Vendo popularidade de Bolsonaro ruir na pandemia, Lula agora defende o SUS
Vendo a popularidade de Jair Bolsonaro e de seu governo ruírem pelo negacionismo na pandemia, Lula resolveu fazer um mea culpa sobre o seu período no Planalto.
“Eu acho que tenho que fazer um mea culpa. Embora eu sempre tenha valorizado o SUS, a verdade é que nós nunca fizemos a defesa ideológica do sistema público e gratuito de saúde para a população. Talvez tenha sido um erro nosso não ter defendido o SUS”, disse o petista.
Lula mostrou que continua esquecido dos inúmeros escândalos que aconteceram no Ministério da Saúde durante o seu mandato.
O mea culpa do petista poderia começar pela decisão dele de entregar parte da Saúde ao mensaleiro José Janene, um dos cabeças do mensalão. Poderia passar pela política de enriquecimento dos amigos dos planos de saúde privada, que foram muito felizes com Lula no Planalto.
E poderia fechar com Dilma Rousseff, a política das Upas de lata superfaturadas e o plano de Alberto Youssef para fazer fortuna com André Vargas vendendo ao SUS uns comprimidos de farinha supostamente fabricados no Labogen, o laboratório de fachada comprado pelo doleiro. VEJA
A mamata dos servidores - ISTOÉ
A pandemia afeta todos os setores da economia, que enfrentará uma recessão grave este ano. Tira o emprego e a renda da população, principalmente dos mais pobres, que lutam pela própria sobrevivência. Mas não afeta uma categoria que conseguiu renovar mesmo na crise seus privilégios: os servidores públicos. Além de estabilidade no emprego, vencimentos intocados e aposentadoria especial, conseguiram garantir aumentos de salários enquanto Estados e Municípios lutam para recompor suas receitas. Dessa vez, além do apoio no Congresso, onde exercem um lobby poderoso, conseguiram o suporte de Jair Bolsonaro — um defensor histórico dos interesses corporativos, especialmente de militares.
Os servidores conseguiram um feito e tanto na PEC de ajuda emergencial aos Estados, em tramitação no Legislativo. Reagiram à proposta de congelamento dos salários por 18 meses, que passou pelo Senado, mas foi revertida na Câmara. Com o aval do próprio presidente, parlamentares atropelaram a proposta do ministro Paulo Guedes. Ele desejava uma economia de quase R$ 130 bilhões para União, Estados e Municípios, mas esse valor caiu para R$ 90 bilhões. O congelamento no salário dos servidores era a contrapartida que Guedes pedia para repassar R$ 60 bilhões a governadores e prefeitos nos próximos quatro meses, além da suspensão de dívidas e manutenção das garantias do Tesouro em empréstimos. Seria uma espécie de “cota de sacrifício” do funcionalismo. Mas a Câmara salvou várias categorias de servidores, e foi acompanhada pelo Senado. Ficaram isentos de congelamento os servidores da saúde, bombeiros, guardas municipais, policiais federais e rodoviários, trabalhadores de limpeza urbana, assistência social, agentes socioeducativos, técnicos e peritos criminais, professores da rede pública, além de integrantes das Forças Armadas. Com isso, sete de cada dez servidores dos Estados e municípios poderão ter reajustes até 2021.

Para representantes do funcionalismo, o plano de Guedes não levava em consideração as categorias que estão na linha de frente no combate à Covid-19, como saúde e segurança. Além disso, eles alegam que os reajustes nos últimos anos têm ficado abaixo da inflação. “Há 17 anos o reajuste é de 0,01% ao ano, enquanto a iniciativa privada fica acima da inflação”, diz o secretário geral do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), Antônio Carlos Lima. Ele aponta que alguns ganham supersalários, enquanto a maioria tem vencimentos abaixo de R$ 5 mil. “Não seria justo congelar a receita de quem está na linha de frente.” Ocorre que, na iniciativa privada, os trabalhadores precisam se esforçar por melhorias salariais e, além disso, podem perder o emprego. O índice de desemprego pode atingir 17,8% este ano, calcula o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), com a massa salarial tendo o pior desempenho desde 1981.
A solução mais justa, até para o equilíbrio fiscal, seria usar o Imposto de Renda progressivo, que tributaria conforme a renda, além do imposto ao rentista, na opinião do professor Adriano Biava, da FEA/USP. Além da estabilidade, outras questões pesam nas contas públicas, já que um servidor ganha em média 3,2 vezes mais que um funcionário do setor privado. Também recebe aposentadoria integral, diferentemente da maioria da população. Para especialistas em contas públicas, congelar os vencimentos dos servidores mostraria que eles também podem dar seu quinhão de sacrifício nesta crise. “Há um conflito grande entre a miséria nas ruas e a força dos funcionários públicos”, afirma o economista Raul Velloso. Para ele, o congelamento seria uma medida emergencial e aplacaria o clamor popular. Seria o mínimo. ISTOÉ
Monitor de VEJA mostra para onde vai o dinheiro do combate à Covid-19

Bilhões e bilhões de reais são anunciados paulatinamente pelo Ministério da Economia como medidas de combate ao coronavírus, mas a sensação é que essa torneira aberta pelo governo não pinga para o cidadão. Grande parte das medidas anunciadas, que já somam mais de 1 trilhão de reais, de acordo com a pasta, são de suspensão ou adiamento de impostos para empresas, como contribuições patronais e declarações de imposto. O que respinga, de fato, na população, é dinheiro novo, como o auxílio emergencial e adiantamento de obrigações, como o 13º salário.
Todo esse dinheiro que tem como destino certo os brasileiros, assim como outros recursos públicos, deve ser verificado. Por isso, VEJA traz um monitor de gastos públicos durante a pandemia. Foram selecionadas as medidas que tem impacto ao cidadão para que se tenha transparência desse recurso, afinal, o dinheiro usado é de ninguém mais, ninguém menos que nós, contribuintes. O monitor de gastos será atualizado semanalmente, com dados compilados pelo executivo, Senado Federal e apurado pela reportagem de VEJA.
Ao todo, o gráfico monitora o gasto de 344,6 bilhões de reais. Desses, 253 bilhões de reais são dinheiro novo (auxílio emergencial, benefício para quem teve redução do salário, pagamento de conta de luz de pessoas de baixa renda, auxílio para estados e municípios via medida provisória, ampliação do Bolsa Família, financiamento de folha salarial, verba para ministérios para combate à Covid-19) e outros 91,86 bilhões de recursos adiantados (13º salário, adiantamento de verba para auxílio-doença e BPC, FGTS e abono do PIS/Pasep)
Impacto financeiro aumenta, e país fica dividido em relação à quarentena

Enquanto caminha rapidamente rumo à marca dos 10.000 mortos por Covid-19, o Brasil vive uma quarentena em descompasso, como mostra a reportagem de capa de VEJA desta semana. A discórdia sobre o isolamento social, que opõe o presidente a boa parte dos governadores, fez do país um campeão mundial de bagunça no enfrentamento da doença e o colocou em uma encruzilhada na qual nem as atividades econômicas funcionam, nem o avanço do novo coronavírus é combatido corretamente. A polarização política da pandemia, como mostra pesquisa exclusiva do instituto Paraná Pesquisas, reflete-se na população: os brasileiros estão divididos ao meio sobre manter o isolamento social independentemente do impacto na economia – a esmagadora maioria da população disse ter sido afetada financeiramente pela crise.
Por meio de questionários online entre os dias 5 e 8 de maio, o levantamento consultou 2.200 pessoas com 16 anos ou mais, nos 26 estados e no Distrito Federal, sobre se elas manteriam o isolamento social pelo tempo que fosse preciso para “achatar” a curva de contágio, conforme prega a Organização Mundial de Saúde (OMS), a despeito dos impactos econômicos da medida: 49,9% responderam que sim e 45,5% responderam que não. Outros 4,5% não souberam ou não opinaram.
Embora os brasileiros favoráveis à quarentena ainda sejam maioria – mesmo considerada a margem de erro, de dois pontos percentuais –, a diferença em relação aos contrários vem diminuindo. No levantamento feito em abril, 53,2% defendiam o isolamento social enquanto 42,7% diziam o oposto. Enquanto a adesão à quarentena cai, governadores passam a decretar ou estudar impor o lockdown, conjunto de medidas mais duras de isolamento.
Na pesquisa mais recente, 44,6% dos homens e 54,7% das mulheres se disseram a favor do isolamento. Entre aqueles que defendem a quarentena, os maiores índices foram atingidos entre pessoas com 60 anos ou mais (61,6%), os que têm o ensino fundamental completo (52,3%), os que estão fora da população economicamente ativa (57%) e os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste (53,8%)
Economia
Apesar da divisão próxima entre os posicionamentos pró e anti-quarentena, considerando seus desdobramentos econômicos, a grande maioria dos entrevistados (82,8%) respondeu ter sido financeiramente impactada pela crise do coronavírus. Destes, 38,1% se dizem muito impactados (eram 33% em abril), 22,5% consideraram os efeitos normais para uma crise (eram 19,5%) e 22,3%, pouco afetados (eram 29,4%). Os que responderam não ter sofrido qualquer reflexo nas finanças são 15%, enquanto 2,2% não sabem ou não opinaram.
Os que mais relataram impactos econômicos são os homens (83,3%), pessoas entre 25 e 34 anos (83,7%), os que estudaram até o ensino fundamental (84,7%), trabalhadores incluídos na PEA (84,4%) e moradores do Nordeste (84,6%).
O instituto também perguntou aos entrevistados sobre o medo de serem infectados e obteve 66,5% de respostas afirmativas e 30,3% de negativas. Os que temem a doença são maioria nos dois gêneros, em todas as faixas etárias,os níveis de escolaridade, em qualquer situação econômica e nas cinco regiões do país. Em relação à pesquisa anterior, o número dos que dizem ter medo subiu 5,9 pontos percentuais.
Entre as mulheres, 68,8% disseram ter medo de ser contaminadas, número que é de 64% entre os homens. Os índices mais altos entre os que temem a Covid-19 vieram das pessoas com 60 anos ou mais (74,8%), as que têm ensino superior completo (70,7%) e as moradoras do Sudeste (69,2%). Os que mais dizem não ter medo estão na faixa etária de 16 a 24 anos (33,8%), estudaram até o ensino médio (31,7%) e vivem no Sul do país (35,2%).
Hábitos
A pesquisa ainda obteve dados sobre o comportamento do brasileiro durante a quarentena: 86% disseram ter alterado hábitos ou costumes por causa do coronavírus, 64,9% responderam não ter se exercitado durante o isolamento social, 17,4% relataram aumento de consumo de bebidas alcoólicas, 43,4 tiveram crises de ansiedade, depressão ou problemas psicológicos e 66,9% avaliam que a hiperconvivência com familiares ou companheiros de moradia não piorou nem melhorou o relacionamento.VEJA
Ação entre amigos - FOLHA DE SP
Em mais um espetáculo de irresponsabilidade orçamentária, o Congresso aprovou o essencial plano de ajuda a estados e municípios apenas após reduzir significativamente a abrangência do congelamento dos salários do funcionalismo —a principal contrapartida para evitar uma piora ainda mais acentuada das contas públicas.
Enquanto milhões de brasileiros perdem seus empregos e um sem número de empresas se encontra à beira da falência, os parlamentares optaram por atender a demandas paroquiais e corporativistas.
Em vez de um congelamento amplo até o fim de 2021, que pouparia R$ 130 bilhões nas contas do Ministério da Economia, abriram-se exceções para diversas categorias, que não se limitaram às diretamente envolvidas no combate ao coronavírus, como se pretendia.
A leniência começou na Câmara dos Deputados, com o beneplácito do Executivo, que privilegiou servidores ligados à segurança e professores, duas das carreiras que mais pesam nos cofres estaduais.
O próprio líder do governo, deputado Victor Hugo (PSL-RJ) afirmou que atendia a uma determinação do presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez contra a posição do ministro Paulo Guedes.
Tampouco foi interesse do Senado mostrar austeridade na derradeira votação. Ao final, a poupança esperada caiu a R$ 43 bilhões, insuficientes para cobrir os repasses diretos de R$ 60 bilhões a estados e municípios aprovados no plano.
O estrago se refletiu imediatamente em alta acentuada do dólar e dos juros de longo prazo. Pressionado por Guedes, Bolsonaro agora diz que vai vetar o aumento.
Ao fim e ao cabo, o episódio mostra mais uma vez a total descoordenação política e programática do governo, com erosão adicional da credibilidade da gestão econômica.
O que está novamente em jogo, hoje, é a solvência futura do governo, que parecia melhorar com os graduais ajustes implementados a partir de 2015. Mas o sinal se inverteu com o impacto da crise.
Com todas as necessárias iniciativas para defender a renda dos mais pobres e preservar empregos, o aumento da dívida pública será dramático. Não se descarta que o passivo do governo chegue a 90% do Produto Interno Bruto neste ano, um recorde entre os principais países emergentes.
Imaginar que as cautelas fiscais estão revogadas na pandemia é ilusão perigosa. Posta em prática, prolongará por anos o drama social.
O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. OBS: TUDO EM NOME DO POVO?
Fábio, filho de Lula, vende participação na Gamecorp
Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, vendeu nesta semana a sua participação na Gamecorp, empresa que explorava a PlayTV, canal a cabo especializado em games.
NOVO DONO
Ele e os sócios, os irmãos Fernando e Kalil Bittar, se desfizeram de 70% das ações, adquiridas pelo empresário Walther Abrahão Filho —ele herdou também as dívidas do negócio.
NOVO DONO 2
Walter é filho de Walter Abrahão, locutor da antiga TV Tupi. Já foi presidente da Juventude do DEM e candidato a deputado estadual em SP pelo PR. O valor do negócio é mantido em sigilo.
LUPA
Fábio e a Gamecorp sofreram várias investigações desde que a empresa se associou à Oi. A tele investiu R$ 5 milhões no negócio quando Lula era presidente. A PlayTV chegou a ter 300 funcionários e patrocinadores como Itaú e Samsung.
ARQUIVO VIVO
Em 2012, a Justiça arquivou os inquéritos contra os sócios. Sete anos depois, em 2019, a Lava Jato de Curitiba retomou as investigações sobre o mesmo assunto. Elas hoje correm em SP.
DESPEDIDA
Numa carta enviada aos funcionários, à qual a coluna teve acesso, Fábio comunica a venda. “Lembro desses últimos 15 anos como se tivesse feito uma longa escalada, em um terreno muito íngreme, sempre contra o vento e as tempestades”, diz ele.
PEDRAS
“A maioria das empresas precisa se preocupar apenas em fazer seu trabalho direito”, segue o filho de Lula. “Tivemos que enfrentar a desconfiança da mídia, operações policiais (...), denúncias do Ministério Público (...), ondas de ataques em redes sociais e o julgamento fulminante da opinião pública.”
NADA
“Em vários momentos eu me senti absolutamente exausto”, diz ainda Fábio na carta. “Apesar do massacre, nunca conseguiram demonstrar qualquer irregularidade.”
MONICA BERGAMO / FOLHA DE SP

