MATERIAS PARA O PROGRAMA EDVAR XIMENES 06 NOVEMBRO DE 2025. OS DESTAQUES QUE SERÃO NOTICIAS STF FECHA O CERCO CONTRA FAMÍLIA BOLSONARO E DEVE ENCERRAR O MÊS COM JAIR PRESO E EDUARDO RÉU MUITAS DENÚNCIA COMPROVA NECESSIDADE DE ATAQUE AO CV COP30 MOBILI
Por Redação / O ESTADÃO DE SP
ENVIADOS ESPECIAIS A BELÉM - A estrutura da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-30) nem estava completamente montada (ainda havia torneiras e internet sem funcionar), mas a maratona de negociações começou nesta quinta-feira, 6. A largada foi com as reuniões dos chefes de Estado em Belém, que precedem a cúpula da ONU contra o aquecimento global.
O encontro foi marcado por ausências - nada de Donald Trump (EUA), Xi Jinping (China) ou Narendra Modi (Índia), por exemplo -, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu dos colegas presentes algumas promessas de verba para o fundo de proteção de florestas. Arrecadar dinheiro para essa iniciativa é a principal aposta do governo para evitar um fiasco na cúpula do Pará.
Lula também cobrou mais prioridade para a pauta verde, em especial a transição energética. O governo, porém, tem sido cobrado para fazer sua própria lição de casa, se até o combustível usado pelos ônibus da COP ajuda a poluir a atmosfera.
Veja destaques do dia:
Fundo de florestas supera US$ 5 bi
Noruega, Indonésia e França se juntaram ao Brasil e fizeram os maiores investimentos no fundo de proteção de florestas: US$ 3 bilhões (R$ 16 bilhões), US$ 1 bilhão (R$ 5,35 bi) e € 500 milhões (R$ 3,1 bi), respectivamente. A ideia da iniciativa é remunerar os países que protegem florestas, a exemplo do Congo, da Colômbia e do próprio Brasil.
O governo Lula já havia feito aporte de US$ 1 bilhão, ao lançar o fundo, o que fez o fundo de florestas atingir metade da meta do governo para a COP (US$ 10 bi).
Holanda e Portugal fizeram doações pequenas, mas Reino Unido (que atraiu grande parte dos holofotes com a participação do príncipe William) e Finlândia fecharam os cofres para o fundo, que se chama TFFF. O Brasil promete uma mobilização corpo a corpo para conseguir mais verba e espera anúncio da Alemanha para esta sexta-feira, 7. LEIA MAIS AQUI.
E, para saber mais sobre as outras cinco propostas que Lula quer levar para os outros chefes de Estado até esta sexta, LEIA AQUI.
Sem água e sem conexão
Obras inacabadas, banheiros sem água e falhas na conexão de internet. Esses são alguns dos problemas de infraestrutura observados no primeiro dia da Cúpula dos Líderes. Na chamada Zona Azul, onde ocorrerão as negociações: também chamam a atenção os preços altos de bebidas e comidas (tem água a R$ 25).
Secretário da COP-30, Valter Correia disse que as obras ainda em andamento na Zona Azul da COP-30, já usada pela cúpula de líderes, “não são estruturais” e que os ajustes eram “previstos”.
Segundo ele, faltam apenas detalhes, como pinturas. Ele disse que elas devem terminar ao longo do fim de semana - a cúpula climática começa oficialmente na segunda-feira, 10. LEIA MAIS AQUI.
Diesel de ônibus sob críticas
Com tanto discurso sobre transição energética, o uso do diesel coprocessado da Petrobras em geradores de energia e frotas de ônibus da COP-30 não pegou bem. A Frente Parlamentar Mista do Biodiesel criticou a escolha do combustível para ser vitrine de transição energética no evento: “circo ilusório pintado de verde”.
O diesel S10 que a Petrobras usará na COP é produzido a partir do petróleo e tem 10% de conteúdo renovável inserido por meio de coprocessamento. Procurada, a Petrobras não falou. LEIA MAIS AQUI
Príncipe se molha - mas ganha perfume
O príncipe de Gales, William, não trouxe dinheiro para o fundo de florestas, mas foi alvo de holofotes. A cena foi quase britânica, exceto pelo local. Protegido por guarda-chuva preto, ao lado do premiê Keir Starmer, herdeiro do trono se molhou com a chuva - não a londrina, mas uma pancada d´água tropical.
No fim do evento no Museu Emílio Goeldi, um dos cartões-postais de Belém, ele teve até um encontro com uma fã e ganhou um perfume de ervas de presente.
E para conhecer mais sobre a re.green, empresa de recuperação ambiental que ganhou o Earthshot Prize, prêmio para iniciativas sustentáveis do príncipe, LEIA AQUI.
/CARLA MENEZES, FELIPE FRAZÃO, IANDER PORCELLA, JÚLIA PEREIRA, KARLA SPOTORNO, LUCIANA DYNIEWICZ, MATEUS MAIA, PAULA FERREIRA, RENAN MONTEIRO e WILTON JUNIOR
Brasil é exemplo do que não deve ser feito em política industrial
Por Editorial / O GLOBO
A Zona Franca de Manaus — Foto: Divulgação / Suframa
Defensores do protagonismo do Estado no desenvolvimento econômico têm chamado a atenção para a mudança recente de curso em países antes reticentes ao dirigismo estatal. Programas de incentivo adotados por Japão, Estados Unidos e Europa têm sido citados como evidências do êxito da nova onda intervencionista. Mas, por mais que possa haver algum mérito em certas políticas industriais mundo afora, no Brasil elas têm fracassado com consistência tão regular quanto as estações do ano, as fases da Lua ou os ciclos das marés. Por aqui, o neodesenvolvimentismo não tem nada de novo.
Em seu último relatório sobre perspectivas globais, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cita o Brasil como exemplo do que não se deve fazer para desenvolver a indústria local, contrastando práticas brasileiras às da Coreia do Sul. De barreiras tarifárias e incentivos tributários à criação arbitrária de estatais em setores tidos como estratégicos, a política industrial brasileira tem sido pródiga em equívocos e rarefeita em sucessos. O exemplo mais eloquente é a Zona Franca de Manaus. Empresas recebem bilhões em incentivos, mas quase nada vai para a bioeconomia, vocação natural da região. Em vez disso, funciona longe dos centros de consumo uma indústria de motocicletas, TVs, aparelhos de ar condicionado e outros eletrônicos.
E esse está longe de ser o único caso de incentivo que gera muita distorção com resultado pífio para a sociedade. Da proverbial (e inútil) fábrica de chips aos pacotes recorrentes de salvação da indústria automotiva, a generosidade do Estado brasileiro tem sido enorme. De 2019 a 2024, cerca de R$ 790 bilhões foram destinados a setores específicos da economia, cifra equivalente a 1,4% do PIB, segundo estudo recente do economista Bruno Carazza, da Fundação Dom Cabral. Muito pouco se traduz em inovação, ganho de produtividade e crescimento. De modo geral, os benefícios são distribuídos a programas sem data para terminar, sem metas quantificáveis, sem compromisso de investimento mínimo em inovação e sem análises ao longo do tempo. Uma vez agraciado, um setor só precisa fazer lobby no Congresso para manter os benefícios de forma indefinida. Nessas horas, não faltam demagogos falando em defesa dos empregos em perigo. Todo esse faz de conta explica por que a economia brasileira está há décadas no pelotão retardatário da corrida global.
Em seu estudo, Carazza destaca que outra característica brasileira é volatilidade das regras. Sete em dez regulações avaliadas foram modificadas. “Mudanças não vêm acompanhadas de diagnósticos, avaliações e estimativas que justifiquem a sua implementação”, afirma. Dois terços dos incentivos tributários foram criados “sem a identificação de um órgão da estrutura federal para acompanhar a sua implementação e resultados”. Com tanta desorganização, não há como esperar resultado positivo.
A motivação é outra
Por Merval Pereira / O GLOBO
A insistência da direita em classificar de “terrorismo” as ações do crime organizado no país tem seu lado eleitoreiro, mas inclui também uma visão estratégica que parece inteligente até que seja revelada estúpida. Trata-se de conseguir a adesão dos Estados Unidos para o combate ao que chamam de “narcoterrorismo”. É o mesmo que pretendiam com os militares, em nível interno, com a decretação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) depois da baderna golpista de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Ou com a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que culminou com o tarifaço contra a economia brasileira, em busca da proteção a Bolsonaro por Trump, como queriam.
Procuram brechas legais para justificar uma intervenção que, imaginam, os beneficiaria. Se não fosse assim, o que o governador do Rio, Cláudio Castro, ganha em insinuar ajuda do governo americano no combate às drogas? O exemplo que dão é a Colômbia, mas, naquele caso, houve um acordo oficial entre os governos dos Estados Unidos e da Colômbia, e havia explicação técnica para a intervenção americana. As Farc, grupo terrorista que atuava naquele país, se financiava com o dinheiro do tráfico de drogas, num movimento de retroalimentação que juntava o terror com o tráfico.
Embora as facções criminosas brasileiras tenham nascido de uma estranha combinação aleatória entre guerrilheiros políticos brasileiros presos na Ilha Grande e traficantes, as táticas eventualmente aprendidas e a organização da ação foram o que restou da influência política, e um lema populista “Paz, justiça e liberdade”, em desuso há muito tempo. Não há nenhum vínculo político, religioso, dogmático que justifique a ação de nossos pretensos terroristas, a não ser ganhar dinheiro com atividades ilegais, sejam elas quais forem: drogas de vários tipos, jogos de azar, “gatonet”, construções ilegais e assim por diante.
A questão da segurança pública já deveria ser tratada como prioritária há muito tempo — e não foi por estratégias políticas rasas. Vários governos, de esquerda ou direita, passaram pelo problema e fingiram que não era com eles. Jogaram para cima dos governos estaduais, alegando que assim cumpriam a Constituição. Mas não queriam mesmo é estar próximos de um possível fracasso no combate ao crime organizado. Perdemos, com isso, um tempo enorme. Não fizemos uma legislação adequada, permitimos que as facções criminosas se fortalecessem e se espalhassem pelo país, dominando territórios; não punimos rigorosamente os envolvidos no tráfico de drogas, de armamentos; deixamos que eles se infiltrassem na política, no Judiciário e em órgãos públicos.
Agora, temos de tentar recuperar o atraso, com uma ação muito mais ampla do que simplesmente invadir comunidades. No Complexo do Alemão, vimos a cena histórica dos traficantes fugindo, e a polícia colocando uma bandeira nacional. Em todos os locais, os bandidos voltaram, continuam dominado os mesmos territórios.
Temos de fazer uma reformulação completa na legislação criminal. Não pode haver progressão de regime penal para criminoso perigoso envolvido em ações letais; o tratamento com os criminosos precisa ter proporção. Perdemos tempo com uma política de complacência com o crime, atribuindo tudo à injustiça da sociedade brasileira — o que é verdade, a desigualdade prejudica a cidadania e faz com que algumas pessoas procurem um caminho aparentemente mais fácil para subir na vida.
Mas não é matando que se resolve, embora confrontos armados sejam inevitáveis. Resolve-se com legislação rigorosa, ação de inteligência, informação sobre quem financia os crimes, exemplos vindos de cima, prisão dos financiadores. Tem havido alguns avanços recentemente, mas as ações precisam ser coordenadas. Os governadores fazem politicagem quando rejeitam a coordenação do governo federal. Alguém tem de coordenar. Afinal descobrimos que deixamos o problema se tornar muito maior no país todo — e teremos de atuar mais rigorosa e organizadamente.
PCC construiu distribuidora para adulterar combustíveis no Norte e Nordeste
Por Yago Godoy / O GLOBO
Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) construíram uma distribuidora de combustíveis no Nordeste para operar o esquema a de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins. A informação consta na investigação que resultou na Operação Carbono Oculto 86, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil do estado do Piauí. Ao menos quatro empresários e 70 empresas estavam entre os alvos da ação. Ao todo, 49 postos foram interditados e foram apreendidos imóveis, uma aeronave, veículos de luxo e ativos financeiros.
— Essa operação é um marco histórico, porque é a primeira vez que nós tivemos um braço financeiro do PCC, a Faria Lima, investindo no Nordeste para lavar dinheiro. Aqui, nós percebemos que estava sendo montado uma grande operação de distribuição de combustíveis adulterados, inclusive com a criação de uma distribuidora na estrada entre Teresina e Altos, que serviria para jogar combustível adulterado para todo o Nordeste — explicou o secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas.
De acordo com a investigação, os estabelecimentos são ligados a empresários locais e operadores financeiros citados na Operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo, pela Polícia Federal, em agosto. O grupo teria utilizado empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para fraudar o mercado de combustíveis e movimentar cerca de R$ 5 bilhões.
— A origem dos recursos era estranha, de São Paulo, e os proprietários eram de lá. Havia um receio de que a origem fosse ilícita, mas não havia certeza. Com a deflagração da Carbono Oculto em São Paulo e a certeza que esses recursos eram originários do PCC, identificamos que os atores envolvidos lá eram os mesmos das operações no Piauí — afirmou o secretário.
As investigações foram iniciadas após a venda da rede de postos de combustíveis "HD", um conglomerado com unidades no Piauí, Maranhão e Tocantins, em dezembro de 2023. A compradora foi a empresa Pima Energia e Participações, criada apenas seis dias antes da realização do negócio. A polícia apontou inconsistências patrimoniais, alterações societárias e empresas criadas com endereços na Avenida Paulista (SP).
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Lei antifacção precisa ter tramitação célere
Por Editorial / O GLOBO
É necessário que as autoridades e a classe política prestem atenção ao apoio da população fluminense à megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha. A incursão conquistou aprovação de 64% dos moradores do estado, de acordo com pesquisa Quaest (apenas 27% disseram desaprová-la). É significativo também que 85% se declarem a favor do aumento de penas para homicídios cometidos por integrantes de facções criminosas (somente 10% se dizem contra). Trata-se de uma demonstração inequívoca de que a população não aguenta mais ser subjugada por facções e milícias que tomaram extensões significativas do território.
A população espera que o Estado cumpra seu papel: combater essas organizações em seus redutos. Não há outra maneira de retomar os territórios, pois elas não sairão por vontade própria. A apreensão de quase cem fuzis dá uma noção do arsenal escondido nessas trincheiras. Os criminosos estão tão bem equipados que usaram drones para lançar bombas nos policiais, sem falar nas câmeras que monitoram a movimentação das tropas.
É, por tudo isso, positivo o projeto antifacção, enviado pelo Planalto ao Congresso na sexta-feira, aumentando punições e facilitando as investigações. Entre outros pontos, ele cria a figura jurídica da “facção criminosa qualificada”, com pena de oito a 15 anos de prisão (em caso de homicídio, pode chegar a 30 anos), prevê monitoramento de conversas em presídios com autorização judicial e cria um banco de dados nacional sobre facções. É medida que já deveria ter sido tomada há muito tempo, mas que só deslanchou depois da megaoperação e dos inevitáveis impactos políticos em Brasília.
É fundamental uma tramitação célere, diferentemente do que acontece com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança (ela enfrenta resistência de parlamentares e governadores, receosos de interferência federal). O projeto antifacção não deve encontrar objeções, pois imagina-se ser de interesse dos parlamentares endurecer a legislação.
É essencial que o arcabouço legal dê ao Estado instrumentos adequados para enfrentar as organizações criminosas. Seria, porém, um erro equipará-las a grupos terroristas, como sugere outra proposta legislativa, encaminhada pela oposição. Embora as facções disponham de armamento pesado e organização paramilitar, não têm o caráter político, ideológico ou religioso que motiva o terrorismo. Isso não significa que a proposta da oposição não tenha méritos. Vários de seus pontos merecem ser avaliados, como punições ao uso de armamento de guerra (caso de fuzis e granadas) ou a barricadas e outras medidas de controle de territórios.
Por fim, por mais que mudanças na legislação sejam importantes, derrotar as facções do narcotráfico exigirá mais. Depois de retomar o território, o Estado tem de se fazer presente nas comunidades oferecendo serviços não apenas de policiamento, mas também de saúde, educação, urbanização ou transporte, como revelam experiências internacionais bem-sucedidas. Desbaratar as facções criminosas exige também asfixiá-las por meio de investigações financeiras robustas (como a recente Carbono Oculto, contra o PCC). O Brasil pode ter acordado tarde para o problema, como evidencia o clamor captado nas pesquisas. Mas tem plenas condições de vencer a guerra.
Disputa política trava cooperação contra o narcotráfico
EDITORIAL DA FOLHA DE SP
Além de resultar em morticínio recorde e avanços duvidosos no combate ao narcotráfico, a Operação Contenção, promovida no Rio de Janeiro, expôs entraves de difícil solução para a cooperação entre diferentes órgãos e entes federativos na segurança pública.
Já no dia da intervenção policial, o governador Cláudio Castro (PL) reclamou de alegadas negativas de colaboração por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça, respondeu de modo insensato, recomendando que o estado, se não tivesse condição de combater a criminalidade, pedisse intervenção federal.
É cristalino que o avanço de facções criminosas no território nacional e mesmo no exterior exige mobilização de todos os níveis de governo. Fazê-lo, porém, depende da superação de obstáculos institucionais e políticos, dos quais a altercação entre Rio e Brasília é apenas uma amostra.
Idealmente, deveria haver clareza na legislação sobre como integrar os esforços não apenas das polícias federais e estaduais, mas de agências como controladorias, Receita Federal e Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) —o aspecto econômico-financeiro, afinal, deve ser central no cerco ao narcotráfico.
O Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado por lei em 2018, foi iniciativa nesse sentido, mas não saiu do papel. Agora o governo petista tenta colocá-lo na Constituição, o que por ora dificilmente dará em algo palpável.
Com a aprovação da população do Rio atestada pelo Datafolha, a Contenção se tornou bandeira da direita nas campanhas do próximo ano. Já Lula a qualificou como "matança" nesta terça (4).
O embate, mais estridente agora, reflete diferenças ideológicas enraizadas. A maioria dos governadores do centro-sul do país, com grande influência no Congresso Nacional, é adepta do endurecimento da ação policial —num exemplo, projeto na Câmara dos Deputados visa qualificar as facções como terroristas, para combatê-las como tal.
Esses setores têm grande desconfiança de propostas que visam coordenar forças, por medo de que seja sacrificada a autonomia dos estados. Acusam ainda o governo federal de leniência com o crime por visões de esquerda —e Lula não se ajudou ao declarar que traficantes também são vítimas de usuários, frase desastrada pela qual se desculpou.
Os entraves são muitos, mas não impedem mostras bem-sucedidas de ações integradas do poder público. A recente Operação Carbono Oculto, que apurou a infiltração de facções no setor de combustíveis, uniu Receita, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo e PM local.
Autoridades não precisam esperar leis para unir esforços, e legisladores devem buscar ao menos denominadores comuns em propostas capazes de dar ao Estado maior capacidade de ação contra o narcotráfico que oprime comunidades inteiras. Que a comoção causada pela tragédia no Rio favoreça esse entendimento.

