Sem reagir às agressões verbais, André registrou uma parte do episódio e publicou em seu perfil no Instagram. Ao Diário do Nordeste, a equipe de comunicação que assessora Dayany Bittencourt declarou que a política não irá se posicionar sobre o ocorrido.
Breno Pires, de Brasília, João Batista Jr, do Rio de Janeiro, e Arthur Guimarães, de São Paulo|13 dez 2025_17h53 / FOLHA DE SP
OAmapá celebrou os últimos dias de 2024 com uma programação que incluiu shows de astros da música como João Gomes, Alceu Valença, Pablo do Arrocha, Alok e a maior estrela, Roberto Carlos. Em um texto de divulgação, o governo do Estado celebrou o próprio governador, Clécio Luís, do Solidariedade, e o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Dizia: “O trabalho sério e com responsabilidade de divulgação do Amapá feito pelo governador Clécio, com apoio do senador Davi, vem chamando a atenção da iniciativa privada e garantindo investidores para os eventos”. Não há detalhes de como o parlamentar, que não tem nenhum cargo no governo do Amapá, participou dos preparativos.
Uma versão muito menos congratulatória está detalhada em uma proposta de colaboração premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República. Os candidatos a delator são dois investigados em fraudes bilionárias no setor de combustíveis: o empresário Roberto Leme — conhecido como Beto Louco, controlador da Copape, fabricante de gasolina — e seu sócio Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. A dupla propõe revelar como abasteceu boa parte do panteão do Congresso Nacional com dezenas de milhões de reais em troca de influência, entre 2021 e 2025, com destaque para Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil.
No episódio dos shows em Macapá, Beto Louco conta que desembolsou 2,5 milhões de reais, a pedido de Alcolumbre, para bancar o show de Roberto Carlos. A piauí apurou que a proposta de delação diz que a tratativa foi realizada no dia 20 de dezembro de 2024, em reunião presencial no gabinete do senador, em Brasília. O dinheiro, afirma a proposta de delação, era a forma encontrada por Beto Louco para tentar reverter uma decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia proibido a Copape de produzir combustível, sua principal atividade. O empresário reclamou que o fechamento fora resultado de “perseguição regulatória” e pediu ajuda.
Na conversa, Beto Louco lembrou que o senador tinha meios de pressionar por uma reversão. Afinal, naquele mês de dezembro, o governo Lula havia indicado dois nomes para integrar a diretoria da ANP. E os nomes seriam submetidos a uma sabatina no Senado, momento em que Alcolumbre podia exercer sua influência.
De acordo com o relato entregue à PGR, Alcolumbre sinalizou disposição para ajudar. Em dado momento da reunião, ainda segundo o documento, o senador mudou de assunto e contou que ele próprio estava com um problemão de outra natureza. Com a desistência de um patrocinador, ficou faltando dinheiro bancar os custos do show de Roberto Carlos, já anunciado pelo governo amapaense. Faltavam precisamente 2,5 milhões de reais.
Segundo a proposta de delação, Beto Louco concordou em pagar o valor, e o senador pediu que a transferência fosse feita por intermédio de um contato chamado “Cleverson”.
Segundo os documentos apresentados à PGR, o intermediário enviou os dados de duas contas bancárias para o depósito de duas parcelas, cada uma no valor de 1,25 milhão. Uma conta era da CINQ Capital Instituição de Pagamentos, no Banco do Brasil. A outra era da QIX Transportes Logística Ltda, na Sicredi.
Conforme o combinado, as duas transferências foram realizadas por uma empresa da dupla na véspera do show do Rei, que aconteceu no dia 28 de dezembro. A piauí teve acesso ao número de contato de “Cleverson”. O DDD é do Ceará e o dono do número chama-se Kleryston Pontes Silveira, um empresário do ramo musical de Fortaleza, que trabalha para nomes como Xand Avião, Zé Vaqueiro, Nattan e Mari Fernandez. Roberto Carlos não está entre seus agenciados.
Ainda segundo o material de posse da PGR, Beto Louco ligou para Alcolumbre para avisar que os depósitos haviam sido feitos. A ligação estava falhando, mas logo o senador respondeu com uma mensagem: “Tamo junto sempre!”. Em seguida, o senador emendou uma outra mensagem com o desenho de um gesto de prece seguido de um “Muito obrigado!”.
Procurado pela piauí, Alcolumbre respondeu por meio de sua assessoria que “não mantém relação comercial ou empresarial com os citados”. Sua nota diz o seguinte:
“As empresas mencionadas [refere-se à QINC e à QIX] nunca patrocinaram o Réveillon do Amapá nem qualquer evento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador não mantém relação comercial ou empresarial com os citados.
É fato público que o presidente Davi sempre buscou, de forma institucional, correta e transparente, apoio de empresas para iniciativas que fortalecem a cultura e geram empregos no Amapá — como a Expofeira, o Carnaval e o Réveillon. Em 2024, o senador solicitou a várias empresas e instituições apoio para fomentar o evento, entre elas a Febraban e o Banco do Brasil.
Como senador do Amapá, Davi Alcolumbre atua diariamente em todas as pautas estratégicas para o estado. Recebe dezenas de pessoas por dia em seus compromissos, sempre dentro da legalidade, e continuará fazendo isso porque o desenvolvimento do Amapá é a sua bandeira.
O presidente do Senado repudia de forma categórica qualquer tentativa de associá-lo a atos ilícitos, denuncia a distorção dos fatos e reafirma seu compromisso inegociável com a lei e com a verdade.”
A nota deixou sem resposta parte das perguntas enviadas pela piauí. O senador não confirmou nem negou que houve uma reunião em seu gabinete no dia 20 de dezembro de 2024. Tampouco informa se o senador solicitou ou não apoio financeiro aos dois empresários sob investigação. Não respondeu se conhece os empresários, nem as circunstâncias que os conheceu. Não fala sobre “Cleverson”, nem sobre Kleryston Pontes Silveira. Por fim, nada disse sobre as mensagens “Tamo junto sempre!” e “Muito obrigado!”.
A defesa de Beto Louco e de Mohamad Mourad afirma que “não se manifestará a respeito da existência ou não de quaisquer tratativas de acordo, sobretudo porque, se existirem, devem tramitar sob o mais absoluto sigilo”. Na mesma resposta, nega as suspeitas de investigadores de que os dois empresários têm ligação com o PCC. Os advogados dos empresários nas negociações com a PGR são diferentes dos advogados que representam eles nas ações penais.
Procurado pela piauí, o empresário Kleryston Pontes Silveira diz que conhece o senador Alcolumbre apenas de forma profissional: “Dos eventos que meus artistas já fizeram no Amapá.” Sobre o show de Roberto Carlos, ele nega ter tido qualquer ingerência. Indagado se conversou com Beto Louco e se encaminhou a ele seus dados bancários, conforme consta em documentos enviados à PGR, ele não respondeu. No festival de Réveillon de 2026, o cantor Nattan, agenciado por ele, está confirmado para cantar em Macapá.
Os dois nomes indicados pelo governo para integrar a ANP foram sabatinados e confirmados: Artur Watt Neto, indicado pelo senador Otto Alencar, do PSD-BA, e Pietro Mendes, indicado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, do PSD-MG.
De acordo com a proposta de delação de Beto Louco, o escambo entre favores e propinas em Brasília tornou-se mais frequente em 2024, principalmente depois do fim de julho, quando a ANP proibiu a Copape de atuar na produção de combustível. Para tentar reverter a decisão da ANP, Beto Louco e Mohamad Mourad passaram a fazer viagens à capital federal, acionando contatos antigos e novos. Em troca, eles afirmam ter bancado demandas pessoais e despesas de autoridades do Congresso. Gastaram, por exemplo, 150 mil reais em canetas de Mounjaro, medicamento para controle de diabetes e perda de peso, entregues a Alcolumbre dias depois da decisão da ANP, conforme revelou o portal UOL.
Eles também afirmam que, ao longo de quatro anos, repassaram dezenas de milhões de reais a políticos em troca de interferências diversas em benefício de seus negócios. Na proposta de delação, segundo a piauí apurou, eles dizem que uma parte dos pagamentos se deu em dinheiro vivo, retirado em um escritório em São Paulo, onde intermediários de senadores, deputados e dirigentes partidários apareciam para buscar malas de dinheiro. Outra parte saiu por meio de empresas ligadas ao Copape (Antonio Rueda não respondeu às perguntas enviadas pela piauí).
Beto Louco e Mohamad Mourad procuraram o Ministério Público Federal em setembro, depois que viraram alvos de duas ruidosas investigações criminais do país — a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, e a Operação Tank, da Polícia Federal no Paraná, ambas deflagradas no mesmo dia 28 de agosto de 2025. As investigações desmantelaram esquemas de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro envolvendo escritórios e fundos da Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo e do país. A dupla fugiu do país na véspera das operações policiais. A fuga aconteceu exatamente oito meses depois dos festejos em Macapá.
Semanas depois, a proposta de colaboração premiada foi rejeitada pela PGR. Procurada pela piauí, a procuradoria disse que “não comenta eventuais discussões ou confirma a existência de tratativas”, em razão do sigilo imposto pela lei que trata de colaborações premiadas. Em conversas reservadas, interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contam que o material entregue pela Copape não apresentou “materialidade suficiente”.
As delações viraram mania nacional durante a Lava Jato e, desde então, exibiram tanto suas qualidades como seus defeitos. A qualidade fundamental é que um delator – sempre um envolvido diretamente no esquema que denuncia – é uma das formas mais eficientes para se obter informações internas de uma organização criminosa. O defeito é que, em busca dos benefícios da delação, nem sempre o denunciante conta a verdade, ou conta tudo. Para isso, no entanto, existe a investigação policial, cujo objetivo é exatamente comprovar (ou não) os crimes denunciados pelo delator.
Há outro problema que, no entanto, não é inerente às delações. Trata-se da divulgação do conteúdo de uma delação como se fosse expressão da verdade. E há casos em que, depois de submetida ao crivo das autoridades, a delação não se mostra tão comprometedora quanto parecia à primeira vista. Ou seja: crimes são denunciados, criam um ambiente de punitivismo generalizado e, depois, não são comprovados. Ou pior: comprova-se que o delator exagerou na denúncia. Neste sentido, o cuidado da PGR em aceitar a delação de Beto Louco é bem-vindo. Será uma lástima, porém, se a delação for rejeitada mesmo tendo elementos consistentes e passíveis de apuração.
Depois da rejeição da proposta de delação pela PGR, Beto Louco e Mohamad Mourad enviaram informações complementares à sugestão inicial, e ainda aguardam uma nova análise da procuradoria. Cabe ao procurador-geral Paulo Gonet decidir se quer investigar o que os empresários estão dispostos a revelar, em meio à forte pressão política para abafar o caso.
Gonet foi indicado pelo presidente Lula para um segundo mandato como procurador-geral, no dia 27 de agosto, um dia antes da deflagração das operações Carbono Oculto e Tank. Alcolumbre segurou a sabatina e a votação para validar o nome de Gonet no Senado até o dia 12 de novembro, quando, de acordo com as informações obtidas pela piauí, a PGR já havia rejeitado a primeira proposta de colaboração premiada que o tinha como alvo. A aprovação do nome de Gonet foi a mais apertada desde a redemocratização, com placar de 26 votos contrários e 45 favoráveis, apenas quatro a mais que o necessário (o mínimo são 41).
A proposta de delação surge num contexto institucional delicado. Cabe ao presidente do Senado — hoje, Davi Alcolumbre — decidir sobre a admissibilidade de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, algo que Alcolumbre sempre se recusou a fazer. O tema ganhou nova tensão dias atrás, quando o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar restringindo à PGR a legitimidade para apresentar pedidos desse tipo, sob o argumento de evitar o uso político do instrumento. A decisão veio no momento em que diferentes operações — Carbono Oculto, Refit e a investigação sobre o Banco Master — colocaram integrantes da cúpula do Congresso sob pressão, além das investigações sobre emendas parlamentares. Não há indicação de relação direta entre esses episódios, mas o acúmulo de frentes sensíveis coincide com a cautela na PGR sobre a delação de Beto Louco e Mohamad Primo.
A lei não obriga o Ministério Público a aceitar qualquer colaboração. O órgão pode recusar acordos considerados irrelevantes, frágeis ou repetitivos. Nos últimos anos, o STF endureceu a fiscalização sobre delações “vazias” e benefícios excessivos.
Procurado pela piauí, o governo do Estado diz que “o Réveillon do Amapá foi realizado pelo Instituto Acender [Iseap] e contou com patrocínio da Cervejaria Império, do Banco do Brasil e da Febraban, além do apoio do Sesc (Fecomércio/Senac) e do Ministério do Turismo. Os patrocinadores foram responsáveis pela contratação, negociação e pagamento dos cachês dos artistas”.
A resposta reforça que os cachês de artistas não estão contemplados nos 3,46 milhões de reais do orçamento do evento (cerca de metade dos cofres estaduais e a outra de emendas parlamentares). O governo do Estado não informou o valor total dos pagamentos dos artistas, quais foram os pagantes e quem cuidou das contratações.
Os shows de João Gomes e Alok costumam custar na casa de 1 milhão de reais cada (fora os custos indiretos de estrutura). O de Roberto Carlos varia entre entre 1,5 e 2 milhões de reais.
Procurado, o empresário do Rei informou desconhecer que Davi Alcolumbre tenha intermediado o pagamento de cachês e alegou que, por razões contratuais, não iria informar o valor cobrado para a realização do show em Macapá.
Em sua nota à piauí, o governo defende que o “Réveillon 2025 movimentou 211 milhões de reais na economia local, com a atração de 32 mil turistas, sendo 13.959 viajantes internacionais. A ocupação da rede hoteleira no período foi de 97%”.
O mesmo comunicado oficial saiu em defesa de Alcolumbre. “O senador Davi Alcolumbre é um dos principais promotores do desenvolvimento do Estado e, de forma contínua, um dos incentivadores dos eventos que integram o calendário turístico do Amapá, por meio de apoio institucional”, afirma, em resposta ao que dizem Beto Louco e Mourad, que consideram as alegadas trocas de favores e milhões coisas muito grandes para esquecer.

Repórter da piauí, baseado em Brasília

Repórter da piauí, publicou A Beleza da Vida: A Biografia de Marco Antonio de Biaggi (Abril)
Repórter, foi jornalista investigativo do Jornal Nacional e do Fantástico e duas vezes indicado ao Emmy. Trabalhou em jornais e revistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília
Lula 4: desastre anunciado
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Em sua nova resolução, apresentada como bússola para um quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT chancela que nada esqueceu e nada aprendeu. O plano é fiel ao mesmo receituário que produziu estagnação, desperdício e a pior recessão da história moderna brasileira: uma quimera desenvolvimentista que promete prosperidade no futuro dobrando a aposta nos fracassos do passado – com o dinheiro alheio.
O documento reedita o mito do Estado “estrategista”, capaz de planejar cadeias produtivas e alavancar setores vencedores como se comandasse uma economia de laboratório. Tudo se passa como se, após cinco mandatos petistas, o País só não tivesse enriquecido por causa de um mercado hostil e de um Estado não suficientemente musculoso. A promessa é conhecida: desta vez, o governo vai coordenar, induzir e proteger até fazer o Brasil finalmente decolar. A realidade também é conhecida: sempre que Brasília mete sua pata nas forças produtivas, o que decola é o gasto público – e o que aterrissa é o crescimento.
A fantasia do “planejamento estratégico” só serviu para anabolizar governos pródigos em selecionar perdedores econômicos – torrando com eles até o último centavo do contribuinte – para alavancar vencedores políticos. Tudo o que a resolução petista descreve como ousadia deu em “campeões nacionais” quebrados, bilhões enterrados em obras inacabadas e estatais hipertrofiadas, aparelhadas e saqueadas. A pretexto de produzir “vencedores”, o PT multiplica dependentes.
Na mitologia petista, o crescimento dos anos 2000 não foi resultado de um vento externo que o governo tratou de desperdiçar, mas uma epopeia: o “milagre lulista” sabotado por forças conspiratórias. O fato é que, quando a maré das commodities baixou, emergiu a realidade: consumo com esteroides, subsídios obscenos, desonerações ineficientes, represamento de preços, contabilidade criativa, e, enfim, colapso fiscal e recessão. O Brasil cresceu apesar do PT e afundou por causa do PT.
Sob a retórica da “soberania produtiva”, o partido continua, no fundo, a tratar abertura comercial como armadilha imperialista e competição como ameaça existencial. Continua a se apoiar no tripé capenga – tarifas, conteúdo local, subsídios –, ignorando que economias que enriqueceram – como a Europa pós-guerra, Coreia do Sul, Taiwan – fizeram o oposto: abriram mercados, atraíram tecnologia, ampliaram produtividade. O PT não disfarça sua admiração pelo atual modelo chinês intervencionista – e em desaceleração –, ignorando a China que deu certo: a das reformas pró-mercado e da abertura iniciadas por Deng Xiaoping. A lição real – de que crescimento sustentável exige competição e previsibilidade macroeconômica – é a que o partido se nega a aprender há 40 anos.
No plano fiscal, o documento é um mergulho no autoengano, tratando disciplina como fetiche neoliberal e juros como intriga de mercado. Rebatiza gasto como “investimento”, como se semântica substituísse aritmética. Mas não é o mercado que eleva os juros, é o déficit que os infla, inibindo investimentos e sufocando a produtividade.
O partido promete repetir tudo com mais afinco, como se a loucura não fosse insistir nas mesmas escolhas esperando resultados diferentes. Mas a loucura petista tem método: sua resolução é menos um programa de crescimento que um projeto de poder. E literalmente reacionário: reage à modernidade econômica com soluções falidas do século 20. Recicla o desenvolvimentismo das ditaduras de Vargas e dos militares, mas subtrai dele até o que havia de modernizante. Na prática, resta só o assistencialismo populista – com um caixa cada vez mais comprimido por um Estado gordo e voraz. O modelo petista redistribui para dentro: beneficia carreiras públicas e lobbies oligárquicos, enquanto sufoca pequenos negócios. É uma política social para clientes, disfarçada de projeto para o “povo” – que sobra com as migalhas assistencialistas devoradas pelo custo de vida.
Um novo mandato com esse roteiro não é um risco hipotético. É a contratação de uma nova crise, desta vez sem boom das commodities e sem folga fiscal. A única coisa à qual o Estado manejado pelo PT induz é ao subdesenvolvimento – e cobra caro por isso.
Reforma do IR está longe de tornar taxação de supersalários ‘mais justa’
Por Editorial / O GLOBO
Proliferam pelo país propagandas do governo incensando a reforma do Imposto de Renda (IR) como medida de justiça tributária. Ao custo de R$ 25 milhões, a publicidade oficial alardeia que quem ganha menos de R$ 5 mil mensais (R$ 60 mil por ano) deixará de pagar IR, enquanto os “super-ricos” — aqueles que, segundo o governo, recebem mais de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano) — pagarão uma alíquota mínima de até 10%. O objetivo da propaganda é evidentemente eleitoral. A isenção de IR é um poderoso argumento de convencimento do eleitor de classe média. O IR “mais justo” propalado pelo governo, contudo, não atingirá com o mesmo rigor a elite do funcionalismo público, que se beneficia de verbas indenizatórias e outros “penduricalhos” para inflar seus supersalários.
Como regra, a maior parte dessas verbas — auxílio-moradia, auxílio-alimentação, licença-prêmio, abonos ou outros adicionais — é considerada rendimento isento de imposto, pois seu objetivo é reparar algum prejuízo ou reembolsar gastos necessários ao exercício da função. Por isso elas não são incluídas no total tributado, que costuma ser taxado a alíquotas de até 27,5%. A reforma, porém, estipula que mesmo os rendimentos isentos sejam somados para efeito de cálculo da alíquota mínima (embora exclua certas categorias). São incertas as regras que a Receita Federal estipulará para os vários “penduricalhos”. Mas, ainda que sejam levados em consideração para cálculo do IR mínimo, a taxação daqueles para quem eles representam o grosso da remuneração será tudo, menos “mais justa”.
Basta considerar um exemplo. O teto salarial do setor público equivale a um rendimento anual de R$ 630 mil, sobre os quais o funcionário recolhe 27,5% depois de todas as deduções permitidas (no máximo, pouco mais de R$ 170 mil). Isso significa que ele pode receber até R$ 1,7 milhão ao ano somando os “penduricalhos” que não pagará um centavo a mais de imposto. Se receber R$ 2 milhões, pagará apenas 10% sobre a diferença de R$ 300 mil, ou R$ 30 mil. Serão, portanto, R$ 170 mil sobre o que é recebido como salário, mais R$ 30 mil sobre quase R$ 1,4 milhão recebido na forma de “penduricalhos” (equivalente a uma alíquota de 2,2%).
Estudo recente das organizações Movimento Pessoas à Frente e República.org constatou, numa amostra de 4 milhões de servidores, haver 40 mil que, além de receber acima do teto constitucional, pertencem à fatia de 1% com maior renda do país — integram o grupo dos “super-ricos” da propaganda do governo. A elite do funcionalismo representa, segundo o estudo, pelo menos 2,7% da elite econômica brasileira. No universo pesquisado, cerca de 10,8 mil juízes receberam mais de R$ 1 milhão em 2023 (em valores corrigidos). Não se trata, portanto, de casos excepcionais. Para tornar o IR realmente “mais justo”, o mínimo que a reforma deveria fazer é submeter os “penduricalhos” à mesma taxação que o resto da remuneração. Dessa forma, quem ganha supersalários pagaria sobre eles 27,5%, e não zero ou alíquotas irrisórias.
Arcabouço fiscal virou uma peça de ficção
Por Editorial / o globo
Logo no primeiro ano do atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve do Congresso a aprovação de um conjunto de regras cuja intenção era equilibrar as contas públicas ao longo do tempo. Nada de choque. O previsto era um ajuste paulatino. Chamado de “novo arcabouço fiscal”, o projeto prometia um regime sustentável e estabelecia metas um pouco mais ambiciosas a cada ano. Era uma tentativa de dar aos agentes econômicos uma satisfação que traduzisse o compromisso de Lula com a responsabilidade fiscal. Três anos depois, a credibilidade desse arcabouço se esvaiu. Por uma razão singela: existe uma longa distância entre o discurso recheado de promessas de responsabilidade e a realidade de uma dívida pública que não para de crescer.
Todos os limites criados pelo arcabouço viraram enganação. A lista de gastos classificados como “exceções” e retirados dos cálculos das metas prometidas pelo governo só faz crescer. Nos quatro anos de mandato, as despesas excluídas do compromisso fiscal superarão R$ 170 bilhões, como mostrou reportagem do GLOBO. Somente no ano que vem, quase R$ 90 bilhões deverão ser considerados exceção, de acordo com projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado. As despesas fora da regra fiscal entre 2024 e 2026 equivalem ao gasto com o Bolsa Família ao longo de 12 meses. Como mostram os números, não há como o governo recuperar qualquer credibilidade com tal situação.
Pode até ser razoável retirar do cálculo das metas um evento extraordinário, como a enchente catastrófica no Rio Grande do Sul em 2024. Uma calamidade pública daquela proporção demandou ajuda econômica emergencial e vultosa, e o governo deduziu gastos de R$ 29,1 bilhões destinados ao estado no ano passado. Mas é ridículo usar o mesmo argumento para outras exceções. É o caso dos R$ 5 bilhões de investimentos de estatais no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2024. Ou dos R$ 3,3 bilhões separados para ressarcir as vítimas das fraudes do INSS, que também viraram exceção depois de autorização do Supremo Tribunal Federal. Ou ainda de gastos temporários com saúde e educação estimados em R$ 1,5 bilhão que o Congresso também tenta tirar do arcabouço. Não há o menor critério. “Na época da aprovação do projeto que excepcionalizou R$ 5 bilhões de gastos com Defesa [em outubro deste ano], dissemos que poderia abrir precedente perigoso. De fato, está se confirmando”, disse ao GLOBO Alexandre Seijas, diretor da IFI.
Na formulação do arcabouço, o governo inovou ao estabelecer um intervalo de tolerância para as metas. Em caso de choques inesperados, o objetivo anual seria considerado cumprido mesmo que o resultado final ficasse dentro de um limite equivalente a 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos. Todos sabem o que o governo fez a partir de então. Esqueceu o centro, passou a mirar somente o piso e, a cada sobressalto, foi engrossando a lista de exceções. O resultado? No papel, o governo é um fiel cumpridor das regras. Na realidade, a dívida não para de crescer. Não custa lembrar: dívidas públicas cada vez mais altas inibem investimentos e reduzem o potencial de crescimento econômico ao longo do tempo, com todos os efeitos negativos decorrentes disso — sobretudo na área social.
Brasil reforça desigualdade com gasto e juros altos
A desigualdade é traço característico da história da humanidade, e soa utópica uma configuração igualitária entre todos do ponto de vista econômico. A maior tentativa de experiência moderna nesse sentido foi a falida União Soviética, que acabou aderindo ao sistema capitalista no início dos anos 1990.
Afinal, alguns indivíduos ousam mais do que outros, correm riscos e acabam recompensados por criar oportunidades e invenções que os enriquecem, ao mesmo tempo em que espraiam bem-estar social com produtividade.
As últimas décadas, no entanto, têm sido marcadas pela "financeirização" do capitalismo, em que simplesmente dinheiro produz mais dinheiro. Não só empresas inovadoras geram lucros, mas riquezas acumuladas são perpetuadas em escala inédita.
Segundo o mais recente Relatório da Desigualdade Global —o terceiro volume de um trabalho internacional de mais de 200 pesquisadores coordenado pelo economista francês Thomas Piketty, autor de "O Capital do Século 21"—, a desigualdade de renda e riqueza segue em alta e em velocidade cada vez maior.
Em relação à acumulação patrimonial, 0,001% de pessoas no planeta (56 mil) detêm três vezes mais patrimônio do que toda a metade mais pobre adulta combinada (2,8 bilhões).
No quesito de rendimentos per capita, não surpreende que o Brasil, com todas as suas reconhecidas mazelas, ocupe a quinta posição de país mais desigual do mundo. Os demais são África do Sul, com cicatrizes do apartheid, Colômbia, México e Chile.
Os 10% dos brasileiros no topo da pirâmide de rendimentos capturam 59,1% da renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 9,3%.
No caso da concentração da riqueza, que inclui ativos financeiros e outros bens, como imóveis e aplicações, o país está na sexta colocação. Os 10% mais ricos detêm 70% do total, e o 1% no topo acumula mais de um terço.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou medidas em busca de maior progressividade tributária, para que os mais ricos paguem mais impostos. Recentemente, aprovou-se a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês.
É uma mudança importante, já que, de mais de 4.800 projetos analisados pelo Congresso Nacional entre 1989 e 2020, apenas 5% foram progressivos, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo.
O problema crucial neste momento, porém, é a brutal concentração de renda que a gestão petista promove de forma irresponsável ao levar o Banco Central a manter juros de 15% ao ano para debelar uma inflação gerada, principalmente, por gastos públicos descontrolados.
Serão R$ 1 trilhão em juros pagos neste ano a quem tem algum dinheiro aplicado, mesmo valor direcionado a 41 milhões de beneficiários do INSS. Isso faz do Brasil campo fértil para rentistas e para a perpetuação de desigualdades via "financeirização".
Policial militar a caminho do serviço impede tentativa de homicídio a faca em Canindé (CE)
As imagens mostram um homem vestindo camiseta azul e bermuda jeans portando uma faca. Em seguida, outro homem, de casaco verde e bermuda bege, se aproxima e arremessa um objeto contra ele, que reage e o ataca com a arma branca.
As agressões ocorrem após o homem de casaco verde cair na via. No mesmo instante, um sargento da Polícia Militar do Ceará (PMCE), que seguia pela rua a caminho do serviço, presenciou a cena. Ele parou a motocicleta, sacou a arma e rendeu o agressor.
“Por volta das 7h20, o policial militar, que se deslocava para assumir o serviço, se deparou com a agressão em andamento na Rua Paulino Barroso e agiu de imediato, utilizando os meios legais previstos no uso progressivo da força. Com a intervenção, o PM conseguiu conter e imobilizar o agressor, evitando que o crime fosse consumado e preservando a vida da vítima, um homem de 37 anos, que estava sendo atacado com uma faca”, informou a PMCE.
A vítima permaneceu caída por alguns instantes e, em seguida, foi socorrida para uma unidade de saúde do município. Não há informações sobre o estado de saúde.O agressor foi conduzido à Delegacia de Canindé e autuado em flagrante por tentativa de homicídio. Segundo a Polícia, ele possui extensa ficha criminal, com registros por homicídio, lesão corporal, ameaça, resistência, crimes de trânsito e contravenções.
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