O aliciamento a novos filiados para os partidos do governo deu certo

O uso da máquina pública para atrair parlamentares para a base aliada do governo deu resultados concretos para o presidente da República. Graças à janela partidária, que é o prazo de trinta dias que os deputados tiveram para trocar de legenda sem o risco de perder o mandato e que foi fechada no último sábado, 2, os partidos do Centrão (PL, PP e Republicanos) aumentaram suas bancadas, provocando mudanças no cenário político às vésperas das eleições mais importantes das últimas décadas no país. O PL, partido de Valdemar Costa Neto e do presidente Jair Bolsonaro, cresceu 70% e ganhou 42 novos deputados, totalizando 75 parlamentares, tornando-se a maior bancada na Câmara. O PP, partido do ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), passou de 41 para 56 deputados e o Republicanos saltou de 33 para 43.
Para o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ), o crescimento dos partidos da base do governo é resultado do uso de dinheiro público, através do orçamento secreto liberado por meio das emendas de relator, que serviram para comprar apoio parlamentar. “O que aconteceu foi consequência do velho toma lá, dá cá em troca de verbas de emendas parlamentares e de cargos na máquina pública. Não é o Centrão que está nas mãos de Bolsonaro, é o presidente que está nas mãos do Centrão”, denunciou o parlamentar.
O governo já contava com uma base importante e essa correlação de forças apenas ampliou o poder de fogo do mandatário na disputa pela reeleição. Na verdade, o PL cresceu após receber a ala do PSL que era bolsonarista, sob a liderança de deputados umbilicalmente ligados ao presidente, como seu filho 03, o deputado Eduardo. Esse movimento de mudanças nos partidos em direção às siglas governistas já era esperado. Afinal, além da questão do uso da máquina governamental e empregos para apadrinhados, existe um outro fator atrativo para a mudança para as legendas do Centrão, que é a promessa de maiores recursos do fundo eleitoral.
“Não é o Centrão que está nas mãos de Bolsonaro, é o presidente que está nas mãos do Centrão” Marcelo Freixo, deputado do PSB-RJ
De acordo com o cientista político Paulo Baía, os partidos que têm maior fundo eleitoral são aqueles que mais se beneficiam com a possibilidade de mudanças de parlamentares dentro da janela partidária. “As máquinas dos governos federal e estaduais ajudam nessa atração na medida em que têm cargos e verbas públicas para impulsionar as campanhas. Esses benefícios, contudo, estão sendo concedidos de maneira muito camuflada, por que se forem explícitos podem caracterizar abuso do poder econômico e abuso do poder político, tornando os candidatos inelegíveis”.
De toda forma, toda essa movimentação, principalmente em função do fundo eleitoral e do fundo partidário, fez com que partidos como o PL e o União Brasil se beneficiassem. O PL, além de um grande fundo eleitoral, conta com o presidente da República e vários governadores, o que também facilitou estimulou a mudança. O que se ouve nos corredores do Congresso em Brasília é que o PL saiu vitorioso por ter recursos pouco ortodoxos para movimentar na campanha eleitoral.

Na opinião do senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado, essa dança das cadeiras, na verdade, nada mais é do que o crescimento da base aliada do presidente. “Esse crescimento reflete o apoio dos partidos e dos parlamentares que representam suas bases junto a Bolsonaro na campanha. Por outro lado, a redução da representatividade de outros partidos, inclusive dos adversários do presidente, mostra a fragilidade da oposição. Teremos uma campanha em que a capilaridade dos partidos nos municípios e nos estados será determinante. E as pesquisas vêm alinhadas a esse novo cenário”.
A verdade é que estão em jogo uma série de benesses: oferta de verbas milionárias de campanhas, tempo de propaganda de TV, controle de diretórios regionais, empregos em estatais, emendas de relator, etc. Para o senador Paulo Paim (PT-RS) essa troca partidária tem dois olhares. Um para dentro da máquina pública e outro para a rua.
“A máquina facilita o voto. No caso do governo, ganhando ou não a eleição, esses partidos que inflaram têm tudo para eleger um novo presidente da Câmara, por exemplo”. O senador explica que esse movimento é natural na política porque os deputados querem buscar as melhores condições para se elegerem. A estrutura do governo conta muito para as eleições e por isso houve esse deslocamento na base. “O poder atrai, essa é a verdade. O que o pessoal está de olho é na estrutura. Isso é falta de compromisso com a ideologia, mas é assim que tem funcionado nosso parlamento, infelizmente”. ISTOÉ
Incertezas paulistas - editoriais@grupofolha.com.br
A nova pesquisa Datafolha para o governo de São Paulo foi realizada num momento em que o quadro de pré-candidaturas mostra-se menos nebuloso, embora ainda marcado por incertezas de monta.
O avanço da aliança entre o ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB) e o ex-presidente Lula (PT) na chapa presidencial, o afastamento de João Doria (PSDB) da disputa estadual e a presença no páreo do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos) são definições importantes.
Sobrevive, porém, a dúvida relevante quanto à permanência da postulação de Márcio França (PSB).
No cenário que inclui os nomes de França e Fernando Haddad (PT), o ex-prefeito lidera com 29% das intenções de voto, seguido pelo ex-governador com 20%. Tarcísio de Freitas surge com 10%, e o agora governador Rodrigo Garcia (PSDB), com 6%.
A indecisão quanto à candidatura de França está ligada, como se sabe, ao acordo eleitoral entre PT e PSB para a corrida pelo Planalto, processo que tem provocado atritos regionais e demandado ajustes, nem sempre bem-sucedidos. As pretensões do ex-vice de Geraldo Alckmin assentam-se em atuação conhecida no estado e em resultados consistentes nas urnas.
Há quem considere no terreno do PT e do PSB que a participação dos dois na campanha poderia, além de ampliar o palaque paulista de Lula, conter o crescimento de Rodrigo ou mesmo o eventual avanço de Tarcísio, que é o candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e apareceu na sondagem com índice digno de nota.
No cenário em que França é retirado da lista, Haddad continua à frente, com 35%, e Tarcísio e Rodrigo vêm a seguir com 11%, evidenciando-se a divisão dos votos do PSB entre o ex-prefeito e o governador —que tem a seu a favor a máquina estadual, sempre um fator a ser ponderado nas disputas.
No que tange às rejeições, Haddad lidera com 34%, seguido de França, com 20%, e de Rodrigo e Tarcísio, com 17% e 16%.
Entre os entrevistados, 46% dizem que não votariam de jeito nenhum em candidatos indicados por Lula. Por sua vez, o preferido de Bolsonaro seria descartado por 62%. O postulante petista é o mais conhecido dos eleitores, enquanto o governador e o ex-ministro são os mais desconhecidos.
Trata-se, é sempre prudente destacar, de um primeiro retrato da corrida pelo voto paulista, que certamente terá pela frente desdobramentos significativos. Não apenas pelo tempo que nos separa da votação como pelas características peculiares que vão se desenhando no contexto eleitoral mais amplo.
Lula tem 45% das intenções de voto, Bolsonaro, 31%, e Ciro, 6%, diz Genial/Quaest
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 7, mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança nas intenções de voto para a Presidência no 1º turno com 45% na pesquisa estimulada. O presidente Jair Bolsonaro (PL) continua em segundo lugar com 31%, primeira vez em que aparece acima dos 30% na série histórica.
O cenário desconsidera a participação do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) na corrida. O levantamento mostra que dos 6 pontos porcentuais que iriam para Moro, dois migram para Bolsonaro e os outros quatro se diluem entre Lula, Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).
Ciro aparece em terceiro lugar, com 6% das intenções de voto. Na sequência estão André Janones (Avante) e Doria empatados com 2%. Simone Tebet (MDB) e Vera Lúcia (PSTU) acumulam 1% cada. Brancos, nulos e indecisos somam 12%.
O levantamento mostra que para 64% dos entrevistados a escolha do voto para presidente é definitiva, enquanto 35% disseram que “podem mudar caso algo aconteça”. Dos que votam em Bolsonaro, 69% afirmaram que é definitivo; em Lula, 76%; e entre os que não querem “nem Lula, nem Bolsonaro”, 66% disseram ser uma escolha definitiva.
Segundo turno
Nas projeções para segundo turno, Lula manteve a liderança dos demais candidatos em todos os cenários testados. Contra Bolsonaro, o petista teria 55% dos votos e o presidente, 34%.
Em um suposto segundo contra Ciro Gomes, o ex-presidente atinge 55% das intenções de voto, e o pedetista 22%. Na disputa contra Doria, Lula pontua 58% e o tucano, 16%. Contra o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, o ex-presidente fica com 58% e Leite, 17%.
Avaliação do governo
A pesquisa também mostra que 47% dos entrevistados avaliam a gestão do presidente Jair Bolsonaro como “negativa”, enquanto 26% consideram “positiva” e 25% “regular”. Para 52%, o governo está “pior do que esperava”, enquanto 29% disseram estar “nem melhor, nem pior” e 17% “melhor do que esperava”.
Dos entrevistados, 46% avaliam que o principal problema do País é a economia, enquanto 14% consideram que “saúde/pandemia” estão à frente. Para 12%, o maior problema são “questões sociais” e 9% consideram a “corrupção”.
Em relação aos preços dos combustíveis, 24% disseram que o maior responsável pelo aumento é Bolsonaro. Para 15%, o maior responsável é a Petrobras, enquanto 14% acreditam que seja consequência da guerra entre Rússia e Ucrânia. Dos entrevistados, 12% responsabilizam governadores.
No levantamento, foram entrevistadas 2 mil pessoas acima de 16 anos, de forma presencial, entre os dias 1º a 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob número BR-00372/2022. ISTOÉ
Paraná Pesquisas: Lula tem 40%; Bolsonaro, 32,7%; Moro, 7,1%; Ciro, 5,4%...
Do UOL, em São Paulo 06/04/2022 16h12 Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, contratada pela BGC Liquidez e divulgada hoje, mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em todos os cenários de primeiro turno. No principal cenário, o petista tem 40,1% das intenções de voto na pesquisa estimulada —quando é apresentada a lista com os nomes dos pré-candidatos. O presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 32,7%. Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula seria o vencedor..
O levantamento atual não pode ser comparado ao do mês anterior, já que exclui os nomes de Rodrigo Pacheco (PSD) e Alessandro Vieira (PSDB), e inclui o de Luiz Felipe D'Ávila (Novo)..
O cenário analisado ainda tem o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil), que mudou de partido e gerou indefinição sobre se será candidato à Presidência ou a outro cargo. Ele aparece com 7,1%, empatado tecnicamente com Ciro Gomes (PDT), que tem 5,4%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos..
Em seguida aparecem, empatados tecnicamente, João Doria (PSDB), com 2,3%, André Janones (Avante), com 1,1%, Simone Tebet (MDB), que tem 0,6% e Luiz Felipe D'Ávila (Novo), que soma 0,1%. O candidato tucano e o deputado do Avante também empatam tecnicamente com Ciro Gomes, mas não alcançam Sergio Moro..
No único dos cinco cenários de primeiro turno sem o ex-juiz, todos os demais candidatos oscilaram dentro da margem de erro. Lula lidera, com 41,5%, seguido de Bolsonaro, com 35,3%...
O instituto informou que o grau de confiança é de 95%. A pesquisa foi feita com entrevistas presenciais, entre os dias 31 de março e 5 de abril de 2022, em 164 municípios de 26 estados e do Distrito Federal. No total, foram ouvidos 2020 eleitores. A pesquisa foi registrada junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-08065/2022..
Datafolha Rio: Freixo e Castro, tecnicamente empatados, lideram disputa pelo governo
RIO — Pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira pelo jornal "Folha de S. Paulo", mostra o governador do Rio, Claudio Castro (PL), e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) tecnicamente empatados na liderança da disputa pelo Palácio Guanabara neste ano.
Datafolha SP: Haddad tem 29%; França, 20%; Tarcísio, 10%; Garcia, 6%
Freixo aparece com 22% em um dos cenários, enquanto Castro tem 18%. Em outro cenário — que inclui os nomes de Anthony Garotinho (União), André Ceciliano (PT) e do general Carlos Alberto Santos Cruz (Podemos) —, o deputado do PSB tem 18%, contra 14% para Castro.
Como a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, Castro e Freixo estão empatados tecnicamente.
Garotinho, Ceciliano e Santos Cruz, embora incluídos em um dos cenários da pesquisa, não tiveram suas pré-candidaturas apresentadas de forma oficial por seus partidos.
O Datafolha pesquisou dois cenários. Veja os resultados:
Cenário 2 (sem Garotinho, Ceciliano e Santos Cruz):
Marcelo Freixo (PSB) - 22%
Cláudio Castro (PL) - 18%
Rodrigo Neves (PDT) - 7%
Eduardo Serra (PCB) - 5%
Cyro Garcia (PSTU) - 4%
Felipe Santa Cruz (PSD) - 3%
Paulo Ganime (Novo) - 2%
Brancos e nulos - 33%
Não sabe/não respondeu - 2%
Cenário 1:
Marcelo Freixo (PSB) - 18%
Cláudio Castro (PL) - 14%
Anthony Garotinho (União) - 7%
Rodrigo Neves (PDT) - 5%
Eduardo Serra (PCB) - 4%
Carlos Alberto Santos Cruz (Podemos) - 4%
Cyro Garcia (PSTU) - 3%
André Ceciliano (PT) - 2%
Felipe Santa Cruz (PSD) - 2%
Paulo Ganime (Novo) - 1%
Brancos e nulos - 30%
Não sabe/não respondeu - 9%
O Datafolha ouviu 1.218 eleitores em 31 municípios do Rio de Janeiro entre terça e quarta-feira desta semana. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-05998/2022. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O GLOBO

