula à frente do incumbente em todos os cenários por uma distância semelhante no primeiro turno, de 43% (44% em 1 das 4 simulações) a 26%. Isso levaria a uma segunda rodada da eleição, no dia 30 de outubro.

No levantamento anterior do Datafolha, feito de 13 a 16 de dezembro passado, Lula vencia Bolsonaro por 59% a 30%. A diferença caiu para 55% a 34%. Dez por cento dos ouvidos não votariam em nenhum dos dois.

O presidente também encurtou a sua vantagem sobre seus outros adversários em simulações de segundo turno, ilustrando a percepção de melhora relativa em sua condição para o pleito —o que torna, segundo a fotografia atual tirada pelo Datafolha, mais difícil a hipótese de que venha a enfrentar outro nome da lista atual se não o petista.

Bolsonaro, que lançará sua pré-candidatura no domingo (27), é superado pelo ex-juiz Sergio Moro, que foi seu ministro da Justiça e deixou o governo o acusando de interferência ilegal na Polícia Federal, por 42% a 34%. Há três meses, a distância era de 48% a 30%. Não escolhem nenhum dos dois 22%.

Movimento semelhante ocorre com Ciro Gomes (PDT), mas agora perde por 11 pontos (46% a 37% para o ex-ministro). Em dezembro, eram 21 pontos. Agora, 16% dizem não votar em ninguém, ou escolher entre voto nulo ou branco.

Já a vantagem do governador paulista João Doria sobre Bolsonaro, um dos poucos trunfos que o tucano sempre apresentava em sua luta para viabilizar a candidatura, acabou. O presidente subiu de 34% para 39%, encostando em Doria, que caiu de 46% para 40%. Não votam em nenhum deles 20%.

Lula, por sua vez, segue onde estava em dezembro, em relação aos outros rivais. Bate Moro por 54% a 32% (13% de nulos), Ciro por 54% a 28% (17% de nulos) e Doria por 57% a 21% (20% de nulos).

Mas, em todas as hipóteses testadas, Lula oscilou entre dois e três pontos percentuais para baixo, indicando que o atrito da campanha parece começar a fazer efeito sobre o petista.

 

 

Em uma região do país Bolsonaro ganharia de Lula, com 15% de vantagem

Por Gilson Garrett Jr / examePublicado em 25/03/2022 09:00 | Última atualização em 24/03/2022 18:28Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Caso o segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto fosse hoje, o presidente Jair Bolsonaro (PL) venceria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em apenas uma região do país. De acordo com a mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, o presidente teria 50% das intenções de voto no Centro-Oeste, contra 35% do petista.

É a única região brasileira em que Bolsonaro venceria Lula. Em todas as outras, Lula sai na frente, sendo a maior vantagem no Nordeste (65% a 30%), seguido de Sudeste (47% X 37%), Norte (47% X 42%), e do Sul (43% X 39%).

A sondagem ouviu 1.500 pessoas entre os dias 18 e 23 de março. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-04244/2022. A pesquisa EXAME/IDEIA é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. Confira o relatório completo aqui.

Nos números gerais de simulação de segundo turno, Lula ganhou 1 ponto percentual na disputa com Bolsonaro, e o atual presidente ganhou 2 pontos, se comparado com a pesquisa de 24 de fevereiro. Com esta alteração, o embate entre os dois está 50% X 37% das intenções de voto, em favor do petista.

Primeiro turno

No primeiro turno, o ex-presidente Lula teria 40% dos votos, e o presidente Jair Bolsonaro estaria em segundo lugar, com 29%. Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos) teriam 9% cada. Os números são de uma pergunta estimulada, quando os nomes são apresentados previamente.

Em relação à última pesquisa, feita há um mês, Lula perdeu 2 pontos percentuais e Bolsonaro ganhou a mesma quantidade. Ambas mudanças são dentro da margem de erro. Com isso, a diferença entre os dois caiu de 15% para 11%, o que pode mostrar uma tendência de acomodação de votos, como explica Maurício Moura, fundador do IDEIA.

“É importante ficarmos atentos a melhora de indicadores do presidente Jair Bolsonaro. Alguns, obviamente, estão relacionados ao aumento da popularidade, de aprovação do governo. Porém, há outras evoluções positivas, de intenção de voto, principalmente estimulada, que estão mais alinhadas com uma maior acomodação dos antipetistas na candidatura do Bolsonaro, que não enxergam nas outras alternativas um potencial de vencer o PT no segundo turno”, diz.

Olhando as parcelas populacionais, entre os evangélicos, grande força do presidente, Bolsonaro melhorou seus indicadores. Há um mês, 35% destes eleitores votariam no atual presidente, agora são 54%. "É uma reacomodação de bolsonaristas, ou de pessoas mais favoráveis ao presidente nesse momento", avalia Moura.

Em uma pergunta espontânea, em que os candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados, Lula e Bolsonaro somam quase 60% das intenções de voto em um eventual primeiro turno.

 

 

Bolsonaro ganha fôlego e marca 26% no 1º turno; Lula lidera com 43%, aponta Datafolha

Igor Gielow / FOLHA DE SP

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrou ter recuperado um pouco de fôlego na corrida para o Palácio do Planalto e chegou a 26% de intenções de voto na disputa, que segue sendo liderada pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, com 43%.

Empatados em terceiro lugar vêm ex-juiz Sergio Moro (Podemos, 8%) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT, 6%), seguidos de perto por um pelotão de adversários.

É o que indica a nova pesquisa do Datafolha sobre a eleição presidencial de outubro, feita com 2.556 eleitores em 181 cidades de todo o país, nesta terça (22) e quarta-feira (23). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08967/2022.

A pesquisa não é diretamente comparável à pesquisa anterior, feita de 13 a 16 de dezembro, por aplicar cenários distintos —basicamente, retirando nomes que saíram da disputa, como o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e do ex-ministro Aldo Rebelo (sem partido).

Foram incluídos nas simulações deste levantamento os nomes de Vera Lúcia (PSTU), André Janones (Avante) e Leonardo Péricles (UP).

Naquela rodada, Lula oscilava de 47% a 48%, e Bolsonaro, de 21% a 22%. Outros números, esses comparáveis com dezembro, mostram uma leve melhoria do cenário para o presidente, algo já apontado em análise de redes sociais.

Ele ganhou cinco pontos na intenção espontânea de voto (18% para 23%), enquanto o petista oscilou de 32% para 30%.

Em todas as simulações de segundo turno, o presidente avançou. Na disputa com Lula estreitou em oito pontos a margem de vantagem do petista, que ficou em 21 pontos (55% a 34%). E sua rejeição caiu cinco pontos, embora se mantenha em altos 55%.

O Datafolha especulou quatro cenários, com mudanças apenas no andar abaixo dos quatro primeiros colocados. Os resultados foram semelhantes para eles, tomando por base a hipótese 1: Lula tem 43%, Bolsonaro, 26%, Moro, 8% e Ciro, 6%.

Neste desenho, eles são seguidos pelo governador paulista, João Doria (PSDB) e pelo deputado Janones, ambos com 2%, empatados tecnicamente com o pelotão do 1%: Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia e Felipe D'Ávila (Novo). Péricles não pontuou. Brancos e nulos somam 8% e não souberam responder, 2%.

O cenário, portanto, consolida por ora a polarização entre Lula e Bolsonaro, exatamente o que os estrategistas de ambos os lados desejavam desde o ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal abriu o caminho para a candidatura do petista ao restituir seus direitos políticos em meio à anulação de condenações impostas pela Operação Lava Jato de Moro a ele.

Alguns fatores concorrem para o cenário não tão adverso quanto antes a Bolsonaro agora. O mais evidente, o avanço da campanha. Há o eventual efeito do programa de transferência de renda Auxílio Brasil e a discreta melhoria do cenário macroeconômico na esteira da guerra da Ucrânia.

Por outro lado, e influenciado pelo conflito, há a nova pressão inflacionária sobre alimentos e combustíveis, um processo que ainda não está precificado e está diretamente ligado à continuidade da guerra de Vladimir Putin —e o que ocorrerá com as sanções impostas à Rússia a depender de como ela acabar, se acabar.

Bolsonaro, influenciado pela percepção do desastre de marketing que comandava, amainou suas falas negacionistas sobre a Covid-19 e contra vacinas.

O arrefecimento da onda da variante ômicron também levou à liberação progressiva das restrições nas cidades, o que gera um fator de bem-estar que pode, à imagem reversa do que ocorre com as más notícias, favorecer o governante de plantão.

Lula, por sua vez, será cada vez mais vidraça, após um 2021 em que praticamente só colheu boas notícias. Seu cartucho mais vistoso, a adesão do ex-tucano Geraldo Alckmin ao PSB para tornar-se o vice em sua chapa, tem efeito eleitoral incerto.

O embate entre o atual ocupante do Planalto e aquele que por lá ficou de 2003 a 2010 por ora segue linhas semelhantes às diferenças históricas de perfil de eleitorado, algo que teve uma inflexão no pleito de 2014 e mudou totalmente em 2018, quando o misto de antipolítica e antipetismo levou Bolsonaro ao poder.

Lula se mantém soberano no Nordeste, com 55% das intenções de voto e 3 das 4 simulações (semelhantes 54% no cenário 4). Moram na região, na amostra do Datafolha, 26% dos brasileiros. É um patamar algo menor do que o registrado em pesquisas anteriores, contudo, não comparáveis de forma direta. Lidera entre os menos escolarizados (55%) e jovens (51%).

Seu principal ativo é entre os mais pobres. Neste grupo, que soma 53% dos ouvidos, ele tem 51% de intenções de voto.

Como referência apenas, ele tinha 40 pontos de vantagem no segmento sobre Bolsonaro em dezembro e agora registra 32. Apenas levantamentos subsequentes indicarão se isso é uma tendência associada ao Auxílio Brasil.

O presidente segue por ora com o seu eleitor padrão. Ele tem 38% e 39%, batendo Lula (27% e 26%), entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos e entre os de renda acima de 10 mínimos, respectivamente. Esses dois grupos somam 9% da população. Como é usual, seus melhores desempenhos regionais são no Sul (33%) e no Norte/Centro-Oeste (30%), embora perca de Lula.

Em relação aos levantamentos mais recentes, Bolsonaro parece ter recuperado espaço entre evangélicos, grupo de apoio vital em 2018 e que está no centro do mais recente escândalo do governo, com o favorecimento a pastores no Ministério da Educação.

Nesta pesquisa, o presidente empatou com Lula no grupo, com vantagem numérica (37% a 34%).

De resto, a pesquisa traz um cenário desolador neste momento para a chamada terceira via, que ainda aposta em uma aglutinação contra a dupla na ponta mais à frente. Articuladores de algumas dessas candidaturas afirmam, contudo, acreditar que o cenário só começará a se definir no meio do ano e quando começar a campanha na TV, em agosto. Até lá, dizem, será uma travessia de deserto.

Moro, após surgir como novidade na disputa no fim de 2021, vê as dificuldades políticas que enfrenta se traduzirem em números. Seus 8% estão abaixo do patamar de dois dígitos que seus apoiadores previam já para o começo deste ano.

Ciro, por sua vez, sofre com um desempenho que se insinua inferior ao da eleição de 2018 (12,47% no terceiro lugar). Com a via mais natural à esquerda ocupada por Lula, ele vem murchando paulatinamente por não atrair o centro e a centro-direita.

Igualmente em dificuldades está o tucano Doria, que como governador destacou como principal antípoda nacional de Bolsonaro. No cenário 3 do Datafolha, ele inclusive perde numericamente para o novato Janones, que tem 3% ante 2% do paulista.

O deputado do Avante-MG surge até na pesquisa espontânea (1%), empatado com Ciro e Moro (2% cada), o que talvez reflita o fato de que ele está em inserções gratuitas na TV aberta nesta semana.

Não estão em situação melhor outros nomes ventilados pela terceira via. A senadora Simone Tebet (MDB) não passa de 1% nas três simulações com seu nome. Doria trabalha para que ela seja sua vice, numa chapa com apoio do gigante União Brasil (fusão de DEM e PSL).

Já Eduardo Leite, o governador tucano do Rio Grande do Sul que pode se lançar pelo PSD, também faz feio, somando 1% na simulação em que seu nome entra no lugar do de Doria —o Datafolha não simula cenários com dois nomes de um mesmo partido.

 

 

 

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