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Silêncio dos inimigos da 2ª instância é traiçoeira.....

Josias de Souza

26/11/2019 02h22

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Arma-se em torno das propostas sobre a volta da prisão na segunda instância uma cena típica de faroeste. Nela, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre cavalgam à frente dos carroções da moralidade como espécies de John Wayne liderando os colonos do Legislativo a caminho da clareira do plenário. De repente, dois integrantes da caravana travam o seguinte diálogo:

— Estou preocupado com os índios da tribo dos enforcados.

— Índios? Mas não vejo índio nenhum!

— O que inquieta é justamente isso. Em matéria de prisão, nada pode ser mais preocupante do que o silêncio dos índios da tribo com a corda no pescoço.

Nesta terça-feira, Davi Alcolumbre recebe na residência oficial da Presidência do Senado líderes partidários e o ministro Sergio Moro (Segurança Pública). Espera-se que Rodrigo Maia, o John Wayne da Câmara, também participe. O pretexto do encontro é a busca do consenso sobre prisão na segunda instância.

No momento, Senado e Câmara dançam em ritmos diferentes. Um grupo de senadores gostaria de ressuscitar rapidamente a regra derrubada pelo Supremo Tribunal Federal. Com as bênçãos de Moro, esse grupo avalia que o melhor a fazer seria aprovar um projeto de lei. Rodrigo Maia avisou que a Câmara já optou pelo caminho mais longo e árduo da emenda constitucional.

A pretexto de costurar um hipotético entendimento, Alcolumbre provocou o cancelamento de audiência pública que ocorreria nesta terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Os senadores ouviriam Sergio Moro sobre as vantagens de restabelecer a regra sobre prisão por meio de projeto de lei, mais fácil de aprovar do que a emenda concebida na Câmara.

Na outra ponta, Rodrigo Maia se apresenta como um negociador sui generis, do tipo que admite conversar sobre tudo, desde que prevaleça a opção dos deputados por uma alteração constitucional cuja tramitação invadirá o ano eleitoral de 2020. Os partidários da volta da prisão ruminam a suspeita de que Alcolumbre e Maia ajeitam o palco para a emboscada dos índios da tribo dos enforcados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Uma TV não derruba mais presidentes

Luís Antônio Giron / ISTOÉ

O empresário paulistano Amilcare Dallevo Jr., de 61 anos, começou a carreira na área de tecnologia da informação. Desenvolveu softwares de telefone para uso em enquetes. Em 1999, comprou o espólio da rede Manchete e fundou a Rede TV!, em parceria com Marcelo de Carvalho, vice-presidente da organização. Mais uma vez, Dallevo apostou na interação do público e na alta tecnologia. Como resultado, a Rede TV! conta mensalmente com uma audiência de 100 milhões de espectadores na televisão aberta e 1 bilhão de visualizações no YouTube, onde é campeã. Ele comanda um império de 1,2 mil funcionários, cinco emissoras e 45 afiliadas. Nesta entrevista,revela como fundou seu canal e lida com as diversas áreas da empresa, como entretenimento, publicidade e jornalismo. Ciente da influência que possui, defende a equidistância para evitar a polarização política e afirma que os canais de TV já não depõem presidentes, como no passado.

Você despontou como executivo quando apostou em novas tecnologias da telefonia. O que você aprendeu com a experiência?

Cursei engenharia eletrônica voltada para área de software na Poli da USP, mas trabalhava com computação desde os 14 anos. Nos anos 1990, abri a Tecnet, uma empresa de software, para desenvolver software na intersecção das áreas de telecom e tecnologia de informação.

Como você se envolveu com a televisão?

Em 1994, nós fazíamos muitos trabalhos para a estatal Embratel, que tinha sido procurada pela TV Globo para desenvolver um software para o público no carnaval. O telespectador discava para dar uma nota para uma escola de samba e, em tempo real, o sistema recebia a informação, calculava a média e passava o placar no vídeo. O brasileiro adora participar. Assim, criamos em 1992 toda a plataforma tecnológica para o programa “Você decide”, em que o espectador escolhia o final pelo telefone. Criei então o serviço telefônico 0900. Ainda nos anos 1990, passamos a alugar espaços de televisão para produzir programas no intuito de receber ligações e, assim, nasceu a Ômega Produções. Foi nessa época, em 1999, que compramos a concessão da rede Manchete.

Como foi herdar os passivos trabalhistas da Manchete?

Como estamos no Brasil, vieram milhões de ações trabalhistas de todo tipo. E assim começou a nossa sina. Demoramos 15 anos para resolver o problema. A rigor, a Rede TV! tem cinco anos. O resto do tempo foi para resolver os pepinos. A despesa foi grande, associada ao chamado “Custo Brasil”.

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Paulo Hartung: “É preciso quebrar a coluna vertebral da apropriação do Estado brasileiro por pequenos grupos”

Morris Kachani / O ESTADO DE SP

25 de novembro de 2019 | 15h04

“A História brasileira é de um Estado burocrático, pesado, caro, e a serviço de uma minoria. Você tem que ter as contas sob controle e tem que ter a capacidade de parar de tomar mais de quem tem menos. A vida mudou, o mundo do trabalho mudou e o setor público ficou parado e sendo regulado por dispositivos feitos para outro tempo”

Que a máquina pública brasileira encontra-se escaldada em um anacronismo sufocante, parece ser um consenso.

Hoje as despesas com pessoal representam o segundo maior gasto primário da União, atrás apenas da Previdência.

Está em curso uma discussão sobre uma reforma prevendo drástica redução no número de carreiras, salários mais alinhados com o setor privado – as projeções mostram uma proporção até 5x maior -, rigorosa avaliação de desempenho, e travas para as promoções.

No entanto, o governo achou por bem postergar a apresentação do projeto, sob a argumentação de que poderia precipitar manifestações. O lobby da categoria é conhecido. Basta lembrar que a frente parlamentar do serviço público no Congresso, conta com 255 deputados, de um total de 513. Quase a metade.

A propósito, para que tantos deputados? Esta é outra discussão. Que também necessariamente passa por um diálogo sobre o país que queremos construir, os costumes e valores dos indivíduos e das instituições.

Junto com Armínio Fraga, o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, atual CEO da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) – associação que reúne a cadeia produtiva de árvores plantadas para fins industriais -, é interlocutor, parceiro e conselheiro de Luciano Huck, compondo o núcleo mais próximo do apresentador da Globo.

Os três se encontram esporadicamente, em conversas que giram em torno da formulação de políticas públicas para o país, dentro de um contexto de especulação sobre eventual candidatura de Huck, à presidência da República.

Hartung, economista de formação, ganhou fama por ter encabeçado um projeto de ajuste fiscal que colocou as contas do Espírito Santo em relativa ordem, após três mandatos. E é disso que trata esta entrevista.

Assim como Huck, Hartung também participa do Agora, espécie de think tank agregador de experiências e pensamentos diversos, e do RenovaBR, movimento de renovação política que formou quadros como a deputada Tábata Amaral.

“Não à toa, da Constituição promulgada em diante, nós passamos a reformá-la. O fato é que o desenho de Estado que produzimos em nossa Constituinte de 88 tem características de uma história de Estado de máquina públicas muito exuberantes, caras e ineficientes”.

“Você tem que ter as contas sob controle e tem que ter a capacidade de parar de tomar mais de quem tem menos, porque hoje o sistema tributário faz isso. Ou de dar mais pra quem tem mais – o sistema previdenciário faz isso”.

 “Temos as experiências do Chile, Bolívia e Argentina para refletir e aprender. Só entrega quem organiza – pode ser de direita, esquerda ou centro”.  

“Eu conheci o Luciano no início do ano passado. Nossa primeira conversa – eu, ele e Armínio Fraga – durou até de madrugada. Depois fiquei no portão da casa do Armínio conversando e disse a ele o quanto estava absolutamente surpreso. Luciano é um ser humano absolutamente sensível com os desafios sociais do Brasil, extremamente curioso de entender o funcionamento das coisas; ao mesmo tempo um profissional hiper bem-sucedido. Temos uma troca de experiências muito rica.  Operamos em áreas diferenciadas e acabamos tendo complementariedade.

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Documento do PT expõe oposição com pés de barro...

Josias de Souza

25/11/2019 05h04

Reunido em seu 7º Congresso, o PT passou três dias —de sexta a domingo— se autovangloriando em discursos e debates sobre a força de Lula e a disposição da legenda para mobilizar as ruas contra o governo de Jair Bolsonaro. Ao final, reelegeu-se Gleisi Hoffmann para a presidência da legenda e aprovou-se uma resolução. O documento impõe à valentia petista uma certa ponderabilidade cômica.

Mal comparando, o PT ficou em posição parecida com a do sujeito que diz que vai quebrar a cara do outro, mas expõe tantas condicionantes para levantar da cadeira que acaba comprometendo a seriedade da cena. A banda mais esquerdista do PT defendeu a adoção do bordão "Fora Bolsonaro". O grupo majoritário, comandado por Lula, sugeriu uma emenda que transformou em piada o soneto.

Puxa daqui, estica dali anotou-se no documento que a direção nacional do PT pode atualizar sua tática oposicionista, exigindo a saída de Bolsonaro, desde que se observe uma "evolução das condições sociais", da "percepção pública sobre o caráter do governo" e da "correlação de forças".

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Toffoli foi a aniversário em SP num jato da FAB...

Josias de Souza

23/11/2019 04h21

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, requisitou um jato da Força Aérea Brasileira para o último dia 14 de novembro. Decolou de Brasília às 18h45. Aterrissou no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 20h35. No registro do Comando da Aeronáutica, está escrito que Toffoli viajou a "serviço". Entretanto, não há vestígio de compromisso oficial na agenda do ministro, disponível no site do tribunal. Em verdade, Toffoli viajou à capital paulista para celebrar o seu aniversário. A festa ocorreu em 16 de novembro.

Toffoli completou 52 anos no feriado de 15 de novembro, dia em que a proclamação da República fez aniversário de 130 anos. Organizou a festa para o dia seguinte, um sábado (16). No domingo (17), retornou a Brasília —novamente a bordo de um jato da FAB. Decolou de Congonhas às 20h15. Pousou na capital às 21h45. A exemplo do que fizera no primeiro voo, a Aeronáutica anotou em sua planilha que Toffoli estava a "serviço". Falso. O ministro estava de folga. Sua agenda no Supremo manteve-se inativa no período de 14 a 17 de novembro.

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PT trama para Bolsonaro uma realidade de Dilma...

Josias de Souza

22/11/2019 05h52

Reunido no seu 7º Congresso Nacional, em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores lançará as bases daquilo que a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, chamou de "a mais firme oposição ao governo Bolsonaro". Baseia-se na política da histeria.

Deseja-se proporcionar ao capitão um ambiente de fim de mundo semelhante ao que resultou na derrocada de Dilma Rousseff —com asfalto cheio e temperatura em alta. Trata-se do caminho mais fácil para o PT. É também o caminho errado.

Atear fogo ao quadro político é o caminho mais fácil porque dispensa o PT de fazer uma autocrítica. É errado porque mantém o partido acorrentado à rotina criminal de Lula. E não há na praça material, combustível e disposição política para um novo impeachment.

A ficha do PT demora a cair. Mas o partido vem perdendo espaço na preferência do eleitorado desde 2010. Lula prevaleceu em 2002 e 2006 com 61% dos votos válidos. Em 2010, Dilma foi enviada ao Planalto com 56%.

Em 2014, Dilma passou raspando na trave, com 52%. E foi enviada mais cedo para casa. Na sucessão de 2018, com Lula na cadeia, Fernando Haddad obteve 44,8% dos votos válidos. O antipetismo ajudou a eleger Bolsonaro, com 55% dos votos.

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