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A punição ao devedor contumaz

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Oito anos de tramitação é um prazo excessivo para qualquer matéria no Congresso Nacional, ainda mais para aquelas que não embutem mudanças constitucionais e não representam uma ampla e complexa reforma estrutural. Por isso, não há justificativa plausível para tamanha demora na aprovação do projeto que cria e tipifica a figura do devedor contumaz, conhecido desde priscas eras como sonegador de impostos, que agora fica sujeito a punições mais rigorosas.

 

Nas aprovações recentes no Senado e na Câmara, depois de longa e inexplicável resistência em pautar a votação do projeto, os parlamentares apenas cumpriram o seu papel de zelar pela ordem econômica e pelo bem-estar da sociedade. E o fizeram, ressalte-se, encurralados por operações da Polícia Federal, do Fisco e de Ministérios Públicos Estaduais que não deixaram dúvidas sobre a estratégia de negócios das gangues travestidas de grupos empresariais.

 

Os chamados devedores contumazes estão ligados não apenas à sonegação, mas também à lavagem de dinheiro, ao conluio com o crime organizado e, por vezes, ao tráfico de armas e drogas. São bandidos e como tais devem ser tratados. Diante das múltiplas evidências escancaradas pelas investigações, que desmantelaram fraudes bilionárias tendo como fachada empresas legalmente constituídas com a finalidade de escamotear a atividade criminosa, não houve pressão lobista capaz de manter o projeto engavetado.

 

A relutância do Legislativo em deliberar sobre a proposta expôs não o cuidado dos parlamentares em debater o projeto à exaustão, o que seria uma atitude meritória, ainda que seja difícil comprar a tese de que a instituição do Código de Defesa do Contribuinte seja matéria intrincada a ponto de consumir tanto tempo. Na verdade, o prazo de permanência na gaveta expressou a total falta de prioridade da medida para os parlamentares, seja qual for motivo, apesar de representar um passo importante na recuperação de dívidas estimadas em cerca de R$ 200 bilhões em setores como o de combustíveis, bebidas e cigarros, entre outros.

 

O projeto, enviado à sanção presidencial, prevê a baixa do CNPJ de empresas identificadas como devedoras contumazes – em âmbito federal, com dívida injustificada superior a R$ 15 milhões e correspondente a mais de 100% do seu patrimônio; nos níveis estadual e municipal, quem tem dívidas tributárias por pelo menos quatro períodos de apuração consecutivos ou seis alternados no prazo de 12 meses sem justificativa.

 

É importante que as pessoas físicas associadas a esses CNPJs sejam também responsabilizadas e exemplarmente punidas para estancar a contaminação da bandidagem que se espalhou por diversos setores econômicos, chegou ao mercado financeiro e serve de elo entre o crime organizado e a economia formal. Como levantou a Receita Federal na Operação Carbono Oculto, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) usava mais de mil postos de combustíveis em dez Estados e controlava 40 fundos de investimentos para lavar dinheiro. Isso, além de crime, é um escárnio com as instituições e o poder constituído.

Força, ministro Fachin

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, propôs um código de ética para ministros. A reação dos colegas, entre a indiferença e a irritação, não poderia ser mais eloquente, razão pela qual, segundo se relata em Brasília, Fachin está isolado no Supremo. Diante disso, este jornal manifesta total apoio à iniciativa de Fachin – e concita o Brasil a fazer o mesmo. Se o presidente do Supremo está isolado na Corte, deve ficar claro para seus pares que o País está com ele.

 

Suprema ironia: o tribunal que alterna seus dias entre promover cruzadas moralizantes e reescrever leis e a própria Constituição recusa-se a redigir um punhado de regras para si mesmo.

 

Paradoxal, mas consequente: regulamentos elementares de decoro e transparência, que regem as cortes de democracias civilizadas, ameaçam a rotina de privilégios, permissividade e jurisdições alternativas no Brasil – viagens bancadas por empresários com processos na Corte; jantares de lobby travestidos de “seminários”; palestras remuneradas por grupos de interesse; camarotes e jatinhos emprestados; parentes operando como cambistas processuais; sociedades comerciais de ministros; comentários políticos na grande mídia; apadrinhamento de indicações na Justiça; costuras com caciques parlamentares. No mundo real isso se chama conflito de interesses; no STF é “agenda institucional”.

 

A Corte é hoje a reserva amoral da Nação. Os ministros tornaram inaplicáveis a si mesmos as resoluções do Conselho Nacional de Justiça, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional e seu Código de Ética. Declararam-se imunes a impedimentos por suspeição, limitações a atividades empresariais ou à obrigação de se manifestar somente nos autos.

 

Quando o topo cultiva a indústria do lobby judicial, o empreendedorismo togado, o nepotismo de alta performance, o ativismo ideológico, a guerra santa contra a transparência, por que um desembargador se daria ao trabalho de dizer “não”? Juízes e promotores observam e concluem: a ética é adereço opcional. O STF deveria ser o vértice da integridade republicana. Converteu-se no epicentro da degradação. A confiança pública na Corte segue em queda livre. Tribunais vivem de autoridade simbólica – e ela se desintegra quando seus membros parecem personagens de uma crônica de costumes, não guardiões da lei.

 

O caso do Banco Master é um microcosmo nesse universo promíscuo. Seu controlador, Daniel Vorcaro, investigado por uma coleção de fraudes, patrocinou encontros exclusivos dos ministros com políticos e empresários e celebrou contratos multimilionários com seus parentes. Quando sua situação criminal se agravou, uma petição nebulosa aterrissou no gabinete de Dias Toffoli, que já confraternizou com ele e advogados do banco. O inquérito foi trancado sob sigilo e descansa em paz.

 

Se o Estado não controla sua cúpula judicial, como resistirá à infiltração do crime organizado? “Esse país já teve presidente preso, deputado preso, governador preso”, alertou o senador Alessandro Vieira, “mas ainda não teve ministros dos tribunais superiores – e me parece que esse momento se avizinha”.

 

A crise ética não decorre de pecadilhos individuais. É estrutural. Nasce da fusão entre poder ilimitado e autorregulação indulgente. O personalismo monocrático contaminou a vida judicial. A autoimunidade é reforçada por uma blindagem ativa contra qualquer controle externo: rechaço a auditorias independentes, resistência a mecanismos parlamentares de responsabilização, hermenêuticas criativas que convertem prerrogativas em salvo-condutos. O STF tornou-se juiz – e não raro cúmplice – de si mesmo. Quebrou a bússola moral e a jogou fora.

 

O código proposto por Fachin não é panaceia, mas seria um bom começo. Ele não limitaria a liberdade da Corte, só a libertinagem de seus ministros. O STF vive a maior crise moral de sua história. E não porque é desmoralizado por “extremistas de direita”, mas porque seus membros normalizaram comportamentos que em jurisdições civilizadas são incompatíveis com a toga. Um tribunal que confunde independência com licença, prerrogativa com privilégio e autoridade com impunidade não conseguiria defender a Constituição – nem que quisesse.

PORQUE Arcabouço fiscal virou uma peça de ficção

Por  Editorial / O GLOBO

 

Logo no primeiro ano do atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve do Congresso a aprovação de um conjunto de regras cuja intenção era equilibrar as contas públicas ao longo do tempo. Nada de choque. O previsto era um ajuste paulatino. Chamado de “novo arcabouço fiscal”, o projeto prometia um regime sustentável e estabelecia metas um pouco mais ambiciosas a cada ano. Era uma tentativa de dar aos agentes econômicos uma satisfação que traduzisse o compromisso de Lula com a responsabilidade fiscal. Três anos depois, a credibilidade desse arcabouço se esvaiu. Por uma razão singela: existe uma longa distância entre o discurso recheado de promessas de responsabilidade e a realidade de uma dívida pública que não para de crescer.

 

Todos os limites criados pelo arcabouço viraram enganação. A lista de gastos classificados como “exceções” e retirados dos cálculos das metas prometidas pelo governo só faz crescer. Nos quatro anos de mandato, as despesas excluídas do compromisso fiscal superarão R$ 170 bilhões, como mostrou reportagem do GLOBO. Somente no ano que vem, quase R$ 90 bilhões deverão ser considerados exceção, de acordo com projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado. As despesas fora da regra fiscal entre 2024 e 2026 equivalem ao gasto com o Bolsa Família ao longo de 12 meses. Como mostram os números, não há como o governo recuperar qualquer credibilidade com tal situação.

 

Pode até ser razoável retirar do cálculo das metas um evento extraordinário, como a enchente catastrófica no Rio Grande do Sul em 2024. Uma calamidade pública daquela proporção demandou ajuda econômica emergencial e vultosa, e o governo deduziu gastos de R$ 29,1 bilhões destinados ao estado no ano passado. Mas é ridículo usar o mesmo argumento para outras exceções. É o caso dos R$ 5 bilhões de investimentos de estatais no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2024. Ou dos R$ 3,3 bilhões separados para ressarcir as vítimas das fraudes do INSS, que também viraram exceção depois de autorização do Supremo Tribunal Federal. Ou ainda de gastos temporários com saúde e educação estimados em R$ 1,5 bilhão que o Congresso também tenta tirar do arcabouço. Não há o menor critério. “Na época da aprovação do projeto que excepcionalizou R$ 5 bilhões de gastos com Defesa [em outubro deste ano], dissemos que poderia abrir precedente perigoso. De fato, está se confirmando”, disse ao GLOBO Alexandre Seijas, diretor da IFI.

 

Na formulação do arcabouço, o governo inovou ao estabelecer um intervalo de tolerância para as metas. Em caso de choques inesperados, o objetivo anual seria considerado cumprido mesmo que o resultado final ficasse dentro de um limite equivalente a 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos. Todos sabem o que o governo fez a partir de então. Esqueceu o centro, passou a mirar somente o piso e, a cada sobressalto, foi engrossando a lista de exceções. O resultado? No papel, o governo é um fiel cumpridor das regras. Na realidade, a dívida não para de crescer. Não custa lembrar: dívidas públicas cada vez mais altas inibem investimentos e reduzem o potencial de crescimento econômico ao longo do tempo, com todos os efeitos negativos decorrentes disso — sobretudo na área social.

 

 

 

O Palácio do PlanaltoO Palácio do Planalto — Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo

 

 

Master: A resposta do Cade sobre a atuação da mulher de Alexandre de Moraes

Por Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO

 

 

O contrato milionário firmado pela advogada Viviane Barci de Moraes com o Banco Master previa a organização de “cinco núcleos de atuação” perante o Judiciário, Legislativo e órgãos do Executivo, mas em pelo menos uma instituição expressamente mencionada no acordo a atuação da mulher de Alexandre de Moraes é desconhecida: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

 

Conforme revelou o blog, o contrato de Viviane com o banco de Daniel Vorcaro previa uma remuneração mensal de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos. Como ele foi assinado em 16 de janeiro de 2024, se tivesse sido cumprido integralmente teria rendido ao Barci de Moraes Associados cerca de R$ 130 milhões até o início de 2027 – ano em que o ministro assumirá a presidência do STF, no esquema de rodízio do tribunal.

 

Depois do Banco Central, o Cade, responsável por garantir a concorrência no Brasil, era estratégico para a aprovação da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada em março deste ano. Embora o BC tenha vetado a operação após descobrir as fraudes na venda de créditos do Master para o BRB, o Cade aprovou o negócio sem restrições em junho passado.

 

Mas a assessoria do órgão informou que nem Viviane nem representantes do escritório Barci de Moraes “tiveram reunião no Cade para tratar da compra do Master pelo BRB nem pra discutir outros casos relacionados ao banco desde, pelo menos, janeiro de 2024” – justamente o início da vigência do contrato com Vorcaro.

O Barci de Moraes não consta no processo relativo à negociação no órgão, onde quem defende o Master é o escritório Pinheiro Neto.

 

O contrato do banco com o escritório da família de Alexandre de Moraes previa a atuação “estratégia, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, o Ministério Público, o Legislativo e em quatro órgãos do Executivo: o Banco Central, a Receita Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Cade. A autarquia é vinculada ao Ministério da Justiça e tem sede em Brasília.

 

Procurados pelo blog, o Barci de Moraes e o Master não esclareceram quais causas o escritório atuou e quanto, afinal, foi pago do valor global do contrato.

 

Fraudes contábeis

Segundo o Ministério Público Federal, o BRB decidiu injetar recursos e adquirir o Master “para evitar sua quebra, embora se tratasse de uma instituição financeira cuja operação se baseava em fraudes contábeis, usadas para inflar artificialmente seus ativos e lesar investidores”.

“Apesar das evidências de que o Banco Master comercializava carteiras de créditos inexistentes — apenas em 2025, no montante de R$ 12,2 bilhões —, a direção do BRB insistiu em sustentar a operação de aquisição até a negativa final do BACEN [Banco Central]”, apontou o procurador da República Gabriel Pimenta.

 

“Esse comportamento demonstra que os gestores do banco público não foram enganados pela administração do Master, mas, ao contrário, tinham plena consciência e participaram das fraudes. Nesse cenário, a aquisição do Banco Master configurava não apenas uma manobra para salvar a instituição privada, mas também uma tentativa de ocultar crimes graves contra o sistema financeiro nacional e contra o patrimônio público do Distrito Federal.

 

Solenidade de Posse dos Ministros Alexandre de Moraes e Enrique Ricardo Lewandowski nos cargos de Presidente e Vice-Presidente do TSE. Moraes com a esposa Viviane BarciSolenidade de Posse dos Ministros Alexandre de Moraes e Enrique Ricardo Lewandowski nos cargos de Presidente e Vice-Presidente do TSE. Moraes com a esposa Viviane Barci — Foto: Isac Nóbrega/PR

 

 

 

 

Obstáculos econômicos e políticos à queda dos juros

Banco Central estima que a inflação acumulada em 12 meses cairá até 3,2% —muito perto da meta oficial de 3%— em algum momento do segundo trimestre de 2027, momento que por ora é o horizonte relevante da política monetária, quando deve ser mais intenso o efeito da alta dos juros.

A projeção consta do comunicado em que o BC divulgou sua decisão de manter sua taxa, a Selic, em sufocantes 15% ao ano. Embora o IPCA pareça rumar para patamares confortáveis, as perspectivas de o país voltar a conviver com juros civilizados ainda estão nubladas por obstáculos econômicos e políticos.

Pelas projeções mais consensuais de analistas de mercado, coletadas em pesquisa do BC, deve haver redução até agressiva da Selic em 2026 —o que, em tese, coincide com a conveniência governista em ano eleitoral. Seriam cinco cortes de 0,5 ponto percentual, a partir da segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março, e mais um de 0,25 em dezembro.

Nesse cenário, a próxima administração do país assumirá em 2027 com juros de 12,25% anuais. Note-se que essa ainda será uma taxa muito elevadíssima, incompatível com crescimento sustentável e contaminada por problemas fiscais e incertezas diversas.

As expectativas do mercado para a evolução da inflação são menos otimistas que as do BC, apontando para um índice de 3,8% ao final de 2027. As medidas da inflação nos serviços, mais resistente, ainda ficam em torno de 6% anuais, algumas em alta, ante um IPCA de 4,4% acumulado nos 12 meses até novembro.

Ou seja, alguns indicadores centrais para a política monetária ainda estão fora do lugar. Talvez por isso o comunicado da última reunião do Copom não tenha dado indícios claros de início do ciclo de reduções dos juros.

Por enquanto, segundo o próprio comando do BC, faltariam as condições necessárias para o começo do afrouxamento monetário. Ademais, há questões políticas que podem vir a ser consideradas empecilhos no caminho para taxas de juros mais baixas.

Após as eleições presidenciais, o vencedor, qualquer que seja ele, terá de enfrentar uma situação orçamentária dificílima, que vai requerer medidas imediatas.

O resultado do pleito será decisivo para a formação das expectativas a respeito do destino econômico imediato do país. A esse respeito, restam evidentes sinais de que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afetaria preços essenciais, como a taxa de câmbio —ao menos até este momento, em que o petista não demonstra nenhuma preocupação com o ajuste das contas públicas.

Caso os candidatos mais competitivos não apresentem planos críveis de contenção de déficits e da dívida, maior será o risco de turbulência financeira. A não ser que expectativas e inflação corrente apontem clara tendência de queda, a hipótese de tensão no mercado pode fazer com que o BC venha a ser mais cauteloso.

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Enxugando gelo nos Correios, com aval do contribuinte

Diante do risco iminente de colapso dos Correios, com prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões nos primeiros nove meses deste 2025, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corre contra o tempo de para viabilizar um empréstimo de R$ 12 bilhões de um consórcio de bancos à empresa estatal.

Cinco instituições —Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander— acabam de apresentar proposta com juros entre 115% e 120% do CDI (até 18% ao ano atualmente). A operação, na prática, fica na conta do contribuinte, pois contará com garantia da União em caso de calote.

O pleito inicial dos defensores dos Correios no governo era obter R$ 20 bilhões, mas a primeira proposta recebida, com taxas elevadas (cerca de 136% do CDI), foi recusada pelo Tesouro Nacional. O valor foi então reduzido para viabilizar o acordo, em troca de um plano de reestruturação e cortes de custos.

Tudo isso era previsível desde o início do terceiro mandato de Lula. A resistência ideológica e corporativista da gestão petista ao modelo de eficiência privada, aliada à má qualidade da gestão da estatal, confirmou o desastre.

Após ter obtido lucro em anos anteriores, em 2023 os Correios registraram prejuízo de R$ 597 milhões. Em 2024, o rombo mais que quadruplicou e chegou a R$ 2,6 bilhões, impulsionado por queda de receitas (especialmente encomendas internacionais), aumento de despesas com custeio e perdas judiciais.

Neste ano, a crise anunciada explodiu: prejuízo de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre, R$ 4,3 bilhões no semestre e R$ 6,1 bilhões até setembro —uma sequência de trimestres ruinosos que expõe ineficiência crônica.

Na teoria, o empréstimo de R$ 12 bilhões será usado para bancar um projeto de reestruturação tardio e insuficiente. Com a contrapartida da garantia, a estatal deverá submeter ao governo um plano de reequilíbrio, com prestação de contas semestral.

Parâmetros divulgados incluem um novo programa de demissão voluntária para até 15 mil empregados e reformulação de cargos, salários e benefícios, além de corte de agências deficitárias. Acredite quem quiser.

Existia uma alternativa viável —o plano de privatização do negócio de entregas e logística, com concessão dos serviços postais universais preservando sua natureza pública, elaborado pelo BNDES no governo passado. Em vez disso, Lula prefere enterrar dinheiro público em um negócio inviável que, de mais estratégico, serve de cabide de emprego para apaniguados do partido.

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