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‘Mil dias de tormenta’, de Bernardo Mello Franco, traz lufada de ar a ambiente político fétido

RIO - Perto de se aposentar como colunista político, o jornalista e escritor norte-americano William Safire (1929-2009) ofereceu aos leitores um conjunto de dicas para ajudá-los a interpretar criticamente a obra de seus iguais. Elencou uma dúzia de regras para orientar a leitura de colunas políticas, em texto publicado em 24 de janeiro de 2005, resumido poucos dias depois por Elio Gaspari na imprensa brasileira. A mais valiosa das dicas dizia que o leitor deveria se questionar sempre sobre qual fora a fonte do texto e a quem ele poderia beneficiar. Essa seria a baliza mais segura para sopesar os argumentos apresentados.

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População miserável vive esquecida pelo estado em favela nascida nas Olimpíadas

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Enzo, de 5 anos, morador de uma das áreas mais carentes da Cidade de Deus, virou Batman pelas mãos do artista Jorge Gomes: projeto social melhora autoestima de crianças e oferece cursos profissionalizantes - Agência O Globo / Fabiano Rocha
RIO — Nas profundezas da Cidade de Deus, que tem um dos IDHs mais baixos do Rio, existe um lugar ainda mais esquecido pelas autoridades. A “favela da favela”, que surgiu no conjunto habitacional após a Olimpíada de 2016, é chamada pelos próprios moradores de brejo. Os vizinhos a conhecem como Guaranys, porque cresceu às margens da Estrada Comandante Guaranys. Diante de barracos de madeira tão precários que colocam em risco a vida de cerca de 2.500 pessoas que moram lá, de um altíssimo índice de desempregados e de muitas crianças fora da escola, a Defensoria entrou com uma ação civil pública e a Justiça determinou que fosse realizada uma perícia na localidade que sofre pela total falta de uma infraestrutura mínima.
 

Para evitar uma tragédia, a população da comunidade criou regras rígidas que inviabilizam até o uso de um simples chuveiro elétrico. Por serem frágeis e feitas com poucos recursos, as casas estão sujeitas a incêndios. Como aconteceu há uns dois anos, quando um curto-circuito numa das residências quase destruiu outras quatro e, por pouco, não transformou tudo em cinzas. Hoje, toda a área, que abrange as ruas do Céu, do Amor e da Portelinha, só recorre ao “gato” — ligação clandestina — para ter o básico: água e luz.

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Sonda estuda asteroide ‘sabor chocolate’

Nosso reflexo é pensar nos asteroides apenas como imensos pedregulhos espaciais, mas na verdade eles são como sorvete -vêm em sabores, de acordo com sua composição. E estamos prestes a aprender muito mais sobre o mais comum desses sabores — o chocolate dos asteroides — com a sonda japonesa Hayabusa2.

Como o nome sugere, ela é a segunda de sua linhagem. A Hayabusa original (o nome significa “falcão peregrino”) voou entre 2003 e 2010, numa missão tão dramática quanto espetacular.

Seu objetivo era chegar ao asteroide Itokawa, pousar, colher amostras, decolar e então trazê-las de volta à Terra. Agora, pense em tudo que pode dar errado nisso aí. Uma boa parte do que você imaginou aconteceu. Mas mesmo assim, aos trancos e barrancos, a Hayabusa conseguiu trazer uns farelinhos do Itokawa de volta para casa.

Foi a primeira vez que amostras de um asteroide foram trazidas por uma espaçonave. Só que o Itokawa é um asteroide do tipo S, composto principalmente de silicatos. Rocha mesmo. Eles são o segundo sabor mais comum de asteroide (baunilha, vá lá), respondendo por 17% do total.

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ONU corta comida para refugiados em países da África por falta de verba

Jamil Chade, Correspondente, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 05h00

 

GENEBRA - A falta de verbas internacionais para lidar com crises humanitárias levou a ONU a cortar o volume de alimentos que destina a cada um dos refugiados que atende na Etiópia e em outros países da África. O objetivo do racionamento é garantir que a mesma quantidade de pessoas continue recebendo alimentos, apesar das dificuldades financeiras.

Para o período 2018-2019, o orçamento da ONU está estimado em US$ 5,4 bilhões. Segundo o secretário-geral da entidade, António Guterres, o dinheiro acabou no fim de junho, o que nunca havia ocorrido. Naquele mês, as contas já apresentavam déficit de US$ 139 milhões. 

Na Etiópia, vivem cerca de 1 milhão de refugiados, principalmente do Sudão do Sul. “A falta de dinheiro está comprometendo de forma severa a qualidade da proteção prestada aos refugiados”, disse Messeret Debebe, representante da Administração Etíope para Refugiados. 

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Com 63.880 vítimas, Brasil bate recorde de mortes violentas em 2017

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2018 | 10h14

Brasil bateu em 2017 o recorde de mortes violentas intencionais, como homicídios e latrocínios, da sua história. Foram 63.880 vítimas, o equivalente a 175 por dia ou 7 por hora. A taxa de mortes por 100 mil habitantes atingiu a marca de 30,8. Os dados foram revelados nesta quinta-feira, 9, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo. Em 2016, o País havia registrado 61,6 mil mortes violentas. Em um ano, o crescimento foi de 2,9%. Doze unidades da Federação apresentaram crescimento das mortes violentas no País, puxando a taxa nacional. O Rio Grande do Norte assumiu a liderança entre os Estados mais violentos, com uma taxa de 68 por 100 mil habitantes, seguido pelo Acre (63,9) e Ceará (59,1). Foi também o Ceará que viveu o maior crescimento proporcional da violência: 48,6%. As menores taxas foram constatadas em São Paulo (10,7), Santa Catarina (16,5) e Distrito Federal (18,2).

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Com trilha, cachoeira e fondue, Serra do Baturité se acha Suíça cearense

Anna Rangel / FOLHA DE SP
SERRA DO BATURITÉ (CE)

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A temperatura média de 21°C e o sol que não arde na pele desafiam a expectativa do turista que chega à Serra do Baturité (a 107 quilômetros de Fortaleza), destino de inverno de um Ceará que é mais conhecido pelo calor e pelas praias.

Na baixa temporada, quando até locais célebres como a Rota das Falésias, no leste do estado, estão mais vazios mesmo sob um sol de 30°C, é possível combinar o roteiro clássico à beira-mar com uma esticadinha à Suíça cearense.

A impressão é que você está em alguma cidadezinha na serra da Mantiqueira, como a paulista Santo Antônio do Pinhal ou Gonçalves, no sul de Minas Gerais. Em vez das araucárias, bananeiras e visgueiros dominam a paisagem.

As cidades do maciço do Baturité reúnem os principais atributos de um destino de inverno: trilhas, cachoeiras, chocolatarias, restaurantes alemães, italianos e de fondue.

São 12 municípios, quatro deles conhecidos por integrar a Rota Verde do Café, que celebra a cultura do grão, antigo carro-chefe da economia local: Guaramiranga, Pacoti e Mulungu, a cerca de 750 metros de altitude, semelhante à da capital paulista, e Baturité, a 135 metros.

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