Eunício e Ciro: tudo junto e misturado
Sim, a política é dinâmica, mas recomenda-se evitar fazer o distinto público de bobo. Nos últimos dias, a crônica política deu conta de um encontro entre o senador Eunício Oliveira (PMDB), o governador Camilo Santana (PT) e o prefeito Roberto Cláudio (PDT). O regabofe ocorreu em 31 de agosto, no Coco Bambu, de Brasília, casa que vive apinhada de clientes. Portanto, o trio escolheu a dedo um lugar para ver e ser visto. Bem cearense, não é?
Petrificado, Lula faz caravana sem sair do lugar
Lula só virou um portento eleitoral depois que assinou, em 2002, a Carta aos Brasileiros. Nela, apropriou-se dos pilares que escoraram a política econômica na Era pós-Real. E deslizou da esqueda para o centro, beliscando votos no campo adversário. Elegeu-se presidente. No governo, vangloriou-se de ser “uma metamorfose ambulante”. Reelegeu-se com um pé nas costas e o mensalão sobre os ombros. E ainda abriu uma fábrica de postes.
Caravana da mentira
Pondo em prática seu plano de concorrer à Presidência da República no ano que vem, o sr. Lula da Silva deu início, na quinta-feira passada, a uma caravana de 20 dias, percorrendo 25 cidades dos 9 Estados do Nordeste. Esses primeiros passos rumo às eleições de 2018 mostram que o ex-presidente petista continua exatamente o mesmo, sem assumir sua responsabilidade pela crise, sem fazer qualquer autocrítica e sem esclarecer seus atos, como se não tivesse sido condenado por corrupção passiva e lavagem dinheiro a 9 anos e 6 meses de prisão.
O Amazonas mede na urna a ampla rejeição aos políticos
O resultado da eleição extra no Estado do Amazonas é o primeiro alerta real, pesquisas à parte, sobre o estado de ânimo do eleitorado: o público não está gostando nada dos políticos que tem à disposição.
Números que comprovam o alerta vermelho: 43% dos votantes preferiram não votar em ninguém, se contabilizadas a abstenção, os votos nulos e os brancos. Consequência: o segundo turno, concebido para permitir a instalação de um governante com maioria clara, produziu um governador (no caso, Amazonino Mendes, do PDT) com apenas 33% dos votos possíveis.
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As brumas sobre 2018
Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo
27 Agosto 2017 | 03h00
O que esperar das eleições de 2018? A pergunta que mais ouço de leitores, ouvintes, amigos, familiares, empresários, taxistas, enfim, de todos com quem converso é justamente a mais difícil de responder.
E não apenas pela natural imprevisibilidade de uma eleição, agravada, neste caso, pela profunda crise econômica e política na qual o País está mergulhado há quase quatro anos. Mas porque ela se soma a uma completa incerteza sobre as regras que vão reger o pleito, quem serão os candidatos (e quais estarão aptos legalmente a concorrer) e até quais serão os partidos existentes.
Esse salto no escuro pouco mais de um ano antes daquela que é vista como a mais importante eleição desde a redemocratização é alarmante. Evitá-lo deveria ser um compromisso de todos aqueles que têm responsabilidade institucional com um ou vários aspectos que provocam a incerteza.
É essencial que as instâncias da Justiça saibam que precisam decidir em tempo hábil se Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser candidato a presidente. E não se trata de suprimir prazos de defesa ou promover julgamentos sumários, mas sim de que cada instância cumpra seu dever sem delongas, sabendo que esta é uma questão fundamental para definir que eleição se terá.
Como bem destacou o economista e cientista social Eduardo Giannetti em palestra neste sábado, a eleição será uma com Lula e outra completamente diferente sem ele. Seja no espectro dos candidatos seja no debate que será travado.
Ignorar o que é um dado de realidade e permitir que a decisão sobre sua candidatura se arraste até as vésperas do pleito levará a incertezas jurídica, política e social. Há que se evitar ao máximo a judicialização da campanha num país cindido politicamente e já traumatizado por tantos escândalos recentes e por uma recessão econômica prolongada que sacrifica seu desenvolvimento.

