Questão paroquial trava Previdência nos Estados.
Orçado na casa dos R$ 90 bilhões, o déficit previdenciário dos Estados é o argumento mais eloquente a favor da extensão da reforma da Previdência a todos os entes da federação. Entretanto, uma questão paroquial vem se sobrepondo às evidências financeiras. Deputados federais querem dividir o ônus da aprovação da reforma com deputados estaduais. Receiam ficar em desvantagem na disputa eleitoral de 2022 se tudo for resolvido em Brasília.
O receio é maior nas bancadas dos Estados mais pobres das regiões Norte e Nordeste. Nesses pedaços do mapa, o peso das aposentadorias na renda das famílias é grande. Vários governadores torcem pela reforma em privado. Mas se declaram contra as mudanças em entrevistas e pronunciamentos públicos. Os deputados federais acreditam que transferindo a encrenca para as assembleias legislativas, os governadores e seus aliados serão forçados a interromper o jogo duplo.
O relator Samuel Moreira (PSDB-SP) cogita manter no seu relatório a extensão da reforma para Estados e municípios. Mas a aprovação dependerá de muita conversa. Se você observa a cena com ar de enfado, convém prestar atenção ao desfecho. Por uma razão simples: se tudo der errado, o déficit previdenciário de R$ 90 bilhões dos Estados será encostado no Tesouro Nacional. Ou seja: a encrenca vai morrer no seu bolso.
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