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Limites aos partidos - O ESTADO DE SP

Em 2015, o Congresso aprovou alterações na Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/1995), estabelecendo regras mais rígidas para a criação e a fusão das legendas. Diante do cenário nacional, com mais de 30 partidos, quase todos sem nenhuma densidade ideológica ou programática, as mudanças trazidas pela Lei 13.107/2015 foram positivas, ao aumentar as restrições para o surgimento de novas legendas. Em vez de beneficiar a democracia, a profusão de siglas prejudica a qualidade da representação e dificulta a governabilidade.

Como era de esperar, já que a nova lei dificultava os planos de partidos e políticos acostumados a regras frouxas, a constitucionalidade da Lei 13.107/2015 foi questionada perante o Supremo Tribunal Federal (STF). No ano passado, o Supremo negou pedido de liminar, mantendo a validade da nova lei. Recentemente, o plenário do STF confirmou a decisão liminar, reconhecendo a constitucionalidade da Lei 13.107/2015.

Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), o Partido Republicano da Ordem Social (Pros) questionava a exigência legal de que, para admitir o registro de um partido político, seus apoiadores não sejam filiados a nenhuma outra legenda. Também se insurgia contra o artigo da Lei 13.107/2015 prevendo que “somente será admitida a fusão ou incorporação de partidos políticos que hajam obtido o registro definitivo do Tribunal Superior Eleitoral há, pelo menos, cinco anos”. Segundo o Pros, as duas modificações afrontariam preceitos constitucionais, ao restringir valores como pluralidade, liberdade, autonomia política e a participação do cidadão no processo político-partidário do País.

No seu voto, a ministra Cármen Lúcia, relatora da ADI, lembrou que a Constituição de 1988 protege a livre criação, fusão e incorporação de partidos políticos, desde que sejam respeitados os princípios do sistema democrático-representativo e do pluripartidarismo. Ressaltou, no entanto, que as limitações trazidas pela Lei 13.107/2015 não afrontam esses princípios constitucionais.

“Os cidadãos são livres quanto às suas opções políticas, mas não são civicamente irresponsáveis nem descomprometidos com as escolhas formalizadas”, disse a ministra Cármen Lúcia a respeito da exigência de que os apoiadores da nova legenda não tenham filiação partidária. Para a relatora da ADI, a exigência de tempo mínimo para a fusão e incorporação das legendas é um sinal de respeito à opção política do cidadão que apoiou a criação daquele partido, evitando um “estelionato eleitoral”, nas palavras da ministra Cármen Lúcia.

O pluripartidarismo é elemento fundamental da democracia representativa. Faz bem a Constituição, portanto, em assegurar inequivocamente a liberdade de criação de partidos. Mas essa garantia não é uma autorização para que meras siglas, sem nenhuma representatividade e sem nenhuma consistência programática, usufruam do sistema partidário como se partidos fossem. Atualmente, há 33 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mais 76 partidos em formação. Um sistema partidário com esses números é claramente disfuncional.

Além de consolidar limites razoáveis para a criação de partidos, exigindo que as novas legendas de fato representem politicamente uma parcela significativa da população – e, para tanto, não bastam assinaturas, é preciso contar com um programa mínimo de ideias e projetos –, cabe ao Poder Legislativo rever o sistema de financiamento público dos partidos. Enquanto houver recursos públicos sustentando legendas, existirá estímulo para que novos partidos sejam criados.

No Brasil, ter um partido político é um bom negócio, financeiramente rentável. Por isso, há tanto interesse na criação de mais legendas. O sistema deve ser precisamente o oposto. Deve ser tão difícil criar e manter um partido político que só existam aqueles partidos reais, com apoiadores realmente interessados nas suas causas e, portanto, que os financiam. Dinheiro público deve ter outra destinação.

Após sangria de açudes, passagens molhadas ficam submersas no interior do Ceará

CHUVAS E PASS MOLHADAS

A chuva dos últimos dias trouxe volume para alguns reservatórios do interior do Ceará. Por causa do aumento pluviométrico, pelo menos 21 açudes superaram a sua capacidade máxima até este domingo (15). As sangrias foram sentidas em passagens molhadas e outros pontos de travessia, que ficaram submersos. 

Na região do Sertões dos Inhamuns as águas vindas da barragem Trici chegaram à passagem molhada que conecta os bairros do Centro e Tauazinho, em Tauá. O açude é o segundo maior da região e superou o volume total na última sexta-feira (13). 

Em Várzea Alegre, no distrito de Riacho Verde, a via molhada nas proximidades do Sítio Guaribas também está alagada, mas não há problemas de deslocamento.  

Uma via molhada também está submersa no distrito de Várzea da Conceição, na Zona Rural do Cedro. A passagem conecta o distrito à outras comunidades da região. Há três dias moradores enfrentam enfrentam dificuldade de locomoção devido ao volume da água. O volume que passa na travessia alimenta o açude de Lima Chaves, no município de Icó.  

A prefeitura de Cedro informou que desde as primeiras chuvas nos distritos a prioridade é a recuperação de estradas e trechos de rotas do transporte escolar. Sobre a informação que moradores estão ilhados distrito de Várzea da Conceição, a nota esclareceu que "historicamente, o nível baixa rápido pelo escoamento de encontro com outros riachos" e que o vídeo que circula nas redes sociais não é verdadeiro.

Reservatórios

O volume acumulado nos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) nos 70 dias deste ano é o melhor desde 2015, quando comparado a igual período dos anos anteriores. 21 reservatórios ultrapassaram o volume total e outros 28 açudes estão com carga acima de 90%. 

Apesar do número de reservatórios com capacidade acima da máxima, 80 dos 155 açudes monitorados pela Cogerh ainda apontam volume abaixo de 30% do aporte total. Até o momento, o estado está com 17,3% da capacidade máxima, o equivalente a 3,21 hm³.  

CBF suspende competições nacionais a partir de segunda por conta de pandemia do coronavírus

CBF REUNIÃO

 

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu suspender, a partir desta segunda-feira, dia 16/3, por prazo indeterminado, as competições nacionais sob sua coordenação que estão em andamento: Copa do Brasil, Campeonatos Brasileiros Femininos A1 e A2, Campeonato Brasileiro Sub-17 e Copa do Brasil Sub-20.

- Sabemos e assumimos a responsabilidade do futebol na luta contra a expansão da COVID-19 no Brasil - afirma o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Os jogos do Brasileiro Feminino Série A1 que seriam realizados nesta segunda entre Inter x Flamengo, Santos x Audax e Corinthians x Ferroviária também foram suspensos.

Em relação aos campeonatos estaduais, as Federações Estaduais de futebol, entidades organizadoras, terão deliberações específicas para cada competição, sendo respeitada a sua autonomia local.

A CBF seguirá em permanente contato com o Ministério da Saúde, unindo esforços para que o país e o esporte superem o grande desafio em relação à pandemia, torcendo para que, o quanto antes, possamos voltar à normalidade.

Por GloboEsporte.com — Rio de Janeiro

Bolsonaro descumpre monitoramento por coronavírus, participa de ato e cumprimenta apoiadores no DF

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Presidente Jair Bolsonaro cumprimentou apoiadores em manifestação em Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo

 

O presidente Jair Bolsonaro descumpriu, neste domingo (15), a recomendação de monitoramento dada por médicos do governo em razão do novo coronavírus. Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada no início da tarde e participou de uma manifestação a favor do governo.

Em um primeiro momento, o presidente percorreu o lado oposto da Esplanada dos Ministérios, de carro, e recebeu acenos dos manifestantes. Em seguida, fez o caminho de volta e entrou no Palácio do Planalto.

Minutos depois, foi até a grade e apertou a mão de apoiadores. O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, apareceu ao lado de Bolsonaro nas imagens.

Questionada, a assessoria da Anvisa informou que Torres "recebeu um convite do presidente para uma conversa informal, aceitou e foi". A agência não quis comentar o risco associado a esse tipo de aglomeração.

Na sexta (13), após receber um exame de coronavírus com resultado negativo, o presidente disse a apoiadores no Palácio da Alvorada que não daria a mão para cumprimentar as pessoas, como faz de costume.

“Apesar de o meu teste ter dado negativo, eu não vou apertar a mão de vocês. Nunca tinha visto ali qualquer problema. Se bem que, para a imprensa que está ouvindo ali, se eu tivesse com o vírus ou não tivesse, não estaria sentindo nada. Vida segue normal, um grande desafio pela frente, muitos problemas para serem resolvidos”, afirmou o presidente na ocasião.

 

Cinco pessoas que viajaram com o presidente para os Estados Unidos fizeram os exames e descobriram que pegaram coronavírus.

Além da recomendação de monitoramento, médicos e autoridades ligadas ao governo pediram que Jair Bolsonaro repita o exame de coronavírus na próxima semana. Até lá, era esperado que o presidente evitasse contato com aglomerações. A agenda de segunda (16), por exemplo, não lista compromissos oficiais para o presidente.

 

Precaução inicial

Em uma transmissão pela internet na quinta (12), Bolsonaro apareceu de máscara ao lado de Mandetta. O presidente disse que seus apoiadores deveriam repensar as manifestações deste domingo, por causa do coronavírus. "Nossa saúde e de nossos familiares devem ser preservadas", afirmou ele na transmissão.

Após deixar o Palácio da Alvorada neste domingo, de carro oficial, o presidente se dirigiu para o Eixo Monumental, onde estava ocorrendo a manifestação. Bolsonaro não desceu do carro. Ao saberem que se tratava do veículo presidencial, apoiadores começaram a acenar, gritar palavras de ordem e a seguir o carro.

A manifestação em Brasília teve críticas ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF) – algumas delas inconstitucionais e ilegais, como faixas pedindo intervenção militar e fechamento do Congresso e do STF.

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Cidades brasileiras têm atos pró-governo

Capitais brasileiras e cidades do interior registraram, na manhã deste domingo (15), atos de apoio ao governo de Jair Bolsonaro. Capitais como Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Belém (PA), Maceió (AL) registraram protestos pacíficos.

Apesar da orientação de autoridades da Saúde de vários estados e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para suspender a realização de eventos com grandes aglomerações para evitar a disseminação do novo coronavírus (Sars-Cov-2), apoiadores do governo não atenderam ao apelo.

Na quinta-feira (12), em pronunciamento em rede nacional, Bolsonaro afirmou que as manifestações marcadas para este domingo (15) deveriam ser repensadas diante do cenário de pandemia do coronavírus. O presidente havia dito que os movimentos eram "legítimos e espontâneos", mas que não se podia colocar em risco a saúde da população em razão da pandemia de Covid-19.

Porém, neste domingo, em uma rede social, o presidente compartilhou vídeos de manifestações em cidades como Salvador, Belém e Brasília.

Veja os atos em cada estado:

Rio de Janeiro/ São Paulo/ Distrito Federal Alagoas/ Bahia / Pará / Minas Gerais/ Maranhão/ Piauí/ Pernambuco/ Santa Catarina/ Goiás/Paraná/ Paraíba/ Amazonas/ Sergipe/ Espírito Santo/Mato Grosso/

Mato Grosso do Sul

A manifestação começou por volta das 16h30 nos altos da avenida Afonso Pena, em Campo Grande. Em razão da epidemia, o que antes era uma caminhada, se transformou em uma carreata. Duas faixas da avenida Afonso Pena estão tomada pelos participantes, que percorrem a via.

Tocantins

Um grupo de manifestantes se reuniu na tarde deste domingo (15) na Praça dos Girassóis, no centro de Palmas, para um ato pró-governo. Eles se concentraram na área próxima ao memorial Coluna Prestes, na parte sul da praça. A concentração começou por volta das 16h e o grupo se dispersou por volta de 18h30.

Os manifestantes foram ao local com carros de som, faixas e cartazes. Vestidos de verde e amarelo, eles demonstram apoio ao presidente Jair Bolsonaro e fazem críticas ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal.

Ceará

Em Fortaleza, manifestantes vestidos de verde e amarelo levaram bandeiras do Brasil, faixas e placas, criticando o Congresso Nacional e em apoio ao Governo Bolsonaro.

Embora sem casos de coronavírus confirmados no Ceará, muitos manifestantes usavam máscaras cirúrgicas coloridas de verde e amarela. O ato começou às 16h, na praça da Imprensa Chanceler Edson Queiroz, no bairro Dionísio Torres, e deve se estender até o início da noite.

Manifestantes se reuniram em Fortaleza — Foto: G1 CE

Manifestantes se reuniram em Fortaleza — Foto: G1 CE

A incúria de Rodrigo Janot - O ESTADO DE SP

Não há dúvida de que o País pagou um altíssimo preço institucional, político e econômico pela inépcia da denúncia oferecida pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra o ex-presidente Michel Temer em setembro de 2017. Janot, convém lembrar, acusou Temer de impedir ou tentar embaraçar a assinatura de um acordo de colaboração premiada entre o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, o doleiro Lúcio Funaro e o Ministério Público Federal (MPF). Nunca houve o tal impedimento ou embaraço, haja vista que Funaro já havia celebrado um acordo com o MPF em 2016 e Cunha jamais o assinou, embora tenha tentado. Mas, para Rodrigo Janot, a tentativa de silenciar os dois teria sido urdida pelo então presidente da República e o empresário Joesley Batista, controlador do Grupo J&F, em conversa à sorrelfa no Palácio do Jaburu.

Em outubro do ano passado, o juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12.ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, decidiu absolver sumariamente o ex-presidente Michel Temer, determinando que o processo fosse “imediatamente arquivado”. O magistrado entendeu que a prova sobre a qual se fiava a acusação era “frágil, não suportando sequer o peso da justa causa para inauguração da instrução criminal”. Vale dizer que, no entender do juiz federal Reis Bastos, o que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou como “prova” para consubstanciar a denúncia contra o ex-presidente Michel Temer, entre outros denunciados, não valia sequer a instauração de um processo criminal, que dirá a condenação dos acusados.

O MPF que atua na primeira instância recorreu da sentença absolutória, alegando que o fato atribuído aos acusados era “típico”, ou seja, previsto em lei como crime, e havia “prova suficiente do delito imputado”, razões pelas quais o processo deveria prosseguir com a instrução e julgamento. Pois este não foi o entendimento da Procuradoria da República da 1.ª Região, que emitiu parecer contrário ao provimento da apelação feita pelo próprio MPF.

Para o procurador regional Paulo Queiroz, que assina o parecer, “o recurso de apelação não merece provimento” porque “os fatos descritos na denúncia não constituem crime de impedimento ou embaraço de investigação criminal envolvendo uma organização criminosa”. O procurador regional salienta ainda, com razão, que uma investigação criminal pode se dar com ou sem a colaboração dos investigados. Durante o mandato de Rodrigo Janot à frente da PGR, o instituto da colaboração premiada, trazido ao ordenamento jurídico pela Lei 12.850/2013, tornou-se, na prática, prova em si mesmo, o que é um absurdo. A chamada delação premiada é apenas uma entre várias técnicas para obtenção de prova, não prova nada.

Em um dos trechos mais contundentes de seu parecer contrário à revisão da sentença absolutória do juiz federal Reis Bastos, o procurador regional Paulo Queiroz afirma que “o diálogo gravado (por Joesley Batista) era, em última análise, um diálogo ficcional, provocado a fim de produzir prova contra Michel Temer e incriminá-lo”. Paulo Queiroz conclui que a acusação contra Temer é atípica também por esta razão. A ser verdadeira a alegação, não só a gravação da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista foi ardilosa, como mal feita.

Tantas inconsistências na acusação feita pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que se mostra débil a cada novo andamento processual, levaram o País a um estado de paralisia legislativa – afinal, o Congresso teve de sustar sua agenda, incluindo a apreciação da reforma da Previdência, para deliberar sobre o afastamento do então presidente da República denunciado – e ao recrudescimento da nefasta polarização política que ainda hoje cinde a sociedade ao meio e interdita o bom debate público.

Resta esperar que esta ação penal originada por denúncia inepta seja, enfim, arquivada e sirva de exemplo de como não deve agir um procurador-geral da República.

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