As deformações no projeto da reforma política
O Congresso continua incansável no trabalho de degradar ainda mais a imagem dos políticos. Houve aquele festival de fisiologismo nas barganhas com o Planalto para estancar a acusação da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Algo como R$ 5 bilhões ficaram comprometidos em emendas de deputados de todos os partidos. O Planalto retruca, lembrando que emendas passaram a ser compulsórias. Meia verdade, porque ficou evidente a relação da manobra com votos dados para impedir que o Supremo examinasse a denúncia de corrupção passiva.
Reforma política é tocada por partidos em ruínas
No momento, uma das grandes dúvidas nacionais é se isso que os parlamentares chamam de reforma política é ou não é mais uma grande empulhação. Tudo leva a crer que é. As orelhas grandes, o focinho pronunciado e os dentes pontiagudos são de Lobo. Ainda assim, muita gente tem a esperança de que seja uma vovozinha disfarçada. Não se engane. Quem acreditar piamente agora não terá como piar depois.
O distritão melhora a política? Não
A proposta do distritão não é nova. Mas foi resgatada no Congresso há alguns dias e está sendo debatida de novo. Luiza Erundina (PSOL-SP) diz por que é contra essa ideia.
ÉPOCA – Por que votou contra o distritão?
Luiza Erundina – O distritão é a pior solução política. É uma proposta atrasada, que existe apenas em quatro pequenos países no mundo. O Brasil, com seu nível de complexidade, com sua diversidade, com os graves conflitos que tem, não pode ter uma solução tão simplista. O distritão é um sistema muito excludente. Vai excluir a juventude, não vai renovar a política. Com ele, vão se reeleger os de sempre.
O distritão melhora a política? Sim
O distritão melhora a política? O projeto voltou ao debate no Congresso. Miro Teixeira (Rede-RJ) diz por que o defende.
ÉPOCA – Por que o distritão é melhor?
Miro Teixeira – Você pode ter um tempo mais bem aproveitado na propaganda eleitoral de rádio e televisão. Pode ter uma campanha mais barata, porque não precisa encher uma chapa a fim de reunir votos para fazer quociente eleitoral. Hoje, cada partido lança um número de candidatos 50% maior que o número de vagas.
Apropriação indébita - ISTOÉ
Depois de meses discutindo a reforma política, a comissão especial da Câmara que analisa mudanças no sistema eleitoral, avançou. Mas nos recursos públicos. Os parlamentares aprovaram na última quinta-feira 10 o texto-base da reforma política. A partir de 2018, os partidos abocanharão R$ 3,6 bilhões de recursos do Orçamento da União para realizarem as campanhas eleitorais. Isso, sem contar com os R$ 800 milhões que os partidos já gastam do Fundo Partidário, distribuído para todos os 35 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


