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Ceará é o sétimo estado mais inovador do Brasil e alcança melhor posição em cinco anos

DIARIONORDESTE

 

O Ceará é o sétimo estado mais inovador do País e assinalou o melhor resultado em cinco anos. A conclusão é do Índice de Inovação dos Estados 2025, divulgado nesta terça-feira (19) pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).  Em 2021, o Estado era o décimo mais inovador do Brasil, passando para a oitava colocação em 2022. No ano seguinte, 2023, caiu para a nona posição e, em 2024, voltou para a oitava. Em 2025, alcançou a sétima, com nota 0,316.

 

Segundo Muchale, é na Sustentabilidade Ambiental que o Ceará ganhou destaque em 2025. "O estado revela um diferencial estratégico, impulsionado pelo protagonismo nacional na geração de energias renováveis. Esses avanços sinalizam um ciclo virtuoso de desenvolvimento sustentável, que pode tornar o estado referência em inovação alinhada à agenda climática", complementa.

 

O Índice de Inovação dos Estados é formado pelo Índice de Capacidades e Índice de Resultados (veja abaixo a classificação do Ceará em todas as categorias). Em Sustentabilidade Ambiental, o Ceará ficou em segundo lugar no País, atrás apenas de São Paulo. 

 

Como funciona o Índice de Inovação

No quesito Capacidades, são avaliados os recursos, estruturas, investimento público em ciência e tecnologia, capital humano, infraestrutura e instituições. Em Resultados, que mensura os efeitos concretos do processo inovador, os subitens avaliados são Produção Científica, Propriedade Intelectual, Empreendedorismo e Sustentabilidade Ambiental.

No Índice de Capacidades, o Ceará alcançou a décima primeira posição. Dentro dele, o subitem de Infraestrutura foi onde o Estado teve a pior colocação, com o décimo sétimo lugar. Já a melhor colocação nesse quesito foi em Investimento e Financiamento Público para Ciência e Tecnologia, com o Ceará na sexta posição.

No Índice de Resultados (Ceará teve o sétimo lugar nesse quesito), a pior colocação foi em Empreendedorismo, com o Estado ocupando a décima sexta posição. Neste quesito, o Estado subiu 11 posições em relação ao ano passado.

O voluntarismo temerário do sr. Dino

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino tomou uma decisão temerária, para dizer o mínimo, ao tentar proteger seu colega Alexandre de Moraes dos efeitos das sanções que lhe foram impostas pelo governo dos EUA em represália a suas determinações no âmbito do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Dino achou que era o caso de usar os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.178, relativa ao desastre ambiental de Mariana (MG), para fazer um manifesto político em nome da defesa da soberania nacional contra os arreganhos do presidente americano Donald Trump. E, ao fazê-lo, o sr. Dino criou uma situação de enorme insegurança jurídica para o sistema financeiro brasileiro. Um feito e tanto para um ministro calouro na história do STF.

 

O caso concreto da ADPF 1.178 diz respeito à legitimidade de municípios brasileiros para propor ações judiciais perante a Justiça do Reino Unido com o objetivo de obter indenizações por supostos danos causados pelo rompimento da barragem de Mariana, ocorrido em 2015. Dino, corretamente, asseverou que “leis estrangeiras, atos administrativos e ordens executivas” emanados do estrangeiro não têm validade no Brasil, salvo quando homologados pelo Judiciário pátrio ou expressamente previstos em acordos de cooperação judiciária internacional. O problema está na instrumentalização da ADPF 1.178 para influenciar outro debate, de altíssima complexidade, envolvendo a sanção imposta pelo governo dos EUA a Moraes nos termos da Lei Magnitsky.

 

O ministro Dino não cita esse diploma legal estrangeiro em sua decisão, mas nem precisava. O objetivo de neutralizá-lo em solo nacional ficou mais do que evidenciado quando o próprio ministro afirmou que, quando da propositura da ADPF 1.178 pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), considerou que “não havia urgência de provimento judicial” de sua parte. No entanto, prosseguiu Dino, ele mudou de ideia ao se deparar com o “fortalecimento de ondas de imposição de força de algumas nações sobre outras”, o que o ministro enxerga como agressões a “postulados essenciais do Direito Internacional”.

 

Ora, como se sabe, a Lei Magnitsky não “vale” fora dos EUA – ou seja, essa lei, como quase todas as outras, não produz efeitos extraterritoriais. Vale dizer, não viola propriamente a soberania de outro país. O que a Lei Magnitsky determina é que pessoas físicas e jurídicas sujeitas à jurisdição dos EUA, estas sim, não podem ter relações comerciais com os sancionados caso queiram manter negócios naquele país. No que concerne à situação de Moraes, bancos brasileiros com operações em dólar ou negócios nos EUA não podem simplesmente seguir tendo o ministro como cliente, ignorando a sanção imposta pela Casa Branca, sob pena de sofrer duríssimas retaliações econômicas e políticas que poderiam, no limite, inviabilizar suas atividades.

 

O uso da Lei Magnitsky para punir Moraes foi uma medida arbitrária e sem qualquer lastro no espírito da lei. Sua instrumentalização caracteriza Donald Trump em estado bruto: um presidente que usa o descomunal poder dos EUA para impor suas vontades – no caso, subjugar o STF para livrar a cara de Jair Bolsonaro. O problema, no entanto, é outro: ao agir para proteger um colega, Dino impôs às instituições financeiras brasileiras uma escolha impossível: desobedecer ao STF e sofrer sanções no Brasil ou desrespeitar a Lei Magnitsky, pondo em risco suas operações nos EUA. Esse risco teve um preço: só nas últimas 48 horas, os maiores bancos do País perderam quase R$ 42 bilhões em valor. Ademais, se havia necessidade de analisar os efeitos da Lei Magnitsky aqui, a questão deveria ter sido apreciada no processo correto, a ação cautelar relatada pelo ministro Cristiano Zanin, instaurada para tratar especificamente desse tema.

 

O voluntarismo de Dino mostra como a tentação de usar o STF como espaço de militância política faz mal ao País. A Corte deveria se limitar a ser a última linha de defesa da Constituição, o que já é muita coisa, não uma central de recados político-ideológicos. Ao transformar a ADPF 1.178 em instrumento para blindar Moraes, o ministro instalou um tumulto jurídico e econômico que ninguém no Brasil, ao menos por ora, sabe como resolver.

CVM vê indícios de crime em aporte de R$ 361 milhões do Banco Master numa clínica em nome de laranja

Por Aguirre Talento / O ESTADÃO DE SP

 

 

BRASÍLIA — Uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou pela primeira vez a suspeita de crimes financeiros na gestão do Banco Master, por meio de investimentos milionários fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos até mesmo em empresas vinculadas à irmã do dono do banco, Daniel Vorcaro

De acordo com a CVM, o Master investiu um total de R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica suficiente para dar retorno a esses investimentos. Essa situação, aponta o relatório, “pode comprometer severamente a solidez patrimonial da instituição financeira”. O Estadão teve acesso, com exclusividade, aos detalhes da apuração sigilosa da CVM.

Procurado, o Master afirmou que esses investimentos “já foram integralmente quitados, não havendo qualquer exposição” (leia mais abaixo).

Segundo a investigação, essas operações podem ter inflado artificialmente o patrimônio do banco para torná-lo mais atrativo em uma negociação no mercado.

Atualmente, o Banco Central analisa uma proposta feita pelo BRB, banco estatal de Brasília, para a compra de 58% do Master, operação que vem sendo questionada pelo Ministério Público do Distrito Federal. Como mostrou o Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não vê com bons olhos o negócio e dentro do BC há uma divisão sobre o caso.

A principal suspeita apontada pela CVM envolve um investimento de R$ 361 milhões em uma pequena clínica médica localizada em Contagem (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte.

A empresa registrou receita operacional de apenas R$ 54 mil ao ano antes de receber os aportes milionários e pertence a uma laranja, de acordo com a inspeção da CVM. Ou seja, para o órgão regulador, a clínica médica está registrada em nome de uma proprietária, que não é a verdadeira dona do negócio e nem a responsável por esses investimentos milionários.

Recepcionista é dona de clínica

A apuração teve início para fiscalizar a atuação da Laqus Depositária de Valores Mobiliários, por meio da qual foram comercializados os títulos de dívidas de empresas no mercado de capitais com o objetivo de captação de recursos.

Os inspetores analisaram a emissão de notas comerciais no valor total de R$ 361 milhões em nome da Clínica Mais Médicos S.A., sediada em Contagem (MG). Os dados financeiros da empresa, entretanto, chamaram a atenção do trabalho de auditoria. A receita operacional bruta da clínica em todo 2023 foi de apenas R$ 54 mil.

“Observa-se, portanto, que o valor total recebido pela empresa a título de pagamento pelas NCs emitidas supera em mais de 6.500 vezes a receita operacional bruta apurada no exercício de 2023”, diz o parecer técnico.

A CVM apontou que a fachada da clínica tem uma estrutura “demasiadamente rudimentar” e não reflete os aportes milionários recebidos. Além disso, o relatório registrou que a sócia da clínica havia trabalhado como recepcionista em outra empresa e vive em um imóvel “notadamente modesto” e incompatível com o aporte milionário recebido pela empresa.

Procurada, a Clínica Mais Médicos S.A. disse em nota que “todas as operações financeiras realizadas com a referida instituição (Master) foram integralmente quitadas, inexistindo qualquer pendência financeira" (leia mais abaixo).

Após analisar os aportes financeiros, a CVM então descobriu que as notas comerciais de R$ 361 milhões emitidas para captar investimentos na clínica tiveram um único investidor: o Banco Master.

A partir dessa constatação, a auditoria identificou outros aportes suspeitos e possíveis vínculos das empresas com a irmã do dono do banco.

De acordo com o relatório, o Master aportou R$ 2,1 bilhões em notas comerciais de dez empresas emitidas pela Laqus no período de 2022 a 2025. Para a CVM, há indícios de que as companhias não tinham capacidade econômico-financeira para respaldar o volume das emissões.

Por causa desses elementos, o parecer técnico aponta indícios de irregularidades nessas operações e diz que inflaram o patrimônio do banco, colocando em risco sua solidez financeira.

“Considerando que o patrimônio líquido do Banco Master S.A. em 31/12/2023 foi de R$ 2.382.446,00 e em 31/12/2024 foi de R$ 4.740.713,00, é razoável afirmar que somente o valor total investido pelo Banco Master, por meio do fundo CITY 02, concentrado nesses poucos emissores, pode comprometer severamente a solidez patrimonial da instituição financeira no caso de inadimplemento dos ativos investidos”, diz o relatório.

Procurada, a Laqus afirmou que cumpriu os requisitos legais nessas transações e disse que não é a responsável direta pela emissão das notas comerciais, apenas a depositária delas. “Temos por obrigação regulatória validar se as transações cursadas em nosso ambiente de depósito atendem aos requisitos legais e infralegais de uma transação legítima de mercado de capitais, que foi o que realizamos para as transações citadas”, disse.

O relatório da CVM conclui que há indícios do envolvimento de diversos agentes do mercado financeiro em um esquema de práticas irregulares e operações fraudulentas nesses aportes do Master. Diz ainda que os fatos “podem indicar a ocorrência de crime”.

Ao final, a Procuradoria Federal Especializada junto à CVM também apontou a existência de indícios de crime. “No estado em que o processo se encontra, e, diante dos elementos de prova e informações existentes, constata-se que, de fato, existem suficientes indícios de conduta tipificada como crime, na forma do art. 4º da Lei 7.492/86”, diz o parecer. O artigo citado define o crime de gestão fraudulenta de instituição financeira, que prevê pena de reclusão de três a doze anos.

A investigação da CVM foi enviada aos órgãos de controle e ao Banco Central, para subsidiar as investigações e discussões sobre a negociação para compra do Banco Master.

Veja a íntegra da nota do Banco Master

“O Banco Master esclarece que não possui relação com a LAQUS Depositária de Valores Mobiliários S.A. e não mantém atualmente operações de crédito com as empresas mencionadas na reportagem.

Os créditos citados, por meio do fundo mencionado, já foram integralmente quitados, não havendo qualquer exposição.

O Banco manifesta surpresa com as alegações, pois nunca foi formalmente solicitado pela CVM a prestar esclarecimentos, e considera inadmissível a abertura de procedimentos com vazamento seletivo de informações à imprensa. O Banco Master adotará todas as medidas cabíveis nas esferas administrativa, civil e criminal para proteger sua imagem e assegurar o devido processo legal."

Veja a íntegra da nota da Clínica Mais Médicos S.A.

“Informamos que a Mais Médicos S.A., integrante de um grupo com mais de 30 anos de atuação no setor de saúde suplementar, possui presença consolidada em diversas regiões do País, por meio de parcerias com hospitais, operadoras e empresas privadas, contribuindo diretamente para a promoção da saúde de milhares de pessoas.

Recentemente, o grupo concluiu a aquisição de uma empresa de porte relevante no segmento, fortalecendo sua atuação estratégica e impulsionando a expansão de suas operações de forma sustentável e transparente.

No que se refere ao Banco Master, esclarecemos que todas as operações financeiras realizadas com a referida instituição foram integralmente quitadas, inexistindo qualquer pendência financeira.

A empresa e o grupo receberam com surpresa os questionamentos apresentados e, por meio de sua assessoria de imprensa, reafirmam o compromisso com a ética, a conformidade regulatória e a transparência que sempre pautaram suas relações institucionais e comerciais."

 

 

 

Sem negros, gays ou judeus: americanos criam complexo de casas exclusivamente para brancos em área rural nos EUA

Por The New York Times — Arkansas, EUA / O GLOBO

 

Nas Montanhas Ozark, no Arkansas, a quase uma hora da cidade mais próxima, um pequeno grupo de proprietários rurais está construindo um complexo exclusivo do zero. Os candidatos à comunidade são selecionados com entrevista pessoal, verificação de antecedentes criminais, questionário sobre herança ancestral e, às vezes, até mesmo fotos de seus parentes.

 

Os dois arquitetos da comunidade — um trompista com formação clássica que transmitiu ao vivo seus próprios vídeos de sexo e um ex-pianista de jazz preso, mas não acusado, por tentativa de homicídio no Equador — dizem que precisam confirmar pessoalmente que os candidatos são brancos antes que possam ser recebidos.

 

"Ver alguém que não se apresenta como branco pode nos levar, entre outras coisas, a não admitir essa pessoa", disse um dos fundadores, Eric Orwoll, que trabalha como acadêmico platônico no YouTube, mas agora está focado em desenvolver 647 mil m² em Ravenden, Arkansas, em uma comunidade estritamente para pessoas brancas e heterossexuais chamada Return to the Land.

A extrema-direita está em ascensão nos Estados Unidos, impulsionada em parte por nacionalistas brancos que exploram as ansiedades econômicas e uma população cada vez mais frustrada com o status quo político.

Agora, com o governo Trump revertendo políticas de diversidade, equidade e inclusão, reprimindo a imigração e oferecendo perdão a supremacistas brancos, alguns veem uma oportunidade. Ao criar a comunidade, os fundadores do Return to the Land estão testando leis de moradia antidiscriminação que estão em vigor há 57 anos.

 

O outro fundador da comunidade, Peter Csere, foi preso no Equador por esfaquear um mineiro e é acusado de roubar dezenas de milhares de dólares de uma comunidade vegana local. Tanto ele quanto Orwoll afirmam acreditar que o Return to the Land atende aos requisitos para uma isenção legal para associações privadas e grupos religiosos que oferecem moradia aos seus membros.

Tim Griffin, o procurador-geral do Arkansas, abriu uma investigação sobre potenciais violações legais por parte da Return to the Land após reportagens sobre a comunidade terem sido publicadas nos jornais The Forward e Sky News. Jeff LeMaster, diretor de comunicação do órgão, disse em um comunicado: "Continuaremos nossa análise deste assunto".

 

ReNika Moore, diretora do programa de justiça racial da União Americana pelas Liberdades Civis, contestou as alegações da dupla de que o empreendimento é legal.

"As leis federais e estaduais, incluindo a Lei de Moradia Justa, proíbem a discriminação habitacional com base em raça, ponto final", disse ela em um e-mail. "Reformular a segregação residencial como um 'clube privado' ainda é uma violação clássica da lei federal".

Representantes do America First Legal, grupo de defesa conservador, não responderam a um pedido de comentário sobre a situação jurídica da comunidade. Representantes da governadora Sarah Huckabee Sanders, do Arkansas, também não responderam a um pedido de comentário.

 

Até o momento, não houve contestações legais ao Return to the Land. Mas John Relman, advogado de direitos civis especializado em violações de moradia justa, disse que o grupo poderia ser processado não apenas com base na Lei de Moradia Justa de 1968, mas também em diversas seções da Lei de Direitos Civis dos EUA de 1866.

"Vocês têm um caso concreto de discriminação intencional", disse ele. "Acho que eles estão enganados quando dizem que estão livres", complementou.

Mas a Return to the Land diz que vê uma abertura em um governo federal que expandiu os limites das leis e normas, especialmente quando se trata de raça.

"O Return to the Land precisa ser combatido enquanto a situação está quente", escreveu Orwoll em uma página de arrecadação de fundos para o grupo, que arrecadou quase US$ 90 mil. No Brasil, com a atual cotação do dólar, o valor ultrapassa os R$ 495 mil.

 

"Eles veem este momento como um momento muito oportuno. Eles veem um amigo na Casa Branca, no mais alto nível", declarou Peter Simi, professor de sociologia na Universidade Chapman, na Califórnia, especialista em violência extremista. "Eles se veem literalmente em vários cargos na administração, incluindo o Departamento de Justiça e o Departamento de Defesa", acrescentou.

O momento, ressaltaram tanto Orwoll quanto Csere, é oportuno.

"Prefiro que o precedente seja estabelecido e a discussão seja travada enquanto houver um clima cultural e jurídico relativamente favorável", disse Orwoll, de 35 anos. "Portanto, se vamos travar esta batalha — e é uma batalha que será travada em algum momento — é melhor que seja agora."

40 moradores e algumas cabras

Return to the Land é o nome tanto do complexo de 647 mil m², que tem cerca de 40 moradores, quanto de uma associação privada à qual Orwoll disse que "centenas" se associaram, pagando uma taxa única de adesão de US$ 25 (R$ 137,50) e sendo aceitas após compartilharem informações online sobre sua origem étnica.

Orwoll e Csere, juntamente com outros três homens, administram uma sociedade de responsabilidade limitada fundada em setembro de 2023. Quase duas semanas depois, compraram o terreno em Ravenden por US$ 237 mil (R$ 1,3 bilhão), segundo registros imobiliários. Os membros da associação podem comprar ações da LLC, atualmente avaliadas em cerca de US$ 6.600 (cerca de R$ 36 mil) cada. Em troca de cada ação, cada um recebe aproximadamente 12 mil m² no complexo.

Inicialmente, os dois receberam a atenção da mídia em seu complexo, ansiosos para atrair novos recrutas e também tráfego para as páginas de doações de criptomoedas e metais preciosos em seu site.

 

Agora, eles estão mais cautelosos.

Orwoll recentemente ofereceu ao The New York Times uma visita guiada limitada, permitindo a entrada na propriedade por um portão com fechadura. Ele sentou-se em uma cadeira dobrável em seu escritório, localizado em um galpão isolado com ar-condicionado e internet de fibra óptica, dois pianos e prateleiras repletas de textos de filosofia. Antes que um fotógrafo pudesse tirar as fotos, ele pegou um exemplar do livro "Mein Kampf", escrito por Adolf Hitler, de uma estante e o virou para esconder a lombada.

 

O complexo parece isolado do resto do mundo. Ravenden é uma pequena cidade com cerca de 400 moradores e uma churrascaria. O supermercado mais próximo fica dentro de um Walmart, a 30 minutos de distância. O mascote da cidade, um corvo, é homenageado por uma estátua de estuque de 3,6 metros na lateral da rua principal.

No complexo, estradas de cascalho irregulares foram escavadas por tratores no terreno acidentado e arborizado. Orwoll exibiu uma elegante cabana branca de dois andares com uma bandeira americana tremulando acima da porta da frente e um centro comunitário em construção que ele espera que um dia sediará jantares e eventos.

Mais abaixo, passando por um riacho, havia um curral com cabras leiteiras, tanto mães quanto filhotes, guardadas por Lucy, uma cadela branca da raça Grande Pirineus, presa a uma longa corrente.

O restante do complexo, disse ele, estava interditado devido à vontade dos moradores. Ele se recusou a dizer quantas cabanas já foram totalmente construídas, mas alguns moradores, garante, já instalaram painéis solares, sistemas sépticos e de água e instalaram geradores de eletricidade.

De Platão a Orania

Orwoll cresceu em La Mirada, Califórnia, nos arredores de Los Angeles, e no ensino médio se considerava um libertário. Estudou trompa na prestigiosa Eastman School of Music em Rochester, Nova York, antes de se mudar para Milwaukee para integrar a orquestra do Shen Yun, a produção musical e de dança clássica chinesa.

 

Embora Orwoll considere o grupo uma seita, ele disse:

"Gostei muito de como eles fizeram as coisas. São muito eficientes. Achei interessante ter um complexo como o deles."

Apesar de nunca ter estudado a filosofia grega formalmente, ele sempre se sentiu atraído pela filosofia grega e, eventualmente, começou a enviar vídeos caseiros sobre Platão e a consciência coletiva em seu canal do YouTube.

Ele atraiu seguidores, incluindo alguns comentaristas que responderam com argumentos sobre as mudanças demográficas nos Estados Unidos. Eles repetiram ideias da chamada teoria da Grande Substituição — uma teoria da conspiração que defende que populações não brancas substituirão pessoas brancas por meio de taxas de natalidade e migração em massa — e pseudociência racista sobre a inteligência humana e sua ligação com a genética, uma ideia amplamente desmascarada por especialistas.

 

Esses comentários, disse ele, começaram a convencê-lo de que os brancos nos Estados Unidos estavam sendo perseguidos e que a estrutura dos Estados Unidos estava se desgastando à medida que sua população não branca crescia.

"Eu fui induzido à pílula vermelha", disse ele, usando um termo para o despertar para uma suposta verdade oculta. "Se nunca tivéssemos tido imigração em massa, se ainda fôssemos uma nação homogênea, não sentiríamos tanta necessidade de formar comunidades como esta", disse ele.

Entre suas reflexões gravadas sobre Platão, ele começou a incluir vídeos sobre as elites nos Estados Unidos e teorias sobre como a genética para cabelos loiros e olhos azuis se espalhou pelo mundo ao longo da história.

Os vídeos chamaram a atenção de Csere, de 36 anos, um pianista de jazz criado em Connecticut. Os dois homens se tornaram amigos online.

“Finalmente, percebi que há um componente genético no QI, e é uma daquelas coisas que as pessoas gostam de fingir que não existe porque é politicamente inconveniente”, disse Csere, repetindo a teoria em uma entrevista no complexo. “Há culturas que inventaram a roda há milhares de anos e há culturas que nunca inventaram a roda até que ela lhes foi dada por outra pessoa.”

 

Ele disse que se interessou por Orania, uma cidade para brancos na África do Sul, fundada no final da era do apartheid, restrita aos africâneres — sul-africanos de ascendência europeia — e que tem sido amplamente ignorada pelo governo sul-africano.

 

Insatisfeito com a vida de músico, Csere disse que começou a buscar algo com "mais significado". Ele primeiro abraçou o veganismo e a "necessidade de se tornar um hippie" e formou uma ecovila no Equador.

A vila, Fruit Haven, acusou publicamente Csere de fraude e roubo em seu site. Em um comunicado, o grupo afirmou que ele fugiu em julho de 2023 com milhares de dólares desviados, e também disse que ele certa vez esfaqueou um mineiro equatoriano, causando-lhe um colapso pulmonar, e foi preso sob uma possível acusação de tentativa de homicídio no Equador. Ele ainda não foi formalmente acusado.

O Times revisou a documentação da prisão, bem como e-mails de membros da comunidade implorando a Csere que devolvesse seus fundos.

Csere, por sua vez, disse que o esfaqueamento foi um ato de legítima defesa durante uma altercação e que deixou o país muitos meses após o incidente. Ele contestou a ideia de que devia dinheiro a algum membro da comunidade.

 

"Eles vêm tentando prestar queixa há muito tempo e não conseguem", disse Csere sobre as autoridades equatorianas. Membros da comunidade estavam "tentando criar drama" discutindo o incidente e alegando que ele lhes devia dinheiro, disse ele.

Homens, mulheres e crianças

Há cerca de uma dúzia de crianças morando no Return to the Land — Orwoll não quis revelar um número exato — e todas são educadas em casa, disse ele.

"Prefiro deixar que os pais eduquem seus filhos como quiserem", disse ele.

Orwoll e sua ex-esposa, Caitlin Smith, têm quatro filhos com idades entre 2 e 8 anos. Morar na comunidade, disse Caitlin , tem sido ótimo para seus filhos porque lhes deu "pessoas com quem brincar em quem podemos confiar".

O casal se conheceu na escola de música — assim como Orwoll, Smith, de 31 anos, natural do interior do estado de Nova York, toca trompa. Antes de terem quatro filhos, o casal fazia vídeos de sexo ao vivo por dinheiro no site pornô Chaturbate.

"Quando eu fazia isso, eu era um niilista moral. Eu ainda não era cristão”, disse Orwoll sobre os vídeos. "Eu tinha uma visão de mundo e um sistema de valores diferentes, e parte da minha justificativa para adotar valores mais tradicionais era ver os erros que cometi quando não os tinha quando jovem."

Caitlin se recusou a comentar os vídeos. De acordo com sua página de perfil, que ainda está visível, juntamente com os vídeos, ela listou uma preferência por homens, mulheres, pessoas trans e casais. No Return to the Land, gays de qualquer raça são proibidos.

 

 

 

 

 

 

Bancos brasileiros temem escalada de tensões entre EUA e STF

Diego FelixJoana CunhaJúlia Moura / FOLHA DE SP

 

O novo desdobramento do conflito entre Brasil e Estados Unidos, que abalou os mercados nesta terça-feira (19) após a sinalização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aos bancos que eventualmente aplicarem sanções financeiras a Alexandre de Moraes, gerou tensão no setor. 

Presidentes e diretores de instituições financeiras ouvidos pela Folha afirmam que o caso atingiu níveis preocupantes e que pode escalar ainda mais. O temor é que os Estados Unidos imponham restrições a essas empresas.

Juntos, os bancos brasileiros perderam R$ 41,3 bilhões em valor de mercado no pregão desta terça, puxados por Banco do Brasil, que caiu 6,02% e Santander, com 4,87%. BTG, Bradesco e Itaú recuaram mais de 3%.

A queda foi registrada um dia após Dino afirmar que a aplicação de leis estrangeiras com potencial de retaliação sobre brasileiros precisa antes passar por validações do próprio Supremo.

Com o ministro Alexandre de Moraes sancionado pela justiça norte-americana na Lei Magnitisky, existe um temor de que bancos brasileiros com operações nos EUA possam sofrer retaliações ao não aceitarem as restrições ao magistrado.

Pelas regras da Magnitsky, Moraes terá bens e ativos congelados nos Estados Unidos. Bancos locais, ou estrangeiros com relações comerciais e com operações utilizando dólar, deveriam, em tese, seguir a mesma tendência, atingindo até mesmo as contas do ministro do STF no Brasil.

Um dos poucos bancos que se manifestou sobre o caso nesta terça-feira (19), o Nubank, disse que ainda não tem um posicionamento oficial sobre o tema e vai avaliar o desenrolar ao longo das próximas semanas.

"Como política institucional, temos um cumprimento absoluto das leis brasileiras e das leis internacionais, mas, nesse momento, não tem nenhuma ação requerida do nosso lado. Em proteção à privacidade dos nossos clientes, também acho que não posso abrir uma outra informação. Mas a gente vai seguir, como sempre, com as regulações internacionais e nacionais e ter os diálogos com as autoridades da melhor forma", disse a CEO do Nubank no Brasil, Livia Chanes, em entrevista coletiva.

Folha tentou contato com outros bancos para ouvir seus posicionamentos institucionais sobre o impasse, mas o tema é considerado delicado por envolver o STF e seus negócios fora do país.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que costuma responder pelo setor como um todo, também não quis se manifestar.

A percepção de um dirigente com décadas de experiência no mercado financeiro é que se trata de um tema geopolítico, e não econômico.

Um ex-presidente de banco com operações nos dois países afirma que a questão é complexa desde o início, quando Trump estabeleceu as tarifas atreladas ao caso do julgamento de Jair Bolsonaro, e que a manifestação de Dino só aprofunda essa complexidade.

Ele afirma que, neste momento, os departamentos jurídicos estão avaliando com perplexidade um cenário que ficou mais incerto, porque além de abranger aspectos políticos e comerciais, cresce a dúvida sobre qual legislação deve ser seguida por um banco que tem filial ou negócios em outros países.

Em uma visão mais prática, um outro presidente de instituição financeira afirma que o ministro Dino não entendeu como a Lei Magnitsky funciona, impedindo que os bancos que atuam nos EUA operem com os indivíduos que são vetados por ela. Em sua avaliação, não existe um tema jurisdicional envolvido.

ECONOMISTAS EM SINTONIA

Na leitura de analistas consultados pela reportagem, os bancos privados seguirão sofrendo enquanto o cabo de guerra entre o governo Lula e Donald Trump não for finalizado, com o mercado fugindo do risco.

Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, afirma que os bancos com negócios nos Estados Unidos, como BTG, Itaú, Bradesco, Santander, Banrisul, além de outros médios, vão seguir a Magnitsky em algum momento, com fechamento de contas, cancelamento de cartões, seguros e resgate de fundos. Para ele, os bancos estão precificando qual impacto será maior na operação —se terão suas operações lá fora comprometidas, ou se vão receber o equivalente a uma "multa do Procon".

"O que pode acontecer daqui para frente é pressão interna do Supremo Tribunal em cima das instituições, colocando multas diárias, cobrando que os bancos têm que deixar as contas abertas, porque estão seguindo orientações externas. Só que eles estão vinculados ao sistema Swift, com operações e sedes de operações nos Estados Unidos. Então, o impacto é muito maior de você descumprir a Magnitsky do que tomar uma chamada", disse Queiroz.

Para os próximos dias, a tendência é que o mercado siga respondendo com aversão ao risco e os bancos devem patinar na B3. O referencial, neste momento, é uma multa recebida pelo banco francês BNP Paribas, em 2014, que descumpriu medidas da Lei Magnitsky, por manter relações com Cubairã e Sudão —todos com embargo de relações com os EUA— e teve de pagar US$ 8,9 bilhões.

"Estamos falando de R$ 50 bilhões, mais ou menos 15% a 20% de market cap [valor de mercado] na média desses bancos. A gente deve ver um ajuste das ações procurando esse referencial [da multa imposta a um banco], as ações vão cair até esse percentual e depois vão acompanhando os desdobramentos", completou Queiroz, da L4 Capital.

A dúvida do mercado neste momento reside principalmente sobre até onde vai a sangria do Banco do Brasil, atualmente com uma queda de 17,2% no ano e extremamente prejudicado pelos balanços recentes. Procurado, o BB não se posicionou sobre a desvalorização das ações, mas disse em nota que "atua em plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro."

Por ser um banco com parte estatal, a expectativa é que a instituição sofra de uma paralisia em meio à guerra comercial e amplie o efeito de desvalorização na Bolsa.

"O mercado tende a penalizar ainda mais as instituições públicas em ambientes como o atual. No caso do Banco do Brasil, o resultado trouxe muitas surpresas. Além dos ajustes de posições relacionados ao cenário interno da instituição, a sanção da lei torna-se ainda mais questionável dentro de um banco público. Por isso, acredito que o Banco continuará sendo mais pressionado do que os demais nesse contexto", disse João Sá, cochefe de investimentos da Arton Advisors.

Eduardo Grübler, gestor da AMW (Asset Management by Warren), avalia que os investidores iniciaram nesta terça um movimento de liquidação para diminuir prejuízos e reequilibrar suas posições. Para o Banco do Brasil, que está em outro contexto de crise, o deslize de hoje é mais um episódio do já complicado cenário do banco.

"Sempre pode ficar pior. Isso é complicado, mas eu acredito que os principais fatores de risco já estão devidamente precificados. Não quer dizer que não possa aparecer coisas novas, sempre pode. Mas agora a gente teve mais um evento bastante relevante negativamente para o Banco do Brasil e não vejo novas surpresas nesse curto prazo", disse Grübler.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa, a desvalorização dos bancos nesta terça é condizente com o que ele chama de novo capítulo da tensão entre Brasil e Estados Unidos.

"Cria uma grave incerteza regulatória para os bancos, que ficam em uma situação delicada, tendo que conciliar ordens de autoridades brasileiras com exigências de tribunais estrangeiros. Uma eventual escalada também acirraria o risco de sanções. É uma questão bem delicada que vai exigir bastante do setor bancário", disse Arbetman.

O analista de bancos da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, observa que a caça ao Pix por parte do governo norte-americano também deve ser um componente a mais nesse cenário de dificuldades pelos quais as instituições financeiras vão passar nos próximos dias.

"O impacto de uma pessoa é insignificante para os bancos. Mas pode ser que a retaliação aumente, usando o assunto do Pix e os bancos poderiam ter mais dificuldades para trabalhar em âmbito internacional", observou o analista.

Colaborou Tamara Nassif

Ações de bancos caem após Dino sinalizar punição para instituições que aplicarem sanção a Moraes

Matheus dos Santos / FOLHA DE SP

 

 

As ações de bancos brasileiros registraram forte queda nesta terça-feira (19) após o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), sinalizar a possibilidade de punir instituições que aplicarem sanções financeiras contra Alexandre de Moraes, seu colega de corte.

A desvalorização puxou o desempenho da Bolsa brasileira, que fechou em queda de 2,10%, a 134.432 pontos. A maior queda do setor bancário foi do Banco do Brasil, que despencou 6,02%, seguido de Santander (-4,87%), BTG (-3,48%), Bradesco (-3,42%) e Itaú (-3,04%).

As quedas ocorrem dias após a temporada de divulgação de balanços dos bancos.

Dino afirmou na última segunda (18), em uma decisão concedida em ação sobre o rompimento da barragem de Mariana (MG), que ordens judiciais e executivas de governos estrangeiros só têm validade no Brasil se confirmadas pelo Supremo.

A eventual punição aos bancos passou a ser considerada no STF após ministros terem uma rodada de conversas com banqueiros sobre as ações do governo Donald Trump contra Moraes e considerarem a resposta insatisfatória.

Moraes foi sancionado em julho com o uso da Lei Magnitsky, dispositivo da legislação americana usado para impor sanções econômicas contra indivíduos envolvidos em corrupção ou violações de direitos humanos.

Por meio da lei, o governo americano determina o congelamento de qualquer bem ou ativo que a pessoa sancionada tenha nos Estados Unidos e também pode proibir entidades financeiras americanas de fazerem operações em dólares com ela.

A medida incluiria o uso das bandeiras de cartões de crédito Mastercard e Visa, por exemplo. Os efeitos para as transações de Moraes em reais no Brasil ainda estão sob análise dos bancos.

A avaliação dos ministros do Supremo após a conversa com banqueiros foi a de que nenhum deles garantiu que as sanções financeiras não seriam aplicadas contra o ministro no Brasil, apesar de as restrições impostas até o momento se restringirem às transferências para o exterior.

A decisão de Dino gerou ainda mais incerteza no mercado sobre possíveis punições contra bancos que operam no Brasil, impactando o desempenho das ações.

Segundo Rodrigo Marcatti economista e CEO da Veedha Investimentos, a situação coloca o setor em uma encruzilhada. "Os bancos, por terem operações no exterior, podem enfrentar diferentes riscos, como o de atender uma ordem do Supremo e lidar com multas que comprometam seus negócios [no mercado internacional]".

Para Hulisses Dias, sócio da Beginity Capital e especialista em investimentos, a decisão de Dino gerou apreensão entre investidores ao levantar dúvidas sobre conflitos de jurisdição e sobre o cumprimento de normas internacionais.

"Como o cenário ainda é incipiente, é difícil antecipar desdobramentos concretos, mas não se descarta questionamentos sobre a integração das instituições brasileiras ao sistema financeiro global", afirma.

Donato Souza, advogado especialista em direito bancário, diz que a medida pode expor as instituições financeiras a sanções e multas ou a perda do acesso ao sistema Swift. "A reação do mercado era previsível, uma vez que a insegurança jurídica nesse contexto afeta contratos, governança e eleva o custo do capital", afirma.

Os bancos mencionados foram procurados, mas a maioria não respondeu até a publicação desta reportagem.

Em nota, o Banco do Brasil, responsável por pagar os salários dos ministros do STF —entre eles, de Alexandre de Moraes—, disse "atuar em conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro".

A instituição também afirmou estar preparada para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais.

O Bradesco, a Caixa e o BTG disseram que não irão comentar o tema.

 

 

 

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