Admirável mundo novo Somos pequenos e diminuímos nas últimas décadas por falta de li
William Waack, O Estado de S.Paulo
19 Julho 2018 | 03h00
É uma pena, e ao mesmo tempo um péssimo sinal, o fato de temas de política externa terem tão pouca importância no debate político eleitoral no Brasil, país ao mesmo tempo abençoado e amaldiçoado pela enorme distância que mantém de qualquer conflito internacional relevante. Abençoado, pois ninguém aqui vai dormir hoje preocupado em saber se um ente querido vai matar ou morrer num conflito armado (não estou considerando a guerra interna brasileira como conflito armado clássico). Amaldiçoado, pois a imensa maioria da população – e os políticos em geral – não tem a menor percepção da natureza, abrangência e alcance de grandes contenciosos lá fora.
Nada mais espanta
Não só não espanta como sequer surpreende. Se o Brasil é a terra dos contrastes e contradições, como já foi classificado, o Rio de Janeiro é a sua capital, onde o absurdo e o paradoxo são lugares-comuns. Aqui, o desvio é norma, o crime, uma rotina e o caos urbano, o pão nosso de cada dia. Em cinco meses, a intervenção federal, que veio para resolver a questão da segurança, não só não conseguiu, como permitiu que casos graves tenham aumentado. Também no Rio, um assassinato que chocou a população e mobilizou até a ONU, exigindo sua elucidação, torna-se, 120 dias depois, apenas um refrão inútil e sem resposta das autoridades: “Quem matou Marielle?”
As tungas dos sindicalismos
Quem leu a reportagem de Philipe Guedes constrangeu-se. O Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança e ao Adolescente cobrava uma “taxa negocial” aos seus 40 mil filiados, e quem não quisesse pagá-la deveria ir à sua sede para carimbar um documento. As vítimas tiveram três dias para cumprir a exigência, e o resultado foi a formação de uma fila de quase um quilômetro nas ruas vizinhas à sede do Sitraemfa.
Com zika e crise no país, mortalidade infantil sobe pela 1ª vez em 26 anos
Pela primeira vez desde 1990, houve aumento na taxa de mortalidade infantil do Brasil em 2016, e a tendência é que o índice de 2017 também se mantenha acima do registrado em 2015.
A epidemia do vírus da zika e a crise econômica são apontadas pelo Ministério da Saúde como causas do crescimento. A primeira, pela queda de nascimentos (o que traz impacto no cálculo da taxa de mortalidade) e de mortes de bebês por malformações graves.
Rio teve mais de 4 mil tiroteios em cinco meses de intervenção
Renata Batista, O Estado de S.Paulo
15 Julho 2018 | 20h46
RIO - No dia em que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro completa cinco meses, balanço divulgado pela organização Fogo Cruzado, mostra que o número de tiroteios e disparos na cidade no período foi quase 37% maior do que nos cinco meses anteriores.
De acordo com a organização, que trabalha com informações coletadas por usuários, imprensa e pelas polícias, foram registrados 4.005 tiroteio e disparos entre 16 de fevereiro e hoje, contra 2.924 entre 16 de setembro de 2017 e 15 de fevereiro desse ano. Desse total, 690 episódios (17%) contaram com a participação de agentes de segurança, contra 316 (11% do total), verificados nos cinco meses anteriores.
Ciro Gomes já elogiou ‘retidão e decência’ de Temer
Coluna do Estadão
15 Julho 2018 | 05h30
Em pré-campanha ao Planalto, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) já chamou Michel Temer de “golpista”, “chefe de quadrilha” e afirmou que o presidente “será preso”. Mas essa relação nem sempre foi assim. As notas taquigráficas da Câmara dos Deputados revelam que, em 15 de dezembro de 2009, Ciro tinha outra opinião. “Vossa Excelência é um constitucionalista respeitado, um eminente jurista, além de político respeitabilíssimo”, disse ao então presidente da Câmara, Michel Temer. Eles debatiam um projeto que tratava do monopólio do petróleo.


