Cidade do Ceará tem racionamento de até 5 dias e ‘rodízio’ de água após açude secar
Ir em busca de caixas d’água públicas para encher vasilhas e armazenar o líquido em casa – ou mesmo comprá-lo – tem sido rotina para moradores de Milhã, cidade do Sertão Central do Ceará com cerca de 14 mil habitantes, após o açude que abastece a região secar. O cenário levou a gestão municipal a implementar um racionamento severo.
O açude Jatobá, principal do município, tem capacidade para 590 mil m³, mas está, hoje, com apenas 1% desse volume preenchido. Um segundo suporte, o açude Monte Sombrio, também está no volume morto. A Defesa Civil Nacional reconheceu, em março, a situação de emergência na cidade cearense pela estiagem.
Diante disso, a Prefeitura de Milhã decidiu, no início do ano, reativar uma adutora na cidade vizinha, Senador Pompeu, para levar água à população. O equipamento estava parado há cerca de 14 anos. Além disso, a pouca água que chega está sendo racionada.
De acordo com Vagner Pinheiro, diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Milhã (a cidade não é coberta pela Cagece), a água percorre 22 km até chegar à estação de tratamento do município, o que gera muitas perdas no caminho.
“A adutora foi ligada pela última vez em 2011. Foi uma batalha, uma luta pra gente conseguir ligar. Até chegar à cidade, são três bombeamentos, tem muita perda. E não chega com vazão pra abastecer tudo, dividimos a cidade em três”, explica.
Assim, enquanto um terço dos bairros recebe água, nos outros as torneiras estão secas.
“Tem locais que passam de 5 a 6 dias sem água. Às vezes dá um problema na adutora e a gente atrasa a volta da água, por isso deixamos as caixas cheias pras pessoas irem pegar”, diz Vagner, referindo-se às caixas d’água públicas da cidade.
O gestor afirma que foram perfurados diversos poços em Milhã, e eles estão ligados à rede de distribuição e aos reservatórios públicos. Mas não são suficientes. “Os poços ajudam, mas não chegam à parte alta. Os moradores de lá sofrem mais um pouco”, lamenta.
A prefeitura tem contado com apoio de órgãos estaduais e de outros SAAEs para enfrentar o problema.
de chuvas foram registrados em Milhã na quadra chuvosa, de fevereiro a maio. O valor está dentro da média histórica, mas é insuficiente para aportes significativos no açude.
O gestor do SAAE municipal lembra que em 2002, quando a adutora de Inharé ainda não existia, Milhã chegou a ser totalmente abastecida por carros-pipa. Outras estiagens exigiram racionamento, como em 2011 e 2012. “Toda época de seca a gente passa por isso.”
Além da preocupação diária com o abastecimento, Vagner revela outras duas. A primeira é que o açude da localidade de Jenipapeiro, em Senador Pompeu, “está chegando no volume morto”. Assim, a água da adutora que tem socorrido Milhã precisará ser compartilhada com os vizinhos.
A segunda é que junho é só o primeiro mês “sem chuvas” no Ceará. “A seca vai começar de agora pra frente. A partir de julho começa a pegar. As pessoas precisam da água pra sobreviver, pra trabalhar”, pondera Vagner.
“A conta chega, a água não”
Quando a caixa d'água da casa de Danilton Pinheiro, 33, seca, a solução é só uma: comprar para garantir o recurso à esposa e ao filho pequeno. “A gente sempre sofreu com falta d'água, mas antes era no fim do ano. Agora, foi desde o início”, lamenta o morador nativo da cidade.
“Água aqui é só uma vez por semana, passa um dia, um dia e meio, e já acaba. Às vezes vem de poço, é algum restinho de açude, do Inharé. Às vezes, no lugar de pagar a conta, tem que comprar. Com água ou sem água a conta chega”, pontua Danilton.
Quando o racionamento aperta, o servidor público compra uma caixa de mil litros de água, deixada nas casas por caminhões. “É em torno de R$ 40, mas só dá pra dois ou três dias. Acaba rápido, mesmo a gente poupando muito”, estima.
Tem gente pior, que não consegue ir buscar nas caixas públicas e se obriga a comprar, tirar alguma reservinha financeira, porque precisa da água.
O milhaense descreve que as caixas d'água de 5 mil litros instaladas pela prefeitura municipal têm “torneirinhas”, nas quais se formam filas para coletar o líquido. “O pessoal vai lá tirar com as vasilhas, de moto, de carroça. É difícil, porque a falta d'água não é fácil pra ninguém”, desabafa.
A situação hídrica de Milhã deve ser estabilizada após a chegada de um projeto que já deveria ter começado a abastecer a cidade em janeiro de 2025, mas ainda não foi concluído: o Malha D'água. “Todo mundo dando as mãos até sair. Está previsto pra julho”, informa Vagner, do SAAE.
A iniciativa é da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) do Ceará, e tem como proposta adensar a rede de adutoras do Estado, “considerando todos os centros urbanos”, captando água diretamente de reservatórios com maior capacidade de armazenamento. Nos locais, devem ser instaladas estações de tratamento.
O titular da SRH, Fernando Santana, afirmou, na última quarta-feira (4), que para abastecer Milhã e o Sertão Central, o Malha D’água vai captar água do açude Banabuiú e levá-la a nove municípios e 38 distritos. Isso deve ocorrer, de fato, em julho.
Yuri Castro, presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), observa que Milhã “não tem um reservatório estratégico, com boa acumulação”, e que a adutora de Inharé, por ser antiga, “tem um diâmetro que já não atende todo o município.
“A solução encontrada, então, foi o Malha D'água, é a solução definitiva para todo o Sertão Central”, pondera o gestor.
A média histórica de chuvas em Milhã entre junho e dezembro, mês em que se inicia a pré-estação chuvosa no Ceará, é de 97,9 mm. O período de maior estiagem é de agosto a novembro, quando deve chover apenas 11,6 mm na cidade.

Demagogia, diplomas e dívidas
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A inadimplência dos estudantes atendidos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) bateu recorde histórico em abril, como revelou o Estadão há poucos dias. De acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), 61,5% de um universo de 2 milhões de contratos tinham parcelas em atraso naquele mês. O número é quase o dobro do registrado em 2014 (31%), ano em que o Fies teve um pico de 733 mil contratos firmados, fruto da incúria da então presidente Dilma Rousseff. Em dinheiro, o calote atualizado do Fies soma impressionantes R$ 116 bilhões.
O Fies, para relembrar, é um programa de fomento ao ingresso no ensino superior implementado no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999, como substituto do Programa de Crédito Educativo (Creduc). Por meio do Fies, o Estado arca com a maior parte do valor das mensalidades, cobrando dos alunos o total financiado, acrescido de juros bem mais camaradas do que os praticados pelo mercado financeiro, somente após a formatura. A exceção é o chamado Fies Social, criado pelo presidente Lula da Silva em 2024 para atender os estudantes que vêm de famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa. Nessa modalidade, o Estado financia 100% do curso.
O programa nasceu com um propósito nobre. Mas, ao longo desses 26 anos, foi pervertido pelo populismo irresponsável dos governos lulopetistas. No afã eleitoreiro de se apresentarem como os responsáveis por ampliar o número de brasileiros matriculados no ensino superior, Lula e Dilma, cada um a seu tempo e a seu modo, enriqueceram ainda mais os donos de instituições privadas de ensino superior e transformaram muitos jovens estudantes ou recém-formados em uma massa de endividados.
Para as faculdades particulares, não poucas delas indigentes do ponto de vista acadêmico, o Fies foi um negócio e tanto. Afinal, as instituições de ensino superior privado passaram a contar com o dinheiro líquido e certo do Tesouro, repassando a maior parte do risco da inadimplência para o Estado. Já para grande parte dos estudantes, restaram as dívidas. Mas até para esses, graças a sucessivos e generosos programas de renegociação ou até mesmo perdão dos débitos, as perdas financeiras, de alguma forma, foram mitigadas. A conta mais pesada da histórica ineficiência nos gastos públicos em governos do PT, é claro, recaiu – e ainda recai – sobre os contribuintes.
Ao fim e ao cabo, salvo honrosas exceções, o maior legado do Fies, em particular na sua concepção petista, de viés claramente eleitoreiro, é uma perniciosa associação entre o dano ao erário e a formação educacional precária de milhões de jovens universitários. Some-se a isso a incompetência do atual governo para lidar com as transformações sociais na atual quadra do século 21 – na qual o ensino superior deixou de ser uma grande aspiração para muitos jovens – e está dado o caminho para a insustentabilidade do Fies, como mostrou uma reportagem deste jornal.
Em um governo sério, o Fies não deveria acabar, mas recomeçar do zero. No Brasil, por razões óbvias, há lugar para uma política pública que incentive aqueles que têm o desejo de ampliar seus horizontes por meio da educação formal. Mas o programa precisa, em primeiro lugar, ser mais bem focalizado. Ademais, precisa estar vinculado ao desempenho acadêmico. Podem ingressar no Fies os estudantes de famílias com renda de até três salários mínimos por pessoa que obtiverem no Enem uma média igual ou maior do que 450 pontos, além de nota maior ou igual a 400 na redação. Porém, não há critérios de incentivo ao bom desempenho acadêmico do estudante beneficiado durante o curso universitário.
Agora cabe ao contribuinte, mais uma vez, arcar com os custos de um programa deformado pela demagogia. O rombo de R$ 116 bilhões no Fies não é apenas o retrato da má gestão; é o legado concreto de escolhas políticas irresponsáveis, feitas à custa do erário e em nome do projeto de poder do PT.
A ser mantido, o Fies tem de ser reformulado sob nova premissa: a da responsabilidade, da eficiência e do respeito ao dinheiro público.
O crepúsculo do demiurgo
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O presidente Lula da Silva bem que tentou aplacar o tremendo mal-estar nas hostes petistas com a mais recente pesquisa de popularidade de seu governo, convocando às pressas, de véspera, uma entrevista coletiva para exercitar a vanglória e malhar adversários. Debalde.
Por mais competente que Lula seja como encantador de serpentes e de eleitores, não foi possível minimizar o impacto da sondagem da Genial/Quaest divulgada nos últimos dias. Não só porque Lula aparece como desaprovado por 57% dos entrevistados, o pior nível desde o início de seu mandato, como começa a ter dificuldades para liderar a corrida eleitoral na hipótese de concorrer à reeleição. Como mostrou o levantamento, o petista hoje empata até mesmo com nomes de menor musculatura eleitoral, como os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e como a novata Michelle Bolsonaro (PL). Nas pesquisas anteriores, o único capaz de lhe fazer frente era seu antípoda Jair Bolsonaro, que está inelegível.
Isso não significa, é claro, que o destino de Lula esteja selado, especialmente considerando-se que ele desmoralizou até aqui todos os atestados de óbito político que lhe foram expedidos. Mas parece claro que o demiurgo petista, que protagoniza a vida nacional desde o final dos anos 1980, está em seu crepúsculo – não só pela idade, mas sobretudo porque parece ter perdido sua capacidade de enfeitiçar os brasileiros com sua parolagem.
A pesquisa mostra isso com clareza. Quase 80% dos entrevistados acham que a economia piorou ou ficou do mesmo jeito com o atual governo, e 45% acreditam que o terceiro mandato lulista é pior do que se esperava inicialmente. Também não se pode ignorar outro desconforto: apenas 32% da população considera que o Brasil está indo na direção correta, contra os 61% que acham que o País está no mau caminho.
O curioso é que entre a última pesquisa, há dois meses, e esta, muita coisa aconteceu: obcecado com a impopularidade, inconformado com a desaprovação e ansioso com as eleições do ano que vem, o presidente Lula anunciou no período uma leva de benefícios, entre os quais isenções para motoristas de aplicativos, linha de crédito para reforma de casas do programa Minha Casa Minha Vida, o novo vale-gás, o projeto que isenta de IR quem ganha até R$ 5 mil e outras medidas clássicas da cartilha populista do lulopetismo.
Nesses dois meses, Lula também não parou de falar, em geral com um triunfalismo totalmente dissociado da realidade, apostando na mitologia que foi criada em torno de suas qualidades como animador de comícios. Petistas sempre festejaram seus improvisos como um instrumento político poderoso, capaz de impulsionar o governo e reverter conjunturas políticas desfavoráveis. Os métodos do ex-líder sindical, no entanto, se mostram cada vez menos eficazes. O resultado é que seu governo está produzindo frustração nos brasileiros, em vez de incutir-lhes esperança de prosperar. Mesmo ante uma avaliação popular mais favorável da economia, há uma clara quebra de expectativa. A prometida sensação de bem-estar, simbolizada na “picanha com cerveja” anunciada por Lula em 2022, foi substituída pela convicção de que a vida não melhorou nem vai melhorar.
Ao mesmo tempo em que está claro que o repertório de Lula não é mais suficiente para convencer os incautos sobre as qualidades de uma gestão desde sempre prisioneira da demagogia de seu presidente, escândalos como o da roubalheira no INSS contribuem para acentuar a malaise popular em relação ao governo petista. Para quem se considera enviado de Deus para levar água ao sertão, deve ser uma frustração e tanto.
Daqui até as eleições, é claro, muita coisa pode acontecer, mas já é possível afirmar que Lula é, cada vez mais, apenas uma sombra melancólica do que já foi. “Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”, diz a atriz decadente Norma Desmond no filme Crepúsculo dos Deuses.
Como Norma, Lula pode dizer que é um gigante numa política liliputiana, no que talvez tenha razão. Mas, em seu crepúsculo, só lhe resta a nostalgia.
Choque de realidade no PAC
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Com R$ 7,6 bilhões congelados neste ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi o mais afetado pela contenção de R$ 31,3 bilhões nos gastos não obrigatórios anunciada pelo governo há alguns dias – correção cujo objetivo é tentar amenizar um Orçamento irreal, que prevê despesas totais de R$ 2,2 trilhões. Com isso, a vitrine que Lula da Silva pretendia expor até as eleições de 2026, já desprovida dos megaprojetos – mais ao gosto do petista, que embalaram eleições passadas enquanto esvaziavam os cofres públicos –, fica ainda mais desabastecida.
Depois da série de denúncias em gestões lulopetistas envolvendo superfaturamento de projetos, irregularidades em licitações e manobras fiscais, ficou mais complicado concretizar as obras monumentais que Lula gostaria de usar como palco de comícios. Desde o início do terceiro mandato, algumas intenções nesse sentido têm sido frequentemente citadas pelo petista, como a reativação de estaleiros com a construção de navios para a Petrobras, em nome da retomada da indústria naval, uma das principais taras do lulopetismo.
Em agosto de 2023, quando foi anunciado o “Novo PAC”, terceira versão do velho programa, obras antigas de infraestrutura que não saíram do papel, ou que ficaram inacabadas, como ferrovias, rodovias e hidrovias, estavam lá mais uma vez. Todas para serem tocadas ao mesmo tempo, com promessa de milhões de postos de trabalho e orçamento trilionário. Só de recursos públicos, a previsão inicial de R$ 240 bilhões aumentou para R$ 371 bilhões em quatro anos. Juntando recursos privados, o total chegaria a R$ 1,3 trilhão, e havia um “pós-2026” de mais meio bilhão, num total de R$ 1,8 trilhão – cifra que ainda consta do site do Novo PAC, da Casa Civil.
Com as grandes obras cada vez mais distantes do alcance e a fiscalização redobrada de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), a gestão Lula da Silva abraça agora a estratégia do “Novo PAC Seleções”, uma espécie de versão pulverizada do programa, com obras menos complexas e de menor custo, em parceria com prefeituras e administrações estaduais.
Inaugurações de centros esportivos, postos de saúde, projetos de mobilidade, e entrega de ambulâncias são os eventos a que Lula da Silva vem comparecendo nos últimos meses, na readequação de sua agenda política. O choque de realidade orçamentária do governo, necessário para conter o déficit fiscal de 2025 a 0,25% do PIB, atingiu com maior rigor os Ministérios das Cidades (redução de R$ 4,29 bilhões), Defesa (R$ 2,59 bilhões), Saúde (R$ 2,36 bilhões) e Desenvolvimento Social (R$ 2,12 bilhões), que estão avaliando onde cortar.
Além do PAC, coube às emendas parlamentares o congelamento robusto e R$ 7,1 bilhões, o que significa que o governo terá também uma margem menor de recursos para buscar o apoio do Congresso, já que a negociação política em Brasília tem se baseado nesse expediente. Ou seja, Lula terá de se contentar em inaugurar escolas, mas talvez nem para isso sobre dinheiro.
A Impopularidade de Lula torna mais cara fatura no Congresso e afasta apoios para reeleição
Raphael Di Cunto / FOLHA DE SP
É recorrente ouvir nos corredores do Congresso que, hoje, poucos deputados e senadores têm coragem de postar uma foto com o presidente Lula (PT) em suas redes sociais, dada a impopularidade atual do petista, reforçada por pesquisas de opinião em série.
Desta vez, foi o levantamento da Quaest a apontar que a percepção negativa sobre a gestão permanece elevada, num momento em que o governo se vê às voltas com as crises do IOF e, principalmente, do INSS.
O medo de perder eleitores faz com que até parlamentares de partidos de esquerda hesitem em divulgar a aliança com o petista.
Há três dias, Lula participou da cerimônia que deu posse a João Campos na presidência do PSB e afirmou que, se continuar "bonitão", a "extrema direita não volta a governar esse país". Era natural que, após comparecer ao evento, Lula tivesse fotos e vídeos publicados pelos parlamentares da sigla nas redes, mas eles pareceram não concordar com o autoelogio.
Dos 15 deputados federais do PSB, só 4 postaram retratos ou falas do petista nas últimas semanas em seus feeds. Dos 4 senadores, 2 não publicam imagens do presidente há meses.
Se a vinculação ao governo afeta até os congressistas de esquerda, é no centrão que a impopularidade de Lula bate mais forte: a fatura para aprovar no Congresso as propostas de interesse do Planalto será cada vez mais alta, e as chances de apoio à reeleição parecem praticamente nulas.
MDB e PSD já não escondem que estão distantes da "frente ampla" pela reeleição. Seus líderes argumentam que apenas os políticos da região Nordeste topam essa foto.
Nos demais estados, a percepção é que estar ao lado de Lula na reeleição tirará votos e que não há motivo para impor esse desgaste quando a prioridade é fortalecer as bancadas na Câmara e no Senado.
Nos demais partidos de centro-direita e direita, a hesitação é maior e provoca momentos inusitados. Em abril, quando Lula jantou com líderes partidários, alguns políticos fugiram discretamente da lente do fotógrafo para não aparecer no registro do encontro. Nem o protagonista do livro "Onde Está Wally?" se escondeu tão bem.
A pesquisa Quaest desta quarta (4) acaba reforçando a falta de boa vontade dos políticos do centrão com o petista dentro do Congresso. Os dados mostram dificuldade de recuperação de Lula em seu pior momento, com 43% de avaliação negativa e apenas 26% de positiva. Em março, eram 41% a 27%. A margem de erro é de dois pontos.
No começo do ano, os motivos que levaram Lula a atingir o que os petistas esperavam ser o fundo do poço eram a inflação alta e a crise do Pix. Agora, a impressão sobre a alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis caiu, o que pode até ser comemorado por eles, mas a fraude contra aposentados e os protestos de empresários contra a nova alta de impostos mantiveram o desgaste em patamar elevado.
No caso do INSS, o governo Lula foi incapaz de fazer a população acreditar na sua estratégia de jogar a culpa no governo Bolsonaro e assumir o papel de algoz dos malfeitores, responsável por devolver o dinheiro pilhado dos velhinhos. Para 31% dos eleitores, a culpa é, sim, da atual gestão. Apenas 8% atribuem a paternidade da fraude nos descontos à administração anterior.
Na crise do IOF, a população se mostra mais inclinada a apoiar os atores que defendem derrubar a alta do imposto do que enxergar mérito nos argumentos do governo, de que é necessário elevar novamente a arrecadação para o poder público não travar.
A pesquisa mostra que 50% dos entrevistados consideram o aumento do tributo um erro, embora só 39% tivessem conhecimento de que isso havia ocorrido quando foram questionados pelos entrevistadores.
A falta de apoio popular à iniciativa deixa o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda em situação delicada para negociar as medidas compensatórias que permitam a Lula recuar da alta do imposto e, ao mesmo tempo, manter o patamar de despesas nos níveis pretendidos.
A maioria dos deputados e senadores não é de esquerda —é de centro-direita ou de direita. O que o petista tem a oferecer a eles?
As moedas de troca tradicionais já não têm o mesmo efeito dos governos anteriores. As emendas parlamentares são quase todas de pagamento obrigatório e em volume recorde. Os cargos nos ministérios e estatais ainda servem para alocar aliados políticos, mas o Orçamento próprio das pastas para entregar políticas públicas é mínimo.
Sobrava ao petista oferecer a vinculação à imagem de um governo e um presidente populares, em troca de apoio parlamentar. A um ano da eleição, não sobra mais.
Ceará tem 2 açudes secos e 6 com volume morto
Com o fim da quadra chuvosa dentro do esperado, a reserva hídrica acumulada do Ceará encerrou com 10,15 bilhões de metros cúbicos (m³), que representa 54,89% da capacidade total. Dos 157 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 26 estão sangrando e outros 36 acima de 90% da capacidade máxima.
Por outro lado, 30 reservatórios estão abaixo de 30% e oito reservatórios apresentam situação crítica: dois estão secos - Jatobá (1%) e Madeiro (0,87%) e seis com volume morto, quando apresentam menos de 5% de sua capacidade. As informações são do Portal Hidrológico do Ceará, atualizado nesta quinta-feira (5).
Neste ano, a quadra chuvosa teve distribuição desigual das precipitações, visto que 60% do território do Ceará tiveram chuvas abaixo da média. Nas cidades onde estão localizados os açudes secos, Milhã e Pereiro, as precipitações somaram 507.7 mm e 438 mm, respectivamente.
O titular da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Fernando Santana, destacou, na última quarta-feira (4), que, em 2025, o aporte dos açudes foi menor do que o registrado no ano passado. Segundo ele, o estado não teve o acúmulo esperado, embora tenham surpreendido áreas como a de Orós, onde o reservatório de mesmo nome sangrou em abril.
O gestor acrescentou que há cidades que acabam ficando sob alerta para a indisponibilidade de água e lembra que o Estado tem municípios que já entram em situação crítica. Ele citou Milhã como uma dessas localidades, assim como Ipaumirim, Baixio e Umari, para onde o governo busca paliativos diante dos sérios problemas.
“Temos obras que garantem, hoje, segurança hídrica à população. Estamos correndo pra que finalizem, como o Cinturão das Águas, no Cariri; o Malha D’água, no Sertão Central, que capta água do Banabuiú e leva água para 9 municípios; o Ramal do Salgado; e a duplicação do Eixão das Águas, trazendo água do Castanhão”, acrescentou Santana.
ABASTECIMENTO DE MILHÃ
Construído em 1997, o açude Jatobá possui capacidade total de 590.000 m³ e é monitorado pela Cogerh desde 2005. A última vez que o reservatório verteu - ou seja, atingiu 100% do volume - foi em 26 de junho de 2023, conforme os dados do órgão.

Em novembro de 2024, a população de Milhã, no Sertão Central do Ceará, vivia um racionamento extremo de água, já que o reservatório somava apenas 6,7% da capacidade. Até mesmo a adutora Patu, que costumava socorrer o município em tempos de seca, estava sem condições de uso.
Com o abastecimento da cidade intercalado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), a população tinha acesso à água em apenas três ou quatro dias da semana, explicou a Prefeitura de Milhã na época.
11 ANOS SEM BONS ÍNDICES
O Madeiro, localizado no Vale do Jaguaribe, foi construído em 1999 e tem capacidade total de 2.810.000 m³. Conforme monitoramento da Cogerh, o açude não sangra há 20 anos.
O melhor índice apresentado foi de 64,70% da capacidade em 29 de julho de 2009. Na época, o reservatório somou 1,82 milhão de metros cúbicos. Desde então, o volume hidrológico do açude veio diminuindo.
A primeira vez que o Madeiro 'secou' foi em março de 2014, quando atingiu níveis menores que 1%. De lá para cá, foram registrados acúmulos hídricos, mas com percentual menor que 5%.
O reservatório faz parte da bacia do Médio Jaguaribe - mesma onde se localiza o Castanhão -, e acumula apenas 30% da capacidade hídrica.
Neste ano, a quadra chuvosa teve distribuição desigual das precipitações, visto que 60% do território do Ceará tiveram chuvas abaixo da média. Nas cidades onde estão localizados os açudes secos, Milhã e Pereiro, as precipitações somaram 507.7 mm e 438 mm, respectivamente.
O titular da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Fernando Santana, destacou, na última quarta-feira (4), que, em 2025, o aporte dos açudes foi menor do que o registrado no ano passado. Segundo ele, o estado não teve o acúmulo esperado, embora tenham surpreendido áreas como a de Orós, onde o reservatório de mesmo nome sangrou em abril.
O gestor acrescentou que há cidades que acabam ficando sob alerta para a indisponibilidade de água e lembra que o Estado tem municípios que já entram em situação crítica. Ele citou Milhã como uma dessas localidades, assim como Ipaumirim, Baixio e Umari, para onde o governo busca paliativos diante dos sérios problemas.
“Temos obras que garantem, hoje, segurança hídrica à população. Estamos correndo pra que finalizem, como o Cinturão das Águas, no Cariri; o Malha D’água, no Sertão Central, que capta água do Banabuiú e leva água para 9 municípios; o Ramal do Salgado; e a duplicação do Eixão das Águas, trazendo água do Castanhão”, acrescentou Santana.
ABASTECIMENTO DE MILHÃ
Construído em 1997, o açude Jatobá possui capacidade total de 590.000 m³ e é monitorado pela Cogerh desde 2005. A última vez que o reservatório verteu - ou seja, atingiu 100% do volume - foi em 26 de junho de 2023, conforme os dados do órgão.

Em novembro de 2024, a população de Milhã, no Sertão Central do Ceará, vivia um racionamento extremo de água, já que o reservatório somava apenas 6,7% da capacidade. Até mesmo a adutora Patu, que costumava socorrer o município em tempos de seca, estava sem condições de uso.
Com o abastecimento da cidade intercalado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), a população tinha acesso à água em apenas três ou quatro dias da semana, explicou a Prefeitura de Milhã na época.
11 ANOS SEM BONS ÍNDICES
O Madeiro, localizado no Vale do Jaguaribe, foi construído em 1999 e tem capacidade total de 2.810.000 m³. Conforme monitoramento da Cogerh, o açude não sangra há 20 anos.
O melhor índice apresentado foi de 64,70% da capacidade em 29 de julho de 2009. Na época, o reservatório somou 1,82 milhão de metros cúbicos. Desde então, o volume hidrológico do açude veio diminuindo.
A primeira vez que o Madeiro 'secou' foi em março de 2014, quando atingiu níveis menores que 1%. De lá para cá, foram registrados acúmulos hídricos, mas com percentual menor que 5%.
O reservatório faz parte da bacia do Médio Jaguaribe - mesma onde se localiza o Castanhão -, e acumula apenas 30% da capacidade hídrica.


