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Polícia investiga a presença de símbolo neonazista em protesto na Avenida Paulista

BANDEIRA DA UCRANIA

SÃO PAULO - Ostentada em um trio elétrico na manifestação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, uma bandeira rubro-negra com um tridente, associada a um grupo nacionalista ucraniano com ideário de extrema-direita, está sendo investigada pela polícia como um possível símbolo neonazista.

O próprio secretário executivo da Polícia Militar (PM) de São Paulo, Coronel Camilo, chegou a dizer, em entrevista à CNN Brasil, que um dos apoiadores de Bolsonaro portando uma “bandeira neonazista” teria sido um dos causadores do conflito deste domingo, ao se dirigir até o grupo de manifestantes antifascistas para fazer provocações.

Mais tarde, em entrevista ao GLOBO, Camilo recuou sobre o fato do episódio ter sido o estopim da confusão, mas não confirmou a associação com a bandeira. De acordo com Camilo, três participantes do ato pró-Bolsonaro foram até o grupo formado por torcedores organizados para fazer provocações.

– Quando chegou a primeira informação disseram que eles também estavam com bandeiras. Isso eu não consegui confirmar. Confirmei que essas pessoas foram lá, teve provocação e, além de bate-boca, essas pessoas se envolveram em agressões físicas.

Em seguida, ainda nas palavras do coronel, essas pessoas foram retiradas do local por intervenção da polícia, mas não houve prisão. A partir, os ânimos começaram a se acirrar entre os dois grupos que passaram a tentar avançar sobre a linha de divisão montada pela PM.

O grupo a favor de Bolsonaro teria recuado diante do reforço policial. Já os que se opunham ao governo começaram, segundo o secretário executivo da PM, a atirar pedras, levando os policiais a regirem com bombas de efeito moral e gás lacrimogênio.

Camilo diz que serão analisadas imagens para tentar identificar se bandeiras neonazistas realmente foram levadas para a manifestação.

– Se forem identificadas pessoas com bandeira neonazistas como foi falado, pessoas atentando contra a democracia, os responsáveis vão responder por isso.

Derivado de símbolos usados na mitologia grega, e posteriormente convertido na imagem da santíssima trindade para os cristãos, o tridente presente na bandeira rubro-negra passou a ser usado pelos habitantes da Ucrânia durante a Idade Média, em um período de conversão da população ao cristianismo.

De acordo a embaixada da Ucrânia no Brasil, a bandeira rubro-negra simboliza "a nossa terra e o sangue de nossos heróis derramado por Liberdade, Independência e Soberania da Ucrânia".

Em nota, a embaixada explica que a bandeira "foi usada desde o século XVI pelos cossacos ucranianos nas lutas contra invasores estrangeiros". O tridente é o brasão oficial do Estado ucraniano com a conversão do país ao Cristianismo pelas mãos do Príncipe Vladimir, no ano 988.

Ao longo dos séculos, o tridente agregado à bandeira vermelha e negra ganhou a conotação de liberdade aos ucranianos em meio às inúmeras guerras pela soberania daquele território.

A associação com grupos de extrema-direita ficou mais clara a partir da Segunda Guerra, quando a bandeira virou símbolo do Exército Insurgente da Ucrânia, um movimento nacionalista e militar formado em 1941.

O grupo aliou-se com a Alemanha nazista até a invasão da Ucrânia por tropas nazistas, dois anos mais tarde. Ao fim da guerra, a bandeira rubro-negra foi usada por tropas ucranianas em lutas contra União Soviética e Polônia. Com a incorporação da Ucrânia à União Soviética, o símbolo perdeu força.

O prestígio voltou décadas mais tarde, já num contexto de Ucrânia independente após o fim da União Soviética. Em 2013, com a fundação do partido de extrema-direita Pravyi Sektor ("setor direito" em português) no contexto de insatisfação com o governo de Viktor Yanukovytch, presidente ucraniano alinhado com o colega russo Vladimir Putin.

A revolta popular ao governo de Yanukovytch, acusado de corrupção, levou à queda do governo em 2014.

Embora seja comparado a um grupo neonazista por cientistas políticos fora da Ucrânia, os líderes do Pravyi Sektor negam afiliação com nazismo ou fascismo.

Conflito desencadeou ação dos militares, que disparou bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes agrupados no Masp

Paulo Roberto Netto / O ESTADÃO

31 de maio de 2020 | 20h14

O secretário-executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, afirmou ao Estadão que a corporação deverá agir nas próximas horas para tentar identificar as pessoas que teriam se infiltrado no grupo de manifestantes contrários ao presidente Jair Bolsonaro, deflagrando a briga que levou à ação da corporação na tarde deste domingo, 31, na Avenida Paulista.

Segundo Camilo, informações iniciais que recebeu do comando da PM indicam que ao menos duas pessoas teriam ido em frente ao Masp, onde se concentrava os manifestantes, e teriam provocado os participantes do ato. Ao Estadão, o organizador do movimento Somos Democracia, Danilo Pássaro, de 27 anos, informou que a dupla portava símbolos neonazistas – informação não confirmada oficialmente pela PM.

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“A gente vai identificar tudo, inclusive quem realmente provocou, por que provocou, se estavam ou não com bandeiras (neonazistas) e responsabilizar cada um conforme sua atitude na manifestação”, afirmou o coronel Camilo. “Os que forem identificados serão chamados à responsabilidade, seja por quebra da ordem, seja por estarem atentando contra a democracia, essas pessoas serão responsabilizadas, desde que identificadas”.

O coronel Camilo disse que serão analisadas imagens gravadas pelos manifestantes, por câmeras de segurança da avenida Paulista e os vídeos dos protestos divulgados nas redes sociais. Um inquérito será aberto para apurar o que ocorreu na manifestação.

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Policiais militares se agrupam em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) em meio a ato pró-democracia. Foto: Taba Benedicto / Estadão

O conflito deflagrou ação da Polícia Militar, que disparou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que participavam do ato contra Bolsonaro, em confronto que se estendeu por parte da avenida em direção ao metrô Consolação. A ação dos militares foi criticada por ter sido direcionada somente a um dos lados do protesto. Do outro lado da Paulista, em frente à sede da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), manifestantes pró-Bolsonaro foram cercados pela tropa regular da PM e continuaram o ato normalmente.

O coronel Camilo rechaçou as críticas e disse que a PM fez a proteção ‘dos dois lados’ para evitar um ‘mal maior’, que seria o confronto direto entre as duas manifestações opostas.

“O pessoal que estava na Fiesp, só com o cordão (de isolamento), se conseguiu segurar e desestimular que viessem para a Paulista encontrar o outro grupo. O pessoal do Masp estava mais agressivo, tentou inclusive furar o bloqueio”, afirmou o secretário-executivo da PM. “A polícia agiu contra aquele que quebrou a ordem. A polícia não tem lado. A polícia tem lado do cidadão de bem”.

Segundo o coronel Camilo, ao menos cinco pessoas foram detidas durante o confronto com a PM. Duas delas eram pessoas que se aproveitaram do conflito para tentar furtar manifestantes. As outras três foram por resistência contra a ação da PM.

Quadra chuvosa no CE fica acima da média pela 1ª vez nesta década

O SERTÃO EM IMAGEM NO INVERNO

Os bons volumes desta quadra chuvosa (fevereiro a maio) foram suficientes para alterar o cenário de dois importantes eixos do Estado: o abastecimento hídrico e a produção agrícola. Com mais de 730 mm precipitados, segundo balanço parcial da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), este foi o primeiro quadrimestre desde 2009 a ficar acima da média histórica - de 695.8 mm. Desde 1973, quando a Funceme passou a disponibilizar os dados pluviométricos, isto só aconteceu em 12 ocasiões.

Consequência das boas chuvas, o Ceará deve alcançar uma safra de 637.787 toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2020, crescimento de 12,96% em relação a 2019 (564.615t) e de 34,7% em relação à expectativa de safra de janeiro deste ano (467.673t), segundo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do IBGE.

O resultado da quadra acima da média traz alento para o agricultor familiar cearense, que depende das chuvas para o cultivo nas áreas de sequeiro. A Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) acrescenta ainda que a expectativa de safra também tem correlação com a distribuição de duas mil toneladas de sementes pelo Programa Hora de Plantar, adaptadas ao clima e solo do semiárido cearense e com alto potencial germinativo.

Já em relação ao abastecimento humano, as chuvas garantiram recarga à maioria dos reservatórios cearenses. Os três maiores açudes do Ceará, Castanhão, Banabuiú e Orós, ganharam 13,14%, 7,19% e 22,71% de volume, respectivamente, de janeiro até o último sábado (30). O Castanhão acumula agora 15,97% de seu volume de água, Banabuiú 13,58% e Orós 27,96%.

Distribuição

Além dos bons volumes pluviométricos, o ponto alto desta quadra foi a distribuição espacial das chuvas. "Embora algumas áreas isoladas possam não ter sido tão beneficiadas pelas chuvas, de um modo geral, diferentemente do observado nos últimos anos, as precipitações foram melhor distribuídas no Estado", avalia Meiry Sakamoto, gerente de Meteorologia da Funceme. "Em fevereiro, março e parte de abril, as condições do oceano Atlântico favoreceram o posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) sobre o Nordeste do Brasil, levando chuvas, inclusive, para o interior do Ceará".

As condições fizeram com que esta quadra chuvosa atingisse alguns parâmetros que não se repetia há anos. Ontem (31), o volume acumulado no Ceará, de fevereiro a maio, alcançou 732,8 mm, ficando 22% acima da normal climatológica. Segundo a Funceme, quando o acumulado nos quatro meses fica entre 505.6 mm e 695.8 mm, o período é considerado "em torno da média"; e abaixo de 505.6 mm, o órgão considera "abaixo da média". Neste século, somente as quadras chuvosas de 2009 (965.7 mm), 2008 (768.2 mm) e 2020 ficaram acima da média.

"Estes números, apesar de preliminares, confirmam os prognósticos climáticos divulgados em janeiro e fevereiro. É o melhor resultado desde 2009, quando as precipitações ficaram 60,8% acima da média do quadrimestre", ressalta Sakamoto. "A partir de maio, observou-se o afastamento da ZCIT, e as precipitações foram menos abundantes e ocorreram associadas a áreas de instabilidade formadas no oceano próximo à faixa litorânea, ou se deslocando em direção ao Estado, a partir do setor leste da região Nordeste. Essa tendência de redução ao longo da estação chuvosa havia sido indicada nos prognósticos da Funceme".

No quadrimestre (fevereiro-maio), a macrorregião do Cariri foi a que apresentou maior variação positiva. Com 864 mm, o índice ficou 40,1% acima do normal para a região. Na sequência está o Litoral de Fortaleza, com chuvas 27,6% acima da média, região que em termos absolutos acumulou a maior média (1.016 mm).

Nesta quadra, março foi o mês mais chuvoso, com 275.7 mm (35.5% acima do normal), seguido de fevereiro (192.2 mm) e abril (181.5 mm). Maio apresentou o menor índice, como 86.6 mm (-4,4%). Ainda assim, foi o maio mais chuvoso desde 2014, quando o Ceará registrou 85.1 mm (-6.1%).

Reservatórios

As boas chuvas tiveram impacto positivo no cenário hídrico geral do Ceará. Dos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 36 excederam a capacidade máxima e permanecem sangrando, conforme o Portal Hidrológico do órgão. Além disso, o Estado atingiu a marca de um terço da capacidade, situação que não ocorria desde outubro de 2013.

Região que concentrou os maiores volumes de chuva no Ceará, os reservatórios da bacia do Litoral estão em situação mais confortável, concentrando 99,86% do suporte total. Dos 10 açudes, sete estão sangrando. Situação semelhante ocorre na bacia do Coreaú, que acumula 98,81% da capacidade e possui sete dos 10 reservatórios sangrando atualmente.

Na bacia do Médio Jaguaribe, onde fica o Castanhão, o acúmulo é de 15,49%. Em 1º de janeiro, esta taxa era de apenas 2,85%. Já nas bacias do Alto Jaguaribe e do Banabuiú, onde ficam Orós e Banabuiú, a recuperação foi ainda maior. Na primeira, que iniciou o ano com 5,74% da capacidade, este índice chegou a 35,12%. Já na do Banabuiú, onde fica o reservatório homônimo, a capacidade saiu de 6,36%, em 1º de janeiro, para 14,6%, até este domingo.

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Manifestações têm confronto entre torcedores, bolsonaristas e policiais em São Paulo e no Rio

Guilherme Caetano, Ana Clara Veloso e Gabriel de Paiva / O GLOBO

 

PRESIDENTE BOLSONARO A CAVALO

 

RIO E SÃO PAULO - Manifestações pró-democracia convocadas por torcidas organizadas de diversos times de futebol terminaram em confronto com bolsonaristas e policiais em São Paulo e no Rio neste domingo. Na capital paulista, os grupos se enfrentaram na Avenida Paulista, onde foram marcados protestos simultâneos. No Rio, foi registrada uma confusão em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Vestidos de preto, manifestantes de um grupo contrário ao presidente Jair Bolsonaro foram dispersados com o uso de bombas de gás.

As torcidas organizadas – vestindo camisas de times como Corinthians, Palmeiras e São Paulo – e grupos de esquerda chegaramà Avenida Paulista no início da tarde com bandeiras rubro-negras do antifascismo — o mesmo horário em que bolsonaristas costumam promover seus atos. Vestindo roupas pretas e brancas, os manifestantes entoaram gritos pela democracia e contra o presidente.

Já os bolsonaristas, por sua vez, portavam as habituais bandeiras do Brasil, além de outras, como a da Ucrânia, e símbolos americanos. Seguravam também cartazes contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

A Polícia Militar formou um cordão de isolamento entre os manifestantes contra e pró-Bolsonaro, na altura do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Apoiadores do presidente ficaram concentrados, em menor quantidade, na frente do Shopping Cidade São Paulo, enquanto as torcidas estavam em frente ao museu.

 

Por volta das 13h30, a Tropa de Choque chegou ao local e lançou bombas para dispersar o trecho da avenida entre os dois protestos. Em seguida, houve um princípio de briga entre dois grupos contrários.

Cerca de meia hora depois, a situação se agravou quando a Tropa de Choque começou a reprimir a manifestação antifascista com mais violência. A Avenida Paulista virou cenário de guerra, com cápsulas de bombas e destroços pelo chão. Antifascistas revidaram lançando pedras e garrafas na polícia.

Por quase uma hora, os manifestantes antifascistas tentaram se manter na avenida, mas a PM atuou para impedir a ocupação da via. Uma parte dos manifestantes foi empurrada para a altura da Rua da Consolação. Um pequeno grupo permaneceu em frente ao museu.

Policiais militares em confronto com manifestantes em ato pela democracia em São Paulo Foto: Reprodução / Globo News TV
Policiais militares em confronto com manifestantes em ato pela democracia em São Paulo Foto: Reprodução / Globo News TV

— A gente precisa retomar esse espaço. A rua também é nossa. Vamos voltar na semana que vem – disse um manifestante, sendo aplaudido pelos outros.

Do outro lado, apoiadores do presidente se mantiveram aglomerados em frente ao shopping, carregando cartazes contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Havia também mensagens a favor de uma intervenção militar e da instituição de um regime monarquista.

Após o confronto com a polícia, princípios de brigas continuaram ocorrendo entre os antifascistas e apoiadores de Bolsonaro que tentavam se aproximar do Masp.

Antifascistas e bolsonaristas foram separados por um cordão de isolamento da PM. Bolsonaristas gritavam "Mito! Mito!". Antifascistas rebatiam com "Lixo! Lixo!". Bolsonaristas retrucaram gritando "Eu vim de graça! Vai pra Cuba", e os outros manifestantes diziam "Vai tomar cloroquina, gado!"

Segundo o coronel Álvaro Batista Camilo, secretário executivo da Polícia Militar de São Paulo, as forças de segurança agiram para evitar o confronto entre manifestantes a favor e contra o presidente. Camilo disse ainda que um desses grupos começou a atirar pedras contra as forças de segurança, mas que a polícia não sabe qual grupo começou a confusão.

— Infelizmente temos ânimos acirrados dos dois lados e a Polícia está lá para evitar confrontos — disse.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que deslocou mais de 200 agentes para a Avenida Paulista neste domingo. Cinco pessoas foram presas e levadas ao 78º DP, na região dos Jardins. Um homem, de 43 anos, com ferimentos, foi encaminhado à Santa Casa de Misericórdia, na região central da cidade.

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Bolsonaro usa helicóptero e anda a cavalo para prestigiar ato na Esplanada contra STF e Congresso

BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro requisitou um helicóptero oficial para sobrevoar a Esplanada dos Ministérios neste domingo (31) e prestigiar mais uma manifestação a favor de seu governo e contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso.

Depois, desceu e caminhou para cumprimentar seus apoiadores que estavam em frente ao Planalto. Ele não utilizava máscara, obrigatória no Distrito Federal como medida de combate à Covid-19. Em seguida, andou a cavalo diante de manifestantes. o presidente não deu declarações.

Na domingo passado (24), o presidente também havia utilizado um helicóptero para sobrevoar a área.

Neste domingo, uma carreata e pessoas à pé se dirigiram à Praça dos Três Poderes, onde um grupo se aglomerou à espera do presidente da República.

O helicóptero, em um passeio de 40 minutos, deu pelo menos seis voltas na Esplanada e pousou por volta das 12h no Palácio do Planalto. Após cumprimentar apoiadores, o presidente retornou ao Alvorada de helicóptero.

Como tem ocorrido constantemente, o STF foi o principal alvo das palavras de ordem e das placas carregadas por manifestantes.

​Placas afirmavam: "Supremo é o povo" e "Abaixo a ditadura do STF". Faixas faziam ataques ao Supremo e pediam intervenção militar. Congressistas foram chamados de corruptos.

Manifestantes demonstraram ainda apoio aos ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Abraham Weintraub (Educação). "Fake news não é crime", dizia uma faixa. O número de manifestantes deste domingo era um pouco maior do que o da semana passada.

Neste sábado (30), sem compromissos oficiais previstos, Bolsonaro também usou um helicóptero, desta vez para visitar cidades de Goiás que ficam próximas a Brasília.

De acordo com imagens publicadas por apoiadores nas redes sociais, sem usar máscara, o presidente causou aglomeração em uma lanchonete no município de Abadiânia, contrariando orientações sanitárias e repetindo cenas provocadas por ele durante a pandemia do coronavírús.

No início da madrugada deste domingo, um grupo de pessoas mascaradas carregando tochas protestou em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Os manifestantes eram liderados por Sara Winter, investigada no inquérito contra fake news que tramita no STF.

Ela é um dos líderes do chamado movimento "Os 300 do Brasil", grupo armado de extrema direita formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que acampam em Brasília.

Com máscaras, roupas pretas e tochas, o grupo, formado por poucas dezenas de pessoas, desceu a Esplanada e, segundo imagens divulgadas por eles nas redes, se posicionou em frente ao Supremo.

Mais cedo, Bolsonaro voltou a fazer ataques à imprensa em publicação em redes sociais.

"O maior dos FAKE NEWS é o 'gabinete do ódio' inventado pela imprensa", afirmou, em referência ao grupo alvo de investigação no inquérito das fake news.

"Até o momento a Folha, Globo, Estadão... não apontaram uma só fake news produzida pelo tal 'gabinete'", afirmou.

Depois, Bolsonaro falou em "mídia podre" e citou ações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre disparos de mensagens em massa de WhatsApp na campanha eleitoral.

"Será que, se eu chamar essa imprensa e negociar com ela alguns BILHÕES DE REAIS em propaganda, tudo isso se acaba?", afirmou.

Confusão com torcidas é tudo o que Bolsonaro queria neste momento

Igor Gielow / FOLHA DE SP
SÃO PAULO

O conflito nos atos pró-democracia em São Paulo é tudo o que o bolsonarismo poderia querer para invocar seus fantasmas de uma intervenção militar em favor do presidente da República, ainda que o escopo dos incidente seja mínimo.

Esse é o Brasil de 2020. Grupos radicais especulam golpes a favor de um governante, e torcidas organizadas conhecidas pela violência no trato à diferença se dispõem a ir às ruas para defender algo que chamam de democracia.

DEMOCRACIA TÃO COM MEDO
Protesto em favor da democracia na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (31) - Roberto Casimiro/Fotoarena/Folhapress

Se entrará para a história deste ano a presença de pessoas na rua contra Bolsonaro, após repetidos atos em favor do presidente e de sua irresponsabilidade sanitária, não parece um bom agouro para o movimento tudo ter acabado em bombas de gás e correria.

Parecia óbvio que isso acabaria assim. Torcidas organizadas são o bolsonarismo com uma camiseta de time: pregam o ódio ao rival, a desunião e a submissão do adversário.

Sua existência, de resto um fenômeno mundial, levou o dito país do futebol a sediar incríveis jogos de torcida única nas arquibancadas.

O recado fica para a classe política, já devidamente assustada pela alarmista mensagem do decano do Supremo, Celso de Mello, fazendo uma comparação historicamente exagerada entre o momento atual do Brasil e a Alemanha na ascensão do nazismo.

Hipérboles, contudo, talvez sejam o único jeito de enfrentamento institucional quando um presidente se põe a galopar pela Esplanada dos Ministérios entre golpistas assumidos. Ao gosto dos histriônicos 30 (não 300) de Brasília, só faltou desembainhar uma espada e gritar "Esparta!".

A questão, contudo, foge da teatralidade. Ela se chama artigo 142 da Constituição, uma peça mal redigida que permite leituras diversas —a rigor, o Supremo pode convocar as Forças Armadas para reprimir a baderna pública que acompanha as franjas mais radicalizadas do bolsonarismo.

Ocorre que há método entre os apoiadores do presidente. Por toda a retórica de leões, são gatinhos na hora da prática. Já torcidas organizadas e seu atávico desejo pelo confronto oferecem a desculpa ideal para robôs clonados dos filhos de Bolsonaro no Twitter clamarem contra a desordem.

O mandatário máximo não faria melhor. Desde que a esquerda colocou o governo de Sebastián Piñera de joelhos com protestos no Chile, o presidente brasileiro insinua que o mesmo se dará por aqui. Para, logicamente, invocar sua leitura torta do artigo 142 —que, para o desalento dos ativistas, nada fala em fechar outros Poderes.

Sob ele, qualquer Poder constituído poderá chamar militares para resolver situações de anarquia. Nada disso se insinua com algumas centenas ou milhares de torcedores na avenida Paulista, é óbvio. Mas o que importa são as cenas pinçadas de embate com a Polícia Militar.

O presidente balança o 142 como um rato pestilento em meio a uma pandemia que ele ignora na prática. É notório que o serviço ativo das Forças Armadas despreza tal possibilidade no momento, apesar de fatias significativas de sua cúpula apoiarem Bolsonaro ao achar que o Supremo tem se excedido.

Essa já é a visão dos antes moderadores da ala militar no governo, ora transformados em insufladores de tensões. Bolsonaro só cavalga após os tais 300 do Brasil macaquearem a Ku Klux Klan de uma América inexistente entre nós porque se sente avalizado por eles.

A influência americana se viu também na via contrária, com uma tentativa de associar os atos brasileiros com a revolta que se dissemina por cidades dos EUA ante o assassinato do negro George Floyd por um policial branco.

Na confusão, ganha o presidente cujo mandato está ameaçado por diversas frentes. A mensagem do decano é hiperbólica e será usada contra sua presunção de isenção daqui por diante, não muito diferente do corre-corre de corintianos, palmeirenses, são-paulinos e quetais neste domingo.

Se ela terá o condão de organizar, de fato, alguma racionalidade acerca do debate sobre a permanência de Bolsonaro no cargo, essa é uma hipótese altamente especulativa agora.

 

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