Pesquisa governo SP: Haddad tem 30%, Tarcísio aparece com 22%, e Rodrigo, 18%, mostra EXAME/IDEIA
A corrida pelo governo de São Paulo tem Fernando Haddad (PT) na liderança, com 30% nas intenções de voto no primeiro turno em pergunta estimulada. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB) estão logo depois, com 22% e 18% respectivamente. Eles são considerados empatados por estarem dentro da margem de erro de três pontos. Os números são da pesquisa eleitoral EXAME/IDEIA, divulgada nesta quinta-feira, 22.
Atrás do trio estão outros sete nomes que somam 7% das intenções de voto. Os que não sabem são 11%, e os que dizem votar em branco ou nulo totalizam 14%.
Para a pesquisa, foram ouvidas 1.200 pessoas do estado de São Paulo entre os dias 16 e 21 de setembro. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número SP-06629/2022. A EXAME/IDEIA é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública.
Cila Schulman, vice-presidente do instituto de pesquisa IDEIA, avalia que esse empate técnico entre Tarcísio e Rodrigo é resultado de uma intensa campanha de ataques mútuos.
“A fase de ataques na propaganda eleitoral atingiu negativamente tanto Tarcísio de Freitas quanto Rodrigo Garcia - dois candidatos que iniciaram a disputa com alto grau de desconhecimento e agora estão tecnicamente empatados tanto na intenção de votos quanto na rejeição. No índice de rejeição, ambos estão com 15%”, afirma.
Fernando Haddad lidera entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, com 36% das intenções de voto. No grupo de mais velhos, acima de 60 anos, Haddad e Tarcísio têm os mesmos 26%. Por região, o petista tem 32% das intenções de voto na capital paulista no primeiro turno. Na região de Marília, no interior do estado, Tarcísio tem ampla vantagem, com 46%.
Em uma pergunta espontânea, sem os nomes apresentados aos entrevistados, Haddad aparece com 16%, seguido de Tarcísio, com 16%, e Garcia tem 6%. Os demais nomes não pontuaram. Os que dizem que não sabem somam 47%.
Rejeição
Em primeiro lugar no primeiro turno, Fernando Haddad também é o mais rejeitado, com 36%. Tarcísio e Garcia têm 15% de rejeição cada. Cila Schulman pontua que esse alto índice do petista é um ponto de atenção, principalmente no segundo turno, que ele entre um dos dois com menor rejeição do eleitorado.
“A eleição de São Paulo ainda pode provocar emoções e reviravoltas nestes últimos dias do primeiro turno, já que 41% dos eleitores ainda não sabem em quem vão votar na pesquisa espontânea, quando não são apresentados aos nomes dos candidatos, e o mesmo índice de 41% diz que pode mudar sua opção de candidato até o dia 2 de outubro”, afirma.
Senado
O ex-governador Márcio França (PSB) lidera a corrida por uma vaga no Senado pelo estado de São Paulo, segundo pesquisa EXAME/IDEIA. Marcos Pontes (PL) está em segundo lugar, seguido de Janaína Paschoal (PRTB). França tem 32% das intenções de voto, à frente de Pontes, que pontua 18%. Em terceiro lugar, vem Janaína Paschoal (PRTB), com 6%.
Gilson Garrett Jr / EXAME
Pesquisa para presidente em SP: Lula tem 40%; Bolsonaro, 37%, diz EXAME/IDEIA
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 40% das intenções de voto entre os eleitores de São Paulo, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) conta com 37%, segundo a pesquisa EXAME/IDEIA divulgada nesta quinta-feira, 22. Os números são da pesquisa estimulada, quando o entrevistador cita quais candidatos estão concorrendo.
Na sequência, aparecem Ciro Gomes (PDT), com 8%, e Simone Tebet (MDB), com 5%. Felipe D'Ávila (Novo), Sofia Manzano (PCB) e Soraya Thronicke (União Brasil) têm 1% das intenções de voto cada, em SP. Os outros candidatos não pontuaram.
Os números não são muito diferentes da última pesquisa EXAME/IDEIA com foco em eleitores de São Paulo, publicada em 9 de junho. Naquele mês, Lula tinha 39% e Bolsonaro, 35%. Ciro contava com 6% das intenções de voto, Tebet tinha 4%.
Outros pré-candidatos à época, que não estão mais na disputa, como André Janones (Avante), Luciano Bivar (União Brasil) e Pablo Marçal (Pros), tinham 1% cada. Em junho, as campanhas ainda não tinham começado, e os partidos não tinham lançado os candidatos oficialmente.
O percentual de pessoas que ainda não sabem em quem votar agora está em 2%. Na pesquisa anterior, 8% diziam não saber. Além disso, 5% dos entrevistados afirmam que não votarão em ninguém ou que votarão em branco ou nulo, índice que era de 3% em junho.
A vice-presidente do instituto de pesquisa IDEIA, Cila Schulman, avalia que, para vencer, Bolsonaro precisa avançar nos estados do Sudeste, que concentram os maiores colégios eleitorais do país, e onde ganhou por uma margem confortável em 2018.
"Empatar estatisticamente em São Paulo, onde o presidente venceu com 60% dos votos válidos na sua primeira eleição, não será suficiente para uma vitória, já que Lula domina a preferência na região Nordeste, a segunda maior em número de eleitores", diz Schulman.
Para a pesquisa, foram ouvidas 1.200 pessoas entre os dias 16 e 21 de setembro. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-09090/2022. A EXAME/IDEIA é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública.
A disputa está mais acirrada em São Paulo do que no país, em geral. Aúltima pesquisa EXAME/IDEIA que avaliou o cenário nacional, divulgada em 25 de agosto, mostra Lula com 44% das intenções de voto e Bolsonaro com 36%. A distância entre os dois caiu de 11 para 8 pontos percentuais em cerca de um mês.
Lula lidera em mais regiões paulistas
De acordo com a pesquisa, Lula está na frente da disputa em dez regiões paulistas, enquanto Bolsonaro ganha em cinco:
- Capital: Lula tem 38%; Bolsonaro, 38%
- Região metropolitana: Lula tem 44%; Bolsonaro, 32%
- Região macro metropolitana: Bolsonaro tem 39%; Lula, 36%
- Litoral sul: Lula tem 60%; Bolsonaro, 27%
- Vale do Paraíba: Bolsonaro tem 54%; Lula, 28%
- Campinas: Lula tem 40%; Bolsonaro, 35%
- Ribeirão Preto: Lula tem 42%; Bolsonaro, 27%
- São José do Rio Preto: Bolsonaro tem 48%; Lula, 15%
- Araçatuba: Lula tem 50%; Bolsonaro, 40%
- Araraquara: Lula tem 54%; Bolsonaro, 25%
- Assis: Lula tem 53%; Bolsonaro, 20%
- Bauru: Lula tem 46%; Bolsonaro, 24%
- Itapetininga: Bolsonaro tem 58%; Lula, 33%
- Marília: Bolsonaro tem 46%; Lula, 31%
- Piracicaba: Lula tem 43%; Bolsonaro, 40%
- Presidente Prudente: Lula tem 38%; Bolsonaro, 33%
Bolsonaro ganha entre os mais ricos
De acordo com a pesquisa, 63% dos eleitores paulistas com renda familiar de até um salário mínimo (R$ 1.212 este ano) dizem que votarão em Lula; 17%, em Bolsonaro. Entre os que recebem de um a três (R$ 3.636) salários mínimos, 41% pretendem votar no petista e 34%, no atual presidente.
Bolsonaro pontua melhor entre os mais ricos: tem 45% das intenções de voto entre quem recebe de três a seis (R$ 7.272) salários mínimos, contra 34% de Lula nesse grupo. Dos paulistas com renda familiar acima de seis salários mínimos, 54% pretendem votar em Bolsonaro e 13%, em Lula.
Lula se destaca entre pessoas com menor nível educacional, com 51% das intenções de voto. Em junho, no entanto, 56% desse eleitorado dizia que votaria nele. Bolsonaro, que tinha 11% no grupo e perdia para Ciro Gomes, que tinha 14%, agora tem 17% e empata com o pedetista.
O ex-presidente também lidera entre quem tem ensino fundamental, com 54%, enquanto Bolsonaro tem 25%. Os dois estão praticamente empatados entre pessoas com ensino médio completo, Bolsonaro com 40% e Lula com 37% nesse recorte.
Já entre os eleitores com ensino superior, Bolsonaro tem mais do que o dobro das intenções de voto de Lula: 48% contra 23%. O número continua praticamente igual à pesquisa de junho.
A pesquisa também mostra que 44% das pessoas que se declaram brancas em São Paulo pretendem votar em Bolsonaro e 34%, em Lula. Entre as pessoas pretas, Lula tem 43% e o presidente, 28%. A intenção de voto dos eleitores pardos é de 45% para o ex-presidente e 35% para Bolsonaro.
Lula cresce entre os mais jovens
Em São Paulo, Lula ampliou a vantagem entre o eleitorado mais jovem. Ele tem 61% das intenções de voto entre pessoas de 16 e 24 anos, enquanto Bolsonaro conta com 14%. Em junho, o petista tinha 55% dessa faixa etária e o presidente, 18%.
Lula, que na pesquisa anterior pontuava 44% entre os eleitores de 25 a 34 anos, agora tem 50% nesse grupo, contra 19% de Bolsonaro. O presidente, por outro lado, tem 53% dos votos de eleitores com 60 anos ou mais, enquanto o candidato do PT tem 26%.
Bolsonaro também ganha entre eleitores paulistas de 45 a 59 anos, com 47% das intenções de voto. Lula tem 33% desse eleitorado. Na faixa entre 35 e 44 anos, os dois estão praticamente empatados: Lula com 40%, Bolsonaro com 37%.
Lula amplia vantagem entre católicos e Bolsonaro, entre evangélicos
Lula se destaca entre os católicos e entre pessoas de outras religiões, enquanto Bolsonaro lidera entre os evangélicos e entre quem não tem religião. 55% dos católicos de SP dizem que votarão no ex-presidente, um crescimento de três pontos percentuais nesse público em relação a junho. Bolsonaro pontuou 20% entre o eleitorado católico, um ponto percentual a menos do que na última pesquisa.
Já entre os evangélicos, o movimento é o contrário. O presidente tem 58% das intenções de voto, três pontos percentuais a mais do que em junho, e Lula tem 20%, um a menos. Segundo a pesquisa, 39% das pessoas de outras religiões pretendem votar no petista, e 32%, em Bolsonaro. Em contrapartida, 47% dos que não têm religião preferem Bolsonaro e 37%, Lula.
Avaliação do governo melhora em SP
De acordo com a pesquisa, a avaliação do governo Bolsonaro entre os paulistas melhorou: 40% consideram o governo ruim ou péssimo, 34% dizem que ele é ótimo ou bom e 25% afirmam que é regular. Em junho, 43% consideravam o governo ruim ou péssimo, 33% o avaliavam como bom ou ótimo e 24%, como regular.
Mais pessoas também dizem que o atual presidente merece ser reeleito, percentual que cresceu de 43%, em junho, para 45%, em setembro. 48% ainda acham que ele não merece a reeleição, um ponto percentual abaixo da pesquisa anterior. Os outros entrevistados responderam que não sabem.
Cila Schulman destaca que 69% dos eleitores das classes D e E não acham que Bolsonaro merece um segundo mandato. O percentual chega a 73% entre jovens de 16 e 24 anos. De outro lado, cai para 38% nas classes A e B. "Numa reeleição, que para alguns cientistas políticos é considerada como um recall, trata-se de um dado preocupante para o incumbente", avalia.
Ciro Gomes continua magoado com Lula e rejeita uma aproximação com o PT
ANA VIRIATO / ISTOÉ
PT desiste de diálogo com Ciro Gomes e coloca na rua campanha pelo voto útil em torno de Lula. Pedetista, que já tachou o ex-presidente de “ladrão” e “encantador de serpentes”, vive relação de altos e baixos com os petistas desde 2010
Quando Lula se reabilitou eleitoralmente, Ciro Gomes tratou de sinalizar que não se posicionaria ao lado dele na corrida pelo Palácio do Planalto. “Não vejo caminho para o futuro com a volta ao passado lulopetista”, disse, menos de 24 horas depois de o ex-presidente retomar os direitos políticos. Com o passar dos meses, a tônica da ofensiva só escalou. O pedetista chamou o antigo aliado de “canalha” e “traidor”, chegou a tachar um dos filhos dele de “ladrão” e, de quebra, assegurou que não o apoiará no iminente confronto direto com Jair Bolsonaro. Com a indicação de que um armistício entre os dois será inviável, o PT contra-atacou, colocando de vez na rua a estratégia do voto útil em torno do nome de Lula. A coligação do ex-presidente, porém, não combaterá fogo com fogo. A ordem é evitar a troca de ofensas para não queimar pontes com o PDT e os próprios eleitores ciristas — afinal, o partido sabe que são pequenas as chances de uma vitória logo em 2 de outubro e entende a importância de composições para o segundo turno, que é logo ali.
“Lula é um encantador de serpentes, mas a mim ele não engana mais”
Ciro Gomes, candidato do DPT a presidente
Parlamentares e dirigentes partidários avaliam que Ciro mirou a artilharia em Lula sob o entendimento de que, diante da base cristalizada de Bolsonaro, sua única chance real de pegar impulso nas pesquisas e ir para o segundo turno seria “roubando” votos dos eleitores que apoiam o petista. O pedetista, segundo avaliam, vive uma espécie de “tudo ou nada”. O sentimento, acrescentam, tornou-se ainda mais agressivo quando Simone Tebet começou a crescer, ameaçando sua terceira colocação. Para as lideranças da coligação de Lula, as pesquisas comprovam que Ciro seguiu uma “estratégia equivocada” — a última sondagem do Datafolha o mostrou caindo dois pontos, enquanto Bolsonaro subiu dois — e sinalizam que, por isso, ele pode ter a biografia como um líder progressista comprometida.
“Estou convencido que a gente pode definir essas eleições no primeiro turno”
Lula, candidato do PT a presidente
Apesar do imbróglio, o presidente do PV, José Luiz Penna, aposta que a resistência de Ciro não será suficiente para inviabilizar a entrada do PDT, comandado por Carlos Lupi, no arco de alianças de Lula mais adiante. “Ninguém está pedindo que divergências sejam resolvidas em um passe de mágica. Mas há um cenário maior que exigirá que as organizações políticas e peças que só sobrevivem na vida democrática entendam o momento e se únam”, pontua. “Lupi não cairá nessa briga”, completa. O palpite de Penna, como de todos os demais dirigentes das siglas da coligação, leva em conta a história. A tese é: se, em 2018, o PDT declarou um “apoio crítico” ao PT sob o argumento de que buscava “evitar a derrocada da democracia”, seria incoerente seguir por um caminho diferente quatro anos depois, quando Bolsonaro ameaça abertamente uma ruptura e a violência política toma o país.
É justamente pela tradição de alinhamento que os nomes mais engajados na campanha defendem um tom de parcimônia na quinzena final que antecede a votação e pregam que, no debate da Globo, previsto para 29 de setembro, Lula não parta para o confronto direito, relembrando da ida de Ciro a Paris, atendo-se a ressaltar ter conseguido formar o que chamam de uma “frente ampla”, com nomes como Marina Silva e Geraldo Alckmin. O movimento, crêem, serviria tanto para atrair o voto útil quanto para pintá-lo como a melhor opção em um segundo round da disputa presidencial. “O PDT não vai misturar as mágoas de Ciro com o futuro do país e os eleitores dele sabem separar estratégia equivocada de responsabilidade histórica”, argumenta o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes.
Altos e baixos
Os altos e baixos são de longa data. Em 2010, Ciro pretendia concorrer à Presidência pelo PSB, mas teve a candidatura retirada pelo então chefe da sigla, Eduardo Campos, que declarou apoio a Dilma Rousseff. Oito anos depois, viu Lula atuar da cadeia para desconstruir sua candidatura ao Planalto — o petista chefiou as negociações que levaram o PSB a declarar neutralidade nas eleições, o que isolou o pedetista, que teve só 33 segundos de propaganda na TV e no rádio e perdeu palanques. Em 2022, não foi diferente e Lula assediou o PDT para que Ciro fosse rifado. Lupi reclamou publicamente das investidas. “Por que tanta gente trabalhando para nos minar, nos entregar? Nos vençam no voto. É da democracia”, disse, em um vídeo divulgado nas redes nesta semana.
No conturbado cenário, Ciro já prometeu que, se derrotado neste ano, vai pendurar as chuteiras. Devido à mágoa, no entanto, o pedetista pode fazê-lo da pior forma possível. É que o isolamento no cenário nacional brecou a formação de alianças do PDT nos estados, aumentando as chances de fracasso de candidatos a governos e ao Senado. O risco é que, para além de Ciro, o partido saia menor das eleições.
O FOSSO MAIS PROFUNDO
O quadro geral da eleição presidencial mudou apenas em centímetros desde que o STF tirou Lula da cadeia e o tornou elegível. Não houve qualquer abalo sísmico, e cabe se perguntar qual teria de ser o tamanho de um terremoto político para alterar um confronto que, a rigor, é bastante profundo e já escancarado na corrida para a eleição de 2018.
Lamentava-se então (e desde sempre) que o fenômeno da “vassourada bolsonarista” sobre o lulopetismo significava o esfacelamento de qualquer “centrismo” entendido como posturas antagônicas a populismos de “esquerda” ou “direita”.
Como assinala o sociólogo Bolívar Lamounier, não estamos diante de polarização de período eleitoral. Mas, sim, diante de uma “terceira onda de desavenças” só comparável a eventos históricos como o getulismo/antigetulismo ou o período 1961-1964, que levou ao golpe militar.
E muito perigosa: a atual “desavença” inclui religião, redes sociais que agravam o tribalismo, e o descrédito geral de instituições como a imprensa ou o Judiciário – numa economia de crescimento médio medíocre nos últimos 30 anos.
Bem antes da Lava Jato o lulopetismo havia regredido para o cinismo político, clientelismo e corrupção como ferramentas para permanecer no poder em nome de um projeto nacional-desenvolvimentista que implodiu ao fim de 13 anos. O descontentamento social amplo deu força, em parte, a uma vertente política profunda, o bolsonarismo, que desacreditou plataformas conservadoras e liberais e trouxe à tona mistura asquerosa de boçalidade e mediocridade (que sempre existiram).
Há, sim, elementos culturais (em sentido amplo) muito relevantes nessa clivagem – como o fato de regiões inteiras nas quais prosperou a produção de grãos e proteínas enxergarem em Lula e no que ele representa a antítese do empreendedorismo, dos valores da família e do esforço do indivíduo. E temerem pela sua propriedade e atividade.
Ou o fato de significativas camadas urbanas enxergarem em Bolsonaro a antítese de valores como solidariedade, compaixão, tolerância, defesa de direitos de minorias e do ambiente. E temerem pelo futuro do estado de direito e pela sobrevivência de regras básicas de convívio social.
Por enquanto, as eleições não parecem que resolverão essa “desavença” e conseguirão levar, qualquer que seja o resultado, a uma “pacificação”. Como em toda “guerra cultural”, não há termos de um armistício que se possa acordar (e fazer respeitar) entre inimigos dedicados ao combate ao “horror”.
Por necessidade ou por frio cálculo político, Lula está manobrando para parecer que é capaz de juntar forças para superar esse fosso. Bolsonaro parece ver vantagens em aprofundá-lo.
Confira pesquisa Datafolha para presidente e governos de SP, RJ e MG nesta quinta
Uma nova pesquisa Datafolha para presidente será divulgada a partir das 19h45 desta quinta-feira (22).
Às 19h40, a Folha faz nova live Datafolha exclusiva para assinantes com a nova pesquisa. Participam do debate e analisam os destaques a diretora do Datafolha, Luciana Chong, e os colunistas Bruno Boghossian e Mônica Bergamo.
Também serão divulgados, a partir das 19h, levantamentos para os Governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Além de intenção de voto para a corrida presidencial, confira a avaliação do governo Bolsonaro e análise dos resultados da pesquisa.
No último levantamento, divulgado dia 15, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45%, ante 33% de Jair Bolsonaro (PL) no 1º turno, em cenário estável.
Em relação às disputas estaduais, as pesquisas mostrarão, além da intenção de voto, a avaliação do governo de Rodrigo Garcia (PSDB), em São Paulo, Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro, e Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais.
Pesquisa da semana passada mostra Fernando Haddad (PT) na liderança em São Paulo, com 36%, seguido por Tarcísio de Freitas (Republicanos) (22%) e Rodrigo (19%).
No Rio, Castro marcava 31%, contra 27% de Marcelo Freixo (PSB); e, em Minas, Zema registrava 53% no 1º turno, contra 25% de Alexandre Kalil (PSD).

