Weintraub é confirmado como diretor do Banco Mundial
30 de julho de 2020 | 22h36
WASHINGTON – O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub foi confirmado nesta quinta-feira, 30, como diretor executivo do Banco Mundial, que tem sede em Washington. “O Banco Mundial confirma que o Sr. Abraham Weintraub foi eleito pelo grupo de países (conhecido como constituency) representando Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago para ser Diretor Executivo no Conselho do Banco”, informou o banco nesta noite.
“O Sr. Weintraub deve assumir seu cargo na primeira semana de agosto e cumprirá o atual mandato que termina em 31 de outubro de 2020, quando a posição será novamente aberta para eleição. Diretores Executivos não são funcionários do Banco Mundial. Eles são nomeados ou eleitos pelos representantes dos nossos acionistas”, diz a nota da instituição.
O Banco não informou até o momento quais países representados pela diretoria que Weintraub irá ocupar foram favoráveis à nomeação do brasileiro e se houve algum voto contrário.
A confirmação do nome de Weintraub na eleição interna do consórcio de nove países do qual o Brasil faz parte era considerada meramente protocolar. Como o Brasil tem mais de 50% do poder de voto da chamada “constituency”, o País conseguiria eleger o diretor executivo ainda que os demais se oponham.
Weintraub foi eleito para servir até 31 de outubro de 2020, quando será necessário nova nomeação e eleição. No cargo, ele receberá salário de US$ 21,5 mil mensais (o equivalente a R$ 110 mil).
Weintraub foi indicado em 17 de junho pelo Ministério da Economia para assumir uma diretoria executiva no banco ao deixar o governo Bolsonaro. Integrante da chamada ala ideológica do governo e amigo dos filhos do presidente, Weintraub acumulou crises nos 14 meses em que esteve à frente do Ministério da Educação, incluindo embates com o governo chinês e com os ministros do Supremo Tribunal Federal, os quais chamou de “vagabundos” em reunião ministerial de abril que teve vídeo divulgado.
O ex-ministro saiu do País rumo aos Estados Unidos às pressas em junho, antes da publicação de sua exoneração do governo. Ele é investigado no chamado inquérito das fake news, que tramita no STF, e também alvo de inquérito no qual é acusado de racismo. Weintraub embarcou aos EUA no mesmo dia em que um senador da Rede protocolou pedido de apreensão do passaporte do ex-ministro, para evitar que ele deixasse o País.
A forma de entrada do ex-ministro nos EUA não foi esclarecida até o momento. Até a oficialização realizada nesta quinta-feira ele não tinha vinculação com o Banco Mundial. O jornal O Globo revelou que o Itamaraty pediu no dia 18 de junho à embaixada americana um visto de entrada para Weintraub com dados do passaporte diplomático ao qual o brasileiro tinha acesso por ser ministro da Educação, no mesmo dia em que ele anunciou a saída do cargo. O ministro embarcou para a Flórida no dia 19 de junho.
No final de junho, funcionários do banco protestaram contra a indicação de Weintraub. A Associação de Funcionários do Banco Mundial chegou a pedir que o Comitê de Ética da instituição suspendesse e investigasse a indicação do ex-ministro da Educação do Brasil. A direção do Comitê de Ética do banco afirmou que não exerce influência sobre a seleção dos diretores executivos indicados pelos países que integram o banco e que Weintraub estaria submetido ao código de conduta da instituição apenas após assumir o cargo.
O grupo que representa os trabalhadores do banco afirma que o caso Weintraub expôs uma “falha fundamental na governança” do banco. “É razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma opinião sobre as qualificações básicas necessárias para assumir essas posições. Deveria ser bastante razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma palavra a dizer quando o candidato nos expõe a um risco de reputação considerável e compromete nossa capacidade de cumprir nossa missão”, afirmam os funcionários.
Os funcionários prometeram “comemorar em uma maneira diferente” se Weintraub fosse oficializado como diretor e cobraram do Comitê de Ética uma “palestra severa” para o primeiro dia de trabalho do brasileiro.
Lula acredita que Bolsonaro fingiu ter coronavírus para promover a cloroquina
O ex-presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (30) suspeitar que o presidente Jair Bolsonaro “inventou” ter coronavírus para fazer propaganda sobre a cloroquina.
“Acho que Bolsonaro inventou que estava contaminado para poder fazer propaganda do remédio”, disse o ex-presidente em uma coletiva de imprensa virtual com correspondentes estrangeiros em São Paulo.
“Não sei se ele é sócio, mas se comporta como se fosse dono da fábrica que faz o remédio”, acrescentou.
Lula, de 74 anos, considera a gestão de Bolsonaro durante a pandemia como sendo “irresponsável”.
“Por isso estamos vivendo hoje uma situação gravíssima e não vejo uma saída a curto prazo”, afirmou.
Bolsonaro, de 65 anos, anunciou em 7 de julho ter sido diagnosticado com a COVID-19, e desde então cumpria sua agenda a partir da residência oficial em Brasília, até que no dia 25 afirmou ter testado negativo para a doença.
Durante esse período, ele fez várias aparições públicas nas quais mostrou uma caixa de hidroxicloroquina, um medicamento cuja eficácia contra o coronavírus não é cientificamente comprovada.
Nesta quinta-feira, a Presidência anunciou que a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também testou positivo para o novo coronavírus.
Desde o início da pandemia, que já deixou mais de 90 mil mortos no Brasil, Bolsonaro critica as medidas de confinamento propostas pelos governadores, justificando sobre o ponto de vista do impacto econômico, e até descreveu a doença como uma “gripezinha”.
Lula, confinado desde março em seu apartamento em São Bernardo do Campo, também questionou o relacionamento de Bolsonaro com o mandatário americano Donald Trump.
“Bolsonaro se comporta, o Ministro das Relações Exteriores [Eduardo Araújo] se comporta como um lambe-botas (…)”, afirmou o líder do Partido dos Trabalhadores (PT).
A possibilidade de Trump ser derrotado pelo democrata Joe Biden nas eleições de novembro poderia dar outra perspectiva a alguns aspectos do relacionamento entre as duas maiores economias das Américas, segundo Lula.
“Um novo governo pode mudar o comportamento com o Brasil, para exigir que se respeite a democracia, os Direitos Humanos, [e que se adote] uma política para evitar o desmatamento na Amazônia”, afirmou.
Lula, que deixou o governo em 2010 com altos índices de popularidade, aguarda o resultado de um recurso contra uma sentença de quase 9 anos de prisão por corrupção, cumprida por ele parcialmente entre abril de 2018 e novembro de 2019. ISTOÉ
Em 1º evento público após se recuperar da Covid-19, Bolsonaro fica sem máscara em aglomeração

Em seu primeiro evento público após se recuperar da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro chegou ao aeroporto de São Raimundo Nonato, a 523 km de Teresina, na manhã desta quinta-feira (30). Ele foi ao local para participar de cerimônia em cidade próxima na Bahia, ainda nesta manhã, e depois voltar ao Piauí para visitar ao Parque Nacional da Serra da Capivara.
Após descer do avião presidencial, ainda na área externa do terminal, Bolsonaro montou em um cavalo em meio a uma aglomeração de apoiadores e tirou a máscara que usava no rosto.
Ainda montado no cavalo, Bolsonaro tirou o chapéu e agradeceu a presença das pessoas. Em seguida, tocou na mão de apoiadores. Ele pegou, ainda, um microfone que foi estendido a ele e falou com a multidão.
Conforme decreto do governo do estado do Piauí, válido desde 13 de julho, é obrigatório o uso de máscaras em todo o território piauiense. A desobediência está sujeita a multa que varia de R$ 500 a R$ 1 mil – em caso de reincidência - para pessoa física.
Após visitar a Bahia, o presidente retornou ao Piauí por volta de meio dia, seguiu para o Parque Nacional da Serra da Capivara e, na visita fechada à imprensa, conheceu as pinturas rupestres e o Museu da Natureza.
Na ocasião, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, anunciou investimentos em São Raimundo Nonato. “Três milhões e oitocentos mil reais para pavimentar ruas de maior fluxo de veículos e mais um milhão e oitocentos mil para pavimentação da avenida que vai até o açude”, disse.
O ministro afirmou ainda que a Serra da Capivara será incluída no programa de promoção dos parques nacionais. “Também será feita uma reestruturação do aeroporto em parceria com o Ministério da Infraestrutura, para que seja possível atrair voos comerciais”, explicou.
São Raimundo Nonato também receberá, segundo o ministro, divulgação através de produção audiovisual na região. “Aplicar recursos na produção de filmes tendo como plano de fundo a Serra da Capivara, ajudando a divulgar esse lindo destino do nosso Brasil”, declarou.
O ministro afirmou que esses recursos já estão empenhados. Por volta das 14h, o presidente voltou ao aeroporto de São Raimundo Nonato, onde falou, novamente sem máscara, com apoiadores e embarcou de volta para Brasília.
Agenda do presidente
Bolsonaro saiu de Brasília (DF) no início da manhã para São Raimundo Nonato. Ele partiu em seguida para Campo Alegre de Lourdes, cidade baiana próxima à divisa com o Piauí, onde participou de cerimônia para inaugurar o sistema integrado de abastecimento de água. Depois, voltou ao Piauí para fazer visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato.
Primeiro evento público após se recuperar da Covid-19
Este é o primeiro dia de eventos públicos com a participação do presidente desde 7 de julho, depois de se recuperar da Covid-19. No dia 22, um teste indicou que o presidente ainda estava com coronavírus.
Em 23 de julho, Bolsonaro passeou de moto e, sem máscara, conversou com garis que faziam a limpeza da área externa do Palácio do Alvorada. No último dia 25, o presidente informou que um novo teste para Covid-19 tinha dado negativo.
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Bolsonaro chega a Campo Alegre de Lourdes — Foto: Joyce Guirra/TV São Francisco
Em Campo Alegre de Lourdes, o governo federal inaugurou o sistema de abastecimento de água e estima que 40 mil pessoas serão beneficiadas com a obra. A cidade fica na região que integra o "polígono da seca", que abrange todos os estados do Nordeste, exceto o Maranhão, além de incluir Minas Gerais. PORTAL G1
TCU quer fiscalizar uso de R$ 79 bi por Estados e municípios no combate à pandemia
30 de julho de 2020 | 13h00
BRASÍLIA - No momento em que se espalham pelo País casos de desvios e mau uso do dinheiro da covid-19, o Tribunal de Contas da União (TCU) vai definir a competência para fiscalizar a aplicação de R$ 79 bilhões repassados pela União para Estados e municípios adotarem medidas de enfrentamento da doença. A depender da forma de registro dessa verba bilionária, a fiscalização poderá feita pelo TCU e não apenas pelos Tribunais de Conta Estaduais (TCEs) e dos municípios (TCMs), conhecidas por sofrer forte interferência política dos governadores e prefeitos.
O TCU poderá aplicar sanções e imputar débito aos gestores desses recursos. A definição da competência deverá também ter repercussão jurídica, inclusive para ação do Ministério Público Federal. A decisão é considerada crucial pela área técnica do órgão para apurar informações de que os governos regionais não estão gastando os recursos repassados para o combate à pandemia. Além disso, pipocam pelo País casos de desvios do uso do dinheiro que deveria ser usado na saúde. Desde o início da pandemia, o TCU vem monitorando os gastos com a covid-19 e encontrando falhas na aplicação dos recursos.
O ministro do TCU Bruno Dantas, no final de semana, deu um prazo de 15 dias para que o Ministério da Economia, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) se manifestem sobre o registro contábil dos repasses. Depois da resposta dos órgãos do governo, o ministro Dantas tem que elaborar o seu voto para análise pelo plenário.
A decisão atende representação apresentada pela Secretaria de Macroavaliação Governamental (Semag) do TCU. Os técnicos argumentam que a ajuda emergencial de R$ 76 bilhões do governo federal a Estados e municípios durante a pandemia de covid-19 deve ser contabilizada como despesas da União e não como transferências a Estados e municípios.
O Ministério da Economia quer que o registro seja feito como ocorre com as transferências dos fundos de Participação dos Estados (FPE) e Municípios (FPM), que são de competência dos governos regionais, o que livraria o governo federal da responsabilidade sobre a fiscalização do emprego dos recursos.
Na representação, os técnicos defendem a competência do TCU e de outros órgãos federais para a fiscalização da aplicação desses recursos. Nesse sentido, os órgãos de controle locais poderiam atuar em “solidariedade ativa”, provocando a atuação dos órgãos federais em casos de indícios de irregularidades.
Com isso, esses gastos não poderiam ser deduzidos do cálculo da Receita Corrente Líquida (RCL) do Governo Central em 2020. Para ajudar governadores e prefeitos a arcar com os custos da pandemia, o governo federal transferiu R$ 16 bilhões aos governos regionais no começo de abril. No fim de maio, o Congresso aprovou a Lei Complementar 173/2020 com um reforço adicional de R$ 60 bilhões.
O Ministério da Economia já deduziu do cálculo da Receita Corrente Líquida federal o repasse de R$ 16 bilhões em abril. Na avaliação dos técnicos, abatimento da RCL não poderia ser feito. Na justificativa, a Semag argumenta que os repasses dos auxílios financeiros têm natureza jurídica federal, constituindo despesas próprias da União.
A representação lembra que os recursos transferidos durante a pandemia tiveram destinações definidas pela própria União, sendo R$ 10 bilhões para ações de saúde e assistência social e outros R$ 50 bilhões com aplicação restrita – não podendo, por exemplo, bancar reajustes de salários de servidores estaduais e municipais.
“Não há razão plausível para que tais repasses sejam considerados recursos próprios dos entes subnacionais”, completa a representação, que alega ainda que a repartição dos auxílios da União não teve como finalidade a redução das desigualdades sociais, que seria a razão de existir dos FPE e FPM. Tanto que Estados mais ricos receberam maiores repasses por concentrarem uma parcela maior da população atingida pela pandemia.
Nasa lança nesta quinta-feira robô Perseverance para a superfície de Marte.
30 de julho de 2020 | 05h00
Atualizado 30 de julho de 2020 | 08h25
A Nasa, agência espacial americana, está pronta para lançar uma ambiciosa missão para Marte nesta quinta-feira, 30, com a nova geração do rover Perseverance, um robô de seis rodas equipado com um minihelicóptero e carregado com equipamentos para futuras missões tripuladas. Estadão preparou reportagem para você entender a Missão Marte.
A missão de US$ 2,4 bilhões, com decolagem prevista às 8h50 da manhã (horário de Brasília) do Cabo Caneveral, na Flórida, é planejada como a nona jornada da agência americana à superfície marciana. Os Emirados Árabes e a China lançaram neste mês sondas para Marte em exibições de suas próprias proezas e ambições tecnológicas.
Lançado no topo de um foguete Atlas 5 da joint venture United Launch Alliance, da Boeing-Lockheed, o rover Perseverance, do tamanho de um carro, deve chegar a Marte no próximo mês de fevereiro. Ele deve aterrissar na base de uma cratera de 250 metros de profundidade chamada Jezero, um antigo lago de 3,5 bilhões de anos atrás onde os cientistas acreditam que poderiam encontrar traços de potencial vida marciana microbiana passada.
"Isso é diferente de qualquer robô que já enviamos a Marte porque tem o objetivo de astrobiologia", disse o administrador da Nasa Jim Bridenstine à agência Reuters. "Estamos tentando encontrar evidências da vida antiga em outro mundo."
O veículo espacial tentará pela primeira vez trazer amostras de rochas marcianas de volta à Terra, coletando materiais em cápsulas do tamanho de charutos e deixando-os espalhados na superfície para serem recuperados por um futuro veículo espacial. Espera-se que o rover conceitual lance as amostras de volta ao espaço para se conectar com outras naves espaciais para uma eventual volta à Terra por volta de 2031.
Também a bordo do Perseverance está um helicóptero autônomo de 1,8 kg chamado Ingenuity, que deve testar pela primeira vez um voo com motor em Marte. Bridenstine disse que pode imaginar um dia em que a Nasa coloque um robô em Marte que possa implantar talvez uma dúzia de helicópteros diferentes para exploração.
Desde que o primeiro veículo espacial da Nasa, Sojourner, pousou em 1997, a agência enviou outros dois - Spirit e Opportunity - que revelaram a geologia de vastas planícies marcianas e encontraram evidências de formações passadas de água, entre outras descobertas. A Nasa também enviou com sucesso três pousadores - Pathfinder, Phoenix, InSight. "Sabemos que faremos descobertas com o rover Mars Perseverance que nos fará fazer muito mais perguntas, como todas as descobertas anteriores", disse Bridenstine à Reuters.
Os Estados Unidos planejam enviar astronautas para Marte na década de 2030 sob seu programa Artemis, que prevê o retorno à Lua como uma plataforma de teste para missões humanas antes de dar o maior salto para Marte.
A Perseverance realizará um experimento para converter elementos da atmosfera marciana, rica em dióxido de carbono, em propulsores para futuros foguetes lançados da superfície do planeta ou para produzir oxigênio respirável para futuros astronautas. "Há muitas coisas que precisamos ser capazes de desenvolver e descobrir", disse Bridenstine, "para que, quando chegarmos a Marte, possamos realmente sobreviver por longos períodos de tempo".





