Sancionada lei para reduzir filas do INSS e reajustar salário de policiais

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei 14.724/23, que institui, entre outras disposições, o Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social (PEFPS). O texto foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (14).
Oriundo de projeto (PL 4426/23) aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, o PEFPS tem por finalidade reduzir o tempo de análise de processos administrativos e a realização de exames médico-periciais no INSS.
O programa abrangerá os processos com prazo de análise maior que 45 dias ou cujo prazo judicial de análise tenha expirado.
A lei também concede reajuste salarial para policiais e bombeiros do Distrito Federal e prorroga contratos de pessoal da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para evitar a descontinuidade em trabalhos de assistência à saúde para povos indígenas.
Vetos
A nova legislação recebeu oito vetos do presidente, todos sobre os trechos que tratavam do reajuste para os militares do Distrito Federal.
Entre os pontos retirados da lei estão o que reajustava o auxílio-moradia dos policiais e bombeiros. Lula argumentou que o reajuste deveria ter sido feito por meio de lei específica de iniciativa do Poder Executivo.
Também foi vetado o dispositivo que permitia a cessão de militares e policiais civis do DF para cargos comissionados ou de confiança no Poder Legislativo.
Todos os vetos serão analisados pelos parlamentares, em sessão conjunta da Câmara e do Senado a ser marcada.
Regras do programa de redução de fila
O PEFPS terá prazo de duração de nove meses, prorrogáveis por mais três meses em caso de necessidade. Entre os principais pontos do programa estão:
- serão aceitos os atestados médicos ou odontológicos emitidos até a data de publicação da lei para fins de concessão de licenças em geral;
- o Ministério da Previdência Social poderá utilizar a telemedicina na perícia médica em municípios com difícil provimento de médicos peritos ou tempo de espera elevado;
- o uso da telemedicina também poderá ocorrer conforme situações e requisitos definidos em regulamento;
- se ocorrer o cancelamento de agendamento para perícia presencial, a telemedicina poderá ser usada para atender o próximo da fila, se ele tiver disponibilidade;
- a lei cria uma espécie de bônus aos servidores por redução de fila do INSS (Perf-INSS) ou da perícia médica federal (Perf-PMF). O primeiro terá valor de R$ 68, e o segundo de R$ 75.
A estimativa do governo é que o programa custe cerca de R$ 129 milhões em 2023 e igual valor em 2024.
Reportagem - Janary Júnior
Edição - Marcia Becker
Fonte: Agência Câmara de Notícias
NOVO Ranking nacional aponta Alece como a 5ª casa legislativa estadual mais transparente do Brasil
Por Vandecy Dourado/com Assessoria / ALECE
- Foto: Dário Gabriel
A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) é a quinta casa legislativa estadual mais transparente do Brasil. É o que aponta o ranking do 2º ciclo do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP) relativo ao ano de 2023, promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), em conjunto com os tribunais de Contas da União e do Estado do Mato Grosso. A Casa do Povo cearense agora é nível ouro em qualidade de informações referentes à transparência disponibilizadas em seu Portal da Transparência.
Para o presidente da Alece, deputado Evandro Leitão (PDT), a conquista decorre da excelência da Casa no tratamento de informações à disposição da população cearense. “O reconhecimento em rankings de transparência é consequência dos nossos esforços, que envolvem gestores e colaboradores. Ao dar mais acesso à informação, a Casa do Povo se aproxima da população, que tem maior consciência de seus direitos”, destaca.
Evandro complementa apontando o compromisso da Alece com a transparência pública. “Nada é mais republicano do que manter informações e dados públicos acessíveis aos cidadãos. Aqui na Alece, gestores e colaboradores entendem que ser transparente não é apenas um diferencial, é um dever da Casa. Nesse sentido, temos reafirmado nosso compromisso com a máquina pública ao lançarmos, em 2021, uma plataforma virtual focada na transparência, com interface intuitiva e informativa. Também aprovamos resolução e publicamos ato normativo que regem a disponibilização dos dados públicos do Parlamento cearense”, ressalta.
Reforçando a importância da participação direta do cidadão nas decisões públicas, a controladora da Alece, Sílvia Helena Correia, comemora a conquista alcançada pela Casa e destaca o papel democrático possibilitado pela transparência pública.
“A certificação Ouro em transparência é a conquista antecipada da nossa visão de futuro, que é ser referência em parlamento aberto para o fortalecimento da democracia, conforme previsto no planejamento estratégico Alece 2030. Somente com transparência e participação cidadã seremos um estado eficiente e justo”, diz.
Entre os portais hospedados pelas casas legislativas estaduais na internet, a Alece aparece atrás apenas de Goiás e Mato Grosso – ambas classificadas com o selo Diamante – além de Rondônia e Espirito Santo, com a mesma certificação de avaliação do Ceará: nível ouro. O Portal da Transparência da Alece atingiu nota máxima em sete quesitos avaliados na pesquisa: Acessibilidade, Contratos, Despesas, Diárias, Informações Institucionais, Informações Prioritárias e Receita.
Os resultados do 2° ciclo do Programa Nacional de Transparência Pública foram divulgados no seminário “Transparência em foco: controle e participação social”, realizado em Brasília, nesta segunda-feira (13/11). O encontro foi promovido pela Atricon, em conjunto com os tribunais de Contas da União (TCU) e do Estado do Mato Grosso (TCE-MT).
METODOLOGIA
A pesquisa de âmbito nacional avaliou as informações disponibilizadas em 8.045 portais, pertencentes aos três poderes, tribunais de contas, ministérios públicos e defensorias públicas das unidades da federação, além de incluir sites de estatais dependentes e independentes.
Conforme índice de transparência alcançado na pesquisa, os sites públicos são classificados em diferentes categorias: Diamante, Ouro, Prata, Elevado, Intermediário, Básico, Inicial ou Inexistente. Apenas os portais das categorias Diamante, Ouro e Prata são certificados pela iniciativa.
O objetivo do levantamento é fomentar a transparência pública e estimular o aprimoramento dos portais no País, por meio da análise da transparência ativa, isto é, aquela por meio da qual se disponibilizam dados de forma espontânea, independentemente de solicitação do cidadão.
Os dados da pesquisa de âmbito nacional podem ser acessados no Radar da Transparência Pública.
Edição: Clara Guimarães
Alece comemora os 25 anos da Associação Caatinga nesta sexta-feira
Por Ariadne Sousa / ALECE

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) promove, na próxima sexta-feira (17/11), a partir das 14 horas, no Plenário 13 de Maio, sessão solene para celebrar os 25 anos da Associação Caatinga, uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua na preservação da caatinga e no incentivo ao desenvolvimento sustentável.
A solenidade atende a requerimento do deputado Sérgio Aguiar (PDT), que ressalta no documento a importância da entidade para a proteção ambiental no Ceará. “A Associação Caatinga tem como propósito a conservação do bioma, difundindo suas riquezas e inspirando as pessoas a cuidarem da natureza, atuando também no fomento do desenvolvimento local sustentável, incrementando a resiliência de comunidades rurais à semiaridez”, destaca.
Além disso, a associação é administradora da Reserva Natural Serra das Almas, situada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI). O trabalho realizado na Unidade de Conservação da categoria Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) inclui ainda ações de conscientização e fomento ao desenvolvimento das comunidades em equilíbrio com a natureza.
Edição: Clara Guimarães
Guilherme Sampaio esclarece programa VaiVem Livre, do Governo do Estado
Por Narla Lopes / ALECE
Deputado Guilherme Sampaio (PT) - Foto: Junior Pio
No primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará, nesta quinta-feira (16/11), o deputado Guilherme Sampaio (PT) esclareceu o projeto VaiVem Livre, do Governo Estadual. O parlamentar destacou que, ao criticar o governo, a oposição se concentra em detalhes, sem atentar para o impacto significativo da proposta para a maioria da população e dos trabalhadores da Região Metropolitana.
“Me parece que, no que diz respeito à cobrança da oposição, o projeto é só Vai, o Vem está faltando. A maioria dos deslocamentos do povo de Fortaleza, que eu saiba, são para Fortaleza, não é daqui para Maracanaú, Caucaia, Aquiraz ou Eusébio. Mas, se estão tão preocupados, por que não pedem ao prefeito Sarto para implantar o passe livre em Fortaleza?”
Guilherme Sampaio assinalou ainda que o governador Elmano de Freitas está honrando a promessa feita durante sua campanha no primeiro ano de mandato, enfrentando as dificuldades financeiras causadas por leis eleitoreiras que retiraram recursos do ICMS do povo cearense. Ele destacou o comprometimento do gestor estadual em implementar o VaiVem Livre, beneficiando cerca de 90 mil cearenses que no dia a dia vêm trabalhar e estudar na capital cearense. “O prefeito Sarto passou três anos para aprovar um passe livre diário para os estudantes. Em um ano pré-eleitoral”, pontuou.
O deputado também chamou a atenção para os benefícios do programa. “Aí vão dizer que essa população que vem prestar serviço, gerar imposto, fortalecer a cadeia econômica não é beneficiar Fortaleza? Que governo municipal fraco é esse que depende em tudo do Governo do Estado? Imagino se esse prefeito fosse governador quando Bolsonaro era o presidente, o desastre que seria. Com Bolsonaro presidente, Camilo Santana saiu com 80% de aprovação”, lembrou.
Ainda na opinião do deputado, o que está em jogo, por parte do discurso de alguns deputados de oposição da Casa, é encobrir a fala do líder do prefeito Sarto na Câmara Municipal, Carlos Mesquita (PDT).
“Um fato gravíssimo, uma denúncia que não partiu do Partido dos Trabalhadores, nem de nenhum membro da base governista nesta Assembleia, tampouco dos vereadores na Câmara Municipal. Quem disse foi o líder do prefeito na Câmara Municipal, a liderança do prefeito na Câmara Municipal, de que a Prefeitura fez corte proposital nos recursos para pacientes de câncer do Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio) para pressionar o Governo do Estado", frisou. O deputado ressaltou ainda a importância de avaliação por parte do Ministério Público e da Câmara Municipal.
Em aparte, o deputado Cláudio Pinho (PDT) solicitou a presença do secretário de Saúde do Município, Galeno Taumaturgo, para esclarecer na Assembleia as falas do vereador. Na oportunidade, o deputado Guilherme Sampaio sugeriu também a presença do vereador Carlos Mesquita.
Edição: Adriana Thomasi
Cláudio Pinho cobra que o programa VaiVem Livre beneficie fortalezenses
Por Gleydson Silva / ALECE
Deputado Cláudio Pinho (PDT) - Foto: Junior Pio
O deputado Cláudio Pinho (PDT) cobrou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará, nesta quinta-feira (16/11), que o Governo do Estado inclua Fortaleza entre os municípios beneficiados pelo Programa VaiVem Livre. A iniciativa visa oferecer transporte público gratuito na Região Metropolitana de Fortaleza a pessoas de baixa renda, com uma passagem de ida e uma de volta entre os municípios e a capital.
Na avaliação do parlamentar, o projeto de lei 114/23 tem um grande alcance social, mas é preciso aprimorar a matéria e avaliar o motivo de os fortalezenses não estarem sendo beneficiados pela gratuidade. “É uma perseguição. Se o fortalezense consegue um emprego em Caucaia, esse não terá o direito da gratuidade do VaiVem? A mensagem do governo exclui Fortaleza do benefício. O que o fortalezense fez contra o atual governo para não ter esse direito?”, questionou.
Cláudio Pinho afirmou que a matéria terá discussão na Casa e precisa de empenho de todos os deputados na avaliação e aprimoramento do projeto. “Não podemos nos omitir e trabalhar para aprovar a inclusão do benefício. O fortalezense não pode ficar de fora. Fortaleza é o município que mais arrecada impostos e contribui com geração de emprego e renda. Não pode se deixar levar por brigas políticas”, pontuou.
De acordo com o deputado, há uma “perseguição” com Fortaleza por questões políticas, mas o município não tem deixado de atender, por exemplo, os pacientes oriundos do interior que buscam atendimento nas unidades públicas de saúde geridas pela prefeitura. Ele apontou ainda que o Governo do Estado cortou o repasse que ajudava a custear o preço da passagem de ônibus na capital.
O deputado Queiroz Filho (PDT), em aparte, também elencou pontos que sustentam a tese de “perseguição” do Governo do Estado com o município de Fortaleza, entre eles, o corte do subsídio que era dado para a passagem de ônibus, repasses para o Instituto Dr. José Frota (IJF), repasse para o programa Nossas Guerreiras, a não entrega de ambulância à cidade e outros.
A deputada Dra. Silvana (PL) lamentou a exclusão de Fortaleza com a gratuidade do programa VaiVem Livre e pediu para subscrever a emenda ao projeto sugerindo a inclusão do município nos beneficiários. Já o deputado Sargento Reginauro (União) também questionou a exclusão de Fortaleza desse projeto e de outros programas de benefício aos cearenses.
Edição: Adriana Thomasi
Cúpula do Congresso concentra poder inédito e cria desafios para primeiro ano de Lula 3
Por André Shalders e Daniel Weterman / O ESTDÃO DE SP
Alterações no funcionamento do Legislativo nos últimos anos mostram que os comandantes atuais do Congresso Nacional têm mais força do que seus antecessores para travar – ou fazer andar – a agenda de votações. Inovações que começaram com a pandemia de covid-19 representam hoje um desafio extra para o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O chefe do Executivo tem que lidar não só com um Congresso fortalecido em relação aos outros Poderes, mas também com uma cúpula que concentra bem mais poderes nos presidentes da Câmara e do Senado em comparação aos antecessores.
O Estadão vai mostrar, em uma série de reportagens, o funcionamento de mecanismos que deram à cúpula do Congresso um poder inédito. O cenário passa pelo uso político das sessões híbridas, que admitem a participação via internet; a diminuição dos instrumentos da minoria para obstruir votações; a substituição das comissões permanentes por “grupos de trabalho” informais ou comissões especiais; e o uso de pedidos de urgência, entre outras ferramentas.
O fenômeno é mais intenso na Câmara dos Deputados, mas acontece também no Senado. “São dois processos concomitantes. Um deles é o fortalecimento do Legislativo em relação aos outros poderes. E o outro é o de centralização (das decisões) na Câmara dos Deputados. No Senado, o processo ocorre residualmente, mas na Câmara isso tem um impacto maior”, diz Graziella Testa, que é doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Escola de Políticas Públicas e Governo (EPPG) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A especialista diz ainda que o grande número de partidos – são 23 legendas na Câmara – pode ser uma das causas da concentração de poderes na figura do presidente. “Quando você tem poucos partidos com poder relevante, é mais fácil que esses tenham uma participação efetiva junto ao presidente da Mesa”, diz ela. Testa prepara atualmente um capítulo de um livro sobre o tema.
Sessões online viraram ferramenta política
Na Câmara, o processo começa com um ato da Mesa (o de nº 123 de 2020) que disciplinou a realização de sessões online, em função da chegada da Covid-19 ao Brasil. “Nesse ato, que determinava como iam ser as sessões remotas, já havia um grande cerceamento desses instrumentos de obstrução da minoria no Plenário”, diz Testa.
Quase dois anos depois, em março do ano passado, outro Ato da Mesa (o 227 de 2022) tornou definitiva a solução temporária, sob o nome de Sistema de Deliberação Remota (SDR). O único critério para decidir se a sessão será online ou não é a vontade do presidente.
Como explica Testa, a possibilidade de usar sessões híbridas “se tornou uma nova opção na caixa de ferramentas do presidente da Câmara”: ela facilita a votação de projetos nos quais há interesse, mesmo que os deputados estejam fora de Brasília. Isso torna quase impossível à oposição derrubar uma votação por falta de quórum. “Com a sessão híbrida, isso desaparece. Porque o custo para o parlamentar participar da sessão fica praticamente zero. Ele (deputado) só precisa de um celular com internet”, diz Testa.
Congresso tem poder maior nas leis aprovadas e no orçamento
A concentração de poder da cúpula do Congresso coincide com o aumento de poder do Legislativo sobre o Executivo, muito maior do que o experimentado por Lula nos mandatos anteriores. Em 2003, quando Lula assumiu a Presidência pela primeira vez, o petista conseguiu aprovar 54 medidas provisórias e não perdeu nenhuma. Neste ano, 17 já perderam a validade e apenas sete foram aprovadas.
No primeiro ano do primeiro mandato, 28% dos projetos que viraram lei foram de autoria do presidente da República. Neste ano, até o dia 23 de outubro, o porcentual é menor, de 18%. No orçamento, o Executivo controlava toda a despesa do governo federal. Agora, convive com um Congresso dominando 18% dos gastos não obrigatórios por meio das emendas parlamentares.
Além das emendas, o governo Lula entregou parte do primeiro escalão para a cúpula do Congresso. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), colocou o deputado André Fufuca (PP-MA), para comandar o Ministério do Esporte e Celso Sabino (União-PA) como ministro do Turismo. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por sua vez, tem dois aliados diretos na Esplanada: o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT).
Redução das ferramentas da minoria
No jargão do Congresso, o “kit obstrução” é uma série de manobras regimentais das quais a oposição pode lançar mão para tentar impedir uma votação de acontecer. A minoria pode, por exemplo, pedir a “verificação de quórum”; demandar a votação de sucessivos requerimentos de retirada de pauta, etc. Em maio de 2021, já sob Arthur Lira (PP-AL), a Câmara aprovou uma Resolução (a 21 de 2021) limitando severamente esses instrumentos do “kit obstrução”.
Crítica do atual comando da Casa, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) diz que o Legislativo vive hoje uma espécie de “ditadura” interna. “Muito se fala da ditadura do Judiciário. Mas temos uma ditadura que não se comenta: a ditadura no Poder Legislativo – onde os presidentes das casas concentram poder absoluto nas pautas e no orçamento do país”, diz ela, que é representante da bancada do Novo.
O deputado Marcelo Ramos (PSD-AM) foi o relator da Resolução 21 de 2021. Ele defende as mudanças e diz que o “kit obstrução”, tal como existia antes, impedia a maioria de se expressar no voto.
“A obstrução é um instrumento legítimo da democracia. Mas chegar ao momento de votar e a maioria se expressar, é tão ou mais legítimo que a obstrução. Portanto, a obstrução não pode ser um instrumento para impedir que a votação chegue ao fim. Você não pode ter uma obstrução que impeça a maioria de exercer seu poder de maioria. Isso não é democracia”, diz ele. “Serve para um governo e para outro. Valia para o anterior e vale para esse agora”, diz Ramos.
Cláudio André de Souza é cientista político e professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), uma universidade federal criada em 2010. Para ele, o fortalecimento atual do Legislativo é “tópico” e “conjuntural”. “Envolve uma transição que a gente não sabe se vai se estabelecer a médio e longo prazo. Há um fortalecimento institucional do Legislativo, mas isso não necessariamente significa um fortalecimento da representação política. Nas pesquisas de opinião, por exemplo, o Legislativo continua amargando muita desconfiança”, diz ele.
Comissões perderam relevância
Sob Arthur Lira (PP-AL), a presidência da Câmara também passou a substituir o trabalho das comissões permanentes da Câmara – onde os integrantes são escolhidos de acordo com as bancadas dos partidos – por “grupos de trabalho” informais. Uma inovação que permite ao comando da Casa decidir quais deputados discutirão o assunto.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com a reforma tributária. A proposta foi formulada por um grupo de trabalho escolhido por Lira e votada diretamente no plenário. O arcabouço fiscal, nova regra apresentada pelo governo Lula para substituir o teto de gastos públicos, também foi submetido diretamente ao plenário, mas sem grupo ou comissão. O relatório, apresentado pelo deputado Claudio Cajado (PP-BA), foi escrito sob a batuta do presidente da Câmara, que assumiu pessoalmente a articulação da proposta.
“Esse ponto talvez seja uma das maiores novidades, pois agora o presidente pode escolher fazer grupos de trabalho que são 100% informais. Regimentalmente, eles só poderiam ser usados para fazer a consolidação de leis. Não se discutiria mérito nos grupos de trabalho”, diz Graziella Testa.
“Foi o que ele fez na minirreforma eleitoral. Ele discute no grupo de trabalho e aí já depois impõe urgência e puxa para o plenário. Por isso também o aumento dos pedidos de urgência. Porque, no grupo de trabalho, ele escolhe quem ele quer para compor. Nas comissões, depende dos partidos, diz a professora da FGV.
No começo deste ano, a Mesa Diretora da Câmara também editou uma Resolução (a 15 de 2023) que permite decidir quando um projeto de lei terá de tramitar pelas comissões temáticas da Casa e quando serão criadas comissões especiais – um grupo temático, específico para aquele projeto.
MP destina R$ 100 milhões para a compra de alimentos da agricultura familiar
Foi publicada nesta terça-feira (14) no Diário Oficial da União medida provisória que libera, por crédito extraordinário, R$ 100 milhões para o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) compre produtos provenientes da agricultura familiar. O valor previsto na MP 1.194/2023 se soma aos R$ 900 milhões já previstos com esse objetivo.
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) compra a produção de agricultores familiares, visando a distribuição às redes de segurança alimentar, de assistência social e escolas públicas de nível fundamental e médio, entre outras instituições. A produção também é direcionada a famílias em vulnerabilidade alimentar, restaurantes comunitários, creches e entidades filantrópicas.
Desde a criação em 2003, o PAA já investiu R$ 8,8 bilhões, adquirindo 5,5 milhões de toneladas de alimentos, segundo dados do MDS. São atendidas, em média, 15 mil entidades por ano com o fornecimento de alimentos. Mais de 50% dos recursos são destinados a municípios com até 50 mil habitantes.
Fonte: Agência Senado
Confúcio Moura destaca o Dia Nacional da Alfabetização e critica a situação brasileira
O senador Confúcio Moura (MDB-RO) destacou o Dia Nacional da Alfabetização, celebrado em 14 de novembro. Em pronunciamento nesta terça-feira (14), o parlamentar ressaltou que o analfabetismo é um desafio permanente no Brasil. Segundo o parlamentar, uma parcela significativa da população não possui habilidades básicas de leitura e escrita, o que afeta o acesso a oportunidades educacionais e econômicas, além de contribuir para a desigualdade social.
— É lamentável ver que, apesar das metas e dos esforços previstos na Constituição de 1988 para erradicar o analfabetismo e melhorar a educação no Brasil, ainda existem desafios significativos. Vejam bem, desde 1946, se todas as crianças de sete anos em diante tivessem sido alfabetizadas, atualmente todos os cidadãos e cidadãs com até 85 anos de idade saberiam ler, escrever e contar. Pelo contrário, ainda temos 9,5 milhões de analfabetos absolutos e 50 milhões de analfabetos funcionais — lamentou.
Confúcio Moura também levantou a possibilidade de utilizar dispositivos móveis, como celulares, para promover a alfabetização. O senador afirmou que a ideia tem potencial, mas é preciso garantir que a abordagem seja acessível a todos, incluindo aqueles que não têm fácil acesso a dispositivos móveis e à internet.
— Além disso, o treinamento de educadores e a vontade política são essenciais para implementar com sucesso tais inovações e erradicar o analfabetismo de forma eficaz. A integração de tecnologia na alfabetização deve ser cuidadosamente planejada e implementada em conjunto com as abordagens tradicionais do professor alfabetizador para atender às diversas necessidades da população. A alfabetização não apenas permite o acesso à educação e a informações, mas também capacita os cidadãos a participarem plenamente da sociedade e do processo democrático. É um pilar fundamental para o desenvolvimento da sociedade.
Fonte: Agência Senado
Romeu Aldigueri ressalta abertura de mais de mil cozinhas comunitárias do Ceará Sem Fome
Por Gleydson Silva / ALECE
Deputado Romeu Aldigueri (PDT) - Foto: Junior Pio
O deputado Romeu Aldigueri (PDT) ressaltou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará, nesta terça-feira (14/11), a abertura de 1.017 cozinhas comunitárias do programa Ceará Sem Fome, distribuídas em 171 municípios cearenses, sendo 287 na capital e 730 no interior.
De acordo com o líder do Governo na Alece, o governador Elmano de Freitas e a primeira-dama do Estado, Lia Freitas, visitaram, na segunda-feira (14/11), a cozinha de número mil do programa Ceará Sem Fome, no bairro Bela Vista, em Fortaleza. O próximo passo, segundo o deputado, é promover a capacitação dos beneficiários do programa, em busca de sua autonomia financeira. “É dar o peixe e ensinar a pescar, para que o Ceará saia do mapa da fome e nunca mais volte”, pontuou. Ele destacou que a intenção do Estado é que, até o final do ano, os 184 municípios tenham cozinhas comunitárias.
O parlamentar destacou ainda que a Alece integra o comitê gestor do programa, com diversas outras entidades. “Esse comitê vai capacitar, para que esse público alvo vulnerável esteja também sendo qualificado. Isso é política pública com P maiúsculo”, destacou.
A política educacional do Ceará, conforme o deputado, tem sido exemplo para o Governo Federal universalizar o ensino em tempo integral no Brasil, dando acesso a cursos profissionalizantes e a alimentação. “Escolas bem estruturadas, edificadas, bonitas, com laboratórios de Química, Física, Biologia, atividades esportivas, contraturno, saindo com ensino técnico profissionalizante”, elencou.
Romeu Aldigueri enalteceu ainda o trabalho realizado pela Casa de Vovó Dedé, em Fortaleza, que oferece cursos de música a mais de 1,4 mil jovens, que se destacam em diversos cantos do mundo. Segundo ele, além dos cursos, a instituição possui cinco cozinhas para alimentar os mais carentes da região, entre outras ações. “Parabenizo aqueles que fazem a Casa de Vovó Dedé, um instrumento de melhorar a vida das pessoas, dando oportunidade, gerando emprego e renda aos jovens e que deveria ser conhecido por todos”, pontuou.
O deputado De Assis Diniz (PT), em aparte, acredita que o Ceará Sem Fome e o programa educacional cearense terão grande impacto positivo no Estado e na vida da população, através de ações “realmente transformadoras”. “Parabéns ao nosso governador e nossa primeira-dama, que fazem uma política integrada, olhando a longo prazo, garantindo políticas e ações transformadoras”, disse.
O deputado Stuart Castro (Avante) enalteceu as políticas de combate à fome do Ceará e afirmou que o compromisso de todos que compõem o Governo é “cuidar para avançar”. Para o deputado Moésio Loiola (Progressistas), é necessário que o Estado reforce o treinamento dos beneficiários do Ceará Sem Fome, para que as pessoas possam ter dignidade para trabalhar e se alimentar.
Já o deputado Sargento Reginauro (União) avaliou que a forma mais eficiente de tirar crianças da criminalidade e combater a violência é através de projetos sociais, mas ponderou que, se houvesse mais investimento público, esses equipamentos produziriam ainda mais.
Edição: Adriana Thomasi
Sérgio Aguiar destaca discussões qualificadas da 26ª Conferência da Unale
Por Vandecy Dourado / ALECE
Deputado Sérgio Aguiar (PDT) - Foto: Junior Pio
O deputado Sérgio Aguiar (PDT) destacou as discussões qualificadas e o intercâmbio de informações da 26ª edição da Conferência Nacional da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), durante o primeiro expediente da sessão plenária presencial e remota da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) desta terça-feira (14/11).
Conforme pontuou, o encontro registrou a participação de cerca de 500 parlamentares de todo o Brasil, além dos 2.000 participantes, que presenciaram a conferência nos dias 8, 9 e 10 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará. Ele citou também as diversas atividades realizadas nos dias do evento e agradeceu o apoio do presidente da Alece, deputado Evandro Leitão (PDT), e dos integrantes da Unale, pela realização do "maior evento de encontro de parlamentares da América Latina nos últimos dias" .
O parlamentar destacou ainda o potencial das discussões realizadas pelos participantes e como elas puderam "se traduzir em um avanço para as discussões dos parlamentos estaduais, assim como também para o Parlamento internacional."
Em aparte, o deputado Audic Mota (MDB) parabenizou o deputado Sérgio Aguiar pela condução do evento e ressaltou a conquista do parlamentar em se tornar o novo presidente da Unale. "Fiquei muito feliz em vê-lo como presidente da Unale, certamente pelo domínio e sabedoria que tem sobre o Poder Legislativo e o poder associativista. Vossa excelência desempenhará no ano de 2024 um grande trabalho no Brasil inteiro agora", celebrou.
Compartilhando as felicitações, o deputado Felipe Mota (União) citou a boa relação e o respeito que os deputados do Brasil têm para com Sérgio Aguiar. "Eu vi um cearense benquisto e que tem o respeito de todas as assembleias legislativas". Ele também congratulou Sérgio Aguiar pela presidência da entidade que representa os parlamentares do País. "Além de aprender, nós ficamos muito felizes pela sua chegada como o próximo presidente da Unale, e isso nos deixa muito envaidecidos, porque só quem ganha é o Ceará e a Assembleia Legislativa do Ceará", disse.
Por sua vez, além de cumprimentar Sérgio Aguiar, o deputado Lucinildo Frota (PMN) também lembrou que o deputado Stuart Castro (Avante) foi eleito secretário da Unale no Ceará e saudou a conquista para o Parlamento cearense e do Brasil. "Tenho certeza que vai fazer com que nós, deputados estaduais, tenhamos mais condições ainda, não só nós cearenses, mas todos os deputados do Brasil, tenham mais condições e mais abertura para que o nosso trabalho venha a ser efetivado e o resultado final seja visto pela população de todo o País".
O deputado Sérgio Aguiar mencionou também consulta pública promovida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Mudanças do Clima (Sema) acerca da proposta de redefinição dos limites do Parque Estadual das Carnaúbas, unidade de conservação localizada nos municípios de Viçosa do Ceará e Granja. A consulta segue aberta até o dia 2 de dezembro. Mais informações podem ser acessadas no site da Sema.
Edição: Adriana Thomasi

