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Águas da Transposição do Velho Chico elevam volume hídrico da barragem de Jati para 65%

BARRAGEM DE JATI

Após pouco mais de um mês da passagem das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf) para o território cearense, a barragem de Jati, no município homônimo do Cariri, já apresenta um volume de 65,7% de sua capacidade. Ao todo, já foram acumulados 19,2 milhões m³ de água de um total de 29,2 milhões de m³ que o reservatório pode suportar. A expectativa é no dia 18 de agosto iniciem os testes de entrega do recurso hídrico ao Cinturão das Águas do Ceará (CAC).  

O chamado ‘eixo emergencial’ de 53 km do CAC já está apto à passagem das águas do Eixo Norte do Pisf. De Jati, seguirá até o Riacho Seco, em Missão Velha, fluindo para o Rio Salgado e, pelo seu curso natural, alcançará o Rio Jaguaribe, até finalmente, alcançar o Açude Castanhão. São cerca de 350 quilômetros de trajeto. A transferência do recurso hídrico para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) acontece pelo Eixão das Águas.  

> Chegada das águas da Transposição ao Ceará é motivo de esperança

Com a barragem cheia na segunda quinzena de agosto, a previsão da Secretaria de Recursos Hídricos do Estado (SRH) é que as águas cheguem ao Castanhão em um prazo de dois a três meses. Do maior açude do Ceará até Fortaleza, a transferência será em um prazo menor: três dias. Com isso, garantiria a segurança hídrica para 4,5 milhões de habitantes.  

No entanto, a SRH realizou um estudo que indica que a água será transferida, preferencialmente, no primeiro semestre de 2021, pois, as calhas dos rios estarão cheias graças a estação chuvosa. Na avaliação da pasta, as perdas seriam menores, pois, teria menos evaporação, mais rapidez e não correria o risco de retirada dos irrigantes, já que, entre fevereiro e maio, as precipitações supririam essa demanda.   

Serviços 

Apesar das águas já chegarem ao Ceará, as obras do Eixo Norte do Pisf seguem acontecendo. Atualmente, há 1.972 trabalhadores, executando serviços complementares até o Reservatório Caiçara, na Paraíba, como a instalação de equipamentos auxiliares de monitoramento; a execução de muretas protetoras dos canais; o sistema de drenagem pluvial; a melhoria de estradas de acesso e tratamento de taludes.  

Outro trabalho sendo executado acontece em Salgueiro, que registrou uma passagem de água — percolação — pela fundação do Dique Negreiros, que é um barramento auxiliar ao reservatório homônimo. O problema foi detectado em janeiro e, após vistoria técnica realizada na estrutura, foi atestada sua estabilidade, não havendo riscos.    

Desta forma, o bombeamento na terceira estação de bombeamento (EBI-3) foi retomado em 4 de abril e as águas seguiram para o Reservatório de Milagres, em Verdejante (PE). Os serviços de reparo estão sendo planejados de acordo com o cronograma de enchimento dos reservatórios do Eixo Norte, não afetando a sua operação. DIARIONORDESTE

Os súditos do presidente - O ESTADÃO

Miguel Reale Júnior, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2020 | 03h00

A pandemia faz aflorar a sensação plena de nossas contingências e fragilidades. Integramos agora, independentemente de nossa origem, cor, condição social, sexo, religião ou time de futebol, uma mesma categoria: potenciais vítimas da covid-19.

Tal importa em visitar e praticar o valor solidariedade social, fruto da consciência viva de dependermos cada qual do outro. Assim, cooperamos com o nosso próximo, esperando que ele também colabore conosco, para, em irmandade, juntos, superarmos o inimigo comum.

A noção de planetário pertencimento à nova categoria de potenciais vítimas do vírus desfaz eventual sensação de ser o outro um inimigo, uma fonte de desgraça, pois todos somos, sem o querer, concomitantemente, destinatários ou transmissores do mal. Esta recém-experimentada condição, que nos retira de nossas atividades habituais, impõe a humildade de reconhecer que se deve aos demais a atenção de cuidados para protegê-los.

O pertencimento a uma situação geral perigosa deve unir, e não confrontar, fazendo surgir espírito comunitário, a ser vivido na rua, no prédio de moradia, no supermercado, nos ônibus, consistente no respeito à vida de todos, mesmo porque a proteção dos circunstantes também significa a defesa de si mesmo.

Todavia não é o que se está a verificar em parcela da nossa sociedade, ao negar o valor da solidariedade e se arvorar imune à peste, para por comodidade ou arrogância desrespeitar a vida alheia e não colaborar com o bem comum.

Já Oliveira Vianna (Instituições Políticas Brasileiras, José Olympio editor, 1949, pág. 132 e seguinte), estudando a formação cultural do Brasil, anotava ser absolutamente nula a solidariedade social entre nós, havendo apenas pequenos traços de solidarismo local sem nenhuma significação geral, concluindo: “O brasileiro é fundamentalmente individualista”.

Há na rejeição ao uso da máscara recusa a se submeter a qualquer regulamentação, configurando uma regressão ao estado da natureza, em termos de Hobbes, ao se impor a própria vontade sem responsabilidade social e sem controle de si mesmo, a ponto de se permitir lesionar quem exige respeito às normas sanitárias.

Causa indignação um ex-presidente do Tribunal de Justiça e outro desembargador, do alto de sua prepotência, afrontarem a legítima regulamentação por decreto autorizado por lei federal, para se negar a usar máscara como o comum dos mortais. O que mais espanta, todavia, é a violência da reação ao se ser cobrado a cumprir a regulamentação e a regra moral da solidariedade. O desembargador, ao rasgar e jogar no chão a multa, ultrapassou a linha da contestação para atuar com agressividade.

Esta violência assusta ainda mais quando se verifica que pessoas comuns, sem nenhum desvio pregresso de conduta, reagem violentamente quando questionadas por estar sem máscara.

Podem ser colhidos diversos exemplos de norte a sul do País. Em Belo Horizonte, motorista de ônibus negou-se a transportar três pessoas sem máscara, que é obrigatória na capital mineira. Ainda tentou explicar não dever pôr em risco a vida de todos os passageiros, mas foi inútil: a mulher, ao descer, o estapeou-o no rosto (www.g1.globo.com/minas-gerais/noticia/20/07/20). 

Em Alagoas um cidadão repreendeu policial militar aposentado por não usar máscara. O policial derrubou-o, chutou-o e agrediu-o, mesmo deitado, gritando: “Usa máscara quem quer!” (diariodopoder.com.br.brasil-e-regioes/alagoas/policial). Na cidade de Catalão, em Goiás, dono de bar idoso foi agredido e teve a perna quebrada por um cliente ao ser-lhe pedido que usasse máscara (www.noticias.uol.com.br/cotidiano/2020/06/29). 

Mais outra: homem entrou sem máscara em supermercado em Vacaria (RS) e ao ser advertido pelo gerente, na discussão, esfaqueou-o (Estado, 21/6). Também na cidade de Registro, sul do Estado de São Paulo, policial foi agredido por empregados de loja após solicitar que usassem máscara. O policial lesionado disse ter sido “degradante a situação, pois queria a proteção deles e dos demais e por cobrar essa preocupação” foi agredido” (www.jornaldebrasilia.com.br/nahorah/policial). 

O que desencadeia essa violência de pessoas normais em face de simples pedido de respeito às normas sanitárias durante uma pandemia, obrigação óbvia como medida de solidariedade social?

Além do insolidarismo vigente em nossa cultura, “se farinha pouca, meu pirão primeiro” (Bezerra da Silva), há evidente nexo de causalidade entre o mau exemplo que vem de cima e o exercício prepotente e agressivo da população ao ser cobrada pelo não uso de máscara (oglobo//globo.com/sociedade/especialistas-explicam). Se o presidente da República profere o insolidário “E daí?” e vai a bar, barraca de cachorro quente, aglomeração contra o Congresso e o Supremo, sem máscara, cujo uso ridiculariza, com que autoridade se exige esse uso com ares de reprovação?

É uma vertente do “sabe com quem está falando?”. Está falando com um súdito do presidente.

ADVOGADO, PROFESSOR TITULAR SÊNIOR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, FOI MINISTRO DA JUSTIÇA

Resposta casuística - FOLHA DE SP

Por bons e maus motivos, há questionamentos e reações contrárias à Operação Lava Jato nas cúpulas dos três Poderes. Trata-se de terreno fértil para propostas como a imposição de quarentena de oito anos para que ex-juízes e ex-procuradores possam disputar eleições.

Um projeto de lei nesse sentido foi defendido na quarta-feira (29) pelos presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Nenhum dos dois mencionou o nome óbvio a ser associado à medida —o de Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro e mais do que nunca cogitado como presidenciável no pleito de 2022.

Talvez porque, nesse caso em particular, a proposta possa ser inócua. Não poucos especialistas entendem que a norma, se aprovada pelo Congresso Nacional, não afetaria Moro devido à irretroatividade da lei eleitoral. O ex-magistrado, afinal, tem hoje o direito de se candidatar ao que bem entender.

De todo modo, mira-se a politização do Judiciário e do Ministério Público, que de fato é tema digno de enfrentamento —e as operações bombásticas de combate à corrupção, não raro com excessos, deram motivo para preocupações.

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A guinada de Moro rumo ao mundo político decerto não contribuiu para a credibilidade da Lava Jato, bem como a tentativa de criação de um fundo privado por parte dos procuradores da operação.

Entretanto episódios do gênero não bastam para justificar a inscrição de uma norma tão restritiva na lei —e, sem justificativa mais sólida, debate legislativo amadurecido ou amparo na experiência internacional, a proposta de Toffoli e Maia se aproxima do casuísmo.

Regras processuais já preveem suspeição e impedimento de magistrados. Ademais, a legislação eleitoral já fixa quarentena de seis meses para essas autoridades, enquanto os oito anos aventados são exorbitância evidente.

Tal prazo hoje só se aplica a casos envolvendo ilegalidades, como na perda do cargo por sentença judicial. Estendê-lo a todos os ex-juízes e ex-procuradores equivale, na prática, a suspensão de direitos políticos sem prova de parcialidade.

Trata-se, além disso, de discriminação pouco compreensível. Não se entende, a não ser por argumentos circunstanciais, por que a norma não contemplaria delegados, militares, diplomatas, auditores e outras carreiras típicas de Estado.

Dada a ampla resistência do mundo político à Lava Jato, agora reforçada pelo próprio bolsonarismo, a ideia tem chances de prosperar. Seria a proverbial resposta simples e errada a um problema complexo.

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Em campanha no sertão - O GLOBO

 

Jair Bolsonaro vestiu chapéu de vaqueiro, subiu no lombo de uma égua e acenou em festa para a multidão. A mais de dois anos das eleições de 2022, o presidente produziu ontem uma típica cena de campanha. Só a máscara no queixo lembrava a pandemia em curso.

Com mais de 90 mil brasileiros mortos pela Covid, o capitão desembarcou no sertão para cumprir agenda de candidato. Ele voltou a ignorar as recomendações sanitárias: provocou aglomeração e pegou nas mãos de eleitores. No mesmo dia, o Planalto informou que a primeira-dama está infectada pelo coronavírus.

Montado na máquina federal, Bolsonaro tenta avançar sobre a última cidadela do lulismo. O Nordeste foi a única região em que ele teve menos votos do que Fernando Haddad em 2018. Agora recebe um de cada três reais do auxílio emergencial.

O programa já produziu dividendos eleitorais. O presidente ganhou popularidade entre os mais pobres, que passaram a representar 52% de seus apoiadores. Isso compensou sua queda entre os ricos, desiludidos com o abandono do discurso anticorrupção.

Ontem o capitão foi recebido com um coro inusitado contra a Lava-Jato, que ajudou a elegê-lo. Ele desfilou ao lado do senador Ciro Nogueira, o poderoso chefão do PP. Ex-lulista, o parlamentar é réu no Supremo por organização criminosa. Há cinco meses, voltou a ser denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O presidente visitou dois estados governados pelo PT: Piauí e Bahia. Ele inaugurou uma adutora em Campo Alegre de Lourdes (BA), onde perdeu para Haddad por 89% a 11%. Em cinco minutos no palanque, citou Deus sete vezes e repetiu seu slogan eleitoral outras três.

“Quando nós vemos e sentimos a felicidade de um povo quando chega a água, isso amolece nossos corações”, discursou. A obra já estava quase pronta quando ele tomou posse, mas isso não foi lembrado na cerimônia.

Bolsonaro esnobou os nordestinos no início do governo. Agora aposta neles para pavimentar o caminho da reeleição. Não será uma tarefa fácil. Em junho, o Datafolha mostrou que ele registra 52% de ruim e péssimo na região. Ainda é seu pior desempenho no país.

O peixe e o aquário - ISTOÉ

Jair é um fenômeno, não?

 

Porque é surpreendente como alguém com sua obra, sua história política tenha chegado ao poder e, mesmo depois de seus inúmeros e tresloucados atos nesse um ano e meio de governo, ainda possua apoio de uma significativa parcela da população.

Um político que nunca escreveu um livro, nunca teve um projeto relevante aprovado, nunca uniu multidões, tenha sido catapultado ao cargo mais alto da Nação e ali se mantenha firme e forte.

O despreparo assumido do presidente é assunto de constantes reportagens, artigos, vídeos, vlogs, posts e twits.
Por exemplo, em seu canal no YouTube, meu vizinho de ISTOÉ, o professor Marco Antonio Villa, com mais de 600 mil assinantes, faz um trabalho incansável, diário, de lembrar os absurdos do governo e de nosso líder maior.
Mas nada faz o ponteiro do bom senso nas pesquisas se mover dos 30% de apoio que o mandatário recebe.
Seus apoiadores são impermeáveis a qualquer argumento.

Talvez num breve apanhado de seu currículo possamos encontrar a origem de tão inequívoco apoio.
Quem sabe a carreira militar do terceiro presidente das Forças Armadas eleito por voto popular o aproxime dos outros dois, Hermes da Fonseca e Dutra, respeitados na caserna.

Não é o caso.

Aos 33 anos nosso Messias foi aposentado, em sua breve carreira no Exército, por ter elaborado um plano para explodir bombas-relógios em quartéis, lutando por melhores salários.

Atitude que o nivela à mesma postura anticonstitucional que costuma acusar seus inimigos políticos da esquerda.
Quem sabe tenha tido uma vida política de conquistas, tal qual um Tancredo Neves, ou um Ulisses Guimarães.
Não é o caso.

Ao longo de seus 26 anos de carreira política, o então vereador, depois deputado, apresentou 172 projetos.
Um deles propunha que Enéas Carneiro fosse incluído na relação de Heróis da Pátria, para se ter ideia do nível de irrelevância.

Dos projetos votados, apenas dois foram aprovados, o que comprova que nunca se destacou pela defesa dos interesses da população.

Quem sabe sua popularidade se deva ao apoio incondicional de um partido político ou agremiação, como foi o caso de Lula e o PT.

Não é o caso.

Mesmo aposentado, Bolsonaro apresentou 53 projetos defendendo interesses dos militares. Nenhum foi aprovado.
No baixo clero, onde sempre transitou, Bolsonaro passou pelo PPB, PDC, PPR, PFL, PTB, PP, PSC e PSL, até sua condição atual de sem partido.

Quem sabe talvez tenha sido sua retórica, ou talento de orador, como um Brizola, por exemplo.

Não é o caso.

Bolsonaro, antes da eleição, era quase uma anedota de mau gosto, ao apoiar os mais controversos temas, como a homofobia (“…prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.” — 2011); atacar colegas do Congresso como Maria do Rosário; apoiar torturadores como Brilhante Ustra e por aí vai.
Quem sabe seja sua intelectualidade. Uma espécie de FHC. Talvez Bolsonaro seja um sociólogo amador, um psicólogo autodidata, um economista diletantista.

Não é o caso

Durante a campanha deixou claro inúmeras vezes que não entende de nenhum assunto e que confiaria nos ministros especialistas.

“Minha especialidade é matar — (2017)”, foi à única indicação de que domina alguma área do conhecimento humano.

Apesar disso, demitiu diversos ministros especialistas que discordavam de sua própria ignorância.

Quem sabe seja o caso de admitirmos a mais terrível das opções.

A de que somos um povo tacanho, ignorante, preconceituoso e incapaz sequer de reconhecer o despreparo de quem nos lidera.

O peixe, afinal, é o último a reconhecer o aquário.

Somos um povo tacanho, ignorante, preconceituoso e incapaz sequer de reconhecer o despreparo de quem nos lidera

O racha do Centrão - ISTOÉ

A tentativa do governo de conquistar apoio no Congresso, abraçando o Centrão, pode estar indo por água abaixo. O “namoro” entre o Executivo e o Legislativo, que nunca foi muito tranquilo, está tenso novamente com o impasse provocado pela decisão do MDB e do DEM de dar um tempo na relação. A movimentação no bloco, que ao longo dos últimos anos se tornou o fiel da balança no Congresso, tem como pano de fundo a escolha do sucessor do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pode abalar o equilíbrio de forças na Casa.

 

O relacionamento começou a azedar quando o deputado Arthur Lira (PP-AL) — nome de confiança do Planalto e encarregado de aglutinar bases que garantissem a Jair Bolsonaro o poder de barrar eventuais denúncias contra ele —, tentou minar o poder do presidente da Câmara e, de quebra, colocar-se como sucessor de Maia. Por estar no comando do chamado blocão, que reunia, além do Centrão, os deputados da base governista, Lira achou que teria mais força do que realmente tinha. A reunião dos dois grupos ocorreu no ano passado para definir a formação da Comissão Mista de Orçamento (CMO), unindo legendas como PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, PROS e Avante.

Com o Centrão, anteriormente formado por 252 deputados de dez legendas diferentes, somado aos 41 do PSL, o governo poderia chegar a 293 deputados na sua base de apoio, um sonho impossível. Agora, com a saída do MDB, DEM, PTB e PROS, o jogo parece que virou. Na nova configuração, o governo fica só com 199 deputados, número insuficiente para aprovar reformas e governar com maioria. Porém, pode conseguir impedir uma votação de impeachment contra o presidente. Na outra ponta, o grupo independente, que antes tinha 78 deputados, engordou com a chegada do novo grupo e agora soma 171 membros, podendo colocar mais pedras no caminho do governo e até eleger o presidente da Câmara.

O presidente Jair Bolsonaro se aproximou do Centrão quando se sentiu acuado após denúncias de influência na PF e a prisão de Queiroz

Pressão

Bolsonaro se aproximou do Centrão em abril deste ano, quando começou a se sentir acuado com as investigações sobre sua interferência na Polícia Federal, após a saída do ministro da Justiça, Sergio Moro. A tensão se acentuou com a prisão de Fabrício Queiroz, em junho. A partir daí o presidente passou a oferecer cargos em troca de sustentação política, adotando a prática que sempre condenou, a chamada política do toma lá da cá.

No entanto, a vitória de Maia na votação do fundo que financia a educação básica, o Fundeb, comprovou a força que o líder ainda mantêm na Casa e colocou o governo, e o próprio Lira, numa saia justa, provocando o racha no bloco. Agora, além do grupo chefiado pelo deputado de Alagoas, e do outro liderado pelo presidente da Câmara, ainda existe uma terceira frente costurada pelo presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), considerado um dos desafetos de Bolsonaro. Tudo isso junto e misturado, acabou enfraquecendo Bolsonaro. Daqui pra frente, ele só poderá observar as peças se mexendo nesse novo jogo para a disputa pela presidência da Casa, sem grande poder de fogo.

Neste novo cenário, o DEM e o MDB estudam lançar um candidato com apoio de Maia. O nome mais cotado é o de Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que deve começar a ganhar maior projeção no segundo semestre, com a discussão da Reforma Tributária, uma das especialidades do parlamentar. Rossi é autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tramita no Congresso e que conta com a chancela de Maia.

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