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O ministro que falou demais

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

A desautorização curta, seca e taxativa do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, pela Casa Civil, a propósito da possibilidade de reajuste do benefício do Bolsa Família, é sintoma típico de um governo que bate cabeça. Na busca por soluções milagrosas que, ao mesmo tempo, façam sumir os efeitos deletérios da inflação e resgatem a popularidade perdida pelo presidente Lula da Silva, ideias surgem em profusão. Mas, como não existe milagre para recolocar a economia nos trilhos, o resultado é, quase sempre, desastroso. Foi este o caso, mais uma vez.

 

Em entrevista recente à Deutsche Welle, Dias afirmou que o reajuste do benefício “está na mesa” e que a decisão seria tomada “até o fim de março”. Ao portal, o ministro informou que sua pasta está preparando um relatório sobre o Bolsa Família. “Temos que manter (o benefício no piso de) 40 dólares, que é o padrão internacional para o consumo. Nisso haverá pouca alteração. O problema é o preço dos alimentos, que teve essa elevação brusca do fim do ano passado para cá”, disse o ministro.

 

Em sua lógica, uma alteração no Bolsa Família contribuiria para suavizar o impacto da inflação sobre a população mais pobre. “Será um ajuste? Será um complemento na alimentação?”, comentou Dias, dizendo que a decisão seria tomada “dialogando com o presidente”. A repercussão imediata foi o lacônico comunicado da Casa Civil, negando estudos sobre o assunto e afirmando que o tema “não está na pauta do governo e não será discutido”. Na sequência, um comunicado do próprio Wellington Dias desmentiu a informação, com o cuidado de frisar que o ministério está comprometido com a responsabilidade fiscal.

 

Diante da avidez com que o governo busca fórmulas que reacendam a aura de Lula da Silva até as eleições de 2026, não parece inverossímil que o assunto tenha sido, de fato, colocado à mesa. Ainda mais porque a medida provisória que criou, em março de 2023, o “novo Bolsa Família” – em substituição ao programa do governo Bolsonaro, rebatizado de Auxílio Brasil – fixava prazo de dois anos para reajustar os valores dos benefícios e a linha de corte de quem é elegível ao programa. Não parece ser por acaso que o prazo estabelecido pela proposta e a declaração do ministro coincidam.

 

Na época, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome chegou a informar que a intenção era a de que as famílias beneficiárias não ficassem mais de 24 meses sem atualização no benefício para evitar que a inflação viesse a corroer o poder de compra. O Bolsa Família é a vitrine dos programas sociais de governos petistas e funciona como uma espécie de passaporte eleitoral. Mas, por óbvio, o custo precisa caber no cobertor curto do Orçamento anual do governo.

 

Elevar o valor do benefício para combater os efeitos da inflação, no entanto, é um contrassenso. Atacar as consequências – em vez das causas da inflação – não resolve o problema. O governo sabe que a forma de contribuir para estabilizar os preços é, em primeiro lugar, equilibrar o Orçamento público, sem artifícios ou espertezas, como tem sido visto no expurgo de gastos de políticas expansionistas da contabilidade federal.

 

Na mesma entrevista ao portal alemão, Dias, um petista histórico, relativizou com notável naturalidade o estouro da meta de inflação no ano passado. “Se a meta era 4,5% e fechamos em 4,8%, ficamos praticamente na meta, né?”, disse o ministro, atribuindo a ataques especulativos o descontrole cambial e criticando a reação do Banco Central, que, com a alta de juros, estaria “fazendo o contrário do seu papel”.

 

É provável que a confusão criada por Wellington Dias ao alimentar as expectativas dos beneficiários do Bolsa Família, além de provocar uma súbita queda da Bolsa e um aumento do dólar, tenha se instalado não pelo que disse, e sim por tê-lo dito. Não foi a primeira tampouco será a última vez que um governo sem foco programático e movido única e exclusivamente pelo ímpeto de Lula da Silva em se reeleger cometerá trapalhadas desse tipo.

Hora do alarme

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Um em cada quatro municípios paulistas está em epidemia de dengue, informa o Painel de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde. Ao longo do mês de janeiro, constatou-se um avanço perturbador do número de casos – o dobro, quando comparado a 2024, que foi disparadamente o ano mais trágico na incidência e nas mortes por dengue em todo o País. Chamou a atenção, também no Estado, o número de óbitos, tanto aqueles já confirmados como os ainda sob investigação, fechando janeiro com a marca de 45 municípios em estado de emergência. O perigo, contudo, não está restrito às divisas de São Paulo: há cenários preocupantes no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins e Paraná. Até no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde até cinco anos atrás nem sequer se falava em dengue, o vírus transmitido pelo Aedes aegypti tem circulado.

 

Se essas evidências não bastarem para emitir alertas, em alto e bom som, sobre a gravidade da situação em curso, seria bom pelo menos ouvir o que disse ao Estadão o infectologista Alexandre Naime Barbosa, professor de Medicina na Unesp e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Não há dúvidas em dizer que 2025 vai ficar marcado, e não estou sendo alarmista ou pessimista. Será o pior ano de epidemia de dengue de toda a série histórica, não só no Estado de São Paulo, mas também no Brasil”, disse ele, prevendo que 2025 deve ultrapassar o ano anterior em número de casos e taxa de mortalidade.

Se, portanto, 2024 foi desastroso – com mais de 6 milhões de casos e quase 6 mil vidas perdidas –, 2025 tende a ser pior, se considerarmos o ritmo deste início de ano.

 

Ministério da Saúde e autoridades estaduais costumam ser cautelosos ao antecipar cenários futuros e têm sido cuidadosos ao expor os prognósticos mais sombrios. Talvez cautelosos demais. Afinal, o problema existe e há condições propícias a uma maior proliferação do mosquito transmissor da dengue, entre as quais mais chuvas e temperaturas mais altas, extremos decorrentes das mudanças climáticas, além de vários sorotipos circulando simultaneamente, algo que não acontecia havia muitos anos. E o mais grave: tudo isso convivendo com “uma enorme falta de percepção de risco da população”, como lembrou o professor. Em outras palavras, anos e anos de convivência criaram uma sensação de normalidade que, neste momento, se mostra um perigo.

 

É preciso dizer com todas as letras: a dengue mata. E boa parte do problema está dentro de casa, com ambientes propícios à proliferação do mosquito. Há medidas corretas em curso envolvendo os governos federal, estaduais e municipais, existe tecnologia disponível para mitigar riscos e, aos poucos, a vacina deve avançar – ainda que se vejam situações de estoques guardados por baixa adesão, limites de quantidade e, portanto, uma vacinação restrita a poucas faixas da população.

 

Enquanto isso, trabalho coletivo, informação, sensibilização e mobilização são tão necessários quanto o alerta, isto é, dizer com clareza para quem puder ouvir que o momento é grave e o risco, elevadíssimo.

Governo Lula investe pesado no projeto Dilma

Por Carlos Andreazza / O ESTADÃO DE SP

 

 

Lula botou o bloco na rua. Já está viajando. Viajando no sentido de se deslocar. Vai circular pelo Brasil, o da comida cara. A ver se colocará os pés nos chãos do País; para ver, reconhecer, as gentes, que um dia entendeu e de cujo pulso perdeu a mão. Deu na Coluna do Estadão: “cercado apenas por correligionários no Planalto”, o presidente só ouviria “a voz do próprio partido” e teria perdido o “termômetro real do Congresso e das ruas”.

 

A avaliação, proveniente da tal base aliada (que base de apoio não dá), é de quem quer lugar na cozinha do palácio. A pretensão do analista não torna errada a análise. O encastelado Lula vai assessorado por petistas menos pesados, também menos íntimos, que não têm coragem de lhe dizer verdades. Tudo indica que trocará um deles por Gleisi Hoffmann. Caso em que, tendo ou não termômetro, a temperatura subirá.

 

O presidente está viajando.

Esteve no Rio e na Bahia, na semana passada. Irá ao Amapá e ao Pará, nesta. Estratégia de viagens concebida em resposta à popularidade caída. Para isso veio o marqueteiro de 2022, feito ministro com o objetivo de tocar a campanha pela reeleição. Não será barata, em dinheiros públicos; e será decerto facilitada pela forma larga, espalhada, como se gastou até aqui. A porta – escancarada pela PEC da Transição – está arrombada. Faz tempo. E doravante será somente um tiro curto até o ano eleitoral.

 

É fevereiro de 2025 e o bloco, com ou sem povo, já está na rua. Tem por estandarte a sustentação artificial do voo de galinha em que consiste o badalado crescimento econômico brasileiro. Aquele que entrega o aumento da massa salarial, oba!, a ser imediatamente devorado pela inflação de alimentos que o estímulo estatal ao consumo faz encorpar.

 

Na sexta, discursando na baiana Paramirim, Lula exibiu um dos motores por meio dos quais deseja dobrar a aposta e manter a galinha voando, como se águia, até 2026: “Eu quero mais crédito para o povo”. Crédito sobretudo via bancos estatais. Crédito estatal, para forjar demanda. Padrão.

E explicou por que é correto afirmar que seu governo tolera a inflação e mesmo opera com ela: “Na hora que o dinheiro começa a circular na mão das pessoas, ninguém aqui vai comprar dólar. Ninguém vai depositar no exterior. Vocês vão comprar comida. Vão comprar roupa. Vão comprar material escolar. E vocês vão melhorar a vida da cidade de vocês.”

 

Desenhou. É o projeto Dilma, em Dilma III, para Dilma IV. Jorrar bilhões na praça, encharcar a indução ao consumo, atravessar 25 pedalando e fantasiando o sobreaquecimento da economia de desenvolvimento orgânico – e chegar forte, competitivo, a 26, para então fazer o diabo e reivindicar, pela reeleição que será também do Parlamento, uma PEC Kamikaze; como teve Bolsonaro. Está escrito.

 

 

Foto do autor
Opinião por Carlos Andreazza

Andreazza foi colunista do jornal O Globo e âncora da Rádio CBN Rio, além de ter colaborado com a Rádio BandNews e com o Grupo Jovem Pan. Formado em jornalismo pela PUC-Rio, escreve às segundas e sextas.

Governo Lula ainda deve resposta para conter armas em poder de civis

Por Editorial / O GLOBO

 

 

Logo ao assumir, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou decretos armamentistas da gestão Jair Bolsonaro, com o objetivo de conter a proliferação de armas nas mãos da população. Em especial, aquelas registradas legalmente na categoria identificada pela sigla CAC (colecionador, atirador desportivo ou caçador). Infelizmente, os resultados até agora foram insuficientes diante dos riscos. Persiste o fluxo contínuo de armas legalizadas a reforçar o arsenal da criminalidade, seja por perda, roubo, furto ou mesmo venda. É o que mostrou na semana passada reportagem do noticiário RJ2, da TV Globo, revelando como um preso considerado o maior responsável pela adulteração de carros roubados no Rio de Janeiro instruía, de dentro da cadeia, um comparsa que queria comprar armas a procurar CACs, porque vendiam pistolas “barato”.

 

É verdade que as estatísticas mostram desaceleração no crescimento dos CACs. De dezembro de 2020 a dezembro de 2022, a quantidade de armas em poder deles deu um salto de 120%. No governo Lula, dados até julho do ano passado mostram crescimento de 18%. “A situação ficou mais manejável”, diz Melina Risso, diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, especialista em segurança pública. “Mas não se parou de comprar armas.” E os registros de CACs continuam a ser feitos no Exército — ainda não foram transferidos à Polícia Federal (PF), como anunciado no início do governo.

 

Com o tempo, argumenta o governo, o ritmo se reduzirá até estagnar. O cenário político no Congresso, porém, não é favorável. A bancada da bala tem obtido vitórias, como a recente aprovação na Câmara de um Projeto de Lei enfraquecendo o Estatuto do Desarmamento, ao permitir a compra de armas por quem é investigado ou condenado por certos crimes, desde que ainda não tenha saído a sentença definitiva — medida sem cabimento que deveria ser rejeitada pelo Senado.

 

Ao mesmo tempo, projetos do governo requerem intensa negociação, e a posse e o porte de armas têm sido com frequência objeto de concessões para fazer avançar outras pautas. A postura rígida contra a proliferação de armas com que o governo Lula tomou posse desapareceu. Tanto que, apesar da iniciativa de recadastramento, o arsenal em poder da população continua imenso — estima-se em 1 milhão apenas as armas dos CACs, sem contar as centenas de milhares das forças de segurança em situação irregular.

 

Risso cita outra evidência do recuo do governo: um “decreto envergonhado”, publicado em 31 de dezembro, transferindo ao campo do esporte uma questão que deveria ser tratada pela ótica da segurança pública. Além das classificações já existentes para CACs, o decreto cria uma categoria especial para atiradores profissionais de competição, de “alto rendimento”. A nova elite de atiradores poderá comprar até 16 armas, oito delas de uso restrito (alto calibre), e ainda terá acesso a 20% mais munição. Criminosos como o ladrão de automóveis que encara os CACs como bons fornecedores de armas e munições devem estar comemorando.

O arsenal digital apreendido na operação sobre o Rei do Lixo que a PF ainda não explorou

Por  e Johanns Eller / O GLOBO

 

 

Desde que a investigação sobre desvio de emendas ligada a um empresário conhecido como “Rei do Lixo” foi remetida para o Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de janeiro, a Operação Overclean da Polícia Federal (PF) paira como uma sombra sobre Brasília. Mas a maior parte do acervo de 144 dispositivos digitais apreendido ainda não é nem sequer conhecida, já que desde que a PF descobriu evidências de envolvimento do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) com o esquema e enviou o caso para o STF, nada mais foi aberto ou periciado.

 

A expectativa entre investigadores e entre os próprios políticos é que o conteúdo dos 54 celulares, 51 HDs e pen drives e 33 computadores ou notebooks a serem periciados ajude a esmiuçar os detalhes do esquema liderado pelo empresário José Marcos de Moura, o Rei do Lixo, e indique a participação de bem mais parlamentares do que o já apurado. Por enquanto, só apareceram evidências de participação no esquema de um deputado, o baiano Elmar Nascimento.

 

Os trabalhos foram suspensos e o processo remetido ao STF assim que foram encontrados indícios de que o deputado teria ligação com a quadrilha suspeita de desviar R$ 1,4 bilhão em verbas de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e lavar dinheiro a partir de contratos fraudulentos.

 

As perícias só podem continuar depois que o ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no STF, der andamento ao processo. Só então se conhecerá o contudo de todo o material digital apreendido , e é isso o que mais preocupa o Congresso Nacional. Nos bastidores de Brasília, Moura, o Rei do Lixo, é conhecido como um importante operador do União Brasil — partido do qual faz parte , por exemplo, o presidente do Senado FederalDavi Alcolumbre (AP)

 

Chama atenção a quantidade de aparelhos apreendidos com alguns dos alvos da Overclean. Só Moura tinha em sua posse quatro celulares, além de dois notebooks e dois tablets. A maioria dos investigados não forneceu a senha dos dispositivos apreendidos, respaldados pelo direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos, mas a PF conta com softwares capazes de bloquear as barreiras na maior parte dos casos.

 

Os policiais também apreenderam 14 computadores, dez HDs, quatro celulares e dois pen drives nas sedes das empresas investigadas no caso, incluindo a MM Limpeza Urbana, que pertence a Moura, além do próprio DNOCS.

 

As outras empresas que tiveram aparelhos apreendidos são a dedetizadora Larclean Saúde Ambiental, as administradoras FAP Participações e A&F Participações e a construtora Qualymulti Serviços.

 

Além dos equipamentos digitais, os policiais também apreenderam veículos de luxo, joias, roupas de grife e quantias expressivas de dinheiro em espécie tanto em reais quanto em moedas estrangeiras, entre outros itens de uso pessoal.

 

A prisão do Rei do Lixo e outros cúmplices em dezembro passado chacoalhou os bastidores do poder em Brasília com o receio de que o empresário fechasse um acordo de delação premiada que entregasse políticos com mandato beneficiados pelo esquema. À época, Moura integrava a Executiva Nacional do União Brasil, e é tido como uma pessoa muito próxima do dirigente nacional, Antonio Rueda, e de seu vice, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

 

O empresário e os demais detidos foram soltos pouco mais de uma semana depois pela desembargadora Danielle Maranhão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que é candidata à vaga da magistratura federal no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

A soltura, porém, não foi suficiente para aplacar a apreensão entre os deputados, uma vez que as investigações seguiram em curso pela PF até o pedido para que o caso fosse remetido ao STF pelas menções a Elmar Nascimento.

 

Apesar de Elmar ser o único parlamentar investigado, o relatório da PF que embasou a Overclean também cita uma assessora do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

 

Segundo os investigadores, sua chefe de gabinete, Ana Paula Magalhães de Albuquerque Lima, atuou diretamente para liberar emendas que serviriam para pagar as empresas do “Rei do Lixo”. Como publicamos em dezembro, Ana Paula ajudou a destravar às pressas R$ 14 milhões do orçamento da União no último dia de 2023, data limite para o empenho do dinheiro.

 

A verba foi liberada pelo Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, controlado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que apadrinhou o ministro Waldez Góes, e não por indicação de parlamentares.

 

Ao submeter o caso ao STF pelo foro privilegiado de Elmar Nascimento, a PF também pediu à Corte que o processo ficasse sob os cuidados do ministro Flávio Dino, que relata outras ações relacionadas a emendas parlamentares. O pedido, inusual, não foi atendido pelo vice-presidente Edson Fachin durante o plantão do Judiciário e posteriormente foi negado pelo presidente, Luís Roberto Barroso, após parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

A relatoria foi distribuída pelo ministro Kassio Nunes Marques por sorteio virtual do Supremo. Kassio é visto nos bastidores de Brasília como um ministro mais próximo do Congresso e do bloco do Centrão, ao contrário de Dino, que protagonizou um embate com o Legislativo pela adoção de mecanismos de transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares.

 

Apesar do revés no STF, a expectativa na PF é de que uma nova investigação seja aberta a cada nova menção de deputados e senadores no curso da apuração. Dessa forma, caso o arsenal digital apreendido pelos policiais levante suspeitas sobre outros parlamentares, conter os estragos políticos a serem provocados pelo trabalho investigativo se tornará cada vez mais inviável.

 

José Marcos de Moura, conhecido como 'rei do lixo' da Bahia

Como o TDAH me fez transformar o caos em sucesso, mesmo quando muitos duvidavam

Natalia Beauty / Multiempreendedora e fundadora do Natalia Beauty Group / FOLHA DE SP

 

 

Por muito tempo, o TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) foi visto como um obstáculo. Eu cresci ouvindo que eu era "dispersa", "desorganizada", "ansiosa demais". O que muitos não sabiam é que, por trás dessa inquietação toda, havia uma mente acelerada, criativa e cheia de soluções. Quando entendi isso, passei a usar o TDAH a meu favor. O que antes parecia um fardo, virou meu maior trunfo. E foi assim que alcancei o sucesso.

Olhando para trás, percebo como o TDAH me impulsionou em várias áreas da vida. Minha criatividade sempre foi minha assinatura. Desde pequena, eu tinha ideias diferentes para tudo. Nunca fui a melhor aluna em organização, mas sempre me destacava nos projetos mais ousados. O pensamento acelerado que antes me atrapalhava nas provas escolares, mais tarde me ajudou a criar soluções rápidas no mundo dos negócios. Essa capacidade de ver possibilidades onde outros enxergam problemas foi determinante para minha jornada.

A hiperatividade, tão temida por muitos, me deu energia infinita. Enquanto algumas pessoas sentem cansaço físico e mental, eu aprendi a canalizar essa energia para criar, trabalhar e inovar. Sempre fui movida por paixão e intensidade. Quando mergulho em algo que me interessa, entro em um estado de hiperfoco que me permite aprender e produzir em velocidade inacreditável. Esse "superpoder" me levou a empreender, a conquistar espaços e a transformar minhas ideias em algo real.

Outro ponto que aprendi a valorizar foi minha empatia. Pessoas com TDAH costumam ter uma compreensão profunda das emoções alheias. Sentimos tudo de forma ampliada. Isso me ajudou a criar conexões verdadeiras, a entender o que meu público quer, a construir uma marca baseada em sentimentos reais. No mundo dos negócios e na vida pessoal, isso faz toda a diferença.

E sim, às vezes as dificuldades aparecem. A desorganização pode ser um desafio, mas não um impedimento. Aprendi a criar métodos que funcionam para mim. Meu planejamento é diferente do convencional, mas funciona. As dificuldades de concentração? Virei especialista em dividir minhas tarefas em pequenos blocos de tempo, me dando pequenas recompensas pelo progresso. Transformei cada fraqueza percebida em uma oportunidade de me desenvolver.

Olhando para grandes nomes que compartilham essa mesma condição, fica claro como o TDAH pode ser uma mola propulsora. Bill Gates, Richard Branson, Walt Disney, Paris Hilton, Adam Levine, Michael Phelps. Pessoas que usaram sua forma única de pensar para criar impérios, revolucionar indústrias e inspirar o mundo. Todos eles souberam direcionar essa energia de forma positiva.

A chave para o sucesso não está em se encaixar em padrões neurotípicos, mas sim em reconhecer e potencializar nossas habilidades naturais. O TDAH pode ser uma benção quando direcionado corretamente. Ele nos torna resilientes, capazes de enxergar soluções onde outros veem barreiras, e, acima de tudo, nos permite sonhar grande e realizar com intensidade.

Se você tem TDAH, saiba que você não está sozinho. O mundo precisa da sua forma única de pensar, da sua energia, da sua criatividade. Use isso a seu favor. Transforme o que te disseram ser um problema em sua maior qualidade. O sucesso não é sobre se encaixar, mas sobre encontrar seu próprio caminho. Eu sou a prova viva disso.

A desorganização pode ser um desafio para quem TDAH, mas não um impedimento - Srdjan Randjelovic/Adobe Stock

TDH

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