Os que se submetem à força de Bolsonaro continuarão vivos, mas não terão alma
Alguma deusa grega fez com que a nova tradução da “Ilíada” saísse bem agora. Lançado pela editora 34, o livro tem mais de mil páginas, um sumário dos 24 cantos, índice das centenas de personagens, um estudo de métrica, posfácio de Simone Weil e, ápice da erudição olímpica, é bilíngue.
Ele é fruto do empenho e do afeto de Trajano Vieira. Professor de literatura grega na USP, por dez anos ele ajudou Haroldo de Campos a compor sua versão da “Ilíada” —que concilia a locução de Homero com o rococó de Odorico Mendes e o engenho do poeta concreto.
Vieira perseverou por duas décadas para fazer sua própria tradução, na qual busca “manter o tom coloquial, elevado e protocolar” do original. Feito no século 7 a.C., o épico que fundou a literatura europeia é ideal para estes dias: tem até a peste, disseminada por Apolo para atazanar os gregos.
Isso na teoria. Na prática, estes são dias em que Bolsonaro usa a peste para bufar, espumar, babar e arrebanhar arruaceiros à luz do dia. Quem lá tem cabeça para acompanhar os hexâmetros de gregos e troianos quando o beócio parte para a ignorância? Não é hora para poesia. Mesmo.
É hora de atos. Porque as palavras caducaram na reunião em que Bozo conclamou seu bando a empalmar o poder. Ele permitiu que uma câmera fosse ligada e ficou de frente para ela. Todos os bobos da corte que ali boçalizaram sabiam que suas cafajestadas estavam sendo gravadas.
Não apareceram os milicos engalanados que tutelariam a besta-fera. Nem os impávidos cavaleiros liberais cujas esporas fariam o pangaré molambento apressar o trote. Quem apareceu foi a velha matilha de áulicos incultos que não argumenta —e sim rosna quando Bolsonaro atiça: “Isca!”.
A hora é perfeita para a “Ilíada”, cujas primeiras palavras são: “A fúria, deusa, canta”. É a “fúria funesta responsável por inúmeras dores”. A fúria que tantos inocentes amontoa em covas rasas. Inocentes que são pasto para cães com raiva e aves de rapina. Também no Brasil a hora é de fúria.
A “Ilíada” relata a fúria de Aquiles no décimo ano da Guerra de Troia. Como ele, o presidente diz palavras coléricas como preâmbulo para o emprego da força. O ódio encenado na frente do Alvorada é a aurora de sangue que, como no hino canhestro, brilha no céu da pátria nesse instante.
Pelas contas do helenista Richard Janko, a “Ilíada” descreve 148 feridas que vertem sangue. Doze são produto de flechas; 13 de pedras; 17 de espadas; e 106 de lanças. Já na escolha das armas a violência é viril: “A lança persegue sua vítima como o homem à sua amante”.
Bolsonaro também associa sexo e agressão. Contudo, como a virulência verbal não se traduz em atos, demonstra insegurança em empunhar a lança fálica e —pfff— nada acontecer: sua impotência seria desnudada. Ele fraqueja porque não sabe com com quais forças de fato contará para perpetrar o crime.
Hoje, o presidente conta com: Trump; o naco sangrento do empresariado; generais na ativa (não se sabe quantos); oficiais com medalhas no pijama; a estridente bancada de parlamentares patifes; um punhado de juízes; a chusma lúmpen que o aclama aos domingos.
Para azeitar o golpe, há poucos dias ele deu um belo aumento de salário a militares, PMs e policiais civis de Brasília, cujo governador o apoia. O presidente já avisou que descumprirá determinações do Supremo. A corte terá então que chamar a polícia para obrigá-lo a se submeter.
Nesse quadro, os juízes serão obedecidos? Se não forem, darão ordens às Forças Armadas? O que fará o Congresso? E os governadores? E o povo —que enfrenta a propagação da peste, um desconfinamento atarantado, o desemprego explosivo, a pane na economia, a deterioração da vida?
Essas questões são debatidas interminavelmente. As conversas não avançam porque é forçoso passar das palavras aos atos. Da discurseira em círculos à ação reta. Da encenação da força à força real. Seria preciso entrar no mundo da “Ilíada”, o dos fatos em fúria.
O ensaio de Simone Weil no final da tradução de Trajano Vieira tem o título de “A Ilíada ou o Poema da Força”. Para a militante e mística francesa, o grande poema épico mostra que “a força é o que transforma em coisa qualquer um a ela submetido”.
Os que se submeterem à força do presidente continuarão vivos, mas não terão alma, serão coisas. O heroísmo homérico consiste em não se submeter à força, mesmo ante a iminência da derrota. É uma cólera justa que pode ser adotada por um juiz, um político, por qualquer um de nós.
Substitua-se na bandeira o lema 'Ordem e Progresso' por 'Não repara a bagunça'
Na bandeira, substitua-se o lema positivista “Ordem e Progresso” por “Não repara a bagunça”, a inevitável saudação brasileira às visitas, escrita assim mesmo, do jeito bagunçado que as pessoas falam. A sugestão irônica, triste e afetuosa, circulava entre nós, nos tempos de faculdade. Hoje, 40 anos depois, a crise do coronavírus revela sua atualidade.
Um presidente negacionista decidiu que a Covid é “uma gripezinha”, recusou-se a organizar o respaldo econômico à emergência sanitária, fechou o Ministério da Saúde, engajou-se em atos de sabotagem das regras de distanciamento social.
O STF reagiu transformando o país numa confederação de 27 entidades territoriais mais ou menos independentes. Na ausência de coordenação nacional, governadores, prefeitos e até juízes intrometidos costuraram uma colcha de retalhos de medidas sanitárias incongruentes.
A bagunça esvaziou menos as ruas que o sentido das palavras. Do Maranhão ao Ceará, quarentenas parciais ganharam o nome de “lockdown”.
O governo paulista anunciou uma “quarentena inteligente”, confessando involuntariamente que experimentamos dez semanas de quarentena burra. Na etapa da burrice, fechou-se às pressas a economia de centenas de cidades do interior quase livres da epidemia. Na da inteligência, essas áreas serão desconfinadas, justamente na hora da chegada do vírus.
A bagunça é, às vezes, cálculo eleitoral. O prefeito paulistano, um administrador que executa antes para depois planejar, o gênio de bloqueios viários e megarrodízios, clamou por um “lockdown” imposto pelo governador, sobre quem recairia o peso do fracasso, antes de girar 180 graus, temendo a paralisação de obras de apelo eleitoral.
Na capital paulista, ninguém pode andar em parques, atividade saudável e segura, mas todos já podem visitar os shoppings. No Rio, cidade que declina sem elegância, as praias continuam proibidas, mas o prefeito puro e santo excetuou as igrejas, permitindo aglomerações nos templos. Há jornalistas que culpam o povo pela dissolução das quarentenas.
Às vezes, a bagunça é método. No estado do Rio, sob um governador-juiz que prega a eliminação extrajudicial de suspeitos, a corrupção adaptou-se celeremente ao cenário epidemiológico. Seguindo a clássica receita de autoajuda dos investidores, de converter crises em oportunidades, firmaram-se contratos fraudulentos para a construção de hospitais de campanha.
Saúde antes de tudo. O extinto Ministério da Saúde, reduzido à condição de acampamento militar, foi colonizado por curandeiros charlatães. Curvado às ordens presidenciais, ele recomenda o uso indiscriminado da cloroquina em pacientes de Covid, contrariando as conclusões de investigações científicas abrangentes. Às vezes, a bagunça é crime.
Não damos sopa para o azar. Os países europeus, bagunceiros, só exigem o uso de máscara em lugares fechados. No Brasil, somos ordeiros, rígidos, implacáveis: a Câmara estendeu a obrigação aos espaços abertos. Obedientes, as pessoas percorrem as calçadas com o apetrecho na testa ou no pescoço, manuseando-o irrestritamente, enquanto as máscaras dos motoqueiros se cobrem de películas de fuligem. Fazemos leis para chinês ver.
Nunca relaxamos. O fechamento geral de escolas é medida de eficácia improvável no combate ao coronavírus, concluiu um estudo publicado pela Lancet, revista médica de referência.
Na Europa, a reabertura escolar figura entre as medidas pioneiras da flexibilização, pois a longa interrupção atinge devastadoramente famílias e alunos pobres. Mas, por aqui, isso foi relegado ao epílogo do cronograma das autoridades. “Vire-se, povinho!” —eis a mensagem de governantes tementes a Deus ou à “Ciência”.
Nossa epidemia seguirá crepitando, enquanto o mundo vira uma página. Temos tempo para substituir o lema que atravessa a esfera azul celeste da bandeira tão amada.
Mais da metade dos empresários aprovam governo Bolsonaro
Ponto de vista Os empresários são o único grupo da população economicamente ativa em que Jair Bolsonaro tem aprovação da maioria, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 25 e 26. Enquanto 56% deles consideram que o presidente está fazendo um governo ótimo ou bom, entre os assalariados essa avaliação cai para 32% e entre os sem registro, para 43%. A parcela dos que o aprovam é menor nos grupos dos funcionários públicos (28%) e dos que estão procurando emprego (26%).
Ladeira Após a queda de 1,5% do PIB no primeiro trimestre divulgada nesta sexta (29), empresários e presidentes de grandes companhias dizem que a profundidade das próximas retrações vai depender da reação à pandemia. Para Sergio Leite, da Usiminas, o cenário que se instalou em março joga para longe a expectativa de retomada do crescimento.
Tempestade “A pandemia afetou diversos setores econômicos de forma abrupta e severa, e as perspectivas se inverteram. Teremos novas quedas nos próximos trimestres, que exigirão medidas eficazes para que a indústria possa sobreviver”, afirma Leite.
Emergência Para Helton Freitas, diretor-presidente da Seguros Unimed, a falta de coordenação para enfrentar a Covid-19 no Brasil tem agravado os impactos. “O ponto central para o processo de retomada será a capacidade de os agentes econômicos e políticos do país buscarem se alinhar e se distensionar”, diz ele.
Horizonte “A retração do segundo trimestre deve ser bem maior. O mais importante será a forma responsável da abertura da economia para não ter uma segunda onda. Se isso ocorrer, vejo uma boa recuperação no segundo semestre”, disse Marcelo Ometto, presidente do conselho de administração da São Martinho.
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Acusado de divulgar informação falsa, Capitão Wagner reage: "Não sou eu que tô mentindo"
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 29, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) se manifestou em relação a informações divulgadas nas redes sociais pelo deputado federal Capitão Wagner e o delegado de Polícia Civil do Ceará Henrique Silva. De acordo com o MPCE, os servidores públicos estariam compartilhando notícias falsas, ofendendo o trabalho e os membros da Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap). O deputado reafirma o que disse e ressalta que não está mentindo.
Segundo o MPCE, o caso veio à tona após a operação que investiga compra de respiradores mecânicos pela Prefeitura de Fortaleza. “Mesmo tendo acesso a uma cópia do processo administrativo, o parlamentar e o delegado gravaram um outro vídeo, afirmando falsamente que o Ministério Público, em vez de apurar os fatos alegados, estaria investigando e perseguindo o noticiante”, disse a publicação.
Na nota, o procurador-geral de Justiça, Manuel Pinheiro, diz ter tomado conhecimento dos vídeos divulgados pelo capitão Wagner em 9 de maio, e pelo delegado Henrique Silva, no dia 10 de maio, logo que o material passou a circular. Membros do Ministério Público teriam encaminhado esses arquivos para as promotorias de Justiça, com o propósito de serem investigados para uma possível abertura de procedimentos administrativos. O material foi recebido pela Procap e pelo Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim), em 11 de maio. Nesse mesmo dia, providências para investigar as suspeitas foram adotadas, segundo Manuel Pinheiro.
De acordo com o Ministério Público, também em 11 de maio a entidade recebeu diretamente do parlamentar as mesmas notícias que denunciavam as suspeitas de irregularidades da Prefeitura de Fortaleza na contratação dos respiradores. Conforme o MPCE, o deputado Capitão Wagner recebeu o número do processo eletrônico, para a acompanhar o andamento do caso. Assim, foi aberto procedimento administrativo sobre o caso pela 23ª Promotoria de Justiça de Fortaleza. Também seria investigado possível uso indevido de meios, símbolos e insígnias do Governo do Estado por parte do delegado Henrique Silva.
De acordo com o MPCE, o promotor responsável determinou realização de pesquisa sobre a empresa contratada e os sócios nos bancos de dados públicos e pediu à Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza que enviasse a documentação sobre dispensa de licitação, garantia e processos de pagamento. Também pediu à empresa contratada a apresentação de pelo menos três cópias de contratos semelhantes de vendas realizados na mesma época para outros entes públicos, bem como de cópias das notas fiscais das compras dos equipamentos.
Também pediu que a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado se manifestasse sobre o possível uso indevido de meios, símbolos e insígnias do Governo do Estado pelo delegado Henrique Silva.
O Ministério Público aponta que o Capitão Wagner também afirmou falsamente que a Procap teria optado por designar promotor para investigar o delegado Henrique Silva, que aparece no vídeo, em tentativa de coagir as pessoas para que elas parassem de denunciar irregularidade.
“Na verdade, a atuação da 23ª Promotoria de Justiça de Fortaleza na apuração dos fatos não derivou de qualquer designação da Procap, até porque não havia relato de envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro, sendo uma decorrência do processo regular, aleatório e impessoal de distribuição dos feitos entre os membros da Instituição que têm a mesma atribuição legal para apurar fatos desta natureza”, pontua o documento.
Por fim, o Ministério Público ressalta que todas as notícias de irregularidades na aplicação dos recursos públicos estão sendo investigados, durante o estado de calamidade pública resultante da pandemia. “A apuração dos fatos relacionados com a contratação de ventiladores mecânicos continuará sendo feita de forma isenta e responsável pelo titular da 23ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, sempre visando a descoberta da verdade e com respeito às normas constitucionais e legais que regem a atividade do Ministério Público”.
Capitão se posiciona
Ao O POVO, o Capitão Wagner endossou que não havia sido notificado das ações feitas pelo Ministério Público, exceto pela nota divulgada nesta sexta-feira. "Como ele (procurador) disse lá na nota que eu tava ciente de todas as ações, eu queria que ele provasse, que mostrasse algum documento que foi encaminhado a mim, ou virtualmente, ou pessoalmente, porque até hoje eu não recebi qualquer documento tomando conta dessas ações do Ministério Público. E eu tô muito tranquilo em relação ao que eu falei", disse.
O deputado federal disse que não está mentindo e reiterou que não recebeu notificação. "Quando a nota diz que eu fui notificado das ações do Ministério Público Estadual, aí quem tá mentindo não sou mais eu. Quem tá mentindo na verdade é... com todo respeito, não vou dizer que o procurador é mentiroso porque ele apenas assinou a nota, mas não sou eu que tô mentindo não...", justificou-se.
Ele ainda afirmou que não muda o posicionamento. "Eu tô muito tranquilo, não houve qualquer contradição na minha fala. Eu sustento o que eu falei", disse.
O POVO entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, que declarou que não iria se pronunciar sobre o assunto.
Bolsonaristas que foram alvo de ação do STF somam 19 milhões de seguidores
28 de maio de 2020 | 05h00
Os influenciadores bolsonaristas que foram alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na quarta, 27, somam em seus perfis oficiais no Youtube, Facebook, Twitter e Instagram 19 milhões de fãs e seguidores. O número fica ainda mais expressivo se somado aos mais de 8 milhões de seguidores dos parlamentares intimados a depor por ordem do Supremo Tribunal Federal também na operação de quarta, realizada no âmbito do inquérito das fake news do tribunal.
Os números são da consultoria Bites, que fez o levantamento para demonstrar que a operação realizada na quarta, 27, com determinação do STF, atacou o núcleo duro uma rede interconectada de sites e perfis nas redes sociais que tem sido capaz de produzir conteúdo em escala exponencial e com aumento constante de audiência.
"A ação do STF pode ter criado uma perturbação no ecossistema de informação do bolsonarismo, mas ele continua em operação e se preparando para os próximos passos", diz o diretor da Bites, Manoel Fernandes. "A militância do presidente tem uma vantagem em relação aos movimentos da oposição. Eles estão em treinamento contínuo há pelo menos cinco anos e encontraram em Bolsonaro o ponto focal para receber toda essa energia digital. Algo que ainda não ocorre com o outro lado."
A consultoria mostra que, no Twitter, as menções ao STF atingiram na quarta o maior patamor dos últimos 12 meses. Por volta de 20h30, já tinham sido publicados 1,2 milhão de posts sobre a Corte. Considerando os últimos 12 meses, o Supremo apareceu em 29,2 milhões de posts no Twitter. De acordo com a Bites, a Suprema Corte dos Estados Unidos e suas instâncias estaduais, por exemplo, foram citadas em 332 mil posts.
Só na quarta, quase 2,4 mil publicações sobre o STF foram feitas em sites da mídia profissional, alternativa e bolsonarista. "O que chama atenção é a capacidade das páginas de apoio ao presidente de conseguirem interações no Facebook e no Twitter (curtidas, compartilhamentos, comentários e retuítes) no mesmo patamar dos veículos profissionais. Entre os 30 artigos de maior propagação, 11 são de sites de apoio ao presidente da República", diz Manoel.
Rede pede ao STF extinção da ação contra o inquérito das fake news
O partido Rede Sustentabilidade enviou nesta sexta-feira (29) uma manifestação para o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a extinção da ação, movida pela sigla, que questionava o inquérito das fake news. Agora a Rede quer que o caso sequer seja analisado pela Corte.
Nesta quinta (28), o ministro Edson Fachin reiterou pedido para que a ação da Rede seja pautada para o plenário do STF e enviou, para análise de todos os ministros, o pedido da Procuradoria-Geral da República para que o inquérito seja suspenso.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a suspensão do inquérito após a deflagração da operação da Polícia Federal que cumpriu buscas e apreensões contra empresários e blogueiros suspeitos de disseminar notícias falsas e ameaças a ministros do Supremo. Os suspeitos são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
O pedido da PGR foi feito na ação da Rede, apresentada em março do ano passado, e que desde então não foi julgada. Agora a Rede quer que Fachin arquive a ação, em decisão individual.
O partido afirma que, no último ano, houve “uma espécie de escalada autoritária por parte de alguns mandatários”. “Além disso, evidenciou-se, de modo cada vez mais explícito, o mal das fake news para a democracia.”
Para a sigla, o inquérito tem se mostrado um dos principais instrumentos da democracia.
“Se, em seu nascedouro, o inquérito, ao que indica a mídia, apresentava inquietantes indícios antidemocráticos, um ano depois ele se converteu em um dos principais instrumentos de defesa da democracia e da lisura do processo eleitoral”, completa.
A petição da Rede é para que Fachin leve em conta um posicionamento da própria PGR que, num primeiro parecer sobre o inquérito, se manifestou pela continuidade das investigações. Ou seja, para que a ação não seja sequer analisada por não cabimento do tipo de ação apresentada.
Segundo jurisprudência da Corte, o autor de uma ação de controle de constitucionalidade, como foi apresentada pela Rede, não pode desistir do pedido. Isso porque, depois que a ação chega ao STF, passa a valer o princípio do interesse público.
Histórico
Em 2019 , o partido questionou o inquérito, afirmando que foi aberto pelo tribunal sem alvos determinados e que teria como suspeitos “servidores da Receita que investigavam pessoas politicamente expostas e congressistas que apoiavam a inicialmente denominada CPI da Lava-Toga”.
PORTAL G1


