ARMAR A POPULAÇÃO NÃO RESOLVE. DESARMAR, TAMBÉM NÃO
Apesar de o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro alterando regras para a posse de armas de fogo alterar pouco o panorama geral da questão armamentista no Brasil — não, não vai haver distribuição gratuita de pistolas e munição nas praças, podem desistir — há algumas considerações que merecem ser feitas a respeito do assunto, além do muito que já se disse e escreveu.
Arma de fogo é para matar ou ferir gravemente. Mesmo em legítima defesa, ninguém tem ou porta uma arma para sentir aquele volume incômodo na cintura ou usar como peso de papéis. Quem tem em casa um revólver, pistola, carabina, rifle, garrucha, o que seja, e não é caçador ou atirador esportivo está (ou acredita que está) pronto para revidar à bala uma agressão. Tendo ou não razão para isso.
Dito isso, é fato que a taxa de homicídios por arma de fogo não caiu após o advento do Estatuto de Desarmamento. Ao contrário, aumentou. Em 2006, três anos após a promulgação do estatuto (a Lei 10.826), estava em 18,7 mortes por 100 mil habitantes; dez anos depois, tinha escalado para 21,6 mortes por 100 mil . Em números absolutos, foram mortas a tiro em 2016 9.554 pessoas a mais do que em 2006. Ou seja, restringir o porte e a posse de armas de fogo não melhorou o cenário.
O que motiva isso? Não estudei a fundo o assunto, mas uma das razões, acredito, é o descontrole absoluto do Estado sobre as armas, explosivos, munição, o diabo. As clandestinas e as dele. Em dez anos (2005 a 2015),segundo a CPI das Armas da Assembleia Legislativa do Rio , foram desviadas quase 19 mil armas das forças de segurança e empresas de vigilância. Com 19 mil armas, monta-se uma guerrilha parruda. E isso é apenas no Rio, e apenas em dez anos, e nem compila os desvios ocorridos nas Forças Armadas.
Açudes que antes eram fontes de renda, hoje, agonizam sem água
" Quando olho para o Araras, mesmo não estando seco, lembro de quando existia fartura de peixe aqui na região. A vida da gente que aprendeu a sobreviver dessas águas era difícil, mas não como vejo hoje. O peixe não desapareceu completamente, mas diminuiu muito em quantidade e tamanho. O pescado não desenvolve mais. Uma pena; esse era nosso tesouro". O relato do pescador José Francisco Castro, 65, traduz o sentimento de quem dedicou uma vida inteira sobre as águas calmas do Açude Paulo Sarasate, conhecido como Araras, para tirar o sustento da família.
A dura realidade de quem tinha como opção o cabo da enxada ou o remo das pequenas embarcações para sobreviver, ainda se mostra viva nas marcas deixadas nas mãos grossas pelas malhas de pesca, assim como na memória do homem de cabelos brancos que conserta o motor do pequeno barco, apelidado de "cobra criada".
Paixão
A necessidade que fez José Castro abraçar a profissão de pescador foi a mesma que desenvolveu nele a arte de construir embarcações para ampliar a renda. E nem mesmo o cansaço do corpo e as sucessivas dores de coluna o afastaram das águas do Araras, sua grande paixão. Mesmo aposentado, o homem não descansa. Sai cedinho de casa para organizar as redes, mexer no barco, ou acompanhar algum companheiro de pescaria. "Eu parei mesmo em 2001, mas não saio de perto desse açude. Mesmo consertando motor, ou apenas seguindo o pessoal açude adentro para montar as malhas, eu continuo por aqui. Apesar das dificuldades de hoje, a pesca artesanal ainda dá sustento para quem não tem outra opção. Curimatã, tilápia e piau são os peixes que ainda aparecem por aqui", diz o pescador, com um olhar fixo na imensidão do açude, construído em 1958, sobre o leito do rio Acaraú, no município de Varjota. O reservatório que se estende pelos municípios de Pires Ferreira, Hidrolândia e Santa Quitéria abastece 10 cidades da região Norte.
Agricultores e produtores enfrentam dificuldades com açudes secos
"O açude secou. Moro desde criança aqui bem próximo ao açude e já vivenciei alguns períodos de seca, mas não me lembro de ter visto o Cedro como nestes últimos anos. Está muito seco. É penoso olhar. Triste". A fala, em tom de desabafo, do agricultor Francisco de Assis Bessa Pinheiro, de 64 anos, retrata a realidade do Açude Cedro, na cidade de Quixadá. Na frase consternada, porém, há lugar para um sopro de esparança. Olhando para o céu, seu Francisco tira o chapéu gasto pela ação do tempo, retira um lenço de tecido do bolso e o leva ao rosto, enxugando o suor decorrente do forte calor. Após o ritual, diz: "Vai cair água. Tem que chover! O povo não aguenta mais", e devolve o chapéu à cabeça de cabelos brancos.
No céu, observado pelo agricultor, nenhum indicativo de nuvem que possa sinalizar a tão esperada chuva. No peito, entretanto, lá estão todos os indícios que lhe mantêm firme na caminhada: a fé e a esperança. "O sertanejo é, antes de mais nada, um povo bravo, que não esmorece e acredita sempre num futuro melhor. Tenho fé que isso aqui vai voltar a tomar água. A agricultura vai se recuperar", conta. A menos de 10 metros de onde seu Francisco tenta profetizar o futuro, duas canoas, ancoradas há meses no leito do Açude, denunciam a improdutividade do "Velho Rei", como os mais antigos se referem ao reservatório.
Alckmin e Tasso buscam porta de saída do PSDB
O PSDB já não é o que foi na época em que Franco Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso o fundaram. E ainda não sabe o que será depois que João Doria concluir o seu cronograma de dominação da legenda. Incomodados, tucanos da velha guarda, como Geraldo Alckmin e Tasso Jereissati, foram acometidos da síndroma do que está por vir. Procuram a porta de saída do partido.
Deu-se o esperado. Após virar governador de São Paulo contra a vontade dos sábios do ninho, Doria dedica-se a demolir o muro sobre o qual os tucanos equilibravam suas ambiguidades. E projeta para maio a remoção daquilo que um de seus operadores chama de "entulho".
Moído na campanha presidencial de 2018, Alckmin será substituído na presidência nacional do PSDB por Bruno Araújo, ex-ministro das Cidades no governo de Michel Temer. Procura-se um candidato à vaga de Tasso na presidência do Instituto Teotônio Vilela, braço acadêmico do tucanato.
Simultaneamente, Doria empurra o que restou do PSDB para o colo de Jair Bolsonaro. E o grão-tucanato não pode nem fazer bico de nojo, pois a plataforma liberal do capitão inclui bandeiras nas quais os tucanos estão enrolados desde a edição do Plano Real, há 25 anos. Coisas como privatizações e reformas econômicas liberais.
Em público, Alckmin, Tasso e tucanos assemelhados desconversam sobre o plano de abandonar o ninho. Em privado, reconhecem que só não viraram a maçaneta porque ainda não sabem para onde ir. Há um quê de ironia no êxodo tucano.
Hipnotizado pela rivalidade com Lula e o petismo, o PSDB esqueceu de formar novos quadros. Na campanha municipal de 2016, Alckmin achou que seria uma boa ideia improvisar. Patrocinou a vitoriosa campanha de João Doria à prefeitura de São Paulo. Agora, experimenta a mesma sensação que teve o homem das cavernas ao notar que, se soubesse o que ia acontecer, teria sido melhor ficar lá dentro. JOSIAS DE SOUZA
Médicos denunciam loteamento de cargos no Hospital Federal de Bonsucesso
RIO - Um dia após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciar novas diretrizes para a unidade, o Hospital Federal de Bonsucesso, um dos mais importantes da União no estado, continua sob o controle de um grupo político. Levantamento feito pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo corpo clínico do hospital — referência em transplante renal e cirurgias de alta complexidade — mostra que há, pelo menos, 44 funcionários contratados, boa parte deles em atividades de gerência, que são ligados ao deputado federal Wilson Beserra (MDB).
Mandetta, que esteve quarta-feira no Rio, exonerou a diretora do hospital, Luana Camargo da Silva, que era acusada pelos profissionais da instituição de ser da cota do parlamentar e de ter contribuído para a precarização dos serviços prestados à população. Recentemente, ela teria gastado cerca de R$ 156 mil para fazer uma festa para comemorar os 71 anos do HFB, com bufê e tendas climatizadas. Dentro do hospital, vários setores, no entanto, estariam sem ar-condicionado, causando sofrimento a pacientes.
PT declara apoio a Maduro e é criticado por Bolsonaro no Twitter
Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo
24 Janeiro 2019 | 16h02
O PT emitiu nota em seu site oficial na qual defende o governo de Nicolás Maduro naVenezuela e critica o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do presidente americano, Donald Trump, ao líder oposicionista e autodeclarado presidente encarregado, Juan Guaidó. "Não compete ao Brasil nem a outros países decidir quem deve ou não governar a Venezuela, que tem um presidente eleito pela maioria da população", diz a nota assinada pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann.


