Operação Tabajara 3
Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
17 Agosto 2018 | 03h00
Tal como se uniu contra a tentativa de usar um plantão de fim de semana do TRF-4 para soltar o ex-presidente Lula em uma hora, o Judiciário brasileiro se une agora contra uma outra investida do PT: o registro da candidatura de Lula, gritantemente ilegal, de uma “inelegibilidade chapada”, como definiu o ministro Luiz Fux, do STF.
O registro da candidatura de Lula no final do último dia, sabendo que ela seria certamente impugnada, não é uma estratégia jurídica, mas sim uma articulação política. E o Judiciário, tomado em brios, não aceita ser usado em articulações políticas desse tipo.
Exclusivo: 65,6% não votariam em Lula preso
O PT pode até fazer a sua encenação para realizar o pedido de registro da candidatura de Lula no TSE, com direito a “invasão” de militantes do MST em Brasília. Mas, com Lula preso, não terá o apoio da população nas urnas. Segundo uma sondagem realizada com exclusividade para o BR18 pela Paraná Pesquisas, divulgada nesta quinta-feira, 16, 65,6% dos eleitores afirmaram que não votariam em Lula para a Presidência com ele na cadeia. Ainda assim, 34,4% dos entrevistados declararam que, mesmo com o ex-presidente no xilindró, dariam seus votos a ele.
De acordo com a pesquisa, a fatia dos que não votariam em Lula preso é praticamente a mesma entre homens e mulheres. A resistência ao voto no petista, porém, é maior nas regiões Sul (77,1%), Norte/Centro-Oeste (77,1%) e Sudeste (69,3%) do que no Nordeste (49,4%). Ela é maior também entre os eleitores com grau universitário (80,1%) e com ensino médio (67,4%) do que com ensino fundamental (54,5%). A Paraná Pesquisas ouviu 2.002 eleitores em 168 municípios de 26 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 9 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no TSE sob o nº BR-02891/2018. / J.F.
Lula usa dinheiro público para enganar eleitorado
Lula será proibido de disputar o Planalto. Isso acontecerá porque ele é ficha-suja e a Justiça Eleitoral decidiu fazer valer a Lei da Ficha Limpa. O PT sabe que registrou no TSE um candidato-fantasma. Tanto que já levou à vitrine um substituto: Fernando Haddad. A insistência de Lula em prolongar a polêmica sobre sua falsa candidatura tem dois propósitos: desmoralizar a Justiça e enganar o eleitor.
A defesa de Lula mobilizou advogados especializados em jurisprudência eleitoral para esticar um processo que todos sabem que não dará em nada. Um político que se imaginava invulnerável e está preso numa sala de 15 metros quadrados tem todo o direito de optar por viver no Mundo da Lua. O que não seria aceitável é que a Justiça fizesse o papel de boba.
Análise: Um fato que não corresponde aos fatos
Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo
16 Agosto 2018 | 05h00
Já se passaram mais de quatro meses da prisão de Lula, mas o comando do PT, teleguiado pelo ex-presidente, tenta criar uma realidade paralela, onde Lula pode ser candidato ao Planalto, apesar de seu caso claramente se enquadrar na Lei da Ficha Limpa. Ou seja, está inelegível. Mais grave ainda é omitir no registro da candidatura aquilo que todo o mundo já sabe: Lula foi condenado e está preso.
Não é preciso ser gênio para ver que o PT segue roteiro elaborado para tentar estabelecer, até quando der, a dúvida na cabeça dos eleitores e levar adiante a tese da perseguição política. Querem transformar em fato algo que não corresponde aos fatos. O fato que existe é que Lula está preso, depois de ser condenado em 2.ª instância.

