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PT se vacina contra críticas de Bolsonaro sobre BNDES e transposição

Editado por Fábio Zanini / FOLHA DE SP

 

A comunicação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem priorizado nos últimos dias aplicar "vacinas" em alguns dos pontos que devem ser explorados por Jair Bolsonaro (PL) na campanha eleitoral.

 

Um dos temas destacados foi a transposição do rio São Francisco, mostrando que é uma obra feita praticamente em sua totalidade pelos governos do partido.

O PT também escalou a ex-ministra Miriam Belchior (Planejamento) para defender, em uma live, o financiamento feito pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a obras em outros países. Segundo Miriam, uma auditoria promovida por Bolsonaro nos empréstimos não encontrou sinal de irregularidades.

Além disso, ela argumenta que os financiamentos geravam empregos em empresas brasileiras da área de infraestrutura.

O financiamento de obras pelo BNDES é um ponto frequentemente atacado por Bolsonaro, especialmente para ditaduras de esquerda como Cuba e Venezuela.

DEPOIS DE IMPLODIREM DORIA, PSDB E MDB VÃO QUEIMAR SIMONE TEBET

ELIANE CATANHÊDE / O ESTADÃO

Fim da candidatura João Doria, fim da candidatura Simone Tebet, fim da terceira via, fim do PSDB, fim do MDB, fim do Cidadania. Fim de uma era. O horizonte é sombrio, enquanto a esquerda faz DR (discute a relação), o centro sofre uma diáspora e setores militares extremistas projetam manter o poder até 2035 – pelo menos.

As cúpulas do PSDB e do MDB terão o mesmo discurso após a renúncia de Doria: não é o fim, é o começo de uma candidatura para valer. Mais um engodo, com o centro pulando ou no barco do ex-presidente Lula ou no colo do presidente Jair Bolsonaro.

Depois de explodir Doria, o grupo tucano que mandou as prévias às favas parte para dinamitar Simone Tebet, do MDB, alegando que ao PSDB não interessa apoiar o nome do MDB, a prioridade é ter um candidato próprio. O gaúcho Eduardo Leite vai se prestar a esse papel?

O MDB também prepara o bote contra Simone, que não tem mais serventia. Sem Doria, o partido não precisa mais dela, que foi lançada para ser traída, depois de segurar ao mesmo tempo um nome único da terceira via e a debandada prematura para as duas candidaturas principais. Agora, o partido está livre para apoiar Lula no Nordeste e Bolsonaro no Sul e no Centro-Oeste. E acabou-se a terceira via.

Triste fim, não de Policarpo Quaresma, o personagem de Lima Barreto, mas do PSDB, que foi pulando de erro em erro, até a margem do precipício, logo aí à frente.

Fernando Henrique errou ao lavar as mãos em 2002 para José Serra, que lavou para Geraldo Alckmin, que também lavou para Serra, que lavou para Aécio Neves, que recusou uma chapa puro-sangue com Serra e jogou fora a melhor chance tucana em décadas. Errou o cálculo.

É mentira que Doria “acabou com o PSDB”. Governador de São Paulo já é naturalmente candidato à Presidência e Doria não virou só porque queria e porque articulou para ser, mas porque não havia alternativas reais e ele venceu nas prévias as duas que se apresentaram. Não deu um golpe nem impôs nada. Se houve golpe, não foi dele, foi contra ele.

O DEM, ex-PFL, nem esperou a vez e já se atirou no precipício antes do velho parceiro PSDB. As bancadas de ambos foram infiltradas e corroídas por dentro pelo vírus oportunista do bolsonarismo e, quando as cúpulas se deram conta, era tarde demais. O DEM foi devorado pelo PSL, que elegeu Bolsonaro em 2018. Qual o destino do PSDB?

Não acreditem nas previsões de Aécio Neves, que é bom de lábia e esconde o jogo, como ACM Neto, coveiro do DEM. Estarão ambos derrubando as candidaturas, uma a uma, para abrir alas para Bolsonaro? Pode ser, pode não ser. A resposta virá rapidamente.

Encontros de Izolda com deputados e prefeitos mostram estratégia de influência em bases eleitorais

Escrito por  / DIARIONORDESTE

 

 

 

Desde o início de maio, a governadora Izolda Cela (PDT) tem realizado reuniões para receber os prefeitos ligados a deputados estaduais da base governista. Prática comum durante a gestão do ex-governador Camilo Santana (PT), os encontros ganham peso com a aproximação do período eleitoral e com o acirramento da disputa entre Izolda Cela e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) pela indicação para a pré-candidatura ao Governo do Estado

Dos 46 parlamentares estaduais, pelo menos 38 integram a base aliada à gestão de Izolda Cela - além dos suplentes em exercício no Legislativo estadual. Segundo a assessoria do Governo do Estado, todos devem ser recebidos entre maio e junho pela governadora. Até o momento, oito parlamentares estiveram no Palácio da Abolição para a rodada de reuniões individuais.

Em publicações no perfil do Instagram, na qual registra cada prefeito recebido ao lado do respectivo deputado estadual, Izolda Cela destaca a manutenção de "diálogo firme" com os gestores municipais para "conhecer as principais necessidades de cada município". 

Parlamentares que já foram recebidos pela governadora destacam o tom administrativo dos encontros, mas admitem que, em ano eleitoral, o momento acaba servindo também para que Izolda conheça melhor as bases eleitorais do grupo político liderado pelo PDT e possa se fortalecer  nesses municípios. Um movimento que pode ser essencial para a disputa eleitoral, a exemplo de eleições anteriores para o Governo do Estado. 

"Em outras eleições, principalmente em transições (entre gestões), o Interior se mostrou importantíssimo para a vitória de políticos. Em 2014, (na primeira vez em que Camilo Santana concorreu ao Governo) a virada de chave foi com os municípios do interior, porque na Capital não teve essa vantagem". 

MONALISA TORRES
Professora da Universidade Estadual do Ceará e pesquisadora do Lepem-UFC

APROXIMAÇÃO COM AS BASES

O movimento de aproximação com municípios do Interior não é exclusivo de Izolda Cela. Adversários na corrida pelo Palácio da Abolição - seja em partidos da oposição seja quem concorre dentro do PDT pela pré-candidatura - já têm feito visitas a diversas regiões do Estado. 

Reuniões com lideranças políticas, eventos religiosos, palestras e mesmo solenidades de recebimento de títulos de cidadania nas câmaras municipais têm feito parte da agenda de pré-campanha nas cidades cearenses. 

Monalisa Torres aponta que Izolda Cela possui a vantagem "de ter a caneta na mão", facilitando a costura de alianças e o fortalecimento das bases eleitorais. Por outro lado, continua a pesquisadora, "ela nunca experienciou como agora essa atividade política, já que esteve sempre mais na parte burocrática e de administração da política pública". 

Um dos deputados que já esteve reunido com a governadora, Osmar Baquit (PDT) ressalta a importância "desse contato com todos os prefeitos" por parte da gestão. Um movimento que ocorre, segundo ele, "independente de ser eleitoral", já que vem desde a gestão Camilo Santana. 

O deputado acompanhou os prefeitos Branco do Angelim (Uruburetama), Matheus Góis (Pedra Branca), Cirilo Pimenta (Quixeramobim) e Dr Lorim (Missão Velha) nas reuniões individuais com a governadora. 

FORTALECIMENTO NAS BASES ELEITORAIS

Para Baquit, os encontros tiveram intenção administrativa e política, mas "não de voto" e sim de "ouvir a base dela, base do grupo político que governa o estado do Ceará". 

Guilherme Landim (PDT) afirma que as reuniões ajudam a governadora a ter a "visão de todo o estado". "A governadora Izolda está querendo entender as demandas dos municípios, conhecer melhor e entender como está a relação estado-município", afirma. 

Apesar de concordar que o tema girou em torno de demandas administrativas, o deputado Antônio Granja (PDT), que foi um dos primeiros deputados estaduais a ser recebido no Palácio da Abolição, admite o impacto eleitoral que essa movimentação pode ter. 

Ele aponta que a relação tanto com deputados estaduais como com prefeitos "é importante para qualquer gestão e, principalmente, para ela enquanto pré-candidata", ressalta. 

Para Monalisa Torres, o movimento da governadora, com apoio de deputados estaduais da base, serve de algum modo para "equiparar" as pré-candidaturas que estão disputando a indicação do PDT sobre quem será a cabeça de chapa que irá concorrer ao Governo do Estado. 

"Esse momento é um grande teste para o grupo sobre a atuação dela. Como ela vai lidar com esses interesses, até como forma de garantir que o grupo se mantenha coeso. Teste para ver a capacidade dela como gestora, como política dentro de um grupo que se vê um momento de transição". 
MONALISA TORRES
Professora da Uece e pesquisadora do Lepem-UFC

FORÇA DOS DEPUTADOS

O movimento de aproximação das bases eleitorais, no entanto, não fortalece apenas a governadora. Os deputados estaduais também irão concorrer, em outubro, à reeleição para a Assembleia Legislativa e para isso precisam consolidar essa relação com os prefeitos aliados. 

"Mostrar que tem proximidade com a governadora, que tem acesso, que pode garantir repasse para o prefeito. O prefeito se sente mais motivado. (Porque)  O prefeito precisa mostrar trabalho no município e isso depende do parlamentar, que precisa do prefeito para consolidar a base eleitoral", ressalta Torres. 

Em grande maioria, os prefeitos recebidos, além de aliados aos deputados estaduais, são também chefes do Executivo municipal de cidades onde os parlamentares possuem ampla votação. 

No caso de Guilherme Landim, por exemplo, uma das prefeitas recebidas foi a de Brejo Santo, Gislaine Landim, mãe do deputado estadual. Ele também foi prefeito da cidade, onde obteve 75,9% dos votos válidos em 2018. 

Outros prefeitos recebidos por mediação de Landim foram Figueiredo (Milagres), Wylna Castro (prefeita interina de Saboeiro) e Joãozinho de Titico (Cedro). De Cedro, o ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal, Nilson Diniz também participou do encontro. 

Com berço político em Barbalha, Fernando Santana (PT) levou ao encontro da governadora principalmente prefeitos do Cariri e Centro-Sul do estado. Foram eles: José Ailton (Crato), Guilherme Saraiva (Barbalha), Libório (Assaré), Dr. Aniziário Costa (Jardim) e João Paulo Furtado (Mauriti).

Prefeito do Crato, José Ailton (PT) esteve no Palácio da Abolição reforçou que o encontro com a governadora Izolda foi "mais administrativo, de fortalecimento dos municípios". "Ela não tem discutido política", garantiu. 

"(Fernando Santana) É um dos deputados mais votados no Crato. Ele levou os prefeitos que fazem parte do apoio. Ele tem contribuído muito com emendas e teve essa preocupação de nos levar logo para essa audiência", afirmou o gestor. 

NOVAS ALIANÇAS

Enquanto algumas das reuniões fortaleceram a relação de deputados com bases eleitorais já estabelecidas, outras serviram para consolidar alianças mais recentes entre parlamentares e prefeitos. 

Aliado ao deputado estadual Tin Gomes (PDT), o prefeito de Poranga, Carlos Antônio (PT), esteve no Palácio da Abolição no último dia 11 de maio. O gestor afirma que irá apoiar o parlamentar nas eleições, o que pode aumentar a votação dele no município - em 2018, Tin Gomes contou com menos de 1% dos votos na cidade. 

"A gente procura os governantes para trazer benefício para população, principalmente Poranga, que é o município pobre, longe da capital", ressalta Carlos Antônio sobre os diálogos mantidos entre os diferentes Poderes. 

Tin Gomes também acompanhou a reunião entre a governadora Izolda Cela e o prefeito de Itapiúna, Dário Coelho. 

Com forte votação na Serra da Ibiapaba, Augusta Brito (PT) levou os prefeitos Marcão  (Ibiapina), Saul Maciel (São Benedito) e Zé Weliton (Carnaubal). Contudo, a parlamentar também acompanhou o prefeito de Jijoca de Jericoacoara, Lindbergh - localizada na região do Camocim. 

Além de não fazer parte da base eleitoral tradicional da deputada, o município deu poucos votos para ela em 2018 - durante o primeiro mandato de Lindbergh. 

 

Doria prova do veneno que serviu a Alckmin.

Josias de Souza

Colunista do UOL

23/05/2022 16h17

Divisão e vingança, nada na história do PSDB é tão antigo e tão letal. De todos os candidatos tucanos ao Planalto, o único que se livrou desse enredo foi Fernando Henrique Cardoso, que prevaleceu duas vezes sobre Lula no primeiro turno cavalgando o Plano Real. João Doria, a penúltima vítima das maldições do ninho, prova em 2022 do mesmo veneno que serviu em 2018 a Geraldo Alckmin, só que em dose letal.

Numa tentativa desesperada de preservar o governo de São Paulo, sua última cidadela, o PSDB arremessou no mar o sonho e as taxas de rejeição do seu agora ex-presidenciável. "Não sou a escolha da cúpula do PSDB", disse Doria, ao abdicar do projeto. Rodrigo Garcia, o afilhado que Doria importou do DEM para representar o tucanato na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, não deu as caras no ato de renúncia.

Garcia esfaqueou seu padrinho com o mesmo pragmatismo que levou Doria a trair Geraldo Alckmin em 2018 com o híbrido Bolsodoria. A diferença é que Garcia já não pode embarcar explicitamente na canoa de Bolsonaro, pois o capitão teve o cuidado de fabricar seu próprio candidato em São Paulo. O bolsonarista Tarcísio de Freitas, aliás, aparece à frente de Garcia nas pesquisas, na terceira posição. Dessa vez, foi Alckmin quem caprichou no cruzamento de gêneros políticos de linhagens diferentes. Moído nas urnas de 2018 com humilhantes 4,7% dos votos, o ex-traído trocou a social-democracia de direita pelo neossocialismo de resultados. Filiado ao PSB, assiste à ruína política de Doria a bordo do arranjo Lulalckmin. Levou os signos do tucanato e um aroma de terceira via para dentro da chapa do ex-rival petista. Enxerga na desistência de Doria um atalho que pode levá-lo ao Palácio do Jaburu ainda no primeiro turno.

Alckmin foi o tucano que mais governou São Paulo desde o Império. Encosta sua biografia nos palanques de Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB), os dois primeiros colocados nas pesquisas de São Paulo. A desistência de Doria não livrou o PSDB do risco de perder o governo paulista após 28 anos de hegemonia.

No plano nacional, o tucanato continua dividido. Depois de puxar o tapete de Doria, a ala comandada pelo notório Aécio Neves passou a defender o respeito às prévias, com o lançamento da candidatura presidencial de Eduardo Leite, segundo colocado nas primárias. A maioria da Executiva do partido prefere aderir a Simone Tebet, do MDB.

A transição do PSDB da insignificância para a irrelevância está crivada de ironia. Nascido de uma dissidência do velho PMDB, que se formou a partir da aversão às práticas aéticas de Orestes Quércia, o tucanato desistiu do protagonismo para tornar-se coadjuvante do MDB. A eliminação da letra 'P' não purificou a velha legenda..

Para complicar, a candidatura de Simone Tebet, um nome leve e saudável, enfrenta a resistência das alas do MDB cujas práticas se confundem com as de Quércia. Uma banda defende a adesão a Lula. Outro pedaço do MDB namora com o projeto de Bolsonaro. Quer dizer: não há, por ora, a menor certeza quanto à capacidade de Simone de levar sua candidatura últimas consequências.

Ouve-se ao fundo um barulhinho esquisito. É o ruído dos grão-tucanios Mario Covas e Franco Montoro se revirando no túmulo. Os dois foram citados por Doria no discurso de renúncia. 

Ciro sobe o tom contra Lula e aumenta isolamento no PDT

Natália Portinari / O GLOBO

 

BRASÍLIA — A estratégia do pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) de atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demarcar distância do PT tem aumentado o isolamento entre ele e o restante do partido, que está aberto a alianças com petistas nos estados. A tendência é que o PDT mantenha Ciro no páreo, mas abra espaço para alianças com o partido de Lula no nível regional.

 

No Maranhão, por exemplo, o pré-candidato ao governo e senador Weverton Rocha (PDT) deve contar com o apoio de uma parte do PT, embora oficialmente o candidato do partido seja Carlos Brandão (PSB).

Petistas estão mobilizados para formar alianças com o PDT e evitar que Ciro tenha espaço nos palanques. O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse em entrevista ao GLOBO, há uma semana, que a candidatura do ex-ministro é irreversível, mas frisou que “cada estado tem a sua peculiaridade”.

O PDT deve ter candidatura própria em ao menos 11 estados, mas em alguns casos com nomes próximos aos petistas. Em Minas Gerais, por exemplo, o pedetista Miguel Corrêa tem um longo histórico no PT, com mais proximidade de Lula do que de Ciro.  No Rio, o partido quer lançar Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói, para governador. Neves, porém, já foi do PT e, em entrevista ao GLOBO na semana passada, disse se incomodar com a postura de Ciro em relação ao ex-presidente.  

Os ataques do pré-candidato do PDT ao Planalto têm sido usados inclusive por aliados do presidente Jair Bolsonaro para criticar o petista. No fim de semana, uma declaração de Ciro durante “live” com o humorista Gregório Duvivier, que é eleitor de Lula, ficou entre os assuntos mais comentados do fim de semana. A hashtag “OLulaNaoEinocenteBabaca” foi impulsionada, principalmente, por perfis bolsonaristas.

— O PDT já está rachado há algum tempo. O pessoal mais brizolista, histórico do PDT, sempre ficou mais próximos de nós. Em poucos estados o PDT tem força para lançar governador — diz o senador Paulo Rocha (PT-PA).  

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