Alemanha tem queda recorde de 10,1% no PIB do 2º trimestre e acentua recessão
30 de julho de 2020 | 10h18
O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha sofreu um tombo de 10,1% no segundo trimestre de 2020 ante os três meses anteriores, refletindo as medidas de confinamento tomadas no período em função da pandemia de covid-19, que derrubaram os gastos das famílias, os investimento empresariais e as exportações.
Segundo dados preliminares com ajustes sazonais publicados nesta quinta-feira, 30, pela Destatis, a agência de estatísticas do país, a queda é a maior já registrada desde que o indicador começou a ser medido, em 1970. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam redução menor do PIB alemão, de 9%.
“Agora é oficial, é a recessão do século”, disse o economista do DekaBank Andreas Scheuerle. “O que até agora foi impossível de conseguir com as quebras dos mercados acionários ou os choques do preço do petróleo foi alcançado por uma minúscula criatura chamada corona.”
Em relação a igual período de 2019, o PIB da maior economia europeia teve contração de 11,7% entre abril e junho. Nesse caso, a projeção do mercado era de recuo de 11,1%.
A Destatis também revisou o PIB alemão do primeiro trimestre de 2020 ante o quarto trimestre de 2019, de retração de 2,2% para baixa de 2%.
O último resultado aprofunda a recessão da Alemanha, cuja economia vem se contraindo desde o último trimestre do ano passado. / COM REUTERS
Centro e centrão FOLHA DE SP
Com a atrofia das principais lideranças pós-redemocratização e a ascensão do bolsonarismo infenso à articulação parlamentar, o conjunto de partidos parasitários do poder conhecido como centrão assumiu um insólito lugar de destaque na cena política nacional.
Outrora meros apêndices numéricos em coalizões encabeçadas pelo presidente de turno, essas legendas desprovidas de identidade programática compõem hoje uma força mais autônoma —embora por natureza dependente da ração de cargos e verbas— e sem rival à altura no Congresso Nacional.
Daí ser digno de nota o movimento anunciado na segunda-feira (27) por DEM e MDB, que deixarão formalmente a aliança circunstancial feita com o centrão para votações na Câmara dos Deputados.
De mais visível, está em jogo a preservação do comando da Casa, presidida por Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de sua independência em relação ao governo Jair Bolsonaro, que busca cooptar as siglas fisiológicas, a partir do próximo ano.
Trata-se, ademais, da busca pela sobrevivência das forças centristas (não confundir com o centrão), que incluem ainda o PSDB, esmagadas nas últimas eleições nacionais entre a direita populista e o que restou do lulismo.
Para os rumos mais imediatos do país, o que importa é como o Congresso conduzirá as agendas política e econômica após a sucessão de Maia, que desde o governo Michel Temer (MDB) tem sustentado a pauta da reforma do Estado e do ajuste do Orçamento.
Se no ano passado o instinto de sobrevivência fiscal levou o mundo político a aprovar a reforma da Previdência, agora há novos interesses e pressões a considerar.
A calamidade da pandemia deu impulso a demandas por mais gasto público, de transferências de renda a investimentos em infraestrutura, que tendem a unir o centrão parlamentar aos militares do primeiro escalão do Executivo.
Desinteressado em projetos mais complexos e incapaz de materializar no Congresso sua plataforma ideológica, o presidente vislumbrou uma ampliação do Bolsa Família como caminho mais seguro rumo à reeleição em 2022.
Existe, em tese, apoio para avanços como a reforma tributária, mas não se vê coordenação de esforços capaz de obter um denominador comum entre as diferentes propostas do governo e do Legislativo.
Ficará latente, por fim, a possibilidade de abertura de um processo de impeachment de Bolsonaro. Este, no entanto, está mais condicionado aos humores das ruas do que a qualquer arranjo partidário.
Perfis mais à direita superam em quatro vezes total de contas mais à esquerda suspensas em rede social
O total de contas de pessoas mais à direita suspensas pelo Twitter nos últimos 14 meses é quatro vezes maior do que as contas consideradas mais à esquerda enquadradas da mesma forma pela plataforma.
A classificação dos perfis foi feita com o GPS Ideológico, ferramenta desenvolvida pelo DeltaFolha para monitorar o debate político na rede social.
Aqueles que estão entre os 5% mais à direita das contas analisadas concentraram 3.870 suspensões (num total de 86.052 perfis com as mesmas características ideológicas). No grupo equivalente à esquerda, foram 793 contas enquadradas pelo Twitter (num total de 86.051 perfis com as mesmas características).
O levantamento da Folha, feito de maio de 2019 a junho de 2020, não inclui as contas bloqueadas pela plataforma na última sexta-feira (24) —medida tomada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Contas deletadas pelos próprios usuários também são mais frequentes no grupo citado à direita, mas a diferença é mais sutil: foram 6.964 à direita e 5.931 à esquerda.
As suspensões pela plataforma aconteceram em período de intensa discussão sobre o uso de redes sociais para disseminação de fake news e discursos de ódio. A reportagem não tem acesso aos motivos dos bloqueios de cada conta, que, segundo o Twitter, são sigilosos.
O presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos, o ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foram alguns dos que interagiram com algumas das contas apagadas.
O filho do presidente foi o mais ativo: o vereador Carlos Bolsonaro interagiu 53 vezes com contas que saíram do ar, todos perfis entre os 20% mais à direita. É dele também a maior taxa de seguidores bloqueados pelo Twitter entre as figuras políticas analisadas: 3% de quem o acompanhava foram suspensos pela rede social.
O vereador é apontado como mentor do chamado "gabinete do ódio", instalado no Palácio do Planalto para definir estratégias digitais do governo. Em abril, a Polícia Federal identificou Carlos como um dos articuladores de um esquema criminoso de fake news.
Segundo o pesquisador de redes sociais Fábio Malini, a direita tem um funcionamento próprio, que se alimenta especialmente de declarações. À medida que o governo se fragiliza, a comunicação fica mais agressiva.
"Quem está no governo precisa ser mais intenso na comunicação da rede. E um dos efeitos da intensidade é produzir a saturação da própria comunicação."
"É pensada uma lógica de guerra. E parte da tropa vai morrer durante a guerra. Ser governo implica estar em tensão permanentemente. Eu não sei se seria assim se esse dado tivesse sido colhido em 2018, quando o [ex-presidente pelo PT] Lula estava sendo preso, por exemplo", afirma.
A audiência que influenciadores governistas ganharam nas redes, diz Malini, é uma inauguração do bolsonarismo. "Você junta o DNA governista com o DNA bolsonarista, que tem uma ecologia muito profissional de produção de coro."
O pesquisador explica que a identidade bolsonarista traz consigo, ainda, a negação da ciência. Essa característica pode colocar seus perfis em maior risco de suspensão nas redes, especialmente em tempos de pandemia.
A replicação de conteúdos da imprensa por usuários da esquerda, por outro lado, cria uma espécie de vacina para esse grupo contra atividades que violem as regras da comunidade.
Segundo Malini, o fenômeno acontece porque o caráter crítico do jornalismo com governos em geral passa por um filtro e ganha cores políticas nos discursos de oposição, hoje a esquerda.
A conta de Ysani Kalapalo foi uma das bloqueadas pelo Twitter neste um ano. Não é a primeira vez que isso acontece com a indígena que acompanhou o presidente Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU.
Ela afirma que o pivô da sua terceira suspensão da rede social (a primeira foi em 2011) foi justamente os apoiadores do presidente, que não tem mais o seu apoio.
O imbróglio teria começado quando Kalapalo contou em seu perfil que, em 2014, fez um workshop na Fundação Estudar, de Jorge Paulo Lemann. O empresário costuma ser associado à esquerda por direitistas.
“Vieram os bolsonaristas radicais e me atacaram para caramba”. Ela conta que respondeu as pessoas ironicamente e usou palavras de baixo calão para se referir a uma mulher, o que teria sido o motivo da sua suspensão.
Em 2019, quando também foi bloqueada pela plataforma, a justificativa foi por "promover discurso de ódio". Na esteira dos vazamentos de mensagens da Lava Jato, ela foi ao perfil do jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, responsável pelas primeiras reportagens do caso.
“Perguntei: Quanto será que esse viado está ganhando? E também fui banida. Eu não sou homofóbica, é o meu jeito. Eu falo isso para as pessoas que estão próximas de mim.” Greenwald é homossexual.
Procurado, o Twitter afirmou que "toma medidas corretivas em contas que violam as suas regras".
"Nenhuma de nossas regras é baseada ou leva em consideração posicionamento político-ideológico —somos uma plataforma que preza a livre expressão de diferentes opiniões; além disso, não temos acesso à preferência político-partidária das pessoas que usam a plataforma e tampouco fazemos inferências como a do levantamento", afirmou a rede.
Colaborou Mateus Camillo / FOLHA DE SP
Oceano subterrâneo, mais um tesouro da Amazônia
Oceano subterrâneo mais um tesouro da Amazônia: ele é estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos
Durante 66ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), foi estimado que a Amazônia tem um oceano subterrâneo. A reserva de água tem volume de cerca de 160 trilhões de metros cúbicos. A estimativa é de Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).
‘Amazônia transfere cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente’
Abreu disse à Agência Fapesp que “a Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil (Abreu comenta o que se convencionou chamar rios voadores). Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidreletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país”.
3,5 vezes maior que o Aquífero Guarani
O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani. Este depósito de água doce subterrânea abrange os territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil. Ele tem 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.
De acordo com a equipe, a reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma. As águas atmosféricas têm esse mesmo percentual de participação.
Falta estudar Oceano subterrâneo descoberto
O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo” ainda é muito escasso. Precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano, como para preservá-lo em razão de sua importância.
Aquífero, ou mar subterrâneo, fica em Alter do Chão
As trabalhos sobre o Aquífero da Amazônia foram iniciados há apenas 10 anos. O estudo indicou que está situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país. Ele teria um depósito de água doce subterrânea com volume aproximado de 86,4 trilhões de metros cúbicos.
Denominado pelo pesquisador como Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), ele começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.
O aquífero Alter do Chão
Oceano subterrâneo: ainda não se sabe se é água para consumo
Uma das limitações para a utilização da água disponível é a precariedade do conhecimento sobre suas características. Falta obter informações sobre a qualidade da água do reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.
Dificuldades no caminho
De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.
O reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades.
Águas permanentemente livres
Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.
No Amazonas 71% dos municipios utilizam água subterrânea
Segundo o pesquisador, a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No estado do Amazonas 71%, dos 62 municípios, utilizam água subterrânea (não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público. Já, dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea. O ESTADÃO
Sobral, mais uma vez - FOLHA DE SP
Não é de hoje que o município cearense de Sobral fulgura no panorama em geral pouco brilhante da educação básica do país.
De 2007 para 2017, a cidade foi capaz de elevar em impressionantes 86% o índice de desenvolvimento (Ideb) de seus alunos nos anos iniciais do ensino fundamental, da nota 4,9 para 9,1 —a mais alta entre todas as cidades do país e superior à atingida pela média das escolas particulares de São Paulo.
A liderança nacional de Sobral se estende também para os anos finais do ensino fundamental, cujos estudantes alcançaram, na mais recente avaliação, nota 7,2.
Tais números indicam que algo de muito acertado se praticou ali —o que convém olhar de perto.
Entre as medidas adotadas figuram prioridade para a alfabetização na idade certa; produção de material didático com treinamento para os docentes aprenderem a utilizá-lo com eficácia; criação de bônus financeiro para mestres e escolas com bom desempenho; autonomia para que diretores escolham os meios de alcançar metas claras e mensuráveis.
Mas os resultados granjeados por Sobral não se sustentam apenas no aprimoramento das práticas educacionais. Políticas municipais voltadas à primeira infância também vêm colaborando para esse sucesso, conforme reportagem publicada pelo jornal “O Globo”.
Num estudo conduzido por pesquisadores da UFRJ, constatou-se que ações intersetoriais de apoio às famílias desde o pré-natal propiciam melhor desenvolvimento cognitivo às crianças, fazendo com que elas adentrem a sala de aula com um nível de conhecimento acima do previsto.
Os autores identificaram que aos 4 anos de idade, no início do pré-escolar, 74% das crianças sobralenses já eram capazes de conhecer a maioria das letras. Outras 12% conseguiam ler palavras simples, e 3%, frases simples —habilidades que, pela Base Nacional Comum Curricular, são esperados apenas no início do fundamental.
Embora as disfunções da educação brasileira passem também por problemas de financiamento desigual, não basta dinheiro —e nem sempre esse é o recurso mais importante—para recuperar o tempo perdido e alcançar níveis de qualidade já obtidos por outros países.
Há que mirar sobretudo as experiências bem-sucedidas, como a sobralense, em busca de replicar o que se faz de correto nas políticas de outras partes do país.
“Muita gente com o rabo preso” O GLOBO
Salário mais baixo: A dificuldade de encontrar um substituto para presidir BB
Para ele, "criar dificuldades para vender facilidades é a regra” e, além disso, “temos os privilégios e compadrios”. Ele cita o presidente do PTB Roberto Jefferson como sendo hoje “o melhor cronista dos bastidores planaltinos”.
Novaes insiste em que nenhum fato específico levou à sua renúncia, “pois desde junho converso com o Paulo sobre a minha saída”. E nega que tenha sofrido alguma pressão de políticos: “No BB, não. Todos sabiam qual seria a minha reação”. Mas cita a decisão do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), de impedir a propaganda digital do Banco do Brasil como “um dos maiores absurdos já ocorridos na administração pública federal. Quem pagará pelos prejuízos?”.
Novaes se refere à decisão do TCU de maio, quando proibiu o Banco do Brasil de fazer anúncios em sites na internet que veiculem fake news. A decisão do ministro Bruno Dantas, aprovada por maioria no plenário, deveu-se a pedido do Ministério Público de Contas, contra interferência do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, na área de comunicação social do banco.
Depois de receber um alerta de que o Jornal da Cidade Online era acusado de propagar notícias falsas, o Banco do Brasil suspendeu os anúncios, argumentando que não mais investiria publicidade em site como aqueles, o que provocou críticas de Carlos Bolsonaro. A Secretaria de Comunicação da presidência da República pediu então ao BB que retomasse sua política de anúncios naquele site, o que foi feito.
O ministro Bruno Dantas considerou “gravíssima” a acusação de que recursos do Banco do Brasil “estão sendo drenados para financiar sites, blogs e redes sociais que se dedicam a produzir conteúdo sabidamente falso e disseminar fake news e discurso de ódio”. Para o ministro, “(...) É inconcebível que o aparato estatal seja utilizado com desvio de finalidade, em afronta a garantias constitucionais fundamentais imprescindíveis ao Estado Democrático de Direito, como o direito à livre manifestação do pensamento e à liberdade de imprensa”.
O TCU decidiu compartilhar cópia do processo com o STF no inquérito que investiga fake news, calúnias e ameaças contra membros da Suprema Corte e seus familiares. O ex-presidente do Banco do Brasil também comentou o pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, para que o Banco do Brasil, e outros bancos estatais, como a Caixa Econômica Federal e o BNDES, enviem a relação de sites e blogs que receberam propaganda digital do governo: “Estão procurando cabelo em casca de ovo”.
Rubem Novaes cita também, sem especificar o caso, que “a reação à privatização é um bom exemplo da resistência ao Liberalismo. Alguns realmente acreditam na importância das estatais, mas o interesse maior vem daqueles que buscam empregos, poder e bons negócios”.
Embora considere que “o melhor entendimento com o Congresso favorecerá as reformas”, Rubem Novaes tem “uma grande preocupação com as contas públicas”. Citando “meu querido mestre (Milton) Friedman”, ele lembra “que não há nada mais permanente que um programa temporário de governo. Não podemos deixar que o esforço fiscal atual contamine o futuro. Se o mercado perde a confiança na higidez das contas públicas, estamos fritos”.
Apesar das queixas, Rubem Novaes garante que continuará “ao lado de Paulo Guedes”, sem definir qual será seu novo papel no ministério da Fazenda.



