Ceará tem o menor repasse federal em 5 anos e serviços públicos entram em risco
A crise fiscal atinge em cheio o Ceará. Os investimentos do Governo Federal para obras e projetos no Estado, em 2019, atingiram no primeiro quadrimestre o menor valor em cinco anos. Levantamento feito pelo Núcleo de Dados do Sistema Verdes Mares, com base nos portais da transparência, revela que o repasse da União para o Ceará por meio de convênios caiu 71,3% entre janeiro e abril deste ano, se comparado a igual período de 2015. Educação e Segurança são as áreas mais atingidas.
A modalidade de financiamento através de convênios com o Governo Federal é comum nos estados, principalmente no Ceará. É uma estratégia importante dos gestores para driblar a falta de verba própria e manter os investimentos na construção e reforma de creches, postos de saúde, rodoviárias e quadras esportivas em escolas, além de fornecer o abastecimento de água, comprar insumos médicos, fazer o recapeamento de asfalto e abrir novas estradas, entre outros serviços.
Bolsonaro deve ir ao Congresso nesta terça-feira entregar projeto que muda regras da CNH
O presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (3) — Foto: Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro já avisou a alguns deputados a intenção de ir pessoalmente à Câmara dos Deputados nesta terça-feira (4) para entregar o projeto de lei que altera regras relacionadas à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A entrega está prevista para as 11h30.
Na avaliação de parlamentares, o gesto mostra que o presidente tenta melhorar a relação com o Congresso Nacional.
Na semana passada, Bolsonaro esteve na Câmara para acompanhar a sessão em homenagem ao humorista Carlos Alberto de Nóbrega.
Mais cedo, nesta segunda-feira, o porta-voz do governo, Otávio Rêgo Barros, afirmou que, antes de decidir enviar o projeto à Câmara, Bolsonaro conversou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre se seria melhor enviar um projeto ou uma medida provisória (MP).
Aconselhado por Maia, acrescentou o porta-voz, Bolsonaro decidiu enviar um projeto de lei.
Por Gerson Camarotti / G1
O verdadeiro ônus político
04 de junho de 2019 | 03h00
Uma parte do Congresso resiste a incluir Estados e municípios na reforma da Previdência. Esses parlamentares, segundo reportagem do Estado, estão temerosos em arcar com o “ônus político” da reforma, que, em sua opinião, deveria recair sobre governadores e prefeitos. Nesse cálculo parecem estar principalmente as eleições municipais do ano que vem, as primeiras em que provavelmente o impacto político da reforma se fará sentir.
É certo que políticos vivem de votos, e que aborrecer eleitores com temas impopulares às vésperas de eleições é receita quase certa para a derrota. Considerando-se que muitos dos atuais parlamentares dependem também do bom desempenho de aliados nas disputas regionais para alimentar suas bases, nada mais natural que a corrida eleitoral de 2020 seja elemento importante nas estratégias de deputados e senadores.
Questão paroquial trava Previdência nos Estados.
Orçado na casa dos R$ 90 bilhões, o déficit previdenciário dos Estados é o argumento mais eloquente a favor da extensão da reforma da Previdência a todos os entes da federação. Entretanto, uma questão paroquial vem se sobrepondo às evidências financeiras. Deputados federais querem dividir o ônus da aprovação da reforma com deputados estaduais. Receiam ficar em desvantagem na disputa eleitoral de 2022 se tudo for resolvido em Brasília.
O receio é maior nas bancadas dos Estados mais pobres das regiões Norte e Nordeste. Nesses pedaços do mapa, o peso das aposentadorias na renda das famílias é grande. Vários governadores torcem pela reforma em privado. Mas se declaram contra as mudanças em entrevistas e pronunciamentos públicos. Os deputados federais acreditam que transferindo a encrenca para as assembleias legislativas, os governadores e seus aliados serão forçados a interromper o jogo duplo.
O relator Samuel Moreira (PSDB-SP) cogita manter no seu relatório a extensão da reforma para Estados e municípios. Mas a aprovação dependerá de muita conversa. Se você observa a cena com ar de enfado, convém prestar atenção ao desfecho. Por uma razão simples: se tudo der errado, o déficit previdenciário de R$ 90 bilhões dos Estados será encostado no Tesouro Nacional. Ou seja: a encrenca vai morrer no seu bolso.
Crédito emergencial para governo pagar aposentadorias e benefícios será de R$ 248 bilhões
BRASÍLIA — O crédito emergencial que garantirá o pagamento de benefícios como aposentadoriase o Bolsa Família no segundo semestre será de R$ 248 bilhões. O valor foi definido na noite desta segunda-feira pelo relator do projeto no Congresso, deputado Hildo Rocha (MDB-MA). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) convocou para a próxima quarta-feira a sessão conjunta do Congresso com o objetivo de votar o projeto. O texto também será analisado, na quarta-feira, na Comissão Mista de Orçamento (CMO).
O valor de R$ 248 bilhões é o mesmo pedido pelo governo no início do ano. Depois, porém, a equipe econômica informou outros valores, de R$ 110 bilhões e R$ 146 bilhões, o que gerou dúvidas sobre qual o tamanho do crédito necessário.
A equipe econômica corre contra o tempo para aprovar a proposta. A partir de 15 de junho, já pode haver problemas nos pagamentos que estão condicionados à aprovação da proposta.
Ministério Público do Rio erra ao explicar negócio de Flávio Bolsonaro
Os promotores que investigam o senador Flávio Bolsonaro(PSL) e seus ex-assessores cometeram um erro na petição a partir da qual a Justiça determinou uma devassa nas contas bancárias dos investigados.
Ao falar sobre um negócio que envolve 12 salas comerciais, os promotores do Ministério Público do Rio escreveram que o parlamentar adquiriu os imóveis por mais de R$ 2,6 milhões, quando, na verdade, ele deteve apenas os direitos sobre os imóveis, que ainda não estavam quitados e continuaram sendo pagos em prestações por outra empresa que assumiu a dívida.
As salas comerciais negociadas pelo filho do presidente Jair Bolsonaro ficam na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.
Flávio e outras 85 pessoas e 9 empresas tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados como parte da investigação aberta pelos promotores, após um relatório federal ter apontado movimentação atípica na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor dele na Assembleia Legislativa do Rio.
Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: saques e depósitos em dinheiro vivo. As transações ocorriam em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia, onde Flávio exerceu o mandato de deputado por 16 anos (2003-2018) até ser eleito senador.
Segundo o Ministério Público do Rio, há indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio.
Apesar desse erro da Promotoria sobre o negócio de Flávio, um outro aspecto da negociação é confirmado por escrituras e documentos: a participação de uma empresa com sede em paraíso fiscal, característica apontada como suspeita por ser um método tradicional de lavagem de dinheiro.
O erro dos promotores ao relatar as transações imobiliárias de Flávio está na página 34 da petição, na qual escreveram que, de 2008 a 2010, Flávio “adquiriu 12 salas no luxuoso condomínio comercial Barra Prime […] pelo preço total declarado de R$ 2,66 milhões”.
A Folha pesquisou o assunto em cartórios do Rio e na Justiça Eleitoral e ouviu três corretores imobiliários sem relação com o negócio.
Caso a informação do Ministério Público estivesse correta, o senador teria um problema nas declarações de bens que apresentou à Justiça nas eleições de 2010 e 2014, quando se candidatou a deputado no Rio.
No primeiro pleito, de 2010, ele informou à Justiça que detinha apenas 10% do valor das 12 salas, ou R$ 267 mil, parte de um patrimônio total de R$ 690 mil. Na eleição seguinte, em 2014, ele declarou um patrimônio total de R$ 714 mil e não mais mencionou as 12 salas.
Se ele havia adquirido as salas por mais de R$ 2,6 milhões e vendido por R$ 3,2 milhões, como diz a Promotoria, teria um patrimônio muito mais expressivo, o que indicaria omissão ou mentira à Justiça Eleitoral.
O artigo 350 do Código Eleitoral prevê que é crime eleitoral “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar”. A pena prevista é de até cinco anos de reclusão, mais multa.
A análise das matrículas dos imóveis e de contratos de compra e venda indica, contudo, que os promotores foram imprecisos ao afirmar que o parlamentar havia adquirido os imóveis.
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