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Governo Trump critica Moraes e fala em responsabilizar quem colaborar com 'condutas' do ministro

Julia Chaib / FOLHA DE SP

 

O governo Donald Trump informou que condena a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que responsabilizará aqueles que ajudarem "condutas sancionadas" do magistrado.

O posicionamento foi feito por meio de post no X (ex-twitter) na página do Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, que trata da diplomacia americana.

"O ministro Moraes, agora sancionado pelos EUA como violador de direitos humanos, continua usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro se defender publicamente não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar!", diz a mensagem.

"Os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impõe prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que auxiliarem ou colaborarem com condutas sancionadas", continua o texto.

Moraes determinou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar de Bolsonaro, que foi presidente do Brasil entre 2019 e 2022 e réu em processo sobre uma trama golpista no final de seu governo.

O magistrado afirmou que o ex-presidente descumpriu determinação anterior ao aparecer em vídeos exibidos por apoiadores durante manifestações no domingo (3). Bolsonaro estava proibido de usar redes sociais, mesmo que intermédio de outras pessoas.

A decisão o torna o quarto ocupante do cargo máximo do país a ser preso desde a redemocratização —antes dele, já tiveram o mesmo destino Fernando Collor, Lula (PT) e Michel Temer (MDB).

Moraes proibiu visitas na prisão domiciliar, a não ser de advogados e de pessoas autorizadas nos autos, e vetou o uso de celulares, diretamente ou por meio de outras pessoas. O ministro do STF afirmou ainda que o descumprimento da prisão domiciliar resultará na decretação de prisão preventiva.

 

Papa Leão XIV encerra Jubileu da Juventude com missa para mais de 1 milhão de fiéis

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
 

Fé e emoção neste domingo (3) diante do encerramento do Jubileu da Juventude. Com missa presidida pelo Papa Leão XIV, o evento promovido pela Igreja Católica reuniu mais de um milhão de fiéis em Roma após uma semana de atividades.

A celebração aconteceu em uma grande esplanada nos arredores da cidade, mesma logística do restante das celebrações do jubileu. Para a Igreja, este é um dos momentos mais marcantes do Ano Santo, com capacidade para atrair pessoas de todas as partes do mundo. 

"Aspirem a coisas grandes, à santidade, onde quer que estejam. Não se contentem com menos", afirmou o papa à multidão em uma das homilias. Por ser realizado em campo aberto, com direito a uso de barracas, colchonetes e sacos de dormir, o Jubileu está sendo encarado, conforme a emissora italiana Rai, como uma espécie de "Woodstock católico".

Apenas na noite do último sábado (2), antes de uma vigília noturna liderada pelo Pontífice, os organizadores confirmaram a presença de 800 mil pessoas no imenso espaço ao ar livre preparado no distrito de Tor Vergata, nos arredores da capital italiana. As informações são do jornal O Globo.

Neste domingo, por sua vez, o Vaticano anunciou que o número de participantes havia subido para um milhão. A estrutura corresponde ao volume: com mais de 500 mil metros quadrados, o espaço onde acontece o Jubileu equivale a cerca de 70 campos de futebol.

Qual é a comitiva do Jubileu

A peregrinação juvenil ocorre cerca de três meses após o início do pontificado de Leão XIV e 25 anos depois de o Papa João Paulo II ter organizado o último evento para jovens dessa magnitude em Roma.

Os números realmente impressionam. Além da quantidade de fiéis, 450 bispos e 700 padres, todos vestindo túnicas verdes, marcaram presença em um dos instantes mais relevantes, a vigília noturna, presidida pelo próprio Papa

Na ocasião, os jovens peregrinos, vindos de 146 países, vibraram sob o céu. De acordo com o Vaticano, eles estão em Roma desde a última segunda-feira (28), agitando bandeiras e entoando coros.

Papa Leão XIV encerra Jubileu da Juventude com missa para mais de 1 milhão de fiéis 3

Manifestantes pró-Bolsonaro vão à Praça Portugal pedir anistia para envolvidos no 8 de janeiro

Escrito por Bergson Araújo Costa e Gabriela Custódio / DIARIONORDESTE
 

Manifestantes pró-Bolsonaro se reuniram na Praça Portugal, no bairro Aldeota, na tarde deste domingo (3), em ato convocado pelas redes sociais. Junto a correligionários cearenses de Bolsonaro, os participantes pedem anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023 e a saída do ministro do Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Fortaleza, estão presentes os deputados André Fernandes (PL), Pastor Alcides Fernandes (PL), Dra. Silvana (PL),  Dayany Bittencourt (União) e Carmelo Neto (PL), a suplente de deputada federal Mayra Pinheiro (PL), o ex-deputado federal Capitão Wagner (União), o senador Eduardo Girão (Novo) e os vereadores Bella Carmelo (PL), Priscilla Costa (PL), Inspetor Alberto (PL), Marcelo Mendes (PL)  e PP Cell (PDT). A ex-candidata a vice-prefeita, Kamilla Cardoso (União), também compareceu.

Os discursos tiveram início por volta das 16h20, com uma oração. Em fala, André Fernandes defendeu que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal pautem a anistia e o impeachment de Alexandre de Moraes e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Essa é a nossa cartada final, Hugo Motta, a nossa paciência está acabando. A nossa paciência acabou. Alcolumbre, a nossa paciência acabou", disse o deputado federal.

Dirigindo-se aos manifestantes, André Fernandes disse para que eles cobrem os deputados e senadores para que os temas sejam levados para votação.

 Você está aqui, no sol quente, no meio do povo, e o mínimo que os parlamentares, os congressistas, podem fazer é ficar lá e, se for necessário, acampar dentro do plenário até que pautem tudo que tem que ser pautado.
André FernandesDeputado Federal pelo PL

A reunião faz parte de uma mobilização nacional que também ocorreu em cidades como Salvador, Belém, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Eduardo Girão elogiou a adesão ao movimento em todo o País. "O Brasil inteiro se mobilizou, como eu só tinha visto na época do impeachment da Dilma", disse.

Carmelo Neto também exaltou a militância na rua e criticou Alexandre de Moraes, ao afirmar que "sem a toga" o ministro "não é nada".

O deputado também elogiou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que está fora do Brasil desde fevereiro e tem liderado uma articulação internacional que culminou nas sanções contra Moraes com a lei Magnitsky.

"O mundo livre, as grandes democracias, já começam a entender o que está acontecendo no Brasil. Muito graças ao trabalho de um guerreiro, o Eduardo Bolsonaro, que tem sido nossa voz lá fora", afirmou.

Em meio aos discursos políticos, André Fernandes interrompeu as falas para mostrar ao público que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava acompanhando a manifestação em Fortaleza por videochamada.

O deputado federal compartilhou o momento por meio das redes sociais. "Mesmo Bolsonaro sendo impedido, fiz questão de fazer ele participar da manifestação de hoje", escreveu ele, no vídeo compartilhado no Instagram Stories.

Desde o dia 18 de julho, Bolsonaro está proibido de sair de casa aos finais de semana e no período da noite, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Após ser alvo de operação da Polícia Federal (PF), ele também passou a utilizar tornozeleira eletrônica, não pode acessar as redes sociais e está sem comunicação com outros investigados pelo Supremo — incluindo Eduardo Bolsonaro —, embaixadores e diplomatas estrangeiros.

Tarifas e sanções

As manifestações ocorrem em diversas cidades brasileiras após o anúncio das tarifas impostas pelo Estados Unidos a produtos brasileiros e de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com a lei Magnitsky.

Na Praça Portugal, a maioria dos manifestantes vestia roupas com as cores do Brasil, mas, em Fortaleza, uma manifestante estava com uma blusa com a foto do presidente norte-americano, Donald Trump.

Além disso, os apoiadores do ex-presidente exibiam não só bandeiras do Brasil e do Brasil Império (1822) mas também dos Estados Unidos e de Israel.

manifestacao pro bolsonaro EM FORTALEZA 3 AAGOSTO 25

Em trio elétrico esvaziado, bolsonaristas pedem anistia e criticam Lula e Moraes na Paulista

Por Karina FerreiraWeslley Galzo e Juliano Galisi / O ESTADÃO DE SP

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os principais alvos do ato realizado neste domingo, na Avenida Paulista, por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Sem a presença do ex-presidente, impedido de deixar sua residência aos finais de semana por determinação do STF, o pastor Silas Malafaia acabou sendo o principal orador do ato realizado num dos principais cartões postais da capital paulista. O pastor voltou a chamar Moraes de “criminoso”, cobrou o arquivamento das ações em curso contra bolsonaristas e pediu “um minuto de silêncio” para rezar e pedir a Deus para quebrar “a dureza, ambição e vaidade” dos parlamentares e ministros do STF. Em ato pela anistia realizado em Copacabana, em março, Malafaia já havia chamado Moraes de criminoso. Para o líder evangélico, o ministro da Suprema Corte comete crimes porque “rasga a Constituição” em suas decisões e na maneira como conduz as ações que estão sob sua relatoria no STF.

 

Neste domingo, Malafaia defendeu que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não é “traidor da pátria”. Eduardo articulou com autoridades americanas sanções contra o Brasil que já começaram a ser colocadas em prática contra Alexandre de Moraes, ministros do STF e Lula. Na tentativa de minimizar as ações do deputado, o pastor acusou Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), outros políticos de esquerda e movimentos sociais de denunciarem o Brasil em Cortes internacionais, no contexto da prisão do petista no âmbito da Operação Lava Jato.

 

Neste domingo, Malafaia defendeu que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não é “traidor da pátria”. Eduardo articulou com autoridades americanas sanções contra o Brasil que já começaram a ser colocadas em prática contra Alexandre de Moraes, ministros do STF e Lula. Na tentativa de minimizar as ações do deputado, o pastor acusou Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), outros políticos de esquerda e movimentos sociais de denunciarem o Brasil em Cortes internacionais, no contexto da prisão do petista no âmbito da Operação Lava Jato.

 

 

Do trio elétrico da manifestação, deputados estaduais, federais e vereadores fizeram discursos com pautas distintas, pedido anistia a Bolsonaro, atacando Lula, Moraes e citando os condenados do 8 de Janeiro. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), esteve presente e acenou ao público, mas não discursou. O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu a anistia de Bolsonaro, mirando nas eleições de 2026. “Somente com Bolsonaro na urna em 2026 esse País terá paz. Se não permitirem que o maior líder, o líder das pesquisas eleitores, o Brasil terá guerra nas ruas, lamentavelmente”, disse. Bolsonaro segue inelegível por condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030.

 

Sóstenes ainda mandou recado aos políticos da base do presidente Lula, afirmando que a hora para “pularem do barco furado do descondenado” é agora, e não às vésperas do pleito do próximo ano. O líder ainda atacou as pesquisas da Universidade de São Paulo (USP) que mostraram queda de público nas manifestações bolsonaristas. O parlamentar afirmou que a Universidade “não sabe contar os brasileiros”, afirmando que a manifestação deste domingo é a maior até agora. O comparecimento aos atos em favor do ex-presidente minguou à medida do avanço da investigação e da ação penal por tentativa de golpe de Estado, da qual é réu. A redução do público é superior a 90%. Em fevereiro de 2024, mais de 125 mil pessoas estiveram presentes na Avenida Paulista. Em 29 de junho, um protesto no mesmo local reuniu 12,4 mil pessoas. Os dados são Monitor do Debate Público do Meio Digital, da USP.

 

O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, se bastou a agradecer o público e os políticos presentes, e pediu a volta de Bolsonaro, em menos de um minuto falando com os apoiadores. Já Nikolas fez um discurso de mobilização da base no qual disse amar Bolsonaro e mostrou à multidão o celular em ligação com o ex-presidente. Mais cedo na manifestação realizada no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transmitiu mensagem do pai por meio de ligação.

 

Ainda num movimento de agitação dos manifestantes, o parlamentar disse que os bolsonaristas “não vão se dobrar a Alexandre de Moraes” e que o ministro “sem a toga, não é nada”. O deputado focou as críticas a Lula e ao Judiciário, e repetiu o discurso de Sóstenes, de que será golpe caso Bolsonaro, inelegível, tenha a candidatura impedida no próximo pleito.

 

Em recado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Nikolas pediu que a anistia de Bolsonaro seja pautada e fez referência à briga pública entre o Tarcísio e Eduardo Bolsonaro, afirmando que “chegou a hora de dividir os meninos dos homens”.

 

O deputado mineiro também prometeu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que mais um pedido de impeachment chegará à mesa do senador. Em recado aos senadores, Nikolas afirmou que ou os políticos “expurgam Moraes do STF, ou nós expurgamos vocês ano que vem nas eleições”.

O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) comparou Moraes ao Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmando que ambos foram sancionados pela Lei Magnitsky. A sanção foi imposta pelo governo Trump nesta quarta-feira, 30, contra o ministro. Foi a primeira vez que uma autoridade de país democrático é punida com a norma, criada para restringir direitos de violadores graves dos direitos humanos.

 

A deputada federal Rosana Valle (PL-SP) focou o discurso em oposição ao governo, puxando coro de “fora Lula, fora PT”, e afirmando que representa a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que ao invés de decidiu participar das manifestações bolsonaristas em Belém, no Pará. Eduardo Bolsonaro, que acompanha o ato de sua casa nos Estados Unidos, apareceu em ligação de vídeo com o deputado estadual Paulo Mansur (PL), recebendo aplausos do público.

O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) foi o primeiro a pedir diretamente a anistia ao condenados pelo 8 de Janeiro e afirmar que os senadores em missão nos Estados Unidos para negociar o tarifaço de Trump não tiveram sucesso “porque a moeda de troca” é o perdão aos bolsonaristas.

 

Vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, indicado por Bolsonaro na chapa de Ricardo Nunes nas eleições passadas, também focou o discurso na crítica aos senadores, os quais afirmou que “não fazem a lição de casa”. “Os senadores deveriam tomar providências, e se calam”, disse Mello Araújo, sem citar pedido de impeachment a Moraes.

 

 

PAULISTA 03 DE AGOSTO 25

 

 

O mau exemplo prospera

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

À medida que o modelo das emendas parlamentares se consolida como um dos principais vetores de desequilíbrio fiscal e deterioração institucional no Brasil, os casos recentes de São Paulo oferecem um alerta incontornável. Tanto as contas do governo do Estado quanto as da capital de 2024 foram aprovadas com ressalvas por seus respectivos Tribunais de Contas, entre outras razões pela má gestão das chamadas emendas “Pix”. Essas transferências, desvinculadas de objeto específico e dispensadas de convênio formal, vêm sendo executadas sem o mínimo de planejamento ou transparência exigidos pelo princípio republicano.

No governo estadual os repasses a municípios ocorrem sem a exigência de plano de trabalho prévio, em desacordo com a diretriz fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Já na capital, as informações disponíveis no Portal da Transparência são parciais, dificultando qualquer controle social ou análise técnica. A resposta de ambas as administrações – promessas genéricas de adequação futura – só reforça a normalização do improviso.

 

O caso paulista espelha o vício de origem do modelo nacional das emendas, que sofreu mutações aceleradas desde 2015 e hoje opera à margem de qualquer padrão internacional de boa governança. A pretexto de descentralizar decisões e aproximar o Orçamento das necessidades locais, criou-se um mecanismo institucionalmente pernicioso, no qual parlamentares exercem controle direto sobre a alocação de bilhões em recursos públicos, sem filtros técnicos, jurídicos e operacionais nem a responsabilização política que o Executivo enfrenta.

 

As emendas Pix são a forma mais crua dessa perversão. Vendidas como instrumento de agilidade, eliminaram também os mecanismos de controle, permitindo repasses diretos para governos subnacionais, sem projeto, sem cronograma, sem contrapartida. O resultado é previsível: pulverização ineficaz, sobreposição de iniciativas, estímulo ao clientelismo e opacidade estrutural. O rastreio posterior – quando ocorre – é reativo, fragmentado e de alcance limitado.

 

Nos bastidores, criou-se um mercado paralelo de compra e venda de emendas, com intermediação de agiotas e cobrança de comissões. Prefeitos passaram a depender das verbas liberadas por seus “padrinhos” no Legislativo, e parlamentares se transformaram em executores informais do Orçamento público. Além de esvaziar a autoridade do Executivo e desorganizar as políticas públicas, esse sistema corrompe a lógica eleitoral, ao operar como um fundo de campanha travestido de investimento público.

 

Não se trata de condenar as emendas parlamentares em si. Em democracias maduras, o Legislativo pode e deve participar da formulação orçamentária. Mas em nenhum país sério o Parlamento controla diretamente, sem planejamento central ou prestação de contas robusta, parcelas tão expressivas do orçamento. Na União, as emendas já respondem por quase um quarto dos gastos discricionários.

A exemplo de São Paulo, Estados e municípios reproduzem esses vícios, em geral com ainda menos capacidade institucional para administrar os recursos recebidos. A ausência de plano de trabalho – mesmo após decisão do STF – e a falta de transparência ativa nos portais oficiais revelam não só má gestão, mas desinteresse deliberado em garantir o controle social.

 

É urgente estabelecer, por lei, padrões nacionais obrigatórios de rastreabilidade e prestação de contas, com regras uniformes para todos os entes federativos. As emendas devem ser subordinadas a critérios técnicos, metas de resultado e mecanismos automáticos de bloqueio em caso de descumprimento. A Controladoria-Geral da União, os Tribunais de Contas e o Ministério Público precisam ser fortalecidos para fiscalizar com autonomia. Acima de tudo, a sociedade civil precisa se mobilizar contra a lógica do “dinheiro fácil” que estimula o clientelismo e a corrupção, e esvazia a política de ideias.

 

Recursos públicos não são propriedade privada do parlamentar da vez. São um bem comum, cuja gestão exige integridade, transparência e eficiência. É hora de fechar o cofre da improvisação – e abrir as contas para o cidadão.

Trump ressuscita ‘frente ampla’ de Lula

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Lula da Silva ganhou a eleição presidencial de 2022 por um triz, embalado pela pregação de união nacional em defesa da democracia contra o bolsonarismo. A tal “frente ampla”, contudo, não resistiu a um par de meses de Lula na Presidência: rapidamente, a natureza lulopetista de concentração de poder e de visão econômica perdulária e estatista logo se impôs, traindo os eleitores independentes que foram decisivos para derrotar Jair Bolsonaro. Governando mais do que nunca como petista, Lula vinha amealhando índices medíocres de popularidade e começou a ver seriamente ameaçada suas chances de reeleição em 2026, a ponto de se especular se ele sairia mesmo como candidato. Mas então apareceu Donald Trump.

 

O presidente americano, escoltado por sabujos brasileiros sob a liderança da família Bolsonaro, resolveu interferir diretamente nas eleições do ano que vem, ao punir de modo draconiano ministros do Supremo Tribunal Federal, com a óbvia intenção de coagi-los a desistir do julgamento do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. Foi o bastante para que Lula tirasse de seu baú discursivo a empoeirada bandeira da defesa da democracia – e agora, também, a da defesa da soberania nacional.

 

O presidente do PT, Edinho Silva, deu o tom: em entrevista recente ao Valor, ele falou em reedição da “frente ampla” para eleger Lula, dizendo que, sem a vitória do presidente, “o retrocesso para o Brasil será gravíssimo do ponto de vista da reconstrução das políticas públicas, de um projeto de país, e do risco de abrirmos espaço para o avanço do fascismo”.

 

É preciso reconhecer que Lula seria um tolo se não aproveitasse a oportunidade de ouro que Trump e os Bolsonaros lhe ofereceram de bandeja. “Defesa da democracia” havia se tornado um slogan obsoleto, porque a ameaça de ruptura já foi plenamente neutralizada, e os principais sediciosos estão à beira de uma dura e merecida condenação. Até o ataque de Trump ao Brasil, Lula estava tendo que se haver com o duro cotidiano de um governo com escassez de poder e de ideias, recorrendo até mesmo à nostalgia da luta de classes para tentar reviver suas chances eleitorais. Mas eis que, de uma hora para outra, a truculência trumpista e bolsonarista conseguiu a façanha de dar a Lula ares de líder dos brasileiros contra uma injustificada agressão externa de caráter evidentemente golpista.

 

Se esta crise será decisiva na eleição de 2026, é algo que está no terreno da adivinhação, mas é lícito supor que, se Trump continuar a apertar o torniquete contra o Brasil a pretexto de ajudar Jair Bolsonaro, Lula terá plenas condições de se apresentar no palanque como o campeão da independência brasileira contra os entreguistas bolsonaristas – com chances razoáveis de convencer disso os eleitores decisivos, aqueles que rejeitam tanto o PT quanto Bolsonaro.

 

Aos candidatos que pretendem desbancar Lula em 2026, portanto, é imperativo afastar-se tanto de Bolsonaro quanto de Trump, que são crescentemente tóxicos, por razões sobejamente conhecidas. Conforme atestou recente pesquisa do Datafolha, só 6% dos brasileiros acham que o governo deveria atender às condições impostas por Trump, e quase 60% consideram que o presidente americano está errado ao exigir a anulação do julgamento de Bolsonaro.

 

Compreende-se que alguns dos possíveis candidatos do campo conservador precisam expressar lealdade a Bolsonaro, a quem devem seu sucesso eleitoral, mas já está claro que o ex-presidente não ajudará a conquistar o eleitorado que quase certamente desempatará a eleição, como ocorreu em 2022. Derrotar Lula, assim, passa necessariamente por renegar a truculência trumpista e o golpismo bolsonarista.

 

As urnas não perdoarão quem hesitar entre os interesses dos Bolsonaros e os interesses do Brasil. E a História não perdoará quem permitir, por pusilanimidade, que Lula, posando de super-herói patriota e vingador mascarado da democracia, ganhe mais quatro anos de poder.

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