Líder de Bolsonaro no Senado é ‘real dono’ de concessionária que recebeu propina, diz PF
Luiz Vassallo / O ESTADO DE SP
30 de janeiro de 2020 | 06h00
Fernando Bezerra Coelho. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado
A Polícia Federal afirma que o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB/PE), líder do governo Jair Bolsonaro, é o verdadeiro dono de uma concessionária da Jeep apontada por delatores como destinatária de propinas ao parlamentar, que também teria atuado pela concessão de benefícios fiscais à marca até 2025 no Nordeste do País. A suspeita já existia, e foi reforçada após a análise de documentos apreendidos no gabinete do senador, além de conversas dele com familiares e empresários no aplicativo WhatsApp.

Bezerra Coelho foi alvo de buscas e apreensões no dia 19 de setembro, na Operação Desintegração, que mira supostas propinas de R$ 5,5 milhões de empreiteiras à época em que ele foi ministro da Integração do governo Dilma Rousseff. Nesta quarta, 29, o Estado revelou que a PF está investigando negócios do senador em um paraíso fiscal norte-americano com um dos empreiteiros suspeitos de pagamentos de propina.
A ação, deflagrada em setembro de 2019, mira repasses aos parlamentares no âmbito de obras do Canal do Sertão e a Transposição do Rio São Francisco.
Mórbida semelhança - DORA KRAMER
Os adoradores, tanto do ex-presidente Lula quanto do presidente Jair Bolsonaro, consideram uma heresia as comparações que se fazem entre um e outro. Rebelam-se especialmente contra demonstrações de fatos e atos semelhantes, mas são os próprios que fornecem os exemplos.
Dois mais recentes: um, a entrevista de Lula na semana passada assinando embaixo das rudezas de Bolsonaro em relação à imprensa. O atual tenta interditar críticas na base da grosseria e o ex-presidente simplesmente se recusava a dar entrevistas a veículos e profissionais independentes.
O outro exemplo é a maneira como ambos encaram as agências reguladoras encarregadas de fiscalizas as relações entre empresas e governos. Os dois se posicionaram contra a independência. Lula retirando-lhes na prática muito do poder e Bolsonaro agora pretendendo indicar aliados para as dez agências onde serão abertas 22 vagas com o fim do mandato dos titulares. VEJA
Procuradoria denuncia Lula e Boulos pela invasão do triplex no Guarujá
Fausto Macedo e Luiz Vassallo
29 de janeiro de 2020 | 15h50
Triplex. FOTO MAURICIO DE SOUZA / ESTADÃO
O procurador da República em São Paulo Ronaldo Ruffo denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, pela invasão do triplex no Guarujá, em abril de 2018, em protesto contra a prisão do petista para cumprimento da sentença imposta, à época, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por supostas propinas de R$ 2,2 milhões da OAS – equivalentes às reformas e suposta aquisição do imóvel.
Eles são acusados por violar o artigo 346 do Código Penal: “Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção”.
Além da ocupação, havia ainda um grupo de 70 apoiadores em frente ao triplex, com faixas dizendo “Se é do Lula, é nosso”, “Se não é, por que prendeu?” e “Povo sem Medo”.“É uma denúncia da farsa judicial que levou Lula a prisão. Se o triplex é dele, então o povo está autorizado a ficar lá. Se não é, precisam explicar porque ele está preso”, disse Boulos, no dia 16 de abril, nas redes sociais. Lula havia sido preso no dia 7 daquele mês.
Davos – a criança (não) estava lá
30 de janeiro de 2020 | 03h00
A pauta ambiental dominou a agenda da 50.ª edição do Fórum Econômico Mundial, encerrado no último dia 24, em Davos. Foi uma longa jornada desde que o assunto foi introduzido no Fórum até que viesse para o primeiro plano. É natural que seja assim. Os grandes problemas que assolam o mundo não se alteram de um ano para o outro, nem mesmo em décadas.
Seria difícil contestar a importância de quaisquer dos assuntos tratados pelo Fórum. Mas é preciso abrir espaço para um tema que não foi devidamente valorizado: a criança. Meu objetivo este ano em Davos foi chamar a atenção para esse assunto, que, assim como foi com o clima no passado, está presente na maioria dos painéis, mas de forma ainda periférica.
Isso tem de mudar. A qualidade do ar, os refugiados, o futuro do trabalho, não há um único recorte possível sobre desenvolvimento sustentável que prescinda da necessidade de cuidarmos da primeira infância. Essa é a causa raiz de tantas dessas e de outras causas.
Em 2000 James Heckman recebeu o Prêmio Nobel de Economia por comprovar que investimentos feitos para assegurar um ambiente saudável para a criança, do ponto de vista físico e emocional, desde o nascimento até os 5 anos de idade, evitaria gastos sociais e acarretaria ganhos econômicos ao longo de toda a vida de cada indivíduo. Cada dólar alocado nesses cuidados proporciona um retorno anual de 13%, mostrou Heckman.
Isso acontece porque nos primeiros três anos de vida a arquitetura do cérebro está em construção, fornecendo o alicerce para a evolução das futuras habilidades da vida adulta, como resolução de problemas, planejamento, criatividade e pensamento flexível. Mas o ambiente e as experiências interferem nessa construção. A exposição contínua a diferentes tipos de adversidades compromete o desenvolvimento pleno do cérebro, o que impactará o indivíduo ao longo de toda a vida.
Isso quer dizer que uma criança vivendo entre refugiados, ou em situação de pobreza extrema, ou vítima de violência tem seu desenvolvimento irremediavelmente comprometido? Não, se usarmos o conhecimento e os instrumentos que já possuímos para criar estratégias de cuidados e proteção à criança e à família.
É essencial que discutamos globalmente estratégias para proteger o desenvolvimento saudável dessas crianças nos desafios que nossa sociedade enfrenta, desde as diferentes situações de vulnerabilidade extrema, como ambientes de guerra e miséria, até os dramas cotidianos que assolam qualquer sociedade, por mais desenvolvida que seja: a instabilidade emocional causada pelo desemprego na família; a insegurança urbana, que cerceia o acesso a um cotidiano de estímulos; a violência doméstica.
Num mundo complexo, turbulento e incerto, existem muitas prioridades. Diante de orçamentos limitados, os gestores precisam fazer escolhas sobre a quais políticas e programas dar prioridade. Um foco em emergências imediatas pode parecer mais atraente. No entanto, a realidade é que investir nos primeiros anos de uma criança poderia realmente prevenir muitas dessas mesmas crises.
Em todo o mundo os formuladores de políticas são, cada vez mais, obrigados a fazer mais com menos. A chave é como oferecer intervenções que tenham baixo custo inicial, produzam retornos rápidos e garantam impacto duradouro. A provisão de serviços de atendimento infantil de alta qualidade faz exatamente isso. Eles não só produzem cidadãos criativos e capazes, mas também interrompem os ciclos de pobreza entre gerações e contribuem para o enfrentamento dos grandes desafios globais.
O valor do desenvolvimento da primeira infância como motor da quarta revolução industrial está claro. Em Davos, os participantes se concentraram, como sempre, no que é necessário para se prepararem para um mundo dominado pela tecnologia, pela automação e por trabalhos que ainda não existem. As medidas voltadas para a primeira infância são essenciais para preparar as futuras forças de trabalho, pois é nessa etapa que se define a flexibilidade conflitiva – ferramenta que permitirá a adaptação e o aperfeiçoamento de diferentes habilidades. Investir em ter capital humano com bases sólidas e que se possa ajustar às dinâmicas de um mercado imprevisível é nossa única esperança de garantir o futuro do trabalho.
Discutimos esses temas no encontro entre os integrantes do Young Global Leaders, ao longo do Fórum. Nosso norte foi a busca de alternativas que contribuam para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente as metas relacionadas às crianças. Nossa batalha agora é construir caminhos para que o cuidado com a primeira infância vá para o centro do debate. Assim como ocorreu merecidamente com o clima, a criança deve passar para o primeiro plano de toda discussão sobre desenvolvimento sustentável. Dar prioridade à criança é mais do que um interesse ou responsabilidade da sociedade, é o maior e mais eficiente legado que podemos construir hoje.
CEO DA FUNDAÇÃO MARIA CECILIA SOUTO VIDIGAL, É UMA JOVEM LÍDER GLOBAL INDICADA PELO FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL. HÁ 15 ANOS, A ORGANIZAÇÃO INVESTE NUMA REDE DE JOVENS QUE ATUA AO REDOR DO MUNDO BUSCANDO SOLUÇÕES PARA DESAFIOS GLOBAIS
Anos seguidos de seca reduzem áreas de plantação de sequeiro no CE

Reza a tradição que as chuvas no Ceará em janeiro começam de forma mais regular pela região do Cariri (Sul do Estado), oriundas do Piauí, para depois banhar outras regiões, avançando em direção ao Centro-Sul, Inhamuns, Sertão Central, Vale do Jaguaribe e o Norte cearense. É bem verdade que, nos últimos anos, esse quadro tem se modificado e as precipitações estão ocorrendo de Norte a Sul do Estado, de forma bem mais localizada.
Redução
Nos últimos nove anos, houve redução da área de plantio no sertão cearense, segundo o IBGE. Em 2010, foram cultivados 452.227 hectares de feijão de corda e 551.934 de milho. Já em 2019, a área plantada de feijão de corda caiu para 370.731 hectares e a de milho para 524.303. Ainda assim, não se observa queda geral na produção do Estado. De acordo com Regina Dias, supervisora estadual de estatísticas agropecuárias do IBGE, apesar de maior área de plantio em 2010 em comparação com 2019, a menor produção naquele ano decorre de perda da safra por causa da seca. "Em 2010, o Ceará enfrentou uma seca grande, houve perda elevada da safra de grãos de sequeiro", lembrou a supervisora.
Os técnicos da Ematerce concordam que períodos seguidos de chuvas irregulares com perdas de safras, saída das famílias do campo para os centros urbanos e mudanças de culturas contribuem para a diminuição das áreas de cultivo de sequeiro.
Secretário que usou avião da FAB usa imóvel funcional e ganhou R$ 90 mil em diárias
O secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, que teve sua exoneração anunciada por Jair Bolsonaro, recebeu R$ 90,9 mil em diárias durante seu primeiro ano no governo. O valor é referente a viagens que ele fez acompanhando a comitiva presidencial ou do ministério da Relações Exteriores. Dados do Portal da Transparência mostram que Santini fez 15 viagens em 2019.
Hoje, o secretário tem um salário de R$ 17 mil, além morar em um imóvel funcional. Se o presidente cumprir sua promessa de exonerar Santini, ele terá que devolver o apartamento.

