Alckmin e o 2º turno
Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
24 Agosto 2018 | 03h00
Geraldo Alckmin (PSDB) patina no primeiro turno, mas bate todos os adversários no segundo, exceto Marina Silva (Rede). Jair Bolsonaro (PSL) é o oposto: campeão no primeiro turno sem Lula, perde de todos os outros no segundo, exceto Fernando Haddad (PT), que nem candidato é. Isso atinge a percepção de que Alckmin é fraco e Bolsonaro é forte, o único “anti-PT”.
Segundo o Datafolha, Alckmin cresceu de cinco a seis pontos entre abril e agosto nos cenários de segundo turno, registrando linha ascendente contra todos os adversários, inclusive Bolsonaro. Em abril, os dois tinham empate de 33% num eventual confronto direto. Hoje, Alckmin tem 38% contra 33% de Bolsonaro.
Mesmo em relação a Marina, a única que venceria Alckmin se o segundo turno fosse hoje, a tendência é favorável a Alckmin. A diferença era de 44% a 27% em abril e passou a ser de 41% a 33% agora. Ela caiu, ele subiu.
Essência do jogo político
William Waack, O Estado de S.Paulo
23 Agosto 2018 | 05h00
Há muita gente tratando como traição aquilo que é a essência do jogo político brasileiro. O noticiário dos últimos dias está repleto de exemplos de caciques políticos que apoiam um nome à Presidência e, ao mesmo tempo, dão palanque em suas regiões a agremiações de adversários do candidato nacional.
É uma ocorrência comum em todas as últimas eleições. É um comportamento que não deveria surpreender nem ser chamado de traição e, no extremo lógico do raciocínio, tampouco mereceria destaque no noticiário. Na verdade, se notícia é coisa inédita então notícia seria se não se registrasse comportamento desse tipo.
Começa pela maçaroca ideológica brasileira, que não comporta definições precisas do que seja a tendência política dos partidos, se é que se pode falar disso. Afinidades em torno de plataformas ou posturas político/ideológicas são muito raras, e pertencem, a rigor, a extremos do espectro. Os partido já eram fracos ainda antes do esfarelamento que sofreram com a Lava Jato e não têm (mesmo o PT) a tal da “fixação estrutural” da qual falam os cientistas políticos, isto é, não se mantêm o que são por um longo prazo de tempo.
TSE apresenta previsão do tempo de propaganda no rádio e na TV para cada candidato à Presidência
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou nesta quinta-feira (23) o tempo previsto para a propaganda no rádio e na televisão de cada um dos 13 candidatos à Presidência da República, para a campanha do primeiro turno das eleições deste ano.
O horário eleitoral na TV começa no dia 31, mas os programas dos presidenciáveis começam a ir ao ar em 1º de setembro, até 4 de outubro.
Os programas dos candidatos a presidente serão veiculados aos sábados, terças e quintas-feiras, em dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos. No rádio, haverá um bloco às 7h da manhã e outro às 12h. Na TV, o primeiro bloco será veiculado às 13h e o segundo às 20h30.
Campanha de Geraldo Alckmin é a famosa casa em que falta pão
Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo
23 Agosto 2018 | 21h58
Em casa onde falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. Não raro, esse dito popular, tão gasto quanto verdadeiro, assola alguma campanha eleitoral. Quando acontece, o pão em falta se chama votos. A casa da vez é o QG de Geraldo Alckmin.
O tucano apostou tudo numa grande coligação que lhe daria muito tempo de TV e capilaridade nos Estados. Obteve. De posse de quase metade do tempo de TV e ainda patinando nas pesquisas – o que era previsto; sua aposta é crescer depois do início do horário eleitoral – começam as divergências de como usar essa arma.
Apoiadores de Alckmin se dividem entre os que acham que ele deveria ser mais incisivo em confrontar Jair Bolsonaro e se apresentar como anti-Lula – posto hoje ocupado pelo candidato do PSL – e os que afirmam que ele tem de insistir no discurso de conciliação, para se beneficiar dos votos de qualquer um dos dois lados caso vá ao 2.º turno com o outro.
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Mistificação
O Estado de S.Paulo
23 Agosto 2018 | 03h00
O jornal britânico Financial Times publicou no dia 21 um artigo de Fernando Henrique Cardoso no qual o ex-presidente critica duramente seu sucessor, Lula da Silva, por enxovalhar a imagem do Brasil no exterior – a mais recente estocada foi um artigo, publicado pelo New York Times, em que o petista diz, entre outras barbaridades, que sua prisão “foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil”.
Em resposta a essa patacoada, FHC escreveu que “a maneira que Lula da Silva escolheu para se defender perante o mundo (...) tem de ser contestada”, pois “sua versão da história recente do Brasil guarda escassa relação com a realidade”. Diz também que “o ex-presidente retrata o Brasil como uma democracia em ruínas, na qual o Estado de Direito deu lugar a medidas arbitrárias destinadas a enfraquecê-lo e a seu partido”, o que “não é verdade”.


