A ilegalidade não tolera o jornalismo
Se Sergio Moro tivesse trocado mensagens e dado conselhos, não para o Ministério Público, mas para a defesa de Lula, a militância bolsonarista exigiria sua cabeça imediatamente. E com boa razão. Que o defendam agora e que busquem atacar o material revelado e o jornalista que o revelou é sinal do partidarismo que tomou conta do debate público.
Há diversas defesas plausíveis da Lava Jato. A prisão de Lula assenta sobre bases sólidas, já ratificada já por três instâncias. Há também defesas possíveis do caráter e da imparcialidade de Sergio Moro ao julgar petistas: ele absolveu, por exemplo, Paulo Okamotto. Pode-se também tentar argumentar que, nas mensagens registradas entre Moro e Deltan Dallagnol —dando conselhos, indicando testemunhas— não há nada de irregular.
Infelizmente, não tem sido esse o caminho tomado pelos defensores de Moro e autodeclarados apoiadores da Operação Lava Jato. (Apoiador da Lava Jato eu também sou, mas não de ilegalidades cometidas na Lava Jato.)
Eles levantam, primeiro de tudo, a origem ilegal das informações: o hackeamento de celulares. Uma informação conseguida por um hackeamento ilegal traz consigo, inevitavelmente, dúvidas legítimas quanto à sua autenticidade. Contudo, Sergio Moro e Deltan Dallagnol, em suas notas de esclarecimento, não a contestaram. Moro, pelo contrário, disse que teriam sido tiradas de contexto. Ora, se esse é o caso, então as mensagens são verdadeiras. Temos bons motivos para acreditar na autenticidade delas. E o fato de terem origem ilegal não invalida em nada o teor das informações reveladas.
Lula, o sujeito oculto do grampo
José Nêumanne / o estado de SP
11 de junho de 2019 | 00h00
Para ludibriar fiéis e fãs do petista no Brasil e no mundo, esquerda e Centrão fingem atuar para libertá-lo, mas querem mesmo é afastar Moro e Dallagnol do próprio caminho. Foto: Dida Sampaio/Estadão
A semana foi aberta com a divulgação de pretensos diálogos por WhatsApp entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, coordenados por Deltan Dallagnol, revelando pretenso acordo entre eles na condução dos processos da operação. Se forem verdadeiras – e nada há até agora que possa ser dito em contrário, com a agravante de os acusados em suas manifestações não as negarem -, essas conversas, só pelo que foi divulgado até agora, são nitroglicerina pura na política, na Justiça, no governo e no Brasil.
As alegações apresentadas são desprezíveis. O jornal online The Intercept Brasil, que publicou as mensagens, é editado legalmente no Brasil desde agosto de 2016, pela empresa americana First Look Media, criada e financiada por Pierre Omidyar, fundador da eBay. E editada pelo advogado também americano, especialista em direito constitucional e ex-jornalista do diário britânico The Guardian Glenn Greenwald; pela cineasta, documentarista e escritora Laura Poitras e pelo jornalista investigativo (natural dos EUA) Jeremy Scahill, especialista em assuntos de segurança nacional e autor do livro Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army. Greenwald é casado com o brasileiro David Miranda, eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e, atualmente, deputado federal na vaga de Jean Wyllys, que renunciou à cadeira na Câmara para sair do Brasil, onde se dizia ameaçado. Adversária do impeachment da petista Dilma Rousseff, a publicação não é certamente imparcial. E daí? A Constituição Federal garante o direito de qualquer veículo de comunicação ter livre expressão de opinião, desde que não divulgue mentiras.
Relator da Previdência conclui seu voto, que terá 40 páginas
O relator Samuel Moreira, ao lado de assessores, e a pilha de emendas à sua frente, nesta segunda (Evandro Éboli/VEJA)
O relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), passou a manhã e parte da tarde desta segunda-feira cuidando de seu relatório final, que será apresentado esta semana.
Se reuniu com apenas três assessores numa pequena sala da Consultoria Legislativa da Câmara, mas foi localizado pelo Radar.
Seu relatório já está pronto. Terá em torno de 40 páginas. Na mesa redonda que discutia o assunto com uma consultora da Casa e um assessor, havia uma pilha de papéis que analisava. Era parte das mais de 277 emendas de parlamentares.
As que descartava, rasgava e jogava no lixo. O relator irá ligar para os autores das emendas que foram acolhidas.
Ceará ganha sua primeira estrada construída com cinzas de carvão

Nesta terça (11), os grupos EDP e Eneva vão entregar a primeira estrada do Ceará que reutiliza cinzas de carvão na pavimentação. Esses resíduos são subprodutos da geração de energia elétrica do Complexo Termelétrico de Pecém, em São Gonçalo do Amarante (RMF), composto pela UTE Pecém I (sob a gestão da EDP Brasil) e pela UTE Pecém II (administrada pela Eneva).
Segundo diretores desses grupos, as cinzas são usadas em duas camadas que formam a base da estrada. Em uma delas, vão substituir 50% de solo comum. Na outra, representam 95% da composição. É a primeira vez que esse tipo de aplicação é utilizado fora de ensaios laboratoriais. A via possui extensão de 1,3 quilômetro e 12 metros de largura.
Apenas 3 de 24 estados têm Previdência no azul nos primeiros 4 meses de 2019
A Previdência da maioria dos estados brasileiros seguiu no vermelho nos primeiros meses de 2019. Segundo um levantamento feito pelo G1, de janeiro a abril, apenas Amapá, Rondônia e Tocantins registraram saldo positivo no seu sistema próprio de aposentadoria e pensões, responsável pelo pagamento dos servidores.
Os números levam em conta os resultados divulgados no Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do governo de cada estado, referentes ao segundo bimestre de 2019. Os estados são obrigados a divulgar esses balanços mas, até esta segunda-feira (10), os dados do segundo bimestre do Distrito Federal, Piauí e Roraima não estavam disponíveis. O G1 entrou em contato com os governos dos três estados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Somados os resultados dos 24 estados, o rombo nas contas das previdências estaduais soma mais de R$ 20,7 bilhões - um crescimento de 15% na comparação com o mesmo período de 2018.
Aposentado constrói há 35 anos castelo no agreste do RN

No meio do nada, no alto de uma rocha escondida na Serra da Tapuia, agreste do Rio Grande do Norte, um castelo com traços da arquitetura islâmica está sendo erguido há 35 anos.
A obra ainda inacabada, com 150 torres de tamanhos variados, 13 labirintos e quatro andares, é a missão de vida do sargento aposentado do Exército José Antônio Barreto, 87, o Zé dos Montes.
O projeto nunca foi colocado numa folha de papel. Não há planta arquitetônica, cálculo de engenharia e nem qualquer planejamento de construção.
“Só existe dentro da cabeça dele. Saiu tudo da imaginação. Ele sempre disse que não precisava de desenho. Nunca estudou nada sobre isso. Anotava apenas quanto tinha gasto de cimento e tijolo”, diz, com orgulho, o filho Joseildo Gomes de Oliveira Barreto, responsável hoje por administrar o local.
Por trás da construção que desperta a curiosidade de quem avista as torres furarem o céu, no meio de uma paisagem indescritível e um silêncio interrompido apenas pelo barulho dos bichos, há uma história mítica e religiosa.
Tudo começou quando seu Zé dos Montes era criança. Conta que, aos oito anos, no momento em que estava pegando lenha no meio do mato, no município de Pedro Avelino, no Rio Grande do Norte, teve uma visão.
Uma mulher havia aparecido na sua frente e dito que ele tinha que construir uma capela. Assustado, correu para casa, mas não contou nada aos pais.
“Ele diz que essa visão se repetiu por várias vezes e, sempre, no dia 13 de cada mês”, comenta Joseildo.
Antes de erguer a obra definitiva em Sítio Novo, tentou levantar as torres em outros 13 locais. “Mas só aqui, nesta serra, percebeu que era realmente o lugar ideal. Ele comprou o terreno com algumas economias e colocou a mão na massa.”
Em 1984, após algumas tentativas frustradas, começou a construção sozinho. Tijolo a tijolo. Com o dinheiro que juntava da aposentadoria, comprava pedras e cimento na região.
Depois, pela quantidade de serviço, precisou contratar alguns ajudantes. Por 11 anos seguidos, a obra não foi interrompida um mês sequer.
As torres ocupam 90% de uma rocha de 30 metros de altura. A construção está 400 metros acima do nível do mar.
Já com grande parte do castelo que carrega seu nome erguido, o aposentado, aos 65 anos, viajou para a Europa. Visitou Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Alemanha. Queria saber se o seu empreendimento devia alguma coisa às construções do "estrangeiro".
“Ele foi duas vezes. Sempre viajou sozinho, mas era acompanhado por um guia lá. Visitou alguns templos. Na primeira vez, iria passar um mês. Voltou 11 dias depois porque não gostou da comida”, conta o filho.
Dentro do castelo, que apresenta uma nave principal, há algumas imagens de Nossa Senhora.
Existem também réplicas de cal, feitas por ele, de construções famosas mundialmente, a exemplo da Sagrada Família, em Barcelona, na Espanha, projetada pelo arquiteto Antoni Gaudí.
No local, que serviu de moradia para ele e a família por uma década, não há energia elétrica e nem água encanada. Em um dos andares, há uma cama de cimento e três quartos sem nenhum móvel dentro.
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