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O Supremo se corrige

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 03h00

 

A decisão do Supremo Tribunal Federal dispensando autorização legislativa para a venda do controle de subsidiárias de empresas públicas e sociedades de economia mista, tomada em sessão na quinta-feira passada, reparou flagrante intromissão da própria Corte em assunto exclusivo da direção das estatais. Essa correção reduz a insegurança jurídica nos negócios dessas empresas, condição essencial para sua saúde financeira e para a confiança dos agentes privados que nelas investem.

Alguns votos de ministros do Supremo, no entanto, indicam a permanência, naquele tribunal, de uma visão contaminada pela política, o que infelizmente prenuncia mais decisões ideologicamente motivadas como a que acaba de ser derrubada.

Em junho de 2018, uma liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski a pedido de funcionários e sindicalistas da Caixa Econômica Federal impediu a venda de empresas controladas pelas estatais, exigindo aval legislativo prévio. A decisão ainda proibiu a dispensa de licitação nos casos em que a venda envolva perda de controle acionário. Assim, monocraticamente, o ministro Lewandowski alterou uma lei aprovada pelo Congresso, a Lei das Estatais, objeto da ação. Foi com base nessa decisão do ministro Lewandowski que sindicatos dos petroleiros e de operadores de refinarias entraram no Supremo para impedir a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), rede de gasodutos da Petrobrás. No dia 26 de maio, o ministro Edson Fachin concedeu liminar atendendo a esse pleito, a despeito do fato de que a venda havia sido realizada sob orientação do Tribunal de Contas da União e depois de analisadas as melhores ofertas. O resultado é que o negócio, fechado pela Petrobrás com o grupo francês Engie por US$ 8,6 bilhões, foi suspenso.

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Tradição e monarquia no apoio a Bolsonaro

José Maria Mayrink, Marcelo Godoy e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2019 | 05h00

 

O uniforme, as bandeiras e os símbolos são os da antiga Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP). Os homens de cabelos grisalhos e roupas marrom e cinza carregam estandartes e distribuem panfletos no início da Avenida Paulista, longe dos carros de som. Era dia de manifestar apoio à pauta conservadora do governo de Jair Bolsonaro. Entre eles estava um senhor de 78 anos, a grande referência do grupo. Trata-se de d. Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança, segundo na linha sucessória real e um dos líderes do movimento de restauração da monarquia.

Os militantes que o cercavam eram todos sócios ou diretores do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira. Eles são continuadores da obra da TFP, a sociedade que desde 1960 combatia o socialismo e a ameaça do comunismo no Brasil até a sua divisão, após a morte de seu fundador, Plínio Corrêa de Oliveira, o Doutor Plínio, em 1995. Centro difusor do pensamento conservador, o instituto é um dos suportes do atual governo. “Tomamos muito cuidado no sentido de não ser político, somos independentes da Igreja e do governo. O governo tem uma característica conservadora, mas há pontos que precisam ser reparados”, disse o empresário Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto e herdeiro do legado tradicionalista de origem católica.

Adolpho Lindenberg e D. Bertrand Maria Jose de Orleans e Bragança
Adolpho Lindenberg e D. Bertrand Maria Jose de Orleans e Bragança Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Depois de apoiar o impeachment de Dilma Rousseff, os integrantes do Instituto estão voltando às ruas em defesa da união das forças conservadoras. “Temos de tomar cuidado, pois estão querendo lançar uma discórdia entre os conservadores e nós devemos evitar isso. O momento é de reconstrução nacional, pois o País foi saqueado”, afirmou d. Bertrand. O príncipe se encontrou com Lindenberg na quarta-feira no casarão que abriga a sede do instituto em Higienópolis, no centro.

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Bolsonaro diz que, ao barrar crédito extra, oposição vai inviabilizar benefícios como Bolsa Família

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro voltou a alertar, neste domingo, para o risco de faltar recursos para o Bolsa Família e outros benefícios sociais e culpou a oposição de estar "trabalhando para inviabilizar" os pagamentos. No Twitter, Bolsonaro compartilhou publicação do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) na qual o petista comemora o fato de a oposição ter obstruído projeto que autoriza R$ 248,9 bilhões em crédito suplementar ao governo.

 

A votação do crédito extraordinário não ocorreu na semana passada por falta de acordo na Comissão Mista de Orçamento. A expectativa era de que o projeto de lei, depois de aprovado na comissão, fosse votado na última quarta-feira em uma sessão conjunta do Congresso Nacional. No entanto, partidos de oposição, como PT e PCdoB, com a ajuda do PL (antigo PR), integrante do centrão, obstruíram a reunião da comissão, deixando de registrar presença. Isso fez com que não houvesse quórum suficiente para continuar a votação.

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Projeto irresponsável

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2019 | 03h00

Alguns dos projetos de lei, medidas provisórias e decretos com os quais o presidente Jair Bolsonaro pretende cumprir suas principais promessas de campanha primam pela irresponsabilidade. Já havia sido assim no caso do decreto que ampliou a possibilidade de posse e porte de armas no País, que teve de ser refeito por estar eivado de erros formais e de ilegalidades - e, se as vírgulas fora de lugar foram corrigidas, o mesmo não se pode dizer das ilegalidades, que permaneceram na nova versão. Agora é a vez de um projeto de lei, encaminhado pessoalmente pelo presidente Bolsonaro ao Congresso, para alterar o Código de Trânsito Brasileiro.

As mudanças se prestam basicamente para aliviar as sanções aos infratores de trânsito, tanto as multas como a eventual suspensão da carteira de habilitação. O objetivo, segundo informou o presidente, é um só: acabar com o que ele chama de “indústria da multa”.

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Incentivos desastrosos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2019 | 03h00

O fracasso das políticas de incentivos tributários para setores específicos da economia que marcaram a era lulopetista e o papel que essas políticas tiveram na deterioração da situação fiscal do governo federal eram conhecidos. Instrumentos tributários de estímulo à atividade econômica produzem efeitos positivos quando bem utilizados, como mostram experiências recentes de outros países. Mas já estava claro que, no Brasil, o uso político-eleitoral que os governos do PT deram a esses instrumentos desvirtuou sua finalidade e contribuiu para gerar o desastre fiscal em que o País está mergulhado e que, se não enfrentado a tempo, ameaça paralisar o setor público e transformar o atual quadro de estagnação econômica em depressão.

Estudo do governo confirma os efeitos danosos das políticas de incentivos que vigoraram de 2003 a 2015 e traz números que não deixam dúvidas quanto ao peso que os benefícios tributários têm nos gastos públicos – e, portanto, na geração do déficit fiscal. O trabalho – publicado na edição de junho do Boletim Mensal sobre os Subsídios da União da Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria (Secap) do Ministério da Economia  – mostra também a ineficácia desses benefícios para o estímulo à produção e, consequentemente, para a receita.

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Reação oportuna

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2019 | 03h00

 

Frente à perda de validade da Medida Provisória (MP) 868/2018, que caducou no dia 3 de junho, o Senado deu uma pronta resposta à imperiosa necessidade de uma nova legislação para o saneamento básico. Em votação simbólica, o plenário da Casa aprovou na quinta-feira passada o Projeto de Lei (PL) 3.261/2019, que trata do Marco Regulatório do Saneamento Básico, cujo objetivo é aperfeiçoar a regulação, a titularidade e a delegação dos serviços de saneamento.

É especialmente meritória a celeridade com que o tema foi tratado no Senado. Isso foi possível, em primeiro lugar, pela agilidade do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que, com a proximidade do prazo final de validade da MP 868/2018, apresentou no dia 30 de maio projeto de lei sobre o assunto. O texto incorporou o conteúdo central da MP redigida pelo governo de Michel Temer, bem como emendas apresentadas durante a tramitação da medida no Congresso. O objetivo do PL 3.261/2019 é prover um marco regulatório que, com segurança jurídica, amplie a competição no setor, atraia investimentos e preserve a saúde financeira das empresas estaduais de saneamento.

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