MAIS UMA Uma cobrança cínica
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A corrida para antecipar o pagamento de dividendos era totalmente previsível a partir da sanção da lei que determina a tributação do benefício financeiro a partir de 2026. Surpresa foi o governo de Luiz Inácio Lula da Silva achar que seria diferente, como mostrou o comentário feito em rede social pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, a petista Gleisi Hoffmann, que classificou de “manobra indecente” o movimento das empresas. Das duas, uma: ou demonstra a petulância de considerar que empresas e mercado estão obrigados a render-se aos interesses de Lula, ou se trata de total ignorância sobre as regras que regem o mercado.
Há ainda, como terceira hipótese, a ingenuidade, mas essa é difícil de engolir. Até porque Lula e Gleisi são tudo, menos ingênuos. A taxação de Imposto de Renda de 10% sobre o pagamento de dividendos a pessoas físicas quando o valor mensal ultrapassar R$ 50 mil foi uma das medidas encontradas pelo governo para compensar a ampliação da faixa de isenção do imposto para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Levando em conta que não há qualquer ilegalidade ou mesmo imoralidade na distribuição antecipada de lucros e dividendos, é natural que empresas e investidores aproveitem o prazo estreito antes da tributação para usufruir do sistema ainda em vigor. Reportagem recente do E-Investidor, plataforma sobre investimentos do Estadão, mostrou, com base em levantamento do banco BTG Pactual, que companhias brasileiras listadas na bolsa B3 aceleraram o anúncio dos pagamentos, totalizando R$ 68 bilhões, incluídos aí pelo menos R$ 35 bilhões em dividendos extraordinários.
Os analistas do banco avaliam que ainda deve vir muito mais por aí, já que se estima que, no terceiro trimestre, havia ao menos R$ 548 bilhões em lucros retidos e reservas de lucros no mercado. Ainda que os pagamentos não sejam, por óbvio, dessa magnitude, há um bom potencial de distribuição livre da incidência do imposto. Reportagem do Broadcast/Estadão mostrou que grandes bancos já estão oferecendo empréstimos voltados à antecipação para as empresas sem recursos suficientes em caixa.
Trata-se de uma vantagem lícita oferecida pelas empresas a seus acionistas que, por sua vez, garantem o investimento das companhias. A Petrobras, por exemplo, que anunciou o pagamento de R$ 12,2 bilhões em dividendos, sabe do retorno benéfico da medida a seus acionistas e, nesse caso, a União, que controla a companhia, será a maior beneficiada. Esperar que o mercado aguarde passivamente o início da taxação para só então distribuir parte de seu lucro é ir contra a própria lei da oferta e da demanda, princípio básico do mercado.
Ademais, denominar de “manobra indecente” uma dinâmica coerente pré-tributação soa como cinismo por parte de um governo que, esse sim, recorre a inúmeras manobras indecentes para maquiar resultados fiscais com os quais se comprometeu.
Caso Master exige transparência maior da Justiça
Por Editorial / O GLOBO
A curta trajetória do Banco Master, terminada com liquidação extrajudicial, deixou um prejuízo de no mínimo R$ 10 bilhões, além de vários indícios de crimes com envolvimento de caciques do Congresso e do governo do Distrito Federal. Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa. Não é difícil resgatar registros dos defensores mais vocais do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, muitos deles correm para apagar seus rastros.
Em situações assim, a transparência costuma ser a melhor arma contra a impunidade. Por isso causou surpresa a medida tomada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), aumentando a exigência de sigilo sobre o processo envolvendo o Master. Ontem Toffoli decidiu vetar à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS acesso às informações financeiras e mensagens trocadas por Vorcaro.
É possível que Toffoli tenha querido evitar vazamentos que prejudiquem a investigação. Como não fundamentou de forma satisfatória sua decisão, é impossível saber ao certo. Seria mais saudável, de todo modo, que o processo corresse à vista de todos. Ainda mais diante das notícias que vieram a público nos últimos dias.
O colunista Lauro Jardim, do GLOBO, revelou que Toffoli viajou para Lima para assistir à final da Libertadores num jato particular, na companhia de Augusto de Arruda Botelho, advogado de um dos envolvidos no caso Master. No mesmo dia da viagem ao Peru, o processo do Master lhe foi distribuído por sorteio. Ele assevera que não tratou do caso na viagem. Menos de uma semana depois, contudo, atendeu à demanda da defesa, concentrando as decisões sobre a investigação e aumentando o grau de sigilo.
A situação despertou novos questionamentos depois que a colunista Malu Gaspar, também do GLOBO, revelou o valor do contrato do Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes: cerca de R$ 3,6 milhões por mês, ou um total em torno de R$ 130 milhões durante três anos. Pelo contrato, tal valor remunera não a defesa de uma causa específica, mas a atuação genérica em favor do Master na Justiça, no Banco Central, na Receita Federal, no Cade, até no Congresso.
Embora Moraes não participe do caso Master, situações dessa natureza não suscitariam tanto estranhamento se o próprio STF não tivesse autorizado, em 2023, que juízes atuassem em casos envolvendo clientes de escritórios em cujos quadros trabalham parentes seus (desde que os familiares não atuem diretamente no caso). Esse é o tipo de situação que deveria ser repensada no novo código de conduta defendido pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
As acusações contra Vorcaro e Master não deveriam despertar suspeitas contra figuras de relevo na fronteira entre a política, os negócios e o meio jurídico. E manter o sigilo só faz alimentá-las. O melhor que Toffoli tem a fazer é conduzir o processo da forma mais transparente possível.
Centrões, direitões e crimes organizados no miolo do sistema político corrupto do Brasil
Vinicius Torres Freire
Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA) / FOLHA DE SP
O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) comandaram o semipresidencialismo de avacalhação de Jair Bolsonaro, a partir de 2021. Lira era presidente da Câmara; Nogueira, ministro da Casa Civil. Tentam manter o mando puxando por exemplo as cordinhas que movimentam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se enrola no barbante.
Poderosos têm muitos amigos, assessores, indicados e aliados. Lira e Nogueira são uns azarados, por assim dizer. Seus companheiros aparecem na mira de investigações como Carbono Oculto, Poço de Lobato, Banco Master e, nesta semana, em mais uma rodada de apuração do rolo das emendas parlamentares.
O comando das emendas e de parte do governo foi a concessão que o golpista Bolsonaro fez a fim de evitar ameaças de impeachment. Foi um instrumento para a expansão eleitoral de centrões, direitões e extrema direita, que dominaram ainda mais Congresso, estados e prefeituras com a ajuda de emendas e fundos partidários gordos.
Já em 2021, havia evidências de roubança de emendas, processos que devem ser julgados no início de 2026. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), inimigo de Lira, dizia então: "Isso [emendas] vai causar talvez o maior escândalo do Brasil de todos os tempos". Foram-se quatro anos.
Rosa Weber, à época ministra do STF, tentava colocar ordem nas emendas, mas levou rasteiras da parlamentagem. Legou o caso para Flávio Dino, que endureceu o jogo, está com a cabeça a prêmio no Congresso e pouco apoio de colegas de toga. A querela das emendas é um dos dois grandes motivos das investidas da maioria do Congresso contra o Supremo (o outro é a insurreição permanente do bolsonarismo). O risco de escândalo começa a complicar até a formação da aliança presidencial das direitas.
Como é óbvio, pois, o problema é estrutural. É um sistema de apodrecimento institucional que vai da corrupção à esculhambação extra do Orçamento. O dinheiro alimenta currais eleitorais e "forma maiorias" para votações na Câmara. O Congresso se torna corporação dinheirista e de proteção contra a polícia. Há tantos envolvidos que há interesse amplo de escamoteamento do rolo.
Dados os poderes do Congresso e a ameaça de criação de meios de facilitar o impeachment de ministros do STF, vários com telhados de vidro lambuzados de relações perigosas e politicagem, há meios para forçar acordões. É o que se vê agora, na dança da regulamentação do impeachment.
Depoimentos de alguns parlamentares e funcionários do Congresso à Polícia Federal embasaram a batida no apartamento e na sala parlamentar de Mariângela Fialek, um dia assessora graúda da gente do MDB no poder, depois próxima de Nogueira e Lira. Dessa assessora sabe-se por ora que era a administradora de fluxo de emendas secretas. Não diz por ora nada sobre desvio de dinheiro, embora se pergunte o motivo de haver segredo, anonimato, atropelamento de comissões parlamentares e nenhum esclarecimento de uso de dinheiros.
O que se sabe é que amigos das cúpulas dos centrões e direitões estiveram na mira de todas as grandes operações recentes contra o grande crime: organizado, financeiro, tributário, empresarial, político.
Mais do que corrupção sistemática, parece um sistema político corrupto. Sobrou gente bastante de fora, na cúpula do poder, para tomar atitude? A maioria das elites econômicas finge que não está vendo. Aliás, quer a vitória da chapa dos centrões direitões.
Um experimento a se observar
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A decisão da Austrália de proibir o uso de redes sociais para menores de 16 anos é objeto de atenção no mundo todo, especialmente por pais e educadores que, diariamente, testemunham os efeitos negativos das plataformas de mídias digitais sobre crianças e adolescentes.
Aprovada pelo Parlamento no final do ano passado, a proibição passou a valer agora em dezembro. De acordo com as novas regras, as plataformas de redes sociais têm a obrigação de checar a idade de seus usuários por meio de documentos ou verificações faciais, desconectar as contas já existentes daqueles com menos de 16 anos e impedir a criação de novos perfis.
Puníveis com multa de até R$ 200 milhões, plataformas como Facebook, TikTok, YouTube, Snapchat e Instagram, entre outras, afirmaram estar cumprindo com as regras.
Por ora, redes como WhatsApp e Discord não precisam barrar menores de 16 anos, mas podem vir a ser obrigadas a fazê-lo caso o governo australiano julgue necessário. A lista de plataformas proibidas para menores é dinâmica, podendo ser revisada periodicamente.
Como acabou de entrar em vigor, a proibição ainda esbarra em desafios, como falhas no processo de verificação de idade. Há ainda o risco de que jovens usem redes privadas virtuais (VPN, na sigla em inglês) para driblar as restrições geográficas e acessar as redes como se estivessem em localidades onde não há proibição.
O governo australiano reconhece os problemas de execução e afirma não esperar que tudo flua com perfeição de um dia para o outro. Em artigo publicado no domingo passado, 7, o primeiro-ministro Anthony Albanese comparou as restrições às redes sociais à idade mínima de 18 anos para o consumo de bebidas alcoólicas.
“A mensagem que essa lei passa é 100% clara. Por exemplo, a Austrália estabeleceu em 18 anos a idade legal para o consumo de álcool porque nossa sociedade reconhece os benefícios dessa abordagem para o indivíduo e a comunidade”, disse o premiê.
De acordo com Albanese, não é porque, vez ou outra, adolescentes encontram maneiras de beber que a existência de uma regra clara, um padrão nacional, sobre bebidas, e agora sobre redes sociais, perde seu valor.
Mais do que um fim, a proibição instituída pela Austrália soa como um ponto de partida. Embora as redes sociais sejam uma ferramenta que aproxima pessoas, seu uso sem controle por crianças e adolescentes vem causando uma série de prejuízos à sociedade, que vão desde a dificuldade de prestar atenção a aulas até, infelizmente, casos de automutilação e suicídios.
No caso específico do Brasil, embora há muito se saiba dos efeitos nocivos do álcool e do tabaco, as restrições a propagandas e o estabelecimento de idade mínima para o consumo desses produtos não ocorreu da noite para o dia.
Foram décadas para que as regras fossem gradualmente apertadas até que, finalmente, a propaganda de cigarro fosse completamente banida dos meios de comunicação, enquanto a de bebidas alcoólicas ficou limitada a horários específicos. Hoje, nem mesmo os fabricantes desses produtos discordam das proibições.
Nesse contexto, a decisão da Austrália de proibir as redes para menores de 16 anos ganha ainda mais relevância, pois pode levar à criação de um arcabouço global, ajustado a realidades locais, sobre como mitigar os efeitos nocivos das redes sobre os jovens.
Mais de dois terços dos australianos concordam com as regras mais rígidas. Se a experiência é radical demais, só o tempo dirá. Mas o que a sociedade australiana está escancarando é que a exposição excessiva às redes (e a conteúdos nem sempre adequados) não pode seguir como está.
Cabe aos países, plataformas, pais e educadores observarem atentamente os resultados do experimento australiano e se adequarem aos novos tempos. Já há consenso de que o uso indiscriminado das redes pode ter efeitos irreversíveis sobre o ser humano em seus anos de formação, mas falta entendimento sobre como lidar com esse novo problema. A Austrália convida o mundo a ao menos encarar um debate essencial – e inadiável.
Uma cobrança cínica
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A corrida para antecipar o pagamento de dividendos era totalmente previsível a partir da sanção da lei que determina a tributação do benefício financeiro a partir de 2026. Surpresa foi o governo de Luiz Inácio Lula da Silva achar que seria diferente, como mostrou o comentário feito em rede social pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, a petista Gleisi Hoffmann, que classificou de “manobra indecente” o movimento das empresas. Das duas, uma: ou demonstra a petulância de considerar que empresas e mercado estão obrigados a render-se aos interesses de Lula, ou se trata de total ignorância sobre as regras que regem o mercado.
Há ainda, como terceira hipótese, a ingenuidade, mas essa é difícil de engolir. Até porque Lula e Gleisi são tudo, menos ingênuos. A taxação de Imposto de Renda de 10% sobre o pagamento de dividendos a pessoas físicas quando o valor mensal ultrapassar R$ 50 mil foi uma das medidas encontradas pelo governo para compensar a ampliação da faixa de isenção do imposto para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Levando em conta que não há qualquer ilegalidade ou mesmo imoralidade na distribuição antecipada de lucros e dividendos, é natural que empresas e investidores aproveitem o prazo estreito antes da tributação para usufruir do sistema ainda em vigor. Reportagem recente do E-Investidor, plataforma sobre investimentos do Estadão, mostrou, com base em levantamento do banco BTG Pactual, que companhias brasileiras listadas na bolsa B3 aceleraram o anúncio dos pagamentos, totalizando R$ 68 bilhões, incluídos aí pelo menos R$ 35 bilhões em dividendos extraordinários.
Os analistas do banco avaliam que ainda deve vir muito mais por aí, já que se estima que, no terceiro trimestre, havia ao menos R$ 548 bilhões em lucros retidos e reservas de lucros no mercado. Ainda que os pagamentos não sejam, por óbvio, dessa magnitude, há um bom potencial de distribuição livre da incidência do imposto. Reportagem do Broadcast/Estadão mostrou que grandes bancos já estão oferecendo empréstimos voltados à antecipação para as empresas sem recursos suficientes em caixa.
Trata-se de uma vantagem lícita oferecida pelas empresas a seus acionistas que, por sua vez, garantem o investimento das companhias. A Petrobras, por exemplo, que anunciou o pagamento de R$ 12,2 bilhões em dividendos, sabe do retorno benéfico da medida a seus acionistas e, nesse caso, a União, que controla a companhia, será a maior beneficiada. Esperar que o mercado aguarde passivamente o início da taxação para só então distribuir parte de seu lucro é ir contra a própria lei da oferta e da demanda, princípio básico do mercado.
Ademais, denominar de “manobra indecente” uma dinâmica coerente pré-tributação soa como cinismo por parte de um governo que, esse sim, recorre a inúmeras manobras indecentes para maquiar resultados fiscais com os quais se comprometeu.
Após operação sobre emendas, deputados prometem retaliação contra governo Lula e o STF
Por Malu Gaspar / O GLOBO
A operação da Polícia Federal sobre a funcionária da Câmara responsável pela distribuição das emendas parlamentares, Mariangela Fialek, a Tuca, desencadeou uma articulação entre senadores e deputados por uma reação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e também ao governo Lula, que na visão de uma ala do Congresso poderia estar por trás da ação ordenada pelo ministro Flávio Dino.
Líderes de todos os partidos foram convocados para voltar a Brasília para uma reunião de emergência na Câmara na noite de sexta-feira (12) para discutir como responder à operação, que ocorreu na sequência de outros embates entre o STF e a Corte.
No pedido feito ao ministro Flávio Dino para executar a operação, a Polícia Federal recorre a relatos de pressão política, envio de planilhas sem identificação de autoria e centralização das decisões sobre a destinação de recursos bilionários para supostamente favorecer os interesses de Arthur Lira (PP-AL), que foi presidente da Câmara na época em que o orçamento secreto se tornou predominante.
Lira não é alvo direto da operação, mas é citado em todos os depoimentos como o maior interessado nas movimentações atribuídas a Tuca. Ao longo do dia, nas conversas de bastidor, lideranças diziam que qualquer investigação mais profunda seria obrigada a avançar sobre os ministérios que executam o pagamento dos recursos das emendas, uma vez que os deputados destinam, mas quem encaminha e ordena a execução seriam os ministérios de Lula.
A interlocutores, Lira afirmava que as planilhas de emendas organizadas pela ex-assessora discriminavam quem no governo autorizou cada envio, e que elas levariam aos ministros Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais, no Palácio do Planalto), ao ministro da Saúde Alexandre Padilha e ao da Integração Nacional, Waldez Góes, entre outros auxiliares do presidente da República.
De acordo com deputados e assessores ouvidos pela equipe da coluna, além de pedir que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tome alguma medida jurídico-institucional para tentar embargar o avanço das apurações, os parlamentares também discutem fazer andar no Senado duas propostas que limitam a ação do STF.
Uma delas seria a proposta de emenda constitucional do senador Espiridião Amim (PP-SC) que restringe as decisões monocráticas dos ministros. Na direção oposta está o presidente da Câmara, que vem tentando colocar panos quentes e acalmar os ânimos para tentar evitar o acirramento do conflito entre os poderes. A questão é que Motta também vive uma crise de liderança.
Ele foi atropelado pelos deputados na tentativa de aprovar a cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP), no início da semana, depois que a polícia legislativa impediu o acesso da imprensa ao plenário onde Braga ocupava a cadeira da presidência.
O psolista acabou sendo retirado com truculência pelos policiais legislativos e Motta perdeu o controle do plenário. Ao final, Braga teve o mandato suspenso por seis meses e Zambelli teve a cassação rejeitada.
Na sequência, o ministro Alexandre de Moraes anulou a decisão da Câmara e, na sexta-feira, a decisão foi ratificada pela Primeira Turma do Supremo por unanimidade.
Motta, portanto, não tem muito cacife político para conter a indignação dos deputados com a ofensiva do Supremo. Se ele repetir nesse processo as mesmas trapalhadas da semana passada, ao invés de diminuir a temperatura da crise, acabará por incendiá-la ainda mais.
O presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta — Foto: Brenno Carvalho/ 30-09-2025

